DS – Capítulo 188

Arrancado do meu sono pacífico, eu encontro a mão de Baledagh presa firmemente na minha garganta, suas palavras ecoando nos meus ouvidos. Coração batendo em meu peito, cabeça vibrando junto enquanto meus pés pendem do chão. Totalmente confuso, meus corpo reage instintivamente. Pegando seu pulso com ambas as mãos, eu empurro minhas pernas para cima e chuto com ambos os pés, o choque reverberando subindo em minhas pernas como se eu tentasse levantar uma montanha. Apertando sua pegada, ele me joga no chão, onde meu corpo cai e rola. Arqueando de dor, eu me afasto de costas antes de sua bota acertar meu peito, espremendo o ar dos meus pulmões enquanto ele grita, — É verdade?!

— O que? — As palavras saem facilmente, soando mais calmo do que eu esperava sob as circunstâncias atuais. Ah certo, estamos dentro da minha cabeça, eu não preciso respirar aqui. O momento que o pensamento cruza minha cabeça, a dor desaparece e a pressão no meu peito se alivia, embora minha cabeça ainda dói muito. — E caso você não tenha notado, eu estava dormindo, então você vai ter que falar comigo Baledagh. — Ele não sabe, mas eu estou bem certo que ele consegue apagar minha existência só com um esforço mínimo.

Mostrando seus dentes em um rosnado, a fúria primal de Baledagh irradia dele, me fazendo desejar que eu pudesse enfiar minha cabeça dentro do meu pescoço e me esconder. Sua respiração arfante, falando cada palavra como se custasse muito a ele. — Eu. Sou. Corrompido?

Ah merda.

Minha reação involuntária é o bastante para dar substância às suas suspeitas, seu corpo ruindo sob o peso da verdade, caindo de joelhos com um olhar derrotado espalhado em seu rosto. Sentando timidamente, eu me coloco no lugar ao lado dele, ombro a ombro, caso ele precise de alguém para se apoiar. — Para ser justo, não parece ser… completamente? Pela falta de uma palavra melhor. Há esperança para você ainda.

— Só me mate. — Sua voz é firme, seu tom calmo enquanto ele encara o vazio. — Acabe com minha miséria irmão, eu não fiz nada certo. Aqueles Espectros, eu os devorei pensando que ajudaria, convidei eles para dentro de mim. Agora que eu sei, eu ouço seus sussurros, corroendo meu controle, me mandando te matar e tomar seu lugar.

Bom, isso… não é bom. — Vamos pensar em algo. Você ainda está aqui, não desista.

Ele ri, balançando sua cabeça. — Por que se incomodar? Que motivo tenho para viver? Por que eu devia continuar lutando só para emergir com nada? — Reunindo momento, ele continua sua retórica, voltando a vida na minha frente. — Menos do que nada na verdade. Eu vivo metade de uma vida no máximo. Ninguém sabe de mim além de você. Quem iria chorar se eu morresse.

— Eu iria.

Me empurrando, ele fica acima de mim, sua raiva o alimentando. — Por que? Por que você vai ter perdido seu “irmãozinho precioso”? Por que se importar? Você só me mantém por perto porque minha miséria te diverte, te lembra que sempre tem alguém pior no mundo.

Isso não está indo bem… — Se acalme Baledagh.

— EXATAMENTE! — Ele grita, olhos arregalados e rosto vermelho. As veias sob sua pele bronzeada incham, dando a ele um matiz descolorido vermelho-esverdeado. — Baledagh! É quem eu sou, mas ainda ninguém me conhece. Você é Falling Rain, você vive minha vida, me deixando com nada além de migalhas.

Me afastando devagar, engulo o medo com sua transformação, o cachorro derrotado se transformou em um predador perseguidor, com raiva, fome e machucado. — Relaxe tudo bem? Vamos conversar com calma.

— Sim, vamos conversar, — ele desdenha, sua forma ondulando diante dos meus olhos, crescendo e se transformando enquanto ele continua a avançar. — Falling Rain, Herói do Império, o que ele fez para merecer isso? Vencer quatro duelos contra a Sociedade, que heróico. Exceto que você não venceu eles. Eu venci. A glória de Baledagh caindo belamente no colo de Falling Rain. Que legal. Para você.

— Não é…

Ignorando minhas palavras, ele me bate com as costas da mão viciosamente, meu corpo arremessado no vazio. Sua voz entra nos meus ouvidos como se ele estivesse ao meu lado, reverberando na minha mente. — Você é um covarde, um fracote. Por que eu deveria dar minha vida para você? — Outro golpe acerta, dessa vez nas costas, enviando ondas de agonia por mim. — Sem mim, você não seria nada e você sabe disso, buscando vencer com seus brinquedos toscos e truques inúteis. — O mundo para de girar enquanto Baledagh está na minha frente, armado com cópias grotescas de Paz e Tranquilidade, as armas se fundindo com sua carne enquanto ele sorri em desafio. — Venha irmão, — ele provoca, abrindo seus braços. — Venha lute comigo. Se você não gosta de viver como um guerreiro, então, pelo menos, você pode morrer como um.

Levantando minha mão para impedi-lo, sua figura vira um borrão enquanto sua espada decepa quatro dos meus dedos. Cambaleando para trás, eu tento conversar com ele de novo, mas antes que eu possa falar, seu escudo acerta meu rosto, jogando minha cabeça para trás. A espada corta uma vez, duas vezes, e de novo, cada golpe tomando uma orelha, uma mão e, então, metade do meu pé, incendiando meus nervos com agonia. Me chutando, ele sorri enquanto fico deitado impotente, mal consigo levantar minha cabeça enquanto ele reúne minhas partes decepadas em suas mãos. Segurando meu como uma uva acima de sua cabeça, ele o joga em sua boca e mastiga alto, se deleitando com meu horror. — Isso mal é um desafio. Venha, me mostre a grande proeza de Falling Rain.

Engasgando de dor e repulso, eu fico de pé, arfando com o esforço. Puta que pariu, você nem está respirando e você não está mesmo ferido. Não há a porra de uma colher. Clareando minha mente com uma respiração funda, a agonia desaparece e eu olho para meu corpo, saudável e inteiro. Com um uivo de raiva, ele avança e libera uma enxurrada de golpes. Estupidamente em pé, eu assisto calmamente enquanto cada golpe passa inofensivamente pelo ar ao meu redor, guiados para longe por uma força invisível.

Deixando Baledagh para golpear o quanto quisesse, eu o estudo com cuidado, confuso pela sua mudança abrupta. Os Espectros o estão levando a fazer isso? Se sim, por que ele ficou mais fraco? Teoricamente, ele deveria ser capaz de acabar com a minha raça com um pensamento, esta é sua mente, seu corpo. O que os Espectros querem afinal? Ele me disse que eles continuavam pedindo para ele se render, de novo e de novo, mesmo depois dele implorar para eles o tomarem. Então, por que ele não se tornou um Corrompido por completo? É porque eu cheguei primeiro, quando ele desistiu nas minas?

Eu acho que até almas tem direito a posse.

— Isso te entretém irmão? — Seu rosto contorcido em uma careta feia, Baledagh me rodeia prometendo tortura e miséria. Enquanto ele anda, seus ombros caídos e cabeça baixa, todo sinuoso e musculoso enquanto seus braços se deformam e alongam sendo arrastado atrás dele. Eu sou acertado com um senso estranho de… Injustiça, uma disparidade em sua aparência. A primeira vez que eu o vi, eu odiava ele por sua confiança. Régio, orgulhoso e dominante, me irritava muito, tudo que eu queria ser e nunca seria. Um tigre andando em sua gaiola, gracioso, poderoso e até bonito de um jeito primitivo. Agora, tudo que eu posso ver é uma coisa feia, disforme, andando ao redor em zombaria do que uma vez foi um guerreiro orgulhoso, uma corrupção do que ele era.

Huh… acho que é o motivo deles serem chamados de Corrompidos.

— Você sabe, — eu digo, interrompendo sua retórica prometendo dor e terror, — O Baledagh que eu conheço, o Guerreiro, teria agido agora. Conversa é algo barato.

Com um uivo de raiva, a aberração pula em mim e mais uma vez, eu levanto minha palma para impedi-lo. Dessa vez, entretanto, ele para, seu corpo pendendo no ar como se fosse segurado por uma mão gigante e invisível. Gritando e delirando, ele luta para se libertar, mas é inútil, voltando a sua tirada sem fim de ameaças. Ignorando suas palavras, eu estudo ele, repassando tudo que Baledagh me disse. Algo está errado aqui, mas eu não consigo descobrir o que exatamente. Inclinando minha cabeça, dou um passo para frente e levanto minha mão para atacar, assistindo sua reação.

Sem medo, mas irritado, um pequeno bufo como alguém prestes a perder um jogo de xadrez. Estreitando meus olhos, eu digo, — Você não é Baledagh. — Ele fala demais, passivo demais. Baledagh gosta de provocar, mas só um pouco antes de acertar para matar e essa… coisa não tentou realmente me matar.

Minhas palavras tem um efeito surpreendente, a aberração mostra um choque leve, seguido por um sorriso, relaxando na minha prisão mental enquanto sua voz muda para um tom desconhecido, cada sílaba frisada de maneira grosseira. — Não importa quem nós somos. Nós estamos aqui, nós somos eternos e você vai se submeter.

… Que porra hein. Quantas personalidades estão dividindo meu corpo?

Eu devia começar a cobrar aluguel.

Arfando enquanto o sangue corre por suas veias, BoLao viajava pela floresta escura, sua mente recuando do ataque. Boca seca e coração disparado, ela lutou para se acalmar e implorou ajuda para a Mãe. Demais, isso era demais, como Ela podia tratar seus servos devotos com tal desdém? Desafios e tribulações eram a norma, mas até Ela deve deixar um caminho para vitória, caso contrário todo esse sofrimento seria para nada.

Olhando para o corpo em comatose de Falling Rain atrás dela, ela fez o cavalo correr mais rápido, se movendo perigosamente pelas árvores. Era óbvio que ela estava sendo guiada por esses moleques e com apenas alguns Aspirantes sobreviventes ao seu lado, ela não tinha confiança em escapar. Quem estava esperando por ela na floresta? Os Bekhai, provavelmente, aqueles arautos do Pai, mas como eles seguiram ela em seus quins? Por que Major Yuzhen estava disposta a devotar tantos recursos para recuperar um mero Subtenente?

Suas palmas doíam de segurar suas rédeas e ela deixou de lado todo pensamento errante. Chamando para um parada, ela acalmou sua respiração antes de falar, olhando para os Aspirantes remanescentes. Tão poucos deles, todos perdidos com lutas internas quando eles deviam se unir contra o Inimigo. — Nós estamos presos. Se espalhem, vão em direções diferentes e fujam. Eles estão atrás de Falling Rain, então eu vou distraí-los. Pelo menos um de vocês deve voltar para a Central e avisar o Mestre dessa nova ameaça.

— Sacerdotisa, isso te deixaria desprotegida!

— Eu não temo a morte. Encontrar com a Mãe em sua companhia seria uma honra.

— Me dê o apóstata, eu vou distraí-los no seu lugar.

Um coral de recusas a respondeu, mas ela estava determinada nisso. — A Mãe deu a todos nós esse desafio, não só eu. Apenas pelo meu sacrifício todos vocês vão viver para continuar com a vontade Dela. Essa é minha ordem final: avisem o Império da nova habilidade do Inimigo de se esconder entre nós. Que a Mãe os guie para a verdade.

Virando a montaria dela, BoLao se apressou na noite, gritando enquanto ela ia com seu cavalo para frente. Resistindo a vontade de olhar para trás, ela afogou seu pânico e lágrimas, continuando para fazer o máximo de barulho possível. Ela não queria morrer, havia tanto para ela fazer, mas que curso foi deixado para ela? Os Bekhai queriam seu jovem mestre corrompido de volta e ela era a isca mais atraente para eles seguirem. Dez anos de serviço solitário, desolador, árduo, recompensados com o que? Morrer nas mãos do Inimigo não era o bastante, agora ela era chamada de traidora, seus anos de trabalho sagrado descartados como o trabalho de uma louca. Pior, seus inimigos usariam isso para virar a opinião contra a Purificação e seu Mestre.

Difícil demais Mãe, sua serva humilde pede sua orientação.

Minutos depois dela se separar de seus Aspirantes, BoLao avistou movimento nas sombras atrás dela. Soltando suas rédeas, ela cerrou seu punho e se virou para acertar a cabeça de Falling Rain, para matar este servo do Pai tão bem posicionado para causar revolta. Um último ato de desafio antes dela se matar, negando a satisfação ao inimigo.

— Prima!

A voz familiar parou sua mão, enchendo ela com algo que ela tinha abandonado: esperança. Emergindo das árvores, seu rosto mal visivel na escuridão. — Shuishui! — Ela exclamou, imediatamente se encolhendo com sua gafe. Ele era um homem crescido, com soldados para comandar, apesar de só ter alguns com ele. Ela não deveria continuar chamando ele de um jeito infantil como este em público, era inapropriado. — Desculpe primo, não se irrite. Graças a Mãe você está aqui, você tem que me ajudar.

— Claro, só não faça nada impensado. — Mesmo nas sombras, ela conseguia ver seu rosto belo, vendo os vestígios do menino que ela costumava cuidar, um pestinha travesso que sempre encontrava problema. Depois que Papai o tomou como discípulo, eles se tornaram uma pequena família feliz vivendo junto na Ponte, os dois se tornando próximos como irmãos ao invés de primos. Ah, como ela sentia falta daqueles dias despreocupados…

Olhos cheios de preocupação, Shui foi até ela e pegou sua mão. Tão quente, ela tinha esquecido quão bom era isso. — Que sorte eles confiaram em mim para bloquear sua fuga. Deixe Rain com meus homens e eu vou te levar para a segurança. Eu juro.

Cansada de sua longa fuga, suas palavras trouxeram lágrimas para os seus olhos, grata em saber que ele ainda confiava nela. Shui, eu preciso manter Falling Rain como prova. Ele é Corrompido e um perigo para o Império.

Impossível. — Enviando seus homens para longe com o apóstata inconsciente, Shui a levou pela floresta, deixando os dois sozinhos.

— Ele é, eu senti sua Aura sinistra. Se você me deixar…

— Não, você não entende. — Balançando sua cabeça, Shui a olhou nos olhos, seu desespero claro. — Quero dizer, é impossível ficar com ele. Fung tem um rastreador em sintonia com o sangue dele. Acho que os Bekhai não querem perder de novo. É como nos te alcançamos tão rapidamente. Você não deveria ter dividido suas forças ou ter posto todas aquelas trilhas falsas, nós nunca teríamos te alcançado se você fosse direto para a segurança.

— Então, me leve como prisioneira e leve nós dois para ver a Major Yuzhen. — Pânico se estabelecendo mais uma vez, o pensamento de falha inaceitável. — Ela vai entender quando Rain acordar. Dragão Sorridente disse que Rain nem sabia que ele mesmo era Corrompido, o que explica a disparidade em seu comportamento, mas ele sabe agora e se transformou. Tanta raiva e loucura nele, era aterrorizante de ver.

— Prima, esqueça Falling Rain e esqueça o Império. Se ele se transformou deixe que outra pessoa lide com isso. Eu estou aqui para salvar você. — Shui apertou sua mão, oferecendo um pequeno conforto. — Major Yuzhen pôs queixas de traição, diz que você está trabalhando com o Corrompido Dragão Sorridente. É bobagem é claro, mas ela nos ordenou te matar a primeira vista. Ela decretou que qualquer um pego te ajudando dividiria a sentença com você. Se você for capturada, sem sombra de dúvidas você vai ser torturada até a morte antes que qualquer um possa te salvar. — Oferecendo um sorriso fino, ele se virou de volta para a floresta. — Eu mal confio nos meus próprios homens para não te entregar, a noiva de Rain ofereceu uma recompensa grande pela sua cabeça. Garotinha sanguinária ela é.

— E meus Aspirantes?

BoShui não respondeu ela, que foi uma resposta em si. Mais e mais ela aprendia sobre sua própria fraqueza. Apenas alguns minutos atrás, ela estaria pronta para dar sua vida pela deles, mas agora que ela encontrou a segurança, ela não sentia remorso pela morte deles, só o doce alívio da sobrevivência. Que vergonhoso. Soluçando, ela se encolheu na sela e olhou cautelosamente, imaginando perigos escondidos em cada sombra. — Então, como eu vou voltar para o Mestre.

— Não vai. — Soando tenso enquanto eles viajavam, agora apertando tanto sua mão que doía. — Todos esperam que você irá para o sul, é perigoso demais. Eu vou te levar para casa na Ponte, para ver Tio. Ele vai mover céus e terra para te manter segura, e eu vou falar com – não, vou exigir que meu pai lute por você. Nós vamos dizer que tudo isso foi um mal entendido, não se preocupe com nada.

Ao pensamento de ver Papai, seu mundo inteiro ficou branco. Lembrada da predição de Mestre, um tremor cursou por todo seu corpo como agulhas correndo por sua pele. Suor escorrendo por sua espinha, sua respiração arfante enquanto imaginava o desapontamento de Papai, a dor de sua rejeição da “a Picanço” tão palpável que fazia o coração dela doer. Tirando sua mão a força da pegada de Shui, ela soltou um grito estrangulado e tentou fugir, mas ele estava pronto, pegando as rédeas dela e segurando o cavalo no lugar. Lutando na sela, seu pé pego na estribeira e ela caiu, sua cabeça batendo na terra dura e compactada. Mal registrando o impacto, ela saiu correndo na escuridão, buscando fugir.

Sua fuga durando respirações antes de Shui a alcançar, jogando ela no chão. Rolão na terra, ela chuto e arranhou, gritando enquanto lutava para escapar de sua pegada. Levantando seu quadril, ela libertou sue braço e deu uma cotovelada em sua mandíbula, correndo para a doce liberdade. Um gemido doloroso parou ela, seu coração parando com o som. Correndo de volta para seu lado, ela checou suas feridas. Sangue escorrendo de seu lábio, inchando enquanto ela assistia. — Eu sinto tanto Shuishui, por favor esteja tudo bem…

— Estou bem, — Ele disse de forma indolente, segurando seu pulso com firmeza. Ela podia escapar com facilidade, mas ao invés ela o ajudou a sentar, apoiando ele contra uma árvore, gentilmente afagando sua bochecha. Ainda tonto, ele se recusou a deixar ela ir e a puxou para um abraço. Indisposta a deixá-lo assim, ela tremia enquanto ele sussurrava, — Não fuja de novo.

— Me desculpe. — Sua bochecha pressionada contra aseu peito, ela soltou todos os seus medos. — Eu não posso ver Papai, ele não vai entender por que eu fui embora.

— Ele vai, ele é seu pai e te ama muito.

Balançando sua cabeça, ela suspirou. Era tão cálido e pacífico aqui, enfiada sem seus braços. Ela sentiu tanta a falta dele, mas sempre havia trabalho a ser feito. — Eu tive de fazer coisas Shuishui, coisas horríveis, terríveis. Eu tenho pesadelos todos os dias, mas tudo é necessário. Meu caminho certo, minhas ações justas, ninguém entende, nem você. Eu vi seu medo, senti que você tensionar quando te abracei. Eu não sou nada além de um fardo para você e Papai, só Mestre entende. Não se preocupe, Mestre vai deixar tudo certo, eu sei que ele vai. Por favor, você tem que me ajudar a voltar para ele.

— Você não vai voltar para ver seu pai? — Seu peito tremeu enquanto ele implorava mais uma vez. — Só venha comigo ver ele, ele sente tanta sua falta. Eu prometo que ele vai entender e te manter a salvo, eu juro.

Tensionando, ela se preparou para fugir antes de balançar sua cabeça. — Não posso. Só Mestre pode me ajudar, só Mestre me entende.

Os braços de Shuishui apertaram ela, afagando suas costas gentilmente. — Tá, tá bom, não fuja. Vou te ajudar. — Sua voz engasgada e resignada, ele disse quietamente aquelas três palavras simples e toda a tensão se drenou de seu corpo. Caindo em seu peito, exausta e mole, ela fechou seus olhos e parou, ouvindo ele falar. — Eu te amo prima, você é família. Eu não vou deixar ninguém te machucar nunca mais.

Um raio de dor irradiou da parte de trás de suas costas e ela endureceu e arfou. Seu corpo quebrado em soluços, os braços de Shuishui agarrados fortemente ao redor dela enquanto ele sussurrava. — Eu sinto muito. Oh Mãe, o que ele fez com você? Eu queria te resgatar no momento que ouvi que você foi levada, mas meu pai não me permitiu. — Ainda tremendo, Shuishi continuou a murmurar, segurando ela perto enquanto ela sangrava, sua adaga terminou seu trabalho. Tadinho, ele sempre foi tão doce e alegre, quanto isso deve ter ferido ele. — Ele disse que era bom te deixar ao lado dele, esperando ganhar um aliado forte para o clã. Clã primeiro, família depois, ele te vendeu e eu não fiz nada para impedi-lo, eu sinto tanto.

A dor desaparecia enquanto ela jazia lá, sorrindo com uma memória distante. — Ah como as coisas mudaram. Eu lembro quando você costumava deitar nos meus braços, mas isso é bom também. — Suas palavras trouxeram outra onda de soluços e ela o calou levemente. Havia tanto a dizer, mas tão pouco tempo.— Está tudo bem priminho, não chore. Isso é para o melhor. Não se culpe. Diga a Papai que eu sinto muito e que eu amo ele. — Com um pequeno tremor, ela adicionou, — Te amo também. — Fechando seus olhos, ela se aconchegou em seu peito com um sorriso, agarrando ele com força enquanto ela respirava uma última vez.

 

Mesmo se a Mãe rejeitasse BoLao pelos seus pecados, pelo menos ela ia morrer nos braços de Shuishui.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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