DS – Capítulo 257

Soltando um gritinho, o sono de Mila desapareceu quando um objeto gelado e molhado tocou em suas costas. Suprimindo seu pânico, ela jogou os cobertores e descobriu os intrusos encarando ela, dois filhotes de urso e uma garota lebre com sorrisos iguais. — Bom dia Mimi. — Lin se alegrou, abraçando o filhote ofensor com nariz gelado. — Tá na hora de acordaaar, está na hora do almoço, né?

— Para de invadir e arruinar minhas manhãs. — A carranca de Mila desapareceu quando o filhote livre jogou sua cabeça peluda e gordinha nos braços dela. Pelo menos, ela não caiu da cama de novo, suas bochechas esquentando com a memória de estar presa dentro do seu cobertor macio enquanto ela rolava para o chão de pedra. Propositalmente ignorando Lin, ela se aninhou com o filhote fofo de cinquenta quilos enquanto este grunhia de alegria. — Olá meu doce. Sim, eu também senti sua falta. Lin malvada está sempre roubando vocês, que horrível dela. Ela não é a pior? — Eles eram tão macios e adoráveis, se apenas eles ficassem desse tamanho para sempre, mas eles estavam crescendo dia após dia.

Nada dura para sempre. 

Se rastejando para se juntar a eles, Lin descansou sua cabeça no ombro de Mila com um beicinho fingido. — Desculpa. Não fique brava Mimi, mas não é mais de manhã e eu estou com fome. Se eu esperasse você acordar, eu morreria de fome. 

— Tá, mas não há necessidade de se enfiar debaixo das minhas cobertas para me acordar, não é mesmo?

Não arrependida, Lin assentiu. — É o método mais seguro e efetivo, né? Caso contrário, você rosna, bufa e balança seus braços, tudo menos acordar. Mimi sonolenta é fofa, mas Mimi dormindo é perigosa e assustadora. 

Beliscando a bochecha da garota, Mila respondeu, — Mentiras. Eu não rosno nem bufo. — O resto não era culpa dela, acordar se remexendo era um mecanismo de sobrevivência aprendido dos exercícios de treinamento surpresa da Mamãe. A inabilidade de acordar… Bom, isso era apenas como a Mãe fez ela. 

Sorrindo zombeteira, Lin perguntou, — Bom, por que não perguntamos para Rainzinho para ver se é verdade?

Sentindo a derrota, Mila bufou e trocou de assunto. — Como se o “Subtenente de Segunda Classe Falling Rain” tivesse tempo no seu dia ocupado para a boa e velha eu. Ele esqueceu totalmente de nós desde que voltou para casa, escapando para as montanhas para brincar de soldado. Já faz uma decana inteira desde que eu vi ele e eu digo que bom que ele foi. 

— Eu sinto falta dele também Mimi, mas nós temos que ficar fortes. Rainzinho é um homem ocupado, ele está fortalecendo os bandidos dele, para que não tenha que depender daqueles macacos preguiçosos, preguiçosos para proteger ele. 

— Qual das suas orelhas ouviu eu falar que sentia falta dele? E você é uma tola com cérebro de lebre se você acha que aqueles bandidos vão algum dia ser páreos para Argat ou o Jochi. — Claro, Mila tinha algumas palavras guardadas para aqueles dois meio-macacos idiotas depois que eles voltassem. Não era surpresa que eles se voluntariaram para a tarefa ingrata de ficar na ilha dos bandidos, esperando evitar a ira de Baatar depois de fazerem merda no único trabalho deles, manter Rain seguro. 

Encarregados pelo Irmão Marcial Sênior de Mila para proteger o discípulo dele em segredo, Argat e Jochi usaram a anonimidade deles para escaparem e se divertirem nas piores horas. Mesmo depois da luta com os assassinos do Concelho, o par de “guarda-costas” ainda estavam envergonhados demais para serem honestos e admitirem os erros deles, se juntando ao grupo sem dar uma explicação e deixando todos pensarem que eles parte de outra comitiva. Nem mesmo o Gerel sabia que Argat e Jochi eram os guarda-costas de Rain então ele nem pensou duas vezes antes de ordenar eles para irem na missão de escolta, a qual eles se juntaram sem protestar. Depois de encontrar sinais de um exército Corrompido marchando para Sanshu, eles estavam mesmo nas costas de um tigre e achando difícil sair de lá, abandonando as responsabilidades e deixando Rain desprotegido no meio da Purificação só para salvarem a honra deles. 

Idiotas do mais alto calibre.

Acordada rudemente e relembrada das falhas deles, Mila começou seu dia com mau humor, penteando seu cabelo e meio ouvindo os resmungos de Lin sobre fome e tédio. De todos os Sentinelas aposentados na Montanha das Tribulações do Santo, por que o Baatar não conseguiu encontrar um par de guardas confiáveis para Rain? Na mesma nota, por que Mamãe pediu para Tenjin e Tursinai guardarem Mila? Por mais talentosos que eles fossem, o casal jovem estavam longe de ser os melhores disponíveis e apesar do treinamento de Mamãe ser duro e perigoso, ela sempre se certificou que Mila estivesse bem protegida. Até recentemente, Mila atribuia sua falta de guardas de elite devido a Ponte estar sob cerco, já que a caça aos bandidos de Rain não era motivo para precaução extra, mas durante a celebração do retorno deles, ela notou que algo estava errado. 

O status de Rain entre as Pessoas estava seriamente em falta e pela vida dela, Mila não conseguia entender o motivo. 

Ignorando todo o resto, como o Subtenente de Segunda Classe mais jovem na história e o indiscutível talento número um do Norte, Rain devia ser o centro das atenções durante as celebrações. Enquanto os soldados e cidadãos do Império o acolhiam calorosamente, os membros mais velhos das Pessoas o evitavam como a praga e a maioria da geração mais jovem fazia o mesmo. Até os companheiros antigos de guerra de Mamãe e Papai evitavam Rain, escolhendo esperar até ele estar ausente para cumprimetnar ela e indo embora sorrateiramente quando ele chegava. Até onde ela podia dizer, ele nunca nem ouviu falar deles, muito menos conhecer eles. Estranho considerando que a maioria possuía posições de autoridade nos Sentinelas ou nas vilas respectivas deles e tinham laços fortes com Mamãe e Baatar. 

Apesar de Rain não ter notado nem se ofendido, o desprezo direto e descortesia fazia Mila ferver de raiva. Não era certo, Rain trouxe grande honra para as Pessoas com suas últimas conquistas, mas ainda não foi reconhecido por aqueles que importavam. Seus pais se recusavam a explicar o motivo e perguntar diretamente para aqueles velhos peidões só a ganhavam negações meia-boca e desculpas estranhas. Um mistério com certeza, mas a persistência dela não rendeu frutos nessa última decana. Cada vez que ela falava de Rain para alguém da geração mais velha, o melhor que ela conseguia era um aceno ou um sorriso educado antes de alguém mudar de assunto. Só os ex-membros do Estandarte que trouxeram Rain para vila o tratavam bem, alguns ajudando ele a treinar os bandidos enquanto outros aceitaram posições na companhia em ascensão dele.

Não era justo, mas eventos recentes abriram as cortinas do otimismo que cobriam os olhos dela. A Mãe era uma senhora dura, exigindo tudo e prometendo pouco em troca, ao passo que o Império oferecia menos ainda. Por que com as Pessoas seria diferente?

— Oh? Você parece estar de mal humor hoje. — O comentário sarcástico de Mamãe não ajudou o temperamento de Mila, mal conseguindo se impedir de responder de volta. Não tem sentido cutucar o dragão, Mamãe não exitaria dar um tapa na bunda de Mila. Lábios franzidos e costas retas, Mamãe cruzou seus braços e balançou sua cabeça enquanto Mila se assentava ao seu lado. Tão dramática. — O que eu vou fazer com você, garota? — Mamãe perguntou, não dando tempo para ela responder. — Ai ai, onde foi que eu errei? Quem já ouviu de uma mulher crescida dormindo até a tarde? Talvez eu devia agradecer o menino por te tirar das minhas mãos, porque quem mais aceitaria uma esposa tão desleixada? — Afagando a cabeça de Song quando ela se sentou na mesa, Mamãe adicionou, — Aprenda com a sua irmã, vê quão diligente e atenciosa ela é? Song, se sente, você ficou de pé a manhã toda. Mila, termine de arrumar a mesa. 

Abafando seu ciúmes, Mila pulou para obedecer. Ela estava feliz por Song, ela realmente estava. Ela sempre quis uma irmãzinha e a pobrezinha merecia todo o amor e afeição que Mamãe e Papai tinham para oferecer, mas os esforços sérios e rotina disciplinada dela acentuavam ainda mais as falhas de Mila. Mamãe e Song tinham tanta coisas em comum que era quase estranho, as duas mulheres pedaços do mesmo tecido prático e trabalhador. Ambas trabalhavam duro e falavam pouco, as atitudes distantes delas eram confundidas com frequência com indiferença fria. Em contraste, Mila era mais como Papai, despreocupada e indiferente a menos que inspiração viesse a ela, uma borboleta social que preferia esportes e distração a treinamento utilitário. Em resumo, apesar de ter laços próximos como mãe e filha ou Mentora e Discípula, Mila não poderia ser mais diferente de Mamãe. 

Se Mila estava sendo substituída por Song, então ela não podia culpar a ninguém além dela mesma.

Triste e desanimada, Mila terminou de arrumar a mesa e foi alimentar os bichos, removendo o lenço aos frangalhos de Jimjam a seu pedido vocal. Sarankho e os ursos vestiam os deles com alegria, mas o gato selvagem mal humorado tratava seu lenço como uma sufocador de corrente, dando voz enfaticamente ao seu desprazer em cada oportunidade. Mais uma fantasia selvagem de Rain, como se um pedaço de pano podia fazer os animais magicamente menos ameaçadores para um plebeu. Voltando para a mesa, ela comia em silêncio enquanto Lin e Mamãe conversavam, compartilhando fofocas e rumores enquanto riam como as melhores amigas. 

Até a Lin era uma filha melhor do que Mila. 

Tanto faz, mesmo se todas elas abandonarem Mila, e daí? Ela não precisava de nenhuma delas, todas elas podiam chupar limão e comer terra. 

… tá, então a ausência de Rain deixava ela mal humorada e rabugenta, o que irritava ela ainda mais. Por que a disposição ela devia depender de um homem, especialmente um que preferia treinar e perseguir suas coisas tolas do que ficar com ela? Ele teve tempo de pedir para Cierna alguns lenços para seus bichos, mas sem tempo para visitar a noiva dele? Mila até tentou esperar por ele uma vez, mas ela caiu no sono na ger surpreendentemente confortável dele, o que rendeu ela a repreensão de Mamãe depois que Song foi enviada para buscá-la.

Mais de meia-noite e ele ainda não voltou para casa, ela se apaixonou por um maluco por treinamento. Por tudo de bom que ele faria.

— Mimi, colar por favor. — As palavras de Lin trouxeram Mila de volta para realidade. Vendo sua confusão, Lin inclinou sua cabeça e perguntou, — Você não estava ouvindo? Eu tenho que fazer uma coisa e Lili disse que ela ia ajudar já que você está tão ocupada. E é meio longe então…

— Ah. Claro. Desculpa. Só para deixar claro, está tudo bem isso para você, né Song? — Um aceno silencioso foi toda a resposta que Mila conseguiu, então ela escondeu sua decepção e colocou o colar na mão de Lin. Com uma despedida animada, a garota lebre levou Song para fora do quarto e deixou Mila para limpar a mesa. Correndo com uma bandeja de pratos antes que Mamãe encontrasse mais trabalho para ela, Mila entregou a bandeja para um servente antes de ir para os estábulos, para pegar Atir para dar uma volta pela cidade. 

Com o vento correndo pelo seu cabelo, Mila pensava que as coisas não estavam tão ruins. Com o colar de Song na posse de outra pessoa, Mila podia ir para onde quisesse, não mais tendo que se preocupar sobre o limite de cinco quilômetros. Claro, ela ficou surpresa ao ver quão fácil Song aceitou seu destino estar nas mãos de outra pessoa, mesmo se aquelas mãos fossem da doce e inocente Lin. Melhor levar isso como um sinal do crescimento pessoal de Song e não uma completa e total traição. Talvez os laços fortes delas foram meramente imaginados, a interpretação de Mila apenas do que era pouco mais do que uma relação de mestre e serva. 

Ugh. Mila odiava essa versão deprimida e angustiada dela. Era tudo culpa do Rain, o marmanjo idiota com cabeça de mula, encantando ela com sorrisos e beijos antes de correr para longe e deixar ela para chafurdar em miséria e auto-piedade. 

Mas não antes de deixar uma nota pedindo para ela alimentar os malditos pássaros dele. 

Um passeio longo pela cidade ajudou a limpar a mente dela, então Mila parou no mercado para pegar um balde de entranhas de animais e foi para a ger de Rain. Ignorando os visitantes indesejáveis esperavam do lado de fora, ela foi direto para a porta e a fechou atrás dela, se maravilhando com a ingenuidade de seu noivo enquanto ela desmontava. Uma estrutura de bambu sólida e lona em cima de uma plataforma levantada e resistente, cabia confortavelmente uma família de oito em uma ger enquanto os mantinham aquecidos durante todo o inverno. Em meros dez dias, Chakha e seus trabalhadores montaram centenas de ger para prover acomodação para os milhares de Sentinelas e as famílias deles. Tudo pago do bolso de Rain ainda por cima, sua generosidade enchia ela de orgulho e raiva. Apesar dele fazer tanto pelas Pessoas, não era necessário para ele pagar por tudo. Não machucaria dividir os custos com o Império ou Mamãe. Desse jeito, mesmo a riqueza tomada da mansão de Yo Ling não duraria muito. É quase como se ele quisesse ficar pobre, o idiota. 

O único defeito dessa ger em particular era o coro terrível de gargalhadas acontecendo lá dentro. — Continuem guinchando e nós vamos descobrir o sabor de vocês assados. — Ela disse, balançando a gaiola de metal até os malditos pássaros calarem a boca. Tirando os cobertores revelou Roc e seu grupo amontoados juntos em um canto, todos estufados e olhando para ela com seus olhinhos lustrosos. Rain idiota e suas balestras idiotas, esses pássaros eram os piores. Encarando eles enquanto ela abria a gaiola, ela pôs o balde no chão e encarou, ousando eles a se moverem antes dela fechar a porta. 

Se ela pudesse, ela libertaria esses pássaros e deixaria eles congelarem até a morte. Guinchos detestáveis de lado, eles eram criaturas cruéis, idiotas demais para não bicar na mão que alimenta eles. Já que empatia e compaixão só ganhavam dor para ela, Mila descobriu que era melhor dominar por medo e intimidação. Se Roc e seus amigos de pena não se provassem necessários, então Rain devia devia libertar eles e deixá-los cuidarem de si mesmos. 

Uma lição aprendida do próprio Imperador. 

Terminando de alimentar os animais burros, Mila ficou abraçada com Atir pela maior parte de uma hora, esperando que os visitantes indesejáveis fossem embora por conta própria. Incapaz de enrolar mais, ela saiu para o ar frio do outono suspirando pesadamente. — Bom, vamos acabar com isso. — Isso era estúpido e inútil, mas ela tinha que fazer mesmo assim. 

Qual outra escolha ela tinha. 

— Muito obrigado. — Com uma mesura tão cortês que era quase zombeteira, Zian gesticulou para ela liderar o caminho, correndo ao lado de Atir como um lacaio bem vestido. A coisa educada a se fazer seria desmontar e andar com ele, mas ela usava cada oportunidade para ofender o idiota pomposo da Sociedade. O soldado velho Jukai corria ainda mais longe, seu olhar tentando criar um furo no pescoço de Mila, mas sua raiva não fazia nada para impedir ela. Hmph, se ele fosse tão ousado ao ponto de ignorar a honra deles e atacar ela, então Mamãe iria trazer a força total das Pessoas no Clã Situ e Sociedade, apagando eles da existência. 

Isso era carma, dar Zian um gostinho da própria arrogância dele. Vamos ver se ele gosta do próprio remédio. 

Chegando no palco de lutas, ela desmontou e pegou suas armas de prática, ignorando a animação crescente da multidão. Todos eles eram incômodos, soldados do Império e Sentinelas com tempo demais nas mãos e moeda em seus bolsos, esperando para assistir Situ Jia Zian lutar com Sumila das Pessoas. Com lança sem ponta e escudo acolchoado em mãos, ela ficou na frente do ex-talento número do Norte, esperando os espectadores terminarem suas apostas. 

— Dez pratas em dezessete trocas!

— Confiança demais. Doze pratas, vinte e cinco trocas.

— Hmph, se a partida durar vinte trocas, esse vovô aqui vai comer suas botas. Vinte pratas, quinze trocas. 

Deixando o barulho fora de sua mente, Mila cerrou sua mandíbula e estreitou seus olhos, revisando o que ela sabia do oponente. Diga o que quiser sobre esse cara odioso ou seu comportamento sem vergonha, os talentos de Zian eram de primeira linha. Velocidade, poder, coordenação, ele tinha tudo, junto com um entendimento profundo das Formas e um talento para improviso. O Zian de ontem já se foi, substituído por um Zian melhor, mais esperto, melhorando com cada partida enquanto Mila definhava e estagnava, a diferença entre as habilidades marciais deles estavam diminuindo pouco a pouco. Ontem, a partida durou dezessete trocas, então vinte e cinco não era forçar a barra. 

Não. Chega de se segurar para afiar as habilidades dela. Hoje, ela iria dar tudo de si e mostrar a verdadeira diferença entre eles. 

— Pronto, jovem mestre? — Jukai perguntou, oficializando a partida. Zian assentiu, girando seus sabres cegos. Não havia hesitação em seus olhos, só determinação sombria. 

— Pronta. — Mila declarou em resposta, ficando em posição e Reforçando seu corpo, preparada para liberar cada gota de poder disponível para ela. 

— Comecem. 

Sua lança cintilou no momento que Jukai falou, mirada na garganta de Zian. Pulando para trás enquanto ela avançava, ela bateu na lança uma vez, duas vezes, três vezes, mas era inútil, a lança ainda estava mirada nele sem vascilar. Com os olhos arregalados de surpresa, Zian deu um passo para o lado, esperando passar pela guarda dela enquanto parmanecia incapaz de entender porque sua deflexão deu errado de novo e de novo. Hmph! Mais fácil arrancar uma árvore só com as mãos do que defletir uma estocada com a força total de Mila. Rosnando, ela mudou sua postura e manteve sua presa em sua visão, afastando sua lança para uma segunda estocada. Se preparando para atacar por cima, ela parou a lança na posição e avançou com o corpo, colidindo com o peito de seu oponente com o escudo primeiro. Pego de surpresa, Zian se afastou, mas a bota dela surgiu e pegou ele no meio do passo. Virando de cabeça, ele meteu o pé na barriga dela em um esforço para impedi-la de avançar, e só então percebeu que, se a lança dela descesse, iria pregar ele no chão, cega ou não.

E desse jeito, a luta acabou.

Três trocas. O melhor recorde dela até agora.

Deitado de costas, Zian rosnou e xingou enquanto sua Aura colidia com Mila, congelando no lugar. Cavando fundo, ela lutou com as ondas de terror esmagador com fúria aquecida, sua lança elevada e pronta para entregar o ataque final. Vitória seria dela, se ela apenas conseguisse controlar seus músculos tremendo, mas o esforço era inútil. 

Sua luta durou apenas um instante, antes da Aura dele a esmagar, sua força desaparecendo de suas pernas enquanto ela caía no palco. Lágrimas enchendo seus olhos, mas ela se recusava a chorar, liberando toda a força de sua encarada, a única medida de desafio restante nela. Todo dia era a mesma coisa, esse filho de uma mula odioso, sem princípios. Incapaz de derrotar ela de forma justa, ele liberava sua Aura antes dela conseguir dar o golpe final, roubando ela orgulho e vitória. Para deixar tudo pior, Jukai declarava a vitória de Zian, sua voz infundida com Chi sendo ouvida em meio as vivas e vaias da multidão.

Essa marcava oito partidas e oito perdas, o maldito odioso firme em fazê-la pagar de volta com juros por atacá-lo na ilha de Yo Ling. Não importa o quão duro ela treinasse ou quão poderosa ela se tornasse, sem Aura ou alguém para ajudar ela a bloqueá-la, Mila era um peixe em uma tábua de cortes quando lutava com Zian. Não importa que ele dependia de Aura para alcançar vitória, era meramente uma habilidade que ela não tinha como contra-atacar. Se Mila vencesse usando sua velocidade e força prodigiosas, ela não ligaria para seus choros ou reclamações também.

Para crédito dele, Zian não provocou ou se gabou para ela, meramente a estudando em silêncio antes de ir embora. Sua Aura permanecendo até ele estar fora de vista, o terror desaparecendo enquanto fúria e indignação cresciam em seu lugar. Jogando as armas de prática para o lado, ela ignorou os xingamentos da multidão e consolos e pulou em Atir, voltando para a ger de Rain com toda pressa. Batendo a porta atrás dela, ela enterrou sua cabeça no travesseiro dele e chorou com toda sua força, liberando todos os pesares e frustrações dela. 

Zian estúpido e Aura estúpida dele, tirando vantagem do orgulho estúpido dela. Rain idiota e os bandidos idiotas dele, ocupado demais para vingar ela. Lin idiota e Song idiota, correndo para longe e deixando ela para encarar a humilhação por conta própria. Mamãe idiota por não vir ajudar e Papai idiota por não notar. 

Imperador idiota, abandonando a Província Oriental sem hesitar. Centenas de milhões de pessoas inocentes abandonadas e deixadas para morrer. Nem o mínimo dos esforços foi feito para salvar elas dos Corrompidos, uma decisão cruel e insensível, o que pararia ele de abandonar o Norte? Por que lutar por um Imperador que não ligava para as pessoas dele?

Sozinha na cama de Rain, Mila chorou pela Província Oriental junto com seus sonhos e esperanças esmagados. Toda a vida dela, Mila sonhou em se tornar uma Heroína do Império como Mamãe, só para descobrir que o título valia menos que merda de cachorro.

 

O que ela devia fazer agora?

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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