DS – Capítulo 211

Tremendo de animação, Gen se agachou nas sombras da casa da guarda, encarando a linha das árvores em busca de movimento. Falling Rain estava lá, ele podia sentir em seus ossos. Uma hora ou duas no máximo e aquele maldito estava vindo para o fim dele. Com Vithar e seus membros da tribo restantes escondidos no sul, junto com alguns milhares de Iluminados, o exército de “resgate” iria ser pego no momento que pisassem dentro dos portões de Sanshu. Gen mal podia esperar para mostrar para aquele maldito arrogante do Rain sua força de verdade. Com seus olhares odiosos e desdém sarcástico, ele acreditava ser melhor do que todos meramente por uma guinada do destino, nascido em uma família nobre. Hmph, ser um príncipe de selvagens não era nada para se orgulhar, um grupo de sub-humanos imundos vivendo com escória meia-besta nas montanhas, longe da sociedade apropriada como eles deveriam estar.

Ah, como Gen desejava capturar o “Selvagem Imortal” e por seu título a prova. Quanto tempo o magrelo arrogante iria durar antes de quebrar? Quanto tempo até ele implorar pela morte? Yo Ling prometeu ensinar a Gen todos os seus truques e técnicas, um tesouro de conhecimento esperando para ser dividido e compartilhado. Rain acreditava ser um herói nobre nessa história, mas Gen iria se certificar que ele aprenderia o mais profundo de sua vilania em detalhes minuciosos, só depois de se afogar em seu arrependimento. Gen sonhava em ver aqueles olhos âmbar cheios de medo, imaginando os apelos patéticos depois de dias – não, decanas de tortura.

Depois de todo seu sofrimento, Gen estava na cúspide da libertação, pronto para entregar justiça e se limpar da sua maior vergonha. Tão excruciante, mas ainda prazeroso, ele temia explodir a qualquer momento. Incapaz de ficar parado, ele partiu do balcão e foi até o quarto vazio mais próximo, cortando e estocando em um frenesi, lutando contra uma projeção mental de Rain para praticar. As ações vinham prontamente a ele e, mesmo seu corpo sendo fortalecido pela Energia do Mundo e guiado pelos Espíritos, Yo Ling disse mais cedo que quanto mais cedo Gen se acostumasse a controlar seus próprios movimentos, mais forte ele ficaria. Sabendo disso, depois de cada colisão e luta, Gen estudava seus movimentos e diligentemente praticava e revisava, lentamente aprendendo as minúcias do combate.

Ele não era mais o fracote covarde, rastejando pela floresta em busca de uma refeição. Ele foi escolhido pelos Céus para ser o campeão deles, logo se elevando acima daqueles ao seu redor e ficando na vanguarda da revolução. Conforme ele estocava, cortava, defletia, contra-atacava, as chamas explodiam em existência ao seu redor, consumindo seu oponente imaginário. Suas mãos metálicas brilhando na luz cintilante enquanto ele se movia ininterrupto, tão rapidamente que suas mangas estalavam como chicotes, seu corpo um redemoinho de destruição.

Ele era Gen, o Emissário da Chama e Falling Rain seria uma mera pedra em seu caminho para glória.

Girando com um golpe com as costas da mão cruel, ele bateu em algo que parecia uma montanha, rebatendo do impacto. Seu braço formigando, seu rosnado cortado no meio enquanto ele encarava os olhos escuros e severos de Mao Jianghong, palma levantada depois de bloquear o golpe de Gen e lábios franzidos em desaprovação muda. — Você — Ele disse, fazendo um rótulo comum parecer um insulto grave. — está causando uma perturbação.

Mordendo um insulto fumegante, Gen lutou para controlar seu temperamento, os espíritos exigindo que ele tomasse ação e encontrasse a doce vingança. Respirando fundo, ele fechou seus olhos e sorriu, reconhecendo a sabedoria de Yo Ling. Sim, os Espíritos davam grande poder, mas quanto mais cedo ele se tornasse auto-suficiente, melhor. Eles tinham fome de violência e ação, mesmo em detrimento do hospedeiro deles, uma ameaça que agora Gen sabia. Tolice atacar Mao Jianghong, a proeza do homem já conhecida.

Abrindo seus olhos, ele encontrou o guerreiro severo encarando ele de perto, sua sobrancelha levantada levemente. — Admirável. — Ele disse com um aceno, juntando suas mãos atrás de suas costas, perigo ainda irradiando do guerreiro elegantemente vestido. — Eu pensei que teria de botar algum senso em você, mas pelo visto você está indo bem no caminho de controlar suas vontades. — Olhando ao redor, ele viu os detritos de madeira e rocha, se sentando na única cadeira intacta. — A lição mais importante para um soldado aprender é paciência. Guerra não é uma corrida, mas uma maratona longa e esgotante, se rastejando por montanhas de corpos mortos em busca de sobrevivência e vitória. Você vai precisar de sua força logo, mas ainda você está aqui desperdiçando ela… redecorando.

As palavras pareciam com o que seu Painho disse uma vez. — Ah, sim senhor, o mesmo vai para um caçador. Eu esqueci em minha animação. — Se movendo para ficar na frente do guerreiro taciturno, Gen juntou suas mãos e se curvou. — Obrigado pela sua orientação. Por favor, este aqui implora pelos seus conselhos. — Era a oportunidade perfeita para aprender e Gen estava sempre com fome de conhecimento.

Balançando sua cabeça, os lábios de Jianghong se curvaram em desdém, — Não precisa bancar o humilde plebeu, eu acho isso cansativo. Você é novo com seu poder, mas ainda já foi tão longe. Eu acho isso o mais curioso. Se apenas eu soubesse seu segredo… — Incapaz de responder, Gen só podia dar de ombros como resposta, aqueles olhos negros penetrando através dele como se pudessem ver bem dentro de sua mente e alma. Longos segundos depois, Jianghong suspirou e relaxou, ociosamente afagando sua barba. — Um mistério. De qualquer maneira, seria um desperdício deixar um jovem tão talentoso andar por aí as cegas. Saiba disso: sua maior arma não é suas mãos ou suas chamas, mas sua mente. Não precisa dessa amostra idiota.

Se sentindo caluniado, Gen falou. — Eu estava meramente me acostumando com os movimentos.

Jianghong sorriu e gesticulou ao redor do quarto. — E para qual propósito seus movimentos errantes serve? Seus inimigos irão ficar parados como essas cadeiras e paredes, morrendo sem resistência? Uma desperdício de energia sem sentido. Eu olho para você e me pergunto, “onde foi parar aquele maldito diabólico?”. Onde está o guerreiro que quase me incendiou, meramente antecipando minhas reações? Quantos anos você tem?

Surpreso pelo elogio, Gen respondeu sem pensar. — Vinte e um senhor.

— Hmm. 183 centímetros de altura. Magro, mas flexível. — Gen piscou com o chute certeiro de Jianghong, se maravilhando pela precisão, mas o guerreiro mais velho continuou sem pausar. — Julgando pelo corpo e idade, você nunca vai ser grande como Vithar ou Yo Ling. Não, você é como eu, velocidade sobre poder, agilidade sobre massa. Você não vai colidir direto com os tipos deles, não se você for esperto. — Tocando em sua têmpora com um dedo, Jianghong sorriu com ar conhecedor. — Os Espíritos clamam por caos acima de tudo, mas disciplina e astúcia são ferramentas que te servirão bem. Sem elas, você não é melhor do que um animal sem mente, facilmente derrotado por qualquer plebeu com um meio cérebro e uma hora de preparação. Imitar os movimentos só vai te levar até um certo ponto, você precisa entender a razão de cada ação e decisão. Saiba quando cortar e quando estocar, quando bloquear e quando defletir. Aprenda os pontos mais finos de se posicionar e estude cada possível contra-ataque em qualquer situação. Aja, nunca reaja, e você vai se tornar um poder a ser temido.

Coçando sua bochecha, Gen disse nervoso, — Parece muita coisa para processar, senhor. Eu nem saberia onde começar.

— O mesmo lugar de sempre. Você começa do começo. — Gesticulando para Gen se sentar, Jianghong começou uma lição sobre posicionamento dos pés. Apesar de inicialmente, parecer um assunto menor facilmente dispensado, quanto mais ele falava, mais Gen percebia o quão primordial ele era. Estar na largura de um dedo do pé fora da posição era o bastante para desistir da vantagem, um prospecto assustador.

A lição não continuou por muito tempo, Jianghong só explicando um único exemplo, mas Gen foi cativado pelas possibilidades. Confuso, Gen mordeu seu lábio e perguntou, — Por que você está me ensinando? Você quer me roubar de Yo Ling? Eu devo muito a ele.

O guerreiro mais velho tremeu ao rir. — Não, eu não espero que você se proste como meu discípulo, eu meramente pensei nisso como um jeito agradável de passar o tempo. — Exalando ele deu de ombros. — Verdade seja dita, eu estou ansioso demais para isso acabar. Quanto mais cedo lidarmos com Yuzhen, mais cedo eu posso me juntar a batalha por Sanshu. Cada momento que eu desperdiço aqui, mais mercadores culpados fogem da cidade e eu arrisco que aquela desgraça com barriga de pote de um Magistrado morra sem saber o motivo de eu me virar contra ele.

— Por que você fez isso? — Jianghong tinha poder, fortuna e posição, parecia estranho desistir de tudo.

— É uma história que eu não gosto de contar, então ouça bem. — Os olhos do antigo Capitão da Guarda ficaram desfocados enquanto ele se perdia na memória. — Nossas histórias são similares. Minha família Mao era pequena, mas graças ao trabalho duro dos meus pais, nós estávamos no nosso caminho para sucesso financeiro. Eu era o mais velho, o herdeiro, treinado em ambos combate e comércio, pronto para tomar as rédeas do negócio da família. Infelizmente, como eles dizem, o prego que fica de fora é martelado. Visados pelo Conselho, minha família sofreu uma série de “acidentes”e “maus investimentos” quase nos trazendo a ruína. Como se não fosse o bastante, eles contrataram mercenários para bancarem bandidos e massacrar minha família inteira, enquanto estávamos indo para nossas férias. Lá estava eu, um jovem pouco mais velho do que você, espancado e deixado para morrer no canto de uma estrada, chorando a morte de meus pais e irmãos enquanto rezava para que minha mãe e irmã pudessem se juntar a eles logo.

Ele ficou em silêncio e depois de uma longa pausa, Gen não conseguia segurar mais sua língua. — E então?

Outro dar de ombros. — Os gritos atraíram uma patrulha por perto e os mercenários foram mortos até o último deles. Nenhum deles podia ser identificado, um bando de estranhos nessas terras. Minha irmã sobreviveu só para tirar sua vida alguns dias depois, se enforcando em seu quarto. Eu vendi o que sobrou das posses da minha família e me juntei a guarda, onde eu gastei anos procurando a identidade de quem ordenou o ataque. Quanto mais eu aprendia, mais eu percebia que não importava. A cidade inteira era corrupta e longe demais da salvação, tratos de portas fechadas prosseguiam dia após dia para satisfazer vícios inescrupulosos e esmagar rivais em ascensão. Mesmo o Magistrado estava firmemente no bolso do Conselho, então eu decidi que um novo começo era necessário. — Ele sorriu, apesar de não haver calor nele. — Uma limpeza da raça humana, começando com Sanshu. Eu contatei Yo Ling e construi um grupo de indivíduos de pensamentos semelhantes e aqui estamos nós.

— Sim, os nobres desse mundo são os verdadeiros Corrompidos, podres até o âmago. — Feliz em encontrar um espírito irmão, Gen sorriu de alegria. — Mas como você aprendeu a controlar os Espíritos e tudo que eles oferecem?

Balançando a mão em dispensa, Jianghong balançou sua cabeça. — Energia dos Céus, Energia do Mundo, Chi ou Espíritos, não importa o que você chame, eu estudei ambos e eu acredito que é meramente uma diferença de perspectiva da mesma coisa. Qualquer coisa feita com Chi pode ser replicada pelos Espíritos. Qual o melhor jeito de explicar? Diga, três homens cegos se aproximam de um elefante e trabalham junto para determinar que tipo de criatura ele é. O primeiro toca uma orelha e diz “essa criatura é um pássaro”. O segundo toca a trompa e diz “Essa criatura é uma cobra”. O terceiro toca a presa e diz “essa criatura é um javali”. Todos eles falham em entender quão grande o elefante realmente é, e se recusam a acreditar na visão do outro, pulando direto para conclusões só com uma lasca de informação. Não importa que caminho você tome, tudo isso leva ao poder, puro e simples. Os Espíritos meramente oferecem mais ao custo dos seus sussurros irritantes, nada que um pouco de disciplina não dê conta.

Antes de Gen pudesse fazer outra pergunta, Jianghong franziu a testa e levantou sua mão para pedir silêncio, olhando para o norte. Fazendo um som de irritação, ele ficou de pé e floreou com suas mangas, andando para fora do quarto com suas mãos juntas. — Parece que o pequeno XinYue não confia totalmente em seu “Tio Mao”. Estranho, eu nunca esperei que aquele idiota gigante fosse tão perspicaz. Eu me pergunto o que me entregou? Não importa, venha Gen. Os Bekhai estão com eles, o que significa que Falling Rain vai estar entre suas fileiras. — Se movendo sem pressa, passos com propósito, Jianghong murmurou algo sobre “criminosos rastejando para fora da marcenaria”, mas Gen estava animado demais para ligar, correndo atrás do antigo Capitão da Guarda.

Finalmente, estava na hora de lutar mais uma vez. Haveria muito tempo para estudo e contemplação depois de matar Falling Rain e os outros defensores de Sanshu.

Finalmente, Rain iria pagar por todos os seus crimes.

— Segurem a linha! — Sovanna gritou enquanto sua maça esmagava um Algoz rosnando. O bandido Corrompido ignorou o impacto, seus olhos negros cheios de ódio e sede de sangue. Recuando para outro golpe, ela esmagou o cão da maça e soltou com toda a sua força, perfeitamente cronometrando para seu Chi explodir no impacto. Um sucesso, seu golpe Ampliado acertou em cheio com um tinido retumbante enquanto os olhos de seu oponente viravam para trás, caindo no chão morto. — Venham meus homi, mostrem a esses bandidos e ladrões a Fúria de Sanshu! Segurem, porra!

Arfando, ela segurou seu chão não por bravura e coragem, mas porque ela não tinha força para fugir, suas pernas duras e braços doendo enquanto os Corrompidos surgiam em direção aos defensores de Sanshu. Homens e mulheres morriam aos montes enquanto as duas ondas de carne humana colidiam uma com a outra, seus homi e os Corsários dando centímetro após centímetro enquanto aguentavam a onda implacável de Algozes Corrompidos. Esvaziando suas reservas, ela golpeou de novo e de novo, sem se preocupar com sua própria segurança e rindo silenciosamente de seu estado. Com mal um sucesso em quatro tentativas de Amplificar, uma melhora marcada de apenas dois dias atrás, ela acreditava estar no caminho de se tornar uma guerreira de verdade, uma comandante de verdade de soldados. Quão tola e arrogante ela deve parecer, se orgulhando em suas míseras conquistas enquanto talentos como Yo Ling e Gao Qiu assistiam de perto.

Bom, Gao Qiu não estava mais assistindo, o duelo ainda fresco na memória de Sovanna apesar de ter sido a horas atrás. As duas lendas de Sanshu ficando no centro, falando baixo demais para qualquer um ouvir. Por um minuto desolador, ela temia que Gao Qiu iria se voltar contra os homi dela, os Corsários se juntando a ele para massacrar a todos, mas foi tudo medo sem base. Nem mesmo o Demônio Vermelho conseguia aguentar os Corrompidos e ele deu seu melhor tentando abater seu amigo mais velho. Que luta foi aquela, deuses entre homens trocando golpes mais rápido do que o olho humano podia seguir. As muralhas tremiam e o ar ressoou, pedras rachavam sob seus pés enquanto lutavam. Yo Ling era admitidamente Corrompido, mas ainda parecia o mais calmo dos dois, Gao Qiu soltando fúria bestial e sede de sangue monstruosa, um Diabo em cada sentido da palavra.

Mas um Diabo defendendo Sanshu.

Infelizmente, não era para ser, o Espectro derrotou facilmente o Demônio Vermelho, ficando sobre o cadáver do seu inimigo caído como um fantasma vingativo se deleitando com a morte. Ela mal registrou o golpe final antes dos Algozes irromperem em vivas e se jogarem na batalha, atacando seus homi de novo. Não havia esperança, não mais. As cordas para remover os suportes e destruir a ponte foram abandonadas da primeira vez que ela fugiu com seus homi e, logo, ela seria forçada a correr em desgraça pela segunda vez do dia. Assumindo que ela iria sobreviver é claro.

Que humilhante, mas verdade seja dita, por que alguém iria esperar algo diferente? O que ela sabia sobre táticas e guerra? Ela não era nada além de uma maldita lavadeira que não sabia seu lugar, uma novata promovida por puro acaso. Se não fosse pela traição de Mao Jianghong, Sovanna nunca teria sonhado em se elevar além da sua posição de Sargenta. Mantendo seus homi na linha e se certificando de que eles nunca passassem dos limites, um trabalho simples que qualquer idiota conseguiria fazer, mas agora ela se afogava em sua ignorância e impotência.

A ponta de uma lança perfurou seu ombro e ela atacou, conectando por pura sorte e esmagando o rosto do atacante. Não houve fluxo de Chi ou explosão de poder, nada além de puro músculo, simples assim. Tão estranho, ela não era tão forte, era? Obviamente não, pensar o contrário não era nada além do sonho de um tolo. Abrindo sua boca para encorajar seus homi fraquejando, as palavras congelaram em sua garganta, incapaz de dizer a frase simples, “segurem a linha”.

O maldito comedor de cadáver do Gen estava certo. Por que se incomodar? Eles estavam condenados.

Um de seus homi parecia pensar o mesmo, largando sua arma para se virar e fugir. Incapaz de passar pela massa de corpos, ele foi cortado por trás em um instante, a batalha persistindo a despeito de sua covardice. Ela não podia culpá-lo também, ela conhecia o menino. O filho de um mercador de fruta, nem com vinte anos ainda, tão verde quanto parecia. Ele não tinha lugar nas linhas de frente de uma batalha como essa. Onde estavam os nobres e as elites? Onde estava o Conselho ou o Magistrado? Enfiados em suas mansões e fortalezas, seguros enquanto os plebeus sangravam e morriam por eles.

Negócios como de costume em Sanshu.

Perdida em seus pensamentos, a batalha continuava ao redor de Sovanna enquanto ela ficava parada como uma pedra no rio, procurando propósito para toda essa loucura. Se ela fosse embora, alguém ao menos iria notar? Não havia vitória para ser ganha aqui, os Corrompidos eram fortes demais. Yo Ling derrotou Gerel e Gao Qiu facilmente como virar a mão dele, enquanto Jariad ficava atrás e Liu Bastardo se recusava a mostrar a cara. Quem restava para lutar com o Espectro? O Magistrado não estava em lugar algum, presumidamente lutando em outra ponte, mas como Sovanna iria saber de fato? Até onde sabia, ela foi abandonada aqui para atrasar o avanço dos Algozes enquanto o Magistrado fugia com o Conselho e todos seus ganhos ilícitos. Por que morrer por eles? Ela não tinha nada a perder nessa luta, uma mulher solitária no primor de sua vida, mas ainda sem família para chamar de sua.

— Sovanna, segure um pouco mais. — O Envio do Magistrado soou em sua mente. — Ajuda está a caminho, segure firme.

A garantia clareou sua mente e renovou sua determinação. Ele ainda estava aqui, lutando por sua cidade como um herói de verdade faria. Olhando ao redor para seus homi, ela balançou a cabeça para afastar os pensamentos negativos e cerrou seus dentes. Sem família? Bobagem. Canalizando seu misero Chi, ela levantou sua maça e foi a frente, colocando ela em um frenesi, gritando para que todos ouvissem. — Lutem meus homi, lutem! Cês vão deixar um bando de piratas imundos vencerem cês? Impossível! Porque nas nossas veias corre o sangue de heróis, nossa bravura mais forte que aço! Fiquem firmes! Fúria de Sanshu!

Vivas ressoantes seguiram suas palavras. Esses eram seus homi, sua família. Ela iria morrer por eles, e eles por ela, lutando para defender o restante da família deles, ainda fugindo da cidade. Encorajados pelo seu exemplo seus homi lutavam e morriam, mas eles seguravam a linha, não dando um pedacinho sequer de chão por vários minutos. As linhas de batalha deles se misturavam enquanto os Corsários eram empurrados para trás, os Corrompidos ameaçando engolir seus homi, mas eles lutavam, segurando até o fim amargo. Rindo em desafio, ela esmagava um crânio após o outro, determinada a tomar o máximo que ela podia consigo, para que ela pudesse ficar de cabeça erguida e falar honestamente para a Mãe, “eu dei meu melhor”.

Mãe santa, me tome para si se precisar, mas poupe o máximo dos meus  homi que cê puder, eu imploro cê.

Uma sombra se moveu de cima e os Algozes vacilaram frente a Sovanna, olhando para cima e atrás dela. Mal registrando a pausa, ela se moveu para atacar, mas alguém a puxou para trás bem a tempo de evitar uma barragem de projéteis. Pedras, flechas, tijolos e lanças, alguém jogou tudo exceto o penico nas linhas Corrompidas, por nada. Virando para olhar o idiota que ordenou a saraivada tão perto de suas pessoas, sua boca caiu ao ver a visão da ralé esfarrapada, enviando saraivada após saraivada de projéteis enquanto marchavam, afogando os Corrompidos sob o volume do fogo. Ela avistou alguns rostos familiares entre a multidão, seus rostos colocados em cada praça e mercado na cidade. Kabi Mestiço, Ulfsaar o Voraz, Yu Dedos Leves, Daxian o Virtuoso e muitos mais. Fossem eles heróis ou vilões dependia de quem você perguntava, mas uma coisa era certa: a força deles não podia ser negada.

Liderando o avanço estava o Lorde do Trovão, o próprio Lei Gong, seu cabelo branco ficando de pé enquanto ele ria, enviando relâmpagos cegantes de poder nas linhas Corrompidas. Ao lado dele corria um guerreiro baixo, armado dos pés até a ponta da cabeça em escamas azuis brilhantes, com uma corda metálica brilhante em mãos. Enquanto os outros bandidos avançavam em direção ao Inimigo, o guerreiro de escamas deu um passo para o lado, flanqueado por um gigante e um guerreiro esguio, ambos com bastões de metal grossos e vestidos de maneira similar, apesar de não tão coloridos quanto o líder deles. Olhando para os guardas reunidos, os salvador deles foi a frente e removeu seu elmo, revelando um rosto contorcido por cansaço, suas orelhas de rato se mexendo no topo de sua cabeça. — Woo, — Ele exclamou com um sorriso dentuço, olhando para os guardas reunidos. — Parece que chegamos aqui a tempo. Agora quem docês pobre coitados é o líder.

Toda cabeça se virou para olhar para Sovanna e ela foi a frente. — Eu sou Sovanna, Capitã da Guarda de Sanshu. E cê é.

Olhando lubricamente pra baixo, ele sorriu e se curvou de um jeito quase cortez. — Que Capitã da Guarda adorável, minha honra conhecer cê. — Se endireitando, ele pôs seu elmo de volta, piscando brincalhão debaixo de sua máscara. — Eu tenho o prazer de ser Jorani Carrasco e eu trouxe a Milícia da Mãe aqui para limpar a escória Corrompida de Sanshu. A Mãe deseja isso. — Ele adicionou, mas de alguma forma era pouco convincente.

O gigante de armadura assentindo animadamente enquanto falava, — Não esqueças dus Ascendentes e dos Bekkies, Jor. Eles estão aqui também.

Com um suspiro longo, Jorani respondeu, — Sim Ral, obrigado. Os Ascendentes Índigos estão aqui também. Nós encontramos os Bekhai do lado de fora, que dizem que a Major Yuzhen está no caminho. Pronto, feliz Ral? Isso é tudo galera. — Se virando para Sovanna, ele disse, — Vocês vão descansar e não me esfaqueiem nas costas agora, nós vamos lidar com isso aí direitin. Venham, vamos matar alguns Corrompidos. Eu preciso de mais prática com essa corrente maldita. Pior arma espiritual do caralho de todas, como alguém espera que eu use essa coisa?

Enquanto eles marchavam, Sovanna ouviu o gigante falar, conversando como se ele estivesse em um passeio. — Jor, nós podemos ir no mercado depois? Chey disse que eles tem frutas adocicadas. Eu nunca comi frutas adocicadas antes.

— Claro, eu compro procê todos os doces que seu estômago aguentar. Mas negócios vem primeiro, não fique sonhando durante a luta, não dá pra comer doce sem uma cabeça.

— Vou fazê isso Jor, vou tomar muito cuidado… você acha que o Senhor Rain vai me deixar afagar um roosequin? Eles parecem tão macios e felpudos.

— Cê chame ele de Oficial Rain, do jeitin certo. Nós vamos ver essa coisa dos quins, mas sem promessas.

A boca de Sovanna abriu e fechou, então abriu de novo, ficando aberta em incredulidade enquanto ela caía no chão, exausta demais para ir embora andando. Que mundo estranho ela vivia, com nobres correndo para fugir da cidade e deixando os cidadãos para trás, enquanto quase todo bandido e viajante na região corre para a defesa de Sanshu.

 

A Mãe trabalha de jeitos misteriosos, mas Sovanna não questionava a vontade Dela.

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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