DS – Capítulo 310

Eu gosto de pensar que sou uma alma velha presa em um corpo novo, porque, tecnicamente, é exatamente isso que eu sou. Eu admito que nem sempre eu me comporto como um adulto maduro e razoável, mas em minha defesa, há circunstâncias extenuantes e idade nem sempre vem com sabedoria. Meu status mental atual pode ser resultado de um adolescente com hormônios a flor da pele que afetam meu julgamento ou uma total falta de experiências passadas para eu me guiar. E ainda mais, considerando a natureza das minhas memórias espalhadas que tenho acesso, todas as evidências apontam para um fato irrevogável. 

Na minha vida passada, eu, Rayne, era um crianção.

Não é a pior coisa no mundo, mas às vezes, eu fico deitado na cama e me pergunto como a vida seria se eu tivesse sido um membro útil, contribuidor para a sociedade antes de transmigrar para as minhas circunstâncias atuais. E se eu tivesse sido um projetista de foguetes ou um engenheiro e tivesse trago informação útil em vez de referências da cultura pop ou um arranjo sem fim de imagens satíricas legendadas? Eu provavelmente conseguiria construir muitas coisas fodas como pistolas, explosivos não-inflamáveis ou coisas para melhorar o padrão de vida humano, como um vaso que dá descarga.

Não seria incrível.

E de novo, suspeito que mesmo se eu tivesse todas as minhas memórias intactas, elas seriam imprestáveis para mim nesse exato momento. Eu não estou envergonhado de admitir que estou fora da minha zona de entendimento aqui. Quero dizer, ignorando fantasias induzidas por Demônios e impressões inúteis e fraturadas da minha vida passada, é possível dizer acertadamente que eu só tenho sete anos de memórias, o que basicamente me torna um bebê. Claro, eu vi e experimentei muita merda nesses sete anos, como preconceito, escravidão, tortura e guerra, mas nada poderia me preparar para o que eu estou experimentando agora. 

Os adultos estão discutindo e eu não sei como fazer eles pararem. 

Não importa o quão velho você fique, é sempre estranho ver seus pais discutirem e duplamente quando você é a causa da tal discussão. Depois de uma breve parada para me comprar cinco pares de roupas de banho, Akanai arrastou todo mundo de volta para o meu acampamento para discutir nosso próximo movimento. As linhas foram desenhadas e cada pessoa ficou em um dos dois lados, que são coincidentemente (ou não) divididos por gênero. Akanai, Sarnai e Alsantset, todas insistem que devíamos declarar guerra aberta contra o Grupo Comercial Canston no jeito mais sangrento possível, ao matar todas e qualquer pessoa associadas com o grupo exceto aqueles dentro de Nan Ping. Eles acreditam que o Embaixador e, dessa forma, o Império, irá ficar do lado dos Bekhai nesse conflito, especialmente considerando que o Grupo Comercial Canston é culpado por maltratar um dos deles, ou seja, eu. Como membros contribuidores das Forças de Defesa Imperial, os cidadãos das Montanhas das Tribulações do Santo recebem alguns benefícios que incluem isenção de taxas e proteção de escravidão, então legalmente, estamos dentro dos nossos direitos em nos vingar com “fogo e sangue”, como Akanai gosta tanto de dizer. 

No outro lado da moeda, ao passo que Taduk, Baatar e Charok não são exatamente contra a retribuição sangrenta, todos eles advogam que devemos ter cuidado e agir com calma nesses tempos voláteis. Eu não posso culpá-los, especialmente em luz das revelações recentes. No meu estado ruim da cabeça, eu estava focado demais na minha barriga roncando para pensar muito no aviso de Guan Suo, mas pelo que parece Zhu Chanzui não é só um “Porco Glutão” como seu nome sugere, mas na verdade ele é o progenitor de todos os porquinhos, o porco Besta Ancestral. O Grupo Comercial Canston foi estabelecido por ele e seus lucros bancam seu estilo de vida hedonista e apoiam as centenas, senão milhares de crianças resultantes de tal estilo de vida. 

Seria tudo às mil maravilhas senão fosse pelo fato de todas as crianças meio-porquinhas de Zhu Chanzui se tornarem escravas do Grupo Comercial Canston. Eu quase me sinto mal pelos porquinhos.

Quase. Eu ainda lembro quanta alegria Gortan e seus minions sentiam ao atormentar os indefesos e oprimidos. Não havia um senhor de escravos forçando eles a rir dos nossos gritos ou tornar nossas vidas ainda mais miseráveis do que elas já eram. 

Sabendo que todos estavam dispostos a arriscarem a sofrer a ira de uma Besta Ancestral por mim é ambos comovente e arrepiante, mas isso não importa agora. As mulheres dizem que como uma Besta Ancestral, Zhu Chanzui é preso pelo “Tratado”, um acordo que previne ele e outras Bestas Ancestrais de agirem diretamente contra meros mortais. Ou, pelo menos, eu acho que é sobre isso que o Tratado se trata, em toda a discussão deles, eu mal consigo uma chance para falar. Resumindo, a disputa principal é sobre como nós vamos conseguir coletivamente vingança para mim, comigo ficando do lado vendo a batalha se desenrolar. 

— Esperar nossa vez? — Com uma bufada alta, os lábios de Akanai se dobram em desdém e menosprezam Baatar. — Você está “esperando” sua vez a anos agora. De que adianta prudência se ela vira covardia?

Revirando seus olhos como um adolescente , Baatar murmura, — Tão irracional e cabeça dura, e ainda pergunta o motivo de eu não ter te dito nada até agora…

— Oh, que lindo da sua parte seu tolo com cérebro de cachorro. — Apesar de ainda estar de cadeira de rodas por causa de seu coma, a língua afiada de Sarnai ainda corta fundo. — Sem mencionar um mentiroso fala mansa. Você me disse que eles eram uma companhia comercial pequena que não valia a pena mencionar, mas em vez disso é uma facção apoiada por uma Divindade!

Empalidecendo de medo, Baatar se ajoelha ao lado dela e pega sua mão. — Eu nunca mentiria para você minha rosa, eu acreditava nessas palavras quando te disse aquilo. Eu só soube dos detalhes meses depois, mas na época eu já tinha saído com o Estandarte para patrulhar novamente. 

Olhos estreitos em suspeita, Alsantset se vira para Charok e pergunta, — Você sabia dos detalhes também?

— Não amada, mas mesmo se eu soubesse, eu não te diria. — Um homem corajoso esse meu cunhado. Idiota, mas corajoso. — Se você pudesse ver sua raiva passada, você entenderia o motivo. Que benefícios fazer uma cena em público trariam? Aqueles responsáveis pelo tormento de Rain estão mortos, então nós só iremos sujar a reputação do pequeno Rain ao contar o mundo o que aconteceu. Nós devíamos agir com discrição e encontrar uma abordagem diferente, uma que irá permitir que nosso irmão mantenha sua dignidade.

Distraindo Alsantset antes que ela pudesse responder, Taduk se oferece como um alvo da fúria de todos. — Haaa. Galinhas vão voar pelos ares como águias antes de um bando de brutos sedentos de sangue como você aprenderem a fazer algo sem sacar suas espadas e preparar seus arcos para atirar. — Como sempre, meu Professor usa a língua Comum apesar de entender ambas perfeitamente. — Eu disse a todos vocês viva e deixe viver, para levar o menino para casa para que ele pudesse começar a se recuperar, mas em vez disso vocês adicionam óleo no fogo e trazem ele para participar de um massacre. Como se ele já não tivesse horrores o suficiente, suas ações o levaram em um caminho errado, doutrinando ele a idolatrar força acima de todo resto e dizendo para ele que isso resolveria todos os problemas da vida dele. Não é surpresa que ele se rendeu a tentação e… 

Todos ficam em silêncio enquanto me encaram, seus olhos refletindo uma mistura de culpa, preocupação e medo. Eu me sentiria pior se fosse minha culpa que nós quase nos Corrompemos totalmente, mas eu ponho a culpa totalmente nos ombros de Baledagh. Tá, sim, talvez eu mereça uma pequena, minúscula parte da culpa, com minha fúria justa e desejo de matar todas as coisas Corrompidas depois de ver o trabalho deles, mas para ser justo, aquela foi uma merda muito errada. Ainda, não ajuda que todos eles andam de mansinho perto do assunto, eu uso essa oportunidade para dar minha opinião. 

Apesar de saber que há uma barreira de Chi no lugar para manter nossa conversa em particular e o Guan Suo por perto nem consegue ouvir uma palavra do que eu estou dizendo, eu decido continuar usando a língua dos Bekhai só por precaução. Quero dizer, o cara disse que ele “pensaria duas vezes” antes de cair na mão com Zhu Chanzui, não correr gritando de medo como eu assumo a maioria das pessoas sãs fariam, então quem sabe o quão forte ele realmente é? Todos os pandas vermelhos são ridiculamente fortes e confiantes ou estou baseando meus resultados nas minhas amostras?

Limpando minha garganta para atrair a atenção de todos, eu os olhos nos olhos e digo, — Não é culpa de ninguém que eu quase me Corrompi. — De ninguém além de mim e Baledagh, mas eu divago. — Eu aprecio a disposição de todos para me ajudar, mas eu não quero que vocês comecem uma guerra com uma Besta Ancestral, não por minha causa.

Feroz como sempre, Alsantset põe a mão no meu ombro com um franzido desapontado. — Você é uma das Pessoas e as Pessoas defendem os seus, não importa quem estiver no caminho deles.

— Obrigado, mas todos nós sabemos que as Pessoas querem que eu vá embora. — Minha sentença acerta um nervo conforme todos olham para longe, mais uma vez tentando fingir que o problema não existe. — Eles não vão ficar felizes se vocês arrastarem eles para uma luta pessoal por minha causa, mas está tudo bem. — Eu vendo a mentira com um sorriso genuíno. — Eu não preciso que todas as Pessoas gostem de mim. Eu tenho vocês, minha família amorosa, o que é mais do que o bastante. 

Posso estar exagerando um pouco, mas minhas palavras têm o efeito desejado e eu neutralizo a tensão na nossa disputa familiar. Os dois casais sorriem para mim, se olham e se desculpam e se perdoam por palavras ditas na hora, enquanto Akanai e Taduk ficando de lado e inquietos, o segundo mexendo nos seus trajes e a primeira mexendo no meu cabelo. Afagando minha cabeça que ela acabou bagunçar, Akanai pergunta, — Então, o que você vai fazer? Engolir seu ressentimento porque seu inimigo é forte demais?

Bom… sim… mas não é preciso ser um gênio para saber que essa não é resposta que ela quer. — Não tem nada a ver com a força deles. — Outra mentira, mas eu acho que estou ficando melhor. Prática leva a perfeição, né? — Logicamente, eu entendo que Charok e Professor estão certos. Os indivíduos que me escravizaram estão mortos a muito tempo e com isso, o débito está pago e eu deveria prosseguir com minha vida, mas eu não consigo. — Encontrando força em seus olhares de apoio, eu dou voz as dúvidas enterradas bem dentro de mim, tão fundo que eu fico um pouco confuso em relação a verdade às vezes. — Não importa o quão forte eu me torne, nunca vou esquecer como é ser um escravo impotente, preso aos caprichos assassinos de outro. Eu não estou envergonhado do meu passado. — Uou, tantas mentiras, quando elas vão acabar? — O Grupo Comercial Canston e o Império deveriam ser os únicos a se sentirem envergonhados, por permitir que tais práticas horrorosas aconteçam. Se eu achasse que mudaria algo, eu contaria para o mundo todo sobre meu passado, sobre meu sofrimento. Ninguém devia sofrer como eu sofri naquelas minas e, ao passo que alguns podem simpatizar e outros irão me denegrir, contar minha história não mudaria nada. Eu já manchei demais a reputação das Pessoas. Não é preciso contar ao mundo que o jovem herói deles costumava ser um escravo.

Uma força invisível bate na minha testa, forte o bastante para me assustar e me deixar alarmado. — Aff. — Sarnai diz, seus lábios franzidos em desaprovação. Como ela fez isso? Ela pode me ensinar? — De todas qualidades boas para você seguir, por que escolheu a tolice do seu Mentor com cérebro de cachorro? E daí se o mundo descobrir que você já foi um escravo? Poderia ter sido um problema a alguns anos atrás quando invejosos céticos gritariam que você era um Corrompido, mas isso não é um problema para você, meu filho talentoso. Sua força ainda será admirada e invejada se seu passado for revelado. — Gesticulando para eu me aproximar, ela belisca minha orelha levemente e cutuca meu peito para dar ênfase. — O que importa mesmo é desenredar esse nó no seu coração. Medo e ódio são emoções poderosas. Se permitir que elas fiquem e corroam sua mente, isso pode atrapalhar seu crescimento futuro, mesmo com a gota da Água Celestial te mantendo livre do toque do Pai. Destruir um mero Grupo Comercial Canston não é nada se isso irá te livrar dessas correntes. A Besta Ancestral é uma complicação, mas esse fardo é para outros carregarem. Saiba disso: eu não vou te passar os detalhes, mas diga a palavra e eu te prometo que Zhu Chanzui vai ser uma mera memória no final do ano.

Pegando sua mão, eu me maravilho com a força de sua pegada. Sarnai é uma lutadora no coração e ela está se coçando para dar o primeiro golpe. O que é mais impressionante é como ela acredita em cada palavra que ela diz, o que significa que os Bekhai possuem alguém capaz de lutar com uma Besta Ancestral. É a Akanai? Ou talvez a Mentora de Sarnai, a Líder da Guarda? Ou um dos amigos de Taduk, como aquela pessoa que ajudou ele a chegar na ilha de Yo Ling e voltar para Ponte em três dias? Enquanto uma parte de mim grita para que eu fale a palavra e veja a destruição do Grupo Comercial Canston, eu sei que não vai ser simples. Não mudaria nada, como me deixar espancar um Gortan aleijado não mudou nada. Se eu quiser deixar meu passado para trás, então eu preciso fazer isso com as minhas próprias mãos e minhas morais idiotas não vão me permitir apoiar um massacre indiscriminado.

Além disso, agora que sei o quão forte nós realmente somos, eu sempre posso correr de volta para casa se as coisas ficarem difíceis demais.

Eu amo minha família.

Depois de compartilhar o rascunhos dos meus planos feitos na pressa com minha família, todos concordaram em recuar e me deixar cuidar das coisas por agora. Infelizmente, com Pingping teimando em me manter por perto, ações furtivas estão fora da jogada. Em vez, seguindo meus instintos, eu peço para Rustram descobrir discretamente tudo que ele sabe sobre o Grupo Comercial Canston, com um foco em qualquer empreendimento escravista por perto. Se Gortan e seu grupo foram deixados por conta própria, as chances são que minha experiência não foi única. Na verdade, porcos são famosos pela gula e comportamento depravado, o que significa que as coisas são muito piores do que eu havia pensado. Não só o jeito sádico e debochado deles para lidar com escravos não é visto com maus olhos, como também é de conhecimento geral e há vários rumores também. Por que a Picanço ou seu Mestre misterioso nunca checaram eles em busca de Corrompidos, eu nunca vou saber. Políticas provavelmente. Não dá para Purificar as pessoas de uma Besta Ancestral, eles podem lutar de volta ao contrário de cidadãos pobres e indefesos. Se algum dos porquinhos pisar fora da linha e se tornar um Corrompido de fato, eu imagino que o Grupo Comercial Canston lida com isso internamente, mas se eu tiver sorte e encontrar um porquinho que já se transformou em um, então eu posso oferecê-lo como evidência e deixar o Imperador decidir o que fazer depois. 

Eu estou sendo injusto por visar o Grupo Comercial Canston e Zhu Chanzui? Talvez?

Eu ligo? Não muito. Eu não posso acabar com a escravidão, mas se eu conseguir dar luz a essas práticas horrorosas e gerar repúdio público o bastante contra isso, então talvez as coisas vão mudar um pouco para melhor. Senão, então pelo menos eu vou poder me sentir um pouco melhor sobre mim mesmo. De qualquer jeito, se eu encontrar prova de Corrompimento, ótimo. Senão… bom, eu não vou perder meu sono por matar alguns guardas porcos que atormentam escravos por diversão.

E nessa hora, eu não vou precisar que Alsantset aleije eles primeiro.

Nossa reunião de família improvisada termina e eu me despeço dos meus pais e avó/futura sogra/crush da adolescência. Em necessidade extrema de carinho, eu volto para minha yurt com Pingping logo atrás para encontrar Lin e Li Song sentadas dentro do cercado improvisado dos coelhos. Feito com cercas de arame compradas na cidade, o cercado protege meus coelhins de predadores perigosos como Sarankho e Mafu e dá bastante espaço para os meus peludinhos com caudas de algodão para brincar e se exercitar. Resistindo a vontade de chiar de alegria e rolar com meus coelhins, eu cumprimento primeiro Lin com um beijo na bochecha. — Oi esposinha. Descoberta doida de hoje. Você sabia que eles faziam roupas de banho? Elas são feitas de um pano de algodão trançado com seiva de árvore e outras coisas que deixam o material completamente a prova de água. Não são os shorts mais confortáveis do mundo, mas eles cumprem seu propósito. 

Rindo tanto que ela mal consegue respirar, leva um tempinho até Lin conseguir responder. — Eu sei. — Ela arfou, ainda rindo. — Os pescadores tinham elas em Sanshu e eu descobri uma loja que as vende dentro da cidade. Eu comprei roupas para todos e nós vamos levar Tate e Tali para nadar mais tarde.

Não me surpreende que Guan Suo pensa que eu sou um pervertido. — Por que você não me contou? Eu estou nadando com uma echarpe na virilha por dois dias!

Gargalhando de alegria, Lin responde, — Porque é engraçado, né?

— Por que você…

Chiando de alegria enquanto eu belisco suas bochechas levemente, Lin se solta e vai até Li Song. — Kyaaaa Lili, Rainzinho está sendo mal comigo! — Se escondendo atrás da garota gato, minha esposa traquina me dá língua. — É sua culpa por ser danado, maridinho. Eu pensei que você comprou o echarpe para mim, mas você ficou com ele, o que me fez pensar que você comprou para outra mulher. Na hora que Papai me contou para o que você estava usando o echarpe, já era tarde demais. — Com um beicinho desolador, Lin abraça Li Song e descansa seu queixo no ombro dela, buscando conforto. — Eu ainda estava brava contigo então falei para todos para não te avisarem. Você colhe o que planta maridinho.

É impossível ficar bravo com Lin por muito tempo, mas eu realmente tento. — Eu estou chocado e assustado que você confia tão pouco em seu maridinho. Desde nosso noivado, eu nunca mais tive olhos para ninguém além de você e Mila. 

— Hmph. — Me dando uma encarada petulante, Lin pergunta, — Ah, é mesmo? Então, eu imaginei você secando Yanyan na varanda hoje mais cedo?

Merda. Ela viu. — Essa não conta, eu tive uma concussão.

— E mostrou suas cores de verdade! — Deixando Li Song para resgatar Vinte-e-um das atenções agressivas de Fulvo Um, Lin segura a lebre tremendo contra sua bochecha e faz beicinho. — Pobre Linlin, seu maridinho é um galinha, deplorável, mas o que ela pode fazer? Ela amo tanto, mas tanto seu maridinho, né?

Contrito e desolado, eu vou até ela e abraço seu corpo tremendo. — Eu sinto muito, minha doce esposinha. Foi erro meu. 

Se virando para longe para que eu não possa ver suas lágrimas, os ombros de Lin tremem enquanto ela pergunta, — Ainda está bravo por causa dos shorts de banho?

— Claro que não. — Eu respondo, querendo que ela voltasse ao seu eu despreocupado de sempre. É tudo minha culpa, eu tenho a mulher mais doce, mais alegre do mundo como minha noiva e ainda fiz ela chorar. — É minha culpa, eu sou um pervertido imoral e o mundo todo devia saber. Esqueça shorts de banho, eu vou continuar nadando com a echarpe. Eu vou parar de usar calças na verdade e vou andar por aí só com uma echarpe para avisar cada mulher sobre meu comportamento depravado. Não chore minha doce esposinha, eu vou…

Os ombros de Lin continuam a tremer, aumentando em intensidade com cada palavra que saí da minha boca. Finalmente entendo o que está rolando, eu viro forçosamente ela e encontro ela segurando sua risada, a qual irrompe ao ver minha expressão perplexo. — Sinto muito maridinho. — Ela diz, entre arfadas. — Eu não consegui fazer nada, né? Eu não queria que você ficasse bravo, mas, então, a piada saiu do controle… 

Um pouco irritado, mas mais aliviado que ela não está chorando, eu a levanto do chão e rosno, — Você… você…

— Não se preocupe maridinho. — Sorrindo com orgulho em ter me zoado, Lin se aconchega em meu pescoço com um suspiro quieto de contentamento, pendendo do chão com alegria. — Se você quiser casar com Yanyan, então faça isso, né? Ela pareceu muito linda mesmo, mas estou um pouco triste porque ela não me viu acenando. — Se inclinando para trás, Lin me olha com uma expressão séria. — Mas você ainda precisa se controlar. — Franzindo seus lábios, eu assisto ela fazer algumas contas mentais antes de falar novamente. — No máximo cinco esposas, tá? Desse jeito, eu te tenho por dois dias na decana. Eu não vou aceitar nada menos que isso.

Sabe… fora escravidão, tortura, TEPT¹, experiências de quase morte e fim iminente, minha vida é bem foda.


 

1. TEPT = Transtorno de Estresse Pós-Traumático

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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