DS – Capítulo 324

— O que você quer saber?

Vacilando com a pergunta do monge, Baledagh levou um tempo para pensar direito no que dizer. Ele não podia ser direto e perguntar sobre almas transmigradas que possuíam conhecimentos de outro mundo, ou almas múltiplas vivendo em um corpo ou até sobre Espectros e o que eles eram. Apesar do monge parecer amigável e útil, suas motivações não eram claras e ele não estava sob restrição alguma para manter em segredo muitos dos segredos de Irmão e Baledagh. O que a Irmandade Penitente, um grupo de monges reclusos, masoquistas, queriam com Falling Rain? Não pense que Baledagh não notou as respostas evasivas do monge no assunto também, quando perguntado de frente, o ascético gordo disse, “quem sabe?”, não “eu não sei.”

Encarado com esse dilema, ele pensou que seria prudente deixar o monge direcionar a conversa, deixando as coisas mais fáceis para Baledagh guiar a conversa na direção apropriada sem levantar suspeitas. — Finja que eu não sei nada e comece do início. — Ele disse, bancando a mente inquisitiva. — Teologia não é um assunto que eu sou bem versado. Tudo que eu “sei” é que a Mãe teve quatro filhos elementais, terra, fogo, ar e água. Então, ela usou eles para criar nosso mundo e tudo que há nele, o que fez o Pai sentir inveja, então ele criou os Demônios, que foram arruinar tudo. Agora, muitos milênios depois, aqui estamos nós dançando a mesma música. 

A fachada de “homem santo” do monge ruiu quando ele abriu seus olhos para fazer careta. — Tenha respeito e escolha suas palavras com mais cuidado. Não há necessidade de ridicularizar ou denegrir o credo de ouro. — Baledagh não estava certo do motivo, mas ele gostava mais do monge depois de ver ele agir como um ser humano de verdade em vez do pregador “mais santo que você.” Limpando sua garganta o monge começou outro sermão, o primeiro que Baledagh realmente estava ansioso para ouvir. — O que você disse é a versão dos eventos mais aceita, mas tais coisas são… difíceis de provar ou desmentir. Continuar discutindo sobre isso é contra-produtivo e feito somente no interesse de auto-identidade, então é melhor focar em outras coisas.

— Tá. — Pareceu uma desculpa para falar de outra coisa, mas como o monge disse, pressionar nesse assunto é irrelevante. — Então onde a reencarnação entra nessa história e como ela funciona. 

— Enquanto nós não entendemos direito os mecanismos por trás da reencarnação com qualquer certeza, por toda a história houve vários exemplos de indivíduos lembrando de memórias de vidas passadas, a melhor evidência da disponibilidade da reencarnação. — Finalmente, algo que a ver com Irmão e suas circunstâncias misteriosas, mas o monge prosseguiu imediatamente. — Dessa forma, nós sabemos que vivendo em um ciclo de reencarnação e a Primeira Verdade Nobre nos diz que a vida é sofrer, mas para qual propósito? Você mesmo sentiu o amor da Mãe, quando você primeiro tocou na Energia dos Céus e de novo quando você Despertou recentemente. Você experimentou o abraço cálido Dela em primeira mão e se beneficiou dos ensinamentos benevolentes Dela, então por que você pensa que Ela nos permite sofrer?

“Talvez Ela seja uma vadia sádica”, Baledagh quase disse, até ele lembrar de seus modos. — Essa é a vida, — Ele disse com um dar de ombros. — Desafio e tribulações sem fim. 

Ele preferia voltar para a parte das memórias, mas o monge continuou, se animando com o catequismo de Baledagh. — Desafios e tribulações, mas não sem fim. A Segunda Verdade Nobre nos diz que nós sofremos por causa dos Três Desejos, sexo, fama e álcool como você resumiu tão pobremente. A Terceira Verdade Nobre nos diz que há um caminho para escapar, ao se livrar dos Três Desejos e alcançar o Nirvana. Dessa forma, vida é sofrer, mas a Mãe sempre deixa outro caminho, o que nesse caso é a Quarta Verdade Nobre: O caminho para o Nirvana está em viver sua vida de acordo com o Nobre Caminho Óctuplo. Compreensão correta, Pensamento correto, Fala correta, Ação correta, Meio de vida correto, Esforço correto, Consciência correta, Concentração correta.

Aff. Tantas coisas para lembrar, mas Baledagh deu seu melhor. Por Irmão. Ele seria capaz de passar por tudo isso, então Baledagh recitaria isso para ele. — Tá… então desista dos Três Desejos, aceitar as Quatro Verdades Nobres e seguir o Nobre Caminho Óctuplo para atingir o Nirvana, que é…?

— Um plano de existência superior. — Rindo com o olhar incrédulo de Baledagh, o monge deu de ombros. — Eu fiz a mesma cara e ao passo que minha fé no objetivo final vacile de tempos em tempos, obediência as leis da retidão importa mais do que idolatrar o Divino. Se no fim da minha vida, eu descobrir que não há Nirvana, então pelo menos eu terei vivido minha vida do melhor jeito que pude. — Com um olhar distante, o monge refletiu em alguma memória com um sorriso tão genuíno que Baledagh não conseguia não ficar com inveja. No pouco tempo que ele existiu, Baledgah não fez nada digno de lembrança. Atacar o Demônio Vivek, lutar contra a Sociedade no palco quando Mila ou Yan teriam resolvido isso facilmente, o desastre todo com Qingqing, ele viveu uma vida cheia e falha e arrependimento. Se os ensinamentos do monge poderia trazer a mesma alegria e paz interior para Baledagh, então talvez ele pudesse ser mais mente aberta sobre tudo isso.

… e de novo, sem sexo, fama ou álcool. Perder qualquer um desses já ferrava com tudo, sem mencionar ter que virar vegetariano. 

Trazendo a conversa de volta para o rumo, o monge continuou, — Outras conjecturas foram feitas e teorias alternadas por milhares e milhares de anos. Alguns dizem que esse mundo foi feito como um teste para a força marcial e só aqueles que se provassem dignos poderiam ascender para um plano superior e participar da Guerra Santa. Outros acreditam que há infinitos mundos no multiverso e esse mundo é uma punição para transgressões cometidas em vidas passadas. Alguns até tentam acreditar que todos nós somos duplicatas de uma única alma que pertence a uma Ser Divino pré-natal e esse mundo uma ferramenta para ensinar a ele ou ela sobre a humanidade. Há incontáveis teorias sem substância  e escolher a certa não é fácil. A teoria que eu te mostro é a mesma e é escolha sua aceitar ou não. 

— Oh, eu tenho escolha agora? — Baledagh sorriu ironicamente. 

— Fé é irrelevante para a Irmandade. — O monge igualou o sorriso sem humor com um dele próprio. — Isso não quer dizer que nós não temos razões para amparar nossa teoria, mas uma teoria vai permanecer como tal até provas puderem ser encontradas. Primeiro, um poder superior existe, um que nos guia em direção a um objetivo final através da Energia dos Céus. Você aceita isso?

— Não inteiramente, — Baledagh respondeu, dando de ombros em desculpas. — o “Abraço da Mãe” poderia ser várias coisas além de uma deidade toda poderosa instilando conhecimento nos servos Dela. Poderia ser conhecimento de vidas passadas voltando para nós ou aliens transmitindo conhecimento através de tecnologia avançada. — Ou espíritos benevolentes trabalhando como a contraparte dos Espectros, mas ele não poderia dizer isso alto. Ninguém sabia dos Espectros além dos Corrompidos e explicar eles só traria perguntas que ele não queria responder. Notando o olhar amargo do monge, Baledagh tossiu e adicionou, — Mas éee… vamos fingir que eu aceito. Por favor, continue.

Revirando seus olhos, o monge foi na onda. — Nós também sabemos que apesar Dela ter feito todas as criaturas no nosso mundo, somos nós humanos que ela moldou a Sua imagem e os únicos capazes de ascender ao Nirvana?

— … somos? Um belo salto na lógica aí…

— É mesmo? Me diga, o que separa humanos de animais? — Antes de Baledagh puder responder com algum comentário sarcástico, o monge respondeu para ele. — Sabedoria! Um animal pode se melhorar, pode aprender a caçar, se esconder, rastrear ou lutar melhor, mas ele não pode aprender a superar seus instintos. Um tigre não vai cuidar de um boi para comer no inverno, nem um cavalo vai subornar um lobo pela sua vida. Um animal é um escravo de seus instintos enquanto humanos podem aprender a superá-los. Honra, ética e integridade, cada qual uma parte integral da vida humana os quais nenhum animal vai entender. Animais também sofrem com os Três Desejos, mas apenas humanos tem a capacidade de superá-los. É por essa razão apenas que, ao alcançar Verdadeira Iluminação, uma besta antiga irá instintivamente brandir a Energia dos Céus para formar um corpo e mente humanas. Só com a sabedoria humana elas vão ser capazes de dar o próximo passo na jornada da vida, o qual nós da Irmandade acreditamos ser alcançado ao se chegar no Nirvana. 

Isso estava saindo do assunto. Por mais interessante que isso fosse, Baledagh estava aqui em busca de resposta sobre seu Irmão e onde ele pode ter ido. Em vez de perguntar diretamente sobre almas gêmeas, ele pensou que seria melhor bancar o cético. — Você diz que reencarnação é real porque há indivíduos que lembraram de memórias de uma vida anterior, mas se isso acontece então por que nem todo mundo se lembra de suas vidas passadas?

Só aceitando a mudança de tópico, o monge respondeu com confiança, como se ele tivesse feito a mesma pergunta várias vezes antes. — Em tempos imemoriais, um membro da Irmandade postulou que passar de uma vida para a próxima é como transferir uma chama de uma vela se apagando para outra não acesa. A vela muda, mas a chama permanece a mesma, assim como o corpo muda e a alma permanece. Já que memórias são guardadas na mente física, então nenhuma é transferida para a vela nova, mas com treino dedicado, muita sorte ou até Intervenção Divina, alguns indivíduos são capazes de pegar de volta através do karma suas memórias de vidas passadas. Há outras teorias, por exemplo como nossas memórias são dadas para o Ser Divino do qual nós viemos a ser ou memórias são perdidas para que o karma possa ser quebrado ou que o nascimento é traumático para a alma e memórias são perdidas, mas a teoria da vela é a qual este aqui acredita. 

Tremendo com antecipação, Baledagh mal esperou até o monge ficar em silêncio para perguntar, — E que tal nascer com memórias de uma vida passada? Isso já aconteceu? Uma criança poderia sair do útero falando ou um filhote sabendo como jogar xadrez?

Abrindo seus olhos para se certificar de que Baledagh não estava zoando, o monge assentiu. — Apesar de ser raro, há casos de crianças nascerem com memórias de outra vida, mas este aqui nunca ouviu falar de um cachorro que joga xadrez.

Finalmente, ele podia fazer a pergunta importante, a que ele estava esperando a lição inteira para fazer. — E que tal duas almas compartilhando o mesmo corpo? Ou uma alma se dividindo em duas? Tipo uma tem memórias de vidas passadas e a outra não? — Hesitando em responder a pergunta, o monge estudou Baledagh silenciosamente com uma expressão impossível de se ler. Preocupado que ele se entregou demais, Baledagh tentou recuar e adicionou, — ou éee, tipo, uma alma masculina lembrando de memórias femininas. Ou o oposto. Sabe… porque seria engraçado…

Depois de um silêncio desconfortável, o monge juntou suas mãos e curvou sua cabeça. — Este aqui deve se desculpar. — Ele Enviou, cabeça ainda abaixada em desculpas. — As perguntas do Irmão SanDukkha não podem ser respondidas sem um Juramento de silêncio. Você deve jurar nunca repetir o que você vai ouvir a menos que seja para um membro da Irmandade e mesmo assim, nunca deve ser dito alto. Isso toca nos preceitos principais da Irmandade e nosso maior segredo, caso contrário este aqui não insistiria. 

Agora foi a vez de Baledagh ficar em silêncio e encarar, se perguntando se valia o esforço. Até agora, tudo que o monge fez foi tagarelar sobre teoria, especulação e filosofia. O que possivelmente ele poderia dizer que necessitaria de um Juramento de silêncio? Mais bobagem não pensada direita de estudiosos mortos a muito tempo? Por que se incomodar com isso, só fala para ele ir se ferrar e acabe com isso.

Mas… Irmão estava desaparecido e Baledagh precisava encontrar ele antes do encontro de amanhã com o Embaixador. Uma chance pequena era melhor que nada, então Baledagh cortou sua palma com Paz e fez o Juramento. — Eu faço um Juramento para os Céus. Eu nunca vou revelar o que eu estou para ouvir para ninguém fora da Irmandade e nunca falarei disso alto. Isso eu juro com os Céus como minha testemunha. — Ele odiava fazer juramentos, faziam ele se sentir tão restringido, como ser dito para não pensar em um elefante e não ser capaz de fazer isso. 

— Eh-Mi-Tuo-Fuo. — Ainda falando através de Envio, o monge colocou uma palma na mesa, obviamente para Baledagh poder tocar caso ele precise Enviar uma resposta. — Antes de nós começarmos, este aqui precisa lembrar Irmão SanDukkha de permanecer calmo e saber que não há nada para se temer da Irmandade. 

Cruzando seus braços em desafio aberto, Baledagh bufou em desdém. — Por que eu ficaria com medo.

— Porque — O monge Enviou, ambos os olhos abertos e cheios de compaixão, — este aqui sabe o motivo de Irmão SanDukkha estar tão ansioso para saber de múltiplas almas em um único corpo. 

Enrijecendo de surpresa, Baledagh apertou o cabo de Paz e considerou suas opções. Como ele sabia sobre Irmão? O monge era responsável por levá-lo embora? Por mais pacifista que ele seja, o monge não era um alvo fácil de matar ou ameaçar e não é como se Baledagh pudesse pedir ajuda para Akanai. O que ele diria? “Vovozinhaaaaaa, o monge roubou meu alter-ego, sabe, a personalidade que você conhece mais. Faça ele devolver”. Sim, isso daria muito certo.

Não… seja esperto. Tocando nos dedos do monge, ele Enviou, — E o que você sabe exatamente?

— Que você já foi um Corrompido. 

Ah… isso é muito pior do que o esperado…

Ficando de pé com um pulo, Baledagh rosnou e avançou contra o monge com Paz em mãos, mas o monge estava pronto para ele. Deslizando para o lado enquanto ainda estava sentado, ele evitou elegantemente o ataque de Baledagh. Ficando de pé com um rolamento, Baledagh se virou para atacar novamente, só para encontrar a palma do monge esperando a centímetros de seu rosto. — Irmão SanDukkha por favor, — O monge Enviou, calmo e relaxado como nunca. — Este aqui não quer te causar mal. Seu segredo está seguro com a Irmandade.

Batendo no braço com sua mão livre, Baledagh falhou em movê-lo nem que seja um pouco. Ele podia ter tentado mover uma árvore gigante com um matador de mosca que daria na mesma. — E por que eu deveria acreditar em você?

Recuando sua mão, o monge fechou seus olhos e curvou sua cabeça em reza, dando Baledagh uma abertura para atacar. — Porque — Ele Enviou enquanto Baledagh sacava Paz para um arremesso, — este aqui e muitos outros da Irmandade, já foram Corrompidos.

Congelando no lugar, Baledagh deixou sua espada cair por puro choque, encarando o monge sentado cujos olhos ainda estavam fechados em reza. Coração disparado e garganta seca, foi necessário várias tentativas para sair um quebrado, — Eu não acredito em você. 

— Os Espectros falam com você. — O monge Enviou, despreocupado com a acusação de Baledagh. — Eles te dão poder e te fazem mais forte, te prometem mais se você apenas se render. — Abrindo seus olhos, ele deu Baledagh um aceno aprovador. — Mas você não se rendeu, nem sucumbiu. Você lutou contra os filhos malignos do Pai, resistiu suas tentações, mas ainda se manteve disponível para o poder deles quando necessário. Então, uma gota da Água Celestial te encontrou e limpou a Mácula da sua alma, agora você pode andar na luz santa da Mãe. Eh-Mi-Tuo-Fuo.

Caindo de bunda no chão, Baledagh se sentou e encarou o monge com espanto. — Como você descobriu?

— Você conheceu Wugang do Punho Radiante em Sanshu, que já foi um iniciado na nossa Irmandade. Como você, ele já foi um Corrompido e como eu, o Abade salvou sua alma da condenação eterna. Eventualmente, ele abandonou a Irmandade por causa de valores opostos, mas ele ainda entende o bom que nós fazemos e mandou notícias sobre a sua boa sorte. — Com um dar de ombros leve, o monge concluiu, — O resto foi especulação baseado na sua história, por isso a necessidade de um Juramento. 

Puta merda. Baledagh foi enganado, iludido em admitir seu… segundo maior segredo sobre ser Corrompido. A existência de Gotinha, seu terceiro maior segredo, também foi descoberto, o que significa que o monge era provavelmente o responsável pelo sumiço de Irmão e Gotinha. Mas qual razão ele teria para levá-los? O monge admitir que já foi um Corrompido só foi um pequeno alívio, mas Baledagh não sabia o que fazer com essa informação. Mãe amada, o que estava acontecendo? Ele precisava desesperadamente da ajuda de Irmão para entender isso, antes dele bagunçar mais ainda as coisas como sempre. Por que ele era tão inútil? Impotente e com medo, Baledagh lutou contra as lágrimas e choramingou, — Devolve ele…

Pego de surpresa pelo pedido de Baledagh, o monge recuou e franziu sua testa. — Devolver quem? — Ele Enviou, confusão clara em sua voz. — A Água Celestial? Ela está desaparecida.

— Não. Bom, sim, mas não ele. — Deixando Paz para trás, Baledagh rastejou até o monge e pegou sua mão. — Devolva meu Irmão. — Ele Enviou, deixando sua honra dele para implorar. — Por favor, eu preciso dele. É com ele que você precisa falar, eu sou imprestável sem ele. Se você precisa levar alguém, leve a mim em vez dele. Olha, eu não sou Falling Rain, eu sou Baledagh…

Sob o questionamento cuidadoso do monge, Baledagh jogou a cautela pela janela e contou tudo para ele. Suas memórias dispersas das minas, seu tempo gasto assistindo a vida pelos olhos de seu Irmão, encontrando verdadeira consciência durante o ataque mental do Demônio Vivek, seu azar em Sanshu e tudo até o outro dia quando Irmão e Gotinha sumiram. A única coisa que ele não disse foram as memórias de Irmão de sua vida passada, mas o motivo dele escolher omitir esse detalhe em particular, ele não estava inteiramente certo. Apesar de aterrorizante no começo, quanto mais ele falava mais fácil ficava, como um peso saindo de seu peito enquanto ele revelava seu segredo mais sombrio, mais profundo, se agarrando a esperança não importa o quão pequena de que o monge teria uma solução. 

Quando a história de Baledagh terminou, o monge ficou sentado em silêncio pensativo e Baledagh ficou feliz em deixar ele em paz. Ao passo que ele não era o candidato ideal, ele encontrou finalmente alguém para depender. Durante todo esse tempo, Irmão insistia que ele criaria eventualmente um corpo novo para Baledagh, mas nenhum deles sabia nada sobre mover almas ou criar formas de vida. Se o monge pudesse pegar a alma de Irmão, então talvez, só talvez, ele poderia colocar uma alma em outro corpo, o que significava que Baledagh finalmente seria livre para viver uma vida só dele. Ele ainda ficaria ao lado de seu Irmão, mas como sua própria pessoa com sua própria vida. Baledagh o guerreiro, livre para vagar pelo campo de batalha para encontrar glória para chamar de sua, livre pra fazer novos amigos e encontrar um amor novo…

Livre para… só ser livre. 

— Irmão SanDukkha — O monge Enviou, interrompendo o devaneio de Baledagh. — Há três coisas que não podem ser escondidas: o sol, a lua e a verdade.

— O que isso devia significar?

— A mente é tudo. O que você pensa, você se torna. — Pondo suas mãos nos ombros de Baledagh, o monge olhou ele nos olhos. — Você sofreu muito como um escravo, certo?

— … sim.

— E quando você encontrou a vila arruinada nas montanhas, quando você viu os restos daquelas crianças torturadas, o que você sentiu?

— Raiva. Ódio. — Tremendo com a memória, ele piscou e sussurrou, — Havia quinze crianças. Eu contei. Quinze crianças torturadas e coisa pior. 

— Este aqui acredita que é aí quando os filhos do Pai fincaram suas garras na sua alma. — A voz do monge gentil e leve, sem acusação ou culpa. — É por esse motivo que os Corrompidos se comportam desse jeito, para que você os odeie e tenha nojo deles, para te afastar da luz da Mãe e te deixar suscetível para as mentiras do Pai. Mas você resistiu eles. 

— Eu resisti?

— Sim, porque você é uma boa pessoa com uma alma gentil. Você sabia que algo estava errado, que seus pensamentos obscuros não eram seus e torturar Corrompidos não era certo, então você se protegeu.

… o que? — Como?

Engolindo a seco, o monge ignorou a pergunta e começou a explicar algo. — Os Corrompidos não são controlados pelos Espectros, não inteiramente. Em vez disso, eles permitem que os Espectros os controlem, um detalhe pequeno, mas significante. Controle verdadeiro só é entregue aos Espectros quando o hospedeiro se rende e nesse ponto os Espectros suprimem a alma original e assumem o controle, moldando o corpo para ser mais adequado às necessidades deles.

— Um Demônio.

Assentindo, o monge segurou Baledagh no lugar e continuou. — Dessa forma, é a própria mente do homem, não seu inimigo ou oponente, que o leva até os caminhos das trevas. Os Espectros macularam sua alma e infectaram seus pensamentos, mas você foi forte e recusou eles. Você resistiu por anos até Sanshu quando a Água Celestial te livrou do toque profano deles. 

— … eu não entendo. O que isso tem a ver com meu Irmão?

— Rain… 

— Não, eu te disse, eu sou Baledagh.

Rain. — O tom firme do monge deixou Baledagh desconcertado e ele lutou para se libertar. Mantendo ele no lugar com uma pegada de aço, o monge suspirou e balançou sua cabeça. — Seu nome é Rain — Ele Enviou, mais gentil dessa vez. — Eu já vi isso antes. Depois que você encontrou a vila arruinada e durante as batalhas subsequentes, você descobriu que algo estava errado e instintivamente rejeitou a influência dos Espectros, mas não é tão fácil assim dissuadir eles. Inspirado pelas ilusões do Demônios, você criou uma segunda persona dentro da sua mente e forçou a mácula do Pai nela. Isso te permitiu a continuar tendo aqueles pensamentos obscuros sem realizá-los de fato, racionalizando que eram os pensamentos pertencentes a outra pessoa que não era você, mas seu primeiro Despertar te mostrou a verdade. Se esconder não vai te fazer bem. 

Gritando como uma besta ferida, ele lutou com o monge com tudo que ele tinha, chutando e mordendo, mas era inútil. — Não é verdade! — Ele chiou, lágrimas escorrendo de suas bochechas enquanto ele se agitava tentando sair das mãos do monge. — Meu Irmão é real! Você é um mentiroso, um enganador! Me solte! Eu preciso encontrar meu Irmão. Eu preciso dele, eu preciso da ajuda dele, por favor…

Levantando ele do chão como uma criança petulante, o monge ignorou seus gritos e Enviou para ele. — Mesmo depois de se libertar dos Espectros, você se acostumou a ter sua segunda persona lá, usando ele como uma muleta para ficar de pé ou um escudo para se esconder. Porque enquanto Irmão é mais esperto, Baledagh é mais corajoso, não é isso? Quando você está com medo, Baledagh saí para encarar seus medos e se ele falhar, então não é sua culpa. Pobre criança assustada, você foi liberto das minas a tantos anos atrás e agora você está livre dos Espectros, então está na hora de aceitar a verdade. Não há Irmão. Não há Baledagh. Só há Falling Rain. 

Por quanto tempo Baledagh lutou, ele não sabia, só desistindo quando já não havia mais forças para lutar. Puxando seu corpo esgotado para um abraço, a Aura do monge o envolveu como um cobertor cálido, reconfortante, cheio com aceitação pura, sem máculas e sem qualquer julgamento ou censura. — Está tudo bem, Rain. — O monge disse. — Você não está sozinho. Você tem sua família e você tem a Irmandade. Você é uma boa pessoa e você vai conseguir passar por isso. 

 

Chorando levemente, Baledagh fecha seus olhos. 

 

E eu os abro. 

 

Tremendo como vara verde, eu sou forçado a confrontar uma Verdade não tão Nobre. 

 

Eu não estou bem e eu não estive faz muito tempo. 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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