DS – Capítulo 172

Alegre com o espírito inquisitivo de Falling Rain, BoLao esperava ansiosamente enquanto este reunia seus pensamentos. Uma frase simples, “Eu não entendo”, mas era melhor do que os outros jovens oficiais ofereceram. Mesmo seu primo não disse nada além de truísmos comuns e garantias sem sentido, um desapontamento considerável. Os outros pensavam que sabiam o que estava por vir, mas nenhum deles entendia. Apenas Falling Rain foi bravo o bastante para aceitar sua ignorância e deu seus primeiros passos para corrigi-la, apesar dele parecer desconfiado de dar voz aos seus pensamentos.

Indisposta a apressá-lo por medo de assustá-lo ao ponto dele ficar em silêncio, ela estudou o jovem guerreiro. Sentado perto da fogueira, tão magro e doente, Falling Rain abraçava seus joelhos de um jeito quase vulnerável. Apesar dele parecia pensar bastante, seus olhos âmbar periodicamente escaneavam seus arredores, encarando como um caipira do interior em sua primeira viagem. Um hábito estranho considerando que os Bekhai viviam na selva e não havia nada de espetacular nesta floresta. Contemplando o quebra-cabeça, ela seguiu seu olhar perdido por alguns momentos antes da resposta se tornou clara: ele estava avaliando ameaças, não por medo consciente, mas sim parte de sua vigilância padrão.

Sua curiosidade saciada, ela rapidamente notou outras dicas de sua diligência. Apesar de estar cercado por três mil elites guardando ele, Falling Rain chegou para o jantar armado com sua espada e escudo, seu arco e aljava esperando por perto em uma sela em sua montaria de batalha. A criatura feroz enrolada ao redor de seu mestre, enganosamente dócil enquanto implorava por comida, a arma mais formidável do jovem Bekhai escondida a vista de todos. Não um mero animal de estimação, ela leu relatórios de seu encontro com os assassinos dentro de Sanshu, o roosequin instrumental em sua vitória contra números esmagadores.

Era aparente que o jovem oficial não confiava nos soldados ao redor dele e depois de pensar bem, ela entendeu o motivo. Major Yuzhen, dois dos três companheiros Subtenentes, a maioria dos soldados e até mesmo a própria BoLao, todos eram Aderentes da Sociedade, e considerando suas experiências passadas, ela não podia culpar sua precaução. Ainda, para alguém tão jovem ter tanta cautela impregnada em seus ossos, seu coração doía por ele. Ela viu o mesmo comportamento em guerreiros mais velhos, veteranos e sobreviventes de incontáveis batalhas, nervosos demais para sentar em campo aberto, assustados por cada barulho e movimento, inaptos à vida civil. Que tipo de treinamento e sofrimento ele passou para adotar esses mesmos maneirismos em uma idade tão jovem.

Era tolice pensar que ele chegou tão longe com talento apenas.

Obviamente sua avaliação dele precisaria ser alterada. Com isso em mente, ela reexaminou seus encontros prévios com ele. Uma alegria de se conversar, seu rubor adorável e olhares tímidos fizeram ela se sentir jovem de novo. Sua verdadeira natureza ou ato calculado? Se um ato, então era um de mestre. Ela quase esqueceu o que era ser vista por olhos sem medo, uma mulher cujo primo havia quase passado. Pai muito tempo atrás parou de pressioná-la para se estabelecer e se casar, suas cartas só pedindo para ela voltar e visitá-lo. Ele desistiu a muito tempo em ter netos, só se preocupando com a segurança dela mesmo depois de todos esses anos. Doía machucá-lo, mas não era como se ela quisesse morrer solteira sem marido ou família. Seu estilo de vida permitia ela pouco tempo para flertar, sem mencionar sua reputação. O que mais ela deveria fazer, casar com um escravo ou um subordinado? Impossível, fazer isso seria igual a cuspir na cara de seu pai, humilhá-lo diante de seus iguais e subordinados.

Fazendo careta internamente, BoLao limpou sua mente e se focou. Fantasias tolas da vida teriam que esperar, Falling Rain estava finalmente pronto para dar voz à sua pergunta. — Você disse não ter patente ou título, então por que está aqui? Por que a Major Yuzhen passou o comando para você?

Mais cautela e prudência, ele estava testando as águas. Paciência seria necessária para ganhá-lo, talvez até um pouco de charme. Pondo alguns fios de cabelo atrás da orelha, ela sentiu um leve orgulho ao vê-lo ficar vermelho. Se inclinando para frente a fim de adotar um ar de intimidade, ela disse em uma voz macia. — Apesar de agora eu não ter uma patente oficial, eu já fui uma Subtenente como você, embora eu tenha desistido do ofício depois que meu Mestre me acolheu. Também, você está enganado, Major Yuzhen não me entregou o comando, eu ajo em uma posição de consultora. Minha experiência nesses assuntos é bem conhecida, minha reputação foi duramente ganha depois de ajudar em três Purificações.

Se afastando, Falling Rain arfou com um mistura de incredulidade e horror. — Você se voluntariou para isso? Torturar e matar civis?

Ela se xingou por trazer isso cedo demais. Apesar dela se orgulhar em seu trabalho, nem todo mundo se sentia desse jeito. Nem tudo estava perdido, isso poderia ser uma chance para frisar a importância da Purificação. Cabeça erguida, ela respondeu: — Sim, estou aqui por escolha. Eu viajo o ano inteiro com meus Aspirantes, procurando em todo lugar por corrupção. Se uma Purificação for chamada, nós vamos com toda a pressa para oferecer nossos serviços, defender o Império sem gratidão ou recompensa. Nós todos devemos servir da nossa própria maneira, embora seja uma tarefa desagradável. — Ela podia ver o medo e a repulsa em seu olhar, o espírito dela enfraquecendo por um instante, mas ela se segurou rapidamente nas palavras de seu Mestre. — Isso é um chamado divino, um dever sagrado, fazer o que os outros não podem ou não farão.

Um silêncio desconfortável se instaurou ao redor dela, todos os quatro homens evitando seu olhar timidamente. Vendo Falling Rain morder seu lábio, ela implorou para que ele falasse.— Por favor, faça suas perguntas para que nós possamos ter uma discussão aberta. Eu juro que não vou guardar mágoas e você não sofrerá consequência alguma.

Hesitante, ele coçou seu pescoço e falou em um tom calado, ainda incapaz de olhá-la nos olhos. — No curso do seu “dever sagrado”, quantos inocentes morreram em suas mãos?

— Incontáveis. — Sua resposta foi imediata, sua voz firme, a pergunta foi feita milhares de vezes antes. — A maioria das pessoas que matamos em uma Purificação são inocentes, suas vidas são sacrificadas pelo bem maior.

Dessa vez, ele continuou sem enrolar, até olhando para ela com olhos perturbados. — Como você pode justificar a tortura de civis inocentes? As vidas deles não significam nada para você? Onde está o Divino nisso? Por que não só matar todos e acabar com isso?

Oh, essa pobre criança, suas ações faziam muito mais sentido agora. Ele atacou Dragão Sorridente para salvar os aldeões, não sabiam que eles estavam marcados para morrer. — Não me admira que você me ache um monstro, você não entende o motivo disso ter de ser feito. Você sabe o motivo deles serem chamados de “os Corrompidos”? — Sua pergunta pegou ele desprevenido, balançando sua cabeça quase imperceptivelmente. — Porque é isso que eles são, maculados pelo toque do Pai. Suas crianças, os Demônios, sussurram para eles, moldam os Corrompidos em armas para serem usados contra nós. A maioria fica louco com a sede de sangue, porque é contra a natureza humana, uma perversão do trabalho da Mãe. Aqueles são prontamente caçados e recebem misericórdia, incapazes de causar muito dano. O verdadeiro perigo vem daqueles que aceitam os ensinamentos Dele, como Dragão Sorridente e a corja dele.

Ela tinha seu interesse agora, sua curiosidade atiçada. Rezando para a Mãe em busca de claridade, ela continuou, sua animação crescendo. — Se escondendo à vista de todos, os Corrompidos espalham sua infecção ao redor deles através de sussurros e segredos, como uma praga invisível de violência e depravação. Um infecta dois e eles se tornam três. Três se tornam nove, nove se tornam trinta, e assim por diante. Os Instigadores eram mais de cinquenta fortes, vagando por essas floresta por anos e anos. Antes da morte deles, você sabe quão longe eles espalharam sua sujeira e mentiras, quantos inocentes eles massacraram e torturam, quantos eles marcaram para o Pai? Onde você vê inocentes, eu vejo aqueles marcados pelo toque Dele, suas almas enegrecidas e mentes corrompidas. Deixado sozinho, é apenas questão de tempo até eles caírem e continuarem a se propagarem. Eu ofereço redenção e expiação, uma chance de se redimirem e limparem suas lamas, jogando as amarras Dele antes da morte. Ainda mais, nós revelamos a verdadeira face do Inimigo através da tortura, provando que a Purificação é justificada. Apesar dos inocentes terem de aguentar algumas horas de dor, é algo pífio se comparado com uma eternidade de tormento nas Garras do Pai. Se não pelos meus esforços, dezenas de milhares de almas seriam perdidas para o Inimigo, para sempre negadas do Abraço da Mãe.

Sem fôlego e exaltada, ela esperou pelo doce momento de iluminação enquanto ele considerava suas palavras. Ele estava estudando para ser um médico, certamente ele entenderia. Algumas vezes, para salvar uma vida, você deve cortar a carne, e ela rezava que ele seria iluminado pelas palavras dela. Talvez ele até ouvisse o chamado para o dever e se juntaria aos Aspirantes. O Império crescia em corrupção e um jovem guerreiro como Falling Rain atrairia muitos para a causa deles. Que maravilhoso seria isso…

Isso tudo era ela se precipitando. Deixando de lado seus pensamentos errantes, ela refocou em Falling Rain, notando seu olhar cheio de… pena? Ele não entendeu? Ela errou em sua explicação? Se virando para olhar para ela, ele direcionou sua montaria para se levantar enquanto ele causalmente descansava sua mão em sua empunhadura de sua espada antes de falar. — Quem disse?

— … O que?

Quem decidiu que almas inocentes são maculadas através de mera proximidade? Quem decidiu que torturar é necessário para limpá-las?

Cheio de indignação justa, ela lutou para controlar sua raiva e estreitou seus olhos, estudando Falling Rain. Suas ações eram uma provocação aberta? Não, mais precaução dele, preparado para se defender em caso dela reagir de maneira ruim à sua linha de questionamento. — Você questiona os ensinamentos da Mãe?

— Foi você que me pediu para perguntar, eu sou totalmente ignorante. Foi instrução divina? A Mãe declarou “qualquer um que chegar perto dos Corrompidos deverão ser torturados”? Se sim, então eu só posso pedir perdão.

— Foi assim que as coisas sempre foram feitas. Meu Mestre me ensinou assim como o mestre dele fez o mesmo, uma linha inquebrável de fé de séculos. — Incapaz de responder afirmativamente, ela lambeu seus lábios e tentou uma abordagem diferente. — Certamente você deve entender a necessidade? A menos que o indivíduo possa provar sua Pureza através de manipulação discernível de Chi, não há outro jeito de determinar quem se tornou um Corrompido.

— Eu entendo a necessidade para ação. O que eu não entendo é a necessidade de tortura.

Seus olhos âmbar perfuraram ela, julgando ela, a condenando como tantos outros outros. Não era assim que a conversa deveria ir. — Então você acredita como o resto do mundo, como meu pai acredita, que eu faço isso por diversão? Que eu gosto de torturar inocentes?

Por todo seu ultraje, tudo que ela recebeu foi um simples dar de ombros. — Gosta?

— Eu. Não. Gosto.

— Então, quem se importa o que os outros pensam? Eu só perguntei, quem decidiu que tortura em massa era resposta correta para um surto Corrompido?

— Você acha que o Imperador iria ficar parado e permitir que seus cidadãos fossem atormentados sem razão.

Outro dar de ombros. — Eu não ousaria falar pelo Imperador. Você ainda não respondeu minha pergunta, apesar de eu ter mais. Como o mero contato com alguém corrompido nega a pessoa o abraço da Mãe? O amor da Mãe é perdido tão facilmente? Como sofrimento os purifica? E quanto aos soldados? Nós entramos em contato com os Corrompidos toda hora, estamos maculados também? Você gasta todos seus esforços “limpando” os Corrompidos que você chega perto deles. Você está maculada?

— Você ousa?! — Ficando de pé em um pulo, ela canalizou as Energias Celestiais em mostra de sua Pureza, a energia sagrada surgindo através dela. Empalidecendo ao notar seu erro, Falling Rain fugiu da aproximação dela. — Você distorce palavras e dobra verdades, mas eu sei que minhas ações estão certas, meu Caminho, Divino. — Se apenas ele sacasse sua espada para que ela pudessse abatê-lo com causa.

— Desculpe, eu me empolguei demais, eu estava sendo retórico…

Ignorando suas desculpas, ela avançou para frente e o levantou pelo colar, olhando bem fundo em seus olhos. — Eu faço o que outros não podem, carrego fardos que outros não o farão. Eu sacrifiquei tudo para prosseguir com meu dever sagrado. Quem é você para me questionar?

— Éee…

— Chega de palavras. Você acha que sabe mais do que eu? Então prove. Quando os prisioneiros chegarem em alguns dias, você vai escolher os Corrompidos entre eles. Uma tarefa fácil ou você faz parecer, separando os inocentes dos culpados. Caso aqueles que você escolher se provarem Corrompidos e nenhum inocente for morto, então eu vou acreditar que a Mãe fala por você e pouparei o resto. — Uma tarefa impossível, ela não deu chances para ele recusar, sabendo que ele logo veria a futilidade de seus argumentos. A Purificação era o único caminho, não havia outra escolha.

Jogando ele para o lado, ela saiu irada enquanto todos se apressavam para evitar seu olhar, suas cabeças abaixadas em medo indizido, soldado, oficial, e Aspirantes, sem distinção. As perguntas de Falling Rain ajudaram ela a entender uma coisa, mesmo que tivessem irritado ela; a Mãe ama todas as suas crianças, esse tanto era verdade. Um preço tinha de ser pago por matar tantos inocentes, mesmo que BoLao só fizesse o necessário. Não haveria Marido ou crianças para Han BoLao, nenhum descanso ou aposentadoria, uma vida sem amor e afeto, uma penalidade por todos seus pecados. Era apenas o certo, ela via isso agora, entendeu o motivo de Mestre não ter família, por que o mundo insultava ela.

Tal era a vida, desafios e tribulações sem fim, mas ela continuaria a carregar seu fardo com orgulho.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Tirando uma rebarba de sua tanga, Gao Qiu resmungou uma ladainha de xingamentos bem baixinho. Ele era amaldiçoado, isso sim, condenado a ter azar no quer que ele fizesse. Ele só viajou algumas dezenas de quilômetros antes da jangada se despedaçar. Algo não tão terrível, mas foi sem aviso, dando ele nenhum tempo para ele jogar seu machado na praia. O maldito pedaço de metal quase foi arrastado pelas ondas, mesmo que fosse um nado curto, seus pulmões meio cheios de água pelo tempo que ele chegou na terra seca.

Ele era um maldito tolo, isso sim. Por que ele não roubou um barco bom, um com remos e suprimentos? Carne era difícil de se caçar com apenas um machado e adaga, embora frutas, tubérculos e nozes fossem facilmente encontradas. Um pacote cheio com corda, um odre de água, algumas roupas extras, e um colchonete, ele não estava pedindo por muito. Pior ainda, ele deixou para trás todas as moedas escondidas dele, perturbado demais para pensar direito.

Depois de se aventurar na mata por tantos dias, ele parecia um mendigo velho e senil, andando pela mata com uma única bota, a outra pega pelo lago. A indignidade de tudo isso forçou ele a evitar todo contato humano, tomando seu tempo enquanto seguia para o leste, reminescendo melhores tempos e melhores lugares. Indisposto a arriscar sua vida em  uma jangada, ele manteve seu olho aberto para patrulhas do exército, ainda pensando em ir para o sul em busca de um propósito.

Caminhando até o sol se pôr, ele comeu uma refeição mísera de frutas antes de subir em uma árvore para dormir. Seu corpo doía com o peso da idade, mas ele não ousava se estabelecer para se curar. Ele nunca foi  muito bom nisso e ele precisava de toda sua concentração, perigoso demais sem alguém vigiando, a floresta cheia de soldados, bandidos e bestas sem distinção.

Enquanto sonhava em matar e comer um urso delicioso, os olhos de Gao Qiu se abriram de repente na escuridão, seus instintos o alertando do perigo. A luz da lua filtrada pelas copas das árvores enquanto ele estudava seus arredores, parado e em silêncio como uma pedra. Ele apertou seu machado, mesmo que nada se destacasse, pronto para vender sua vida por um preço alto.

Da base da árvore, uma voz familiar ecoou. — Me foda de lado, eu reconheceria esse cortador de merda em qualquer lugar. Gao Qiu, traga seus ossos velhos até aqui, eu nun tô a fim de escalar. Cê está cercado aliás, não que eu precise de ajuda para matar um maldito senil como cê.

Bufando alto, Gao Qiu caiu da árvore e pousou, o som de seus joelhos estalando alto como um trovão. — Velho? Ô caralho, nós temos a mesma idade, Jariad. Essa galhada docê deve ter cavado até seu cérebro de novo, faz coisas estranhas com a memória. Nunca encontrei um meio-veado que não fosse um idiota.

— Meio-cervo seu maldito do caralho. — Ficando fora do alcance da arma com seus braços cruzados, os dentes de Jariad brilhavam na luz da lua. — Cê parece uma merda, mais do que o normal eu quis dizer. O que o Demônio Vermelho de Sanshu está fazendo aqui fora sozinho? Cê perdeu seu emprego chupando o pau do Espectro? Algum moleque mais novo tomou o trabalho docê?

— Só porque o Liu Bastardo deixa você dar uma mamada nele não significa que eu faça o mesmo. Isso aqui é território dos Algozes da Baía, onde Corsários como você não são bem-vindos. O traidor pensa que ele pode quebrar os Acordos, que surpresa. Procurando acabar com o Espectro de uma vez por todas não tá? — Cuspindo para o lado, Gao Qiu se aqueceu, girando seu machado em ambas as mãos. — Bom, ele deveria ter trago mais. Cês nun são mais que um aquecimento, bom para o coração.

Ah, eu vou gostar de te matar. — Sacando seu sabre, Jariad tomou sua postura, pronto para avançar com um corte, predizível como sempre. — Ainda, por mais que eu te odeie, não posso dizer que vi isso chegando. Nós servimos e lutamos juntos antigamente, e eu nunca achei que cê fosse Corrompido, mesmo que cê fosse um maldito do caralho.

— Cala a porra da boca!

— Por que negar? É óbvio, por que então você estaria aqui fora? Cê ouviu sobre o Dragão Sorridente se tornando Corrompido e temeu que o Espectro iria te expulsar, então cê fugiu.

A frase pegou Gao Qiu desprevenido, sua mente em turbulência pelo que Jariad disse. Nunca um de perder uma oportunidade, o maldito astuto avançou com um grito. Mal defletindo o ataque, Gao Qiu empurrou o meio-besta para o lado, ignorando a oportunidade de contra-atacar enquanto levantava sua mão para uma pausa. — Espera, pare. Dragão Sorridente é Corrompido?

— Não finja, velhote. — Jariad parou seu ataque, sinalizando para seus homens se afastarem, embora ele desdenhasse em desprezo. — O Subtenente que você lutou, ele acabou nalfragado até a costa oeste. Encontrou um grupo de Corrompidos que ele jura que eram liderados por Dragão Sorridente. A vadia chamou a Purificação e o chefe nos mandou até aqui para guardar a costa. Disse que o Espectro era leniente demais com quem fugia.

Ignorando as risadas da piada de Jariad, o mundo desabou ao redor de Gao Qiu enquanto ele lutava para aceitar a verdade. Dragão Sorridente e o Espectro, um encontro atrás de portas fechadas. Dragão Sorridente, o Corrompido. Coronel Yo Ling, o homem que sabia tudo que aconteceu em Sanshu, se encontrando com o Corrompido Dragão Sorridente. Gritando de raiva, ele jogou seu machado e buscou Equilíbrio, mostrando sua pureza para os outros. Seu punho esmurrando a árvore ao lado dele, de novo e de novo, o tronco se estilhaçando em uma bagunça de lascas enquanto ele arfava com o esforço. Sua raiva gasta, lágrimas escorriam de seu rosto enquanto ele se apoiava contra a árvore quebrada, rezando para que Jariad ou um dos subordinados dele o matarem e acabarem com tudo isso.

Ele não teve sorte. As pernas de Gao Qiu perderam a força, caindo no chão enquanto ele olhava para um Jariad confuso. — Eu nun sou Corrompido, mas o Espectro é. Antes de eu ir embora, ele foi se encontrar com o Dragão Sorridente.

Coçando sua barba, Jariad pensou com sua boca aberta, um hábito irritante que ele nunca perdeu. — Bom… que porra. — Depois de um longo silêncio, Jariad foi a frente e Gao Qiu fechou seus olhos, esperando a espada cair. Cutucando ele com uma bota, Jariad bufou enquanto esticava uma mão. — Não seja tão dramático seu velho maldito. Levante, eu nun vou carregar seu traseiro pesado.

Se deixando ser puxado, Gao Qiu perguntou: — Por que?

Já liderando seus homens para longe, Jariad chamou ao olhar para ele por cima do ombro. — Mesma razão que eu faço qualquer coisa: ordens do Chefe.

Suspirando enquanto dava tapas para tirar a poeira de si, ele pegou seu machado e deu seu melhor para endireitar sua barba. Que sorte, depois de quase uma década de separação, Gao Qiu iria encontrar velhos amigos e inimigos parecendo um mendigo.

 

Que humilhante.

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

1 Comentário

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!