DS – Capítulo 308

Deitado em uma cadeira reclinável em meu barco de recreio emprestado, assisto com alegria clara enquanto a casa mercantil do Grupo Comercial Canston é arrasada por Pingping. Infelizmente, minha alegria dissipa ao ver quão perturbada ela está com meu esquema mesquinho, fazendo tudo que ela pode para voltar para o meu lado. A despeito dos meus cinco minutos de vantagem, Pingping me alcança facilmente enquanto não mostrava sua cortesia costumeira para os outros barcos de recreio e embarcações de carga no caminho dela. Movendo uma quantidade massiva de água com seu corpo gigante, sua passagem causa ondas enormes, quebrando em seu rastro e quase afundando alguns barcos próximos. Fingindo timidamente não notar sua situação difícil, eu me levanto e me apoio no corrimão do barco enquanto minha perseguidora carente dá uma cabeçada no barco pela insatisfação de como eu tratei ela. Esticando sua cabeça para encontrar meu sorriso forçado, eu estico a mão para afogar seu nariz. — Eae. — Eu falo murmurando enquanto ela se aproxima mais. — Ficou preocupada? Desculpa por aqui, mas eu esqueci… 

O mundo fica escuro por um instante, então tudo volta ao normal. Piscando para clarear a cabeça, eu arfo para encher meus pulmões enquanto meu peito queima em agonia fumegando, encontrando o mundo se rearranjando ao meu redor. Não mais me inclinando nos corrimões, eu me encontro deitado de costas, ensopado e encarando o céu vazio. Rostos desconhecidos me encaram e sussurram atrás da cabeça gorda, peluda de Mafu, o quin preocupado bate seus dentes enquanto checa se eu estou vivo. Eu estou, mas não estou certo se quero estar considerando que acabei de uma levar uma sova de uma tartaruga cuspidora. Abraçando Mafu por reflexo e necessidade de conforto, finalmente inspiro dolorosamente com um gemido gutural. Ensopado em saliva de tartaruga e provavelmente sofrendo de uma leve concussão, fico deitado e choro um pouco, usando o pêlo quente e grosso de Mafu para esconder minhas lágrimas.

Olá, Mãe? É o Rain. Sua tartaruga de estimação é uma valentona abusiva. Por favor mande ajuda. 

Enviando a multidão para longe sem dizer nada, me aconchego debaixo da barriga quente de Mafu e espero a dor aleijante no meu peito diminuir. Ainda enfurecida por minhas ações, Pingping dá cabeçadas no barco de vez em quando até fazer tudo tremer, mas já que ninguém está gritando ou correndo por aí, eu assumo que ela está tendo cuidado para não quebrar nada. Essa é uma razão que eu fiquei tão confortável em usar ela como minha arma de destruição em massa, sua relutância estranha em não machucar nada que ela não considere comida. Ela é uma tartaruga gigante tão educada, bem comportada, que tenho 95% de certeza de que ela não esmagaria ninguém, não de propósito pelo menos. Além disso, a maior parte da casa mercantil ainda está de pé, apesar de que com um buraco do tamanho de uma tartaruga gigante no meio dela, então eu estou confiante de que Pingping causou zero casualidades em sua destruição frenética. 

— Hmph. — Através do pêlo grosso de Mafu, eu consigo ver os sapatos gastos de Guan Suo de pé no deque. — Ainda está vivo menino? — Ainda incapaz de falar, eu estico minha mão e dou um sinal de “okay”, só para lembrar tarde demais que eles não entendem isso. Ainda assim, a mensagem foi transmitida, e Guan Suo diz, — Não posso dizer que eu sinto pena de você. Tente isso de novo e eu vou fazer pior, me entendeu?

Dando um dedo do meio para ele, dessa vez rezando para ele não entender também. Verdade seja dita, eu não esperava que meu plano impulsivo desse tão certo. Eu pensei que Pingping fosse esmagar algumas muralhas em sua pressa para chegar no rio, mas eu acho que ela não é tão esperta quanto eu achava. E de novo, ela estava incrivelmente aflita com a minha “escapada”, então eu imagino que ela escolheu a rota mais direta até a água. Quero dizer, ela poderia ter descido a rua e dado a volta pela casa mercantil, mas eu acho que ela não quis porque isso teria afastado ela ainda mais. 

Nota mental: pensamento racional e dinossauros em pânico não andam de mãos dadas. 

Finalmente capaz de respirar livremente, eu rolo Mafu para o lado e olho minha camisa acabada. Enquanto eu encaro o dano feito, Guan Suo assobia em admiração. Vermelho e inchando, o impacto do tamanho de um punho vai logo ficar roxo e feio se eu não fizer algo sobre, mas com a minha cabeça ainda rodando, eu precisar de mais uma hora ou duas antes da cabeça parar de rodar o bastante para eu me Curar. Provavelmente eu rachei meu crânio no deque quando Pingping me mandou voando. Concussões são um problema sério, mas eu acho que mereci. Não só por ser um idiota com a tartaruga apegada demais, mas também por ser um cuzão no geral.

Logicamente, eu entendo que os porquinhos lá atrás não eram os mesmos porquinhos que me atormentaram seis anos atrás. Eles eram muito mais bonitos que seus irmãos, sem todas as marcas de espinhas e bochechas gordas e feias, mas quando eu vi aquelas orelhas marrons, enroladas e moicanos negros ouriçados, meu mundo ficou vermelho com ira. A comida impalatável, a água suja, o trabalho extenuante e o tormento humilhante, ainda está tudo fresco na minha mente como se fosse ontem. Afogado em minhas memórias, tudo em que consegui me focar era no quão vulnerável e impotente eu era na época. Apesar de pretender tratar o Grupo Comercial Canston só um pouco pior do que tratei os outros, quando vi aqueles guardas porcos, senti a necessidade de mostrar que eu não era mais aquele mesmo escravo impotente, que mudei.

Então, enganei Pingping para quebrar a porra toda e agora estou pagando o preço.

Valeu a pena? Depende. Se isso é o fim de tudo, então acho que sim? Senão…

O barco treme debaixo de mim e eu volto para a realidade. Tendo perdido a paciência com minhas “excentricidades”, as cabeçadas de Pingping aumentaram em ambas intensidade e frequência, como se exigisse que eu me mostrasse e me explicasse. Com um choramingo miserável e mudo, me arrasto até o corrimão do barco e lentamente levanto meu olhar acima do barco, me encontrando olho a olho com a tartaruga irada. — Por favor não cuspa de novo. — Eu imploro, me encolhendo quando ela abre sua boca. Ah Mãe eu vou chamar o Raul. Depois de vomitar meu café da manhã na água, eu limpo meu queixo e murmuro, — Desculpa, tá? Meu erro, não vai acontecer de novo.

Batendo no barco com seu bico, o barco balança violentamente de um lado para o outro e eu perco minha pegada fraca no corrimão. Rolando para frente e para trás no deque, eu finalmente me estabaco no lado do barco, de ponta cabeça e em posição perfeita para ver Guan Suo de pé na boa. Eu culpo o Imperador por tudo isso. Se ele não tivesse me mandado vir até Nan Ping, eu estaria sã e salvo na minha yurt na Muralha, livre da opressão dessa tartaruga assustadora e tirana. 

Quando meu barco emprestado para de repente, a pirraça violenta, mas ainda razoável de Pingping também termina. Submergindo a maior parte de sua cabeça nas águas, ela deixa apenas seus olhos e narinas para fora e faz beicinho, uma conquista impressionante para quem não tem lábios. Depois de me certificar de que a tripulação ainda está toda no barco, eu peço para o capitão encontrar um lugar para aportar que também permitirá que Pingping volte para as ruas com danos mínimos, mas eu temo que o barco emprestado não vá sobreviver a viagem toda. Avistando minha comitiva, eu ignora suas risadas abafadas e grito ordens, dizendo para eles onde me encontrar e enviar um esquadrão para pegar Lin e uma muda de roupas. Eu preciso encontrar um alfaiate e mandar fazer roupas novas, do jeito que as coisas estão indo eu vou estar vestido em trapos no fim da decana.

De algum jeito, eu me encontro de pé na frente da minha irmã sorrindo, com Pingping quente atrás de mim. Beliscando sem misericórdia minha bochecha, Alsantset Envia, — Não se preocupe irmãozinho. Caso o céu caía, haverá outros para segurá-lo.

— Obrigado. — Eu respondo, incapaz de me focar o bastante para Enviar. — Desculpa.

Ignorando os sorriso mudos e olhos encarando da multidão ao nosso redor, digo a mim mesmo que é irracional pensar que todos já ouviram sobre mim levando uma coça de uma tartaruga. Todos eles estão encarando porque Pingping é uma visão rara. Ah porra, se notícias do abuso de Pingping se espalharem, o Embaixador vai tentar apontar um novo Atendente? Se ela seguir outra pessoa por vontade própria, vou dar uma festa e celebrar, mas as chances são que vou ser rebaixado de Atendente Divino para isca de tartaruga, forçado a obedecer meu substituto. Merda.

E de novo, não estou muito preocupado em ser punido por destruir a casa mercantil. Pela primeira vez, eu realmente pensei bem nas coisas. Oficialmente, a Tartaruga Divina está aqui por livre e espontânea vontade como um sinal da Bênção da Mãe, então se eu for punido pelas ações dela, isso implicaria que tenho controle sobre ela e, dessa forma, sou a razão dela estar em Nan Ping, o que contraria a declaração oficial. Nesses tempos desesperados, o Embaixador precisa manter a moral alta e Pingping serve a este propósito admiravelmente. Deixar passar minhas ações por causa de um mera companhia mercantil deve ser um preço pequeno a se pagar. No pior dos casos, vou ser repreendido por não guiar apropriadamente Pingping e ser forçado a pagar pelos danos ou algo do tipo. 

Pelo menos, é o que eu espero. Com minha raiva desaparecendo e remorso entrando em seu lugar, estou preocupado que não pensei bem o bastante, ou que minha lógica é… razoável demais para os habitantes deste mundo. Ai. Mercadores idiotas e suas posturas idiotas. Por que eles não podiam só cumprir a parte do acordo deles? Eles forçaram a minha mão, me fizeram sair para lidar com a merda deles e agora eu que me ferrei. Minha reputação cuidadosamente construída não vale de nada agora, ninguém vai me respeitar como um guerreiro quando as pessoas souberem que fui vítima de abuso de tartaruga. Provavelmente, eu vou ter mais vinte desafios me esperando quando eu acordar amanhã de manhã, todos no nome da justiça ou alguma outra tolice. 

Eu já consigo ouvir: “Se a Tartaruga Divina está punindo Rain, então ele deve ser do mal”, ou alguma outra desculpa levemente velada para chutar minha bunda.

Haaa. Por que eu não consigo ser um bom menino e pedir para Akanai cuidar de tudo? Nãoooooo, eu tinha que pegar minhas calças de garotão e tomar conta dos meus próprios problemas. Participar de jogos estúpidos, ganhar prêmios estúpidos. Eu deveria ter saído para o mar com Taduk e a Líder da Guarda. E daí se eles discutem silenciosamente sem parar e Mamãe Coelhin não consegue escolher uma só direção para viajar? Uma nadada relaxante parece muito bom agora. 

Magicamente me teletransportando para o lado de fora do único restaurante em Nan Ping que eu patrocinei, parece haver um problema. Fazendo uma pirraça mais uma vez, só que menor, a perna massiva de Pingping está bloqueando meu caminho para entrar no prédio. Me afastando com nada de gentileza, parece que ela não quer que eu saia da vista dela depois dos meus esquemas de antes. Tonto demais para discutir, eu falo  para todos aproveitarem sua refeição sem mim e eu atravesso a rua cambaleando para esperar ao lado do palco de duelos com Guan Suo, Pingping e os bichos que realmente me amam, meus gatos e ursos doces.

Véi… Não sou só eu quem está pagando pela comida de todos, eu paguei ainda mais para reservar o restaurante todo para que ninguém perturbasse a gente… Que merda.

Chegando logo após com um bocejo fofo, minha linda esposinha para por tempo o suficiente para ouvir sobre meus problemas, checa minhas pupilas e me dá uma muda de roupas antes de me abandonar para entrar no restaurante. Usando minha camisa rasgada, dois vagões, o corpo grande de Pingping e um pouco de criatividade, eu monto um vestiário improvisado nas ruas enquanto xingo internamente a tartaruga apegada demais. 

Sabe o que? Hoje a noite, vou dar a ela água para limpar os pés. Vamos ver se ela gosta. 

Uma chamada de gato oportuna faz meu coração acelerar e eu corro para cobrir minha vergonha em pânico, mas tarde demais quando eu noto que era só uma piada e ninguém consegue ver meu corpo magro nu. Paranóico demais para fazer o contrário, eu mudo de roupas o mais rápido que posso e saio totalmente vestido, completo com bochechas vermelhas e careta feroz, procurando pelo idiota que me assustou. Ignorando a risada vindo de cima, eu arrisco uma hérnia e levanto Banjo para dar um belo abraço de urso. Com quão rápido ele está crescendo, eu não vou conseguir fazer isso por muito tempo enquanto vou muito bem aproveitar enquanto posso. Vindo até mim para sua parte justa de afeição, Baloo ganha uma coçada de cabeça vigorosa. Próximo de nós, Aurie e Jimjam brincam de cabo de guerra com minha camisa rasgada enquanto Sarankho olha curiosamente para todos os estranhos passando. Na frente da rua, Roc e seu grupo assediam minha comitiva em busca de comida, tendo me abandonado completamente quando viram que eu não tinha petiscos. 

Apesar de saber que eu deveria ficar acordado depois de uma concussão, o pêlo macio de Banjo, a perna flexível de Pingping e o calor do sol da tarde me fazem dormir. Infelizmente, o encontro com os porcos trazem memórias antigas e meus sonhos inquietos são assombrados por fantasmas do passado. Feios e disformes, Gortan segura ambas as minhas mãos no lugar com uma sua, enquanto brandia um pequeno par minúsculo de alicates na outra. — Tão limpas e bonitas as unhas docê. — Ele diz, me encarando com seus olhinhos lustrosos enquanto eu luto para me livrar. — É com o ver uma folha de grama crescendo nas rachaduras, implorando para ser esmagada, ah nunca consigo resistir.

Mesmo sabendo que não adiantaria, eu imploro e choro enquanto os alicates se aproximam da minha unha, mas não há misericórdia. Eles são um bando de sádicos cruéis e inumanos, que sentem prazer em ouvir nossos gritos, sempre se esforçando em encontrar jeitos novos e criativos de fazer nossas vidas miseráveis. Eu lembro desse dia e de tantos outros como esse. Gortan estava entediado e minhas unhas chamaram sua atenção enquanto ele tinha alicates na mão. Ele puxou duas unhas, uma de cada mão e, então, me socou na boca por gritar algo demais. Mais tarde naquela noite, depois de um dia cheio de trabalho, eu roí o restante das minhas unhas até só restarem cotocos sangrando, aterrorizado que ele faria a mesma coisa de novo. 

Funcionou. Na manhã seguinte, ele não arrancou nenhuma unha da minha mão. Em vez, ele puxou três unhas de meu pé e riu enquanto eu trabalhava mancando. Até mandou me açoitarem por andar lento demais, mas não pesado o bastante para me impedir de trabalhar. Adicione a isso dentes quebrados, ossos quebrados e surras humilhantes e todo tipo de tormentos criativos, Gortan não merecia uma morte rápida. 

Mas ele está morto, junto com cada porco e os outros escravos que erraram comigo. 

Então por que eu sinto essa necessidade fervente de vingança? Eu quero matar cada porco vivo e castrar o pai deles para impedi-lo de fazer mais, mas mesmo isso não é o bastante para saciar minha sede de vingança. Simplesmente ouvir as palavras “Grupo Comercial Canston” me faz ferver de ódio, como o pobre do Rustram descobriu. Eu amaria queimar o quartel-general deles até não sobrar nada além de ruínas fumegantes, ambas aqui e em qualquer outro lugar no Império que eles possam ter raízes. Não é racional, mas por que sou eu que tem que ser racional? Eles não foram. Se eles precisavam de escravos para minerar, então que deixassem a gente fazer isso. É uma existência horrível, mas eles não precisavam nos torturar. Era violência sem sentido, insensível e depois que eu perguntei ao torturador do Fu Zhu Li, ele confirmou minhas suspeitas. Aqueles guardas eram peritos do caralho, eles tinham que ser. Como então eles poderiam usar Chi para me atormentar, fazer minha pele parecer que estava em chamas ou me congelar no lugar nas posições mais agonizantes? Aqueles malditos grotescos eram Guerreiros Marciais do caralho e tudo que eles faziam dia e noite era usar suas habilidades para torturar um grupo de escravos indefesos. Que tipo de monstros do caralho… poderiam fazer algo assim…

Espera…

Acordando de repente, eu assusto o pobre Banjo que estava dormindo nos meus braços. Com um grunhido de protesto, o urso redondo parte para se juntar ao seu irmão cochilando na curva do pescoço de PIngping. Esfregando meus olhos, me foco e tento segurar nos meus pensamentos, os sonhos desaparecendo enquanto minha mente reganha clareza. Eu encontrei algo, algo que fazia tanto sentido no meu sonho, mas eu não consigo… 

— Pesadelo? — Interrompendo meu trem de pensamento, Guan Suo joga meu odre de água no meu colo.

— Sim. — Abrindo o odre, dou uma golada para molhar minha garganta, mas quando a água acerta minha língua, eu percebo quão sedento eu estava de verdade. Medo faz isso com você, mesmo se é um medo que já deveria ter sido lidado a muito tempo atrás. Foi a seis anos atrás. Supere logo isso. Você é Falling Rain, Subtenente de Segunda Classe do Império. Você não pode se dar ao luxo de mostrar fraqueza ou todos vão sair do nada para tomar a sua cabeça. 

Que jeito melhor de garantir sua posição como um dragão em ascensão jovem do Império do que matar o talento número do Norte?

Esvaziando seu cachimbo bom um tapinha, Guan Suo Envia, — Não sei que tipo de rancor você tem com a Canston e não posso dizer que ligo, mas tome cuidado. No que se diz respeito a companhias mercantis apropriadas, eles nun valem porra nenhuma, mas todo mundo sabe que elas só existem para prover para o Zhu Chanzui. Se ele descobrir que você está se metendo nos negócios dele, ele vai vir acertar as contas e que se foda o Tratado. Bezerro novo como você pode não temer o tigre, mas até eu pensaria duas vezes antes de lutar com aquele. Eles podem te chamar de Imortal, mas ele é O Eterno. 

— Anotado. — Eu respondo alto, imediatamente me arrependendo da minha decisão de assentir com a cabeça. Vai com a onda, Rain, vai com a onda. Queixo no peito, não deixe sua cabeça voltar para o chão, devia ser um instinto agora. E de novo, minha memória da coisa toda é meio zuada. Talvez eu realmente pousei de cabeça, não é brincadeira essa cuspida da Pingping. Eu me pergunto quanto tempo vou precisar esperar ainda? Afagando minha barriga para silenciá-la, eu pergunto, — Tem alguma comida aí? Eu estou morrendo de fome.

— Comi a maior parte. Dei o resto para os seus bichos. — Dando de ombros em uma quase desculpa, Guan Suo continua, — Você dormiu por um bom tempo, perdeu a maior parte do show. Sua irmã está terminando sua última partida, seguindo um histórico de vitórias impressionantes do Vichear e do Gerel.

Me virando para o palco, chego na metade do caminho antes de parar ao ver um rosto familiar, sentado na varanda do prédio ao lado do campo de duelo. Vestida na túnica mais apertada que eu já vi desde que cheguei nesse mundo, a seda colorida abraça sua pele e revela curvas que eu não lembro dela ter. Através do corrimão de madeira, eu vejo um relance de suas pernas longas, formosas, também enroladas confortavelmente em seda e deixando pouco para a imaginação. Ainda mantendo um corte de duende¹, ela deixou sua franja crescer e a deixou de lado, uma melhora acentuada se comparado ao seu corte grosseiro, que ela mesma cortava quando ela era uma Sentinela, pragmática, mas ainda estilosa. Apesar de aparados num tamanho mais curto do que eu me lembro e não mais se curvando para trás, seus chifres estão mais afiados do que nunca e enrolados em uma malha de intercalada com diamantes rosa brilhantes. Um indício de delineador acentuava seus olhos castanhos penetrantes e usando um pouco de batom em seus lábios rosados, adoráveis, a visando dela sentada lá é o bastante para me deixar tonto.

Ou é a concussão de novo. De qualquer jeito, Adujan parece linda, como uma deusa perfeita, de pele marfim, de cabelos cor de ébano, encarnada. 

Ah, não, eu acho que é Du Min Yan agora…

Como se sentisse meu olhar, Yan me pega encarando ela com olhos arregalados e boca aberta, ambas coisas que eu não tenho muito controle no momento. Me dando o mesmo sorriso atrevido de sempre, ela pisca e fala algo antes de se virar e ir embora, fazendo meu coração acelerar.

Hmm… não tenho idéia do que ela falou. Eu estava distraído demais com… outros pensamentos. Talvez eu devia subir e perguntar para ela. Quero dizer, nós não nos vemos a eras então seria bacana uma conversa e eu ainda preciso enviar a mensagem da Mila. 

O que me deixa tão, tão triste. 100% de chance de ser um aviso para Yan se afastar, minha beldade com sardas não gosta de dividir. 

Ainda… eu devia dizer oi. Só um inofensivo, “eae, como está a vida” esse tipo de coisa, um papo entre amigos antigos. Quando eu dou meu primeiro passo em direção ao prédio, uma voz familiar rosna, — Falling Rain! — Congelando no lugar, eu me viro para encontrar o Capitão da Guarda sem nome parado perto de mim, parecendo todo severo e sério diferente de alguns dias atrás quando nós só estávamos bêbados e sorridentes. — O Embaixador ordena a sua presença. 

 

Tch. Timing péssimo.

 

 

Merda. Eu falei isso alto?

 

 

Eu falei isso alto? 

 

… 

 

Concussões do caralho. 

 

 

Tá, essa eu definitivamente disse alto. 


1. Corte de duende: esse estilo de cabelo aqui.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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