DS – Capítulo 170

Aparências enganam.

Tome por exemplo Han BoLao, uma beldade de pele pálida, cabelos negros, de olhos verdes. A primeira vista, ela parecia pouco mais do que uma socialite peituda, com modos impecáveis e risada angelical. Entrando no quarto, ela tinha uma palavra gentil e toque macio com todos que conhecia, nada como sua reputação. Percebendo que seu nome era um homônimo para seu apelido, Picanço, eu quase me enganei ao pensar que ela não era nada mais que uma vítima de rumores exagerados. Quero dizer, eu sabia melhor do que a maioria o quão exagerados eles podiam ser.

Apesar de ignorância ser uma benção, era impossível permanecer ignorante depois de ver BoLao bater seu punho na mesa e exigir que a Purificação começasse imediatamente, indisposta a atrasar nem por um minuto a mais do que o necessário. Sentada calmamente na cabeça da mesa, o fervor em seus olhos e sorriso em seu rosto me deu calafrios, seu foco em outro lugar como se já estivesse planejando os horrores que ela infringiria. Extremismo era uma coisa aterrorizante, a culpa dos aldeões decidida após meros segundos de contemplação.

Se eu trouxesse “inocente até que se prove o contrário”, o melhor resultado seria algumas risadas e piadas. Eles provavelmente me trancariam por ser louco.

Ou pior.

Apesar de eu saber que Baledagh não teve escolha a não ser reportar o surto dos Corrompidos, eu me sinto enojado depois de dar meu testemunho, como se tudo que acontecesse depois fosse minha culpa. Ele parece indiferente a tudo, mais uma vez reafirmando minha crença de que ele encaixa mais nesse mundo do que algum dia eu conseguiria, capaz de aceitar a lógica por trás do genocídio. Ouvir Yuzhen explicar tudo impassivamente como ela pretende prosseguir com tudo não ajuda. Cercar os civis, levá-los até o lago, reunidos em rebanhos para serem torturados e executados em massa, tudo parece tão surreal.

Não é o bastante matar, não, isso não passaria de assassinato. Eles precisam provar a corrupção, o Corrompimento, e qual melhor prova do que o cadáver de um recém transformado Demônio? É uma lógica distorcida, atrasada a qual todo mundo aceita sem piscar os olhos, a morte esquecida devido a conclusão, uma mera estatística indigna de alguém se importar. Pior de tudo, ao seu pedido, eu fui atribuído à comitiva de BoLao, o que significa que eu nem posso enterrar minha cabeça na areia. Quanto mais tempo eu passo no mundo, mais eu quero nunca mais sair de casa outra vez. E de novo, casa agora é na Ponte para mim, e eu não posso dizer com certeza se seria melhor estar lá.

A reunião terminada, eu saio apressado para respirar ar fresco e para solidão muito necessária. A atmosfera cavalheira não é real, me fazendo questionar minha sanidade. Como essas pessoas conseguem ser tão insensíveis? Nem um único deles parece triste, muitos até parecem animados com o prospecto de Demônios, ansiosos para prosseguir com o “dever cívico” deles e receber reconhecimento por seus esforços. É nojento.

— Subtenente Falling Rain? — Uma voz desconhecida me chama e Gerel olha para mim, me avisando para me comportar antes de ir embora contente. Me virando, eu vejo Dastan Zhandos, o Subtenente de Sanshu, saudando em cumprimento. — Se eu pudesse ter um momento de seu tempo.

Ugh. E essa agora. Eu nunca falei com ele antes, por que ele quer conversar agora? — É importante? Eu tenho assuntos urgentes para cuidar.

— Alguns minutos é tudo que eu peço, por favor. — Me dando uma carta selada com ambas as mãos, ele me espera lê-la.

Pulando todos os cumprimentos floridos, eu pulo para o cerne da coisa. Essencialmente, o Conselho está me oferecendo uma recompensa substancial para testemunhar contra Yuzhen. Levantando uma sobrancelha para Dastan, eu largo todo o fingimento e jogo a carta no chão. — Você está falando sério? Nós estamos prestes a embarcar no massacre de dezenas de milhares e você quer brincar de política? Você ouviu o que eu estive fazendo durante minha ausência e você ainda pensa que eu tenho algo haver com a Milícia da Mãe.

Empalidecendo enquanto ele se afasta, Dastan levanta suas mãos em um gesto apaziguador. — Minhas desculpas, eu não sabia do conteúdo, só me pediram para passar a mensagem e ouvir sua resposta.

— Bom, aqui está minha resposta: eu tô cagando para o Conselho. Minhas ações foram todas em serviço do Império. Eu cacei bandidos porque foi o dever que me foi atribuído pelo próprio Marechal. Não há um esquema mais fundo ou estratagema desonesto, e se minhas ações incomodam o Conselho, então que ótimo. Que se foda eles, eles tentaram me matar por fazer meu trabalho. — Cuspindo no chão, eu o mando embora, mal consigo me parar de esmurrar ele. — Me desculpe, eu tenho que me preparar para trucidar milhares de cidadãos impotentes.

Voltando para meu acampamento, minha raiva diminui enquanto eu escovo e selo Mafu, o quin gordo animado demais para ficar parado. Talvez eu deveria ter sido mais diplomático com Dastan, mas ele que se foda. De todas as pessoas aqui, eu pensei que ele seria o mais compreensivo considerando suas origens humildes. Ao invés disso, ele está correndo brincando de mensageiro para gatos gordos egoístas e ignorantes, que não se importam com a situação dos cidadãos.

Abraçando Mafu em busca de conforto, eu enfio meu rosto em seu pêlo grosso. Eu não estou realmente com raiva do Dastan por não fazer nada. Não há nada que ele possa fazer, e não há nada que eu possa fazer também.

A Purificação está aqui, e não há nada além de Intervenção Divina que irá impedi-la.

E que sorte, eu consegui assentos na primeira fileira, ficando ao lado da arquiteta de tudo isso, Han BoLao.

Ebaaaaaa…

Como um papel enrolado em seu peito, a disposição triste de Zian cresceu ao redor dele enquanto estava sentado em cima de seu cavalo. Uma sensação desconhecida permeava seu ser enquanto ele passava pela floresta, sua pegada fria inflexível conforme espremia seu peito, o deixando não diferente de um cadáver. Ver Falling Rain mostrar sua pureza através da canalização de uma intensa torrente de chi, palpável mesmo de longe, deixou um gosto amargo na boca de Zian, seu mundo ficou cinza com a mostra de talento esmagador.

 

Desde o nascimento, as melhores coisas nunca faltaram para Zian, fosse riqueza, educação, ou mulheres, ele só precisava demonstrar interesse e tudo estaria aos seus pés. Dotado além da comparação, ele encontrou a Iluminação aos sete, Equilíbrio aos oito, compreendeu as Formas básicas aos dez e demonstrou perícia aos quinze. Os maiores guerreiros nas Províncias Norte e Central disputavam entre eles por uma chance de tê-lo como discípulo, chegando aos montes para se provarem dignos.

Só os requerimentos estritos de sua Mãe e o desejo convicto de Zian de seguir seu heróico Tio Yang o impediram de escolher um mestre, mas mesmo sem um mestre, sua compreensão e habilidade cresciam aos montes. Ganhar a Competição da Sociedade foi simples como virar sua mão, um desapontamento anti-climático para um jovem com desejo de desafio.

Um desafio que ele só encontrou lutando com seus anciãos. Por dois anos depois da Competição, ele permaneceu no Quartel-general e lutou sem parar com qualquer um que aceitasse, buscando orientação da geração mais velha, alguns com o dobro de sua idade. Apesar dele ser derrotado de novo e de novo, ele continuou buscando novos oponentes a fim de temperar o estilo de duas espadas deixado para trás por seu pai, o manuscrito original esfarrapado de seus anos de estudo. Conforme ele crescia, suas habilidades estagnaram enquanto rivais de sua geração mordiscava seus calcanhares, mas não por muito tempo. Na tenra idade de vinte e três, em uma sessão quieta e de meditação contemplativa depois de uma luta de treino intensa, Zian condensou sua Aura pela primeira vez, firmemente fixando sua posição como o maior talento jovem da Província Norte.

De qualquer medida, Zian era um dragão entre homens, como seu Tio e seu Pai antes dele, então porque um Filho do Céu como ele iria ter sentimentos de insignificância e insatisfação? Como tudo deu tão errado? Uma única derrota e tudo que ele construiu se foi, sem honra, sem reputação, e agora, sem confiança.

Situ Jia Zian, um dragão em ascensão, esmagado por um simples bárbaro, Falling Rain.

Ou talvez não tão simples. Pegando em seu robe, Zian puxou seu novo relógio de bolso, um presente de Falling Rain. Mãos tremendo, seus dedos passavam pelas múltiplas jóias colocadas na bela capa em relevo. Um trabalho de mestre, o pequeno relógio valia uma verdadeira fortuna, mas ele não ligava para o valor, sua mente fixada na mensagem gravada nele: Para o Magistrado de Shen Yun, dez mil anos de longevidade e fortuna. Uma saudação comum o bastante, mas ainda o fez se revirar na cama por horas, incapaz de analisar a conotação, o significado, a implicação. Era bem conhecido que ele era o próximo na linha para se tornar o Patriarca do Clã Situ, então se Falling Rain buscava ganhar seu favor, por que se dirigir a ele como “Magistrado”? Um erro simples ou havia um significado mais profundo? Uma ameaça súbita, um aviso para que ele se distancie da Sociedade?

Era tudo um ato? O que melhor descrevia Falling Rain, tolo bárbaro ou gênio astuto? O que quer que fosse, ele agora estava na frente da procissão em uma posição de honra, provavelmente conversando amigavelmente com a Picanço e com a Major Yuzhen. A estrela de Rain se ascendia enquanto a de Zian se apagava em obscuridade amarga, se banhando nas nuvens de poeira aqui no fim da fila.

— Jovem Mestre. — A voz macia de Jukai o tirou de seu estupor. Olhando para o seu segundo em comando, Zian piscou enquanto o mundo voltava a focar, o olhar do homem mais velho cheio de preocupação enquanto eles viajavam lado a lado. — Não há necessidade de se comparar com os outros. As conquistas deles não diminuem as suas.

— Mas elas não fazem? — Zian desdenhou suas memórias de bajuladores elogiando ele, enojado por deixar tudo aquilo subir a cabeça. — Quem ainda fala de Situ Jia Zian se não para zombar dele por sua perda? Desde então eu tenho treinado mais duro do que nunca, totalmente dedicado no Caminho Marcial, mas Falling Rain me supera facilmente enquanto passa seus dias no ócio com suas mulheres e seus animais!

 

— A medida do valor de um homem é determinado pelos rumores de ignorantes? Este mero eu viu a profundidade dos esforços e paixão do Jovem Mestre e sabe da verdade. Este mero servo poderia lhe dar um conselho?

Algo dentro dele estalou. — Chega da sua bajulação, isso me enoja. Você é um Coronel, mas eu ainda não te vir agir como tal. Se refira mais uma vez como mero e eu vou ordenar que você seja açoitado e expulso da minha comitiva. Fale livremente sem mais choramingar.

Sorrindo com alegria como se Zian tivesse chamado ele de “avô”, Jukai assentiu. — Certo então. — Adotando o ar de um tutor áspero, ele soltou seu colar e continuou. — Só reconhecendo suas falhas se pode esperar atingir perfeição. Um gênio sem igual pode nunca conhecer a derrota, mas o maior dos heróis vai prová-la milhares de vezes até prosperar.

A voz de Zian pingava com sarcasmo. — Então eu deveria agradecer o bárbaro por me derrotar? Parece que estou no caminho de me tornar um grande herói.

 

— Talvez com o tempo você irá. Agradeça a ele, mesmo que seja apenas em seu coração e nunca da boca para fora. Você é orgulhoso demais para isso.

Cuzão burlesco. Tanto faz, era uma melhora significativa da bajulação. — Explique. Que falhas? Minha técnica é quase perfeita e só por seu físico superior e décadas de experiência me impedem de te vencer. Me dê tempo e eu vou te desafiar e até derrotar, mesmo que talvez não em proeza física; minha estatura magra não é boa para confrontos de frente.

Jukai até tinha a audácia de revirar os olhos. — É essa a sua conclusão? Um simples cálculo e você acredita ser incapaz de me derrotar? Força é algo rígido e inflexível? Então, me deixe te perguntar: como Falling Rain, inferior a você em técnica, físico, e idade, te derrotou.

Encarando adagas para Jukai, Zian se impediu de explodir, se acalmando com várias respirações lentas. — Prossiga com cuidado.

Despreocupado com sua raiva, Jukai continuou sem uma preocupação no mundo, ignorante do fato que Zian estava considerando mandar ele ser açoitado. — É uma pergunta simples. Você já pensou nisso?

Só em todos seus momentos acordados. — O filhote bárbaro deu sorte.

— Não se venda por pouco, é preciso mais do que sorte para te derrotar, embora eu admita que o menino tenha bastante.

— Você viu o duelo? — Com a afirmação de Jukai, Zian hesitou antes de perguntar: — Seus pensamentos?

Sem preâmbulo, Jukai respondeu. — Você deveria ter vencido, nove vezes de dez. O que torna ainda mais importante refletir em como e porquê você perdeu. Você sabe porque perdeu, certo?

Este ascendente audacioso de um Coronel… Sua voz pingando com sarcasmo, Zian respondeu: — Por favor diga.

Balançando sua cabeça, Jukai fez careta. — A fragilidade de um gênio, incapaz de aceitar crítica. Em meus olhos, gênios e talento são imprestáveis. Com todo o respeito, seu Tio Jia Yang não era um gênio em seu juventude, ofuscado por muitos de seus iguais. Através de trabalho duro, dedicação, e diplomacia habilidosa, ele agora está a um passo do pináculo, enquanto os gênios de antigamente são pouco mais do que cinzas espalhadas pelo vento.

Um olhar desamparado subjugou o velhote, silenciosamente triste pelo passado até que Zian o apressou sem paciência. — Sim, ele é incrível, chega de bajulação, vá direto ao ponto. Como Falling Rain me derrotou?

Suspirando, Jukai coçou sua barba. — Honestamente, este tipo de conclusão você deveria fazer por conta própria. Você não vai gostar de ouvir.

— Explique.

— Tudo bem, eu já estava chegando lá. — Jukai estava bem preparado para essa conversa, as razões voaram de sua boca. — Ele não te derrotou, você se derrotou. Você assistiu ele lutar três vezes antes da sua partida. Duas vezes ele venceu de maneira limpa, facilmente contra-atacando seus oponentes agressivos demais. Em comparação, um escravo menos habilidoso que lutava na defensiva, ele lutou, até o ponto de perder um pé no processo. Vendo tudo isso, você deveria ter notado que Falling Rain é melhor em ficar vivo do que matar. A resposta apropriada teria sido tomar seu tempo e se distanciar dele, usando seu alcance para forçar ele na defensiva e desgastá-lo. Ao invés, você fez o contrário. Você lutou de perto com ele como um tolo e brincou onde seu inimigo era mais forte.

Enquanto Zian contemplava ter o homem desmembrado, Jukai continuou a falar, ignorante do perigo. — Seu estilo de luta é perfeito, perfeito demais. Sempre agindo da melhor maneira, isso permite o seu oponente te ler como um livro. Falling Rain guardou instintivamente suas áreas mais vulneráveis e você foi atrás delas como um idiota. Não é sua culpa inteiramente, você foi chamado de gênio sua vida inteira porque você podia emular as Formas sem erro, mas você não as dominou. As Formas são um guia, notas musicais em uma partitura. Jovem Mestre é um músico excelente, mas para se elevar acima dos seus iguais, você deve aprender a como compor.

Incapaz de falar devido a raiva, Zian continuou a viajar em silêncio. Não importa como ele se aproximava do argumento, ele não encontrou resposta adequada, nenhum furo na lógica de Jukai. Apesar de seu Tio Yang que mandou ele acabar com as coisas rápido, Zian deveria ter percebido que era a raiva e nervos a flor da pele falando. Quanto mais ele pensava, mais ele apreciava o discernimento de Jukai. Apesar da crítica machucar, como o velho Coronel disse, era mais importante que ele notasse essas falhas.

Aperfeiçoar sua falha, que fantasioso e absurdo. Porém, combinava, para um home de sua estatura. Na busca do pináculo, ele se cegou da verdade, que perfeição era uma questão de perspectiva. O melhor curso também era o mais óbvio, e, portanto, não mais o melhor. Um dilema curioso. Engolindo seu orgulho, ele se virou para Jukai e perguntou:

— Então, como você aprendeu a “compor”?

Sorrindo orgulhoso, o velho Coronel suspirou em alívio. — Ah, que maravilha, pensei que eu estava destinado a forca. Um jeito péssimo de morrer para um guerreiro.

— Anotado.

— Haha. Então, sobre como compor, eu não posso te ensinar. Um tigre ensinar a um dragão como caçar só vai atrapalhar o dragão, já que um tigre não tem asas. Cada indivíduo deve forjar seu próprio Caminho Marcial, a cada passo árduo, e só assim eles irão chegar no ápice. Seja crítico do seu próprio trabalho, explore novas opções, pratique, sue, sangre e dado tempo, seu estilo pessoal vai tomar forma. Porém, eu posso criticar, então se prepare. Seus movimentos são rígidos demais…

Enquanto Jukai continuava a explicar o Caminho Marcial, Zian ouvia atentamente, anotando cada palavra em sua memória. Apesar de seu Tio ser um homem incrível, ele não era perfeito, incapaz de falar o que pensava tão simples quanto Jukai, o Coronel velho entregava conselhos curtos, porém profundos com cada sentença. Mesmo lutando, Zian sentia que ele aprendia muito da orientação de Jukai enquanto Tio nunca praticou pessoalmente. Um pensamento quase herege surgiu em sua mente e, apesar dele tentar suprimi-lo, ele continuava a flutuar em sua mente, causando ondas de culpa dentro dele.

Talvez Tio errou em se escolher como o Mestre de Zian. O melhor dos professores pode nem sempre ser o mais forte dos indivíduos. De qualquer jeito, o tempo para auto-piedade acabou, e, apesar dele ter perdido seu lugar como o talento número um de sua geração, não importava.

 

Não importa qual obstáculo estiver em seu caminho, Situ Jia Zian alcançaria o ápice, ficando mais alto do que qualquer um antes dele.

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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