DS – Capítulo 323

Ao voltar a praia nos braços de Pingping, o humor celebratório de Baledagh parou de repente quando ele notou Mei Lin e Sumila esperando por ele. Com Li Song, os gatos selvagens e uma horda de coelhinhos pulando por aí como apoio, Baledagh não teve escolha além de sorrir e acenar enquanto ralava seu cérebro em busca de algo que Irmão diria, algo ambos cordial e sincero, talvez até um pouco provocador ou espirituoso.

Entre suor nervoso, coração disparado e tempo curto, o melhor que ele conseguiu foi, — Olá.

— Oi maridinho. — Só aceitando seu cumprimento estranho, articulado demais, Mei Lin foi até ele com um sorriso. Ignorando seu corpo ensopado, ela pegou em seu braço e apertou forte contra seu peito em cumprimento. Apesar de não ser o maior dos seios em qualquer medida, Mei Lin cresceu bem desde que Baledagh viu ela pela primeira vez, uma jovem adorável cuja figura feminina engordou em todos os lugares certos. Por mais que ele apreciava notar essas mudanças, a sensação agradável e macia pressionada contra seu braço fez suas bochechas queimarem com fome e vergonha. Mei Lin era a noiva de Irmão, não a de Baledagh, então ele não devia se aproveitar desse jeito.

Pelo menos o monge não estava aqui para arruinar tudo com uma de suas lições. Talvez o gordo maldito finalmente desistiu e foi embora. 

Timidamente extraindo seu braço, Baledagh afagou a cabeça de Mei Lin como Irmão sempre fazia e ignorou seu beicinho e olhos arregalados. Prosseguindo para o próximo problema, ele desviou o olhar da encarada desafiadora de Sumila como se ela penetrar seu crânio. — Algum problema? — Ele perguntou, dando seu melhor para não se encolher. Apesar dela raramente participar das lutas de treino deles, Baledagh estava bem ciente do quão assustadora essa beldade de cabelos cor de fogo e rosto com sardas era. Ela não tinha misericórdia. Na verdade, como seu “noivo”, ela tratava Baledagh muito pior do que todos os outros, dando uma surra feroz nele cada vez que eles lutavam.

Para piorar, a performance superior de Sumila sempre acendia a natureza competitiva de Zian, ganhando uma segunda surra para Baledagh do nobre almofadinha. Baledagh estava confiante de que um dia ele pagar o nobre esnobe, mas ele não tinha esperanças quando se tratava da supremacia esmagadora de Sumila. 

Só a bufada dela era o bastante para dar calafrios na espinha de Baledagh. — O que te faz pensar que algo está errado? Por que sua noiva não pode te visitar depois de um dia longo de treino? — Vestida em uma túnica folgada, emprestada, Sumila ficou ereta com mão no quadril e a outra cerrada em um punho como se estivesse pronta para socar Baledagh na boca, algo que infelizmente era um comportamento bem normal. O que não era normal era como ela continuava trocando olhares expressivos com Mei Lin e quando o debate silencioso, mas longo delas acabou, Sumila copiou as ações de Mei Lin usando o outro braço de Baledagh. — Eu senti sua falta. — Ela murmurou, se recusando a olhar ele nos olhos.

Ah que maravilhoso. Não, não maravilhoso, terrível. Essas eram as noivas de Irmão e isso era errado. Mas parecia tão certo. Apesar das roupas emprestadas de Sumila fazerem ela parecer ter ombros largos e indefinida, a verdade era longe disso. Sua forma atlética e flexível era agradável de se tocar, resistente, mas ainda maleável com volume… surpreendente e Baledagh se perdeu nas sensações por um instante. Voltando a si, suas tentativas de se desvencilhar terminaram em falha completa conforme a pegada firme e inflexível de Mila era forte demais para se opor. Quando sua túnica folgada deslizou para revelar seu ombro pálido cheio de sardas, Baledagh tremeu com desejo ou medo. Depois de limpar sua garganta várias vezes, ele finalmente reuniu saliva o bastante para sussurrar, — Éee… eu senti sua falta também. Muito mesmo, mas éee… isso não é apropriado… — Coração disparado com a carranca feroz de Sumila, ele consertou as coisas com o que ele já ia dizer. — … que tal andar de mãos dadas?

Parecia um acordo aceitável. Apesar da insistência de Irmão do contrário, não havia nada inapropriado ou safado andar de mãos dadas.

Felizmente, Sumila aceitou com o ponto de Baledagh com alegria e entrelaçou os dedos dela com os dele. Sentindo um sorriso bobo se esticando em seu rosto, ele ofereceu sua mão livre para Mei Lin que fez o mesmo. Tão estranho que uma coisa tão simples quanto andar de mãos dadas traria tanta alegria, mas havia uma intimidade carinhosa que vinha com isso, uma confiança implícita e interdependência. A pegada de Sumila era confortável e firme, seus antebraços pressionados um contra o outro e seus ombros encostando de relance nos dele, criando um equilíbrio entre depender e apoiar. Do outro lado, Mei Lin só segurou dois dedos de Baledagh em uma pegada solta, leve, balançando seus braços para frente e para trás enquanto ela dava pulinhos com alegria infantil e perguntou, — Como foi a nadada?

— Produtiva. — Ele respondeu, sorrindo tanto que suas bochechas começarem a doer. — Eu descobri como transformar Chi em água… de certa forma. — Cauteloso para não exagerar sua conquista, ele narrou sua tarde para ambas as garotas e se encheu de orgulho enquanto se aquecia nos elogios delas. Isso era bom, se as falhas de Baledagh eram para Irmão lidar, então fazia sentido compartilhar suas conquistas também. Além disso, mesmo se não foi ele que descobriu, quando Irmão voltasse e praticasse um pouco, ele superaria Baledgah rapidinho. 

 Se sentando pela fogueira com as noivas de seu Irmão, Baledagh congelou quando Tate correu para se juntar a diversão, se sentando no seu colo sem aviso. Felizmente, Tali preferia ficar agarrado com Li Song então Baledagh só teve de lidar com uma criança de cada vez. Dando a ele um sorriso precioso, Tate se aconchegou contra seu peito, olhou para cima e disse, — Oi Rainzinho.

Na maioria dos dias, Baledagh não queria ter nada a ver com crianças, criaturinhas baguncentas, barulhentas e inconstantes, mas hoje as coisas eram diferentes. Subjugado pela emoção, ele pôs seus braços na preciosa e pequenina meia-bode e a abraçou forte, ainda segurando firme as mãos de Mila e Lin e as puxando para mais perto. — Olá meu doce. — Ele disse, beijando o topo da cabeça dela por reflexo. — Como foi seu dia hoje?

— Foi tão divertido Rainzinho, você devia ter vindo. Bisa nos trouxe para a cidade para a cidade com Linlin e Mimi e Lili e…

A história contada por Tate não foi muito fascinante, mas Baledagh ouviu tudo, assentindo e fazendo perguntas como Irmão faria. Ele nem teve que fingir estar interessado, ele realmente queria ouvir sobre todas as coisas engraçadas que Tate fez e como ela via o mundo, sorrindo com suas descrições imaginativas das coisas mais mundanas. Tali logo se juntou e Baledagh se maravilhou sobre como eles encontravam diversão com as menores coisas, de lanternas de papel com desenhos bonitos até barcos com decorações elaboradas. Ele não conseguia se lembrar de um tempo quando ele fez o mesmo, só pedaços de uma vida antes das minas. Vagando pela escuridão na maior parte, frio e medo, fome e cansaço. Havia alguém lá para ele? Alguém para amá-lo como Irmão amava Tate e Tali? Alguém cuja mão ele poderia segurar ou braços nos quais ele podia descansar?

Baledagh não estava certo, mas em seu coração, ele sentiu que a resposta era provavelmente não.

Essa realização manchou a alegria desse momento e todos os sorrisos contentes e tapinhas congratulatórios do mundo não poderiam consertar seu humor azedo. Ao passo que não podia negar que queria tudo isso para si mesmo, essa era a vida de Irmão e o amor e apoio deles era para ele. Baledagh era uma aberração, uma segunda mente presa em umaa vida que não era dele e não importa o quanto ele fingisse, nada mudaria isso. Tão distraído por suas reflexões que Baledagh acidentalmente deixou cair sua tigela de macarrão e queimou suas mãos na sopa quente ao tentar pegá-la. Chiando de dor, ele soprou suas mãos e balançou sua cabeça, ansiosamente se certificando de que ninguém se machucou antes de fingir mais um sorriso para tranquilizar a família feliz de Irmão.

O que Baledagh estava fazendo aqui? Gotinha deveria ter comido ele e deixado Irmão para trás, então todos os problemas deles estariam resolvidos…

Quando o jantar acabou, Baledagh disse que estava cansado e voltou para sua yurt, escoltado por Sumila, Mei Lin, Mamãe Coelhin e Pingping. Enquanto Pingping se arrumava na terra, Mei Lin se juntou a Mamãe Coelhin para inspecionar os coelhinhos e deixou Baledagh sozinho com Sumila. Esfregando a bochecha dela em seu ombro, ela Enviou, — Sabe… você ainda não perguntou sobre sua Arma Espiritual…

Ah não. — Desculpe. — Ele Enviou. — Com o Despertar e todo o resto, fugiu da minha mente. — Mesmo sem ver o rosto dela, ele sabia que disse a coisa errada, coração caindo enquanto ela murchava ao seu lado. — Me conte sobre ela?

— Hmph. Eu deixei com Papai então você pode achar ela por conta própria. — Soltando sua mão, ela bufou e cruzou seus braços em desagrado, murmurando coisas desagradáveis. Ela era tão temperamental e inconstante, violenta e exigente, Baledagh não conseguia entender o que Irmão via nessa chata de pavio curto.

Então por que seu coração doía ao ver ela triste?

Ficando em silêncio até Mei Lin terminar, Baledagh assistiu elas irem embora e entrar na yurt de Li Song do outro lado. Atrasadamente notando que Banjo e Baloo foram com elas, ele riu baixinho com a persistência da garota-lebre. A garota travessa ainda ficou com Aurie, deixando Baledagh passar a noite sozinho em sua yurt ou sob as estrelas com Pingping e os coelhos. Não importa, ele conseguia sobreviver uma noite sem ursos para abraçar, gato selvagem afetivo demais e sem a nova Arma Espiritual também. Melhor deixar ela para Irmão se vincular e se ele precisasse de uma desculpa, ele podia dizer que precisava dormir antes de encontrar como Embaixador na frente dos oficiais e soldados de maior patente no Império.

Ah Mãe amada, o que ele ia fazer com esse encontro?

— Eh-Mi-Tuo-Fuo. — Saindo das sombras no segundo que Baledagh fechou a porta, o monge juntou suas mãos e se curvou. — Falling Rain, este aqui pede um momento de seu tempo.

Dando um olhar puto para o monge, Baledagh considerou só ignorar ele, mas decidiu que não era algo que Irmão faria. — Já que está aí entre então. Eu vou fazer chá. — Porra, por que ele disse isso? Como se parecem folhas de chá? Depois de pôr a chaleira no fogo, ele revirou o baú onde Irmão mantinha suas coisas e perguntou, — Então… o que você quer?

— O que este aqui quer é irrelevante. — O monge respondeu, sentado com as pernas cruzadas, costas retas e barriga saliente. — Este aqui foi enviado para iluminar a pessoa que foi escolhida pelo Abade e essa pessoa é você. 

Isso de novo não. Pegando uma caixa de madeira aleatória, sem etiqueta cheia com folhas pretas, ele rezou para não ser nada valioso ou venenoso demais. Ele devia tentar uma caixa diferente? Nem, não precisa. Essa vai servir. — Por que?

— Por que este aqui foi enviado ou por que o Abade te escolheu?

— Ambos, eu acho. — Jogando um punhado na água ainda fria, ele se sentou na frente do convidado incômodo e esperou por uma resposta, mas o monge franziu ao ver a caixa de madeira, fechou seus olhos e se sentou perfeitamente parado além de seus lábios que se moviam sem emitir som. Com nada melhor para fazer, Baledagh esperou a água ferver e quando ele checou a chaleira, ele ficou feliz de ver que tinha cheiro de chá doce, maravilhoso, mas ele achou meio estranho por alguma razão. Quando a água estava prestes a ferver, ele despejou um copo para o monge, outro para si e ignorando decoro apropriado, levantou seu copo de chá para beber.

Mão avançando como uma cobra, o monge roubou o copo de chá das mãos de Baledagh sem derramar uma gota sequer. Mais chocado e pasmo do que com raiva, Baledagh suspirou e disse, — Tá, foi um pouco rude da minha parte começar a beber sem você, mas eu estou com sede e não sabia quanto tempo você ficaria sentado aí.

Estudando ele atentamente, o monge pairava acima dele, mas Baledagh não se importou. O monge era um pacifista então o que ele precisava temer? Se provando certo, o monge abaixou o copo de chá e murchou, descansando seus cotovelos na mesa e levantou seus vários queixos com suas mãos. — Eu não consigo te entender e essa é a verdade. — O monge disse, perdendo toda a pompa e pretensão enquanto ganhava um indício da fala arrastada de um plebeu. 

— Sem mais “este aqui” ou “irmão mais novo”, saquei. — Baledagh sorriu, aproveitando sua vitória. — Você é um monge de verdade pelo menos?

— Claro que sou. — O monge desdenhou, apontando para caixa de madeira com seu queixo. — Mas você não é um herbalista de verdade. Isso aí é caule de mandril. Uma pitada vai limpar seus intestinos e você usou o bastante para drenar a merda de uma dúzia de elefantes. Pensei que você estava tentando me envenenar até eu ver você quase beber um gole. 

Puta que pariu. Por que Irmão guardou laxantes sem etiqueta perto das folhas de chá sem etiqueta? Mantendo um rosto sério, Baledagh deu de ombros e adotou um ar de indiferença. — Ah. Erro meu. Estou cansado e realmente deveria etiquetar minhas coisas. — Irmão idiota. — Eu sei que eu tenho chá em algum lugar por aqui…

— Esqueça o chá, quem sabe o que você vai pegar da próxima? Só lembre-se de despejar a chaleira em algum lugar seguro, como na sua tenda de cagar. Não quero você envenenando soldados ou animais. 

— Anotado. — Consciente dos hábitos estranhos de Irmão, Baledagh mudou de assunto. — Então a pergunta ainda está de pé: por que eu? E por que você eu suponho, mas na maioria… por que eu?

— Quem sabe. — Olhando ao redor, o monge engasgou e perguntou, — Tem um vinho aí?

— Não. Malz. — Baledagh deu de ombros. — Meus hábitos alcoólicos são monitorados estritamente.

— Bom se as histórias são verdade eu não estou inteiramente certo que sim, eu posso entender o motivo. — Se inclinando para o lado, o monge balançou sua cabeça. — Você é um mistério de verdade, sabia? Eu vim aqui esperando um principezinho assassino e em vez disso eu encontro um idiota calmo, só assassino algumas vezes. Não sei o que eu faço. Senti um gosto da sua raiva hoje, mas verdade seja dita, eu não te culpo. Eu fiquei tagarelando sem parar por seis dias agora e você durou muito mais tempo do que eu esperava. — Rindo, ele adicionou, — Que bom que apostar é um pecado, caso contrário eu teria perdido feio nessa.

— … espera. — Massageando suas têmporas, Baledagh lutou para ficar calmo. — Você estava tentando me deixar puto?

 — Tive que fazer isso. Depois que você me avisou, eu não podia continuar me escondendo, mas eu precisava ver se você estava fingindo. — Dando de ombros, o monge adicionou, — Ainda não estou inteiramente certo. Você tem muita raiva dentro de você. Melancolia também e mais medo do que qualquer homem tem direito de ter. Quero dizer quem em sã consciência nota uma estrela faltando? — Ficando mais ereto com orgulho pelas conquistas de Irmão, Baledagh deu de ombros para as próximas palavras do monge. — Porém, isso mudou. Desde o seu Despertar, você tem sido menos alerta, mas de algum jeito mais focado, como uma espada desembainhada sem ninguém para usá-la. Mais temperamental também, antes você sorriria e assentiria enquanto me ignorava, mas agora, você encara e eu consigo ver a fúria assassina nos seus olhos. Além disso, você não rolou com seus coelhos desde então. Como eu disse, você é um mistério de verdade. 

Boca seca com medo, Baledagh pegou seu copo de chá que induz diarréia antes de voltar a si. E pensar que não foi a família de Irmão ou uma de suas noivas a primeira a notar a estranheza, mas um estranho completo olhando de fora. Qual era a expressão? Não dá para ver a floresta só olhando as árvores. Entretido, o monge se sentou em silêncio enquanto Baledagh lutava para encontrar uma desculpa, e finalmente escolheu um, — Éee… o que?

Revirando seus olhos, o monge deixou passar. — Olha, qualquer que seja suas razões para esse comportamento estranho, eu não ligo. O que importa é que o Abade me enviou para te convencer a voltar comigo e fazer seus votos. Eu não posso ir embora sem dar meu melhor, mas eu não posso dizer sinceramente que tentei meu melhor se você não ouvir. Eu admito minhas falhas. Antes, eu estava falando para você, não com você, mas você não me deu outra escolha. Agora, eu te convido para sentar comigo para que nós possamos conversar sobre os valores e credos da Irmandade. Uma discussão de verdade, tá bom, com perguntas e respostas e quando eu tiver dito tudo que preciso dizer, eu vou voltar para casa. 

— Olhe. — Baledagh disse, segurando sua risada. — Quase qualquer outra hora, eu ficaria feliz em discutir o que fosse com você, mas se você não notou, eu sou um pouco mais ocupado do que a maioria. Eu ainda estou pensando sobre meu Despertar, eu vou cumprimentar o Embaixador amanhã e eu vou sem sombra de dúvidas ser desafiado por algum “principezinho assassino” para provar meu valor. 

— Quatro horas então. Hoje a noite e a cada noite daqui em diante até eu começar a me repetir

— Não.

— Duas horas então.

— Não.

— … uma?

— Não. 

Respirando fundo, o monge exalou em derrota. — Bom, — Ele disse, se levantando para ir embora, — Acho que vamos continuar o que estávamos fazendo então. Eu Envio e você encara. Ah e desculpe pelo nariz. Da próxima vez que você tentar me matar, eu vou tomar mais cuidado para não te machucar. 

— Espera… — Mais um dia dessas lições deixaria Baledagh espumando pela boca. — Tá bom… uma hora. — Se inclinando para trás para apoiar em seu ombro, Baledagh bocejou e disse, — Bom?

Usando seu ar de grandiosidade santa, o monge se sentou mais ereto e cruzou suas pernas. — Este aqui falou muito nesses últimos dias. Irmão mais novo quer fazer alguma pergunta?

Bom… tecnicamente, isso foi idéia de Baledagh, então parecia justo para ele começar. — Por que vocês são chamados de Irmandade Penitente?

— Porque todos nós somos pecadores com muito para reparar. 

Esperando para o monge elaborar, Baledagh logo percebeu que era só isso que ele conseguiria. — Tá… bom, você falou tanto sobre os quatro desejos e três verdades. O que é esse trem todo?

— Os Três Desejos e Quatro Verdades Nobres são as chaves para escapar do ciclo de Samsara. Primeiro, você deve abandonar os Três Desejos que são desejo por prazeres da carne, existência e não existência. Então… 

— Para. — Apertando o sua ponte nasal, Baledagh tentou entender o conceito. — Prazer carnal eu entendo, mas e quanto existência e não existência? Como alguém vai desistir do desejo de existir e não existir ao mesmo tempo?

— Desejar existência é buscar auto-identidade. Permanência na fama, glória ou legado ou até forma. Eternidade não é algo feito para nós meros mortais, algo que todos nós devemos aceitar. — Com sua cabeça erguida e olhos meio fechados, o monge parecia exatamente um mensageiro divino, sem sinal do monge pronto para ficar bêbado, blasfemo e grosseiro de antes. — Desejar a não-existência é estar pronto para evitar desagrado. Beber para entorpecer um coração quebrado, fechar seus olhos para o sofrimento do outro ou acabar com sua vida para escapar de toda a dor, todas são formas de não-existência. Os Três Desejos são a raiz de todo o nosso sofrimento terreno e ao largá-los nós podemos por um fim nisso. 

— Então, sem sexo, fama ou álcool.

— Mais do que isso. Prazeres carnais não são meramente sexo, mas se abster de todo tipo de prazeres sensoriais. Seja sexo, riqueza, poder… 

— Comida?

Tossindo, o monge abriu seus olhos e encarou Baledagh antes de rir em concordância. — De fato, este aqui é longe de ser perfeito, mas todos nós temos nossas falhas, Irmão mais novo. É feio apontar o dedo. 

— Tá… — Esperando apressar o papo, Baledagh perguntou, — Então, você desistiu dos três desejos e aceitou as verdades, tudo isso para que você possa fazer… o que exatamente?

— Escapar do ciclo de Samsara.

— E isso é… ? — Foi preciso cada gota de força de vontade de Baledagh para não bocejar. Mãe acima, se tudo que o monge tinha a dizer era tão chato, então ele talvez não dure uma hora toda. 

— Reencarnação. — Vendo Baledagh se sentar com interesse, o monge adicionou, — Claro, isso é um jeito simplificado de descrever as coisas. Há muitas nuances… 

— Não, isso tá bom. — Se sentando direito na mesa, Baledagh, — Me fale sobre reencarnação. 

 

Se o monge tinha informação que podia ajudar encontrar Irmão, então talvez essa farsa toda não era um desperdício de tempo completo. 

 

Talvez. 

 

Provavelmente não.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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