DS – Capítulo 179

Fora da paliçada de pedra e madeira, Xiao HuoLong se agachou na grama alta sob a lua crescente, seu olhar travado nas muralhas. Um par de sentinelas armadas as patrulhavam, iluminados pelas tochas que carregavam. Era fácil se livrar deles com um par de flechas, mas haveria outros soldados escondidos no escuro, prontos para soar o alarme caso alguma das sentinelas caia. O pequeno posto avançado não podia ter mais de cem soldados, presa fácil para os… associados dele, pela falta de um termo melhor, mas por que trabalhar mais duro do que o necessário?

Uma rodada de risadas interromperam sua vigília silenciosa, HuoLong segurou a vontade de se virar e encarar os ofensores. Antigamente, se um de seus Instigadores mostrassem tal disciplina porca, ele teria espancado o idiota como um cão. Infelizmente, estes eram Bandidos Algozes da Baía, altos demais na hierarquia para serem lecionados por um “mero” Dragão Sorridente. Um grupo arrogante e desordenado, mundos de diferença quando comparados com seus Instigadores, mas quando você tinha a porra de uma ilha secreta para esconder seus entusiastas indisciplinados, então você podia se permitir diminuir o padrão de seu recrutamento.

Ele quase esperava que a patrulha encontrasse eles só para HuoLong pudesse ver alguns Algozes com aço em suas gargantas. Serviria bem para os malditos barulhentos. Havia lugar e hora para tudo, é isso que ele falava para todo recruta novo. Faça seu dever, pague o que deve, se mostre capaz de se controlar, e você será recompensado. O melhor vinho, os melhores cortes, primeira escolha de entretenimento, esse sistema, junto com sua reputação cuidadosamente construída, permitiu que ele e seus Instigadores se escondessem a vista de todos por anos, algo que ele se orgulhava muito, digno de elogio.

Uma pena que ninguém mais via desse jeito.

Um novo par de sentinelas começou seu circuito pela muralha, suas tochas piscando duas vezes em rápida sucessão enquanto se aproximavam da posição dele. Ao sinal muito aguardado, HuoLong soltou um suspiro aliviado, feliz de finalmente começar. Esses Malditos Algozes da Baía colocavam sua pouca paciência em prova. Gesticulando para eles o seguirem, ele correu através da grama e pelo campo, sabendo que o alarme não seria tocado. Uma porta lateral esperava por ele, a abrindo com um toque, revelando um único soldado esperando sobre o cadáver do seu parceiro azarado. Apontando para sua braçadeira branca, o soldado sussurrou, — Fique de olho aberto para essas. Amigos.

Assentindo em resposta, HuoLong se virou e sussurrou para Malang, o líder Algoz no nome. — Sem prisioneiros, não essa noite.

Cuspindo aos pés dele, o bandido pálido, com muitas cicatrizes desdenhou. — Tá, tá, cê me disse várias vezes. Deviam chamar cê Resmungão Cacarejante ao invés. — Malang passou pela porta e contornou a tampa, desaparecendo da visão de HuoLong enquanto este se ajeitava para esperar mais uma vez. Doía admitir, mas Malang e seus caras eram bons no que faziam. Armados com adagas longas e bestas pequenas, eles se moviam como fantasmas pela paliçada, HuoLong só conseguia rastreá-los pelo resultado de suas ações.

Uma lanterna apagada, uma porta aberta, um soldado morto, durante todo o processo ele mal teve  um vislumbre de Malang ou suas pessoas, fazendo seu comércio invisíveis e sem serem ouvidos. Era quase mágico como eles trabalhavam, perseguindo seus alvos antes de atacar, matando em um único golpe e pegando o corpo antes de arrastá-lo para longe, suas mortes instantâneas e silenciosas. Ele ouviu histórias sobre as Fúrias, os assassinos sombrios do norte, com suas adagas negras e furtividade inumana, mas vê-las em ação o deixou atônito. Não eram habilidades aprendidas, não, essas Fúrias pagaram um preço por seus talentos, cada uma com o mesmo corpo magro, sinuoso e pele pálida, cobrindo a si mesmos no sol com chapéus largos e mangas longas. Suas habilidades os faziam parecer irreais, a força física e estamina diminuídas em troca de habilidade, destreza e furtividade anormais.

Difícil dizer se ele faria a mesma troca dado a escolha. Apesar de furtividade cuidadosa atrair ele, HuoLong não encontrou nada que se comparava a agitação de combate aberto. Rastejando para frente no caminho das Fúrias, HuoLong liderou seu contingente em posição nas muralhas, segurando os portões principais e as catapultas compactas montadas na muralha. Carregando uma em silêncio, ele virou as catapultas para dentro mirando para encarar seus alvos, o refeitório e as barracas onde os soldados fora de serviço se reuniam para beber e festejar, suas risadas altos soando lá fora.

Emergindo da escuridão da noite com seu desdém costumeiro, Malang apareceu ao seu lado e assentiu. — Trabalho feito. — Acendendo o projétil encharcado de piche, HuoLong respirou fundo para saborear o momento enquanto as outras catapultas acendiam em resposta. Tão satisfatório, olhando ao redor para os seus companheiros de verdade, aqueles que estiveram com ele por anos, iluminados por seus presentes de destruição em chamas, Instigadores cada um deles. Mesmo que ultimamente as coisas não tenham ido do jeito dele, ele sempre gostava de parar e apreciar as pequenas alegrias da vida.

Pressionando a alavanca com gosto, ele sorriu com o som da catapulta entrando em ação, o projétil em chamas fazendo um arco pelo ar com um assobio satisfatório antes de colidir estrondosamente com o prédio. Gritos de alarme ecoaram conforme mais projéteis em chamas seguiam, as barracas e refeitório incendiando devido à lenha seca e óleo de lanternas espalhado por Malang e suas Fúrias. Tão lindo, as chamas laranja-avermelhadas pulando no céu noturno enquanto os gritos cresciam em intensidade.

Rindo em honra a tradição de anos, HuoLong desceu as escadas para aproveitar os frutos de seu trabalho de perto. Presos e encarando morte certa, alguns passaram das chamas e correram só para serem mortos por espada ou flechas, seus esforços inúteis e gritos inumanos enchiam ele de alegria infantil. O cheiro delicioso de carne queimando o fez sentir fome, então ele arrancou o braço de um cadáver queimando em fogo baixo e começou a lanchar. Janta e um show, bom resultado por algumas horas esperando e alguns minutos de trabalho.

Infelizmente tudo acabou cedo demais, as chamas se extinguindo depois de queimarem tudo que podiam, nada além da pedra de fundação enegrecida e corpos carbonizados permaneciam para marcar sua fogueirinha. Sua euforia diminuindo em frente ao dever, HuoLong suspirou e perguntou, —O que? Se tem algo pra falar, então falem. Sem essa merda de resmungar.

Todos da delegação dos Algozes da Baía olharam para Malang buscando que ele falasse por eles, ninguém corajoso o bastante para falar por si. Apesar deles gostarem de zombar do “ladrão justo” pelas costas, eles sabiam que suas forças estavam faltando em comparação. Apenas Malang ousava dar voz a sua opinião, não por força pessoal, mas sim confiança no apoio de Yo Ling. Correndo sua mão por seu cabelo oleoso, a Fúria pálida falou, sem olhar em seus olhos. — Não vemos o ponto de agir tão furtivamente quando cê estava planejando incendiar o lugar todo assim. Podia ter salvo alguns pra brincar só isso. Estou pensando que o Pequeno Dragão tem pequenas ambições, assustado demais em deixar alguns soldados fugirem.

Sabre em mãos, HuoLong respondeu com um sorriso. — É por isso que seu chefe me botou no comando, porque sua cabeça é grossa demais pra caber um cérebro. Se cê fosse o responsável, nós estaríamos aqui a noite inteira, presos na mata enquanto glória passa por nós. Eu me encarrego, você é uma merda nisso. Tudo que vocês precisam fazer é seguir minhas ordens. — Sabendo que não seria o bastante para aliviar o desagrado deles, ele pausou e olhou ao redor, pronto e esperando por um desafio.

Girando, ele cortou com seu sabre, a lâmina cortando fundo no torso de uma Fúria atacando. Os malditos eram sorrateiros, mas pouco perigosos se você esperava por eles. A Fúria ofensora convulsionava no chão, arqueando com seu braço faltando e costelas expostas. Chutando para o lado a adaga, HuoLong pressionou sua bota na garganta dele, lentamente sufocando a vida do futuro amotinado. Falando sobre os gritos sufocados, ele se dirigiu a todos os presentes, antigos Algozes e Instigadores sem distinção. — Agora vejam, todos devem pensar que eu fiquei fraco, sendo derrotado por um jovem Subtenente, ignorando todos os gracejos e insultos velados docês, deixando todos esses soldados morrerem rápido demais. Agora, isso é minha culpa, aceito isso. Eu fui tolerante demais, leniente demais, por causa do meu respeito por Yo Ling. Aqui estive eu andando por essas terras com meus Instigadores por anos e anos, nunca sabendo que o Espectro era um dos meus, um espírito irmão. Estou atônito com o que ele conquistou, e deixei isso afetar meu julgamento de seus subordinados.

Alguns Algozes olhavam ele nos olhos, muitos sorriam com seus elogios e ainda mais fixados na Fúria morrendo. Exercendo um pouco mais de pressão, ele quebrou seu pescoço e deu de ombros. — Vejam, antes de partirmos, Yo Ling me perguntou quem eu queria na minha festinha. Eu poderia ter escolhido Vithar e seus companheiros impressionantes do Norte, mas não fiz isso. Eu podia ter escolhido Gen e seus fanáticos, mas não fiz isso. Eu pedi pelos Algozes para encher minhas fileiras, porque eu cresci ouvindo sobre a reputação docês como os maiores e mais malvados filhos da puta. — Pausando para efeito, ele olhou para os Algozes ao redor, encontrando o olhar de Malang. — Eu estou seriamente desapontado.

Chutando o cadáver para o lado, ele andou para lá e para cá, pondo charme em seu trabalho. — Apesar do tempo para se esconder ter acabado e muitos de vocês desejarem celebrar sem restrição, quem entre nós não teve que aguentar? O que são alguns dias a mais? Todos vocês estão felizes com essa vitória minúscula? Uns cem soldados, nenhum oponente digno entre eles? Eu não estou.

Algumas vivas abafadas soaram, a maioria de seus Instigadores, mas era o bastante. — Mesmo quando estamos aqui hoje a noite, Yo Ling segura os portões de Sanshu para que possamos marchar e tomar a cidade. Esses postos avançados são um mero aperitivo, ossos para roer enquanto nos movemos em direção ao grande prêmio, a gorda e suculenta Sanshu. Eu viajo essa noite em busca de novas aventuras, desafios, presas. Quem entre vocês se juntará a mim? — Mais vivas em resposta dessa vez, HuoLong estava satisfeito com os resultados e confiante de vencer os Algozes com o tempo. — Bom, provem que estou errado, me mostrem a coragem docês.

Verdade seja dita, ele teria preferido muito mais viajar com Vithar e seus irmãos do norte, a arte selvagem algo fascinante de se ver, mas os Verdadeiros Iluminados viajavam em seus Garos em um passo extenuante demais para homem ou cavalo se igualar. Gen estava em uma sacola diferente, a força do maldito sinistro continuava a crescer a cada dia enquanto o olhar perturbador da sua esposa Demônio era o bastante para fazê-lo ir embora liderar essa escória. Uma pena, ele pensou que teria mais em comum com os Algozes, mas essas crianças protegidas não conheciam nada dos jeitos do mundo, quase tão reprimidos e ansiosos como os fanáticos recém transformados de Gen.

Não importa. HuoLong estava contente em jogar seus jogos, liderando esses tolos para tomar os postos avançados enquanto Yo Ling e Gen lidavam com o grosso do trabalho. Tomar Sanshu, que piada do caralho. Mesmo com os portões abertos e a maior parte dos soldados de Sanshu fora da cidade, vinte mil bandidos transformados em guerreiros não eram o bastante para segurar a cidade por mais que algumas horas. Mais provável, eles ficariam presos na praça e reduzidos até que reforços viessem por trás e liquidassem todos eles. Tolice pura, eles fariam melhor queimando as plantações e salgando a terra, negando ao Império faixas enormes de terra fértil, mas o que um “mero” Dragão Sorridente sabia? Riram de sua sugestão, Yo Ling clamando presunçosamente que tudo estava “dentro de seu alcance”, maldito arrogante.

Se décadas vivendo uma vida dupla ensinaram algo a HuoLong, era como sobreviver e ele pretendia fazer exatamente isso. Tomar mais alguns postos avançados ao longo do caminho, negar a satisfação aos Algozes e atiçar ao ardor deles até finalmente se render às suas exigências de festejar e regozijar em sangue e morte. Então, quando a poeira abaixasse, ele ouviria notícias da derrota de Yo Ling e, perturbado, mas não desanimado, ele iria para o Norte encontrar com os outros Verdadeiros Iluminados e se juntar a causa, trazendo algumas centenas de guerreiros com ele. Não era muito, mas era melhor que nada.

Maldito sejam os dois tolos com desilusões de grandeza, Gen e Yo Ling mereciam um ao outro. Tomando outro gole de seu cantil, HuoLong deu um brinde silencioso. Aqui esperando que eles morressem juntos, e levando aquela vadia de esposa Demônio.

O sono me ilude.

Emocionalmente esgotado por assistir centenas de inocentes sendo torturados até a morte, então fisicamente exausto por viajar o dia inteiro a um ritmo alucinante, você acha que seria fácil mergulhar em um sono repleto de pesadelos, mas é exatamente o oposto. O vazio oco dentro de mim parece ecoar todos meus pensamentos, reverberando pela minha mente enquanto eu jazo dentro da minha tenda emprestada, encarando o teto de lona em contemplação inquieta enquanto as horas passam.

O que aconteceria se eu fosse embora? Acordar Mafu e ir embora, ir para casa?

Mila e os outros já devem estar indo para lá, mas encontrar eles não seria difícil, convencer eles a irem embora ainda mais fácil. Por que eu deveria arriscar minha vida e as vidas dos meus amigos defendendo aqueles parasitas ricos em Sanshu, ficando gordos de sugar o dinheiro de plebeus? Deixe que todos eles queimem, eu não ligo. Os idiotas nem colocam a maioria dos seus soldados dentro de suas muralhas. Seus servos e escravos? Ninguém mais liga para eles, então por que eu deveria? Mera estatística para as pessoas no poder ignorarem enquanto se concentram em assuntos mais importantes, por exemplo, como salvar sua honra.

É nojento. O que esse Império, essa província, esses “nobres” e “aristocracia” já fizeram para merecer minha lealdade ou fidelidade?

Nada é isso. Toda vez que eu tento fazer qualquer coisa, cagam em mim com o estilo de vida deles.

Uma reencarnação chocante leva à escravidão torturante, uma visita ao mercado em uma tentativa de assassinato, uma refeição pacífica na estrada se transforma em uma luta sangrenta, uma competição “amigável” se devolve em uma caçada, perseguir bandidos me ganha uma recompensa, e agora uma luta de vida e morte na selva de alguma forma planta sementes para uma cerimônia profana de morte e tormento, uma ferramenta conveniente para manter o gado na linha.

A lógica buga minha mente. “Seu vizinho se transformou em Corrompido, então nós vamos te esfolar vivo e arrancar seus olhos com uma colher”. Isso vai fazer eles aprenderem. Próxima vez, nasça em uma vida melhor seu plebeu do caralho. Você vai se transformar em Corrompido? Isso merece uma tortura. O maldito maluco na cidade vizinha está agindo erraticamente? Melhor matar ele, pode trazer a Purificação sobre nossas cabeças. Não seja Corrompido, caso contrário nós vamos fazer sua vida merda acabar em uma nota mais merda ainda.

Por que eu não devia ir embora? O que me mantém aqui? Exceto minha família, amigos e animais, eu cago baldes para o resto. Que se foda Sanshu, que se foda a província, que se foda o Império, e que se foda esse mundo. Eles merecem os Corrompidos, dois lados da mesma moeda, todos são malditos assassinos. Yuzhen que grite Lei Marcial o quanto quiser, mas ela realmente tem a autoridade para me recrutar? É tão hipócrita, correr para salvar Sanshu imediatamente após entregar milhares para uma morte desnecessária, insensível, indo junto com a atrocidade como se fosse um dia normal no escritório. Caralho, talvez para ela seja. Entrar, preencher papéis, beber chá, ordenar a morte de milhares, pausa para o lanche, e por aí vai, mesma merda de sempre em um dia novo em folha.

Minha dissidência silenciosa (forçada sob pena implícita de morte) é interrompida por uma comoção no acampamento, Mafu acorda para cheirar o ar e chia de alegria. Abrindo a aba da tenda, eu sigo Mafu em meus pijamas de algodão, curioso sobre a comoção. Só uma fresta da luz da lua ilumina a noite, mais do que o bastante para andar pelo acampamento. Desde que acordei do meu cochilo debaixo da água, meus olhos estão muito mais afiados, para ver mais longe e em luz baixa. Não há ação telescópica e matiz verde, meus olhos simplesmente veem com mais clareza do que antes. Incerto se é graças ao status de Corrompido de Baledagh ou alguma coisa passiva de chi, embora eu provavelmente devesse descobrir o motivo, mas eu estive ocupado. De qualquer jeito, é uma habilidade útil e contanto que funcione, eu vou usá-la. Como eu disse, dois lados da mesma moeda.

O motivo da animação de Mafu fica claro quando encontramos minha comitiva montando acampamento por perto, junto com as pessoas de Huu e Fung. Cumprimentando rostos familiares enquanto navego, eu encontro Lin se apoiando em seu quin bem vestido, bocejando enquanto segura um filhote de urso em seus braços. Sorrindo pela primeira vez em dias, eu ando e a abraço por trás, minha pequena esposinha derretendo em meus braços. — Eae.

Seu cabelo despenteado de suor e pele coberta de poeira, ela ainda é uma beleza para olhos cansados. — Oi maridinho. Nós viajamos o dia inteiro para conseguirmos te alcançar. Sentiu minha falta?

— Mais do que você possa imaginar. — Braços ao redor dela, eu afago gentilmente o filhote enquanto Mafu pega os outros filhotes das bolsas. — Não que eu esteja reclamando, mas por que você está aqui? Nós vamos para a batalha, você deveria encontrar algum lugar seguro e me esperar vir te pegar.

— Rainzinho bobinho, para onde eu iria? Não esqueça, a Purificação acabou de acontecer e há Demônios e Corrompidos correndo a solta. — Seu sorriso cheio de dentes brilha sob a luz do luar, orgulhosa da sua desculpa levemente velada. — É muito mais seguro aqui com você, desse jeito você pode me proteger.

Meu coração dói em arrependimento por todas as pessoas que eu não pude salvar. Tantos morreram de um jeito tão horrível enquanto eu fiquei parado assistindo, com medo demais das consequências para ajudar. — Sua fé é mal colocada Lin, eu não consigo proteger ninguém. — Fazendo contato visual com o líder de seus guardas, eu digo, — Amanhã, vocês levarão Mei Lin e vão para a Ponte. Eu vou enviar alguns Sentinelas para escoltar vocês. — Talvez todos eles, depois que eu falar com Mila, Huu e Fung.

Ignorando os protestos de Lin, eu vou embora depois de dar um beijo em sua bochecha e cabeça, e vou em direção à Mila, conversando com uma das ajudantes de Yuzhen. Depois de comprimentar um Auric entusiasmado demais e uma Li Song, Jimjam e Sarankho indiferentes, Mila envia a ajudante embora e vai até mim, sorrindo com suas mãos atrás das costas enquanto espera meu elogio.

Pobre garota, os métodos de Akanai a deixaram faminta de aprovação. — Obrigado Mila, você fez um trabalho incrível.

— Eu sei, — ela responde, — Na verdade, eu deveria pegar sua Insígnia para mim mesma. Eu mereço ela.

— Você merece. Merece mesmo. — Se apenas funcionasse desse jeito.

O sorriso cai de seu rosto quando ela sente que algo está errado, sua mão pequena e delicada pega na minha. — Está tudo certo?

Puxando ela para um abraço, eu concentro em meu chi, pondo palavras antes de transmitir para ela. É um pouco similar a falar com Baledagh enquanto escondo meus pensamentos normais, o que deixou mais fácil aprender. Enviar sem contato com a pele é muito mais difícil, alguma bobagem sobre travar em um recipiente e tudo mais. — Tente não falar demais, não sabemos se estamos sendo vigiados. Eu preciso saber em uma escala de um até dez, com dez, o quão ruim seria se nós só… fossemos embora pela manhã? Empacotar tudo e ir embora?

Se afastando de mim, os olhos de Mila estão cheios de confusão e preocupação. NOVE?

O som da voz dela explode dentro da minha cabeça, como um gongo soando na minha cabeça. Escondendo minha estremecida, eu pergunto, — Quando aprendeu a Enviar? — Geez, e eu aqui pensei que ela ficaria impressionada com minha habilidade nova.

NÃO POR MUITO TEMPO, ESTIVE PRATICANDO COM TURSINAI, MAS ELA DIZ QUE SOU UM POUCO ALTA. DESCULPA.

— Nem percebi. — Minha resposta sem expressão me ganha um soco no braço, e um beicinho a força total.

QUANDO VOCÊ APRENDEU?

— Éee… essa manhã, Yuzhen me mostrou como. — Outro soco. — Não fique com ciúmes. Então, ir embora está fora de cogitação?

SIM. POR QUE VOCÊ QUER IR EMBORA? ESSA É NOSSA CHANCE DE GLÓRIA, A RAZÃO QUE NÓS VIEMOS AQUI. ALGO ACONTECEU? FALA COMIGO…

Balançando minha cabeça em resposta, eu puxo ela para outro abraço, seus braços me apertando. — Desculpa, não posso falar sobre isso.

Acho que estou preso lutando por uma causa que eu não acredito. O Império não merece minha ajuda, meu sangue, meu sacrifício, então eles não vão conseguir isso. Que se foda a glória, deixe que os Corrompidos e o Império caiam na porrada, eu vou ficar na linha secundária e matar meus alvos na flechada, pronto para pegar a vitória fácil ou correr se der merda.

 

Honestamente, de qualquer jeito funciona para mim.

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

1 Comentário

  1. Atacar de longe, fugir, blábláblá. Dois segundos depois da luta começar, lá está ele encabeçando a vanguarda!

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