DS – Capítulo 194

Fatiga agarrava Sovanna como um servo desesperado, indisposto a deixá-la em paz. Tanto para ser feito, sua promoção abrupta para Capitã da Guarda era mais fardo do que bênção, especialmente considerando as chances de sobrevivência dela. Com os Algozes da Baía esperando na porta, os nobres de Sanshu estavam em um humor horrível e com uma necessidade desesperada de alguém para pisar. Já que o Magistrado foi ferido e não estava aceitando audiências, eles se alinharam aos montes para incomodar ela.

Apesar de estar tarde e o sol ter se posto a muito tempo, ela ainda estava presa em seu escritório aliviando a última dor em suas costas. Outro membro do conselho gordinho com mãos nos quadris e cabeça erguida, fazendo ameaças sem criatividade e exigências ridículas. Apesar de sua reputação para táticas grosseiras, esse gordinho invadiu sem nem ao menos um “como você está” antes de cuspir suas bobagens. Cada um desses “dor de barriga envolvida em seda” assumiam que ela iria imediatamente reconhecê-los, os malditos arrogantes, e só os guarda-costas dele a impediram de bater nele e o chutar para fora do escritório. Quatro guerreiros habilidosos parados por perto com suas mãos descansando em suas armas espirituais, ela não pensou em lutar com só um deles, quem dirá todos ao mesmo tempo.

Verdade seja dita, os nomes dos nobres não importavam, exceto de quem fugir quando a Lei Marcial terminasse. Todos farinha do mesmo saco, um bando de nobres barrigudos, mimados que vinham chorar para ela sobre suas inconveniências. Serventes indo embora do trabalho para estar com suas famílias, brigando por ter que dividir suas muitas mansões com os desabrigados, como o status deles era alto demais para viver em um casebre, exigências constantes para retornar as casas deles no distrito sul-oeste, suas preocupações eram tão frívolas e sem sentido que ela só queria espancá-los e jogá-los para os Algozes e seus Demônios.

Esperançosamente, quando os assassinos sem mãe finalmente levantarem de suas bundas para atacar, aqueles nobre malditos iriam deixar ela descansar por um momento, algo que ela não teve tempo desde sua promoção indesejada. Segurando um bocejo, ela sentou em silêncio duro enquanto o membro do conselho envolto em seda continuava sua retórica, saliva voando e rosto vermelho como uma maçã. Uma pena que ela não podia enviar os Algozes em umas ruas específicas e por esses guarda-costas para trabalhar. Se ela tivesse sorte, ambos iriam se resolver e a cidade seria salva. Inferno, mesmo se ela expulsasse os Algozes e seus Demônios sozinha de Sanshu, nenhum desses ingratos gorduchos iria agradecer ela, se comportando como crianças grosseiras, ignorantes do perigo na frente delas.

As muralhas eram duras e resistentes, e se eles segurarem os portões, ela tinha total confiança nas habilidades de seus homi de segurar a onda de Bandidos Corrompidos. Infelizmente, a traição de Mao Jianghong permitiu que os Algozes andassem pelos portões junto com seus companheiros Demônios, deixando quilômetros de tijolo e argamassa tão úteis como pauzinhos em uma luta de espadas. Claro, melhor ter eles do que nada, mas você ainda teria mais chances de sobreviver fugindo.

Um sorriso apareceu em seu rosto com o pensamento absurdo de fugir e não ser notada. — Você acha isso engraçado mulher? — O peito do membro do conselho arfava com raiva enquanto suas bochechas tremiam, seu bafo horrível e odor corporal se misturando com seu perfume floral em uma mistura profana de revirar o estômago. — Você ao menos sabe quanta moeda eu perco a cada hora que meus times de transporte ficam parados? Mais do que você ganha em uma ano, sua cretina.

Resistindo a vontade de revirar seus olhos, Sovanna adotou um ar de solenidade, determinada a bancar a boazinha. — Minhas desculpas membro do Conselho, mas não há nada que eu possa fazer sobre isso. — Gesticulando para a praça, ela continuou. — Contanto que haja um exército de inimigos acampados dentro das nossas muralhas, eu nun vou abrir mais portões para eles tomarem. Nem umzinho, nem por um minuto, muito menos pelas seis horas que cê tá pedindo. Eu cedo para você e eu vou ter cada mercador e membro do conselho vindo atrás de mim, exigindo usar os portões para eles mesmos e antes de cê notar, Sanshu vai ter mais buracos do que uma peneira. Cê vai ter que esperar até nós darmos os bandidos um descanso apropriado.

Se elevando até sua altura toda, não impressionante, o membro do conselho gordo fervia com raiva. — Como você ousa falar de tal maneira. Você sabe que eu sou? — O pequeno franzir e hesitação de Sovanna entregou sua ignorância, o rosto do membro do Conselho ficou vários tons mais escuro com o insulto percebido. — Eu sou Chao Yong, membro do Conselho Chefe da Aliança da Prosperidade Oriental! Para mim te dar a graça da minha presença já é mais do que você merece.

Como se o pato gordo pudesse intimidar ela, Sovanna já lidou com o pior de Sanshu. Sem hesitar, ela respondeu, — Eu estou honrada pela presença docê, mas os portões permanecem fechados. Sem vagões ou barcos saindo de Sanshu até o Magistrado dizer o contrário ou os Corrompidos estarem mortos. — Agora mete o pé e me deixe fazer trabalho de verdade, ela adicionou silenciosamente, esperando que o Gordinho Yong entendesse e fosse embora.

Infelizmente, ele não entendeu. Olhando para seus guardas para mais garantia, ele balançou um dedo na cara dela. — Não pense que sua patente nova vai te manter a salvo. Eu poderia ordenar que você fosse jogada para fora de Sanshu com um estalar dos meus dedos, sua gorila monstruosa e revoltante de uma mulher.

Tudo tinha limites. Pegando o dedo ofensor, ela o girou para trás com um sorriso enquanto Gordinho Yong chiava de dor. Usando seu corpo largo como escudo contra as armas sacadas de seus guardas, ela falou em tons baixos. — Isso nun é jeito de se falar com uma dama como eu. Eu tentei ser educada, mas cê tinha que passar dos limites, nun tinha? Me jogar para fora com um estalar de dedos né? Então, comece a estalar, seu descerebrado fraco. — Levantando ele do chão, ela encarou seus olhos, saboreando o medo dentro deles. — Pela buceta sangrando da Mãe, eu agradeceria cê por me mandar embora e trazer meus homi comigo. Eles são bons demais para morrer defendendo um bando de pilhas de merda se tremendo todas como cê. Diga a palavra e eu vou alegremente te deixar lidando com Yo Ling cê mesmo. Cê pensa que ele dá um puto para o quanto cê vale? Nem, ele vai te talhar em pedaços sem piscar o olho e com sorte, ele vai se engasgar na sua carne podre. O mundo vai ser melhor assim. — Jogando ele para seus guardas, ela desdenhou, afetando um ar de confiança. — Agora leve seus guarda chique e mete o pé porra antes que eu jogue o traseiro gordo docê pela janela e ponha eles para trabalhar mesmo.

Qualquer um daqueles guardas franzidos era mais que o suficiente para ela, provavelmente a derrotariam facilmente com as mãos nas costas. Ela era uma Guarda testada e experiente, e apesar de ser algo para se orgulhar, ela não era uma guerreira. Claro, ela era durona o bastante para dar conta do seu bandido ou criminoso de cada dia, mas esses eram antigos soldados, o melhor que o dinheiro podia comprar. Uma boa coisa que Gordinho Yong não sabia tanto, olhando para o corpo grande dela com medo enquanto ele saia correndo do seu escritório com os guardas atrás. Um até sorria e oferecia uma pequena saudação antes de ir embora, apesar dela esperar por um minuto inteiro antes de cair na cadeira com um suspiro, finalmente capaz de respirar aliviada.

Malditos do caralho e suas malditas exigências, mesmo depois de todo o esforço para bancar a boazinha, ela acabou atacando outro membro do conselho, dessa vez um maldito Chefe do Conselho ainda por cima. Mais uma vez, o mau temperamento dela a venceu. Por que ele tinha que cruzar o limite dela e chamar atenção para a sua estatura? Lamentando seu destino, ela deitou sua cabeça na mesa para roubar alguns momentos de descanso antes de voltar ao trabalho. Mesmo se, por algum milagre, ela sobrevivesse o ataque dos Corrompidos, os nobres de Sanshu a enforcariam nas muralhas.

Por que se incomodar?

Um rugido barulhento a acordou de seu estupor e ela pulou de sua mesa, limpando a baba em seu queixo. Correndo para a janela, ela olhou para a praça e arfou, seu coração em sua garganta com a visão. Alinhados ao longo dos parapeitos, os Bandidos Algozes da Baía eram imponentes enquanto brandiam suas armas e armaduras, vozes se unindo em um grito de desafio. Apertados ombro a ombro, a melhor estimativa dela dos seus números eram quinze mil, metade nas casas de guardas e metade acampada nos túneis. Seus homi e soldados igualavam aqueles números, apesar deles não estarem nem de longe tão bem armados.

Alisando seu uniforme, ela correu porta a fora e até a praça, Enviando ordens para seus homi e os organizando em formação antes de tomar seu lugar na muralha enquanto ela olhava para a lua. Já passou da meia noite agora, ela caiu no sono e perdeu valiosas horas de planejamento, apesar de que ela não teria conquistado muito de qualquer jeito. Verdade seja dita, depois de ver os Algozes da Baía arranjados em toda sua glória aterrorizante, ela de todo o coração queria voltar aos dias mais simples, quando tudo que ela tinha que fazer era lidar com calças manchadas de grama e lençóis sujos.

Os gritos trovejantes diminuiram e Sovanna finalmente teve um momento para pensar, o silêncio sufocante a estressando. Engolindo em seco, ela olhou para seus guardas em suas armaduras vermelhas e douradas, alinhados em suas muralhas improvisadas e frágeis, com seus medos e preocupações totalmente a mostra. — Bom, meus homi, — ela disse, sua voz dura e determinada. — Nós sugamos a teta de Sanshu por anos, andando de cabeça erguida com autoridade e imponência. Eles podem ter sido tempos gloriosos, mas tudo tem um preço. Está na hora de pegar nossas trouxas e pagar o que devemos. Segurem a linha e sigam minhas ordens. O destino de Sanshu está nas nossas mãos agora e eu não vou ser conhecida como a Capitã da Guarda que perdeu tudo.

Sem vivas retumbantes seguiram seu discurso, só alguns acenos de cabeça sombrios e risadas nervosas enquanto eles se mexiam no lugar. Aceitando o que ela tinha, ela pegou sua maça, um monte de ferro e aço brilhante e exagerado. Possivelmente a única Capitã da Guarda na história sem uma Arma Espiritual, ela estava fora do seu campo aqui, nenhuma heroína ou guerreira impecável do Império. Ela cresceu no Centro de Comércio fora da cidade, trabalhando como uma lavadeira assim como sua Mainha. Depois de bater em alguns rufiões bêbados que a visaram, ela foi recrutada na Guarda e de algum jeito escalou até o posto de Sargenta ao longo dos anos, mandando em seus homi como uma mamãe urso, durona e feroz. Agora em alguma piada cruel do destino, ela era a Capitã da Guarda de Sanshu, enfrentando os Corrompidos, enfrentando os Bandidos Algozes da Baía e o próprio Yo Ling.

Tudo parecia tão risível, como uma peça sobre um trapalhão incompetente de algum jeito tendo sucesso apesar de suas inaptidões. Bom, como Mainha sempre dizia, “você tem que jogar com a mão que você tem”, bendita seja. Pelo menos ela tinha Gerel e seus Bekkies ao lado dela, despreocupados com os procedimentos. Ali estava um guerreiro de verdade, mais forte do que qualquer um que ela já conheceu, e seus amigos não eram fracos também. Eles tinham de ser um povo durão, já que criaram o aterrorizante Selvagem Imortal. Ela viu em primeira mão o que aquele menino de aparência inocente fez com uma dúzia de assassinos contratados e esperava que Gerel faria o mesmo como os Corrompidos. Batendo a arma pesada contra sua palma, Sovanna remexeu o chão com seus saltos e esperou, pronta para lutar e morrer por Sanshu e suas pessoas.

Bom… não todas as suas pessoas, mas a maioria delas.

Silêncio caiu sobre a casa da guarda enquanto Gen encarava com fome o inimigo, se alinhando atrás de suas barricadas de madeira frágeis, usando suas armaduras cintilantes. Com ciúmes do quão impressionantes os fracotes pareciam, ele decidiu ter sua própria armadura, algo apropriadamente imponente. Não tanto pela proteção que ela oferecia, mais para intimidar e amedrontar seus oponentes, sendo uma figura brilhante no campo de batalha. Vermelho talvez, não algo brilhante como o dos Guardas, mas um vermelho mais escuro, pesado, a cor de sangue e morte. Gen era um homem de importância, ele não podia lutar com roupas de plebeu, faltava a dignidade.

— Aí está você meu garoto. — Yo Ling pegou em seu ombro com um riso irritante, vestindo uma armadura negra completa com um elmo incomum, com chifres retratando dois olhos bojudos e uma carranca assassina. Até usava um bigode eriçado de metal, ridículo, mas ainda feroz ao mesmo tempo. — Eu tenho um presente para você, tive de torturar meu armeiro três vezes até ele acertar. Tão difícil achar uma boa ajuda esses dias.

Um par de escravos carregavam um peitoral de metal e uma lanterna, as segurando enquanto Gen às estudava. Completos com espaldeiras¹ e grevas, era simples e sem decorações. Conforme os escravos moviam a armadura para frente e para trás na luz da lanterna, Gen notou o brilho carmesim escuro correndo pelo metal, cintilando como chamas ilusórias. Simples, mas ainda elegante, era um trabalho maravilhoso. Engolindo a seco e lutando com sua animação, ele perguntou: — Isso é para mim?

Se não fosse, ele teria de matar alguém para consegui-la.

— Claro que sim meu garoto. Não posso ter você correndo para a batalha vestindo trapos. Você é um homem de importância, um herói de uma revolução. — Levantando sua proteção de rosto para revelar um sorriso quase infantil, o velho parecia conhecer cada pensamento de Gen. Se inclinando, ele prosseguiu com sua narrativa. — Ouça com cuidado garoto, pois você está para escutar um segredo que eu mantive de todos incluindo meu velho parceiro. O Lago dos Tesouros Ocidental foi bem nomeado. Meu pequeno esconderijo estava em cima de uma série de cavernas debaixo do mar, embora uma vez em uma lua azul a maré iria descer e um homem poderia descer até lá. Décadas atrás, eu fui até fundo das mesmas em um capricho e encontrei um baú de tesouro de pedras e metais preciosos, tornados poderosos por estarem imersos na Energia do Mundo por milhares de anos. Eu gastei muitos dias vasculhando e varrendo as cavernas, arriscando vida e membros para coletar todos os objetos preciosos que eu podia.

Direcionando os escravos para levantarem a armadura, Yo Ling continuou a falar. — Eu vendi algumas e usei o resto para armar meus Algozes. Quinze mil Iluminados, cada um com uma arma de poder, nun há grupo aí fora que nos rivalize no norte. Eu teria feito uma arma também, mas você tem essas garras, um truque bacana que eu gostaria de aprender. — O olho de Yo Ling brilhou, mas Gen só deu de ombros, incapaz de ajudar. Ele mesmo não sabia como aconteceu com ele mesmo, suas memórias da hora eram tão nebulosas. Não tinha a ver com alguma mulher, além da Bei? Bah, quem liga? — Não importa, — Yo Ling bufou depois de uma breve pausa, seu sorriso voltando com força total. — Venha agora, deixe esse bandido velho dar uma bela olhada em você.

Se espreguiçando em sua nova armadura, Gen testou o alcance de movimento e se familiarizou com o peso duro, suas energias vibrando por dentro e por fora. — Está fazendo algo, eu sinto… poder correndo por ela, como se a arma estivesse ganhando vida.

— Os espíritos estão sintonizando com ela, tomando sua forma. Daí, eles vão te ajudar melhor no seu crescimento. Nos dê um pouco de fogo menino, vá em frente. — Flexionando seus dedos, uma chama estoura em existência com pouco esforço, alegrando Gen com os resultados. Tão fácil e suave, quase tão fácil quanto respirar. — Boas chamas, mas… — Encarando atentamente, Yo Ling pôs ambas as mãos nas espaldeiras de Gen, sua boca se contorceu em um pequeno franzido. — Algo não está certo. — Apreensão o encheu enquanto ele olhava para a armadura, incapaz de encontrar uma única falha. Era porque ela ficava ruim em seu corpo magro? — Ah, eu sei o que é, — Yo Ling disse com um sorriso. Com um estalar de dedos, um terceiro escravo correu segurando um elmo, tão temível e ornamentado quanto o de Yo Ling. — Você precisa manter essa cabeça sua protegida. Podemos ser durões, mas o cérebro é uma coisa delicada.

O pegando do escravo, Gen o segurou na luz e o estudou com uma reverência silenciosa. Os olhos da máscara eram inclinados e ferozes, sua testa protuberante e selvagem. Uma pluma de metal prateada surgia da parte de trás enquanto sua boca jazia aberta em um uivo silencioso. — É maravilhoso, — ele sussurrou, arrancando seu olhar para olhar Yo Ling e expressar sua gratidão apropriadamente. — Muito obrigado.

— Não precisa agradecer meu garoto, você é família agora. — O velho dispensou os agradecimentos de Gen e apontou para o elmo. — Agora, vamos ver como ela parece. — O pondo em sua cabeça, Gen descobriu que ele cabia perfeitamente enquanto ele olhava pela abertura dos olhos. De primeira, sua visão parecia confinada e limitada, mas, então, suas energias fluiam dentro do elmo e sua visão se alargou e se estabeleceu como se a arma tivesse se fundido a sua carne. Com suas garras, suas habilidades e sua armadura nova, ele estava finalmente pronto para encontrar seu destino de verdade.

— Bom, bom. — Yo Ling disse, assentindo com a cabeça em aprovação. — Feroz e poderoso, um guerreiro nato, você aprendeu como manipular o poder sem se render. Me levou décadas de prática e você pegou o jeito em meses, impressionante demais. Tantos segredos, você vai precisar compartilhar eles comigo. — Gesticulando para a praça, ele piscou com seu olho bom. — Porém, em outra hora, há diversão para se ter. Que tal Gen meu garoto? Gostaria de liderar a investida?

Assentindo ansiosamente, ele olhou para cada uma das barricadas improvisadas, incerto de que caminho tomar. Hesitando por um momento, ele virou para Yo Ling em busca de orientação. — Qual eu deveria atacar?

— Ha, Gen meu garoto, a resposta não é simples? — O olho do velho se estreitou enquanto ele abaixava sua viseira, sua voz abafada atrás do metal grosso. — Queime todos eles e deixe que meus Algozes cuidem do resto.

Os lábios de Gen se contorceram em alegria, seu sorriso largo e visível por trás de sua máscara. Pulando do parapeito da casa de guarda, ele enfiou suas garras nas muralhas de pedra e desacelerou sua queda, pousando pesadamente em seus pés. Ele esqueceu sobre o peso extra, mas funcionou ainda assim. Em ambas as mãos, seus dedos se alongaram e se fundiram em espadas gêmeas, arrastando eles pelo chão pavimentado com um guincho estridente, seus camaradas abrindo caminho por respeito e medo. Logo, ele chegou na vanguarda das tropas, olhando para praça sem obstrução, tão perto que ele podia provar o medo e apreensão deles.

Levantando uma única lâmina no ar, ele invocou a chama, sua arma brilhando vermelho quente, inflamando o ar ao redor dele. Da elevação, ele lançou uma corrente de fogo ardente na primeira barricada, saboreando os gritos de dor e pânico, se aquecendo no caos consequente. Sem a armadura, ele nunca seria capaz de jogar as chamas tão longe ou ter elas queimarem tão cintilantes. Um presente verdadeiramente magnífico. Repetindo seu movimento, ele incendiou todas as três barricadas, gargalhando enquanto o fazia, eufórico com essa mostra de poder. Peito arfando com o esforço, ele se virou para os Algozes e encontrou respeito e inveja em seus olhos, o enchendo de alegria. — Comigo, — ele gritou. — Avançar! — As rampas e cordas abaixadas lentamente demais enquanto os Algozes levantavam suas vozes para soar o ataque, e mais uma vez ele deslizou pela muralha de pedra, dessa vez se empurrando para já começar correndo em direção à barricada mais próximo, bem na frente de todos os outros. Dentro de sua armadura, ele não precisava de ninguém ao seu lado para pôr essa cidade de joelhos.

Hoje a noite, Sanshu iria queimar até o chão e amanhã, ele iria celebrar em sangue e cinzas dos mortos e morrendo, mostrando a verdade sobre o Equilíbrio para os sobreviventes. Essa era apenas a primeira.

 

A primeira de muitas.


1 Espaldeira: parte da armadura que protege os ombros

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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