DS – Capítulo 312

Submerso nas águas frias e claras do Mar Índigo, me rendo as correntes gentis enquanto penso sobre os mistérios do universo. O sol brilha forte acima de nós nesta bela manhã na Central, iluminando as águas por quilômetros em todas as direções. Se mantendo perto da costa, uma frota de barcos massivos cruzam as águas até Nan Ping com eficiência máxima, carregando soldados e suprimentos de ambas as províncias norte e sul para estas participarem da Primeira Grande Conferência Imperial. Dúzias de metros abaixo de mim, recifes coloridos e pedras com musgo pintam o leito do mar, cobertos por um pó leve de solo arenoso trago até aqui pelas correntes. Peixes, crustáceos e outras formas de vida podem ser vistas correndo para se esconderem de uma horda de quins vorazes, mas isso não parece ajudar muito eles já que os onívoros peludos devoram tudo em seu caminho. Os quins mais novos seguem Pingping, se entretendo com todo tipo de acrobacias aquáticas enquanto a tartaruga gigante plana nas correntes, parecendo feliz como pinto no lixo.

Enquanto aproveito as palhaçadas deles e a visão estonteante da baía de Nan Ping, eu não consigo não pensar que estou desperdiçando tempo. Originalmente, nós partimos para encontrar uma Planta Espiritual que quase fez a Mamãe Coelhin se afogar, mas depois de dias flutuando por aí sem direção, nós ainda não conseguimos limitar uma localização geral. Eu não estou certo se é porque Mamãe Coelhin se distrai fácil ou só porque ela é muito, mas muito burra, mas ela parece fisicamente incapaz de escolher uma direção e ficar nela, se movendo de um lado para o outro no barco de forma aleatória. Nem Taduk nem Líder da Guarda estão dispostos a desistir ainda, então Pingping, Guan Suo e eu estamos presos aqui. 

Não é preciso dizer que Pingping não compartilha da minha aflição. A garotona ama estar aqui na água e eu consigo ver o motivo. Na terra, ela é uma criatura pesada, lenta e apesar dela ser mais ágil do que parece, não é nada comparado com como ela se move aqui. Um balançar de suas pernas a impulsiona pelas águas em uma mostra graciosa de alegria pura e maravilha enquanto ela gira, dá piruetas e os caralho a quatro. Incapaz de igualar a velocidade dela, os quins dão cambalhotas e mortais quando ela passa, ajudados pela maestria invisível e aparentemente sem esforço de Pingping. 

Certo… é por isso que eu estou aqui, para descobrir como ela manipula água com Chi, não para assistir os quins.

Depois de dias de estudo intenso, eu ainda não estou mais perto de quando eu comecei, mas eu tenho que admitir que estou melhor em segurar meu fôle… 

… Porra, porra, porra, não consigo respirar, preciso de ar, caralho. 

Agudamente consciente dos meus pulmões queimando e cabeça tonta, eu nado debilmente em direção a superfície. A corda conectada para fazer minha sela improvisada fica folgada e me puxa para baixo, adicionando frações de segundos torturantes a minha subida lenta e uma voz frenética no meu cérebro grita para eu me libertar da minha sela restritiva. Resistindo a vontade de entrar em pânico, gritar e desistir, eu me foco em alcançar a superfície e nada mais conforme o mundo lentamente escurece ao meu redor. Ao chegar na superfície eu encho meus pulmões de ar doce e maravilhoso e boio de costas enquanto tento me acalmar e não pensar no quão perto eu cheguei de me afogar. 

Tudo tá top até eu pensar em respirar, então dá merda. 

Humanos não foram feitos para o mar, não como tartarugas, quins e peixes. Não adianta bater os braços, as pernas ou gritar e chiar quando você está quase se afogando, se o seu corpo está com falta de oxigênio, tudo que isso vai fazer é desperdiçar sua força. Não, a resposta instintiva para afogamento é entrar em pânico e bater os braços como um pássaro, para que você consiga levantar seu nariz e boca o mais alto possível em busca de ar. Não é o jeito exatamente mais efetivo de nadar, mas são nossos instintos de sobrevivência. Se você ficar sem ar por tanto tempo quanto eu estava, seus músculos já vão estar trabalhando sem oxigênio e logo, seu cérebro decide que é hora de desligar e conservar o pouco de força que você ainda tem, um mecanismo salva vidas que te condenará a morte mesmo quando a água está só a alguns metros de distância. 

Como eu disse, nós não fomos construídos para o mar. Não importa o quão bom nadador você seja, se você é um humano e estiver preso na água, então você está fora do seu elemento. 

— Boa meu garoto. — O encorajamento entusiasmado de Taduk me tira da minha auto-revisão pós pânico. — Dezenove minutos e vinte e sete segundos, um novo recorde!

Ainda sem fôlego e esgotado, eu sorrio e dou um joinha em resposta enquanto me puxo de volta para o barco a remo usando minha corda de segurança. Ocupado demais fumando seu cachimbo para dar uma ajuda, Guan Suo enche o ar ao meu redor com nuvens densas de fumaça cáustica e esbranquiçada. Preguiçosamente segurando o outro lado da corda com dois dedos indiferentes, ele não presta atenção a minha situação difícil ou nos meus olhares sujos, em vez disso ele encara ao longe na direção da baía sul. O velhote tem problemas, ele está vestidos dos pés a cabeça em trapos sujos, mas o cachimbo dele é absurdamente extravagante e feito de prata, talhado ornamentalmente com uma variedade de pandas vermelhos adoráveis. Tão grosso quanto um dedão e mais longo do que meu braço, o cachimbo de haste longa dele dá um ar de mistério ao geralmente perito escondido esfarrapado, que segura ele como um nobre que está passando por tempos difíceis e tentando fumar suas preocupações. 

— Bom? — Taduk pergunta, esticando seu braço para afagar meu cabelo ensopado, ainda me tratando como uma criança ansiosa. Não que eu esteja reclamando, não é a pior coisa no mundo. — Algum desenvolvimento novo?

— Mm, nada ainda, mas estou perto, eu acho. — Me sentindo bem o bastante para me mover, eu me sento, dobro os joelhos a noventa graus e giros minhas pernas em sentidos contrários para manter para manter meu torso acima da superfície da água. Ninguém me ensinou isso e considerando que eu chamei isso de chute batedor de ovos¹, mas não consigo dizer o que é um batedor de ovos, eu concluí que isso é o primeiro pedaço de informação útil com o qual eu transmigrei. 

Ebaaa. Sucesso. Sou relevante!

— Calma lá, você sabe o esquema meu garoto, fale mais. 

Entediado pela falta de sucesso da Mamãe Coelhin, Taduk decidiu me ajudar a entender os mistérios do Dao. Mantendo o espírito dos Bekhai, ele nunca me dá respostas completas para nada, só ouvindo ao meu processo de pensamento e fazendo perguntas chave para me ajudar a navegar em direção a resposta correta. Por mais que eu odeie quando pessoas me respondam com uma pergunta, meio que ajuda agora que eu tenho alguma ideia do que eu estou fazendo. 

Reunindo meus pensamentos desta última expedição, eu nado até Mamãe Coelhin para brincar com ela, que está apoiada no lado do barco a remo encarando profundamente a água com seus olhos azuis expressivos. Com um franzido ranzinza de coelhin, Mamãe Coelhin bate suas patinhas dianteiras e traseiras, completamente frustrada depois de dias de falha. Visivelmente se acalmando conforme minha Aura amorosa a cobre, ela pula nos meus braços e rio enquanto um coelho peludo de vinte quilos pousa bem no meio do meu peito para se aconchegar comigo, a grande idiota confia totalmente em mim para manter ela a salvo na água. Nós chegamos longe desde o nosso primeiro encontro e essa coelha bicornuda de orelhas caídas é agora tão afetuosa quanto Aurie. 

Me inclinando para molhar a barriga da Mamãe Coelhin e lavar os resíduos leitosos, eu sorrio para o meu Professor em conflito e digo, — Eu estava olhando os jeitos diferentes que as coisas se movem na água. Quins meio que serpenteiam para cima e para baixo da cabeça até a ponta da cauda, enquanto a maioria dos peixes oscilam de um lado para o outro usando suas barbatanas para navegar. Pingping mais ou menos plana pelas águas usando seus braços como remos gigantes e cauda como um leme, mas eu acho que ela trapaceia usando Chi, é por isso que ela é rápida pra carai.

— Sim, sim, e o que isso te diz?

Massageando as bochechas gordinhas de Mamãe Coelhin, eu dou de ombros e respondo, — Eu nun sei… não irrite a tartaruga gigante, dobradora de água? Mas ela parece estar se divertindo pakas, então acho que fui perdoado.

Como se percebesse que estávamos falando dela, o bico de Pingping aparece do meu lado, me assustando levemente. Com olhos ansiosos travados em mim, eu sinto que ela está esperando por algo, mas eu não sei o que. Desculpe garotona, sem água infundida com chi para você agora. Eu não acho que eu consiga vincular com o Mar Índigo.

… ou eu posso? Não seria foda?

— O que mais? — Taduk pergunta, paciente e focado na tarefa como sempre. — A tartaruga só foi uma parte dos seus pensamentos, não?

— Hmm… — Chapinhando até o bico de Pingping, a tartaruga gigante bufa de alegria e pressiona seu bico em mim, me levando para as águas vazias. Ponderando sobre meus devaneios quando estava privado de oxigênio, eu não chego em nada e espero até Pingping me trazer de volta para o barco a remo antes de falar, — Que criaturas diferentes fazem coisas de jeitos diferentes? Óbvio demais?

Ainda rodando por aí, Pingping me afasta mais uma vez, então Taduk Envia, — Verdade e verdade, mas como isso se aplica a sua situação específica? A Mãe trabalha de jeitos misteriosos para nos iluminar, é só uma questão de compreensão.

Conhecimento vem a mim, enquanto eu considero a questão e fico em silêncio e circulo por aí. Eu fiquei muito preocupado com uma coisa ultimamente, isto é as discrepâncias entre o conselho dado por Tenjin e o que eu li nos diários do Ancião Ming. O primeiro me disse que ele não controla o fogo, mas sim faz seu Chi se comportar como fogo, enquanto o último se vinculou com água de verdade e a controlava com seu Chi. Duas escolas diferentes e, embora eu tenha tentado os dois métodos, nenhum deu certo. 

Talvez é o que a Mãe ou os Céus ou sei lá mais o que esteja tentado me dizer: cada um com o seu. Eu não posso nadar com o quins ou voar como um pássaro, então como eu poderia copiar os métodos de controlar a água da Pingping ou do Ancião Ming? Eu tenho que encontrar meu próprio jeito ao longo do Caminho Marcial.

Na verdade, eu estou começando a suspeitar que “caminho” seja uma má interpretação da minha parte. Individualmente, é isso que as palavras Wu Dao (武道) significam, literalmente caminho marcial ou militar, mas há um significado maior para a palavra Dao. Poderia significar um caminho, ou rota, ou trajeto, mas em um jeito mais metafísico, pode significar mais ou menos como doutrina, princípio ou até ciência, um conceito geral, vagamente definido que você aprende através de experiência. Em termos ainda mais abstratos, o Dao pode ser considerado a ordem natural fundamental, um entendimento evidente, mas ainda inefável da essência fundamental que compõe a realidade como nós a conhecemos. O Dao simboliza tudo no mundo e como Guerreiros Marciais, nós usamos nossas experiências para buscar iluminação no Dao.

Nada disso me ajuda de qualquer jeito ou forma, mas vale a pena pensar nisso.

O que é o meu Caminho Marcial? Por que eu busco força? Para sobreviver. Para proteger aqueles que eu amo. Para viver uma vida livre, fazendo  o que eu quiser onde quer que eu vá. Eu costumava pensar que estes eram sonhos pequenos, mas só agora eu vejo o quão absurdos eles realmente são. Para não estar em dívida com ninguém, eu tenho que estar acima de todos, caso contrário eu sempre vou ser ameaçado por coisas como restrições sociais e obrigações militares. Eu luto contra os Corrompidos porque senão, eles vão arrasar as terras e transformar o mundo em um pesadelo. Eu me curvo diante do Embaixador porque senão, ele pode mandar me matar com um balançar de seu leque, sem mencionar as vidas de todos a quem eu amo. Se eu tivesse força, força de verdade, força absoluta, então eles não teriam escolha além de se curvar diante de mim, mas eu não sou nada além de um mortal fraco e sem poder em um mundo que venera os fortes e capazes.

Ao descansar e brincar com Pingping o bastante, eu dou um beijo no nariz da Mamãe Coelhin  e levo ela de volta para o barco a remo antes de submergir debaixo da água mais uma vez para clarear a minha mente e ponderar no Dao da Água. 

Depois de dias de estudo intensivo, tudo que eu tenho para mostrar são dedos enrugados, mas eu não sou nada senão persistente. Olhando para o lado bom, se eu tivesse a Bênção do Fogo ou do Relâmpago, eu estaria me incendiando ou soltando pipa em uma tempestade.

Além disso… eu consigo manipular a água. Balançando minha mão em um círculo pequeno, meus esforços frenéticos são recompensados com um ciclone em miniatura. Me divertindo mais do que eu deveria com jogos infantis, eu pressiono minhas palmas uma na outra e aperto forte, internamente rindo enquanto um jato de água se materializa por causa da pressão. Psh, quem precisa de Chi? Eu só preciso me tornar ridiculamente forte e resolver a parada na brutalidade. Não importa como eu causo uma onda contanto que eu consiga formar uma. Tudo que resta é descobrir quão forte eu tenho que ser para cumprir  isso e meu Dao está resolvido.

Brutalidade, uhuuul! Maravilhar meus inimigos com a beleza gloriosa dos meus músculos atléticos, bem lubrificados, eu vou me tornar o Rain Monstro. Biiiiiiiiiirl!

Eu acho que ficar sem oxigênio tantas vezes pode estar zoando com a minha cabeça. 

Refocando meus esforços em assuntos mais pertinentes, meus estômago afunda quando eu noto meus arredores. Suspensos em quietude perfeita, Pingping e os quins, todos encaram a mesma direção, a oeste atrás de mim. Por um segundo, longo, os giros brincalhões e sorrisos relaxados são substituídos por garras cerradas e presas a mostra. Então, como um, eles se espalham e fogem, todos nadando com toda a velocidade para a terra firme, mas seus olhos ainda brilham com fúria desenfreada. 

Só Pingping permanece para trás enquanto ela se move para ficar entre mim e a ameaça, bloqueando minha visão com seu corpo. Medo e curiosidade me fazem mergulhar abaixo da tartaruga gigante em esperança de avistar o motivo dos quins fugirem. 

Olhos arregalados com terror, eu me arrependo imediatamente da minha decisão.

Felizmente, eu já estou debaixo da água então ninguém vai notar se eu me mijar.

Ao longe, uma massa em movimento de formas cinzentas se aproxima de nós, como uma bola de criaturas medonhas nadando um sobre o outro. Avançando na nossa direção como uma bala, a massa engole tudo em seu caminho conforme ela fica cada vez maior nos meus olhos. De vez em quando, pequenas explosões de movimento e cor dentro da massa atrai meus olhos, mas eu não sei explicar o motivo dos meus olhos ficarem tão atraídos por isso. Depois de ver mais algumas vezes, meu cérebro finalmente reconhece o que são aquelas pequeninas explosões de cor como sangue e o movimento como um frenesi de alimentação.

Puta que pariu. São muitos peixes carnívoros. 

Pânico toma conta enquanto eu me apresso em direção a superfície, mirando no fundo escuro do barco para avisar meu professor enquanto xingo minha estupidez por deixar minhas armas com o covarde do Mafu. Minhas orelhas estalam e músculos doem enquanto eu me aproximo, dolorosamente lento comparado com a horda de barbatanas se movendo e dentes afiados se aproximando. Perto o bastante agora para eu conseguir distinguir os peixes individualmente, eu tomo nota calmamente da discrepância massiva de tamanho entre eles, com os menores do tamanho de metade de um quin e os maiores passando Pingping em ambos comprimento e largura. A despeito disso, todos compartilham as mesmas características básicas, corpos longos, lustrosos com olhos apontados para frente e barbatanas afiadas nos três lados. Se movendo de um jeito ondulado de um lado para o outro que os permite nadar a velocidades ridículas, a barbatana dorsal distinta deles parece a vela em uma navio, um aviso para aqueles no caminhos deles. Combine isso com suas bocas gigantes cheias de fileiras de dentes afiados como navalha e o que eu presumo ser uma pele grossa e resistente, eu identifico facilmente as criaturas apesar de nunca ter visto uma nesta vida, mas minha mente se recusa a aceitar a conclusão óbvia.

Quero dizer… em que cu de mundo uma dúzia de tubarões gigantes do caralho trabalham juntos? Fala sério! Isso não é justo!

A massa escuro se alonga conforme os peixes na vanguarda correm em direção a próxima refeição deles. Ainda longos segundos do barco e segurança relativa, que eu podia muito bem estar a quilômetros de distância conforme minha visão se enche com a visão de mandíbulas enormes, cavernosas e dentes brilhantes. Uma borrifada forte de água me cega e minha sela aperta minha pele, forçando o resquício de ar que eu tinha para fora dos meus pulmões. Quando minha visão clareia eu vejo um tubarão encolhendo rapidamente conforme sou levado para a segurança, sua cauda presa firmemente no bico de Pingping. Com um giro de seu pescoço, a tartaruga rasga o tubarão em dois e arremessa a parte de cima para longe. Uma névoa impossivelmente vermelha viva cor de sangue saí do tubarão morto conforme Pingping voa para trás como um foguete, suas pernas e braços escondidos o melhor que ela pode para se proteger contra seus inimigos dentuços, a última coisa que eu vejo dela antes de sair da água.

Pousando destramente no barco a remo, uma mão se estica para me firmar enquanto eu respiro arfando e solto engasgado, — Pingping. Problema

Saindo do barco a remo, Guan Suo mergulha imediatamente. Enrolando um braço no meu torso, Taduk ignora meu corpo ensopado e pula dezenas de metros no ar, me carregando para a segurança mesmo quando um segundo tubarão destroça o barco a remo. Por mais impressionante e hercúleo tenha sido o pulo, eu temo pela nossa segurança enquanto pairamos nos ares e de volta para a água, sabendo que há um cardume de tubarões famintos prontos para nos destroçar no momento que pousarmos.

— Pare de se mover, Rain meu garoto. — Taduk diz, sua voz soando entretida enquanto ele pisa no ar vazio e pula de volta em direção aos destroços do nosso barco a remo. — Eu não sou tão jovem como eu era e você é muito mais pesado do que você costumava ser. Poupe seu professor mais de idade e se Empuxe um pouco, que tal?

Boquiaberto como um peixe em terra seca, meus olhos quase saem da minha cabeça quando Taduk pula amarelinha no ar, me carregando com um braço e Mamãe Coelhin no outro. Suas palavras finalmente registram e eu alcanço Equilíbrio instintivamente, me Empuxar até chegar na metade do meu peso original. — Agora, mantenha seus pés e braços encolhidos meu garoto, eu preciso pousar um pouco.

Pousar? Onde? Estamos no meio da baía!

Antes de eu conseguir apontar o óbvio, Taduk pousa em um pedaço de madeira aleatório que costumava ser parte do nosso navio. Na minha posição voltada para baixo, eu sou agraciado com mais uma visão na primeira fileira do interior da boca de um tubarão enquanto ele sobe para devorar a madeira a deriva que estamos pisando, mas nós já estamos bem longe quando sua boca se fecha. Pulando mais alto do que nunca, nós alcançamos uma altura impressionante de quatro ou cinco andares e eu rezo para estarmos alto o bastante para os tubarões não conseguirem nos alcançar. Coração disparado com uma mistura de medo e adrenalina, eu apenas grito com a visão dos predadores ferozes se escondendo abaixo de nós, insano de alegria por escapar de duas mortes certas na mesma quantidade de minutos.

Nervos suficientemente calmos depois do erro, eu pergunto, — Como?

Pulando duas vezes no ar como se não fosse nada, Taduk bufa e responde, — Você não lembra? A linhagem do seu professor ilustre vem do rei dos céus, uma Lebre Caçadora das Nuvens. Para alguém como eu, isso não é diferente de dar um passeio na praia.

Bom… agora eu sei como ele foi e voltou tão rápido da ilha do Yo Ling. — Professor. — Eu pergunto, dando meu melhor para não hiperventilar ou me contorcer, — Você é secretamente forte?

— Rain meu garoto, eu sou um Médico Celestial. Você acha que é fácil conseguir esse título? Se fosse, então por que aquele inútil do Tokta não tem o título? — Apesar de não poder ver seu rosto, eu consigo ouvir o desdém em sua voz, o que desaparece enquanto ele adiciona timidamente, — Não é como se eu tivesse escondido minhas habilidades, você que nunca perguntou.

Guardando as perguntas sem importância como o por que eu fiquei andando para lá e para cá em vez de pegar o expresso LCN, eu assisto a batalha se desenrolar abaixo de nós. Ficando em cima de duas tábuas quebradas, a Líder da Guarda se mostra uma perita dos Bekhai conforme ela patina pela superfície em uma proeza menos impressionante, mas ainda que desafia a gravidade. Apesar de não conseguir ver como ela ataca, nuvens de sangue de tubarão florescem em seu caminho conforme ela se move pela água, mantendo o perímetro externo o melhor que ela pode. Um tubarão particularmente gigante e esperto pula no ar em uma colisão frontal com a Líder da Guarda, mas a guerreira enigmática não mostra medo conforme ela avança de cabeça em direção ao abismo. Meu coração erra a batida quando ela desaparece na boca, só para voltar a bater mais uma vez quando ela emerge do outro lado em uma explosão de sangue e cartilagem.

Puta que me pariu… não tô acreditando que tentei lutar com ela uma vez…

O nevoeiro sangrento cada vez mais escuro obscurece minha visão enquanto eu procuro desesperadamente por Pingping. A tartaruga doce poderia ter fugido com os quins, mas ela ficou para trás para me manter a salvo. Eu sinto muito Pingping, eu nunca mais vou julgar outro animal pela aparência novamente, sua criatura radiante e afetuosa. Só fique no seu casco e espere até que a Líder da Guarda resolva tudo. O lindo do Guan Suo nada que nem uma pedra. Ele nem estava com uma arma, mas que porra ele achou que ele ia… 

Sem aviso, um gêiser massivo de água e nuvens brancas explode no ar e força Taduk a pular para longe. Corpos suspensos no ar de tubarões ambos mortos e vivos voam para todas as direções conforme uma explosão gigante literalmente sacode a terra ao nosso redor tremer. Sangue e água caem como chuva e quando minhas orelhas param de zumbir, também para a superfície da baía de Nan Ping, calma e tranquila. As águas agitadas se acalmam e tudo que eu consigo ver são uma dúzia de criaturas mortas ou no processo, sejam tubarões ou peixeis, flutuando de barriga para cima na superfície na água. Me levando para longe, Taduk diz, — Calma meu garoto, não precisa se agitar. Você está são e salvo.

Flutuando no fundo do mar, o casco de Pingping está colada no chão, protegendo sua barriga exposta das mandíbulas poderosas dos tubarões enquanto ela dá seu melhor para parecer uma pedra. Depois de bisbilhotar e se certificar de que está tudo bem, Pingping voa até a superfície da água e chia de alegria, ela ergue seu pescoço para me assistir conforme Taduk nos desce até o casco dela. De pé em um canto com uma careta enfadonha, Guan Suo bate seu cachimbo repetidamente contra sua bota, resmungando o tempo inteiro sobre um entupimento e folhas desperdiçadas. Futilmente tirando pedaços de tubarões de suas roupas, Líder da Guarda parecia quase igual quando ela se juntou a nós em silêncio enquanto meu professor se deita no casco de Pingping para tirar um cochilo. Despreocupada como sempre, Mamãe Coelhin anda por aí a fim de explorar esses novos arredores como uma criancinha curiosa. 

Traumatizado e esmagado pelos eventos recentes, eu me sento no casco de Pingping e afago o espinho mais próximo enquanto ela nos traz de volta para a costa. — Boa menina. — Eu murmuro, incapaz de encontrar outras palavras conforme Mamãe Coelhin pula no meu colo. — Boa menina.

Julgando pela força mostrada pelos outros três passageiros aqui comigo, parece que vai levar um bom tempo até eu conseguir viver uma vida livre.

Hmm… o que seria mais fácil: criar um explosivo poderoso o bastante para destruir uma província inteira ou alcançar o pináculo da Força Marcial?


1. Chute batedor de ovos: esse trem aqui, olhem o método 5 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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