DS – Capítulo 227

Depois de todo meu trabalho duro e treino dedicado, é um pouco embaraçoso atribuir meu maior sucesso a uma gota amorfa de água. Depender de Baledagh não é tão ruim, nós dividimos um corpo e essa é a vida dele tecnicamente. Por que eu deveria dividir todas as dificuldades sozinho? Gotinha é diferente, encontrar ele foi pura e autêntica sorte. Se eu não tivesse encontrado ele de primeira, eu teria me afogado até a morte no lago, assumindo que eu sobrevivesse tempo o bastante sem ser devorado. Se eu não tivesse sido arremessado no lago por Nazier, eu não teria encontrado Gotinha e concertado meu problema espectral. E principalmente, se não fosse o conselho de Gotinha, eu tremo só de pensar na luta desesperada, sangrenta em que eu estaria, lutando com o dobro do meu número de Corrompidos em um lugar apertado, preso de todos os lados sem lugar para fugir. Eu daria chances iguais para os Corrompidos me matarem contra meu aliados em pânico me pisotearem até a morte em uma tentativa desesperada para escapar do massacre. 

Por que eu me incomodo em trabalhar tanto? Eu deveria sair caçando mais companheiros de quarto. Chaminha, Faisquinha, Pedrinha e Brisinha estão todos aí, esperando pelo novo lar deles. 

Ignorando a reprovação categórica de Gotinha, eu explico meus esquemas de Aura para Tenjin através de Envio, seu braço ao redor do meu ombro. Aparentemente, ele viu a batalha inteira das sombras, mas não podia sentir o que eu fiz com minha Aura. Enquanto eu aprecio ele cuidar de mim, toda essa proteção secreta está me irritando. Eu teria feito as coisas diferente com ele ao meu lado, mas de novo, eu imagino que esse seja o ponto. Além disso, com minha sorte, a primeira vez que eu depender dos meus protetores invisíveis será quando eles vão ficar distraídos, então melhor não contar com eles quando não estiverem a vista. Eu amaria saber como eles se esgueiram por aí iguais uns ninjas, mas da última vez que eu perguntei ao Baatar ele me disse “além do meu alcance do meu alcance”. Talvez agora com todas as minhas últimas conquistas, isso vai finalmente estar “dentro do meu alcance” e eu também vou poder me esconder a vista de todos. 

Por… razões. Definitivamente não é para espiar as mulheres no banheiro. Há outros usos válidos. 

Quando Major Yimu se aproxima, Tenjin Envia, — Mantenha sua habilidade recém descoberta em segredo do nosso comandante anterior. Se seu sucesso puder ser duplicado, então você dará outra vantagem incrível para as Pessoas. Você já está no pináculo da força para sua idade e agora você estendeu sua liderança por pelo menos uma década. Honra e glória para você, Falling Rain das Pessoas. A Mãe nos abençoou com sua presença. 

— É… Obrigado? — Bacana, eu acho. Talvez Akanai finalmente vai me julgar “passável”. Improvável, mas qualquer coisa pode acontecer. 

Mãos atrás das costas e peito estufado, Yimu abaixa seu nariz enquanto me estuda, quase procurando uma razão para estar chateado. Aguentando a atenção o melhor que posso, eu de algum jeito simpatizo com a posição dele. Apesar do timing horroroso, eu não consigo culpar o homem por se preocupar com seu futuro. Faz menos de duas horas desde que ele soube que a base que ele dependeu por toda a vida foi destruída, deixando ele sozinho e sem apoio pela primeira vez. Ganhar fama como um herói de Sanshu pode salvar ele de ser assassinado enquanto dorme, mas ele escolheu a pessoa errada para ferrar. Se ele tentar algo dissimulado, eu vou estraçalhar sua Aura e tomar o comando se preciso for, mesmo que eu odeie ser o encarregado com as coisas. 

Ah, doce e delicioso poder. Eu tive tudo por quinze minutos e já estou pensando em como abusar dele. Eu não posso deixar isso subir a cabeça, poder absoluto corrompe absolutamente. Além disso, até onde sei, os Campeões Corrompidos que eu estraçalhei são todos uns merdinhas e os oponentes mais durões conseguem resistir minha Aura Beyblade¹. Não seja arrogante demais, mantenha os pés no chão.

Saudando o Major e abaixando minha cabeça em deferência, eu falo alto o bastante para ser ouvido pelos outros, ganhando um pouquinho de boa vontade. —Subtenente Falling Rain, reportando ao Major Yimu. Seus soldados encaminharam as forças Corrompidas e o caminho a frente foi limpo com casualidades mínimas. Um grupo impressionante de guerreiros. 

Ha. Quem disse que eu não consigo ser diplomático? Com a sutileza de um tijolo, mas e daí? Os soldados estão vibrando, seus ânimos levantados pela nossa vitória esmagadora contra os odiosos Algozes. Lutando com suas emoções, Yimu esconde bem como ele se adere aos soldados, indo com o fluxo. — Defensores de Sanshu, vocês deixaram a sua cidade orgulhosa. O sucesso de vocês aqui é nosso primeiro passo no caminho da vitória! Subtenente Falling Rain, levante sua cabeça. — Mais teatrinho, mas tanto faz, deixe o homem ter o seu momento de brilhar. — Trabalho excepcional. — Yimu declara, olho tremendo com o elogio, — mas exaustivo, sem dúvida. Mesmo que a força de vocês seja necessária na batalha vindoura, eu hesito em sobrecarregar heróis tão valentes. Descansem e se recuperem aqui camaradas, enquanto eu trago os outros para escoltar o caminho. 

Finalmente. Ele acha que está sendo esperto por me deixar de escanteio, mas, puta que pariu, eu amo isso. —Parece bom. — Eu respondo, incapaz de esconder meu alívio. — Tempo para um descanso bem-merecido, certo, soldados?

— Com tua licença Chefe. — Bulat interjeta, sorrindo como um idiota. — Mas que se foda descansar. Eu não vou ficar aqui parado sentado enquanto Yo Ling ainda respirar, o que o resto de vocês me dizem?! — Um rugido de vivas ecoa em resposta, iniciando um cântico liderado pelo igualmente idiota Ravil. — Sanshu Vitoriosa! Sem Rivais Sob Céu! Sanshu Vitoriosa! Sem Rivais Sob Céu!

A tremida de Yimu vai a loucura enquanto os soldados trabalham em frenesi, a moral nas alturas. Sem esperar por ordens, eles marcham avenida abaixo com meus soldados vitoriosos na vanguarda, liderados por Bulat em cima de seu quin, balançando sua lança estúpida e mostrando o elmo dos seis Campeões Corrompidos abatidos. Indisposto a ser vencido, Yimu ordena tardiamente a marcha, gritando burrices sobre glória e honra enquanto corre para o fronte. 

Seus filhos da puta idiotas…

Requer tudo de mim para segurar minhas lágrimas, tão perto da minha soneca muito aguardada só para ela ser roubada. Subindo cansado nas costas de Mafu, minhas bochechas ardem sob o olhar amoroso de Mila, seus olhos cheios de admiração enquanto ela irradia satisfação presunçosa. É difícil para ela, noiva de um cara incomum como eu, mas ela nunca ficou com raiva, só me empurrando para o sucesso. Eu estou feliz que ela finalmente tem algo para se gabar com a estóica e insensível Li Song, mas a cauda agitada da garota gato mostra as suas dificuldades, forçada a aguentar os Envios excessivamente entusiasmados de Mila enquanto elas viajam de mãos dadas. 

Meu estado mental vacila entre exaustão e orgulho enquanto Mila me traz até o fronte e desacelera o passo até uma marcha fácil. Yimu está menos que agradado comigo lá, mas seus soldados exuberantes não o dão outra escolha além de aceitar a minha presença. Eu vou fazer o que puder para tentar ajudar ele a sair dessa. Quero dizer, ele está aqui e ainda está lutando, o que é mais do que eu posso dizer pela maioria. Um soldado como ele merece um elogio depois dessa defesa difícil, não uma sentença de morte. Além disso, ele levou as coisas na esportiva, nem se incomodou em me perguntar como eu derrotei os Corrompidos, o que eu aprecio muito. 

De acordo com os relatórios de Sanshu, a evacuação ainda está a todo vapor, mas os portões estão entupidos com vagões e palanques enormes, a classe alta rica, sobrevivente de Sanshu em retirada total com a riqueza deles enquanto os cidadãos assustados estão presos esperando. No momento, o Magistrado está ocupado com uma força Corrompida similar a que eu arrasei. Ele escolheu a mesma estratégia que Yimu usou só que nesse caso, é o Gerel sentado descansando enquanto o Magistrado lida com os fracotes. Isso traz validade a decisão de Yimu e eu não consigo não respeitar Chu Tongzu por tomar a decisão difícil. Um bom líder, o Magistrado sabe quando engolir seu orgulho, algo que eu uma vez assumi que era senso comum. 

É ótimo superar o Magistrado, mas eu não estou muito feliz em liderar o ataque. A corrente de elmos de Bulat chocalha atrás de mim, o barulho discordante soando como zombaria nos meus ouvidos. Tá, nós matamos seis Campeões, mas não precisa se gabar por isso. Além disso, chama atenção demais, nós podíamos muito bem estar gritando “Ei! Cara importante aqui! Venha matar ele!”. Se apenas meu gênio se estendesse para manobras táticas, então eu podia liderar da retaguarda, balançando meu leque enquanto eu dou ordens e roubo a vitória das garras da derrota. 

Quem estou enganando. Eu não acho que conseguiria enviar homens e mulheres às suas mortes sem sofrer ao lado deles. Eu acho que sou fominha de punição. 

Navegando na onda da vitória, nossas forças marcham em direção ao mercado. Perdidos entre as ruas com curvas e espaços abertos, os sinais sutis de Mila me salvam da humilhação de pedir por ajuda. Eu tenho um senso de direção horrível, sempre tive. Mesmo quando saia para caçar, eu dependia dos meus companheiros ficarem ligados na nossa posição, seja um parceiro de caça ou meu quin. Quanto mais eu aprendo sobre comandar, mais eu percebo quão lamentavelmente despreparado eu sou para a coisa. Baatar me ensinou como lutar e eu até que mando bem, mas quando se trata de comando do campo de batalha, eu estou me afogando em inaptidão. Colidir de cabeça é meu único movimento. 

Adicione isso a lista de coisas que eu tenho que estudar quando chegar em casa. Eu não pretendo me tornar um general ou estrategista, mas é sempre bom estar preparado. Melhor ter e não precisar do que precisar e não ter. Fung amaria essa… Eu deveria escrever um livro. Mais uma entrando na lista. Até agora eu tenho: sair dos Sentinelas/me demitir do posto de Subtenente, consertar Baledagh, treinar meus bichos, aprender sobre estratégias e escrever um livro sobre frases para ficar rico.

Ah, e sobreviver a batalha por Sanshu. Essa aí no topo. 

O tempo desacelera enquanto os Corrompidos correm ao longe, surgindo da avenida larga em direção a nós. Liderando o caminho na armadura vermelho-dourada deles estão os guardas da cidade, o símbolo que antes simbolizava a segurança de Sanshu agora incita a fúria entre nossas forças. Ganhando momento, os defensores de Sanshu gritam obscenidades e condenações para os traidores, ansiosos para derramar sangue e distribuir justiça. Não há como parar qualquer uma das forças, guerreiros em ambos os lados organizando as linhas de frente sem ordem, marchando lado a lado enquanto a batida de botas afogam todos os outros sons. Lanças e armas de haste abaixam enquanto nós apertamos o passo, minha comitiva montada flanqueada pelos bons homens e mulheres de Sanshu a pé. Com XinYue na minha esquerda e Yimu na direita, nos preparamos para investir contra nossos inimigos odiados liderados por Mao Jianghong.

Movendo-se na frente de seus Corrompidos, os Capitão da Guarda traidor levanta seu sabre e começa a correr, seu olhar fumegante totalmente focado em Tursinai. Seus guardas o seguem e nossos soldados respondem igualmente, duas ondas massivas de carne e aço prontas para colidir. Tursinai toma a liderança, trazendo o quin dela 20 metros na frente da multidão, sua corrente amarrada ao redor de seu braço e torso em uma treliça de aço e tensão, pronta para liberar inferno sobre seu oponente. Correndo em sua sombra, Tenjin pronto para apoiar seu amor, braço encolhido e pronto para liberar morte cintilante. Aceitando sua sugestão, eu me posiciono para guardar a esquerda de Mila enquanto Li Song guarda a direita, os olhares predatórios deles já travados em seu alvo. Atrás de nós está Bulat, Argat e Jochi, a presença deles fortalecendo minha coragem enquanto nós acertamos os Corrompidos de frente. 

Acho que não deveria me sentir tão mal com a minha perspicácia tática merda, considerando que ela parece igual com os comandantes de Sanshu. E de novo, todos os elites estão lá fora com Yuzhen.

Soltando uma flecha, Ravil gargalha de alegria ao obter a primeira morte, o guarda Corrompido próximo de Jianghong caí no chão. Caso a flecha tenha matado ele ou não é irrelevante já que o homem é transformado em pasta sob as botas de seus colegas. Como um interruptor ligando, o cheiro de sangue faz o exército Corrompido entrar em frenesi, avançando em nossa direção com fúria descontrolada, correndo a todo vapor com armas levantadas. De dentro de seu covil, Gotinha borbulha de animação, me incitando a avançar ao sentir o cheiro de uma refeição e eu grito, — Cuidado! Demônio escondido!

Tudo isso se passa em questão de segundos, minha mente correndo enquanto eu busco um momento oportuno, minha Aura colidindo com meia dúzia de fontes inimigas. Minhas reservas estão baixas e eu só vou ter uma chance de pegar eles de surpresa, então quem melhor se não Jianghong? A distância entre Tursinai e Jianghong diminuí passo a passo enquanto eu encontro sua Aura, preparado para atacá-lo com tudo que eu tenho, torcendo para abater o comandante inimigo antes da batalha começar. Mesmo se outras Auras o defenderem, deve haver um momento de hesitação enquanto eu estraçalho suas defesas mentais. Com sorte, Tursinai e Tenjin vão conseguir se aproveitar e dar o golpe final. 

Cada segundo que passa dura uma eternidade, cada batimento destacado e distinto, meus olhos absorvem cada detalhe com claridade. Da mudança súbita no sabre Jianghong às variações fracas na postura de Tursinai, esses experts já começaram o duelo deles, empurrando em busca de posição antes de dar o primeiro golpe, a troca deles funcionando em um nível além da minha compreensão. Mila e Tenjin se juntam na luta mental, armas miradas para Jianghong e forçando ele a ajustar-se às ameaças deles. 

Durante tudo isso, eu continuo escaneando a multidão de Corrompidos, coração batendo forte enquanto procuro Gen. Se há um Demônio se escondendo nessa multidão, bem provável que seja Bei e aquele maldito melequento está aqui também. Há um débito a ser pago e eu pretendo coletá-lo em nome de Baledagh, Ai Qing, Mila e todo inocente que morreu devido as escolhas dele. Não  só aqueles na vila dele, mas as pobres almas que morreram na Purificação, os soldados que caíram defendendo Sanshu, meus Sentinelas, o tio do Huu e mais, eu ponho a morte de todos eles nos pés de Gen. 

É muito mais fácil do que me culpar ou o Baledagh. 

Minha busca é infrutífera e sou forçado a virar minha atenção para Jianghong, o quin de Tursinai pronto para atacar. Ambos experts preparados para as ações de aberturas do outro, mas eu ataco primeiro. Canalizando a Energia dos Céus, eu direciono meu Chi em uma única lâmina massiva de Aura e a envio em direção a Jianghong. Sua Aura se deforma mais aguenta, mas Jianghong vacila levemente por uma fração de segundo, o que é o bastante para Tursinai. O peso no fim de sua corrente voa, se aproveitando do momento do ataque de seu quin. A arma ondulante passa de repente pelas defesas de Jianghong e colide com sua bochecha, sua cabeça indo para o lado com força enquanto ele gira no lugar. Os guardas Corrompidos atrás dele engolem a força atenuada do golpe de Tursinai, a corrente perfurando carne e osso com facilidade. 

Ferido, mas não vencido, Jianghong cambaleia para frente, de algum jeito ficando de pé enquanto ele é carregado pela multidão, sua tenacidade e determinação sem comparação. Por pouco escapando da morte com uma virada de cabeça, as ruínas de sua bochecha esquerda reviram meu estômago, carne, osso e dentes arrancados pelo impacto. Seu foco retorna em menos de um instante, um meio rosnado repulsivo gravado em seu rosto enquanto ele recua para dentro das linhas Corrompidas, fugindo para lamber suas feridas. 

Merda. Tão perto. 

O mundo irrompe em um cacofonia de barulho e fedor de morte enquanto Mafu colide no inimigo, abatendo três Corrompidos só com sua massa antes de parar. Desconcertado com o solavanco, não há mais tempo para pensar enquanto eu corto os Corrompidos convergindo, totalmente indiferentes com as mortes de seus companheiros. Paz parte elmo e crânio enquanto Tranquilidade bloqueia um golpe mirado no pescoço de Mafu. Minha montaria gordinha e doce morde e arranca através da linha Corrompida, limpando o caminho enquanto ele entra mais fundo na prensa. Em outra explosão ensurdecedora, nossa infantaria entra em pilhas na batalha com uma colisão de osso e metal, alcançando os quins velozes depois do que parece ser uma eternidade, mesmo que não possa ter sido mais que alguns segundos. 

Como um redemoinho de morte, Tursinai parte os Corrompidos com seus braços levantados e corrente varrendo todos diante dela, meramente dano colateral em sua caçada pelo Jianghong ferido. Liderando meus Sentinelas para seguir seu caminho, nós abrimos um buraco massivo no centro, permitindo os defensores de Sanshu entrarem e separarem o flanco esquerdo inteiro do restante dos Corrompidos. Não é sempre questão de números apenas, posicionamento é chave. Se você algum dia se encontrar cercado dos três lados com suas costas contra a parede, então você vai ter um tempo ruim. Uma rápida olhada para trás mostra as tropas de XinYue abatendo rapidamente os traidores isolados, matando eles sob uma tempestade de ataques em todas as direções. 

Minha distração momentânea me ganha outro encontro próximo com a morte, só sorte abençoada salvando minha pele enquanto eu Deflito a lança se aproximando, despachando seu usuário com Tranquilidade. Amaldiçoando minha falta de elmo, eu adiciono isso a minha lista enquanto continuo cortando. Elmo Rúnico acolchoado com tiras confortáveis, Armadura Rúnica completa e acolchoada, protetor de virilha incluso. Mecanismos Rúnicos gigantes com armas de destruição em massa. 

Tursinai pivoteia para a direita e eu lidero meus Sentinelas por perto, seguindo nossa vanguarda entusiasmada e borbulhante enquanto ela massacra mais Corrompidos do que o resto de nós combinados, sua corrente ceifando vidas como trigo diante de uma foice. Não mais se segurando, Tursinai está intocada em cima de seu quin, seus olhos mostrando uma leve loucura enquanto ela rastreia sua presa. Com um raro momento para respirar, eu encontro a Aura de um Campeão Corrompido a minha direita, travado em combate com Yimu, o rosto do nosso comandante vermelho com o esforço. Incapaz de achar a força para replicar minha Aura Beyblade, eu pego minhas reservas diminutas de Chi e perfuro através da Aura do Campeão com uma única estocadinha, o dano se curando instantaneamente, mas o pânico momentâneo o bastante para mudar o rumo do duelo a favor de Yimu. Animados com a vitória do comandante deles, os soldados de Yimu renovam os esforços e mergulham nos Corrompidos sitiados, a sede de sangue deles diminuindo conforme seus números caem. 

Gotinha urge que eu me mova e eu respondo sem pensar, sinalizando para Mafu pular para perto de Tursinai. Provavelmente avisado por Tenjin, a corrente de Tursinai sobe e golpeia acima da minha cabeça, mas não há tempo para arrependimento enquanto Bei aparece a centímetros a minha esquerda, sua boca desequilibrada enquanto ela pula em Tursinai, apesar de eu estar agora no caminho. Um cintilo cegante e uma torrente de calor explode a minha direita, mas eu não tenho tempo para desperdiçar enquanto eu esmago Tranquilidade nas garras de Bei e estoco Paz bem fundo em seu peito. 

O impacto joga Mafu para o lado, sua forma peluda rolando para longe enquanto Bei titubeia de volta, arrancando meus pés da sela. Com Tranquilidade em sua boca e Paz em seu peito, icor jorra de suas feridas graves cobrindo meu torso e dissolvendo minha armadura e pele no piscar de olhos. A dor desaparece quase instantaneamente incapaz de até sentir o fluído pulsante se espalhando em meu corpo. Poços de horror bem de dentro conforme eu encaro a carne exposta, estranhamente calmo enquanto eu noto que a coisa comeu meus nervos. Apesar de Gotinha devorar a energia do icor com gana, há apenas uma única gota trabalhando no meu corpo, incapaz de lidar com a torrente de fluido corrosivo rápido o bastante para me salvar.

Porra Gotinha e eu tinha esperanças tão altas em você. Essa é minha culpa, eu não deveria confiar em seres quase sencientes. Minha culpa. 

A batalha caótica ao meu redor desaparece enquanto eu olho o rosto do Demônio. Sua carne rosa transparente é ao mesmo tempo encantadora e alarmante, como se fosse feita de diamantes rosa derretidos, mas ainda insinuando para a carne se contorcendo, fluida por baixo. Pela primeira vez, eu noto o rosto de Bei, seu rosto de verdade, projetado logo abaixo da pele do Demônio. Não uma cabeça, só sua pele, esticada em uma zombaria grotesca de sua antiga beleza, seus olhos arregalados em terror e boca se movendo, falando sem sons. Só leva algumas repetições para entender sua mensagem, uma única mensagem curta, repetida de novo e de novo.

“Eu sinto tanto.”

O Demônio caí de joelhos e eu caio com ele, sem força para levantar. Os olhos de Bei vão me assombrar pelo resto da minha vida, mesmo curta como ela pode ser, presa dentro de sua mente enquanto os Espectros controlam seu corpo, ainda atormentando ela mesmo depois de sua rendição. A pedra fria pressionada contra minha bochecha, mas a sensação é perdida enquanto o icor demoníaco forma uma poça ao redor do meu rosto. Mesmo assim, eu sou incapaz de tirar meus olhos dos dela, desejando que eu pudesse ajudar. Morte não vai libertar ela e Bei sabe disso, aterrorizada com o tormento eterno e miséria que virão. 

O mundo fica escuro ao meu redor, mas eu ainda olho para os olhos para sempre abertos de Bei, pedindo por ajuda. Canalizando o último de meu Chi, ao invés de curar minhas feridas sérias e me manter vivo, eu o envio para meu braço e até Paz, desesperadamente procurando um jeito de libertá-la dos Espectros. 

 

O que mais eu posso fazer? Sou fraco por um rostinho bonito. 


1 Beyblade: para quem não teve infância, é esse trem aqui

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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