DS – Capítulo 232

Trago para fora pelos guardas de Jianghong, Gen sentou-se na janela olhando o corpo de Bei no mercado. Sua pele cristalina brilhava na luz do sol, iluminando sua casca vazia, arruinada. Sua mandíbula quebrada estava meio aberta enquanto olhos cegos retornavam seu olhar e Gen sentia… nada. Só um vazio, nada permanecia dentro dele, um vazio deixado pela ausência dela e acompanhado por um distinto e desconfortável sentimento de solidão. Ele nunca notou antes, mas Bei era uma parte dele, conectada através de grilhões invisíveis, uma ligação que transcendia tempo e espaço.

Os Espíritos permaneciam curiosamente mudos enquanto ele se fechava. Não havia lágrimas para serem derramadas, nenhuma dor a ser abraçada, nenhuma miséria ou angústia a ser encontrada, nem mesmo os sussurros dos Espíritos para fazê-lo se mover. Em completa quietude, ele se sentou no vácuo de sua alma, fazendo perguntas e não encontrando respostas, buscando por algo que ele não conseguia nomear. Estava faltando, mas o que isso era ele não podia dizer, só que tinha a ver com a ausência de Bei.

Com o vazio se fechando ao redor dele, ele empurrou de volta, se lembrando de tempos melhores. Sua adorável Bei, deitada na cama do casamento deles, seus olhos manchados de lágrimas silenciosamente implorando por misericórdia enquanto o vermelho de tão quente descia, uma memória tão linda gravada dentro de sua mente. A garota tola lutava e chorava, incitando seu desejo por mais. Depois de um único dia maravilhoso de paixão, ela pertencia a ele em mente, corpo e alma, sua conformidade dada, sua vontade amarrada, as vidas deles inextricavelmente.conectadas como marido e esposa. Guardiã, serva e esposa, ele a moldou em sua mulher ideal, linda e forte, obediente e fiel. 

E agora ela se foi, com apenas as memórias dela para sustentá-lo.

Outra mulher roubada por Falling Rain. 

A sentença ecoou pelo vazio e quebrou sua apatia, cada pensamento consumido por vingança e retribuição. Voltando para a realidade, ele buscou pela multidão, esperando avistar seu inimigo mais odiado. Ao invés, ele foi cumprimentado por uma cena de caos e confusão totais. Algozes fugiam aos montes enquanto os defensores de Sanshu os abatiam, Yo Ling desaparecido. Os cadáveres dos Transcendentes jaziam nas ruas, facilmente avistados de onde ele estava enquanto a onda de guerreiros transmitia ao redor deles. Furioso com a injustiça dos Céus, ele amaldiçoou o Imperador, os Bekhai, os defensores de Sanshu, mas acima de todos, Gen amaldiçoou Yo Ling. Por todos seus discursos de grandeza e vitória, o velho maldito era nada além de uma fraude, um mentiroso e uma falha como foi o pai de Gen. 

As vozes dos Espíritos se elevaram em um clamor, exigindo rendição e resignação e por um breve segundo, Gen considerou sucumbir a vontade deles. Por que não? O que mais restava para ele? Com Yo Ling derrotado e Bei morta, como Gen iria escapar? Mesmo se de alguma forma ele evitasse todos os soldados, navegasse pelo labirinto alastrado de ruas e chegasse até os portões, e aí? Ele se recusava a voltar para as matas, varrendo por migalhas enquanto fugia do alcance do Imperador Retardado. Melhor se render aos Espíritos e provar poder de verdade antes de morrer. O mundo se encolheu ao redor dele e Gen viu Bei mais uma vez, esperando por ele em seus sonhos. 

E apenas em seus sonhos. 

Ignorando as demandas dos Espíritos, Gen rosnou e reuniu a Energia do Mundo, revelado no poder. Ele não era mais o caçador melequento e imprestável que teria desistido a muito tempo. Ele era um guerreiro e se ele morresse, então ele morreria lutando. Se afastando da janela, Gen abriu a porta só para encontrar Jianghong e um bando de guardas prestes a entrar. Sua mandíbula quebrada e bochecha desaparecida, Jianghong estudou os olhos de Gen antes de dar o mais breve dos acenos de cabeça. — Bom. — ele Enviou, andando com propósito. — Você não sucumbiu ao desespero. Venha Gen. Sanshu está perdida. 

Se juntando ao grupo de Jianghong, ele os seguiu escada abaixo onde a batalha furiosa ainda não havia acabado, as portas e janelas cobertas e barricadas. Chutando para o lado uma estátua de pedra, Jianghong revelou o alçapão de um porão escondido, gesticulando ao redor antes de se agachar. — Queime tudo. — Ele ordenou. Com um balançar de sua mão, Gen enviou chamas ao redor dele, incendiando o prédio. As chamas crescentes o enchiam de esperança e aspiração, derrotado, mas não quebrado. Ele era meramente uma brasa, mas ainda ele sobreviveu na tempestade de Sanhu, ferindo dois guerreiros de elite sozinho. Com tempo e prática, ele se tornaria mais forte. 

Forte o bastante para ter sua vingança. 

Fechando o alçapão atrás dele, Gen desceu na escuridão e acendeu uma pequena chama. — Uma passagem de contrabandista. — Jianghong Enviou, já dentro com uma lanterna em mãos. — Eu encontrei algumas delas durante meu tempo como Capitão da Guarda. Uma rota de escape útil. — Seguindo ele pela série de viradas e giros da passagem de pedra, Gen se moveu em direção à liberdade e seu destino. Apesar da história de Yo Ling terminar aqui, Gen não iria morrer com ele nem se entregar para os Espíritos. 

A jornada subterrânea deles continuou por horas até eles emergirem debaixo do céu noturno. Apagando sua chama para evitar serem detectados, ele olhou ao redor para a floresta escura a fim de recuperar seu equilíbrio. Quase não dava para ver as muralhas de Sanshu, quilômetros para o leste. Onde agora. 

Norte.  

A voz explosiva silenciou as conversa dos Espíritos, suas vozes caindo em silêncio diante da sugestão. Não, isso era uma ordem, um comando dado por alguém que não só exigia subserviência, mas esperava ela. Olhando para Jianghong, Gen percebeu que ele não foi o único que ouviu isso, o homem mais velho já se movia, seus olhos estreitados em precaução, mas ainda indisposto a desobedecer. Sem melhores opções, Gen seguiu junto, olhando para o céu da noite. 

Tão lindo. Esse era apenas o primeiro capítulo de sua vida nova, um buraco no caminho em direção à supremacia. E daí que Bei se foi? Ele iria encontrar outra esposa, uma esposa mais forte, um harém de esposas. Ele iria reunir exércitos inteiros para segui-lo, Iluminando as massas para a verdade. Aqueles que se recusavam a abrir seus olhos seriam combustível para o fogo, transformando essa brasinha em uma conflagração furiosa, consumindo tudo diante dela. Apesar de Sanshu ser vitoriosa hoje, ele iria retornar logo e quando ele o fizesse, Falling Rain, Sumila, o Magistrado e até o Imperador Retardado iriam se ajoelhar diante dele.

Porque ele era Gen, o Emissário da Chama, Escolhido dos Céus.

Ainda a se recuperar de seus ferimentos, Vithar se sentou e assistiu a batalha se desenrolar. Seus aliados sulistas eram piores do que inúteis, sem habilidade nos caminhos da guerra. Avançando de frente sem pensar, eles entravam em armadilhas e esquemas, suas fileiras organizadas derrotadas por galhos e lama. Uma boa coisa que ele ordenou os membros de sua tribo para ficarem nos flancos e evitar confronto direto. O plano era para deixar a ralé cansar o inimigo primeiro, mas eles caíam tão rapidamente que isso mal importava. Depois de fingir lutar pela maior parte de uma hora, ele deu a ordem para recuar e liderou seus guerreiros para longe, indisposto a desperdiçar seus guerreiros nos caprichos de um ladrão velho incompetente. 

Só… E agora? Sem um Demônio para falar com ele, o Unificador estava sem voz e Vithar sem direção. Apesar daqui ser uma terra de riqueza e abundância, sua tribo era uma tribo de guerreiros, batalha o único propósito deles. Não havia honra em se esconder e ele temia que tal existência o transformaria em fraco e débil como os sulistas. Melhor morrer lutando, mas onde ele iria encontrar um oponente digno?

Norte. 

A ordem dos Venerados ecoou em sua mente e Vithar se virou sem hesitar, liderando seus guerreiros para norte enquanto fervia de animação. Apesar disso significar voltar a se esconder mais uma vez, pelo menos ele estava conectado ao Unificador. Agora ali estava um comandante digno de respeito, um chefe acima de todos os chefes. Uma era de derramamento de sangue e prosperidade, essas foram suas palavras e Vithar estava confiante que o Unificador as cumpriria. 

Se não, então Vithar iria abatê-lo e comer sua carne, tomando seu lugar como o Unificador. 

Tal era a vida, o forte devorando o fraco e Vithar não teria de outro jeito.

Um ronrono baixo e estrondoso me acorda enquanto Aurie ronca do meu lado, seus olhos adoráveis arregalados em uma encarada lamuriosa e miserável como se ele estivesse a meros segundos de morrer de fome. Suas maciças luvas de assassinato repuxam a cama ao invés do meu peito, sabendo que deve evitar minhas feridas. Tirando o lençol de mim, eu faço careta quando pequenos pedaços de pele meio curados vão com ele, meu corpo uma massa de queimaduras corrosivas. Com sorte, Gotinha fez seu trabalho e impediu o icor de ir fundo demais, mas ainda é uma experiência desagradável. Eu preciso de comida e descanso, mas fora isso, essas queimaduras de corpo inteiro não devem levar muito tempo para consertar, três dias no máximo.

Eu consigo prática demais me curando. 

Me arrastando para fora da cama, Aurie pula no chão para esperar na porta, animado com o dia novo. Vestindo um robe de seda azul emprestado, eu sigo ele para o pátio gigante onde ele vai fazer seus negócios. Indo até os quins, eu inspeciono as feridas deles uma a uma, mais para alimentar minha culpa e adiar as tarefas a frente do que habilidade real de ajudá-los. As pobres bestas foram esgotadas pela viagem constante e lutas repetidas, com muitas mostrando cicatrizes novas. Ileso, Mafu me cumprimenta com uma cheirada animada, checando meus bolsos por inteiro em busca de comida antes de se deitar perto de Atir. A quin ferida de Mila espreita através olhos semi abertos e eu dou para ela a última da minha pílulas para dor do meu esconderijo pessoal, guardando para ela em vez de usar antes de eu dormir. Um crânio rachado não é brincadeira e a pobre coitada até rasgou seus músculos do pescoço depois de um golpe direto de Yo Ling. Cuidadosamente checando todas as feridas da quin, eu murmuro baixinho, desejando que eu pudesse Curar as feridas deles, seus chiados doloridos, choramingados arrasam meu coração. Eles são criaturas resilientes, mas mesmo assim estamos presos em Sanshu por pelo menos uma decana, se não um mês. 

Apesar de eu preferir não ficar mais tempo do que o necessário, pelo menos Magistrado Tongzu está apropriadamente grato, nos deixando ficar nesta mansão enorme e isolado e nos alimentando de graça. Além disso, ele está ocupado demais fazendo suas coisas para banquetes e não sei mais o que, então eu não tenho que me preocupar muito sobre ofender alguém acidentalmente durante isso, contanto que eu fique dentro da mansão. Eu enviei algumas palavras para Jorani falando para ele sair da cidade antes que alguém lembre que ele é um fugitivo, mas ele me garantiu que as coisas ficariam bem, então eu lavei minhas mãos dele. Quanto aos outros bandidos, bom… Tongzu parece ser um cara engraçado. Estou certo que ele não vai enforcar alguém que lutou para defender sua cidade ou pelo menos dar a eles uma boa vantagem. 

Esperançosamente. 

Enquanto termino minha inspeção dos quins, um exército de serventes chega carregando comida e cestas de peixe cru. Cheio de cadáveres de comedores de cadáveres carnívoros, eu juro de todo o coração que não vou comer outro peixe contanto que eu esteja aqui, indisposto a jantar indiretamente carne de Corrompido, mas os quins estão felizes com isso. Enviando alguns Sentinelas ao resgate dos pobres serventes cercados pelo exército de fofura chiante, eu chamo Aurie para longe de um servente caído, aterrorizado demais para se mover enquanto meu gato escorregadio fica apoiado nas patas traseiras e junta suas patas, implorando por um petisco. 

É adorável pra caralho. 

Pegando uma cesta de peixe e uma bandeja de pãezinhos, eu vou para o quarto de Mila para alimentar meus outros bichinhos, mastigando enquanto caminho. Já acordada, Li Song sentada na varanda fora do quarto de Mila com pés balançando, os outros gatos e ursos brincam na grama. Sorrindo enquanto eles vem até mim, eu largo o peixe fedido e assisto meus bebês peludos mergulharem com alegria, roubando um olhar furtivo para a garota-gato ferida. Eu nunca dei uma boa olhada para Song com seu cabelo abaixado com boa luz e véi, ela é linda. Mesmo com um braço em uma tipóia e bochecha enfaixada, isso faz pouco para tirar sua graça refinada, sentada ereta com os joelhos juntos enquanto corre um pente em seu cabelo longo e sedoso. Sentada debaixo do sol matinal, ela parece uma visão de paz e serenidade, aproveitando seu ritual matinal sem uma preocupação no mundo. 

Eu queria que Li Song pudesse sempre ser relaxada e feliz assim, mas alguns minutos por dia é tudo que ela vai se permitir. 

Pondo os pãezinhos perto de Li Song, eu deixo Mila e Lin dormindo, indisposto a levar outro esporro da minha adorável esposinha por não guardar Mila bem. Sinceramente, eu não sei se Lin ama mais a Mila ou a mim, mas não faz sentido ficar chateado com isso. Eu sou a pessoa que quis várias esposas e elas se dando bem é muito melhor do que a alternativa. Infelizmente, com Lin exigindo dormir e cuidar de Mila a Líder da Guarda se recusa a me deixar ficar, eu não tive escolha além de dormir em outro lugar enquanto todos os meus bichinhos foram roubados. 

Com as duas noivas e cinco bichinhos, eu, um herói de Sanshu, sou deixado sem um gato para abraçar. Que puta injustiça. 

Um passeio curto pelo pátio me traz na ala de recuperação, onde nós mantivemos todos nossos feridos. Com apenas três Médicos, eles estiveram ocupados mantendo eles vivos do que curando uma ou duas pessoas, então eu estou aqui para ajudar. Antes de mergulhar, eu visito nosso convidado de honra. Assentindo para o “servente” taciturno, eu bato antes de entrar para cumprimentar meu amigo cansado, espancado, sentado na cama e aproveitando seu café da manhã. — Uou. Eu pensei que você parecia mal ontem a noite, mas você parece ainda pior de dia. 

— Hmph. — Com todo o ar de um nobre arrogante, Fung levanta seu nariz e zomba. — Amarre sua roupa e cubra suas queimaduras antes de criticar minha aparência.

Sorrindo, eu me sento perto dele enquanto babo com seu café da manhã luxuoso. Mingau de arroz, bolinhos de massa frita e carne bovina ao lado, além de bolinhos de carne de porco e leite de soja quente. Talvez eu deveria contratar um servo, apesar de que eu duvido que encontraria alguém tão habilidoso quanto Fu Zhu Li. — Como você está?

Fazendo careta em resposta, Fung empurra seu prato. — Tão bem quanto se pode esperar. Eu sou uma falha que perdeu seu comando inteiro em uma emboscada. Se não fosse por Fu Zhu Li e os guardas escondidos de minha Mentora me tirando de lá e Rustram atrasando o inimigo, eu estaria morto também. — Enrolado por pela conversa curta, ele afunda de volta nos travesseiros, seu lençol caindo e mostrando seu peito enfaixado. 

Resistindo a vontade de devorar o café da manhã dele, eu me viro para longe da comida tentadora. — Você sobreviveu. Eles lutaram para te manter a salvo e eles fizeram seu dever. — Não é um conforto real, mas não sei o que mais falar. — Além disso, você capturou Dastan Zhandos, traidor Corrompido de Sanshu, então há isso.

— Nem foi minha conquista. — Fung choramingou, cruzando braços e lábios franzidos. — Lady Mei Lin avistou a coisa toda e enviou notícias. Uma unidade de Shen Yun capturou Dastan, liderados por, advinha, Ong Wu Ying. — Vendo minha confusão, ele explica. — O primo da minha antiga noiva. A família Ong não perdeu tempo movendo as posses deles para Shen Yun depois que Mentora anulou o acordo de casamento.

Eu nunca entendi as políticas que vinham com Fung tendo que se casar com uma mulher que mataria ele no segundo que ela tivesse um herdeiro, mas de novo, eu sou só um plebeu. Eu nunca conseguiria fazer esse lance de casamento político e com sorte, eu nunca vou ter que fazer isso. Há poucas coisas mais tristes do que um casamento sem amor e estou feliz que Fung não vai sofrer com isso. 

Vendo que ele ainda está chateado com algo, eu inclino minha cabeça em pergunta silenciosa. Olhando ao redor, ele pega minha mão e Envia, — Não diga nada e ouça. Você nunca sabe quem pode estar se escondendo. 

— Tendi. — Eu Envio de volta, adorando seu olhar surpreso.

Balançando sua cabeça, Fung suspira. — Então você sabe como Enviar também. Pela Mãe, Mentora vai moer meus ossos quando ela ouvir isso. Tenha misericórdia, irmão Rain. 

— Então é irmão agora, hein? O que aconteceu com o lance de sobrinho marcial?

— Este aqui não ousaria. — Revirando seus olhos, Fung fica com um franzido pensativo. — Sobre Dastan… Eu não estou convencido de que ele é Corrompido. Eu acredito que ele foi enganado e eu fico com um gosto amargo na boca sabendo de seu destino.

Torturado até a morte. Tempos divertidos em Sanshu. 

Depois de prometer apoiá-lo com o Magistrado, eu parto para checar o resto da minha comitiva e os outros Sentinelas. De cama e imóveis, muitos apresentam amputações frescas e outras bandagens com sangue, suor e febre enquanto seus corpos lutam com a infecção. Minhas pílulas para dor postas para bom uso, os roncos altos de Vichear fazem o ar ao meu redor vibrar, suas costelas quebradas e pulmão colapsado deixando ele em mau estado, mas em nenhum perigo imediato. Ao lado dele estão Argot e Jochi, cobertos da cabeça ao pé em bandagens, mas em nenhum risco de morrer. Maioria dos feridos já sabe do meu método de cura usando panaceia e os outros estão sendo Enviados através de Envio, mas mesmo assim, não é fácil. Por muitos, a estrada da recuperação será longa e árdua, cheia de dor e sofrimento antes deles voltarem a força total. 

E pensar que eles são os sortudos. 

Lutando para não chorar, eu engulo o nó na minha garganta e prossigo. Deixando a área principal, eu entro em um quarto privado e suspiro, encarando as formas espancadas de Tenjin e Tursinai. Eu queria ter visto a luta épica deles contra Yo Ling, ou melhor ainda, ter sido capaz de ajudar. Tá, eu mal consegui arranhar a Aura dele, mas coisas poderiam ter sido diferentes se eu não estivesse ocupado dormindo. Eu deixei ambos na mão e isso dói, mesmo se ninguém pensa assim. 

— Ora ora, Rainzinho veio espiar? — A pergunta brincalhona de Tursinai interrompe minha festa da pena, me encolhendo em medo zombeteiro. — Bom, aqui estou eu, ferida e incapaz de resistir diante do poderoso Falling Rain. Faça o que quiser, mas eu imploro, poupe nossas vidas.

— Quieta. — Revirando meus olhos, eu checo Tenjin primeiro, sua respiração constante e pele fria. Ele está paralisado, mas vivo. Eu chamaria isso de milagre, mas não foi. A Líder da Guarda o impediu de morrer instantaneamente, apesar dela não se incomodar de curá-lo ou acabar com Yo Ling. Qual o ponto de ter tanto poder se ela não vai fazer nada? Eu não entendo como ela pode ser tão insensível para ficar parada e assistir homens e mulheres bons morrer.

— Algo está errado? — O tom preocupado de Tursinai me traz de volta a realidade e eu percebo que estive franzindo sobre o marido seriamente ferido dela.

Eu posso ver onde ela pode ter tido a impressão errada. — Não, desculpa, fiquei preso nos meus pensamentos. Ele está bem, sem mudanças. 

Suspirando de alívio, Tursinai faz beicinho. — Que cruel, e pensar que eu estava prestes a “cair no sono” e ignorar suas mãos passeando. — Ignorando ela, eu levanto seu lençol e removo a cataplasma em seu ombro, fazendo careta para a carne acabada embaixo, um pedaço de carne do tamanho de um punho sumiu. — Rude. Não é esse o rosto que se faz ao olhar para a carne nua de uma jovem dama ferida. Tente de novo. 

Rindo, eu ponho minha mão em sua testa, sua pele quente ao tocar. — Pare de brincar e deixa eu me concentrar. Você está com infecção e está febril. Eu vou fazer um extrato para você, mas se ficar pior, chame um Médico. — Procurando ervas em minha bolsa, eu resmungo enquanto trabalho. — Não consigo acreditar que a Líder da Guarda deixou as coisas irem tão longe. Vocês dois podiam ter morrido e ela ficou lá parada assistindo. Eu sei que ela é forte, mais forte que vocês dois e mais forte que Yo Ling, mas ainda ela não fez nada. De toda as pessoas arrogantes e rancorosos que eu já conheci, ela está no topo da lista. 

— Não culpe ela, Rainzinho. Ela tem uma razão válida para se esconder e eu não deixar você falar mal da salvadora do meu maridinho. — Me dando um sorriso, ela adiciona. — Eu estou toda suada e grudada por causa da febre. Ajuda eu me limpar?

— Vou enviar uma servente.

— Ahhh. Deixe as serventes para maridinho, eu gostaria de um jovem musculoso.

Com o casal estranho cuidado, eu continuo ajudando os feridos. Não leva muito tempo, não há muitos restando para cuidar. Com a contagem final, menos de trinta da minha comitiva original permanecem. Rustram, Bulat e Ravil ficaram sem nem um arranhão, enquanto Pran e Saluk ambos se feriram gravemente, lutando como possuídos para proteger Mila de Yo Ling. Além desses cinco, só Silva, Viyan e Birca permanecem dos meus aleijados originais, um total grande de oito de sessenta e sete que eu comecei. Eles nem duraram um ano comigo e eu não consigo não pensar que eles teriam vivido mais como aleijados. A comitiva de Huu não está muito melhor e os elites de Gerel levaram uma sova junto com o orgulho dele. Fora de seu quarto privado, os guardas de Yuzhen ficam de guarda, o que significa que ela ainda está lá dentro.

Maldito sortudo. 

Tá, certo, Yuzhen pôs políticas acima da vida humana, mas quando quando se trata até certo ponto, ela não tinha muita escolha. É justo culpar ela? Provavelmente não, mas eu ainda acho difícil de aceitar. Ela é uma pessoa gentil, mas ela aceita a Purificação como um mal necessário, indisposta a lutar contra. Por que? É um ato horrível, massacrar milhares na chance mínima de que eles possam ser Corrompidos e eu tremo de pensar o que o Imperador vai fazer quando ele ouvir sobre o que aconteceu aqui.

Felizmente, eu não vou estar aqui quando o martelo cair e Mãe tenha misericórdia de qualquer um que esteja. Que se foda ser um Subtenente ou Sentinela, eu vou largar e vou estudar cura com o Taduk. Vai ser foda, gastar meu tempo livre procurando por uma solução ao meu probleminha de duas almas em um corpo e talvez até experimentar com as mãos de urso. Claro, não tem a animação e adrenalina de ser um soldado, e sim, algumas vezes eu quero uma açãozinha, mas eu já tive mais do que o bastante para me durar uma vida. Além disso, com Baatar e Akanai defendendo a província, essa é a hora perfeita para um descanso bem merecido. Daqui em diante, eu vou ser Falling Rain, Herbalista e Embaixador das Pessoas

 

Quem sabe, talvez eu até consiga chegar a um ano sem uma experiência de quase morte. 

 

O sonho está vivo. 

 

 – Fim do Volume 12 –

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

6 Comentários

  1. Ufa, estava sentindo por Tenjin.

    Quanto a comitiva do Rain, pena que tantos morreram, mas duvido que algum se arrependa da escolha.

  2. Fung, Tenjin e Tursinai vivos… glória a deux!
    E sabemos que esses últimos planos do Rain nunca vão acontecer né? Esse maluco é viciado em lutas e fica mentindo pra si mesmo que não. xD

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