DS – Capítulo 285

Olhando para as estantes e gavetas vazias da minha yurt, eu sou subjugado por sentimentos de melancolia e desânimo. Com o interior esvaziado e minhas coisas empacotadas, havia pouca semelhança com a residência confortável que eu vivi neste último meio ano. Por mais que eu ame minhas família e amigos, eu sou uma criatura da solidão e essa tenda gigante me deu o primeiro gosto de independência real. Apesar de eu estar vivendo mais perto do que nunca dos meus vizinhos, era legal saber que eu tinha um lugar para voltar depois de um dia longo de treino árduo, um lugar que eu podia ficar de boa e relaxar ou ficar triste e preocupado em paz. Dentro dessas paredes forradas com couro, eu estava livre para fazer o que quisesse, fosse falar com voz de bebê e me aninhar com meus bebês peludinhos ou me encolher e chorar. Esse era o meu espaço seguro, um lugar onde eu poderia ser vulnerável onde fraqueza é desprezada. 

Não é só uma yurt. É o meu lar, o único lar que eu tenho sobrando considerando meu quase exílio dos Bekhai. Por mais que eu goste da vila, é difícil amar um lugar enquanto você sabe que ninguém te quer lá. Eu estava pronto para um começo novo aqui na Muralha, fazendo planos para construir uma casa e me contentar com a distância longa, mas o Imperador arruinou tudo. Tá, isso não é justo, os Corrompidos merecem mais crédito, mas ainda. Em vez de estabelecer minhas raízes, eu tenho que acabar com minha pequena residência rústica e empacotar tudo em um vagão, tudo para que eu possa ir para a Província Central junto com cada oficial, soldado e guerreiro que tem alguma porra. Considerando as ações do Imperador mostraram o quão pouco ele liga para seus servos, eu não tenho dúvida que as acomodações em Nan Ping serão abaixo da média no máximo, assumindo que alguma vai ser disponível quando chegarmos, então trazer as yurts e muita comida conosco parece prudente. 

Eu vou sentir falta daqui, cercado por fofura com todos meus bichos vivendo em paz. Bom, a maioria deles. Eu tive que expulsar Pafu e Suret porque os filhotes de quin estavam ficando ansiosos para provar pássaro e coelho. Eles estão ficando perto da yurt de Alsantset a despeito da insistência dela de que os quins ficariam felizes dormindo em uma toca. Essa é a minha irmã gente, de coração mole e boca suja. Enquanto isso, Lin continua sem arrependimento monopolizando Jimjam e os ursos todo dia, enquanto Sarankho se recusa a deixar a mamãe dela Li Song, o que me deixa apenas com Aurie e Mafu para me aninhar. Contrário aos instintos deles, os dois predadores gigantes ficam deitados e parados enquanto uma horda de coelhos bicornudos bebezins pulam por aí como bolinhas de pêlo, cheiradas na cocaína, dando cabeçadas ou trombando em tudo no caminho deles. Puxando Mamãe Coelhin, os coelhins não têm medo ou cautela, felizes em usar a barriga de Mafu como um trampolim ou o nariz de Aurie como alvo tudo isso enquanto enchem a yurt com o tamborilar dos seus pezinhos. Tomando conta da segurança dos bebês dela, Mamãe Coelhin está sentada na minha cama enquanto come tubérculos e dentes de leão, olhando para seu território com um olhar distante, mas satisfação ainda brilha nos seus olhos pretos lustrosos. 

Com o jeito que as coisas estão indo, eu tenho medo que a primeira casualidade dos coelhos vai ser resultado de agitação violenta demais. Apesar da cara de vadia em repouso e estupidez quase suicidas deles, os coelhins cavaram um lugar para eles no meu coração com seus comportamentos fofos. Eu tenho muitos nomes para escolher, mas já que vai levar alguns meses antes dos gêneros deles poderem ser determinados, Fulvo Um permanece como o único coelho nomeado. Uma puta pena que eu não tenho um coelho todo preto para chamar de Vinte-e-um³, eles fariam um par maravilhoso. Como está, Fulvo Um vai ter que ficar solteiro enquanto ele (ou ela) tenta forçar seu caminho entre os dentes de Aurie e dentro da boca dele. 

Tão estúpido, mas tão fofo.

Os coelhos não são minha única fonte de fofura. Se eu não os conhecesse tão bem, melhor, eu juraria que Roc e o grupo dele estão cismados em ganhar meu amor através de ingenuidade pura. Espalhados por cada canto da yurt, vários dos meus pássaros adoráveis usam galhos curtos em seus galhos para dar a eles mesmos uma coçada de cabeça vigorosa matinal, ambos um alívio bem-vindo e uma lindeza de se ver. Não só eu sou poupado de arrumar eles a cada manhã, mas eu não preciso mais levar bicadas que eles usam para dizer que já tiveram coçadas o bastante. Não foi preciso muito esforço para ensiná-los a usar as ferramentas, mas eles avançaram bem além das minhas lições, agora capazes de usar os mesmo galhos para abrir a gaiola deles e abrir armários. De primeira, eu me preocupei que Roc e os outros veriam os bebezins como um lanche, mas Mamãe Coelhin tinha tudo sob controle, sempre pronta para assustar qualquer pássaro esperto com uma cabeçada aérea e cruel. Kai Yay teve sorte que Mamãe Coelhin só acertou um golpe de relance e Taduk estava por perto para Curar ele, caso contrário a pobre da Yipi seria uma viúva agora. 

Não deve ser um problema por muito mais tempo. Alguns dias atrás, Diyako me informou que eles encontraram um material alternativo e não precisam mais das penas dos meus pássaros, então eu decidi libertar Roc e o grupo dele quando chegarmos na Província Central. Não é certo manter eles presos em uma gaiola para sempre e o Norte é frio demais para eles sobreviverem. Eu vou sentir falta deles, mas é melhor assim. Eu estou certo que eles vão amar voar por aí e vão me esquecer em uma decana. 

Malditos ninjas cortadores de cebola. Vão embora daqui, vão cortar cebolas em outro lugar. 

Além disso, agora que eu penso nisso, meu larzinho “relaxante” é uma grande fonte de estresse, sempre me preocupando se vou voltar para casa só para ver um banho de sangue de coelhins e passarins. E de novo, todo esse conflito e tensão não  é nada se comparado ao que me espera em Nan Ping, onde nobre arrogantes e guerreiros presunçosos vão se reunir em números nunca vistos antes. Eu consigo ouvir agora, os choros de “você sabe quem eu sou?” ecoando pelas ruas enquanto milhares de merdinhas mimados tentam pisar em todo mundo. 

Vai ser uma merda. 

Mesmo se nós fingirmos que a logística vai estar resolvida sem problemas, eu não consigo ver isso acabando em nada além de desastre. Assumindo que eu não ofenda alguém acidentalmente, o que eu dúvido considerando meu histórico, quem sabe, vai que todo mundo fica de boa? Com tantos moleques pomposos e psicopatas narcisistas reunidos em um só lugar, tudo que é preciso é uma fagulha para uma porradaria de proporções épicas explodir.

Eu preferia muito mais ficar aqui, mas com esse lance todo de “presença é obrigatória”, a decisão está fora das minhas mãos. Fora das mãos de todo mundo na verdade, incluindo as da lenda viva Nian Zu, que vai nos liderar no caminho para o sul. A despeito desse plano todo ser nada além de um jogo de poder do Imperador, nós não temos escolha além de participar. Nossa única outra opção seria ficar em casa e rezar para os Corrompidos arrasarem as Províncias Central e Oriental, então nos deixar sozinhos por algum motivo desconhecido. Caso contrário, quem quer que vença vai ir tampado para acabar com quem qualquer um que tenha ficado para trás, então aqui estou eu pronto para deixar o Norte desguardado para que eu possa ir para o sul bancar o escudo de carne para o Imperador.

Sério mesmo, que se foda aquele cara. 

Porém, para ser justo, não é como se eu pudesse oferecer outra alternativa. Tudo fora do Império é supostamente uma verdadeira terra erma, com o pergelissolo¹ indizível ao norte, desertos áridos a oeste e terras baldias cheias de vulcões escaldantes ao sul, o que significa que em população total, o Império tem mais várias vezes mais pessoas do que os Corrompidos. Infelizmente, em termos de força, nossas situações são revertidas. Só um por cento da população Imperial pode usar Chi, mas pelo que nós sabemos, cada Corrompido seja homem, mulher e criança podem usar o equivalente Corrompido. Adicione uns Demônios e possíveis traidores se escondendo entre nossas fileiras na conta e eu estou genuinamente surpreso que o Império sobreviveu tanto tempo. No passado, apenas as Três Muralhas e tendência de lutas internas dos Corrompidos impediam eles de conquistar o mundo todo, mas agora que o Inimigo se uniu e passou a Muralha Ocidental, o destino do Império está na balança. 

Reprimindo o pessimismo, eu volto a empacotar minhas coisas. Depois de colocar os coelhos de volta na gaiola deles e pôr os bebezins nos alforjes² de pele de cordeiro, eu saio da yurt para cumprimentar o amanhecer e dar uma última olhada nos meus arredores. O mar de yurts recuou com a minha sendo uma das últimas sobrando. Alguns dos Bekhai vão voltar para a vila nas montanhas, mas a maioria está indo conosco para a Central, incluindo Charok e os gêmeos. Com suas maria-chiquinhas esvoaçando no vento, Tate corre com uma bandeja coberta por um pano nas mãos, seu sorriso cheio de dentes enche meu coração com calor. — Bom dia Rainzinho. Eu fiz café da manhã com Papai, então coma agora, né? Ah, e Mamãe disse que está quase na hora de irmos, então para de enrolar e coma logo. 

O tom de Tate e postura traz perfeitamente o espírito da mamãe dela e a risada contida de Charok me diz que ele ouviu também. Carregando um Tali dormindo em seus braços, Alsantset finge não notar nossa alegria compartilhada e se vira para esconder seu sorriso. Enquanto Pran e Saluk desmontam minha yurt, eu como minha refeição e assisto a doce Tate brincar com Mafu e Aurie, tão cheia de risada e alegria enquanto ignorante dos perigos à espreita. Eu queria que ela estivesse voltando para a vila onde ela estaria segura, mas de novo, a decisão não é minha. Charok não vai ficar para trás enquanto Alsantset vai para a guerra e nenhum deles está disposto a deixar as crianças para trás. Eu não posso culpá-los por quererem manter a família deles unida. Apesar de ninguém querer falar isso alto, todos sabem que se a Província Central cair, é só questão de tempo até as outras também serem. 

Eu estou tentando ser otimista, mas a Mãe sabe que ela não está facilitando. 

Quando minhas coisas estão empacotadas e todos estão prontos, eu lidero minha comitiva e família até os portões da frente onde os outros Bekhai e soldados do Norte estão esperando para irmos. Vendo o riquixá de Taduk em meio a multidão, nós vamos nos juntar ele. Por perto, Akanai está no topo da carruagem dela com suas mãos atrás das costas enquanto ela escaneia a multidão, provavelmente mandando nos seus subordinados como ela ama fazer. Baloo e Banjo me cumprimentam com grunhidos alegres, parecidos com motores, enquanto Lin pula do riquixá para pousar levemente nas costas de Mafu. Se aconchegando nos meus braços, Lin boceja e fecha seus olhos, minha doce esposinha não acostumada a acordar tão cedo. — Oi maridinho.

— Oi esposinha. 

— Eu estava pensando. 

— Sobre o que?

— Papai disse que leva vinte e quatro dias para chegar na Sociedade, então dez dias de barco até chegarmos na costa de Nan Ping. 

— Sim. 

— Mas isso é com a velocidade dos vagões para fazer a viagem. 

— Verdade, mas nós precisamos dos vagões e de tudo que eles estão carregando. 

— Bom… e se nós deixarmos os vagões para trás e irmos na frente para visitar Ping Yan, né? — Liberando suas maiores armas, Lin abre seus olhos castanhos grandes, tão cheios de inocência fingida. — Nós podíamos ver a tartaruga e alcançar todos antes deles alcançarem a Sociedade. 

Franzindo o cenho, eu belisco suas bochechas. — Nós não estamos aqui para brincar e nós não podemos permitir que os quins se cansem antes de nós lutarmos com os Corrompidos. 

— Não precisa se preocupar com os quins. —  Aqui para proteger minha esposinha novamente, a Líder da Guarda e os lacaios dela chegam para apoiar Lin. Vestida em sua armadura de couro negro e véus escuros, eles são exatamente tão assustadores quanto eu me lembro. — Eles vão ficar bem contanto que nós os alimentemos bem. Além disso, nós temos mais de sessenta dias até o Equinócio de Primavera. Eu vou notificar Akanai sobre nossos planos. — E desse jeito, a decisão é feita a despeito dos meus protestos. 

Bom… fazer o que né. Poderia ser bom deixar os quins se exercitarem e eu prometi trazer Lin para ver a tartaruga. Se as coisas na Central não dessem certo, essa pode ser nossa última chance. Além disso, eu não quero começar outra discussão com a Líder da Guarda por algo tão idiota. Eu não vi ela desde meu quase exílio, mas eu não tenho ressentimentos. Ela deu sua opinião sem malícia ou ódio e eu não receio ela por isso. Porra, eu ainda acho que ela estava certa, mas isso não importa agora. 

Depois de uma pausa breve, Líder da Guarda pergunta, — Como estão os coelhos?

— Eles estão bem. — Levantando os alforjes na sela de Mafu, eu revelo quinze coelhos bebezins dormindo, cada um aninhado nos seus respectivos compartimentos. — Tokta disse que eles estão saudáveis, sem sinais de doença. Eles estão crescendo e ficando mais gordos a cada dia. — Taduk se recusa a tratar os coelhos, mas isso não me surpreende. Taduk supremacista das lebres não é melhor lado dele. 

— Bom, bom. — Para minha surpresa, Líder da Guarda pega um punhado de folhas e coloca um caule do tamanho de uma palma em cada bolsa, quase tão grandes quanto os próprios coelhos. Acordando com o cheiro, os coelhins começaram a devorar o petisco deles com vontade, a primeira vez que eu vi eles comer algo sólido. Sorrindo com o gesto doce, meus olhos se alargam alarmados quando eu noto o que ela deu para eles: folhas de idamare, uma erva rara e preciosa que precisa de Energia Celestial para crescer. 

Minhas preces chegam tarde demais quando Taduk nota também. — Vagabunda! — Ele chia, pulando sem peso de seu riquixá ficando entre eu e a Líder da Guarda, impedindo ela de alimentar os coelhos. — O que você está fazendo?

— Alimentando os coelhos. — Eu quase consigo ouvir o sorriso na voz dela, um tom provocativo. — Eu gosto de ver eles comendo. 

— Sua mulher odiosa, você está fazendo isso de propósito não está? Você sabe como eu me sinto so… — Costas retas em alarme, Taduk pergunta, — O idamare, onde você conseguiu ele?

— Em um platô a sudeste da sua casa nas montanhas. — Ah não, Taduk estava cultivando aquele idamare faz anos agora, mas algo me diz que ela sabia. — Que sorte, eu encontrei vinte e três ervas e plantas raras todas dentro de um dia andando da vila. Você realmente devia prestar atenção aos seus arredores, aquilo era um verdadeiro baú de tesouros debaixo do seu nariz. Eu colhi todas elas já que essas criaturas doces que seu estudante está criando vão precisar de muita nutrição para crescerem fortes e saudáveis. Ah, se você precisar de algumas ervas então pergunte e eu vou oferecer alegremente um preço justo. — Como se adicionasse sal na ferida, Mamãe Coelhin pula da carruagem de Alsantset e nos braços da Líder da Guarda, onde ela também recebe uma porção de petisco inestimável. 

— Você… Você… — Engasgando em suas palavras, Taduk fica roxo de fúria enquanto Lin pula da minha sela para acalmá-lo. Não vai ser fácil, Taduk planta aquelas plantas como seus filhos e cada uma dela está no processo de se tornarem cocô de coelho. Havia uma história por trás do relacionamento deles, é mais íntimo e familiar do que eu imaginava. Talvez eles já foram amantes na noite e eles terminaram, ou talvez Taduk trocou a afeição da Líder da Guarda pela de outra mulher. 

Ah, quão deliciosamente sórdido. Eu quero saber mais…

— Noivo horrível. — A voz de Mila me tira da minha imaginação, suas mãos em seu quadril e boca contorcida em um beicinho. — Você ia embora sem se despedir. 

— Nunca, meu amor. — Eu não pensei que ela estaria aqui para nos ver ir. Saindo da sela, eu a levanto como uma princesa e rio enquanto ela derrete nos meus braços. — Eu vou estar contando os dias até nos encontrarmos de novo. 

Beliscando minhas costelas, minha noiva fogosa com sardas descansa sua cabeça no meu ombro. — Não vai demorar. Eu vou terminar sua arma então Papai e eu iremos te alcançar o mais rápido possível. 

— Você não precisa fazer isso, você sabe né? Eu não preciso de outra arma, você pode ir com a gente agora. — Além disso, eu não estou muito animado com ela viajar com uma Arma Espiritual não vinculada em sua posse, sem mencionar eu andar por aí com uma.

Vendo minha preocupação, Mila bufa e revira os olhos. — Você se preocupa demais. Eu vou estar perfeitamente segura com Papai e um exército de Sentinelas do meu lado. É melhor que você vá embora primeiro, nós não podemos viajar com todos juntos e você não pode se atrasar. Você foi chamado pelo Imperador em pessoa, enquanto eu nem fui convidada. 

— Não fique com ciúmes. — Beijando ela na bochecha, eu adiciono, — Quando a Grande Conferência começar, o mundo finalmente conhecerá o seu valor. Eu estou ansioso para ver Capitã Sumila tomar seu lugar como o talento número no Império. 

— Hmph. Bajulação não vai te levar a lugar algum. — Experiência me ensinou outra coisa, mas um homem esperto não discute com mulheres. Não há vitória, mesmo se você estiver certo. Especialmente se você estiver certo. Me apertando, Mila enterra seu rosto em meu peito e Envia, — Fique seguro e não faça nada estúpido, tá bom?

Eu estou tão feliz que ela aprendeu a controlar o volume da voz dela. — Sim, meu amor. 

— E se você ver Yan antes de eu chegar, fale para ela que apesar dela não ter enviado uma resposta, eu falei sério no que eu disse nas minhas cartas. 

Sim, Yan não respondeu minhas cartas também, mas está tudo bem. Pelo que eu ouvi, ela está bem ocupada. — Tá, mas por que esse mistério todo? O que você disse? 

Ruborizando furiosamente, Mila me soca levemente. — Não é da sua conta, só se lembre de falar para ela. 

Cedo demais, chega a hora de nos separarmos e dói ver ela ir, mas antes que eu consiga processar minhas emoções, a voz de Yuzhen  ecoa para todos ouvirmos, se sobrepondo ao barulho da multidão. — Heróis do Império Ela começou, totalmente no seu elemento como Marechal do Norte. Cheio de banalidades insípidas e elogios triviais, o discurso dela é tecido para inspirar devoção e adoração para os ditos “heróis” enquanto não esquecia de agradecer as pessoas comuns pelo “apoio vital” deles. Seus elogios floreados fazem parecer que nós estamos indo para pôr um fim no próprio Pai, mas ainda ela nunca menciona sobre como estamos deixando o Norte vulnerável para algum ataque. De acordo com ela, nós vamos marchar para a Central onde os Corrompidos serão derrotados em uma batalha em campo aberto, organizada, elegante e totalmente inacreditável. Conforme o discurso dela chega ao fim, ela termina com,  — Estes são tempos difíceis em que nós vivemos. Unidos prevaleceremos, mas divididos cairemos. Para esse fim, eu peço a todos que esqueçam escola ou facção, clã ou seita, cidade ou província. Todos nós somos cidadãos do Império Índigo e, juntos, nós iremos mandar a escória Corrompida de volta para onde eles vieram!

Enquanto a cidade irrompe em vivas, eu não consigo não rir das palavras dela. Unido prevaleceremos, mas divididos cairemos? Se esse é o caso, então não há motivo para irmos para a Central. Nós estamos todos condenados. Pedir para as várias facções do Império para trabalhar juntas é como pedir para um porco não peidar, ambos absurdo e impossível. 

Tá, isso não está ajudando. O que eu preciso é de uma mentalidade positiva. Quem sabe? Talvez eu receba uma bela surpresa. Talvez, sob a ameaça crescente dos Corrompidos, as várias facções do Império vão se juntar e deixar de lado seus rancores e interesses próprios. Liderados pelo Imperador, nobres, oficiais e soldados comuns que sem distinção irão forjar novos vínculos e trabalharem em harmonia para superar as chances contra nós, repelindo o Inimigo assassino das nossas fronteiras  extinguindo a ameaça Corrompida de uma vez por todas. Nossa vitória irá inaugurar uma nova era de paz e prosperidade, uma era em que nós vamos lutar pela igualdade e liberdade de todos. 

 

E talvez vá nascer asas no Mafu e eu vou ter um quin voador. 

 

Quero dizer, coisas mais loucas já aconteceram.


1 Pergelissolo: basicamente, é um solo permanentemente congelado.

2 Alforje: bolsas em selas de cavalo, só que obviamente bem mais rústicas do que o exemplo aqui embaixo:

3 Vinte-e-um: para quem não gosta de jogar cartas, é exatamente isso, um tipo de jogo de carta.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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