DS – Capítulo 259

Não importa quantas vezes eu veja isso, assistir meus bichos acordarem sempre põe um sorriso no meu rosto. Há algo fofo em ver um predador mortal lento e vulnerável depois de uma boa noite de sono. Enquanto realizava a espreguiçada de gato padrão, o bocejo caloroso de Aurie revela fileiras de dentes afiados como navalha, com quatro incisivos grandes mais longos que meu dedo e pelo menos duas vezes mais grossos. Caindo na cama, as patas fofas, assassinas do meu gatinho assustador afagam minha mão antes de tocar em sua cabeça, fazendo “mwars” queixosos conforme ele implora por coçadas de cabeça. Incapaz de negar seu pedido, eu fico de preguiça na cama e assisto Suret, Pafu e Mafu pegarem um filhote cada para escovar enquanto os pequenos filhotes de quin chiam em alegria ou protesto.

Quão rápido o tempo passa. Parece que foi no outro dia quando eu carregava os três filhotes de quin nos meus braços, mas agora eu teria sorte se conseguisse segurar um. Como cobras gigantes peludas, os filhotes se mexem e remexem enquanto são limpos e escovados, prontos para avançar na manhã em busca de diversão e aventura. Já maiores do que meus gatos selvagens, os filhotes de quin são um pouco maiores do que um lobo adulto e são igualmente mortais, suas mordiscadas e pulos brincalhões facilmente se transformariam em coisas mais letais. Vai levar mais alguns anos antes deles poderem ser montados, mas no momento, eles são mais do que capazes de carregar Tate e Tali por aí, os gêmeos e os filhotes dividem uma ligação não dita que vai durar a vida toda. 

Eu rezo que essas vidas sejam cheias de alegria e sorte ao invés de lutas e dificuldades.

Abrindo a porta para deixar os animais sairem, eu assisto eles correrem para a escuridão da matina para encontrar uma área florestada para fazer os negócios deles, me surpreendo com as maravilhas de predadores do ápice domesticados. Se apenas o grupo do Roc fosse tão fácil de cuidar, os pássaros barulhentos já grasnavam e riam pedindo por café da manhã. Puxando o cobertor da gaiola deles revela Roc empoleirado no centro em toda sua glória gordinha e estufada, me encarando com seus olhos pretos lustrosos. — Bom dia seus malditos emplumados. — Eu digo, mantendo meu tom alegre e animado. — Eu vi que vocês cagaram em tudo como sempre. Agora está na hora de alimentar vocês para que vocês possam cagar mais. Ebaaa! — Eu não estou muito animado, mas eles respondem melhor quando eu estou feliz e eu vou usar cada vantagem que eu possa. Eu me sinto horrível por manter eles em uma gaiola, mesmo se tal gaiola ocupar mais de um terço da onde eu vivo e me impede de pegar minha estante de livros. Eles são pássaros, eles deviam estar voando pelas nuvens ou o que quer que pássaros façam. Esperançosamente eu vou conseguir encontrar um material alternativo para fortalecer as cordas dos arcos para que eu possa libertar o grupo do Roc na primavera. 

Não tem nada a ver com o quão bizarro os olhos escuros e sem alma deles são. Nada a ver mesmo. 

Muitas pessoas podem me chamar de louco por dividir meu quarto com vinte pássaros, seis quins e um gato selvagem, mas, honestamente, se eu conseguisse colocar mais animais aqui, eu o faria provavelmente. Não só eles mantém a ger quentinha, me poupa o problema de andar vinte minutos até a Muralha Interna onde a maioria dos estábulos dos quins estão. É uma pena que meus outros bichos foram anexados, com Lin pegando Jimjam e os filhotes de urso enquanto que Song e Sarankho são quase inseparáveis, então eu sou forçado a lidar com o que eu tenho. 

Eu não sou uma pessoa dos gatos louca. Eu adoro todo animal fofo, mas os grandes e peludinhos são os melhores.

O problema com os pássaros é que não é muito recompensador, a maior parte sendo lidar com uma tonelada de cocô de pássaro. Roc e companhia não são exatamente pássaros grandes, mas puta merda como os intestinos deles funcionam. Quero dizer, não é tão ruim, guano de pássaro é um ótimo fertilizante, mesmo se coletá-lo não seja a melhor coisa do mundo e já me ganhou mais do que alguns olhares estranhos. 

Eu também não sou uma pessoa louca por cocô. Eu realmente queria que as pessoas evitassem contato visual comigo. Eu não sou estranho, só diferente. 

Soltando piadas com Baledagh sobre colocar ele para fazer isso, eu entro na gaiola e varro a palha coberta por cocô e a ponho em um carrinho de mão enquanto coleto penas para o Diyako. Roc e o seu grupo voam por aí ao meu redor em celebração, fazendo o que eu imagino que sejam barulhos de alegria enquanto eles me deixam relativamente ileso. Mila tem alimentado meus pássaros por uma decana agora e eles já estão tão mais cooperativos, quase amigáveis. Eu não fui bicado em dias. Dias! Nunca para de me surpreender o quão incrível a Mila é em tudo que ela faz. 

Se eu fosse um homem menor, eu teria desenvolvido um complexo de inferioridade a anos atrás. Como está as coisas, ele acabou de começar a se desenvolver, o que é algo. 

Depois de colocar uma camada nova de palha, eu espalho um balde de partes aleatórias de animais na gaiola, rindo enquanto os pássaros caem para comer. Eles podem ser irritantes, mas eu tenho que admitir, eles são criaturas belas, o azul e verde vibrante de suas asas se destacando perto dos seus torso marrons e brancos. Com um pedaço longo de intestinos preso em seu bico, um pássaro voa e pousa no meu ombro, engolindo seu café da manhã na minha companhia. Que doce, mesmo se um pouco nojento. Talvez eu não vou me livrar desses pássaros assim que eu puder. Eu vou chamar essa aqui de… Yipi. Agora, qual desses pássaros vai ser “Kaiyay”?

Enquanto escolho nomes para os passarinhos, Roc voa com seu grasnado demoníaco e bica Yipi para longe, clamando meu ombro só porque ele pode. Se eu já não tivesse dado um nome para ele, Roc teria sido o candidato perfeito para igualar o trio como “Filho da Puta”. Se mexendo para esquerda e para direita, as garras de Roc cavam meu ombro enquanto ele dá uma bundada na minha bochecha no que eu espero ser uma mostra de afeição do que dominação. Sabendo que era melhor não tocar na penugem fofa dele, eu Condenso minha Aura para retribuir a afeição, espalhando a Aurinha para Yipi para tranquilizar suas penas desarrumadas enquanto ela pousa no meu outro ombro. 

Tão doce, eu devia comprar algo para Mila para agradecer ela. Minha garota panda-vermelha cheia de sardas, domadora de pássaros, tão incrível. 

Com todos meus bichos cuidados, está na hora de me certificar que minha família e comitiva estão cuidados. Depois de me lavar, eu ponho um casaco forrado com pêlo e chapéu antes de sair para o ar frio da manhã. Apesar de só estarmos no meio do nono mês e a temperatura ainda não caiu abaixo do 0°, o vento frio ameaça a roubar todo o calor do meu corpo enquanto eu corro para a ger cozinha. O calor escaldante dentro do pavilhão de lona gigante é um alívio bem-vindo, aquecido por chamas queimando com força total enquanto uma dúzia de homens e mulheres assa pães, faz sopa e cozinha carne. Mesmo vivendo em uma “cidade”, as Pessoas ainda mantiveram os mesmos hábitos da vila na montanha, trabalhando juntos para manter todos alimentados e vestidos ao invés de deixar cada família para cuidar deles mesmos. Dalê Socialismo! Além disso, alimentar uma dúzia de gers cozinha é mais prático e econômico do que todos cozinhando nas suas próprias gers, então é uma situação em que todos vencem. Sarnai geralmente coordena detalhes como esse, mas na ausência um pequeno conselho de anciãos da vila tomou as rédeas, incluindo a mãe do Bulat, Maira. É legal ver esses “forasteiros” se encaixando tão bem, já que viver em comunidade é difícil se você não for aceito pelas pessoas. 

Limpando farinha de suas mãos, Elia me cumprimenta com um sorriso e um abraço, a padeira magra de orelhas de gato sempre feliz de me ver depois das nossas dificuldades compartilhadas nas mãos da Sociedade. — Tão atencioso e diligente. — Ela diz, beliscando minhas bochechas, — trabalhando do raiar até o pôr do sol, mas ainda acordando cedo para ajudar a preparar o café da manhã. Se apenas meu Huu possuísse tantos talentos, tudo que ele sabe fazer é lutar e ser um soldado. 

— Como ele está? Eu estive tão ocupado ultimamente que eu não o vi a mais de uma decana. — Eu pergunto, me sentindo um pouco culpado por negligenciar meu amigo. O dobro para o Fung já que ver ele indo para Shen Huo só com Fu Zhu Li foi uma visão desanimadora, dois homens de duzentos voltaram vivos para casa. 

Suspirando, Elia balança sua cabeça enquanto linhazinhas de preocupação se forma ao redor de seus olhos. — Ele está fora com a Mainha dele em algum lugar nas montanhas. Garoto tolo, vem para casa com duas esposinhas e mal descansa um dia antes de sair correndo para treinar. Ele se culpa pela morte do tio, você sabia? O garoto tolinho e doce, cego demais para ver que não há uma pessoa viva que poderia obrigar Kalil a fazer algo que ele não queria, nem Ghurda nem Sarnai, nem mesmo a própria Akanai. — Jogando suas mãos para o alto, ela diz, — Ah, mas olha com quem estou falando, você perdeu muitos soldados. Algumas vezes eu esqueço, com quão jovem você é. Vá fazer suas coisas agora, não deixe a conversa dessa tola te distrair. 

Oferecendo minhas simpatias, eu começo a trabalhar esquentando novamente a sopa e fazendo pãezinhos com carne em relativa paz, os outros trabalhadores mais do que felizes em me deixar sozinho. Talvez eles estejam intimidados pela minha reputação ou confusos, mas eu prefiro as coisas dessa maneira. Jogar conversa fora com estranhos me deixa desconfortável e cozinhar acalenta minha alma, já que nada me deixa mais feliz do que ver minha família e bichos comendo as comidas deliciosas que eu faço. Por mim, todos as pessoas que amo seriam gordinhas, vivendo uma vida de luxúria.

Os membros da minha comitiva também aproveitam um café da manhã caloroso, mesmo que eu alimente eles por razões diferentes. Enquanto alguns se destacam como Ulfsaar e Ral, a maioria dos meus bandidos são mais baixos e magricelas, o que faz sentido considerando as origens humildes. Então, não apenas eu preciso treinar eles, eu também preciso alimentar eles bem, provendo refeições com muita carne, grãos e vegetais para que eles se tornem escudos de carne grandões e parrudos para me manter salvo. Normalmente, isso ia me custar uma pequena fortuna, mas a Ponte perdeu um número significante de soldados enquanto mantendo a maior parte, senão todas as reservas de comida. Isso unido com as minhas conexões com Yuzhen e o Marechal, eu não estou só alimentando minha família, comitiva, órfãos e ex-escravos a uma fração do preço normal, eu até consegui comida o bastante para dar, oferecendo refeições de graça para quem precisar. 

O desdém geral por caridade impediu a maioria de tirar proveito, com apenas os realmente desesperados vindo buscar ajuda. A maioria são crianças e mulheres, mas Tanaraq relata que alimenta um grande quantidade de soldados feridos e trabalhadores em uma comunidade crescendo a cinco quilômetros no sul da Muralha. Eu também contratei uma pequena força de trabalhadores temporários para cortar bambu, fazer carvão e tudo mais. Queimar merda seca pode manter todos secos, mas eu preferia não ter que comer nada assado com isso. Bambu cresce rápido e temos muito disso, então é improvável que nós vamos ter problemas de sustentabilidade tão cedo. 

Porém, eu vou ter que ganhar mais dinheiro para sustentar esse estilo de vida. É incrível o quão rapidamente eu estou gastando minha fortuna recém encontrada. Tanto faz, vem fácil vai fácil. 

Parando brevemente para deixar o café da manhã e abraçar rapidamente os gêmeos, eu vou embora com Aurie e Mafu atrás. Do lado de fora da porta que leva a ala de hóspedes da Akanai e do Baatar, Li Song escova diligentemente Sarankho com um sorriso raro em seu rosto, tão serena e tranquila que eu nem consigo ficar chateado com o mau uso grosso da escova cara incrustada de jade que eu dei para ela. Conforme Aurie vai para fila esperando sua vez, eu cumprimento Li Song com um aceno de mão, sabendo que ela já vai ter comido um café da manhã delicioso feito pela Mamãe nova dela. Akanai está trabalhando duro para acolher sua segunda filha adotiva e eu não podia estar mais feliz por elas. Depois de tudo que a pobre da Li Song passou, ela merece alegria. 

Honestamente, eu fiquei chocado quando Baledagh reportou que Song não tinha nem um traço de Mácula, os Espectros incapazes de quebrar a vontade de ferro dela para sussurrar suas mentiras doces. Com todos os esforços de Baledagh, nós não notamos qualquer tipo de resistência inerente a Espectros por parte dos meio-bestas, o que significa que a resiliência de Li Song é devido a sua própria resiliência formidável ou o programa de treinamento estelar do Du Min Gyu, ou uma combinação dos dois. Eu sempre me perguntei por que não há mais incursões Corrompidas entre os escravos Jurados, mas eu acho que é difícil se render aos Espectros quando você está acostumado a pedir permissão pela menor coisinha. 

Hmm… Por que todo mundo não toma um Juramento para nunca se Corromper? Ou não funciona dessa forma? Certamente alguém já tentou isso antes, as coisas não poderiam ser tão simples. 

Como toda manhã desde que voltei da Ponte, eu entro no quarto de Baatar e Sarnai com café da manhã. Como sempre, meu mentor devotado está acordado, secando o rosto da sua esposa amada com um pano úmido quente. Seu sorriso cálido me enche com partes iguais de alívio e melancolia, feliz em ver ele tomando conta melhor de si enquanto simpatizo com sua dor. — Bom dia Mentor, Sarnai. O tempo está ficando bem frio lá fora. Vocês dois estão confortáveis? Vocês precisam de mais cobertores? Travesseiros? Eu devia trazer um braseiro? 

— Não precisa menino, você fez o bastante. — Baatar responde com uma combinação de sorriso e franzido. Eu não estou certo como ele consegue fazer isso, mas ele está ambos orgulhoso e desaprovando ao mesmo tempo. — Posso não parecer garoto, mas não sou apenas o oficial de maior patente na Muralha eu também sou o oficial comandante. Eu tenho um exército de soldados e serventes para pegar o que for que eu precisar, então não há necessidade para você trabalhar tanto por mim. 

Dispensando suas preocupações enquanto eu me sento na mesa, eu sorrio e digo: — Esse tanto não é nada, eu estou feliz por ajudar. Além disso, começando hoje, Rustram vai tomar conta do treinamento diário o que vai me dar mais tempo para focar em vocês e na minha própria prática. Eu contratei meia dúzia de ex-membros do Estandarte para ajudar ele e com sorte eu vou ter uma força de soldados apropriada em mais ou menos dez anos, assumindo que eles sobrevivam tempo o bastante. 

— Dez anos? Você superestima seus soldados. Até Dastan e a antiga comitiva dele estão a décadas de se tornarem uma força de elite de verdade. — Assentindo enquanto ele se senta para comer, ele pergunta, — Como estão as outras empreitadas?

Reportando meu progresso diário durante o café da manhã se tornou rotina agora e, mesmo que eu gostaria de ter Alsantset, Charok e os gêmeos conosco, Baatar iria preferir manter as coisas em silêncio. Além disso, Alsantset não está otimista sobre as chances da mãe dela e os gêmeos são jovens demais para entender, então é provavelmente melhor manter as coisas do jeito que estão. Até agora, a condição de Sarnai se manteve inalterada, mas eu ainda tenho esperança. A partir das notas que Lin deixa toda as noites na minha ger eu soube que Nian Zu acordou e está no caminho para se recuperar totalmente, o que significa que Taduk logo vai ter mais tempo para cuidar de Sarnai. Depender de Energia Celestial Pura para criar um milagre não está totalmente fora de possibilidade, mas eu estive vasculhando relatos médicos e livros em esperanças de lembrar de qualquer coisa que possa ajudar. 

Até agora, nada.

Ao invés de ir depois do café da manhã como eu normalmente faço, Baatar lança uma bola curva para mim e me pede para ficar. — Demonstre as Formas. — Ele diz, enquanto alimenta Sarnai com um caldo nutritivo. — Faz muito tempo desde que eu instrui meu Discípulo. Se eu ignorar meus deveres por mais tempo então eu não teria mais honra alguma de me chamar seu mentor. 

Eu o faço com alegria, eu movo os objetos mais caros e frágeis para fora do caminho antes de começar. Revezando, Baledagh e eu mostramos para Baatar o que nós aprendemos na ausência dele e apesar da expressão do meu mentor se manter elegível como sempre sua cauda balançando mostra sua alegria enquanto ele aponta falhas e oferece passos para melhorar. As duas combinações originais de Baledagh, Varrendo os Campos e Limpando os Céus até nos ganharam um “bom”, um elogio grande vindo do nosso Mentor difícil de elogiar que parece dividir o apreço do meu irmãozinho de nomear os ataques dele. Parece tão juvenil, mas eu suponho que é mais fácil dizer “Limpando os Céus” do que “pulo para frente, varrida de duas mãos, pivô completo e corte horizontal” ou ainda pior, “Forma do Touro: “Atravessar a Montanha” em Forma do Veado: “Partindo a Grama Rasteira”, com Forma do Lobo: “Mordida inversa” marcada no fim”.

Camisa ensopada pelo esforço, eu me aqueço no esforço confortável, as últimas duas horas mais extenuantes do que um dia inteiro de treino com minhas tropas. É disso que eu senti falta, orientação sólida e diretrizes do que fazer da próxima. Gesticulando para que eu me senta na mesa de jantar, Baatar segura minha mão e Envia, — Taduk me disse que você formou seu Palácio Natal.  

Ohhhh mais orientação, amei. — Sim, mas eu não estou muito certo sobre o que isso significa. 

— Me fale do seu plano mental. 

Imaginei. Respostas nunca vem fácil, mas, pelo menos, agora eu entendo que é porquê não há uma única resposta. Descrevendo meu plano mental é simples. — Algumas vezes, quando eu medito ou pondero sobre algo importante, eu me retiro para minha mente. — Ou quando eu preciso falar com meu hóspede/alma gêmea. Ainda incerto qual dos dois o Baledagh é. — É como se eu estivesse cercado por um vazio imenso, uma área onde eu tenho controle total, ou quase. Com o tempo, eu percebi que conseguia conjurar criações então eu o fiz parecido como uma casa. Você sabe, paredes, camas, sofás, coisa normal. — Tudo para deixar as coisas mais confortáveis para Baledagh, mas não há necessidade de listar todos os detalhes. 

Baatar interrompe com uma pergunta. — Suas criações, elas permanecem depois que você se vai?

— … é, às vezes. É um liga e desliga. De primeira, tudo que eu fazia ficava, mas depois da coisa toda no lago, isso não é mais verdade. Voltou a ser permanente agora, mas… Eu não sei o motivo. — Eu imagino que tenha algo a ver com Baledagh. Ele é perfeitamente capaz de fazer qualquer coisa que eu faça. Sua mente inconsciente está provavelmente resetando nosso plano mental cada vez que eu vou embora ou algo do tipo, buscando afastar tudo até o esquecimento. Ele está melhor agora, mas ainda é difícil fazer ele aproveitar a vida em um traje de carne. Ele só toma controle para treinar, enquanto todo seu tempo no vazio é gasto meditando em seu conhecimento recém encontrado. 

Apesar dele parecer bem por agora, eu estou bem certo de que ele vai ficar doido se continuar com isso. Quanto mais rápido eu conseguir criar um segundo corpo para nós, melhor. Apesar disso ter passado pela minha mente para ver se um de nós pula no corpo em comatose da Sarnai, nós dois decidimos que era desrespeitoso usar a esposa do meu mentor de um jeito tão indigno. Além disso, há a coisa toda de ser a esposa do Baatar e eu acho que ambos eu e Baledagh iríamos preferir um corpo com um pênis. 

Depois de responder todas as perguntas de Baatar, a testa de meu  mentor se franze em pensamento. — Você disse que seu plano mental apareceu pela primeira vez daquela vez que Vivek Daatei se transformou em Demônio? Isso explica como você escapou das ilusões, mas não como você ajudou o Dagen a escapar das dele. Que misterioso… — Balançando sua cabeça, suas perguntas parecem voar para longe com o movimento, mas seus olhos se enchem com pena. — Não importa. O como não importa. Você formar seu Palácio Natal com dezessete é… formidável. A maioria só o faz no final dos vinte. — Meu peito se enche com orgulho, mas Baatar não me dá tempo de aproveitar. — Entre no seu Palácio Natal. Eu vou te instruir nos benefícios do mesmo. 

Permanecendo em controle firme, eu entro no vazio e rezo para Baatar não notar Baledagh caso contrário eu não saberia como explicar as coisas. Ficando fora do quarto criado enquanto Gotinha cerca o espaço ao meu redor, eu Envio, — Estou aqui. E agora?

— Canalize seu Chi. 

Me abrindo para a Energia dos Céus, eu sinto ela entrar lentamente no meu dantian. Já que ele está mais ou menos cheio até a boca, eu não reúno Chi rapidamente, mais em gotas mesmo. Eu notei isso antes, mas o processo de reunir Chi é como difusão. Se meu dantian estiver vazio, eu reúno Chi muito mais rápido. Meu Anel Rúnico remove esses limites, mas ultimamente eu notei que ele não parece fazer muita diferença, então eu o entreguei para Rustram e instrui que ele o divida com os outros. 

— Visualize a Energia Celestial entrando pelos seus poros. Veja como ela flui no seu Dantian e se torna sua, antes de circular ao redor e fortalecer seu corpo. 

Fazendo como Baatar instruí, meu corpo astral se ilumina conforme uma corrente sem fim de energia circula por todo meu corpo, sem começo ou fim. Incrível, mas eu não consigo entender a importância. Meu olho da mente estuda o progresso de longe e eu concentro nos meus achados. O Chi no meu corpo é… lerdo, pela falta de uma palavra melhor, sem nada para fazer enquanto reporto para Baatar o máximo possível.

— Você precisa comer mais e treinar menos garoto, dê tempo para você se recuperar. Se foque agora. O Chi fluindo pelo seu corpo, imagine ele fluindo e saindo da sua palma, só na grossura de um cabelo ok, antes de retraí-lo mais uma vez. 

Isso é mais difícil. No momento que meu Chi toca a superfície da minha mão, ele dissipa em nada. Parando para pensar no processo, me ocorre que isso é prática para usar Chi fora do corpo e Baatar confirma minha hipótese indiretamente. — Este é um dos usos do Palácio Natal, sim. Visualização é chave para usar Chi, dê propósito a ele sem palavras. 

A revelação me deixa compreensivelmente irritado. — Taduk nunca mencionou qualquer Palácio Natal, ele está me perseguindo a anos só por “amarrar meu Chi firmemente e depois jogá-lo para fora”. — A abordagem de espingarda de usar Chi, eu acho. Ficar tentando até você descobrir como funciona. 

A diversão de Baatar é clara enquanto ele responde, — Taduk dá instruções ruins porque ele nunca conheceu dificuldades. O que é difícil para os outros vem tão fácil quanto respirar para ele. Você podia pedir para um pássaro te ensinar como voar ou um peixe como nadar que seria o mesmo. — Sua explicação esmaga o pouco de auto-confiança que eu tinha. Por alguns minutos, eu quase achei que era um gênio. Palácio Natal com dezessete, quero dizer, é bem impressionante, né?

 

Não. Nenhum pouquinho. Enquanto eu estou um passo na frente da multidão, verdadeiros gênios voam acima de todos nós. 

 

Ah bem. Falha não é nada novo. Tente e falhe, então tente de novo. Essa é a vida, falha sem fim.

 

 

Só uma vez, eu queria que as coisas fossem fáceis. Isso é pedir demais?

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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