DS – Capítulo 178

— Um brinde a minha adorável esposa que fica mais linda a cada dia.

Pondo a mão o rosto belo de seu marido, Sarnai o empurrou para longe com um sorriso brincalhão. — Pei. Bajulação vazia não vai te levar a lugar algum, seu mentiroso com língua de mel.

Tomando sua reação como um sinal verde, Baatar abaixou seu copo, sorrindo perigosamente enquanto punha seus braços ao redor dela. — Me chame de mentiroso novamente minha beldade, e eu vou te por no meu joelho.

Escondendo seu rubor, ela se afastou, aproveitando o jogo deles enquanto ele aproximava sua cadeira. — Homem sem vergonha, assanhadinho assim só porque estamos sozinhos. Aqui não é nosso quarto, ainda estamos em um lugar público.

Se aconchegando contra seu pescoço, Baatar a beijou com gentileza. — Não precisa se preocupar meu amor, eu reservei o restaurante por toda a noite, enviei os funcionários para casa, e deixei meus guardas com ordens estritas de não permitir que ninguém nos interrompe-se. Esses últimos meses foram difíceis para você, se movendo para um novo lar cheio de perigo e políticas, então eu queria mostrar minha apreciação pelo seu apoio.

— Como se um simples jantar fosse o bastante. — Pegando seu rosto com suas mãos, ela encarou fundo em seus olhos azuis brilhantes, seu marido quase não havia mudado nas décadas desde a noite de casamento deles. Mesmo seu estilo de cabelo era o mesmo, cabelos curtos prateados, e com um rosto raspado, ele parecia ter menos de trinta anos de idade, viril, belo, e no primor da vida. Seus dedos calejados, enrugados ficavam em claro contraste com sua aparência jovem e bela, seu coração doía com a visão e trazia a mente todos os olhares escondidos de pena e nojo que ela percebeu nesses últimos meses, posta na palco junto com o amor da vida dela.

Em seus momentos mais pragmáticos, Sarnai entendia a aversão deles. Baatar, um herói e modelo ideal, deveria ter uma esposa bela ao seu lado. Esse era o jeito das coisas, esperados pelos cidadãos e soldados sem distinção. Ninguém queria ver um herói abraçar apaixonadamente uma mulher de cabelos cinza parecendo velha o bastante para ser sua mãe. Talvez seja por isso que ele reservou o restaurante inteiro, para poupar os olhos dos outros convidados. Eles vieram aqui para comer, não ver um show de horrores.

Lágrimas escorriam de seus olhos, apesar de saber que não era nada além de seus pensamentos tolos, que ele amava tanto ela quanto ela amava ele. — Me desculpe, — ela disse, embalada contra seu peito. — Eu sinto muito…

— Calma minha rosa, — Ele disse, afagando sua cabeça. — Você não tem nada para se desculpar. Por que você chora?

Escondendo seu rosto, ela balançou sua cabeça. — Eu não sei porque você me aguenta. Eu sou uma bagunça, fisicamente e emocionalmente, irascível e cansada toda hora, mesmo depois desse jantar maravilhoso que você organizou. Eu não tenho habilidade em diplomacia e só alienei possíveis aliados. Eu devia ter ficado na vila, longe de tudo isso.

— Se este é o seu desejo, então eu te levarei para casa amanhã. — Ele falou gentilmente como sempre, nunca levantando sua voz ou falando afiadamente com ela, não importava como ela o tratasse. Sempre irritou ela como ele nunca perdia seu temperamento, mas hoje a noite ela só sentia vergonha. Cada frase dela era uma reclamação, reprimenda, ou insulto, mas ainda ele sempre sorria pacientemente e aceitava a reprimenda dela como ele estava fazendo agora. Eu só peço que você venha me ver sempre, eu fico solitário sem você ao meu lado.

Suspirando, ela se aconchegou contra ele. — Então porque você aceitou esse posto, seu tolo com cérebro de cachorro? — Às vezes, ela só queria que ele gritasse com ela, só para fazê-la se sentir melhor.

Como se ele lesse sua mente, ele riu e a beijou na testa. — A Muralha deve ser defendida para manter minha família a salvo, e eu não confio em outra pessoa com isso. Sem você, eu não me importo com a Província, deixe que tudo queime.

— Tome cuidado com sua língua, você é uma figura pública agora. Você nunca sabe quem pode estar ouvindo.

Ao invés de apontar que eles estavam falando na Língua ou como ele estavam sozinhos, seu marido tolo meramente assentiu. — Você está certa como sempre minha querida. Eu devo escolher minhas palavras cuidadosamente. O que eu faria sem você?

Levantando sua cabeça, ela se virou para repreendê-lo mais uma vez. As palavras presas em sua boca enquanto uma Fúria pálida se materializava das sombras diante dela. Sua boca contorcida em alegria sinistra, ela avançou com sua adaga levantada, pronta para esfaquear as costas de seu amado. Invocando toda sua força, ela empurrou ele do caminho e pegou o rosto da abominação com sua palma, guiando-a enquanto ela dava um passo para o lado. A adaga maldita cortou o vestido novo adorável dela e cortou seu esterno, roubando ela de seu fôlego. Ignorando a dor, ela apertou sua pegada e balançou seu pulso, o corpo da Fúria arqueando pelo ar enquanto sua cabeça permanecia firmemente no lugar, o momento quebrando seu pescoço. Soltando o cadáver, este voou de cabeça e colidiu contra a parede de pedra com um baque molhado.

Seu jantar arruinado, Sarnai rosnou e extravasou sua raiva nas Fúrias aparecendo do vazio ao redor dela. Pegando sua lança, a Estrela Perfurante, nunca longe de sua mão agora que ela vivia tão perto da batalha, ela balançou pelas cadeiras e criou espaço para Baatar, lutando ao lado dele. Seus espírito surgindo enquanto ela lutava, esquecendo suas inseguranças no calor da batalha. Seus passos em perfeita harmonia, eles se moviam pelo restaurante em uma bela dança de aço e sangue. Sorrindo, Sarnai se divertiu com a visão de seu marido trabalhando, sua graça bestial e poder irrestrito enchendo ela com orgulho e desejo. Atacando seus inimigos, Baatar brantia com maestria a Lua Crescente, sua alabarda cortando fúria e mobília sem distinção, sua Estrela Perfurante girando para a esquerda e direita enquanto ela mantinha o passo, guardando seu flanco enquanto ele buscava o campo de batalha em busca de presas.

Por alguns minutos gloriosos, ela voltou aos dias da sua juventude. Seus papéis invertidos, seu gigante gentil fazia o papel de deus imparável enquanto ela dirigia seu poder e controlava o tempo deles, unindo-se para cobrir suas falhas individuais, em batalha e na vida. Ah, como ela sentia falta de estar ao seu lado, mas logo se tornou aparente o motivo dela ter se aposentado a tantos anos atrás. Conforme a batalha prosseguia, fatiga a atingiu, primeiro lentamente, então segurando ela pelo calcanhar e pesando ela. Seu peito queimando enquanto ela lutava, desesperada para continuar, os movimentos dele ficando ainda mais afiados enquanto ela lutava através do ar que parecia tão grosso quanto melaço.

Então aconteceu, um único passo errado fez com que ela vacilasse e tropeçasse, deixando as costas de Baatar expostas enquanto ele atacava. Como se esperasse a oportunidade um borrão de movimento passou por ela e colidiu nele com um uivo feroz. Caindo no chão de madeira, seu marido lutava com o Demônio Felino, uma besta compacta de quatro patas feita de músculo sinuoso, garras destruidoras, e presas despedaçadoras. Amaldiçoando seu corpo frágil, ela foi atrás deles enquanto matava a última das Fúrias, desesperada para ajudar, mas incapaz de atacar por medo de ferir seu amado.

Rugindo em desafio, seu marido lutou com o Demônio com as mãos nuas, sua alabarda perdida na luta. Mãos travadas em suas patas frontais, ele levantou suas pernas para empurrar sua barriga, as garras de trás rasgando as tábuas de madeira enquanto sua boca se fechava na frente de seu rosto. Aproveitando a oportunidade, Sarnai canalizou toda sua força em Estrela Perfurante e a jogou. Sua mira certeira, ela acertou o Demônio como um raio de trovão, penetrando limpo por seu torso.

Icor pingava do corpo morto do Demônio e em seu marido. Apesar dele se ferir, foi ela que gritou de dor, torturada pelas consequências de sua falha. Correndo até seu lado enquanto ela jazia sobre as tábuas arruinadas, ela limpou o líquido corrosivo dele com suas mãos nuas, ignorando a dor mordaz enquanto soluçava e rezava pela segurança dele.

Mãos fortes pegaram ela pelos pulsos e ela lutou contra elas, frenética para salvar seu marido amado. — Não se preocupe minha rosa. — Seu rosto rasgado e esfarrapado, seus olhos azuis brilhavam enquanto ele dava para ela seu sorriso enfurecedor, aquele que ele usava sempre que pensava que ela estava exagerando. Seu marido já sofreu pior pelas suas próprias mãos.

— Pei, ainda brincando em um tempo como esse. — Lágrimas caiam dos olhos dela enquanto Sarnai rasgava seu vestido em tiras e punha pressão em sua barriga, a carne rasgada pelas garras de seu inimigo. — Mãe acima, você nunca aprende, sempre superestimando-se. O que ela estava dizendo? Isso era culpa dela, porque ela foi fraca demais, lenta demais, velha demais para tomar conta das costas dele. — Onde estão seus guardas? Por que eles nã…

O mundo girou diante de seus olhos e ficou escuro, seu braço explodindo em dor. Ela ouviu a voz de seu amado se elevar até um choro lamentável e o coração dela quebrou com o som. Que agonia ele devia estar sofrendo para gritar assim? Deixando de lado seu próprio desconforto, ela lutou para ficar de pé e ajudar, mas seu corpo ignorava suas ordens, ficando parado com sua testa contra o chão frio. Impotente, ela jazia na escuridão e ouvia os sons de batalha sobrepostos com os gritos atormentados de seu amado. O cantarolar de sua espada enchia os ouvidos dela enquanto ele cortava e rasgava, o olho de sua mente imaginando sua forma perfeita e sutileza sem igual. A Lua Crescente era brandida na batalha, mas quando seu marido lutava com um oponente digno, era com sua Presa Sangrenta em mãos.

Rastreando o som do progresso da batalha, ela sorriu quando a Presa assobiou pelo ar e chiou contra carne dura feito aço, provocando um gemido desumano e gorgolejante. Outro Demônio talvez, seus grunhidos ficando mais desesperados e frenéticos a cada segundo conforme seu marido quebrava suas defesas. Os gritos de Baatar ficavam mais frenéticos e determinados, gritando incoerentemente enquanto trocava golpes. Isso não podia ficar assim, como um meio-besta, seu marido lutaria mais do que a maioria, sendo que ele era um guerreiro e não um animal sedento de sangue. Ela teria uma boa conversa com ele quando isso acabasse.

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— Sarnai, acorde meu amor.

Sua mente voltou a se focar enquanto as mãos dele afagavam sua bochecha e ela sorriu com o som de sua voz. Ela caiu no sono? O que aconteceu? Ah, ele venceu, foi isso que aconteceu. — Boa luta, amado, — ela sussurrou, desejando que ela pudesse ver seus olhos lindos. Canalizando seu chi para aliviar sua dor, ela esticou sua mão a procura de seu rosto. — Por que tudo está tão escuro?

Um choro estrangulado escapou de seus lábios, e seus braços poderosos a levantaram, o corpo se agitou de agonia. — Fale comigo meu amor, fique acordada.

Descansando sua bochecha em seu peito, ela suspirou. Sempre ignorando suas perguntas. Não importa. — Nós devemos achar Taduk, suas feridas precisam de tratamento. Terrível para sua imagem, não deve ser visto desse jeito.

— Sim, nós vamos achar Taduk imediatamente, mas eu preciso que você fique acordada até nós conseguirmos… Sarnai? Me responda meu amor, por favor, eu te imploro. — Apesar dela querer respondê-lo, ela estava tão confortável.

Ser carregada nos braços dele como uma princesa era a coisa favorita dela no mundo.

Com uma estocada poderosa, Situ Jia Yang impalou a última Fúria nas paredes de pedra do seu quarto, desdenhando enquanto o bruto deformado gritava. Criaturas de sombra e névoa nojentas, ele assistiu o corpo da Fúria ondular, se misturando nos arredores enquanto lutava para desalojar seu sabre e se libertar. Soltando o cabo, Yang deu um passo para trás e assistiu a criatura morrer, seu peso pendendo no gume de sua arma, cortando através de osso e carne lentamente.

Hmph. Oito Fúrias, quase um insulto para um guerreiro de seu calibre. Os gritos da criatura se intensificavam enquanto Yang checava suas feridas e se vestia, indisposto a aparecer pelado e ferido. Uma dúzia de feridas menores e três mais sérias, um preço alto pago por sua distração. Olhando para sua cama arruinada e escravos mortos, ele suspirou em arrependimento com o desperdício gigantesco. Belas trigêmeas, musicistas e poetisas treinadas, ele as comprou apenas algumas decanas atrás a um preço de exorbitante de 1.200 ouros cada uma. Jogar elas para as fúrias foi uma distração cara, mas um preço pequeno se comparado com sua vida.

Depois de tudo, escravos eram comuns como as nuvens enquanto Situ Jia Yang era perfeito e único.

A dor abriu em uma explosão enquanto Bolin entrou correndo no quarto com uma dúzia de guardas, o idiota de boca aberta com a visão do quarto. — Primo, você se feriu?

Um tolo, ele não sabia nada de moral e reputação? — Mas é claro, — Yang respondeu, gesticulando ao redor dele. — Como se essas bestas imprestável pudessem algum dia surpreender um verdadeiro guerreiro. — Trocando para um Envio silencioso, ele repreendeu seu primo lento. — Idiota, tire esses guardas daqui e mande um médico. Discretamente se possível, eu fui furado mais vezes que uma camisa bordada.

Empalidecendo, Bolin diligentemente mandou os guardas removerem os corpos e a cama enquanto apressou Yang até seu escritório, longe do fedor da morte e do som dos chifres. — Minhas desculpas primo, eu vim assim que eu ouvi. Os Corrompidos lançaram uma ofensiva com tudo e a Ponte inteira está em desordem.

Sentando cautelosamente em sua cadeira, Yang fez careta. — Me consiga um relatório da situação.

Cenho franzido em concentração enquanto ele Enviava por notícias, Bolin ficou em silêncio enquanto Yang cuidava de suas feridas. Tirando seus robes escuros já cheios de sangue, ele enxugou a ferida enrugada em seu flanco, seu lenço saindo coberto em um líquido negro viscoso. As adagas das Fúrias eram cobertas com algum veneno traiçoeiro que inibia a Cura, e ele precisava purgar o máximo que ele podia. Apesar dele conseguir impedir que o veneno se espalhasse, sem a ajuda de um médico habilidoso ele ficaria de cama por uma decana ou pior, sofrer de uma morte lenta pelas mãos dos assassinos furtivos do Inimigo. Felizmente, suas habilidades em combate direto não eram boas, permitindo que ele escapasse da morte, mas as circunstâncias eram sombrias.

— Más notícias primo. — Afobado e quase em pânico, os olhos de Bolin se arregalaram com a visão das feridas de Yang e ele correu para oferecer a pouca ajuda que podia. — Há múltiplos relatórios de Demônios infiltrados junto com as Fúrias.

— Como eles passaram pela Muralha sem serem vistos? Não importa, quem eles atacaram?

— Pelo menos três foram avistados atacando a residência de Nian Zu, a mansão está em frangalhos e meus espiões foram incapazes de localizar o Coronel-General ou qualquer um dos Demônios. Outros dois jazem mortos no restaurante onde o Lobo estava tendo uma refeição, o qual foi visto fugindo para o sul em direção à residência dele. Pior de tudo, mais dois Demônios entraram no quarto em que Wei Sheng estava tendo uma reunião com seus oficiais. O Major-General foi confirmado morto junto com quatro Generais de Brigada e onze Coronéis!

Um insulto, sete Demônios e nenhum único buscou ele. Pior, Wei Sheng era seu único aliado de proeminência aqui na Ponte. Porém, as ações do Lobo beneficiavam Yang, o homem escolheu fugir e proteger sua família o invés de proteger a Ponte. Talvez isso poderia ser usado contra ele. Enquanto Yang considerava suas opções, Bolin continuava com seu relatório. — Oito hospícios também atacados pelas Fúrias com apenas alguns sobreviventes. Eu contatei três dos nossos próprios médicos os quais estão vindo para cá fortemente guardados. Han BoHai também foi atacado, mas escapou ileso. Ele agora segura a Ponte sozinho e está pedindo ajuda.

Sentindo uma oportunidade, Yang se levantou e gesticulou para sua armadura. — Mande os médicos me encontrarem na rota para a Muralha, nós movemos para reforçar e tomar o comando. Chame minha carruagem e enviem os esquadrões 5° até o 12° para reforçar. Ponha os outros em estado de alerta e me consiga olhos no Nian Zu e no Lobo, eu preciso saber se eles estão feridos ou mortos. — Se Nian Zu estivesse morto, então Yang era o oficial de maior patente na Muralha, dando a ele a chance de recuperar sua honra perdida mais cedo. O relatório daquela vadia maldita da Akanai era um desafio direto, e ao julgar pela lista de casualidades, era quase certo que ela falsificou o número dos Inimigos para cuspir no rosto dele. Além disso, como ele deveria erradicar alguns milhares de Corrompidos na selva vasta nesse lugar atrasado abandonado pela Mãe? Seus homens fizeram uma limpeza pela área sem encontrar esconderijo nem cabelo do Inimigo.

Não importa, essa era sua chance para glória, encontrando fortuna no desastre. Com Nian Zu esperançosamente morto, o Lobo agindo como um covarde, e a Ponte sob um ataque total, ele chegaria no tempo certo para reunir os soldados sem líder e jogar de volta os Corrompidos para vencer o dia.

 

O Inimigo iria se arrepender de subestimar Situ Jia Yang.

 

Sentado em sua carruagem com um sorriso em seu rosto, ele quase conseguia ouvir os soldados aplaudindo e celebrando sua vitória monumental.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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