DS – Capítulo 224

— Jorani, o que nas Garras do Pai nós tamo fazendo aqui?

Sem desacelerar seu avanço, Jorani olhou para Kabi, lutando contra a vontade de estapear ele por perguntar algo tão estúpido. O antigo capitão dos Mestiços tremia incontrolavelmente enquanto eles marchavam ao lado da estrada, cauda entre as pernas e orelhas de cachorro pressionadas contra sua cabeça e Jorani simpatizava com o homem. Verdade seja dita, ele estava se perguntando a mesma coisa, desejando estar em qualquer lugar menos aqui. Como ele acabou nessa confusão? Dois meses atrás, ele era um vigia dos Bucaneiros, bebendo e roubando enquanto sonhava em subir na vida. Bom, seu sonho finalmente se realizou. Hoje, Jorani liderava seu grupo de bandidos para a batalha contra o exército Corrompido dos Algozes da Baía.

Só o pensamento já causava arrepios em sua espinha, mas felizmente sua armadura escondia sua covardice. Engolindo o nó em sua garganta, Jorani respondeu no tom mais calmo que conseguia dadas as circunstâncias. — Você ouviu o Capitão da Guarda, Kabi. Nós vamos apoiar os Corsários e prendê-los no mercado. Então o puto do Magistrado vem junto para atacar eles por trás em ambos os caminhos. Fácil, fácil como tirar doce de criança. — Sua voz quebrou no segundo “fácil”, seu terror ameaçando explodir do seu peito e jorrar na rua toda. 

Um pequeno gemido escapou dos lábios de Kabi. — Cê é louco. Eu sei que nós assinamos para dez anos de serviço com cê, mas eu pensei que seria para bandidagem, não suícidio porra. Nós não temos lugar aqui, muito menos lutando contra os Algozes da Baía. Nós vamos todos morrer ou pior. Eles são Corrompidos caralho, você ouviu as histórias. 

Verdade, mas com Lei Gong mantendo um olho nele, Jorani não tinha escolha além de seguir ordens e cuspir um discurso. — Eu falei para você quando começamos, nós nun somos mais bandidos, nós somos a Milícia da Mãe. Nosso lugar é aqui em Sanshu, defendendo as crianças Dela. 

— Tetas caídas da Mãe. — Kabi chiou, se aproximando para evitar ser ouvido por alguém. — Chega com a merda religiosa, cê nun tá convencendo ninguém. Isso é sério. Nós dois sabemos que a parada toda da “Milícia” era você trabalhando em um certo ângulo, um jeito para virar as pessoas contra o Concelho. Eu nunca pensei que você tinha o apoio dos Ascendentes, mas não importa. Você tem uma armadura chique, mas isso nun vai te manter salvo do Yo Ling. Ele vai arrancar você de dentro como se tivesse descascando uma laranja, marque minhas palavras.

— Você acha que eu não sei disso? — Jorani pirou, encarando seu antigo companheiro de birita. — Você acha que eu não quero me virar e vazar daqui? As coisas são assim, eu não posso. Nós estamos aqui para lutar, então lide com isso. 

Em sua raiva, Jorani esqueceu de manter sua voz baixa, mas felizmente, alguém mal interpretou sua sentença. — O Chefe está certo. — Ulfsaar o Voraz disse, marchando ao lado de sua esposa Neera. Os dois meio-ursos estavam entre os poucos que compraram a bobagem religiosa de Jorani. — Nós partimos agora e os Corrompidos vencem. Sanshu precisa da gente, a Mãe o deseja. 

Sem perder um segundo, Kabi respondeu, — Mas que porra isso tem a ver com a gente? Nós somos ladrões e bandidos, não heróis do Império. Mesmo se nós salvarmos Sanshu da destruição, você acha que eles vão fazer uma parada em nossa homenagem? Marque minhas palavras, quando tudo isso acabar, nós vamos ser acorrentados sem nada, como você está, tudo para esconder a vergonha deles, assumindo que a caçamba do Imperador não purifique a região inteira. Vocês não vêem? Eles não vão admitir que foram salvos por bandidos, então eles vão nos enviar como palha, um osso para os Algozes roerem enquanto o Magistrado ri e assisti. Olhem o que aconteceu com os Corsários, enviados para lutar com Yo Ling sem apoio. 

— Agora, cê não vá espalhando mentiras. — Capitã da Guarda Sovanna chegou para interferir, a pequena discussão deles se espalhando entre a Milícia e os guardas. — Sanshu aprecia a ajuda do cês, sem sombra de dúvidas. O que vêm depois… Bom, eu não falo pelos outros, mas cês tem minha gratidão. Quanto aos Corsários, nun é nossa culpa. Nós enviamos notícias, mas eles se recusaram a recuar. Agora eles foram atacados, nós estamos indo apoiá-los. O que mais cê quer?

— Não para dificultar mais a situação, mas o Mestiço tem certa razão. — Yu Dedos Leves se juntou a conversa, o passo deles nunca desacelerando enquanto marchavam em direção ao mercado. — O que vai parar os guardas de destruir a ponte com a gente para trás e nos prendendo com Yo Ling?

Sovanna bufou. — Eu estou bem aqui, nun tô?

Espertamente não mencionando como Sovanna pode ser um joguete também, Yu deu de ombros e continuou. — Mesmo se nós sobrevivermos, o que acontece quando isso acabar? Um homem precisa da vara e cenoura, caso contrário não vai ter motivação para continuar. Enquanto nós somos presos pelos nossos juramentos, nós juramos lealdade à Milícia da Mãe, não obediência cega. Uma pequena distinção, vou admitir, mas como eu vejo as coisas, se eu vazasse daqui por segurança enquanto desejava a melhor sorte para vocês, então eu manteria o meu fim da barganha. Eu estou disposto a apostar minha vida nisso? — Yo deu de ombros, parecendo totalmente despreocupado, um assassino bem versado em esconder suas emoções. — Depende. Considerando que nós encaramos morte certa nas mãos de Yo Ling ou do Magistrado, contra morte provável caso fujamos, não é uma escolha muito difícil. 

A discussão deles entrou em um silêncio enquanto as pálpebras de Jorani se contraiam, pensando nas palavras do assassino esperto. Verdade, o juramento que ele fez foi um pouco leve, nunca trair os Bekhai e servir por dez anos, enquanto os outros juraram o mesmo, apenas para a Milícia. Se eles corressem e abandonassem os Bekhai ou Jorani, os céus veriam isso como uma traição, mas por causa do seu juramento de silêncio, não havia nada que ele podia dizer para convencê-los do contrário. Ele só esperava que Kabi e Yu ficariam e lutariam ao invés de desperdiçar a vida deles fugindo. Eles não são guerreiros perfeitos, mas eles estão cabeças e ombros acima de Jorani. 

Estranhamente, Wang Zombeteiro foi o primeiro a quebrar o silêncio. Desde que soube da traição de Yo Ling, ele caiu em um silêncio estranho, mais ainda quando soube da morte de Gao Qiu, então ouvir ele falar foi uma surpresa. — Você façam o que tem de fazer. — Ele disse em tons lentos, iguais. — Eu e meus assassinos? Nós vamos ser os primeiros na luta, matando cada maldito Corrompido que virmos. Do jeito que eu vejo, nós estamos mortos de qualquer jeito e Mãezona não olha com gentileza covardes ou quem quebra juramentos. Muito melhor cair lutando. Eu nun sou forte o bastante para matar Yo Ling, mas ele vai ver que não somos prato barato. É o mínimo que podemos fazer, em honra ao sacrifício de Gao Qiu. O Demônio Vermelho era muitas coisas, mas ele não era traidor, nem a gente é. 

Um coro de concordância ecoou os sentimentos de Wang Zombeteiro, os antigos Algozes firmes em vingar o antigo capitão deles. Mais de uma vez, Jorani se preocupou se os antigos Algozes eram ou não Corrompidos, mantendo seu grupo inteiro a distância de braços, então ouvir ele se voluntariar para as linhas de frente veio como uma surpresa bem-vinda. Eles eram os mais maus e mais disciplinados lutadores na Milícia, os padrões rígidos dos Algozes da Baía se mostrando. Infelizmente, poucos compartilhavam do entusiasmo deles e todo mundo ficou em silêncio mais uma vez. Ralando seu cérebro, Jorani se arrastava, desejando que ele tivesse um discurso heróico para elevar a moral e deixar seu grupo em forma, mas tudo que ele conseguia pensar era no seu fim iminente. Difícil discutir contra os pontos de Kabi e Yu, mas Jorani estava em uma saia justa. Ele era só um bandido furtivo das ruas de Sanshu, não algum guerreiro perfeito abençoado pelos céus. Como ele podia possivelmente lidar com o resultado dessa guerra?

Pior de tudo, o maldito Ascendente Índigo deixou claro que eles não iriam ajudar. “Complicações demais” de acordo com o velho maldito preguiçoso, enviando o grupo dele ao invés. Os únicos que Jorani reconhecia eram Lei Gong e Daxian, os outros envoltos em mistério e silêncio. Lei Gong era o líder, uma visão menos do que impressionante em suas roupas de mendigo, cabelo bagunçado e aparência cansada. Pelo menos, Daxian parecia exatamente como um herói conquistador, brigantina¹ chamativa, modelada, couro flexível sobre placas de metal interligadas. O elmo de face aberta que ele nunca tirava emoldurava um rosto belo, angular, enquanto em seu peito ostenta a palavra “Virtude”, a origem de seu apelido. Até agora, Jorani encontrou ele em séria falta no departamento virtude e cheio de comentários sarcásticos e ácidos, sempre cutucando as fraquezas de Jorani. 

Com inveja da nova armadura provavelmente, então ele não ligava muito. Os outros homens dos Ascendentes estavam vestido parecidos com Daxian, um com uma barba espessa e um machado de dois gumes gigante e o outro comum e de mão vazias. A única mulher do grupo deles estava com uma túnica preta apertada e meias longas, suas pernas com belas proporções e uma seleção de joias toda a mostra. Só cinco Ascendentes no total, mas Jorani esperava que havia mais esperando por perto. Nenhum deles se incomodou em se apresentar e ele especulou sobre as identidades deles nos últimos, mas foi inútil. Não como se importasse, cada um deles era um expert, fazendo Jorani se sentir um pouco mais seguro. Virando sua atenção para sua Arma Espiritual, rezando por um milagre que superasse todos os milagres. Talvez ele vincularia a arma e se tornaria um guerreiro expert ou Despertaria para uma Benção ou algo do tipo. 

Infelizmente, a Mãe ignorou seus apelos e seus esforços foram interrompidos por gritos inumanos de dor e miséria. Seguindo a liderança de Lei Gong e Sovanna, Jorani apertou o passo e correu em direção ao mercado, sua mente gritando para ele fugir antes mesmo dos seus pés virarem no corredor para mostrar a ele um campo profano de massacre. Tremendo incontrolavelmente enquanto uma voz em seu interior balbuciava de puro terror, ele ociosamente se perguntava se alguém podia ouvir sua armadura tremendo ou dentes trepidando. Como eles não poderiam? Era quase ensurdecedor, apesar de ainda ser incapaz de calar os gritos torturados de agonia e desespero. 

Era tarde demais, os Corsários estavam acabados, seus corpos mortos deixados para apodrecer nas ruas enquanto Corrompidos brincavam com os infelizes o bastante para estarem vivos ainda. Tentando encontrar algum lugar para ver sem olhar alguma forma de tortura indizível era impossível, mas os olhos de Jorani travaram em uma cena em particular, um Demônio esperando na frente do exército Corrompido, nem cinquenta metros longe deles. Uma criatura massiva com cabeça de veado, estava ajoealhada na rua manchada de sangue com a cabeça abaixada em subserviência. Aninhado dentro dos chifres de osso com espinhos jazia os restos de um homem, seu corpo nu e impalado nas pontas afiadas, Jorani notou que o cadáver tinha chifres também, um tipo de simetria estranha. Um meio-veado morto pelo Demônio veado, quais são as chances?

— Ah finalmente, mais convidados chegaram. — Um cavalheiro mais velho estava perto do Demônio, braços esticados em bem-vindas. Sorrindo como se cumprimentasse velhos amigos, seus dentes brancos brilhavam em contraste com as vísceras cobrindo seu corpo, nem um pedaço de pele, cabelo ou armadura sem sangue ou vísceras, como se ele tivesse nadado em um lago de cadáveres. Como Jorani esqueceu sua presença era um mistério, mas ele não estava sozinho. Toda a fronte dos homens da Milícia e guardas arfaram enquanto davam um passo para trás em conjunto, surpresos com sua aparência repentina. Só os Ascendentes ficaram no lugar, Lei Gong na frente da força aliada deles, cercado por seus companheiros. 

Despreocupado com a reação deles, o cavalheiro velho gesticulou em direção ao Veado Demônio. — Desculpe a bagunça, meu velho amigo Jariad é um homem teimoso e eu me perdi no trabalho. — Com uma mesura majestosa, ele continuou. — Este humilde eu é chamado Yo Ling, mais conhecido como o Espectro. É meu prazer conhecer tantos heróis de renome. — Seu único olho pausou em cada rosto enquanto ele recitava os nomes deles. — O Silvícola, Yelu Shi, Punho Radiante, Wugang, Daxian, o Virtuoso, Tirana OuYang Yuhuan e Lorde do Trovão Lei Gong.

Com cada introdução os espíritos de Jorani se elevavam mais e mais. Avisando a si mesmo para parar de comer Tirana Yuhan com os olhos, era preocupante como Yo Ling não parecia preocupado com a aparência de tantos experts. Na verdade, o Rei Bandido olhou ao redor de jeito exagerado, seu sorriso nunca vacilando. — Os Ascendentes Índigo, mas não em força total. Onde estão os outros? Eu devo admitir que estou curioso para conhecer o líder de vocês, um homem envolto em tantos segredos que nem mesmo eu consegui determinar sua identidade. 

— Hmph. — Bufou Lei Gong, tomando um gole de sua cabeça. — Nós somos mais do que o bastante para lidar com o seu tipinho, imundice Corrompida. 

Olhos se estreitando em raiva, Yo Ling se recuperou do erro e prosseguiu com seus cumprimentos majestosos, cumprindo o papel de hospedeiro. — E todos esses camaradas familiares aqui para me cumprimentar no meu dia de glória, é verdadeiramente uma honra. Me perdoem por não tomar meu tempo para cumprimentar todos um por um, mas tempo é importante. — O olhar de Yo Ling pousou em Jorani e ele sentiu suas pernas virarem geléia, apesar de algum jeito ele ter permanecido ereto. — Além disso, nós todos sabemos o motivo de você estar aqui. Jorani Carrasco da Milícia da Mãe, que quebra-cabeça curioso você é. Um fracote de nenhum importância líder de tantos assassinos de renome, todo vestidinho em uma nova armadura Runica brilhante. Eu imagino que o Ascendente te presenteou com ela e dois conjuntos a mais para seus amiguinhos, Ral e Chey. Ele até armou vocês com Armas Espirituais, que extravagante. — Afagando sua barba ensopada de sangue, Yo Ling inclinou sua cabeça, o olhar penetrante perfurando Jorani. Como o Espectro sabia sobre Ral e Chey. — Eu não consigo imaginar como você mantém o amor e lealdade de todos esses bandidos e ladrões, muito menos o respeito. O que eles vão fazer depois que eu te partir membro após membro e te colocar em cima do Jariad aqui? Eu imagino que eles me agradeceriam por libertá-los dos juramentos incômodos deles. 

Um choro gorgolejante emanou de Jariad fixado no topo do Veado Demônio e Jorani pulou de medo. Pela Mãe, ele ainda estava vivo, quem poderia aguentar tal dor e tortura? Estalando a língua em irritação, Yo Ling olhou para o Corsário acabado. — Fala sério Jariad, onde estão seus modos? Não se preocupe, há muito espaço, mas por favor, me diga onde Liu Shi está se escondendo, eu amaria ter ele na minha festa de vitória. — A dualidade da sentença foi a última gota enquanto Jorani vomitava em sua boca. Sem outra opção, ele engoliu de volta, se recusando a aparecer fraco na frente desse monstro. 

Um relâmpago cintilou no caminho e acertou Jariad no peito, jogando o Demônio para trás enquanto um estrondo de trovão ecoava por todo o mercado. Seu corpo tremia na morte, o pobre capitão Corsário foi finalmente livre de sua tortura enquanto Lei Gong rosnava em raiva, seu dedo esticado ainda crepitando com poder. — Chega dos seus jogos, criatura imunda de trevas. — Girando sua bengala, ele foi para a ação, seguido pelos outros Ascendentes e confrontados por uma onda de Demônios. 

Como se por alguma regra não dita, ninguém mais avançou, sabendo que a batalha seria decidida por esses poucos experts. A área irrompeu em caos enquanto Lei Gong mostrava a que veio, cada golpe acompanhado por um relampejo cegante e o estrondo do trovão, empurrando de volta um par de Demoníaco de toupeira e doninha. O machado de Yelu Shi balançou seu machado em um arco poderoso, só para ser parado por um Demônio com casco, sua cauda com espinhos e bico afiado pondo o Silvícola na defensiva. Daxian e Wugang duelavam com seus respectivos inimigos, dois demônios humanoides de quatro braços com rostos tirados de um pesadelo, brandindo um bando de armas perigosas que restringiam a lança de Daxian e punhos de Wugang. A Tirana lutava de um jeito totalmente diferente enquanto suas jóias se iluminavam em uma formação de cores deslumbrantes, conjurando um sortimento de ataques de Chi que brilhavam e cintilavam enquanto ela desviava elegantemente das investidas rápidas do veado demoníaco e garras esmagadora, o cadáver de Jariad ainda preso no topo de sua cabeça. 

Seis Demônios lutando com cinco Ascendentes e Yo Ling ainda não agiu, permanecendo no lugar com braços cruzados e um sorriso em seu rosto, adorando a desordem na sua frente. Engolindo seco, Jorani lutou para se impedir de correr, o terror sobrepujando ele. Todos eles estavam condenados no momento que Yo Ling agisse, mas o que ele poderia fazer? Nem mesmo os guerreiros mais fortes de seu grupo duraria mais do que alguns segundos lutando contra um Demônio, e nem um único Ascendente parecia ter a vantagem. Os guerreiros Corrompidos davam vivas e gritavam ao lado, rindo dos Ascendentes sofrendo enquanto os Demônios empurravam eles para trás, enquanto os guardas e Milícia ficava parada, rezando para os heróis valentes vencerem. 

Assistindo a mostra de poder e habilidade na frente dele, pela primeira vez em sua vida, Jorani desejou pelo mesmo. Toda sua vida, ele ficou feliz em depender dos outros para protegê-lo, racionalizando sua covardice como prudência e cautela. Ele riria dos brutos idiotas que arriscavam suas vidas por glória e fama, fingindo serem mais do que meros ladrões e assassinos, mas ele finalmente entendeu. Algumas vezes, a única opção que restava era ficar e lutar, porque a alternativa era muito pior. 

Se virando para olhar Ral, Jorani deu um tapinho no braço do seu melhor amigo. — Cê tá pronto pra isso?

Com um sorriso bobo, Ral assentiu animado, de algum jeito ainda calmo em meio ao pandemônio. — Não se preocupe Jor, eu vou te manter seguro. Prometo. 

O idiota era provavelmente estúpido demais para ficar com medo. — Esqueça sobre mim, mantenha um olho na sua lady ao invés. — Engolindo seco, ele adicionou, — Se eu morrer, então corra feito o inferno, cê me ouviu? — Ral franziu o cenho e balançou a cabeça, mas Jorani ignorou ele ao invés olhando para Chey por confirmação. Eles ainda não se davam bem, mas eles punham suas diferenças quando se tratava de Ral, a bandida assentiu sem hesitar. 

Se virando para encarar o Inimigo, Jorani fechou seus olhos e respirou fundo. Elevando sua voz, ele gritou, — Homens e mulheres de Sanshu. O Inimigo está na nossa frente. Matem todos eles. — Fazendo suas pernas se moverem, Jorani foi disparado com Ral e Chey ao seu lado, gritando assassinato sangrento enquanto ele se aproximava dos Corrompidos. Se os Ascendentes caíssem então os Algozes escapariam ilesos, então a única opção restante era matar o máximo de Algozes que eles pudessem antes que os Demônios abatassem seus oponentes. 

Ele só rezava que a Milícia estivesse seguindo atrás. 

Correndo ao redor da luta titânica entre os Ascendentes e os Demônios, Jorani chegou face a face com os Algozes Corrompidos, guerreiros gigantes envoltos em ferro negro e vísceras. Levando uma lança no peito, ele girou enquanto a lâmina raspava em seu peitoral, sentindo suas reservas de Chi diminuírem do golpe. Atacando com sua Arma Espiritual enrolada em seu punho, ele conectou com a mandíbula do seu oponente, incapaz de até balançar o guerreiro Corrompido. Sorrindo de trás de seu elmo, o oponente de Jorani recuou para dar uma cabeçada. O impacto jogou Jorani para trás, suas pernas ameaçando desistir sob o golpe. 

Uma mão avançou para firmá-lo antes de avançar ao seu lado, um cintilo de movimento mais rápido do que Jorani conseguia sentir. O elmo do Algoz Corrompido se dividiu em dois enquanto a machadinha de Wang Zombeteiro acertou em cheio, um dos poucos homens da Milícia com uma Arma Espiritual. Se virando de volta com um sorriso, Wang Zombeteiro rindo alto, o som ecoando pelo campo de batalha. — Chefe, como você pode? Eu pensei que deixei bem claro que eu e meus assassinos queríamos a primeira morte desses malditos. — Sem outra palavra, Wang Zombeteiro se jogou na luta, cortando seus antigos companheiros com vingança. 

Uma olhada rápida disse a Jorani tudo que ele precisava saber, os outros membros da Milícia todos seguiram ele na batalha, até Kabi e Yu Dedos Leves. Peito se enchendo de orgulho, ele assistia enquanto seu grupo partia os Corrompidos, trabalhando juntos para abater seus inimigos mais bem armados, pagando caro por cada morte. 

Em um impulso, ele elevou seu punho e gritou, — Pela Mãe! — Seu grupo ecoou o grito enquanto eles lutavam com tudo, a visão dos Inimigos e suas atrocidades causando em todos os presentes uma fúria justa, ele mesmo incluso. Canalizando seu Chi mais uma vez, Jorani soltou a corda e a trouxe para trás, atacando sem pensar. O impacto balançou seu braço, seu Chi explodindo através da corda, varrendo um trio de Corrompidos e continuando em diante, se movendo como se estivesse viva e com fome de sangue. Sua mente se encheu de conhecimento enquanto ele lutava, caindo em um transe enquanto ele se movia de acordo com a vontade da arma, abatendo os Corrompidos fácil como virar sua mão. Finalmente, ele vinculou sua arma, a Própria Mãe o instruia em seu uso apropriado, guiando ele por cada nuance e mistério de suas funções. O conhecimento não duraria para sempre, era por conta de Jorani lembrar o máximo possível e ele se perdeu em suas complexidades enquanto liberava a fúria Dela contra o Inimigo. 

 

Talvez milagres acontecem no final das contas. 

 

Graças a Mãe. 

 

 

Mas ele se sentiria melhor se o Magistrado apressasse a bunda gorda dele até aqui. 

 


 

1. Brigantina:

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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