DS – Capítulo 291

O Envio urgente chegou no momento que Akanai se sentou para jantar, uma guinada de eventos infeliz. Suprimindo um suspiro cansado, ela fechou seus olhos e massageou suas têmporas, lamentando sua indecisão de mais cedo. Desde que ela embarcou nessa jornada para o sul, ela comia todas as suas refeições virada para a Ponte como um jeito de se sentir mais próxima de sua família, mas alguns dias mais cedo, ela percebeu que não estava sendo justa. Enquanto Mila e seu marido estavam ambos no norte na Ponte, Li Song estava no sul com o garoto para ver a tartaruga gigante de Ping Yao. Uma coisa tão tola para ela se preocupar, que direção encarar na hora de sua refeição, mas Akanai ainda gastou alguns minutos agonizando sobre a decisão em cada refeição. Hoje, ela optou por encarar o oeste e ver o pôr do sol enquanto mantinha sua família em mente.

Ela estava ficando mole com a idade, mas tal era a vida. Ela preferiria muito mais ficar em casa e gastar tempo com sua família do que marchar para o sul pelo que poderia ser a última guerra contra os Corrompidos. Quando jovem, a ideia de guerra contra o Inimigo teria enchido ela com visões de honra, glória e aventura, sonhos de avançar com sua carreira e ganhar favor para as Pessoas, mas como Reitora Chefe dos Sentinelas, sua perspectiva era bem menos otimista. As batalhas a frente seriam sangrentas e duramente vencidas, com exércitos de milhões colidindo nas planícies abertas e planas da Província Central. Em uma guerra de proporções tão épicas, seus 15.000 Sentinelas, eram apenas uma mera gota no balde, vidas facilmente gastas por pouco.

Quantas de suas pessoas voltariam vivas? Apesar do “convite” do Imperador ser uma fraude e suas intenções claras, Akanai não tinha escolha além de aceitar a menos que ela quisesse viver em um mundo dominado pelos Corrompidos. Caso a Província Central caia, Norte, Sul e Leste logo seguiriam. A única esperança de vitória deles eram se unir e encarar a ameaça Corrompida, mas com sua experiência da última vez que ela visitou a Central, Akanai não estava muito otimista. Havia pouca chance que ela receberia uma oportunidade para afetar o resultado também. Apesar de ter uma patente alta, como uma mulher e meia-humana, era provável que ela seria menosprezada e excluída do comando, senão diretamente marginalizada e zombada. 

Saindo com Kankin para fora do acampamento, Akanai fumegava com raiva enquanto imaginava os comentários e zombaria que ela sofreria logo. Ela podia ouvi-los agora. “Uma Tenente-General com míseros 15.000 arqueiros armados querendo dar sua opinião em assuntos importantes? Que absurdo.” Ela tinha autoridade para comandar 360.000 soldados, mas ela trouxe menos que um vigésimo de seu exército total. Ninguém ligaria sobre os 10.000 Sentinelas deixados para trás a fim de guardar a Ponte, apesar da maioria serem cadetes e aposentados. Poucos ao menos notariam que as Montanhas da Tribulação do Santo tinham uma população de pouco mais de um milhão, o que significava que 2.5% de sua população conseguiram se tornar Guerreiros Marciais, mais que o dobro da média de 1% do Império. Não, tudo isso passaria despercebido e os números de seus Sentinelas seriam visto como uma piada ou ela seria acusada de evitar seus deveres.

Akanai rezava para que quem estivesse no comando veria o valor dos Sentinelas dela como escoltas, arqueiros e escaramuçadores em vez de simplesmente jogar eles no moedor de carne. Com sorte, o Imperador iria apontar soldados apropriados para liderar seu exército, guerreiros como Nian Zu ou Du Min Gyu. Senão…

Por mais que Akanai amasse seu país, ela amava seus Sentinelas mais e se recusava a ver a vida deles ser desperdiçada por algum tolo nobre ou intolerante de mente fechada.

Já que viajar em velocidade máxima para fora do acampamento causaria pânico, Akanai manteve Kankin se movendo em um passo calmo, o quin idoso ainda cheio de energia a despeito da viagem longa. Ele deveria ter se aposentado a muito tempo, mas Akanai não conseguia se forçar a substituir ele, o quin temperamental tinha um lugar querido e próximo ao seu coração. Ao chegar na borda do acampamento, ela direcionou Kankin para as sombras e usou seu Chi para Ocultar a fim de esconder a presença deles antes de partirem a galope. Lei Militar ditava que ela devia permanecer no acampamento enquanto o exército estava se movendo, mas as circunstâncias exigiam o contrário. Ela só esperava que não houvesse peritos prestando atenção aos movimentos dela, caso contrário ela seria acusada de abandono de dever ou, pior, desertar. 

Depois de viajar por um quarto de hora, Akanai se encontrou com Jochi esperando onde a mensagem disse que ele estaria, nervosamente pegando no pêlo de seu quin. — Idiota. — Ela Enviou, assustando o jovem elite enquanto ela saia da Ocultação. — Qual é a sua missão?

Dando a ela uma saudação apressada, Jochi respondeu, — Éee, se juntar à comitiva de Falling Rain, Reitora Chefe… Tenente-General… Senhora?

— Errado. — Dando a ele sua melhor encarada, ela foi até ele, internamente amando seu olhar de terror. — Sua missão é guardar Falling Rain. O menino é meu Grão-Discípulo, neto e futuro genro, tudo em um só, mas ainda aqui está você evitando seus deveres de novo.

Empalidecendo de medo, Jochi choramingava, — Mas eu estou seguindo as ordens dele… ele precisava que alguém Enviasse uma mensagem silenciosamente e nós não temos muitos Enviadores. Além disso, ele está seguro, guardado em segredo enquanto meu irmão vigia ele, eu juro. 

Verdade, mas Akanai queria frisar a importância de proteger o menino. — Oh? Como ele estava seguro nas muralhas de Sanshu ou cercado pelo exército de Yuzhen? Você deveria saber melhor a essa altura, problemas são atraídos ao menino como uma mosca atraída por mel. Se ele se machucar e eu descobrir que foi culpa de vocês irmãos, seria bom vocês fugirem para o fim deste mundo e rezar para eu nunca encontrá-los. Agora, me traga até ele. Eu estou curiosa para ver que novo problema ele encontrou. 

Assentindo como uma galinha bicando em grãos, Jochi virou seu quin e partiu, forçando o animal como se o próprio Pai estivesse perseguindo eles. Depois de lembrar ele de se Ocultar, Akanai seguiu atrás em reflexão quieta. Jochi e Argat eram ambos talentosos, mas seriamente em falta em auto-disciplina. Uma puta pena também, se não fosse pelas atitudes indiferente deles, eles poderiam um dia rivalizar o filhote ou possivelmente até ela própria considerando a abundância de talento natural deles, mas infelizmente, talento só os levaria até um certo ponto. Raramente haveria um gênio tão diligente e dedicado quanto o menino ou o filhote, e sem trabalho duro gênios estavam destinados a ficar atrás de seus iguais. Como eles estavam agora, eles não eram páreos nem para Tenjin e Tursinai, muito menos Alsantset ou Gerel.

Pelo menos Akanai podia contar com Alsantset para manter Rain seguro. Uma garota tão séria e persistente, capaz de acompanhar Gerel enquanto criava seus filhos, Sarnai e o filhote a criaram bem. E aqueles gêmeos, tão obedientes e adoráveis, Akanai rapidamente se viciou aos gritos deles de “bisa”. Uma pena que ela não adotou o filhote duas décadas mais cedo e estava lá para Alsantset na infância dela. Por mais diligente e talentosa que ela fosse, a beldade de orelhas de tigre ficava com olhos arregalados e tapada cada vez que Akanai se aproximava, esmagada por admiração ao ver sua heroína. 

Avistando um relance de branco nas copas das árvores, Akanai desacelerou Kankin e se virou, assobiando para cumprimentar o observador. Pulando das copas das árvores, Sarankho pousou diligentemente e arqueou suas costas em uma mostra de ambos o pato em suas mandíbulas e sua veste de seda chique. Rindo entretida, Akanai balançou sua cabeça em incredulidade. A caçadora orgulhosa era tão bem alimentada que não se importava por petiscos na selva, carregando ele como um troféu. Depois de dar Sarankho seu elogio merecido, a gata selvagem descartou o pato que foi prontamente pego e devorado por Kankin, mostrando a diferença grande entre companheiro e bicho de estimação.

Os bichos do menino eram a adição mais estranha a família nova de Akanai, mas ela estava feliz em acolher todos eles, mesmo se eles fossem um bando de ociosos, bons para nada, preguiçosos que vestiam camisas de seda.

Deixando Kankin aproveitar seu petisco, Akanai enviou Jochi na frente e seguiu Sarankho a pé, sabendo que a gata selvagem nunca se afastava demais e a levaria para Song. Qualquer que fosse o problema que o menino se meteu, não poderia ser muito sério já que Rain pediu por ela em vez do filhote. Relutante como ela era em admitir, seu Discípulo premiado estava bem melhor equipado para lidar com quaisquer disputas de facção que o menino possa ter se metido, um homem de fama e influência depois de ser reconhecido como sucessor de Nian Zu. Era um sentimento agridoce ser superada pelo filhote, mas seu orgulho ferido não era nada se comparado com a satisfação de ver ele ter sucesso.

Minutos depois, Akanai assistiu Sarankho entrar em uma clareira com cabeça e cauda erguidas antes de se sentar perto de Song que estava escovando um dos ursos gordinhos. Inclinando sua cabeça, Song acolheu a gata selvagem com um sorriso raro. — Sem presentes hoje, Sara? Sua gulosa, continue assim e você vai ficar gorda e preguiçosa como seus irmãos. — Sarankho fez um som de contentamento e fechou seus olhos enquanto Song continuava a escovar o urso, cantarolando baixinho uma das canções sem sentido do menino.

Ver sua filha em ânimos tão altos aqueceu o coração de Akanai. Ela queria que Song pudesse ser sempre assim, mas as feridas da garota demorariam para secar. Limpando sua garganta para não surpreender sua filha apreensiva, Akanai entrou na clareira com um sorriso. Doía ver o pânico e terror que apareceram por um instante no rosto de Song e ainda mais ver estes serem trocados por apatia fingida enquanto a doce garota voltava para seu casulo. Pondo o urso de lado, Song ficou de pé e cumprimentou Akanai com uma saudação, suas orelhas se mexendo para esquerda e direita com indecisão assustada. Abrindo seus braços para um abraço, Akanai parou no lugar e esperou Song vir até ela. — Olá filha querida. Mamãe sentiu sua falta. 

Exalando em alívio, Song correu para seus braços e abraçou com força, apesar de Akanai notar que a garota ainda não sorriu. — Olá Mamãe. — Ela disse, não adicionando “eu senti sua falta” ou “feliz em te ver” nem mesmo perguntando o motivo de Akanai estar lá. Era difícil dizer se Song amava eles de verdade ou estava meramente fazendo o que esperavam dela. Apesar dela ter melhorado muito nos últimos meses, Song ainda era reservada demais e tinha muito medo de passar dos limites, sabendo que seu tratamento bom poderia ser tirado em um instante. Pode levar anos até convencê-la do contrário, mas Akanai poderia esperar até Song estar confortável em ser ela mesma. 

— Eu nunca soube que você tinha uma voz tão linda para cantar, filha querida. — Deixando as coisas como estavam, Akanai beijou a testa de Song e riu enquanto os animais as cercavam. Contrário às expectativas dela, não havia rostos novos na multidão, deixando ela ambas aliviada e um pouco decepcionada. Ela esperava que o menino teria pego um panda-vermelho, já que o comportamento fofo das criaturas desajeitadas era famoso por todo o Império. — Você aproveitou a viagem para Nan Ping? 

— Sim Mamãe. — Mostrando sua falta de habilidades sociais mais uma vez, Song sentiu o silêncio e se inclinou no abraço de Akanai. 

Desnecessário repreendê-la ou corrigi-la, ela aprenderia com o tempo. Olhando ao redor, Akanai notou as fogueiras distantes da comitiva do menino e franziu. — Por que você está tão longe do acampamento? É perigoso ficar fora por conta própria? O menino está te assediando? — Ou pior? Rain não era nada senão um pervertido e Akanai não ficaria surpresa de saber que ele colocou seus olhos em sua segunda filha linda. 

— Não Mamãe. Aurie insistiu em vir até aqui. — Assentindo em direção ao acampamento, Song continuou, — Você deveria ir ver ele. Rain precisa da sua ajuda. 

Oh? Li Song taciturna e servil estava dando uma sugestão? E para ajudar o menino ainda por cima? Akanai estava destinada a perder suas duas filhas para Falling Rain? Que irritante. — Muito bem. Vamos voltar juntas então, vamos?

Dessa vez, Song hesitou brevemente antes de assentir em concordância, saindo do abraço delas para juntar os bichos e colocá-los nos carrinhos para a breve caminhada até em casa. Não era surpresa que Sarankho não comeu o pato, não só ela era bem alimentada e vestida em sedas caras, ela também era carregada para lá e para cá como uma princesa de quatro patas peluda. Que decadência, era assim que o menino pretendia criar os filhos dele? Enquanto não era o lugar dela intervir, Akanai não ficaria parada assistindo enquanto ele arruinava o futuro dos netos dela. 

Ou seriam bisnetos? Enquanto Mila era filha dela, Rain era tecnicamente o neto dela, deixando as coisas mais complicadas que o normal. Se Rain se tornasse genro dela, isso faria a relação dele com Baatar meio estranha, mas ela não poderia pedir para Mila se abaixar uma geração…

Antes dela conseguir entender sua família genealógica complicada, eles encontraram com o menino que estava indo para escoltá-las, com Argat e Jochi ao lado dele. Vendo os dois irmãos macacos finalmente levando o papel de guardas dele seriamente, Akanai deu a eles um aceno leve de aprovação antes de olhar seu neto. Seus olhos âmbar cheios de alegria e alívio ao ver ela, tingido com uma dose boa de culpa e vergonha como eles deveriam, ter sua Grã-Mentora correr para resolver os problemas dele. Ele parecia muito mais saudável ultimamente, se beneficiando muito da supervisão próxima do filhote. Em todos seus anos, Akanai nunca conheceu alguém como Rain, ele trabalhava tão duro que atrapalhava seu crescimento. Apesar de ainda magro e rijo, Rain não parecia mais alguém que passava fome e era mal nutrido, mas sim um jovem atlético de força e durabilidade surpreendentes. Depois de anos de auto-mutilação, parecia que seus anos de esforço estavam finalmente pagando, esse jovem compacto era páreo fisicamente para outros guerreiros marciais maiores. Enquanto ninguém o chamaria de lindo, ele era bonito o bastante e apesar de não ligar muito para sua aparência própria, ele possuía um charme natural e sorriso tranquilo que podia iluminar um quarto. 

Ele era só um menino, nem com vinte anos de idade. Se apenas a Província Ocidental tivesse aguentado por mais dez anos… Até cinco anos seriam o bastante. Esta era uma semente para ser nutrida e protegida, mas no clima de hoje, o Império não poderia arcar com isso. 

— Então, — ela disse meio zombeteira depois dos cumprimentos. — quem você ofendeu dessa vez?

— Ninguém. — A resposta do menino incitou uma pequena risada de Song e ele mudou seu tom rapidamente. — Quero dizer, não foi minha culpa. É sério dessa vez.

Ah Mãe amada nos Céus. — Explique. 

— É mais fácil eu te mostrar. — Liderando o caminho, o menino contou a história da jornada deles, até onde eles viram a tartaruga guardiã de longe. — A tartaruga foi incrível. Palavras não fazem justiça a ela. — Ele disse, olhando para Akanai com um sorriso.

— Mn, eu já a vi antes menino. — Apesar de Akanai ter chegado bem mais perto que um quilômetro quando ela fez a jornada com seu marido. O menino era tímido demais, naquela época, ela chegou tão perto que o Protetorado saiu para espantá-la, criando um pega pega enquanto ela tentava passar por eles e tocar na tartaruga só para ela poder se gabar disso para os companheiros dela. 

Ah, ser jovem novamente…

— De qualquer jeito, resumidamente, nós voltamos para o acampamento e, então, doze horas depois, ela apareceu. — Virando o canto, Rain apontou e suspirou. — E éee… aqui estamos nós. 

Por longos e silenciosos segundos, Akanai não entendeu o que ela estava olhando. Então, ela não conseguia acreditar em seus próprios olhos. Finalmente, ela aceitou a verdade pelo que ela era e fechou seus olhos, massageando suas têmporas novamente. — Você. Roubou. A tartaruga.

— Eu não roubei ela. Ela que me seguiu até aqui. — A despeito de seu tom atormentado, o menino foi a frente e afagou o pescoço da tartaruga, já a tratando como um de seus bichos. — Eu tentei me livrar dela, eu realmente tentei. Primeiro, nós pensamos que poderíamos correr mais que ela, mas a garotona tem pernas. Não deixe histórias te enganarem, essa tartaruga corre. — Rindo enquanto balançava sua cabeça, o menino continuou. — Então, eu pedi para todos viajarem na frente enquanto eu esperava ela dormir. Quando ela caiu no sono, eu tentei me esgueirar, mas não adiantou. Eu até tentei enganar ela dizendo que eu voltaria logo, mas ela nos alcançou depois de meio dia e ela parecia tão triste e traída que eu não consegui tentar isso de novo.

Ainda lutando com a verdade na frente de seus olhos, Akanai avistou uma criaturinha negra no topo do casco da tartaruga. Respirando fundo, ela contou até dez antes de confiar que conseguiria falar sem gritar. — Você pegou uma Lebre Caçadora das Nuvens também? Eu esperava você pegar um ou dois bichos, mas eu pensei que você sabia dos seus limites pelo menos.

— A lebre não foi minha ideia também. — Dando de ombros impotente, Rain disse, — Eu queria um panda vermelho, mas Alsantset disse não. Em vez disso, agora eu tenho uma tartaruga gigante que faz o que ela quer e uma lebre sedenta de sangue que se esconde no casco da tartaruga para que os coelhos não assediem ele. — Rindo, ele adicionou, — Eles podem não serem predadores, mas esses coelhos bicornudos jogam pesado.

Dando uma massagem em suas têmporas, Akanai abraçou a dor de uma dor de cabeça crescente. — Então, para o que você me chamou aqui? — Como ela deveria supostamente consertar isso?

— Éee… bom, então… Pingping, esse é o nome da tartaruga, ela éee… não pare de me seguir por razões desconhecidas. — Voltando para o lado dela, Rain Enviou, — Bom, eu acho que sei o motivo, mas eu vou explicar depois. — Voltando a falar alto, ele continuou,  — De qualquer jeito, os guardiões dela estavam felizes em seguir ela por aí depois que eles notaram que eu não estava forçando ela, mas quando nós estavamos prestes a deixar a província, eles disseram que eu não podia ir. Nós ficamos acampados aqui por dois dias te esperando.  

— Eu não acho que nós deveríamos matar essas pessoas, eles só estão tentando cuidar da Pingping.

Ela agora entendia a situação e a dor de cabeça de Akanai desapareceu em um instante. Menino idiota, ele não poderia matar eles mesmo se quisesse e por que ele o faria? Ele encontrou fortuna. Se ela tivesse sentido a menor possibilidade que isso aconteceria, ela teria enviado ele para ver a tartaruga a meses atrás. O mais provável era que tinha algo a ver com a gota da Água Celestial, mas ela nunca teria esperado que a tartaruga a notasse dentro de Rain. — Mm. Eu entendo. Vá cuidar da tartaruga, eu vou falar com o Protetorado. — Indo em direção à clareira “vazia”, ela se virou seu rosto para a resposta mais forte de seus testes. Não, essas pessoas estavam tentando se esconder então ela devia procurar o mais fraco e, dessa forma, mais bem escondido. Depois de encontrar seu alvo, Akanai juntou suas mãos em saudação. — Esta aqui é a Tenente-General Akanai das Pessoas, Reitora Chefe dos Sentinelas e Mensageira das Tempestades. Quem eu tenho a honra de falar?

— Hmph. — A figura escondida apareceu em sua visão quando este liberou sua Ocultação e o estômago de Akanai se revirou enquanto ela estudava o homem familiar bronzeado. Disfarçado como um lenhador comum, o chapéu de palha do homem escondia o que Akanai sabia que eram orelhas exatamente iguais às de Mila, triangulares com pêlo vermelho e branco. Sua barba e sobrancelhas brancas, longas, luxuoso tremiam enquanto ele a repreendia sem ligar para qualquer um dos títulos dela. — Tenente-General, e daí. Reitora Chefe, e daí. Mensageira das Tempestades e daí! Nos olhos deste senhor você sempre vai ser a pivetinha que fez minhas pessoas brincarem de pega pega pela maior parte de um mês porque ela não tinha nada melhor para fazer.

Engolindo sua ansiedade, Akanai se curvou apropriadamente enquanto xingava esse velho que recusava a deixar o passado para trás. — Cumprimetnos, Venerável Guano Suo. Me alegra vê-lo novamente. 

— Porra nenhuma. — Se recusando a honrá-la, o velho maldito, rabugento desdenhava. — Não precisa das suas palavras floridas, a Tartaruga Divina não pode sair da Província. Já que ela gosta do menino, então ele também não pode ir, fim da história. 

— Certamente. — Akanai disse, gesticulando para a tartaruga enterrada no chão. — Leve ela para longe ou a impeça de nos seguir, mas o menino foi chamado pelo próprio Imperador. Rain deve partir e logo.

— Aff. Uma garota do tamanho dela vai aonde bem quiser e ela está apaixonada pelo menino. — Cuspindo na terra aos pés dela, Guan Suo encarou Rain. — Porra de moleque. Devia ter matado ele quando o vi pela primeira vez. Marquei ele como um dos seus, mas eu não pensei que ele era o Falling Rain. — Provavelmente ainda considerando matar o menino, Guan Suo perguntou, — Sua reputação é merecida?

Escondendo sua animação, Akanai assentiu. — Tudo e muito mais. Meu Grão-Discípulo é um…

— Aff, um sim ou não é tudo que eu estou procurando, não precisa se gabar. — Pegando um cachimbo, Guan Suo o encheu e acendeu, fumando um pouco  enquanto adiava o inevitável. Com um suspiro cansado, ele jogou suas mãos para o ar e se virou. — Chame ele aqui.

Ficando em silêncio depois de Enviar sua mensagem para Rain, os segundos se esticavam em uma eternidade enquanto Akanai esperava ele chegar. Menino maldito, quando sua Grã-Mentora te chama, você deveria vir correndo. Quando ele chegou finalmente, Akanai sinalizou por silêncio e pôs um braço nele, fazendo seu melhor para não tremer de emoção. Com suas costas viradas, Guan Suo continuou fumando seu cachimbo, mantendo silêncio por longos minutos antes de falar. — Onde a Tartaruga Divina vai, nós vamos para protegê-la. Falling Rain, o Protetorado pede para se juntar a sua comitiva. 

Vendo sua testa franzida, Akanai quase bateu na cabeça do menino por puro pânico, preocupada que ele possa ofender alguém temperamental como Guan Suo, mas Rain ficou de boca fechada e buscou orientação dela. Garoto esperto. Assentindo, ela o incitou a responder rápido e isso ele fez. — Claro, eu acho.

— Isso é tudo.

Tão aliviada que as coisas deram tão certo, Akanai pegou o menino e o trouxe para longe. Beliscando seu rosto ainda franzindo, ela Enviou, — Por que essa cara amarrada? Você não está satisfeito?

— O que você achar melhor, Grã-Mentora, é só que… eles só estão se juntando para proteger a tartaruga certo?

— Sim. — A tartaruga te segue por aí, então os benefícios devem ser claros. 

— Então eles não vão aceitar ordens, mas eu ainda vou ter que pagar pela comida e abrigo deles. E, provavelmente, vou ter que dar a eles armas e armaduras também, eu não posso aparecer com um bando de lenhadores na minha comitiva. Porém, eu não vou pagar um salário para eles, se eles não vão acatar ordens então…

Balançando sua cabeça, Akanai revirou seus olhos e sorriu para os jeitos mesquinhos de Rain. Rico além da imaginação, mas ainda aqui estava ele reclamando sobre comida, abrigo e salários.

 

Ainda assim, um pequeno preço a se pagar para ele ter uma Besta Ancestral como guarda-costas. 

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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