DS – Capítulo 298

Para o Norte! Adiante!

Sentada em silêncio num canto, Song segurou um suspiro conforme Mestre Rain drenava sua tigela de vinho em um gole só. Ao lado dele, irmão marcial Fung e jovem patriarca BoShui faziam o mesmo conforme celebravam a vitória desnecessariamente bárbara de Mestre Rain sobre seus oponentes fracos. Esperando a comida deles chegarem, ela se aproximou da janela do restaurante a fim de afagar o pássaro risonho descansando no peitoril da janela. Apesar de Mestre Rain os ter libertado há muitos dias, todos os vinte pássaros escandalosos o seguiam como se fossem filhotinhos emplumados voadores, com frequência trazendo botões roubados ou pedaços de carne em troca de atenção e comida.

Mestre Rain certamente tinha um jeito com bichos, como era evidenciado pela pobre tartaruga esperando nas ruas, bisbilhotando o segundo andar do restaurante como uma dona de casa barulhenta espiando seu marido. Enquanto isso, uma torrente constante de plebeus fiéis e curiosos passavam por perto, ignorados pelo objeto da atenção deles e mantidos afastados por um contingente de Guardas Reais. Alguns dos espectadores pararam para se ajoelhar enquanto outros choravam de alegria, fazendeiros, mercadores, donos de lojas e trabalhadores, todos estavam gratos pela presença da Tartaruga Divina. Como eles reagiriam se soubessem que a Serva da Mãe era chamada “Pingping”? Eles seriam mais ou menos reverentes ou nada mudaria?

Não que isso importasse. Por agora, não havia alma viva em Nan Ping que não ouviu sobre o decreto do Embaixador. A presença da Tartaruga Divina era um sinal da Bênção da Mãe e que Falling Rain era responsável pela segurança da mesma. O jovem Embaixador era um homem esperto, usando Pingping para inspirar devoção, elevar a moral e indiretamente implicar que a Mãe aprovava a decisão do Imperador de abandonar o Oeste. Tudo bobagem, mas ao julgar pela fila sem fim de pessoas esperando para ver Pingping, parece que o plano dele foi um sucesso.

Então, como a pessoa que trouxe Pingping aqui, Mestre Rain agora aproveitava o favor e proteção do Embaixador Imperial. Junto com as várias regras postas em prática para manter a Primeira Grande Conferência Imperial de se transformar em anarquia e derramamento de sangue, isso garantia que os nobres da Central pensariam duas vezes antes de agir contra Mestre Rain, especialmente as famílias dos oito jovens derrotados. Na verdade, aquelas oito famílias podem até enviar peritos para proteger Mestre Rain já que eles seriam os bodes expiatórios perfeitos para outras facções ferir ele.

Agradado pelos carinhos gentis de Song, o pássaro risonho doce pulou do peitoril da janela e planou até o colo dela para um aconchego a mais. O bater das asas atraiu a atenção de Mestre Rain, que se inclinou e sorriu. — Oi Yipi. — Ele disse, mãos perigosamente perto do corpo de Song enquanto ele afagava a cabeça do pássaro. — Bom ver que vocês duas estão se dando bem.

Se encolhendo por causa das atenções dele, Song assentiu e ficou em silêncio, rezando para que Mestre Rain não ultrapassasse seus limites. Era sempre estressante quando outra pessoa além de Mamãe, Irmã ou Lady Lin segurava a corrente de Song e duplamente estressante quando essa pessoa era Rain. Se ela soubesse que eles iriam dar uma pausa para jantar, ela teria se arriscado e pedido para Mamãe dar a corrente dela para a Guerreira Ghurda em vez, uma estranha completa. Ansioso para voltar a treinar, Subtenente Huushal não ficou por perto esperando os Guardas Reais limparem um caminho. Em vez, ele, Guerreira Ghurda e o ancião meio-lobo curioso partiram as ruas laterais pequenas demais para a Tartaruga Divina passar. Se Song tivesse ido com eles, ela provavelmente já estaria de volta no acampamento com sua corrente firme no pescoço de Lady Lin em vez de sentada aqui em um restaurante com três homens meio bêbados e pervertidos.

Soando estranho com uma gargalhada estridente, Roc chegou voando para sua parte da atenção. Distraído, Mestre Rain deixou Song sozinha a fim de apaziguar o pássaro gordo em seu ombro. Silenciosamente contando sua sorte, Song fechou seus olhos e esperou o medo diminuir. Normalmente, estar perto desses três não a preocupava muito, mas voltar para a Província Central trouxe de volta memórias que era melhor serem esquecidas. Pelo menos, eles não estavam em um quarto fechado privado, em vez disso eles estavam em uma mesa no segundo andar aberto a vista de uma multidão de outros clientes. Um estabelecimento simples e utilitário, o restaurante não podia ser considerado de luxo, mas o fluxo de visitantes a Nan Ping fez os preços se elevarem muito, o que significava que os clientes eram em sua maioria guerreiros bem pagos ou mercadores ricos, nenhum dos dois tipos feliz em dividir o lugar com Roc e Yipi. Apesar dos outros pássaros permanecerem no lado de fora, era só pela menor das margens enquanto eles permaneciam nos peitoris das janelas, rindo e grasnando por migalhas. Mestre Rain tinha a maior parte da culpa, atraindo olhares sombrios cada vez que um pássaro soltava um grito distinto e arruinava o ambiente uma vez pacífico.

Que infortúnio. — Da mesa ao lado deles, Major-General Han BoHai balançou sua cabeça e disse, — Jovem herói Rain, eu beberia em sua honra, mas parece que minha tigela está vazia.

Pegando seu jarro de vinho, Mestre Rain se apressou para encher a tigela do homem. — Perdoe minha falta de visão, por favor deixe que eu encha mais uma tigela para você. Não precisa me honrar hoje, os eventos de hoje não foram nada digno de nota, só esmagar algumas ervas daninhas e madeira podre. — Apesar dele falar alto o bastante para todos ouvirem, os outros clientes estavam com medo demais do Capitão da Guarda Real também sentado lá, cuja tigela Rain também encheu. — E você, estimado Capitão, obrigado pelo seu trabalho duro de limpar o caminho até nosso acampamento.

Um homem sério e arrumado, talvez uma década mais velho que Song, o Capitão aceitou a bebida graciosamente com um sorriso. — Fique com seus agradecimentos jovem herói, o Embaixador manda e este aqui obedece. — Mestre Rain também despejou tigelas para as escoltas de BoShui, as únicas outras pessoas na mesa. Do lado de fora, um Guan Suo mal vestido estava sentado com seu próprio jarro de vinho, fumando seu cachimbo e fazendo companhia para Pingping, os quins e os outros Guardas Reais, enquanto a temível Líder da Guarda estava desaparecida.

O que significava que Song era a única mulher restante na delegação inteira, as outras ficaram para trás ou já voltaram para o acampamento.

Depois de brindar com os guerreiros mais velhos, Mestre Rain voltou para sua mesa para mais uma rodada com seus amigos. Compartilhando um brinde silencioso, eles trocaram olhares e sorriso meio-escondidos antes de beber o licor de gosto péssimo deles. Terminado com a troca secreta deles, Mestre Rain quebrou sua tigela no chão e gritou, — Mais vinho!

Mãe dos Céus. Bochechas rosadas e palavras arrastadas, Mestre Rain já estava bêbado. Preocupada que ele não aprendeu de erros passados, Song olhou para o Major-General em busca de ajuda e descobriu ele sorrindo para o comportamento desagradável dos homens mais novos. Ele não sabia de nada? Mais uma ou duas tigelas e Mestre Rain se transformaria em um moleque beligerante e arrogante, um que tinha a parrocha de exigir que um General de Brigada se curvasse para ele. Não, isso foi a anos atrás, quando ele não tinha patente. Agora, como um Subtenente de Segunda Classe, quem Mestre Rain não insultaria?

Preocupada que ele pudesse inflamar mais uma disputa, Song quase não notou Mestre Rain chegando sua cadeira mais próximo dela. Com seu maior medo prestes a acontecer, ela rapidamente se afastou enquanto fingia não notar as intenções dele. Engolindo suas lágrimas, ela xingou baixinho e lamentou a escolha pobre em homens de sua irmã. Três tigelas de licor era tudo o que precisava para ele mostrar seu eu verdadeiro, um bruto infiel e devasso que pensava em tirar proveito de uma pobre escrava. Limpando sua garrafa, ele pôs sua mão na mesa e balançou seus dedos para chamar a atenção dela, dizendo sem palavras para ela pegar a mão dele e cumprir sua parte, mas Song continuou fingindo ignorância e encarando a janela. Se ele queria tirar proveito, então ele teria que forçá-la com os Juramentos e no momento que a corrente dela caísse nas mãos de outra pessoa, ela revelaria os crimes dele.

Depois de um silêncio longo, Mestre Rain suspirou e se afastou, uma vitória pequena para Song. Se preparando para a próxima tentativa dele, ela se recusou a olhar para trás enquanto ele conversava com os comparsas dele. Afetados pelo bom humor e bebida, a conversa deles se transformou em uma zombaria dos oponentes derrotados de Rain alta o bastante para as outras mesas ouvirem. — Quando aqueles almofadinhas de cara pintada da Central entraram no palco. — Fung disse, engasgando suas risadas. — Eu esperava um massacre e você certamente não desapontou. O olhar na cara daquele primeiro idiota quando você mandou ele voando quase me fez chorar de tanto rir.

Irritada pela falta de discrição, Song inspecionou o lugar e notou muitos punhos fechados e mandíbulas cerradas. Negligente dos perigos, BoShui falou. — Aff. Eles receberam o que mereceram. Você é Falling Rain, o talento número um no Norte e eles enviaram um grupo de combatentes incompetentes para lutar contra você. Eu estou surpreso que ninguém mijou nas calças.

Suas palavras causaram alguns xingamentos baixinhos mesmo enquanto Fung gargalhava de alegria. — Por que Rain não deu tempo o bastante para eles! Acabou com cada um com um só golpe! Oito contra um e aquilo mal foi um aquecimento, que vergonha.

Se acalmem vocês dois. Vocês foram demais. — Logo quando Song temia que os outros clientes explodiriam com raiva, as palavras de Mestre Rain sem saber apaziguou a multidão. Então, ele continuou a falar, fazendo Song desejar que ela nunca partido da Província Norte. — Não foi difícil, dificilmente vale a pena falar sobre. Vocês três poderiam ter feito o mesmo e também o Huu, Mila, Dastan, Zian e provavelmente mais uma dúzia. Quero dizer, a parte mais difícil foi não matar sem querer aqueles maricas mimados. — Suspirando enquanto despejava outra tigela, ele adicionou, — Eu deveria ter esperado isso. Um pai tigre não vai ter um filho cão, nem um pardal tem um filho gavião.

Em meio as risadas altas, um cliente vizinho bateu um punho na mesa, causando palitinhos e copos de porcelana caírem no chão. — Selvagem audacioso, você foi longe demais! — Os outros clientes ecoaram seus sentimentos e a multidão se juntou a eles em murmúrios irados e calúnias fervorosas.

Nós somos uma terra de pardais sem gaviões, não somos? Um pavão rústico e selvagem espanca um bando de almofadinhas mimados e ele acha que é o presente da Mãe para o Império.

Sem rivais sob o Céu minha bunda. Na cara de pau, talvez.

Me ouçam! Eu gostaria de ver ele cruzar lâminas com um membro do Hwarang. Eles cortariam ele sem nem suar.

Ignorantes de toda a raiva direcionada a eles, BoShui mal conseguia conter sua risada. Batendo na mesa e pisando no chão, seu rosto ficou vermelho de tanto rir enquanto ele perguntava, — O Hwarang?! Os Cavaleiros Floridos? Que medo.

Vendo seu sarcasmo, o quarto ficou quieto o bastante para ouvirem a resposta de Fung. — O símbolo deles deve ser a insígnia do crisântemo sem dúvidas.

Os três idiotas explodiram em mais risadas conforme a multidão ficava de pé, enfurecida pela calúnia aos seus heróis. Se encolhendo, Song pôs Yipi de volta no peitoril da janela e se preparou para lutar. Guerreiros jovens de elite sonhavam em se juntar ao Hwarang, o título era dado aos cinco guerreiros mais fortes com menos de vinte e cinco anos. O único jeito de se tornar um era vencer um duelo público e tomar o lugar deles, compondo uma competição assassina de fama e fortuna.

Assustado pela fúria da multidão, Mestre Rain segurou sua risada e tossiu, balançando a mão para os outros fazerem o mesmo. — Não precisam menosprezar nossos aliados — Ele admoestou, antes de se virar para a multidão. — Eu estou certo que esses éee… cavaleiros cheirosos são oponentes formidáveis. Eu estou ansioso para conhecer eles.

Escolha suas palavras com cuidado. — Fung desdenhou, — Você não ia querer passar a impressão errada. Eles podem pensar que você quer se juntar a eles.

Bufando baixinho, Mestre Rain o silenciou e continuou a falar com a multidão, cuja fúria alcançou novas alturas. — Parece que houve um mal entendido. Eu estava meramente falando bobagens, sem ofensas.

De fato. — BoShui disse, mostrando um desdém bem praticado. — Quando você disse que suas palavras eram para a Central? Você poderia muito bem ter falado que o céu é azul ou a água é molhada. Algum de vocês questiona a veracidade das nossas palavras?

Issae. — Disse Fung, se levantando enquanto encarava os outros. — Se vocês cretinos ignorantes acham que essas palavras descrevem a situação da Central, então vocês só podem a culpar a si mesmos.

Bem dito. — BoShui exalava desdém enquanto virava suas costas para a multidão. — Arrogância da Central típica, pensando que tudo é sobre eles e pulando para conclusões precipitadas.

Chega do seu sofismo. O que é dito não pode ser desdito. — A multidão abriu caminho para revelar dois nobres jovens velados ainda sentados na mesa deles, bebendo vinho como se nada estivesse errado. Suspirando, o jovem nobre vestido em trajes vermelhos esvaziou seu copo e balançou sua cabeça. — Um vinho tão bom, arruinado pelo coaxo de sapos no fundo de um poço.

Concordo. — Disse o jovem nobre de azul, removendo seu véu para a surpresa audível da audiência. — Mas como membros aposentados, como nós podemos ficar sentados sem fazer nada enquanto o Hwarang é caluniado de forma tão cruel?

Verdade, mas ainda problemático. — O nobre em vermelho também removeu seu véu e Song endureceu em surpresa já que ela reconhecia o rosto pintado por baixo. Tam Taewoong, o Asura Benevolente, usando mais delineador e pó de arroz do que qualquer homem tinha direito de usar. Isso significava que o homem de azul era provavelmente, Ryo Geom-Chi, a Espada Radiante. Melhores amigos e grandes rivais, por cinco anos, eles lutaram pelo título de talento jovem número indiscutível da Central, mas não mais. No começo do ano, ambos chegaram a idade de vinte e cinco e, dessa forma, não se qualificavam mais como “talento jovem”. Não que isso importava, ambos ainda estavam listados no Rol de Peritos do Império, então pelo visto, Mestre Rain e os amigos deles chutaram um ninho de vespas.

Verdadeiramente algo que ela não sabia se devia rir ou chorar.

Movendo mesas e cadeiras para o lado, a multidão abriu um espaço grande conforme os dois peritos se aproximavam. Braços cruzados e cabeça erguida, Ryo Geom-Chi apontou para BoShui. — Venha a frente. Eu consigo relevar as palavras da criança bárbara, mas você é velho o bastante para saber o que não deve ser dito. Venha, eu, seu pai, Ryo Geom-Chi, vou te ensinar uma lição.

Filhote sem vergonha! — Dessa vez, foi o turno do Major-General de acertar a mesa, sua voz amplificada com Chi assustou todos os presentes. — Desde quando eu tenho um irmão tão entediante?

Conforme Ryo Geom-Chi empalidecia de medo, o Capitão da Guarda bêbado dispensou todo o otimismo de Song com um balançar de sua mão. — Relaxe, Major-General. — Ele disse, rindo enquanto ele limpava seu queixo. — Não precisa levar a sério as palavras dele. Deixe a geração mais jovem resolver os conflitos deles próprios. — Pegando uma insígnia para todos verem, o Capitão da Guarda de rosto vermelho balançou ela. — Contanto que todos vocês lembrem das diretrizes do Embaixador. Mantenham suas armas guardadas e se contenham. Eu odiaria transformar essa tarde relaxante em trabalho de verdade, entendido?

Depois de se curvar para o Capitão da Guarda, Ryo Geom-Chi sorriu para o jovem patriarca em pânico, que estava olhando ao redor em busca de ajuda. — Não tema. — Geom-Chi zombou, — Por respeito ao Embaixador, eu vou deixar você ficar com sua vida de cão.

Vendo a relutância óbvia de BoShui em colher o que ele plantou, a multidão ria e zombava, pronta para ver ele se ferrar. Com um suspiro pesado, Tam Taewoong balançou sua cabeça e gesticulou para Fung dar um passo à frente. — Não vamos desperdiçar o tempo. Nossa comida vai chegar logo. Vamos cuidar dos dois ao mesmo tempo. — Olhando para Mestre Rain e Song com desprezo, ele bufou e adicionou, — Eu não quero pessoas dizendo que eu, Tam Taewoong, assedio crianças ou escravos. Permaneçam sentados e aprenda bem sua lição, moleque.

Trocando olhares, Fung e BoShui deram de ombros e se levantaram para encarar seus oponentes. Contrário ao seu comportamento tímido, BoShui tomou a iniciativa de se aproximar de Tam Taewoong, um erro nos olhos de Song. Enquanto ele poderia ter uma chance com a Espada Radiante sem espada, o Asura Benevolente era um mestre do combate desarmado, que nem o próprio BoShui. Olhos estreitos, Tam Taewoong se ofendeu com a decisão de BoShui, sendo julgado como o mais fraco dos dois. — Você escolheu mal. — Ele disse, falando com os dentes cerrados enquanto ele fechava seus punhos. — Eu pretendia deixar o Geom-Chi lidar com vocês dois porque ele não pega tão pesado, mas agora você provocou minha ira. Tome cuidado e tente não morrer, tolo. Eu acho difícil conter minha força quando… 

Ignorando o aviso de Taewoong, BoShui abriu com um direto de esquerda que quase passou as defesas de seu oponente. Rosnando de raiva, o Asura Benevolente avançou em BoShui com uma série de chutes e socos, todos defletidos ou desviados com uma batida audível de carne contra carne. A multidão dava vivas e gritava pedindo sangue, suas vozes ficando mais forçadas conforme a partida continuava. Assistindo o caos se desenrolar, Song inclinou sua cabeça em confusão conforme BoShui trocava golpe por golpe com um ex-Hwarang. Que curioso, BoShui não estava mais forte ou rápido do que o normal, mas a performance de Taewoong a deixou decepcionada. Quando antigo Mestre Kai ordenou que ela acompanhasse o filho dele Jin-Tok dia e noite, ela foi sortuda o bastante para testemunhar a ascensão a glória de Taewoong, o duelo no qual ele derrotou seu oponente e se juntou ao Hwarang pela primeira e única vez. Naquela época, ela pensava que ele era um dragão entre homens, muito acima dela em ambos força e habilidade, mas agora, só cinco anos depois, ele parecia em falta a despeito de seu histórico oficialmente invicto.

Ele ficou preguiçoso ou estava se segurando? Não para menosprezar o trabalho duro de BoShui nesses últimos seis meses, mas como ele poderia se igualar ao Asura Benevolente?

Não, se igualar. As vivas morriam nos lábios deles, a multidão ficou em silêncio conforme se tornou óbvio qual lutador tinha vantagem. Enquanto os ataques de Taewoong eram incapazes de perfurar as defesas de seu oponente, o contrário não era verdade conforme BoShui acertava golpe após golpe, todos mirados no rosto pintado do Asura Benevolente. A partida continuou até Taewoong levar uma combinação esquerda-direita impressionante que fez ele cambalear ao ponto de quase cair. Apoiado pela multidão, eles impediram o herói local deles de cair enquanto ele arfava e chiava. Cosméticos manchados por causa do suor e sangue, Taewoong parecia patético se comparado ao ofegante BoShui, o vencedor claro nos olhos de todos. — Seu nome? — Taewoong perguntou, sua voz arrastada por causa dos lábios inchados.

Juntando suas mãos em saudação, BoShui respondeu, — Han BoShui, Discípulo e Perito do Império.

A multidão trocou olhares questionadores e alguns deram de ombro impotentes até uma voz hesitante perguntar. — … o Tigre de Papel do Clã Han?

Fazendo careta, Taewoong encarou quem disse isso. — Se ele é um tigre de papel. — Ele disse, voz escorrendo fúria, — Então o que eu sou?

Enquanto Taewoong se afastou para cuidar de suas feridas, Ryo Geom-Chi permaneceu no lugar, despreocupado pela perda de seu amigo. Olhando Fung de cima a baixo, ele disse, — Então você deve Tong Da Fung, campeão da Competição.

Discípulo de Akanai e Perito do Império. — Fung respondeu, dando seu sorriso presunçoso, auto-satisfeito, ficando de pé com suas mãos atrás das costas. — Sem mencionar jovem magistrado de Shen Huo e solteiro mais belo e elegível em todo o Norte. — Se dirigindo a multidão, ele adicionou, — Não esqueçam de contar para as suas irmãs.

Ignorando as palavras frívolas de Fung, Geom-Chi sorriu. — Eu ouvi dizer que você é um espadachim. Seria uma pena te encarar sem uma arma em mãos.

Fingindo um tremor, Fung se afastou em asco fingido. — É enervante admitir, mas eu estava pensando o mesmo. Armas de prática?

Depois de checar com o Capitão da Guarda que deu seu consentimento magnanimamente, ambos homens trocaram armas cegas para inspeção. Com sua espada de volta em mãos, Fung balançou ela em um circuito lento, se aquecendo para partida em mãos. — Faz um tempo desde que eu lutei com uma espada, mas vai ser bom a prática.

Hmph. Não precisa de desculpas. — Ficando em posição, Geom-Chi mostrou seus dentes. — É sua honra ser derrotado pela Espada Radiante. Que a luta comece!

A multidão não deu vivas ou provocou, nem havia o tinido de aço batendo em aço conforme os dois guerreiros se encaravam no segundo andar do restaurante transformado em um campo de duelos. Os únicos sons escutados eram o de passos e o vento correndo conforme eles iam para lá e para cá, atacando e contra-atacando sem nunca tocar lâminas. Song nunca viu Fung usar uma espada, mas ficou maravilhada pelo seu nível de habilidade alto. Cada vez que Geom-Chi se movia para atacar, Fung contra-atacava com um golpe mortal dele próprio. Percebendo isso e indisposto a aceitar um empate, Geom-Chi trocaria para uma defletida em tentativa de tirar a espada de Fung do caminho e vencer uma vitória limpa, mas Fung recuaria sua espada e evitaria contato. Quando os papéis estavam trocados, a mesma sequência de eventos aconteceria, levando a um tipo de impasse único que ela só leu sobre antes.

Em falta no quesito espetáculo, ambos os combatentes dançavam de posição em posição sem nunca atacar, mas nos olhos de Song, essa era uma verdadeira partida de lâminas e inteligência. Nenhum guerreiro se cometendo a um golpe porque fazê-lo significaria destruição mútua. Em vez, eles testavam as defesas de seu oponente de vez em quando a procura de uma abertura e não encontravam nada já que ambos estavam empatados. “Arremesso da Presa” contra-atacado por “Pingos de Chuva Flutuantes”, “Mordida Inversa” estragado por “Emboscada Escondida”, “Partindo a Grama Rasteira” repelindo “Perfurar o Horizonte”, essa era uma verdadeira dança de espadas, um teste de pura habilidade. Velocidade, força, vigor, tudo estava em segundo plano comparado com habilidade e apenas ela determinaria o vencedor.

Então, tão rápida quanto começou, a partida terminou com um único tinido de suas espadas, tremendo conforme ambos os combatentes davam um passo para trás. — Boa luta. — Fung disse, juntando suas mãos.

Retornando o gesto, Geom-Chi assentiu e exalou. — Você me deixou vencer.

Verdade. — Fung deu de ombros. — Eu ouvi que a terceira filha da família Ryo é uma coisa linda de se ver, então você pode me apresentar ela como pagamento.

Eu vou considerar. — Geom-Chi sorriu e adicionou. — Se você conseguir me vencer. Seria minha honra te encarar de novo.

Ótimo, agora todos saiam do caminho. — Interrompendo a conversa deles, Mestre Rain dispensou a multidão. — A comida está pronta tem um tempo, mas o garçom não consegue passar.

Dispersando como um bando de soldados obedientes, os espectadores puseram suas mesas e cadeiras no lugar conforme todos os quatro duelistas voltaram para seus assentos e se prepararam para comer, fingindo que nada aconteceu. Estendendo sua mão mais uma vez, Mestre Rain descansou seu punho na mesa e assentiu em direção a ele. Finalmente entendendo suas intenções, as bochechas de Song queimaram de vergonha. Ele não queria que ela segurasse a mão dele, ele queria que ela fizesse contato físico para que ele pudesse Enviar. Por que ele não só pegou o pulso dela?

Talvez por que ele não queria assustar ela?

Eae. — Rain Enviou no momento que os dedos dela tocaram seu pulso. — Desculpa te preocupar. O Major-General notou aqueles dois bonitões e nos disse para começar uma briga. BoShui precisa elevar a reputação dele antes do papai dele chegar e isso era uma oportunidade boa demais para deixar passar. Com o Capitão da Guarda aqui, nós não tínhamos que nos preocupar com nossos oponentes indo longe demais ou reclamar com o Embaixador, apesar de aqueles parecerem ser mais ou menos caras legais.

Assentindo, Song retirou sua mão e esperou permissão para comer. Tam Taewoong e Ryo Geom-Chi, dois jovens peritos proeminentes que lutaram de igual para igual contra BoShui e Fung. Vendo o respeito invejoso e admiração rancorosa ganhados pelo jovem patriarca e seu irmão marcial, Song sentiu uma pontada de inveja. Ela era mais forte do que ambos, mas ninguém nunca a respeitaria ou admiraria , nem se ela derrotasse os quatro de uma vez sozinha. Não, ela era meramente uma escrava, uma ferramenta, uma arma, alguém que nunca poderia trazer glória para Mamãe ou os Bekhai.

Ah, desculpa. Se sinta livre para comer, Tia Marcial. — Pondo uma escolha de carnes na tigela dela, Mestre Rain sorriu e adicionou, — Não precisa esperar, você está entre amigos aqui.

Olhos arregalados com o banquete na sua frente, Song deixou de lado seus lamentos e aproveitou a comida. Era bobo quanto isso deixava ela feliz, ter alguém para colocar comida na tigela dela. Nem qualquer comida também, mas todas as iguarias da Central que eram previamente negadas a ela como Pato de Nan Ping, Camarão de Cauda de Fênix, olho de jade defumado e sopa de ninho de pássaro. Mordendo a coxa de pato suculenta e saborosa, Song fechou seus olhos e saboreou o gosto, contente com sua vidinha feliz.

 

Melhor aproveitar enquanto ela podia. Quem pode dizer quanto duraria esses tempos bons?

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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