DS – Capítulo 271

Ser um Guerreiro Marcial abençoado com Chi significa que eu sou bem resistente aos elementos, mas ainda é desagradável sair quando está frio o bastante para congelar as suas bolas. Apesar de eu ainda treinar todo dia, Baatar me deu ordens estritas para não exagerar, o que significa que eu tenho muito tempo para sentar na minha gert e ler nos últimos meses. Além das notas sobre inscrição de runas de Yo Ling, escondida dentro do seu volume de poesia insípida e não inspiradora, a livraria do homem não tinha muitas outras coisas que eu achei interessante, mas tédio é um motivador poderoso. Mesmo os relatos históricos mais secos e maçantes se tornam divertidos depois de horas de prática no meu Palácio Natal. 

Eu não sei como Baledagh aguenta ficar parado lá por decanas de cada vez. Eu fico todo neurótico quando eu noto as falhas, como não respirar ou nunca piscar. Muito estranho.

De acordo com os relatos dos livros, a Ponte Boreal foi originalmente defendida por uma única barreira, a agora desmoronando Muralha Externa. Inicialmente, a cidade não era uma cidade de verdade, meramente uma junção de tendas e abrigos temporários onde os soldados poderiam satisfazer duas necessidades importantes, sexo e apostas. Os superiores da época olhavam para o outro lado, o que é compreensível já que soldados eram propensos a se revoltarem se as prostitutas ou apostas estivessem a horas de distância. Vendo isso como uma permissão implícita para realizarem seus negócios, uma Madame ou um Cafetão empreendedor, ficou de saco cheio de viver em uma tenda e decidiu fazer algo sobre isso.

Dessa forma, o primeiro prédio no que futuramente seria conhecido meramente como “a Cidade”, era um prostíbulo.

Sentindo que havia dinheiro a ser feito, mercadores e empresários chegaram aos montes para oferecer seus serviços e mercadorias para homens e mulheres corajosos servindo na Muralha. Quando criminosos entraram na jogada e começaram a lutar por território e lucros, um pandemônio aconteceu, um resultado facilmente antecipável para cada historiador que já escreveu algo no assunto. Em meros meses, a Cidade ficou fora de controle e se transformou em uma bagunça gigante de prédios vagabundos e tendas feitas de qualquer jeito, uma terra sem lei de sexo, drogas e bebida que durou por décadas.

Os tempos de diversão chegaram ao fim quando um infeliz Comandante da Muralha morreu dentro da cidade. O agora não nomeado herói saía com frequência disfarçado para interagir com seus soldados e sentir o clima geral deles, mas não demorou muito até o guerreiro grande desenvolver uma miríade de vícios degradantes de várias substâncias ilícitas. Sem moeda e indisposto a adiar seu vício ao retornar para seu quarto por mais, um general capaz recorreu a matar um vendedor de rua para alimentar seu hábito. Ainda de pé ao lado do corpo enquanto ele enchia seu cachimbo, o Comandante da Muralha morreu para uma multidão de vendedores de droga não treinados cuidando de um dos deles, um perito perfeito esfaqueado no pescoço enquanto levava uma sova.

Drogas são ruim, tá bom?

O Comandante que o sucedeu fez a merda que precisava. Apesar de dever sua promoção aos esforços deles, ele ordenou que as partes envolvidas fossem torturadas publicamente e executadas antes de embarcar em uma missão de expulsar os criminosos da Cidade através de violência pura. Se congratulando por um trabalho bem feito, o novo Comandante voltou a defender a Muralha e ignorou a existência da Cidade. Dentro de uma decana, uma nova onda de criminosos chegaram para encher o vazio, mas com tantos dos seus soldados dependendo das mercadorias deles, não havia muito a ser feito além de fingirem não notar esses recém chegados.

Por toda a história, a Cidade foi arrasada e reconstruída incontáveis vezes. A mais recente, Baatar ordenou que a Cidade fosse desmanchada para negar cobertura aos Corrompidos e criar zonas de matança para seus arqueiros. Geralmente, uma nova Cidade é reconstruída nas ruínas da antiga, mas o antigo Marechal Shing Du Yi era um fã de linhas ordenadas e elegantes. Antes de sacrificar sua vida para garantir a segurança de sua filha, o velho bolou um plano para uma nova cidade com a ajuda do Major-General Han BoHai, o tio de BoShui e pai de BoLao, o que Yuzhen cumpriu a despeito de todos os protestos.

Depois de meses de construção em condições duras e congelantes, a mais nova interação da Cidade não parecia nada com a bagunça caótica do passado. Modelada a partir do Quartel-general da Sociedade, uma rede de caminhos retos, não obstruídos delineavam a cidade em uma série de distritos, com cada um servindo um propósito específico, fosse uma zona residencial, comercial, de manufatura ou militar. Na premissa de tornar a Cidade e Muralha mais seguras, o primeiro ato de Yuzhen como Marechal foi tomar toda as terras entre as Muralhas para a província e a alugar para os civis que queriam usá-la, um movimento não popular, mas brilhante. Qualquer um que quisesse abrir um negócio ou construir uma casa ou uma loja teria que pedir por permissão e aderir às diretrizes estritas o que significa que Yuzhen tem autoridade de expulsar os residentes ou tomar mercadorias que falhassem em atender os padrões, sem mencionar toda a informação que ela está conseguindo de graça quando as pessoas se aplicam para conseguir a permissão. Considerando que ela também determina os padrões, é seguro dizer que ela tem poder quase absoluto sobre a Cidade. Bom ou mau, quem pode dizer? Talvez daqui a mil anos a partir de agora, historiadores vão escrever sobre como as ações de Yuzhen eram todas sinais óbvios do fim e destruição.

Mesmo com nossas diferenças, eu tenho que admitir, ela vai deixar uma marca nos livros de história. 

De qualquer jeito, é bom ter amigos em lugares altos. Já que minhas gers não eram estruturas permanentes e estavam em um distrito designado para as Pessoas, não havia necessidade de garantir permissões, mas minha escola e a forja de Mila eram dois assuntos totalmente diferentes. Mas resumindo, eu recebi minhas permissões com problemas mínimos pelo preço baixo de cozinhar um jantar romântico para Gerel e Yuzhen, junto com uma noite de babá para os gêmeos para pagar a ajuda de Charok. 

Na borda entre uma área residencial e um mercado fervendo, o prédio de tijolos marrons tem o melhor dos dois mundos. Com três andares de altura e oitenta metros de largura, a aparência enfadonha contrasta com seu propósito, o prédio repleto com vida enquanto pessoas entram e saem pelas portas duplas extravagantes. Talhadas por Charok com um carvalho sólido, as portas mostravam a imagem de um urso sorrindo na esquerda e um gato selvagem sorrindo na direita, apesar de agora eles estarem tapados pela quantidade de gente esperando ordenadamente na fila debaixo dos toldos temporários colocados para tirá-los do vento. 

Apesar de devotar o primeiro andar inteiro para cozinha e cafeteria, simplesmente não há espaço para alimentar a todos de uma vez, então a equipe trabalha sem parar a fim de garantir que todos consigam uma refeição. Apesar de simples, a comida é um nível acima do que a maioria tem em casa, já que a maioria das pessoas não conseguem pagar por temperos, sais e carne em cada refeição. Quando notícias se espalharam, o número de visitantes vindo para comer cresceu exponencialmente e eu estou lutando para pensar em uma solução desde então. Frisar que o lugar era para pessoas incapazes de se alimentarem não funcionou e eu me recuso a abaixar meus padrões e prover refeições piores. Por que quem está necessitado precisa sofrer por causa de um bando de parasitas?

Querendo acreditar que as pessoas eram inerentemente boas, eu pedi para minha equipe pedir por doações e frisar que era algo voluntário e só se eles pudessem dispor da moeda, mas o que geralmente acontece é que aqueles que não podem pagar doam seus últimos cobres enquanto aqueles que podem fingem que não tem moeda. Tirarem vantagem de mim realmente é um balde de água fria nas minhas aspirações caridosas, mas eu estou relutante em pedir prova de pobreza ou checar suas vidas por uma refeição, nem eu estou disposto a envergonhar meus visitantes por aceitar um comunicado.

É por isso que eu odeio pessoas, elas são as piores. Empatia é uma merda.

Tanto faz, o bom ainda pesa mais que o mal. Contanto que eu ajude uma família em necessidade para cada cem avarentos, gananciosos e falsos buscando uma refeição de graça, vale a pena. Além disso, alimentar todos é uma gota no balde se comparado aos meus outros gastos e ganhos dos meus empreendimentos mercantis conseguem sustentar isso indefinidamente. 

Além disso, é um bom disfarce para o que está acontecendo de verdade lá dentro.

Deixando Mafu e meus bichos em um dos estábulos adjacentes, eu entro pela porta de trás para evitar a multidão na área de jantar e encho uma travessa com comida antes de subir direto para o segundo andar. Espiando as salas de aula enquanto passo, a visão de tantas crianças sentadas e aprendendo põe um sorriso no meu rosto, a razão principal de eu abrir essa escola. Aqui, essas crianças gastam suas manhãs praticando as Formas, aprendendo a ler, fazer matemática e geralmente serem crianças com barrigas cheias e camas quentes se elas precisarem. O pessimismo em mim colocou regras para evitar meus professores abusarem o poder dele, mas não houve acidentes além do Taduk fazer um grupo de crianças literalmente se mijarem de medo com uma lição de primeiros socorros em um campo de batalha, completo com desenhos detalhados e realistas das feridas mais comuns. 

Eu amo ele como um pai, mas Taduk não tem muito senso comum. Eu não sei como Lin acabou tão bem. 

Entrando no quarto de suprimentos, eu fecho a porta atrás de mim antes de caçar o disco escondido atrás da segunda estante com minha mão não ilesa. É difícil pegar ele com minha mão esquerda e minha direita não está utilizável no momento. Imaginando todo tipo de insetos invisíveis e nojentos lá atrás, eu finalmente encontro o disco e o giro, dois para esquerda, três para direita e, por fim, cinco para esquerda. Quando termino, as estantes tremem enquanto eu puxo minha mão para trás, então elas giram para revelar a escadaria em espiral secreta que se estica até os confins da terra. 

Foda demais.

Eu não consigo não sorrir como um idiota toda vez, fingindo que eu estou no caminho para resolver coisas de espião ultra secretas. Chakha cuidou da maior parte da construção pessoalmente com a ajuda do Dastan e sua comitiva escravizada, o que significa que ninguém sabe sobre esse lugar a menos que eu queria. É tão secreto que nem Mila sabe dele, porque contar para Mila é a mesma coisa que contar para Song que vai dar com a língua nos dentes na hora para Akanai, o que não pode rolar.

A temperatura cai com cada passo enquanto nuvens de fumaça branca se formam cada vez que respiro. No fim da escadaria está uma porta de aço reforçado ameaçadora, colocada nas rochas congeladas, uma barreira quase impenetrável. Dez metros de rocha e terra separam esse quarto da cafeteria acima, uma conquista de construção e engenharia que buga a minha mente, especialmente considerando que tudo foi feito em uma única noite por um dos associados secretos de Taduk. Tudo que  eu sei é seu gênero e só porque Taduk falou sem querer, o que significa que não é a Líder da Guarda ou um dos subordinados dela. Ou foi e Taduk estava sendo astuto ao me fazer pensar que não foi ao intencionalmente usar um pronome masculino…

Nem, é muito um cara. Não querendo desmerecer meu Professor, mas ele tem a sutileza de uma marreta.

Já que o disco escondido no segundo andar aciona um sino dentro do quarto, eu não fico esperando no frio por muito tempo. Com um rangido metálico, as fechaduras são destravadas e a porta se abre para revelar uma figura de aparência sinistra de capuz parada na porta. — Rain, meu garoto. — A sombra diz, gesticulando para eu entrar. — Entre antes que o calor escape. — Me puxando para dentro, Taduk fecha a porta e encara em reprovação brincalhona enquanto finge tremer. — Esse maldito lugar gelado vai me matar.

Com seu rosto redondo, amigável e orelhas de lebre saindo do capuz, Taduk parece adorável demais para ser intimidante. — Desculpa, Professor, mas nós não podíamos colocar uma ventilação aqui porque o som se espalharia. — Dando um abraço caloroso nele, eu aponto para o casaco dele pendurado em uma cavilha do lado da porta. — Seria melhor para você usar algo mais quente. 

— Bobagem meu garoto, até uma criança sabe que casacos são para serem usados do lado de fora. — Franzindo o cenho, Taduk pega minha mão ferida e estuda a tala improvisada antes de levantar suas sobrancelhas em questionamento. Incapaz de levantar só uma sobrancelha, ele ainda tenta sem sucesso e eu não tenho o coração para falar para ele parar, em maior parte porque faz ele parecer adoravelmente surpreso.

— Pequeno acidente na forja de Mila. — No meio dos fogos da paixão, ela apertou suas pernas tão forte que quebrou a minha mão. Pelo menos, foi só uma mão e agora que nós sabemos que ela é do tipo que convulsa, nós podemos tomar passos melhores no futuro, como não deixar ela enrolar as pernas ao redor de… Bom, qualquer parte do meu corpo. Elas podem ser maravilhosas, mas as coxas de Mila são fortes pra caralho.

Se eu tivesse caído de de boca nela, ela podia ter quebrado o meu pescoço. 

Que jeito maravilhoso de morrer de novo…

— Entendo. — Soltando minha mão, Taduk pergunta, — Por que você não se curou?

— Pensei que eu devia deixar ela se curar normalmente, você sabe, para fortalecer os ossos. — Eu não vou desistir, isso foi o mais perto de sexo que eu cheguei em anos. Ferida de lado, eu estou feliz sobre como as coisas se desenrolaram. Podia ter ido melhor, mas saber que eu consigo fazer ela ter um orgasmo só com meus dedos é uma maravilha para o meu ego. Além disso, ela ficou tão horrorizada e arrependida, valeu muito a pena os ossos quebrados. Apesar de eu não conseguir me divertir, eu estou na maior parte satisfeito em como as coisas ocorreram.

Esquerdinha, tô contando contigo hoje à noite. Graças a Mãe que foi a Direitinha que foi pega. Seu sacrifício não será esquecido.

Deixando o assunto de lado, Taduk devora sua refeição em tempo recorde antes de me trazer para sua mesa de trabalho de rocha sólida. — Você chegou na hora certa, eu estava prestes a começar quando você tocou o sino. — A mesa está tão limpa quanto o resto do quarto, meu Professor confuso tão confiável quando precisam dele. Um escudo circular está no centro da mesa, com um domo de metal grosso suspenso acima deste. Cinco jarras seladas contendo líquidos de cores diferentes estão organizadas elegantemente ao redor do escudo. Uma multitude de ferramentas estão ao lado das jarras e escudo, um martelinho, cinzéis em vários formatos e tamanhos, pipetas de vidro tão finas quanto uma agulha e muito mais. 

Apesar das jarras de líquido não parecerem muita coisa, elas me custaram quase metade da minha fortuna, uma soma gigantesca considerando o quão rico eu sou. Ou era, antes de gastar tanto em treinamento, infraestrutura, equipamento e tudo mais. Quatro jarras contém líquidos raros, mesmo que mundanos: mercúrio, veneno de escorpião jade, óleo de raiz difusa e ácido destilado da bile de meia dúzia de animais raros. Eles eram difíceis de achar, mas eram moleza se comparados ao último jarro, um líquido azul chamado de Sangue de Dragão. Para o meu desapontamento massivo, não era sangue de verdade, só uma mistura de materiais voláteis e  perigoso, a maioria destes nem eu nem Taduk já ouviu falar. 

Felizmente, tudo que nós precisávamos estava na ilha do Yo Ling (dalê para caça ao tesouro), fazendo nossa primeira empreitada em Inscrições Rúnicas custar quase nada, além de construir um laboratório secreto e outras coisas aleatórias. Indo em silêncio para o canto, eu assisto em silêncio enquanto Taduk fecha seus olhos e se prepara mentalmente para a tarefa a seguir, seus meses de falhas secretas pesando muito nele. Eu queria que nós não tivéssemos que fazer coisas assim, mas Inscrever Runas precisa de manipulação externa de Chi e ainda falta muito para eu conseguir isso. E mais ainda, eu estou 100% certo que aquele detalhezinho do Yo Ling prender Espíritos para fortalecer suas criações rúnicas vai fazer Akanai ficar louca para queimar o livro e logo após ela vai me proibir de procurar coisas relacionadas. Baatar faz tudo que Akanai fala para ele fazer e Charok conta tudo para Alsantset que conta tudo para o Baatar, o que significa que Lin e Taduk são os únicos que eu posso confiar com isso. 


Bom… Inicialmente eu só queria falar para o Taduk, mas ele não consegue guardar segredo de Lin. Se ele ficasse escondido e desaparecesse sem falar com ela, eu tenho certeza que ela ficaria em seu quarto chorando por dias sem parar. Por mais que ela me ame, Lin é e sempre vai ser a garotinha do papai. Se ela não amasse dormir e odiasse lugares apertados e fechados, ela provavelmente estaria aqui ajudando ele. 

Felizmente, Taduk concordou com meu ponto de vista em como Energia é a mesma e estava disposto a se esforçar em aprender. Ansioso na verdade, tão ansioso que ele foi até a ilha do Yo Ling sem mim, indo e voltando em três dias apenas. Ele nem trouxe Wang Bao com ele, só gastou uma hora anotando algumas coisas antes de meter o pé no seu riquixá. Eu não sei como ele fez isso tão rápido e ele não vai me falar, mas eu imagino que ele teve ajuda de um dos amigos peritos dele. 

Infelizmente, meu Professor ainda não obteve sucesso. Eu ainda não entendi totalmente como runas funcionam, mas Taduk parece ter uma boa compreensão da situação. De acordo com a explicação dele, Inscrever uma runa não é tão simples quanto desenhar um símbolo em um objeto. Apesar delas serem chamadas de runas e Yo Ling as descrever como a linguagem da Energia, elas não são caracteres estáticos ou um sistema de palavras traduzível, porque energia não pensa como uma criatura viva, ela só… é. Runas é algo mais conceitual, que tenta ser ponte entre as intenções humanas e a lei natural, persuadindo a Energia Celestial para agir de um determinado jeito sem ir contra sua natureza. 

Basicamente, é mágica. Mesmo depois de meses tentando entender isso, meu entendimento sobre Inscrição de Runas é virtualmente inexistente. 

E mais ainda, as runas são baseadas no tamanho, material e formato do objeto a ser inscrito. Como eu entendo, quanto maior o objeto, maior a runa. É por esse o motivo que o Patriarca do OuYang fez runas de cinco jades de cores diferentes, para exibir sua habilidade. Enquanto o formato permanecia constante e é algo difícil de fazer menor que um anel, jades negra e verde são diferentes o bastante quando se trata de inscrição rúnica. Desde então, rumores dizem que ele prosseguiu para objetos maiores e runas melhores, inscrevendo elmos de metal e braçadeiras, apesar de ainda incapaz de trabalhar com aço ou peitorais grandes. 

Enquanto isso, meu Professor com escudos de aço grandes já que ele não queria desperdiçar o esforço em Inscrever um “chapéu defensivo”. 

Bobo, de coração gentil e egoísta. Esse é o meu Professor, mas eu não mudaria nada nele. 

Sem aviso, Taduk abre seus olhos e começa a trabalhar, seu martelo e cinzel dançam em suas mãos enquanto ele talha um padrão intrincado na superfície do escudo de aço. Enquanto visualmente impressionante, não é nada comparado com o trabalho invisível feito com controle magistral de Chi, tecendo-o dentro e ao redor do escudo conforme ele trabalha. Uma lasca aqui, um arranhão aqui, trocando cinzéis aleatoriamente enquanto ele trabalha com desenhos exponencialmente mais complicados no escudo. Um movimento errado e a inscrição está arruinada, mas Taduk continua com seu trabalho sem parar, focado, mas incontestado por esse trabalho mundano. 

Por incrível que pareça essa é a parte fácil. 

Depois de trinta minutos de inscrições, Taduk abaixa seu martelo e cinzéis e prossegue para o próximo passo sem descansar como requisitado pelo processo. Suas mãos se tornam borrões no ar enquanto ele usa as pipetas finas de vidro para trazer gotas para o escudo, meticulosamente passando pelo seu desenho talhado com cada fluído, pouco a pouco. Ele não só reveste o escudo nisso, cada líquido só pode ir por certas áreas onde de alguma forma serão formados os canais por onde o Chi vai fluir.

Só uma quantidade minúscula é usada em cada tentativa, mas os jarros só vieram com o bastante para mais ou menos sessenta tentativas. Agora que eles estão na metade, Taduk só tem mais duas ou três dúzias de tentativas nisso antes de precisarmos encontrar mais e quem sabe quanto tempo isso vai levar. Fazer isso sem atrair atenção indesejada vai ser difícil, especialmente já que precisamos manter Akanai e Baatar no escuro sobre isso até nós termos um modelo funcionando. Isso significa que nós não podemos usar Yuzhen ou o pai do Fung, nossas únicas opções realistas. Eu podia pedir ajuda para o Magistrado Tongzu, mas sem um Juramento, eu não estou certo se posso confiar nele, o que provavelmente significa que eu não deveria. 

Silvando afiadamente, Taduk bate no botão perto dele o qual abaixa o domo de metal no escudo e nada mais. Firmando o domo no lugar, Taduk cruza os braço e bufa enquanto uma explosão muda acontece, emanando do escudo que ele acabou de inscrever. 

E está aí o motivo de eu precisar construir um laboratório subterrâneo secreto. 

— Difícil, realmente difícil. — Taduk diz, já perdido em pensamentos. — É o movimento certo trocar peitorais por escudos. Escudos são uniformes em tamanho, peso e materiais onde peitorais precisariam variar em peso, altura, largura, profundidade e por extensão peso, mas as Runas mudam demais no processo. As notas são quase inúteis agora… — Remoendo sobre as notas enquanto fumaça sai do domo, ele começa a murmurar uma série de sílabas ininteligíveis, de alguma forma usando rima e cadência para determinar como a runa deveria ser talhada.

Como eu falei… magia. 

Minhas palavras de consolo são ignoradas enquanto Taduk me expulsa do quarto com um balançar da mão e uma promessa que ele vai descobrir o que fazer “logo”. Dando a ele um abraço de despedida, eu volto para as escadas um pouco mais triste do que antes, mas acalentado pelos esforços do meu Professor. Enquanto parte da motivação dele é curiosidade pura e sede de conhecimento, eu também sei que ele estudaria anéis Rúnicos se tivesse escolha. Já que muitas plantas medicinais milagrosas precisam de décadas, senão séculos ou milênios para reunir Energia Celestial suficiente, um item rúnico pode apressar as coisas o que seria altamente desejável para alguém que busca melhorar a vida das pessoas através de medicina básica. Em vez de trabalhar no seu próprio sonho ou me convencer a compartilhar o dele, Taduk está estudando como fazer escudos porque ele me quer seguro. 

 

Apesar de eu amar ele como um pai, eu sei que não é nada se comparado ao quanto ele me ama. 

 

Faz sentido. Não há amor maior do que o amor que um pai sente pelas suas crianças.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

1 Comentário

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!