DS – Capítulo 266

Sentado com Aurie na borda da multidão, eu abraço meu gatinho em busca de conforto enquanto a vigília publicamente secreta para Shing Du Yi continua. Foi necessária a explicação de três pessoas até eu entender as implicações das ações do antigo Marechal, mas eu ainda não tenho um entendimento bom da situação toda. Tudo que eu sei é que ver quão longe ele foi para proteger Yuzhen me deixou com sentimentos conflitantes. Por um lado, é inspirador saber que ele amava tanto a filha que ele morreu por vontade própria para neutralizar a maior ameaça contra sua segurança. Por outro lado, o velhinho gentil e de fala mansa literalmente extinguiu toda sua família para manter uma pessoa segura, um exemplo feito de sua própria para carne para mandar um aviso pra porra do mundo todo para saírem de perto dela. 

Eu nunca mais vou julgar um livro pela capa de novo. Um vovô gentil como Du Yi era foda pra caralho. Em uma ação decisiva, ele acabou com uma facção forte e fez cada facção no norte tremer, algo que Akanai, Baatar e Nian Zu não conseguiriam fazer nem se trabalhassem juntos. O Clã Imperial não perdeu tempo também, não para a morte de uma família. Eles nem tiveram que levantar um dedo, quando o decreto saiu, a própria Sociedade executou cada homem, mulher e criança relacionados ao Clã Shing, a família uma vez orgulhosa reduzida a nada mais que um rodapé da noite para o dia. 

Se karma era real, onde isso caí na escala de bom ou mau? Tirar centenas, talvez milhares de vidas para salvar uma, é difícil chamar isso objetivamente de troca justa. E de novo, nem todas as vidas são iguais, especialmente nos olhos de um pai. Se dado a opção, eu salvaria uma dúzia de estranhos se isso significasse que Tali ou Tate fossem deixados para morrer? Duvido, eu não escolheria uma dúzia de estranhos por Aurie, muito menos meu sobrinho ou sobrinha preciosos, mesmo se fosse por causa do próprio Imperador. Que se foda ele, me dê meu gatinho. É algo a se pensar: onde eu desenho a linha? Eu deixaria uma centena de estranhos morrer por causa das pessoas que eu amo? Mil? Dez mil? 

… Sim. Sim, eu iria. 

E é um pensamento que me assusta. Não tema o mal à espreita nas sombras, mas a justiça fazendo mal no nome do bem. Gire um pouco mais a hipótese e as coisas realmente ficam mórbidas. Eu iria matar um homem para alimentar minha família? Eu iria torturar um homem para manter minha família a salvo? Se uma praga se espalhasse, eu iria queimar uma cidade até as cinzas e matar todos os habitantes nela para impedir que ela se espalhasse? Não é como se quisesse massacrar inocentes assim como eu estou certo que Shing Du Yi não queria massacrar seu clã, pelo menos não os mais jovens e inocentes, mas história não vai lembrar das intenções dele, só dos resultados. Ninguém se define como um vilão, mas o caminho para o inferno é construído com boas intenções. 

Pegue por exemplo Zhen Shi. Os relatos contam que ele foi um homem brilhante consumido pela noção de melhorar o corpo humano para lutar melhor contra os Corrompidos. Agora ele é lembrado somente pelos seus experimentos cruéis e inumanos e temido por milhões como um monstro sádico e distorcido. Eu duvido que ele partiu com esse objetivo em mente, só queria tornar a raça humana mais forte. Ou talvez eu estava errado, talvez o mal realmente espreitava dentro dele e ele fez tudo para se divertir. Quem sabe. 

De qualquer jeito, aqui está o pensamento que vai eu fazer me revirar na cama a noite toda: e se ele tivesse conseguido? E se, Zhen Shi tivesse descoberto um método inovador de fortalecer o corpo humano sem sucumbir aos Espectros no processo? Ou de outra forma, e se ao invés do processo de fortalecimento, Zhen Shi buscasse uma cura para uma doença comum e difundida como a varíola? Nós o condenariamos por infringir a doença em corpos saudáveis só para que ele pudesse estudar o processo de infecção? Quero dizer, é exatamente o que ele fez, ele torturou e matou inocentes para ver como alguém se torna Corrompido. Era moralmente errado fazer isso? Sim, sem sombra de dúvida, mas se ele tivesse conseguido, então o Império teria chamado ele de herói e varrido todos os corpos para debaixo do tapete. 

A história vai lembrar de Shing Du Yi como um traidor, mas eu sei que ele agiu com boas intenções. Isso iguala as mortes de inocentes que tiveram azar de nascer com o sobrenome Shing? Eu não estou certo se há uma resposta apropriada. Filosofia é uma merda. A despeito de todas as coisas horríveis que ele fez, eu adoraria ler as notas do Zhen Shi ou pegar seu cérebro. Pode ajudar a explicar minha situação com Baledagh e Gotinha, possivelmente até oferecer uma solução para nós. 

— Maridinho! — Lin pula nos meus braços da maneira mais fofa e macia possível e me dá um beijo na bochecha. Com seus olhos castanhos grandes meio cheios de lágrimas, ela declara, — Eu vou jantar com Papai, mas o restaurante não deixa os ursinhos e Jimjam entrarem. Traga eles para casa com você, tá?

Doce demais. — Claro, mas eles vão ficar comigo hoje a noite. Esse é o meu preço, você não pode monopolizar os filhotes até eles serem grandes demais para ficar agarrados.

Me dando língua, ela sussurra, — Tá, mas eles nunca vão ser grandes demais para ficar agarrados. Eles só vão ficar mais confortáveis e abraçáveis. — Indo embora saltitando, ela pula no ombro do Taduk que a leva para longe com um sorriso, um par de pai de filha adoráveis e bobos. Ela não é a única, conforme Mila chega logo depois para me deixar saber que ela vai comer com sua família e quer que eu cuide da Sarankho, seguido por Alsantset e Charok me pedindo para tomar conta de Tali e Tate enquanto eles jantam com Baatar. O humor da minha irmã melhorou muito nesses últimos dias, encontrando esperança ao saber das melhoras recentes de Sarnai, por mais pequenas que elas fossem.  

Eu só rezo para que as esperanças dela não sejam em vão. 

Eu não me importo de bancar a babá, eu estou sempre feliz de ter todos os meus bebês peludinhos e meus doces em um só lugar. Chiando como loucos, os filhotes de quin pulam tentando alcançar Jimjam tirando um cochilo nos galhos das árvores enquanto Tate e Tali pulam e brincam com os filhotes de urso. Mafu circula ambos os grupos, trabalhando dobrado para manter todos a salvo com a ajuda dos outros quin, já que olhar os jovens é um esforço do grupo. Sarankho se junta a minha sessão de carinhos com Aurie, seu casaco branco-neve se misturando com o marrom-dourado de Aurie enquanto eles derretem em uma massa de pêlos e presas debaixo das minhas coçadas de mestre. 

Chegando ao meu lado antes de dispensar sua escolta, Fung caí na grama com um suspiro. — São tempos sombrios, Sobrinho Marcial. 

— Sinto muito pela sua perda. Eu não sabia que vocês eram próximos. — Faz sentido considerando que o Marechal era chefe do pai do Fung. 

— Que? Ah não, eu mal conhecia o homem, porém eu o admirava muito. Você sabe como ele se tornou Marechal sem apoio? — Rindo, ele se inclina e explica. — Ele se mostrou como a opção mais segura para apoiar sem ofender os dois poderes maiores visando o ofício. Todos que apoiaram ele acreditaram que ninguém mais o faria, então eles esperavam que a decisão fosse mais acirrada, dando os poderes menores mais influência e mais tempo para trabalhar sem um Marechal para supervisionar cada movimento deles. Coisa lucrativa. Ao invés, Shing Du Yi recebeu apoio de quase dois terços dos Magistrados e Tenente-Marechais, permitindo ele tomar o ofício sem oposição em um movimento brilhante. O velho roubou o ofício ao jogar todo mundo um contra o outro e, então, ficou com o ofício e sua vida por ser um homem de princípios que sempre agia com imparcialidade mesmo em detrimento próprio. Se ele acreditava que Yuzhen é a mulher para o trabalho, então eu digo que a província está em boas mãos. Que ele descanse bem nos braços da Mãe, pois ele encontrou vitória na morte. 

— Então por que você está cabisbaixo?

Se encolhendo, ele suspira mais uma vez, tão triste que você pensaria que ele perdeu o próprio pai. — É parcialmente sua culpa você sabe? Eu não planejei voltar tão cedo, mas circunstâncias exigiram que eu trouxesse a carta de apoio do meu pai para Marechal Yuzhen. Mentora me deu algumas palavras durante nossa reunião e só ficou pior seguido os resultados dos nossos treinos de combate. Todo dia? Sério? E iria te matar pegar leve e me deixar ganhar uma única vez?

Não é minha culpa, isso é tudo do Baledagh. Sabiamente escolhendo limpar a escolha de palavras do meu irmãozinho, eu bato nas costas de Fung e sorrio. — Trabalhe duro e persevere, você vai ganhar uma vitória logo. Você está ficando forte a cada dia.

— Mas eu ainda sou o mais fraco do grupo, último lugar atrás até do BoShui. Tão deprimente. Uma vez eu acreditava que eu era um dragão entre homens, mas pelo visto eu sou meramente um… meramente um…

— Pato entre galinhas? — Eu ofereço, rindo com minha resposta esperta. Pato entre galinhas é uma gíria para homem e prostitutas. 

— Hmph. Me impugnar eu aceito, mas ousar chamar minhas cortesãs de “galinhas”. Eu não vou aceitar isso, especialmente não de um júnior. 

— Nesse caso, eu vou esperar seu desafio, lamentar sua partida e confortar suas cortesãs. 

— Bah. — Bufando com risada, Fung mudou sua aproximação. — Eu não queria levar minhas damas adoráveis, mas o que um homem pode fazer? Mentora não gosta delas por perto então elas estão com fome do meu amor e afeição nesse último ano. Eu tenho muito para compensar, meus quadris estão doendo pelo esforço. Não me admira que não tive força nas lutas. 

— Ha. Elas estão provavelmente aliviadas com sua ausência.

— Bobagem. Inveja mesquinha não é do seu feitio. 

Revirando meus olhos, digo para mim mesmo que não há nada para se ter inveja. Eu tenho duas jovens adoráveis e capazes que me amam por quem eu sou e não o que eu tenho. Além disso, quem eu sou para dizer que as cortesãs do Fung não amam mesmo ele? Ele certamente dá muita afeição para elas, como todos nós ouvimos durante a jornada para casa. — Se foque mais no trabalho com sua espada e sua lança. Honestamente, você não devia perder para o BoShui, não em um treino de combate. Sua lança te dá um alcance e poder superiores contra as duas manoplas dele, mas você continua deixando ele passar pela sua guarda. Dê um passo para trás, deixe ele vir até você. Mantenha sua distância com estocadas e golpes para testar as águas, não se contenha no início. Você é muito “tudo ou nada”, tente vencer por atrito. 

Fung desdenha. — Não é uma vitória honrável. 

— Aprenda com a passagem prematura de Shing Du Yi, vitória a qualquer custo. — Apesar de eu não estar certo que o conselho se aplica a tudo. 

Refletindo no meu conselho, Fung balança sua cabeça e sorri. — Sabe, você até que seria um político decente. Eu nunca pensaria em usar um santuário “desconhecido” para honrar quietamente um homem grande. Ele merece melhor, mas os Imperiais são irascíveis com filhos mortos. Um idiota arrogante bebe até entrar em estupor e caí de uma varanda e um clã prestigioso é apagado em retaliação. Ridículo. 

Precavendo ele para vigiar a boca dele, nós voltamos para minha casa para uma refeição e bebidas. Fung vai embora mais cedo dando uma desculpa de que teria uma sessão de treinamento pela manhã com Akanai enquanto Tali e Tate imploram por uma história de ninar. Os aninhando com Aurie e os filhotes de quin, eu ralo meus miolos para uma boa história. — Era uma vez uma menina chamada chapeuzinho… 

— Você já contou essa Rainzinho. Ela espanca o urso e come o mingau   deles. — O bocejo cansado de Tali é de derreter o coração, suas bochechas gordinhas balançam com o esforço. — Eu quero ouvir uma história nova. Por favor? — Tate não fala, mas seu olhar arregalado esperançoso mostra que ela compartilha o sentimento de seu irmão. 

— Uma história nova hein… Que tal… Havia uma vez três cachorrinhos que viviam em três casas diferentes, uma feita de pa-

— Já ouvimos. Eles constroem uma armadilha e jogam um monte de pedras no lobo.

— Éee… Que tal a história da pequena sereia?

Tate responde dessa vez, animada em se juntar. — Ela deixa o príncipe traidor e volta para seu papai em casa, que inunda o reino por ofender a filha dele. 

— … Por que todas as histórias que eu conto são tão sangrentas? Eu devia encontrar umas histórias mais saudáveis.

Com um sorriso doce, Tali se aconchega no pêlo de Aurie e responde, — Mas Rainzinho, essas histórias são as melhores. Malvados colhem o que eles plantam, né?

Tão sangrenta e vingativa, eu rezo para a segurança do futuro marido dela. — Tá, tudo bem, mas eu não tenho mais histórias originais. 

— Estande. — Os dois falam, apontando para atrás da minha gaiola de pássaro. Minhas tentativas de dissuadir deles só me ganharam olhares lacrimosos e, incapaz de resistir, eu me resigno em procurar a coleção de Yo Ling em busca de um livro com histórias infantis enquanto encravado entre a gaiola e a previamente mencionada estande. Roc e seu grupo estão menos do que animados pelas empurradas, bicando no couro da gaiola para transmitir o desagrado deles. 

As coisas que eu faço por amor…

Incapaz de aguentar mais, eu pego alguns livros aleatórios e fujo, pondo o punhado ao lado da cama. O tomo de cima está marcado com “Um tratado sobre acordos comerciais entre Sanshu e Shen Yun durante a dinastia de… “ blá blá blá. Deixando este de lado, o próximo tomo é mais promissor,  meramente intitulado apenas como “Poesia”. Passando por algumas páginas, eu escaneio os conteúdos que eu posso usar para ninar esses dois terrorzinhos. 

-Folhas amarelo-avermelhadas farfalham e caem, as águas incessantes de-

-dez mil quilômetros para longe de casa, meu desespero-

-cada marca feita perpendicular a última. Tome cuidado com a ordem do-

-amor amargo se transformou em desespero doce, para só-

Pausando minha busca, eu volto a página anterior e tomo meu tempo lendo seu conteúdo. “-ela dita o fluxo da energia, que é vital que funcione. As runas são a linguagem da Energia e uma pincelada errante fora de ordem vai arruinar a inscrição. No pior dos casos, não só você vai perder tempo e materiais, mas o produto falho vai produzir uma explosão-”

Runas são a linguagem da Energia. 

Runas. 

Escondido em meio a poesia horrível está a cartilha de Yo Ling em inscrições rúnicas, suas observações meticulosamente detalhadas na arte. Isso é uma bela bolada, conhecimento em primeira mão em artes rúnicas, não só explicação do que runas são e como elas funcionam, mas também cada erro que ele cometeu ou dificuldade que ele encontrou. 

— Rainzinho, tá na hora da história… — Tali choraminga, me tirando do meu estupor.

— Desculpe meu docinho, eu estava distraído. — Fechando o livro com mãos tremendo. Eu conto a eles minha batalha com os assassinos em Sanshu. Eles já estão expostos a violência demais, mas agora não é hora de se preocupar sobre isso. No meio da história, os gêmeos caíram no sono aninhados com quins roncando, me deixando livre para ler as notas de Yo Ling em paz. 

Acendendo uma segunda lâmpada para ler, eu me enrolo com Mafu e os filhotes de urso para continuar a estudar. Decepcionantemente, o conhecimento de Yo Ling começa e termina com uma única runa, uma que ele encontrou em um elmo antigo que não funcionava, que ele roubou. Só é bom para parar ataques infundidos com chi e longe de ser impenetrável, mas seus discernimentos em como funciona são fascinantes. Essencialmente, essa runa em particular é como um escudo intangível que para Chi, impedindo armas Afiadas de rasgarem armadura como papel ou extinguir chamas alimentadas por Chi e tudo mais. A força de um golpe Amplificado ainda seria sentida, mas um golpe contendo Ressonância seria tratado como um golpe normal. Em contraste, o peitoral rúnico de Li Song é muito superior já que ele mitiga impacto e consegue até Defletir golpes se eles forem lentos o bastante. 

 Já que como todas as coisas, há limites. A runa tem algo como um reservatório de energia, um limite de quanto poder ela pode absorver de uma vez. Se nós denotar o limite como 100 unidades o usuário tem Energia infinita para reabastecer o reservatório da runa, então qualquer ataque com menos de 100 unidades de dano é incapaz de quebrar as defesas rúnicas, mesmo que a força de golpes normais ainda sejam transmitidas. Exceda 100 unidades e a armadura Rúnica não é diferente de armadura comum. 

As notas de Yo Ling prosseguem em detalhes de como aprisionar Espectros para fortalecer suas criações, o que é perturbador no mínimo. Eu só posso esperar que essas não sejam práticas ortodoxas, mas se elas forem, e daí? Poder é poder, é tudo o mesmo no fim. Além disso, mesmo se Yo Ling conhecesse uma runa de uso limitado e só fez cópias o bastante para si e seus capitães, ainda é melhor que nada. E mais ainda, suas notas em como ele decifrou a runa são inestimáveis, já que agora nós podemos fazer o mesmo com os anéis rúnicos, o peitoral da Li Song e o bastão de uso único do Jorani. Ninguém sabe realmente o que ele faz e eu estaria mais do que disposto a testar para ver se conseguimos substituir eles. 

Depois de repassar três vezes as notas, um pensamento me acerta e eu arrasto a gaiola do Roc e corro até a estante, revirando livro por livro enquanto ignoro os grasnidos irritados. Talvez eu vou encontrar mais dos estudos de escondidos entre as páginas ou talvez um mapa para seus tesouros, uma lista de seus aliados escondidos, algo, qualquer coisa. Há uma caça ao tesouro de verdade nessa estante de livro e eu ignorei ela por tempo demais. 

E pensar que eu só peguei esses livros porque ninguém mais queria eles. Se Zian descobrir isso algum dia, ele vai se arrepender até o dia que ele morrer. Entre isso e meu fuzil doce de mola Espiritual que será logo feito, eu vou estar bem equipado para o que quer que a vida ponha no meu caminho. 

 

 

Isso não foi forma alguma um desafio para o universo.

 

Por favor tenha misericórdia. 

 

– Fim do Volume 14 –

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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