DS – Capítulo 275

O fedor de sangue e tripas enche a loja enquanto eu ignoro os olhares assustados dos escravos e espero os guardas chegarem. Matar duas pessoas e incitar um leve pânico nas ruas provavelmente não é pouca coisa e, apesar de Baledagh, ter agido em autodefesa, tudo que nós temos é a nossa palavra, o que não é muito reconfortante. Eu não duvido que ele foi atacado primeiro, mas fora um Juramento, eu não tenho prova já que ninguém acreditaria nas palavras de um escravo, especialmente um que está a mercê de um possível assassino. 

Eu não sei como assassinatos são lidados no Império, mas eu assumo que vá para Divisão Disciplinar, os juízes, júris e executores do Imperador. Eu suponho que Juramentos sejam uma ferramenta conveniente de interrogação, mas eu odeio eles. Cada um é como um fardo metafísico pesando em mim, como uma corda no meu pescoço impossível de me livrar. Eu admiro Dastan por manter sua compostura com os Juramentos pesando em sua cabeça. Depois de limpá-lo dos Espectros, ele nunca mostrou indício algum de raiva ou ressentimento. Enquanto eu faço o que posso para garantir que ele e sua comitiva tenham bastante liberdade, eles ainda usam um colar metafórico em seus pescoços ligado a corrente em minhas mãos o que não pode ser agradável. 

Esperando encontrar prova que me absolva da culpa, eu me agacho para estudar meus quase assassinos ou sequestradores sem mexer na cena do crime. Olhando para as feições mutiladas do primeiro corpo, eu mentalmente digo, — Eu acho que você poderia dizer que nosso inimigo… perdeu o rosto. — Me movendo para estudar o corpo sem cabeça, eu adiciono, — Deve ter deixado ele com raiva o bastante… para perder a cabeça. 

AEEEEE!!!!!!!

Em vez de soltar uma risada entretida, a desaprovação de Baledagh enche minha mente. — Você não devia zombar dos mortos, Irmão. Eles eram nossos inimigos, mas ainda merecem respeito. O sem rosto jogou sua vida para comprar tempo para seu aliado e ambos morreram corajosamente e sem arrependimentos. Inexperientes em enganação, eles mostraram grande coragem e determinação, muito diferentes dos Corrompidos loucos que normalmente lutamos. 

Timidamente me encolhendo com sua repreensão, eu respondo, — Desculpa. Humor é meu mecanismo de defesa, me impede de entrar em pânico sobre alguém querendo matar a gente ou nos capturar, presumivelmente nos fazer querer estar mortos. Eu meio que torcia para estarmos acabados com esse tipo de coisa. 

Dando de ombros mentalmente, Baledagh dispensa minhas preocupações. — Quem quer que seja, eles falharam. Se eles mandarem quatro assassinos, então nós vamos abater os quatro. Mandem dez, matamos dez. Nós vamos prevalecer. 

— Bom, não que eu discorde, mas eu gostaria de saber quem mandou esses assassinos em particular e impedir eles de mandarem mais.

— Boa ideia Irmão, nós vamos ter nossa retribuição, em sangue e fogo.

— Aff. Sempre com sangue e fogo. Honestamente, isso parece tão exaustivo. — Não que eu tenha ideias melhores. Se eu descobrir quem está tentando nos matar, sangue e fogo parece uma resposta boa. Lutar no campo de batalha é uma coisa, eu escolhi estar lá, mais ou menos. Assassinos na cidade é outra coisa. Quem sabe que tipo de dano colateral eles podem causar? E se eles tivessem atacado na casa de chá, com Lin, Tali e Tate bem do meu lado?

Ah não… Baledagh disse que os assassinos encontraram ele na casa de chá. Se eles tiverem cúmplices, então eles poderiam tentar usar Lin e os gêmeos para nos atrair!

Correndo até a porta para salvar minhas pessoas queridas, eu imediatamente bato no que parece ser uma parede de aço e cambaleio para trás, caindo no chão.

Uau. Meus inimigos trabalham rápido. Como eles fizeram uma parede sem fazer barulho algum? E como eles estão fazendo o teto rodar? 

O único olho de Husolt aparece, circulando ao redor com um sorriso bem vilanesco colado no rosto. — Quem diria… pensando em fugir depois de matar dois homens? Você viu isso, garota? Nós pegamos um criminoso tentando fugir logo após o crime. Você acha que o Divisão Disciplinar vai nos recompensar?

Em algum lugar fora de vista, a voz de Li Song soa perfeitamente impassível. — Certamente, especialmente se considerarmos que esse criminoso tem patente alta. Nós fizemos um grande serviço para o Império. 

Ignorando a dor e tontura, eu tento me sentar, mas falho miseravelmente. As mãos grandes de Husolt me mantém firme, mas o mundo continua a girar, agora em mais de um eixo. — Você não entende. — Eu falo arrastado, tentando empurrar suas mãos para longe ao mesmo tempo que as agarro por apoio. — Eu preciso ir. 

— Desculpa moleque, mas o mal tem suas retribuições. Você deve sofrer as consequências de suas ações, não podemos aceitar você matando estranhos na cidade agora, podemos? Seria ruim para nossa imagem.

— Vocês estão me entregando? — As palavras saem sem pensar, soando como um nobre intitulado, indignado buscando escapar dos meus crimes. — Espera… Espera… — Pausando para organizar meus pensamentos, eu finalmente volto aos trilhos. — Eu não cometi crime algum e Lin precisa da minha ajuda. Ela pode estar em perigo, eu preciso i..  

— Se acalme moleque, nós só estamos te zoando, nada para se preocupar. — O tapinha “gentil” de Husolt não faz nada para me forçar em complacência submissa. A maior parte do tempo é fácil esquecer, mas de vez em quando algo me lembra que eu estou cercado por existências que podiam sem querer me esmagar com um espirro aleatório. — Lin e as crianças estão seguras, terminando seus lanches nesse exato momento. Como você acha que chegamos aqui? Os guardas dela notaram algo estranho e eu e a garota estávamos por perto, então nos pediram para checar você. Você está arruinando um passeio perfeitamente agradável de pai e filha, você sabia?

Sou inundado por alívio enquanto o quarto girante para e eu noto como Li Song sorri quando Husolt a chamou de filha apesar de estar a distância maior que um braço do ferreiro gigante com orelhas de urso. Eu não posso culpar ela. Apesar de suas intenções serem gentis, eu realmente queria que ele parasse de tentar me confortar. Eu acho que estou ficando com um hematoma. — Lin tem guardas? Como a mulher com véu rude e os lacaios dela?

Abafando uma risada, Husolt provavelmente concorda com minha opinião, mas é provavelmente educado demais para concordar. — Éee, algumas vezes eles, algumas vezes outros. Você sabe como é com pais, aquela lebre velha do Taduk é do tipo superprotetor, que mima sua filha. Desde seu encontrinho com os crocodursos em Shen Huo, tem sempre alguém de olho naquele doce de menina, um guardião nas sombras pode se dizer. 

Uau. Um guardião. — Deve ser legal. — Eu respondo, ainda tonto da minha colisão. Espera. — Mila tem um guardião também? — Por favor diga não, por favor diga não, eu estou tão morto se Husolt e Akanai descobrirem sobre a nossa alegria naquela tarde/quebrada de mão. 

— Nem. — Rindo, ele diz, — Minha dama velha acha que ter um guardião vai limitar o crescimento de Mila apesar dela se preocupar com a segurança da garota todo dia. Além disso, nun é fácil convencer peritos a bancarem a babá, só aquela velha lebre tem o necessário para fazer isso.

Hmm… Eu me pergunto se Taduk podia arranjar um guardião para mim também…

Depois de explicar a treta de Baledagh e seu pensamento excessivamente paranóico, eu ignoro os olhares incrédulos do par de pai e filha e me volto para os escravos. — Quando aqueles homens apareceram? Eles foram enviados por Yazhu?

Pressionados contra o fundo de suas gaiolas, os escravos se encolhem com a atenção e permanecem em silêncio, incitando uma bufada escarnecedora de Baledagh. — Todos eles são tolos imprestáveis e covardes, não fazendo nada para me avisar do plano deles. Como eles não poderiam entender que o destino deles estaria selado no momento que eu fosse capturado?

Respeito por seu inimigo e desdém para o fraco, meu irmãozinho, com certeza, se encaixa melhor nesse mundo do que eu. — Você não pode culpá-los. Eles estão com medo e impotentes, só tentando sobreviver para ver outro dia chegar. — Além disso, até o mais destemido dos guerreiros de Dastan ficou apavorado com a Aura de Baledagh e pelo visto ele ainda não aprendeu a ter um bom controle. Ele é ótimo em acertar seus inimigos, mas defender seus aliados? Não muito. Se amigos não ficarem paralisados pela Aura dele ou forçados a se defenderem, então nós podemos chamar isso de vitória. 

Com todo seu tempo gasto no Palácio Natal, Baledagh fez um progresso tremendo em suas habilidades, indo de nada até herói em meses. Ele dominou Afiar e Reforço e está trabalhando em Empuxar e Estabilidade, as quatro habilidades “passivas” básicas. Depois de condensar sua Aura, nós descobrimos que ele também tem minha habilidade de manipulá-la para projetar emoções diferentes, o que aparentemente é nosso Talento especial com T maiúsculo. Eu sou melhor em transmitir emoções mais leves, como coragem, determinação, amor e afeição enjoativa no geral, ao passo que Baledagh domina as emoções mais sombrias, como sede de sangue esmagadora e terror de gelar a espinha. Incapaz de experimentar eu mesmo, eu só tenho experiências de segunda mão , mas eu sinto que Saluk foi quem descreveu melhor. “É como, ser uma formiga e ver uma bota vindo te esmagar, né?”

Depois de muito esforço, uma mulher aterrorizada finalmente fala e explica o que houve. Depois de cumprir meu pedido por escravos em Shen Huo, Yazhu levou a caravana até a Muralha e chegou apenas algumas horas atrás. Quando todos estavam estabelecidos na loja, o atacante agora sem rosto saiu do nada e matou Yazhu, deixando o corpo  na parte de trás da loja onde ele jaz atualmente. Por um lado, é bacana saber que eu não fui traído pelo meu mercador de escravos associado e por extensão o pai do meu segundo em comando, mas agora minha investigação parece ter chegado a um beco sem saída. 

Husolt e Li Song não são úteis, saindo para evitar o fedor depois de se certificarem de que eu estou bem. É doce como ela está se esforçando para se dar bem com sua nova família e não só sentada no banco de trás passivamente e aceitando o amor e afeição deles. Tirando um momento para apreciar a união familiar fofa deles, eu continuo minha busca por pistas até que os guardas chegam, os quais prontamente saem do caminho para dar lugar ao BoShui seguindo quente na cola deles com sua comitiva inteira atrás, se movendo pelas ruas armados e prontos para ação. 

— Absurdo. — Ele diz, cuspindo nos corpos depois de ouvir minha explicação. — E pensar que eles ousam atacarem você aqui de todos os lugares? Meu tio não vai poupar esforços para encontrar os responsáveis por ordenar isso e nós vamos ter nossa vingança. — Me pegando pelo braço, ele me apressa até a porta para se reunir com Husolt e Li Song, que ficam atrás de nós enquanto a comitiva de BoShui forma uma barreira ao nosso redor.

— Éee, nós não deveríamos ficar? Caso os guardas queiram fazer perguntas para mim ou algo do tipo?

— Bobagem.— Ele responde, encarando cada sombra e canto como se esperasse assassinos saírem delas. — Você é um Subtenente. Você diz que aqueles homens mortos te atacaram, então eles te atacaram. Os guardas vão lidar com os corpos e você pode enviar alguém para recuperar os escravos em uma hora, mais ou menos.

— Espera, então como um Subtenente minha palavra é lei? Eu posso sair matando sem penalidades? Isso é absurdo.

Franzindo, BoShui balança sua cabeça. — Claro que não, mas se os homens que você matou foram injustiçados, então deixe que as famílias deles tragam o problema para o Divisão Disciplinar. É por isso que nós temos Adjudicador e Juízes. 

— Então o que teria acontecido se eu não fosse um Subtenente?

— Então os guardas teriam te levado em custódia, investigado e enviado você para um Arbitrador da Paz junto com o relatório deles, onde você esperaria punição. — Dando de ombros, BoShui continua, — Você é um homem de poder. Esses guardas não têm autoridade ou habilidade para te prender, apesar de você parecer pensar o contrário. — Trocando para Envio, ele pergunta, — Aqueles homens tentaram te matar, certo? Caso contrário, nós ainda podemos lidar com isso, mas… 

— Sim, eles tentaram me matar, mas isso não é certo. — Exasperado demais para me concentrar em Enviar, eu respondo alto, atraindo vários olhares enquanto sou escoltado pelas ruas coberto de sangue. — Ser um Subtenente não devia ser desculpa para minhas ações. Eu matei dois homens dentro da cidade, devia haver mais do que só “ah tá, prossiga”. — Eu acho que isso me irrita ainda mais do que a tentativa de assassinato. — Não há nenhuma lei? Nenhuma justiça para os fracos ou injustiçados? Como as coisas não viram uma anarquia? Isso… Não  está certo.

— Você está certo. — Husolt diz, sua voz grossa sobrepondo o som das botas marchando e ranger de armas. — Não há justiça no mundo. Força pessoal é a única coisa que você pode contar, uma lição que eu paguei caro para aprender. — Há um tom sombrio em sua voz e eu me viro para olhá-lo coçando seu olho ferido, perdido nas memórias do passado. — Trabalhe duro moleque. Você ainda tem um longo caminho. Colidir com a minha barriga quase te deu uma concussão, então pense no que vai acontecer quando eu realmente tentar te machucar.

Sabendo que ele não vai responder se eu perguntar sobre o olho, eu me distraio com outra coisa e digo. — … você não quis dizer “se”, em vez de “quando”? 

Com um sorriso demoníaco, Husolt ignora a pergunta e volta sua atenção para Li Song, fazendo uma conversa de mão única enquanto eles passeiam sem uma preocupação no mundo, me deixando marinar em ansiedade e temor. 

Mãe Misericordiosa, por favor me diga que as Pessoas não confundiram tradições de casamento como “derrotar o pai para clamar a filha”. Porque eles podiam muito bem chamar de “espancar o noivo até ele cagar sangue”. Esqueça Husolt, eu não acho que conseguiria vencer o Taduk. Apesar de eu nunca ter visto ele machucar ou matar qualquer coisa com suas próprias mãos, nem mesmo os coelhos que ele tão vocalmente odeia, ele é do tipo covarde e errante que não pensaria muito antes de enviar alguém para fazer seu trabalho sujo. 

E aqui eu pensando que sobreviver a afeição de Mila já seria difícil o bastante. Eu preciso ficar muito, muito mais forte no próximo ano ou dois.  

Depois de me escoltar até uma casa de banho requisitada pelo exército para me limpar e, então, de volta para casa onde Lin e os gêmeos estão me esperando, BoShui vai embora depois de prometer descobrir para quem meus atacantes misteriosos trabalhavam. Abraçado com Lin enquanto assistimos Tate e Tali brincar na neve, eu pondero sobre as implicações do ataque de hoje. Baledagh disse que os homens mortos tiveram treinamento de soldado e o inimigo mais militarista que eu tenho é a Sociedade. Eu duvido que seja o Clã Situ dado meu… relacionamento, não tão amigável, mas pacífico que eu tenho com o jovem patriarca deles  e definitivamente não é o Clã Han já que BoShui é tão devoto e zeloso que é quase desconfortável. E de novo, ele admitiu diretamente que pretendia desistir de sua posição como sucessor do Clã até eu limpá-lo dos Espectros, convencido que eu precisaria da sua ajuda na nossa “revolução” futura. 

Mãe me salve dos seus devotos fanáticos. Eu não mereço a fidelidade deles, eu só estou tentando ficar vivo nessa merda de mundo que eu parei. Além disso, eu estou bem certo que o tio de BoShui não está animado com o afeto dele comigo. Nós não contamos ao “Tio” BoHai sobre a nossa parada toda de Maculados, na maior parte porque BoShui admiti que seu tio não aceitaria bem. Han BoHai já perdeu sua filha para um extremista religioso e eu posso ver como isso parece com BoShui. 

 O que significa que esses assassinos ainda poderiam ter sido enviados pelos Clã Situ ou Han, meramente de uma facção interna diferente. Ou talvez Ancião Ming tem apoiadores buscando vingá-lo ou Sang Ryong não gostou que eu disse fora de mão e quer me fazer pagar, quem sabe. A Sociedade não é tão unida como eles fazem as pessoas pensarem, especialmente quando se trata de sucessão. Zian está invicto entre a geração dele e assegurou a posição de herdeiro aparente através de força pura e talento, mas sua mãe e tio são inimigos do Patriarca atual o que significa que ele não tem apoio da facção dominante. Enquanto há Guerreiros Marciais mais velhos, com mais conquistas, com quão longo eles vivem, sucessão geralmente pula uma geração com títulos passando de avô para netos. 

Assumindo que ninguém morra em uma revolta sangrenta ou algo do tipo. Acontece mais do que eu preferia pensar. 

BoShui é uma história diferente. Apesar de ser filho do Patriarca atual e um dos talentos na liderança de sua geração, ele descreve seu relacionamento com o pai como “alienado”. Han BoDing, o pai de BoShui, está usando BoShui como um cordeiro de sacrifício, nomeando seu filho prodigioso como seu herdeiro para atrair seus inimigos em se exporem e permitindo eles agirem contra BoShui enquanto BoDing protege seu verdadeiro herdeiro. Quem este pode ser é um mistério até para BoShui, o que torna a morte da Picanço – ou melhor BoLao, alguém que o tratava como família deveria, ainda mais trágica. 

Foda. Política. Olhe para qualquer clã, seita, escola ou facção no Império e você vai encontrar um número incontável de histórias como a de BoShui ou a de Zian. Eu não sei como Yuzhen acompanha tudo. Eu sou tão feliz que as Pessoas são fáceis de se dar bem, sem acordos por debaixo dos panos, cismas internas, com todos se dando bem em solidariedade perfeita. 

Espera…

Talvez eles tenham políticas internas e só eu que sou ignorante dos conflitos. É por isso que ninguém quer se juntar a minha comitiva? Eu sou um pária? Mas por que? É porque eu admiti que o Gerel é Maculado? Se sim, o Gerel é um pária como eu? Eu piorei as coisas para Baatar e Akanai ao admitir que quase me tornei um Corrompido?

 

 

Aff. Não tem coisa pior que política.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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