DS – Capítulo 252

Cinco corredores e dois lances de escada do quarto da Sarnai, eu finalmente sinto que estou longe o bastante para tirar a máscara, meu sorriso forçado se transformando em um franzir natural. É difícil fingir estar otimista e alegre, especialmente depois de um dia longo de viagem seguido por uma noite inteira fazendo sopa, mas meu Mentor precisava de amor e apoio, então foi isso que eu dei a ele. Alsantset e Akanai são… práticas demais. Apesar de ambas amarem Baatar, o conceito de apoio moral delas começa e acaba com um chute na bunda. Não é que eu não esteja afetado ou não tenha simpatia, longe disso. Alsantset ficou agarrada o tempo inteiro no Charok e ficou chorosa mais de uma vez, ao passo que Akanai deixou implícito mais de meia dúzia de vezes que eu devia visitar Baatar assim que possível. O problema é, nenhuma delas sabe como ajudar meu Mentor de luto, o jeito sensível e direto ao ponto delas só o afasta.

Ambas continuam dizendo que ele precisa deixar  Sarnai ir e continuar, mas eu discordo. Eles continuam tentando arrancar ele a força da depressão, mas quem conhece Baatar vai te dizer que ele é um, ouso dizer, cabeça de cachorro teimoso. Com o amor de sua vida ainda respirando, sem chance dele desistir e nem eu. Apesar do meu comportamento alegre foi falso, eu falei sério: enquanto houver vida, há esperança.

Mesmo se a situação de Sarnai fosse mais séria, Baatar não está pronto para desistir, nem eu estou. Tirando o coma, ela está bem saudável. Seu coração está firme e circulação está boa, além disso ela é capaz de beber e respirar por conta própria. Escaras e infecções são curáveis com uma cura de leve e vai demorar muito até os músculos dela atrofiarem.

Eu não consigo imaginar o que faria na situação de Baatar, mas eu sei que desistir seria a última coisa na minha mente. Ele está lidando melhor do que eu esperaria, sentando com ela e cuidando das suas necessidades ao invés de ficar furioso e destruir a mobília. Não que eu já tenha visto ele perder a cabeça, mas estamos falando da esposa dele. Porra, eu estava preocupado que ele estaria Maculado, mas quando eu cheguei lá, eu encontrei um grande total de dois Espectros ao redor dele, incapazes de passarem pela vontade de ferro dele. Eu já vi idiotas sorridentes com mais Espectros.

Esse é o meu Mentor, limpo e intocado pelas mentiras e enganação.

O dedo de Lin cutuca a minha bochecha e, de alguma forma, isso alivia as minhas preocupações, o sorriso dela um bálsamo para minha alma. —Está tudo bem, maridinho. — Ela diz, balançando nossas mãos juntas para frente e para trás. — Você vai pensar em algo, eu sei que vai. Você encontrou um livro sobre comas? Eu posso ler?

— Mm… Eu li o livro a um bom tempo atrás, não consigo lembrar do nome. Porém, não tinha muita coisa, um parágrafo ou dois mencionavam superficialmente sobre cuidados com o paciente. — Escondendo minhas memórias da vida passada está ficando mais e mais difícil, mas minha Lin fofa só aceita minha explicação. Eu me sinto culpado por mentir para ela, mas admitir que eu sou de outro mundo e significativamente mais velho do que pareço é algo que espero nunca ter de fazer. Tá, claro, Baledagh aceitou de boas, mas ele é tão adoravelmente ingênuo e confia em todos que eu não consigo não me preocupar com ele. Sem mim, ele teria cometido tantos erros, eu tremo de pensar o que teria acontecido se eu nunca tivesse chegado.

E de novo, é a vida dele tecnicamente e os erros dele para cometer. Quem sou eu para impedi-lo?

Tanto faz. Talvez ele esteja certo, talvez ele seja minha reencarnação e nossa alma se dividiu em duas por razões desconhecidas. Ou talvez eu tenho desordem de múltiplas personalidades e Baledagh e os Espectros são criações da minha imaginação… Ugh, maravilha. Já não bastava crises existenciais, agora, estou considerando se eu sou real. Agora, eu estou meio convencido que o mundo é uma ilusão e meu cérebro está flutuando em uma jarra de fluidos nutritivos guardado dentro de um armazém para ser usado para pesquisa científica…

Quero dizer… Não é… Não é possível, certo?

Uma segunda cutucada na bochecha me tira dos meus pensamentos enquanto Lin inclina sua cabeça em preocupação. — Rainzinho, você está se preocupando demais. — Bocejando, Lin abraça meu braço e adiciona, — As coisas vão dar certo ou não vão, né? Se preocupar não vai mudar nada, então por que se incomodar?

Afagando sua bochecha macia, eu sorrio e pergunto, — Oh? Quando você ficou tão velha e sábia? O que aconteceu com a moleca bagunceira que ficava fazendo beicinho o dia inteiro porque eu não levava ela para soltar pipa?

— Foi só uma vez! E não foi o dia todo, eu só fiz beicinho por uma hora, talvez duas.

— Claro, porque eu desisti e te levei, o que quase matou a gente.

— Para de ser tão dramático maridinho, não foi tão sério.

— Um grupo de jattuyas pegou a pipa e quase levou a gente porque uma certa garotinha boba não queria soltar os fios. Nós quase caímos de um penhasco, então sim, eu diria que foi bem sério.

Me dando um sorriso cheio de dentes, Lin dá de ombros e boceja e diz, — Eu não queria perder minha pipa. Foi o primeiro presente que você me deu. 

— Bobinha. — Notando seus pés arrastados e bocejos frequentes, eu paro e deixo ela subir nas minhas costas. Levando ela na cacunda pela Muralha Interna, eu pergunto, — Então, onde vocês foram ontem a noite? Ninguém sabia onde te encontrar ou o Professor.

— Os guardas me levaram para ver Papai. — Lin responde, sua voz abafada enquanto ela se aconchega nas minhas costas. — Ele está tratando alguém e não podia falar, então eu dormi no sofá. Depois que eu acordei, ele me pediu para te encontrar e levar você lá. Ele precisa da sua ajuda maridinho, então corra.

Guardando minha resposta para mim mesmo, eu pego Mafu e sigo suas direções sonolentas em direção as ruínas na cidade, onde as cicatrizes da batalha ainda estão claras de se ver. O pedaço de terra entre as Muralhas Interna e Externa está cheio de vida enquanto cidadãos durões e soldados disciplinados trabalham para reparar o dano feito pelos Corrompidos, sem uma única pedra ignorada no avanço assassino deles. Ao longe, eu mal consigo ver os restos arruinados da Muralha Externa, a visão dos portões caídos e ameias ruindo causa calafrios na minha espinha. Pouco mais de um mês atrás, essas defesas formidáveis foram violados pelos Demônios e Corrompidos, deixando apenas uma única Muralha Interna entre eles e a aniquilação da Província Norte.

Seria uma cereja de merda em cima do meu sundae da vitória em Sanshu.

Felizmente, os Corrompidos recuaram, mas reconstruir a cidade e reparar a Muralha Externa é uma tarefa gigantesca que vai levar anos para ser feita. Anos que nós provavelmente não vamos ter antes deles voltarem. Sabendo disso, Han BoHai está mais focado em construir defesas do que casas. O problema é, como a Muralha Interna foi feita para abrigar diplomatas e dignitários agora está cheia de soldados e suprimentos, a maioria dos trabalhadores estão se virando em tendas frágeis e abrigos improvisados. Até Alsantset não conseguiu um quarto na Muralha Interna depois de recusar uma posição militar na Muralha Externa, o que diz muito sobre a situação.

De acordo com Akanai, que dorme em uma suíte na Muralha Interna, a Muralha Externa era usada para abrigar soldados. Quase 600.000 corpos estão empacotados em seus confins, tomando todos os quartos disponíveis. Eu não posso culpar Alsantset por recusar, não parece o lugar mais seguro para viver. Considerando a condição desorganizada da fortificação, eu duvido que elas vão durar muito contra os números superiores dos Corrompidos, mas não há outra opção. Se nós abandonarmos a Muralha Externa, nós vamos deixar uma fortaleza de pedra para nossos inimigos passarem o inverno, Apesar da horda ter recuado para os interiores da tundra, ainda assim são só dois dias de marcha. Ninguém sabe porque eles recuaram para começo de conversa, mas o medo da volta deles é palpável. Cada alma aqui está trabalhando o máximo que podem para fortalecer as defesas e eu pus minha comitiva sob comando de Alsantset por um tempo. Treinamento vai  ter que esperar até tudo estar organizado.

Sortudos…

O que me preocupa mais é que o inverno está chegando. A temperatura vai cair muito abaixo de zero graus e, apesar da comida não ser um problema, há uma falta severa de casas e roupas quentes. Fundos não são um problema, mas toda madeira e pedra estão sendo usadas para tapar furos na Muralha e construir barricadas. Eu falei isso para BoShui e pedi para ele passar essas preocupações para seu tio, mas por precaução eu coloquei meu cérebro para bolar ideias para casas quentes e baratas que nós podíamos construir usando os recursos a mão, o que significa sem lenha, pedra ou argila. Apesar de ralar a cuca a noite inteira, eu não bolei nenhuma ideia útil por conta própria. Casas de terra não vão ser quentes o bastante nem construídas rápido o suficiente e há um limite para quantas roupas você pode colocar ou pessoas se amontoarem juntas. Depois das primeiras neves, essas tendas de linho vão ser tão úteis quanto mamilos em um peitoral, o que significa que temos dois meses antes das pessoas congelarem até a morte enquanto dormem.

Memória é uma coisa estranha e a minha é ainda mais. Eu percebi que sou mais um crítico do que um pensador. Me mostre um plano e eu vou apontar falhas quando as vê-las, como a balestra de Dastan, mas me peça por uma solução e minha cabeça fica em branco. Por exemplo, eu não estava certo de como ajudar Baatar ou Sarnai até eu estar no quarto com eles e, então, todas essas ideias ficaram surgindo, como falar com ela, exercitar seus músculos e testes periódicos de respostas. Isso me diz que eu tenho soluções no meu cérebro, eu só preciso de inspiração apropriada.

Eu poderia me tornar um crítico profissional, viajando por todo o Império e reclamando até alguém arrumar as coisas. Isso seria um trabalho dos sonhos para mim, mas eu duvido que eu vá conseguir muitos fãs.

Depois de meia hora de viagem, nós chegamos ao nosso destino, uma cabana protegida, escondida na fronteira oeste, feita entre duas montanhas. Se não fosse pela Lin guiando o caminho, eu provavelmente teria perdido ela e passado direto pela entrada escondida. Ignorando os soldados pobremente escondidos, eu sigo minha esposinha para dentro da cabana onde meu Professor orelhudo me cumprimenta com um sorriso. — Rain meu garoto. — Taduk diz, sorrindo enquanto se apoia no meu ombro. — Bem-vindo de volta. Eu ouvi que você teve uma bela aventura em Sanshu.

— Não parece muito se comparado com o que vocês passaram aqui. — Magro e acabado, meu futuro sogro parece ter envelhecido na minha ausência, com um punhado de novas rugas em seu rosto bonito. Decanas de barba por fazer em seu queixo, uma bagunça emaranhada tão diferente da sua aparência prévia elegante e bem aparada. — Você está bem?

Sem fôlego e mal ficando em pé, ele me pega pelo braço e me leva para dentro da cabana iluminada por vela. — Eu estou bem, eu estou bem, só sem dormir. Eu estive ocupado como você pode imaginar e eu gastei demais meu Chi, mas nada que uma boa noite de sono e um copo de chá quente não cure. — Parando na frente de uma cama, ele puxa os lençóis para  revelar um cadáver meio torrado, estraçalhado ao ponto de não dar para reconhecer quem é, enquanto ele fala sem parar. — Eu ouvi sobre suas aventuras através dos… guardas da Lin e eu podia usar sua ajuda. Eu estive mantendo ele vivo por decanas agora, por pouco, entre as queimaduras, veneno de fúria, Icor demoníaco, ossos quebrados, feridas internas e tudo mais, mas eu atingi o limite. Não o meu claro, mas o dele. Ele não é jovem e se eu continuar Curando ele forçadamente, ele vai definhar e morrer pela exaustão. Eu estava esperando que seu amigo aquático pudesse fazer algo, então mostra ele aí.

Terminando com uma longa e necessária respirada, meu professor cai em sua cadeira e gesticula para o cadáver, me deixando preocupado com a saúde mental dele. Por quanto tempo ele esteve tratando esse cadáver? Meu Professor é um homem orgulhoso, gentil e amante de todas as coisas vivas, menos coelhos, então eu imaginaria que ser incapaz de salvar Sarnai fosse um grande golpe no ego dele. Andando até ele, Lin pula no colo do pai dela e boceja, pai e filha ambos esperando sonolentamente para que eu faça um milagre e traga os mortos de volta a vida como se fosse fácil como colher uma maçã.

Eles têm fé demais em mim.

Pensando em como perguntar com tato se meu professor ficou doido, o cadáver se mexe e me faz recuar de surpresa. Uma inspeção mais próxima mostra que o pobre coitado ainda está vivo, mesmo que eu apostaria minha recém encontrada fortuna no contrário. Por que Taduk está desperdiçando tanto esforço em uma pessoa? — Quem é esse?

— O Coronel-General.

Leva alguns segundos para as palavras deles registrarem, meu cérebro incapaz de conectar os pontos entre a lenda viva de Sanshu e a pessoa desfigurada na minha frente. — Nian Zu? Mas que por… 

— Modos, meu garoto, modos. Minha doce Linlin está aqui. — Ignorando a testa franzida de Lin, Taduk afaga a cabeça dela e continua. — Demônios e Fúrias aconteceram. Eles enviaram três ou quatro dos malditos desagradáveis junto com duas dúzias de fúrias mais ou menos, tudo para pôr um fim no nosso grande herói. Difícil fazer uma contagem direito depois que o Coronel-General amassou sua mansão e a área ao redor. Estive mantendo a condição dele um segredo, caso contrário, faria toda a província entrar em pânico se eles soubessem. Melhor se ele se recuperar totalmente, caso contrário, nós precisamos manter ele vivo por mais uma ou duas decanas e dizer que ele morreu dormindo. Moral e propaganda, sim? Inflexível diante a morte, o grande Nian Zu. Bobagem eu digo, é pouco melhor do que tortura, mas Baatar fez o pedido e eu aceitei. — Fazendo careta, Taduk hesita antes de perguntar, — Ele está melhor? Eu fui bem duro quando dei as notícias sobre Sarnai, cansado demais para pensar direito.

— Ele está indo. — Diferente desse pobre coitado. — Eu tive algumas ideias que quero a sua opinião depois. — Durante toda a explicação do Taduk, eu estive tentando fazer Gotinha sair e consertar Nian Zu, mas a gota preguiçosa não sai do lugar. Todos meus apelos e súplicas são respondidas com recusa firme, Gotinha virando seu nariz metafórico para cima para o defensor mais ferrenho da Província Norte. “Por favor” Eu imploro, mentalmente me curvando para Gotinha. “Esse homem defendeu a província por décadas. Você está caçando Demônios, certo? Se você ajudar e ficar com ele, os Demônios vão vir correndo. Você vai ter mais do que consegue comer, eu prometo.”

Ao invés de ser interessante para Gotinha, minhas palavras parecem ofender ele, meu hóspede amorfo se fechando e se recusando a responder. Acho que ele gosta daqui.

Acho que eu devia ficar lisonjeado.

Depois de gastar uns bons trinta segundos xingando a gota de água não patriota, o que não dá em nada, eu me viro para Taduk e balanço minha cabeça. Suspirando, Taduk se encolhe em sua cadeira e se aconchega com Lin, parecendo que o peso do mundo está sob seus ombros. — Eu costumava me gabar sobre como eu conseguia curar tudo fora a morte. — Ele diz, voz cheia de arrependimento. — Talvez esse seja o jeito da Mãe me ensinar humildade. Eu falhei com meu amigo e agora falhei com meu país. Qual a minha utilidade?

Enquanto Lin e eu confortamos Taduk, Baledagh intervém, já que assistiu o episódio inteiro de seu quarto. — Por que o corpo do Nian Zu não pode mais aceitar Cura? Você só não pode dar mais Chi para ele?

Reunindo meus pensamentos, eu explico para meu irmãozinho, — Cura não é tão simples quanto a maioria das pessoas pensa. A maioria do tempo, Taduk não conserta as feridas. Tecnicamente, ele direciona o corpo para ele mesmo se curar. Algumas vezes, um pouco de esforço físico é necessário, como ajustar ossos e remover objetos estranhos e outras vezes ele estrutura a Cura de um jeito para deixá-la mais eficiente ou ver o processo por inteiro, mas na maioria das vezes o Chi dele age como um catalisador, acelerando o que deveria acontecer naturalmente. Entendeu tudo até agora?

— Sim.

— Agora, a energia para curar tem que vir de algum lugar e Chi não pode criar matéria do nada. É por isso que nós ficamos tão magros, porque cada vez que nos ferimos, nosso corpo quebra gordura e tecido muscular para consertar nossas feridas. Agora dê uma olhada no corpo do Nian Zu. Ele está magro, com pouco músculo em seu corpo e ainda assim sua condição está ruim. Seu corpo está sobrecarregado e se Taduk curar ele sem dar tempo a ele de reabastecer sangue e nutrientes, então o corpo dele vai se fechar e ter falha nos órgãos.

Há uma pausa longa antes de Baledagh falar de novo. — Então, como Demônios fazem isso?

— Fazem o que?

— Criam matéria usando Chi. — Sentindo minha confusão, ele explica, — Vivek Daatei, o Chefe Corrompido. Enquanto ele se transformava em Demônio, ele ficou com o dobro do tamanho em questão de segundos. Mais pesado também, suas pegadas estavam mais profundas do que antes. Ele não criou ossos e músculos com Chi? Ou o equivalente demoníaco sei lá?

Abrindo minha boca para refutá-lo, eu não consigo produzir um contra-argumento. Não quer dizer que ele esteja errado, é só que eu não sei o bastante para discutir isso. Ao invés, eu faço a mesma pergunta para Taduk que franze o cenho e balança a cabeça. — Uma boa pergunta, mas eu não consigo ver como isso vai ajudar.

Mais uma vez, Baledagh continua, — Isso pode ter a ver com os restos desses Espectros.

Vendo nenhum mal em perguntar, eu pego a mão de Taduk e explico tudo sobre os restos dos Espectros através de Envio, incluindo meus testes no assunto. Enquanto viajávamos para casa, nós encontramos que apesar dos restos espectrais serem diferentes de Chi, nem eu nem Baledagh conseguia explicar como eles eram diferentes. É mais… mais, eu acho. Na verdade, eu acho que é melhor do que Chi, mais fácil de controlar e responde melhor às minhas direções. Fora isso, é a mesma coisa.

Quando Baledagh absorve os restos espectrais, isso não muda nossa forma física, mas as Formas dele tiveram melhoras aparentes em um curto período. Apesar de só estar no banco do motorista por curtos períodos de tempo, a graça, controle e reflexos de Baledagh me deixaram comendo poeira. Por que, eu não sei, mas eu assumo que eles estão dando algum tipo de Iluminação ou algo do tipo. Por que ele e não eu? Sei lá.

Quando eu termino de explicar tudo fora o aspecto das almas gêmeas, Taduk pondera em silêncio, embalando uma Lin dormindo em seus braços. Um pote de chá ferve enquanto ele pensa, ele acorda quando eu entrego um copo. — Depois que você matou o Demônio na cidade, você foi coberto pelos fluídos dele, certo? Em quantidades maiores do que o seu amigo conseguiria neutralizar a tempo?

— Sim.

— E você usou um pouco dessa… energia para se curar. Você sofreu perda de peso significativa.

— Nada notável. Na verdade, eu lembro de eu parecer surpreendente saudável. Eu estava meio coberto de queimaduras, mas eu ainda tinha a mão que ficou encharcada de Icor. Eu nunca agradeci o Médico que me poupou o trabalho de recrescer ela.

Balançando sua cabeça, Taduk aponta a falha na minha lógica. — Você foi queimado pelo Icor, inconsciente e no meio de uma batalha. Qualquer Médico profissional teria estabilizado suas feridas e seguido em frente. É possível que você se curou ou melhor a… Ahem, energia, ajudou a curar você. — Olhando para mim, ele pergunta, — Você tem mais? Eu tenho uma teoria do que esses restos são, então tente transferir ela para o Nian Zu e nós vamos testar.

— E se algo der errado?

Taduk dá de ombros. — Então, ele morre e a nação chora. Pelo menos, vai poupar ele de outras duas decanas de agonia.

— Bom… Melhor tentar e falhar, eu acho. — Enrolando os restos espectrais em Chi, eu murmuro uma pequena reza antes de por minha mão no peito de Nian Zu e direcionar os restos Espectrais nele. Meu Chi dissipa em nada no momento que deixa o meu corpo, mas os restos espectrais não são afetados, fluindo no herói ferido sem resistência. Eu usei mais da metade do que eu coletei na ilha de Yo Ling, então eu espero que seja o bastante para salvar Nian Zu.

— Dê licença. — Taduk diz e põe suas mãos em Nian Zu. Segurando meu fôlego em antecipação, eu não espero por muito quando Taduk remove suas mãos segundos depois. Enquanto meu professor fica chocado, uma lágrima cai do meu olho em honra a esse herói celebrado, esperando enquanto ele respira pela última vez. Amado pelas pessoas, ele dedicou quase metade de sua vida na Muralha, seguido de uma carreira militar impressionante. Um membro de alta patente do Clã Situ, sua história poderia ter sido muito diferente caso ele fosse uma pessoa menor, mais egoísta, mas seu amor pelo seus conterrâneos levaram ele a desistir de sua busca por poder e aceitar a tarefa ingrata de ser o Comandante da Ponte. Por décadas, ele segurou a Muralha contra ondas após ondas de guerreiros Corrompidos, matando Campeões e Demônios como se colhesse maçãs e eu estou ficando sem coisas para dizer, porque, honestamente, eu não conhecia ele tão bem e só vi ele daquela vez onde ele me preveniu para não matar o sobrinho dele. Zian é sobrinho dele? Não, isso não parece certo, mas, de novo, eu não entendo muito de ligações familiares. Tão confuso, dividir o mesmo nome, mas ainda, não ser realmente parente sanguíneo, como isso acontece.

… 

Sem querer ser rude, mas por que ele ainda não está morto?

Quebrando o silêncio com um pulo de alegria, Taduk me levanta no ar e me gira, rindo enquanto Lin acorda e se junta a celebração. — Rain meu garoto, nós conseguimos! — Ele diz, alívio e satisfação enchendo seu rosto. — Você sabe o que isso significa?

— É… Nós salvamos um herói nacional?

Me pondo no chão, Taduk faz careta e joga suas mãos para cima. — Quem liga para isso. — Trocando para um Envio silencioso, ele explica.— Aqueles restos espectrais? Isso é Energia Celestial pura. Energia Celestial que você pode manipular como quiser! Isso é a descoberta de uma vida!

 

 

Talvez eu seja burro ou talvez seja porque eu não dormi nas últimas trinta e seis horas, mas eu não entendi.

 

Qual a diferença entre Chi e Energia Celestial?

 

… Quem liga. Taduk está feliz, Lin está feliz, Nian Zu está vivo, então eu estou feliz. Vou conseguir vitórias onde puder.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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