DS – Capítulo 258 (parte 2)

Olhando ao redor da suíte vazia, Akanai sentia uma pontada de infelicidade. Durante o almoço, o quarto estava cheio de vida e risadas enquanto eles compartilhavam a refeição deles, mas agora, ela estava sentada sozinha no escuro, o comendo jantar sem ninguém para acompanhá-la. Seu marido estava trabalhando duro para reparar as defesas enquanto Song e Lin ainda estavam fora cumprindo tarefas para o menino. Uma recém adotada filha e a outra a coisa mais próximo disso, ambas tinham um lugar no coração dela. 

Mas, ela sabia que essas três não voltariam a tempo do jantar. Era a ausência de Mila que preocupava Akanai, a mocinha de cabelos vermelhos não estava aqui apesar da completa e total falta de responsabilidades. Tão estranho, Mila estava sempre cheia de ambições e entusiasmo, sempre pedindo para a Mamãe ou o Papai dela tarefas para realizar, mas desde que ela voltou de Sanshu, ela estava estranhamente amuada e sem ânimo. Foi se a jovem mulher ansiosa, com fome de avanço, substituída por uma moleca de cara emburrada cujos olhos se acendiam em fúria toda vez que Akanai sugeria que ela voltasse a treinar. 

Mãe do Céu, ela preferia enfrentar uma dúzia de Demônios pelada e sem armas do que arriscar sofrer a fúria da doce Mila. Akanai quase suspeitava que Mila foi substituída por uma impostora, que só parecia com ela e soava exatamente como ela. A garota sempre foi uma criança difícil, mas ah tão doce, ansiosa para perseguir força e conhecimento não importava o quão difícil ou doloroso o treinamento fosse. Mesmo quando Akanai estava errada, doce Mila nunca guardava rancor dela, alegremente perdoando a Mamãe dela sem questionar, mas agora? A mesma doce Mila ficava sem fazer nada na cama ou na cidade, ignorando a ameaça dos Corrompidos batendo na porta do Império. Raiva verdadeira fervia debaixo da superfície do seu temperamento ríspido e mesmo se Akanai fosse cem vezes mais corajosa, ela não ousava recebê-la. 

Quem pensaria que ela, Akanai, Tenente-General das Forças de Defesa Imperiais, Reitora Chefe dos Sentinelas, Heroína do Império e Mensageira da Tempestade, iria um dia se recusar a confrontar uma jovem mal humorada e amuada?

O que causou essa mudança temperamental? Talvez foi Song. Apesar de Mila sempre implorar para ter uma irmãzinha, Akanai achava difícil equilibrar seus deveres enquanto criava uma criança, muito menos duas. Agora, eles formalmente adotaram Song na família, Mila poderia ter achado a realidade menos agradável do que imaginado?

Ou talvez fosse a ausência do menino como pequena Lin sugeriu. O primeiro amor de uma garota era uma besta complicada, capaz de balançar o humor dela de afeição nascente até ciúme furioso em um piscar de olhos. Depois de muitos meses próximos, ser abandonada tão prontamente não poderia não incomodar Mila. Por mais prodigiosa que a força dela pudesse ser, era inútil contra dor do coração. 

Outro possível culpado era Zian, mesmo que Mila não devia saber que não devia levar a sério perdas em treinos de combate. Evidenciado pela necessidade dele de usar Aura para conquistar vitória, o jovem arrogante era superior a Mila apenas em idade. Aquela desgraça podia fazer todo show que ele queria, mas qualquer um com olhos podia ver que Mila era a mais talentosa dos dois. Ainda, essa era uma oportunidade perfeita para usar Zian como uma pedra de amolar, afiando a habilidade marcial dela contra um oponente reconhecidamente formidável, mas ainda a tolinha terminou a luta de hoje com um punhado de movimentos. Quão tola ela podia ser? Mila não tinha nada a perder e tudo a ganhar ao fazer a partida durar o máximo possível. Por que Zian continuava desafiando ela a despeito de perder honra, Akanai não podia dizer, mas ela sabia que cavalo dado não se olha os dentes. 

Soltando um suspiro pesado, Akanai comeu uma colher de sopa e fez careta. Ela esperou tempo demais e a comida ficou fria. Chega, ela decidiu deixar a comida assim enquanto saía do quarto. Chega de agonizar o que poderia ser e deixar a sujeira debaixo do tapete como o marido dela teria feito. Está na hora de não ligar para as consequências e encarar Mila de frente. 

Depois de tudo, ela era uma garota razoável e sensível que nunca poderia odiar sua Mamãe amorosa. 

Certo?

A viagem até os aposentos do menino parecia a jornada mais longa que Akanai já fez, suando apesar do vento frio do outono. Batendo para anunciar sua chegada, ela esperou um total de três segundos antes de entrar, bem na hora de pegar a força total da encarada da doce Mila, entregado enquanto ela deitava na cama de Rain. Mãe misericordiosa, a ausência do menino era realmente responsável pelo mal humor dela? Talvez ela devesse ordená-lo a voltar e treinar suas pessoas na cidade. Resistindo a vontade de se encolher, Akanai fingiu estudar os aposentos de Rain, surpresa com o quão quente o interior estava mesmo sem uma fogueira. A temperatura fez ela sentir como se estivesse suando baldes, era absurdo. — Você perdeu o jantar. — Akanai começou, imediatamente se arrependendo de sua escolha. Acusatório demais, como se culpasse a garota. — Eu ainda não comi, vamos comer em um restaurante? — Melhor, não perfeito, mas melhor.

— Não. — Mila respondeu, seu tom maçante e apático enquanto ela se ajeitava nos cobertores. — Não estou com fome. 

Engasgando um suspiro, Akanai afagou a doce Atir enquanto ela cumpriemtnava seu pai envelhecido, Kankin, que ainda se preocupava com sua filha enquanto penteava seu pêlo. Se apenas pessoas fossem tão simples. 

Bom, por que elas não poderiam?

Se sentando na cama do menino, ela afagou o cabelo de Mila e perguntou, — Filha, o que te aflige? Seja honesta, Mamãe está aqui para você. 

E assim, com uma única pergunta, as muralhas de Mila ruíram. — Mamãe. — Ela perguntou, sua voz chorosa não mais alta que um suspiro. — Eu não sei mais o que fazer. 

Machucava ver Mila tão miserável e infeliz, mas enquanto Mila explicava sua luta interna, Akanai não conseguia não rir alto. — Oh filha tola e doce minha, é por isso que você estava de mau humor? Porque o Imperador abandonou a Província Oriental? Acalmando o olhar ferido de Mila com um gesto apologético, ela sorriu e Enviou, — Me ouça, minha filha doce, tolinha. Eu fui como você uma vez, com fome de glória e fama. Eu também queria ser uma Heroína do Império e, como você, eu descobri que o título não valia mais que um peido de rato. A mais de cinquenta anos atrás, eu fui invocada até a Província Central para receber uma medalha de honra me indicando como Heroína do Império. 

— VOCÊ ME CONTOU SOBRE ISSO, A REUNIÃO COM O REPRESENTANTE DO IMPERADOR QUE TE DEU UM TÍTULO. 

— Tudo verdade, mas agora eu vou te contar as partes que deixei de fora. Aquela viagem era para ser meu primeiro passo para fama e uma carreira ilustre, mas, ao invés, ela me fez abandonar meus sonhos e me afastar do Império. — Suspirando, Akanai reuniu seus pensamentos antes de continuar. — Eu estava animada demais em receber meu título, de estar ao lado dos outros grandes heróis da nação. O representante do Imperador me deu o título, Mensageira das Tempestades, pois aonde quer que eu aparecesse, uma tempestade de flechas iria cair e silenciar meus inimigos. — Olhando Mila no olho, Akanai disse, — Pense sobre isso criança. Qual problema você vê?

…NADA MAMÃE.

— Tolinha. O Império desdenha o arco, a arma de um plebeu e um covarde. O título foi dado para zombar de mim e acompanhado por um coro de risadas e escárnio. Não importa como eu lutei contra 50.000 Corrompidos com apenas 3.000 arqueiros e 9.000 soldados, os resultados não importavam. Tudo que aqueles nobres almofadinhas ligavam eram sobre honra e irritava eles uma “meia-besta selvagem imunda” ter patente mais alta que tantos talentos de “verdade”. Eles não podiam tomar minha posição, o Imperador já tinha falado, então, ao invés, eles zombaram e marginalizaram minhas conquistas. Eles me chamaram de mentirosa e disseram que eu exagerei meus feitos em busca de fama e glória. Para piorar, eles enviaram guerreiros para me matar na jornada para casa e, apesar de eu ter chegado com minha vida intacta, muitos dos meus companheiros não, camaradas com quem lutei e sobreviveram contra os Corrompidos. Em minha raiva, eu rejeitei o Império, porque ele me rejeitou, abandonando todos os planos de fama e fortuna em favor de uma vida quieta em casa com família e amigos. Ou em outras palavras, não foi uma decisão popular. 

ENTÃO POR QUE VOCÊ AINDA LUTA MAMÃE?

Sorrindo para sua filha linda, cheia de sardas, Akanai respondeu, — Porque o filhote ainda tem sede de glória e derramamento de sangue. Porque seu noivo é propenso em se meter em problemas. Porque pela primeira vez na história, os agentes do Pai se juntaram para destruir a todos nós. — Gesticulando para Mila se sentar, Akanai a abraçou com força antes de falar alto. — Nem uma vez sequer eu te forcei a trilhar o Caminho Marcial, porque é uma perseguição ingrata. O Imperador abandona o Oeste como alguém decepa um braço gangrenoso, sacrificando poucos para salvar muitos e eu acredito que foi a decisão correta. Se os Corrompidos tivessem passado então não há dúvida em minha mente que nós teríamos tido o mesmo destino do Oeste. Essa é a vida minha filha, desafios e tribulações, uma luta sem fim. Como você encara a luta, com lança e escudo, martelo e bigorna, ou o que você tem, é escolha sua. 

A testa de Mila se franziu em pensamento e o coração de Akanai doeu. Tão jovem para fazer essa decisão, mas os tempos eram difíceis. Abandonar no Oeste deixou um gosto amargo nos lábios dela, mas quem ia dizer que a Ponte Oriental não foi tomada por traição como Sanshu quase foi? Ou pior, e se houve a quebra no Tratado? Se o maior dos servos do Pai e da Mãe lutassem, o mundo ao redor deles seria destruído. Se o pior acontecesse, então Akanai só podia rezar para o dano ser contido na Província Ocidental. 

Não importa o que, o Oeste estava perdido. Que as almas deles descansem nos braços da Mãe. 

— Mamãe. — A voz de Mila tirou Akanai dos pensamentos dela, vendo sua filha com olhos claros e lábios franzidos. Assentindo uma vez, Mila declarou. — Eu ainda quero os dois. Eu vou ser uma Guerreira Perfeita como Mamãe e uma Ferreira Divina como Papai. Não importa se eu não encontrar fama ou glória, mas eu vou defender as Pessoas e minha família com minha vida, como você iria. — Secando seus olhos, Mila pegou a mão de Akanai e gesticulou para porta. — Desculpa fazer você se preocupar Mamãe. Vamos comer o jantar, eu estou morta de fome. 

Peito se enchendo de orgulho, Akanai seguiu Mila para as ruas, feliz de ter sua filha alegre de volta com as chamas da ambição queimando vivas mais uma vez. — Boas notícias. — Ela Enviou, mantendo seu sorriso sob controle. — A primeira entrega de Corações vai chegar amanhã a tarde. Seu Papai está trabalhando duro para recebê-los. Eu garanto que ele vai ter muitas coisas para você fazer nos dias que virão, mas eu não vou aliviar seu treinamento. — Vendo os olhos de Mila se acenderem com ganância e desejo fez todos os anos de trabalho duro e sacrifício parecerem nada em comparação. 

 

A despeito de todos os títulos chiques dela, o que Akanai se orgulhava mais era Mãe de Sumila e Li Song.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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