DS – Capítulo 326

— Eu vou só perguntar mais uma vez, você está certo de que essa informação é importante o bastante para acordar o Chefe?

Pausando no meio de sua refeição, Jorani engasgou com seu pedaço de carne seca e pão sem fermento em sua pressa para responder. — Certíssimo Senhor Rustram. — Ele crocitou, se arrependendo de sua decisão enquanto a comida meio mastigada ficava dolorosamente em  seu esofâgo. Rações secas e água eram tudo que ele conseguiu encontrar durante seu passeio curto pelo acampamento até chegar na yurt do Chefe, mas depois de sete dias passeando pela mata comendo folhas, insetos e carniça, esse trem era divino, contanto que você mastigasse. Tossindo em uma tentativa fútil de desobstruir sua garganta, ele adicionou, — O Chefe vai ficar feliz que nós acordamos ele, mas como eu ainda não consigo Enviar, ele provavelmente vai querer alguém para manter as coisas em silêncio. — Um truquezinho bacana, impedir o som de escapar, era o sonho de todo ladrão. Ao passo que ela ainda estava na lista de coisas que Jorani queria aprender, Enviar ainda estava firmemente no primeiro lugar. Nun tem coisa melhor do que encontrar um trabalho honesto como Mensageiro Imperial, passar por soldados e mercadores sem distinção enquanto eles se afastam para abrir caminho quando vêem sua bandeira. 

Engolindo mais um gole de água e rezando para isso ser o bastante para limpar sua garganta, Jorani notou o nervosismo do número dois a luz tremeluzente da fogueira, apertando seu lenço molhado de suor como se ele devesse dinheiro ao Senhor Rustram. Talvez era só a tartaruga gigante encarando eles como se estivesse curiosa quanto ao sabor, mas nunca era um bom sinal quando os caras no topo da cadeia estavam ansiosas o bastante para mostrarem. Se aproximando um pouco mais, Jorani deu seu sorriso mais inocente e sussurrou, — Senhor Rustram, se nun tem problema eu perguntar, qual o problema com o senhor? 

— Não é nada. — Senhor Rustram sussurrou de volta, o que só disse a Jorani que algo estava errado. Por que mais ele iria sussurrar? Sem precisar de mais incentivo, Senhor Rustram continuou, ansiosa para ter um ombro amigo. — É só que… o Chefe está com um humor péssimo ultimamente, com a parada do exílio dele da cidade, o ataque de tubarão e suas dificuldades em Despertar, então perturbar seu sono para fazer um relatório sobre algo que você se recusou a revelar primeiro é… estressante. 

Mãe amada… Ataque de tubarão? Despertar? Aparentemente ele perdeu coisa pra caralho enquanto escoltava a “vinícola”, mas era o bastante saber que Senhor Rustram só estava nervoso porque o Chefe estava todo ranzinza e de mal humor. De boas, Jorani já serviu dúzias de líderes de bandidos e aprendeu todo tipo de truque de babar ovo e ficar com sua cabeça ligada no corpo. — Não se preocupe Senhor Rustram, nun tenho dúvida na minha mente que o Chefe vai querer manter tudo isso bem secreto. Oras, eu aposto que ele vai inclusive elogiar cê pela prevenção astuta. — Bom, a previsão de Jorani, mas nunca doía deixar seu superior levar o crédito pelo seu esforço e definitivamente não doeria deixar outra pessoa levar a culpa. 

Quando o Chefe saiu da sua yurt, Jorani ficou mais ereto para se igualar a postura dele. Sempre iguale a energia do seu superior quando tentar cair nas graças dele, um truquezinho que ele aprendeu nos anos de subserviência. Se o chefe está alerta, então o lacaio também deve e se o chefe está relaxado, relaxe com ele, a menos que você esteja cumprindo algum dever ou por algum outro motivo para estar alerta. Se o Chefe fazer contato visual, então você segura por um segundo antes de desviar o olhar para mostrar submissão, a menos que você esteja tentando convencer ele de que você é inocente do que ele estiver te acusando. Então, você arregala bem os olhos, encara de volta sem piscar e negue, não importa o quão culpado você possa ser. 

Havia várias outras regras e nuances para ficar ligado, mas Jorani não sobreviveu tanto tempo só com palavras vazias e sorriso inocente. 

Estudando o Chefe com um olho crítico, Jorani avaliou a situação em um instante. Vestido e armado dos pés a cabeça, o Chefe parecia exatamente alguém que dormiu sem se despir. Não o admirava que o número dois estava ansioso daquele jeito, o Chefe parecia exausto e para Falling Rain, isso falava muito. Com orelhas debaixo de olhos avermelhados, cabelo úmido e colarinho solto, ele não parecia muito o jovem herói do Norte. Ainda, por mais cansado que ele pudesse estar, havia uma intensidade rara no olhar do Chefe, um olhar geralmente reservado para os seus oponentes mais azarados, esse mesmo olhar estava agora direcionado para Senhor Rustram, Jorani, Jinoe, Ronga e Siyar. Foi só uma olhada superficial, olhando para todos eles enquanto ele observava como sempre seus arredores, sempre em busca de algum perigo. Não era um jeito fácil de se viver, tão vigilante e cauteloso, mas com a frequência que o Chefe quase morria, Jorani não conseguia culpar ele por ser mais cauteloso do que a maioria. 

— Jorani. — O Chefe disse, começando sua segunda varrida dos arredores. — Você está atrasado. 

Não era o melhor dos começos, mas ele já sobreviveu coisa pior. Primeiro, reconheça sua culpa. — Desculpe Chefe. — Não precisa de desculpas a menos que o Chefe peça por uma, porque caso contrário ele nun tá interessado. Por sorte, mesmo nos seus piores dias, Falling Rain era o Chefe mais racional que Jorani já serviu. Uma sobrancelha levantada foi o necessário e Jorani aproveitou a oportunidade para explicar. — Nós encontramos algumas dificuldades e decidimos viajar apenas a noite. Eu contei para Senhor Rustram que nós encontramos evidências fortes e ele pensou que seria melhor manter isso em sigilo. — O Chefe  assentiu, mas parecia distraído enquanto ele estudava os homens de Jorani, finalmente fixando seu olhar em Siyar. Olhando para o número dois em busca de apoio, Jorani não viu nenhum vindo, então ele continuou, — Cê sabe, com uma dessas barreiras aprova de som de Chi ou talvez falar lá dentro? — O dias podem ser quentes e ensolarados na Central, mas a noite, a briza fria vindo do Mar Índigo roubava o calor diretamente dos ossos dele. 

Imóvel exceto por um tique de sua bochecha, o Chefe parou de olhar ao redor e fixou sua encarada enervante e predatória em Jorani. Isso bastou para colocar Jorani no limite, cabelos eriçados pela calma enervante antes da tempestade, a atmosfera pesada e sufocante trazida pelo olhar do Chefe. O que aconteceu nesses últimos dias? O Chefe era um capataz severo, claro, mas ele nunca foi de comandar por medo ou brutalidade, pelo menos não antes. Agora, com suas mandíbula cerrada, músculos tensos e respiração cautelosa e medida, o Chefe parecia pronto para explodir em violência em um instante. Foi necessária cada grama de coragem que Jorani tinha para ficar firme sem se encolher e ele só conseguiu porque sabia que se ele corresse poderia atiçar o Chefe. 

Depois de segundos longos, torturantes, o Chefe franziu seus lábios e bufou. — Tá bom. — Encarando o espaço vazio ao lado da porta, ele perguntou, — Se incomoda? 

— Eh-Mi-Tuo-Fuo. — O monge mais gordo que Jorani já viu apareceu do nada, sentado com olhos fechados e cabeça curvada. — Tal vigilância, tal percepção. 

— Não muito. — O Chefe respondeu. — A grama debaixo de você está rente ao chão. Senhor Rustram, quando terminarmos aqui, encontre acomodações para o nosso convidado. 

— Desnecessário. Este aqui não precisa de nada mais que a terra como sua cama e o céu como seu teto. — Abrindo seus olhos, o monge gordo franziu e disse, — A barreira está no lugar. Normalmente, este aqui não tomaria partido, mas há um odor… desagradável, pela falta de uma palavra melhor vindo dos seus soldados. 

— Você sente também? — Se virando de volta para Jorani, o Chefe disse, — Conte agora. 

— Certo. — Engolindo seu ressentimento por ser tratado de maneira hostil, Jorani recontou a viagem a vinícola, enfatizando a falta de preparação e quão desagradável a viagem foi, mas o Chefe não pareceu comovido. — Então, nós metemos o pé e ninguém ficou sabendo. — Sua história terminada, ele franziu enquanto Siyar entregava ambos os recipientes de cobre, um selado e um quebrado, enrolados em várias camadas de pano e enfiadas em um elmo de metal. — Coisa braba da peste. Até onde nós podemos falar, a luz solar é o que ativa isso. Caiu um pouco desse trem na mão de Ronga e não teve efeito por horas até o amanhecer, mas quando o trem agiu, se espalhou rapidinho. Foi subindo no braço dele e poderia ter morto ele se nós não tivéssemos decepado o membro. 

— Interessante. — A resposta do Chefe foi menos do que ideal e Jorani conseguia sentir o coração de Ronga caindo. Perder uma mão pode não ser nada para o Imortal, mas para um trombadinha, os dedos ágeis deles eram o que eles dependiam para viver. Eles podem ser Bekkies agora, mas você nunca esquece suas raízes. Se virando para o monge, o Chefe disse, — Seus pensamentos? — O monge não disse nada, mas depois de uma pausa curta, o Chefe suspirou. — Sim, parece ser isso mesmo. Tá, hora de passar isso para alguém com patente mais alta. — Com isso, ele foi embora com o monge, tartaruga gigante e Senhor Rustram atrás, deixando Jorani com suas pessoas parados no lugar. Sem obrigado, sem dispensa, sem nem um “bom trabalho” de costume, o Chefe só foi embora. 

Não. Isso era inaceitável. Até o líder de bandidos mais sádico sabia que oferecer algumas palavras de elogio, mesmo que só para manter as aparências. 

Gesticulando para os outros seguirem, mas ficassem atrás dele, Jorani correu até o Chefe enquanto dava muito espaço para a tartaruga gigante. — Desculpa incomodar Chefe, — Ele sussurrou, lutando para parecer ambos dominador e deferente ao mesmo tempo, — mas talvez cê podia dar umas palavrinhas para os meus meninos lá atrás. Não é pá nada, mas eles se esgueiraram dentro de um lugar fortemente armado e voltaram sem nem levantar uma suspeita sequer. Eu fiz parecer fácil, mas não foi nem um pouco e Ronga perdeu uma mão trazendo a coisa de volta. Uns tapinhas nas costas seria ótimo para… 

Calando sua boca com um estalo audível, Jorani gelou na hora quando o Chefe parou no lugar, a bochecha tremendo com força. Assustado demais para olhar, Jorani encarou a ponta de seu nariz, rezando pela doce misericórdia e querendo nunca ter aberto a boca. Puta merda, ele devia ter ouvido Ral e trago alguns daqueles esquilos como tributo, mas era tarde demais para arrependimentos agora. O tempo desacelerou enquanto a mão desfocada e borrada do chefe se esticava e… 

Dava um tapinha no braço de Jorani. 

— Você está certo. — O Chefe disse, ombros caindo em vergonha. Balançando a mão para chamar Ronga, ele perguntou, — Como está a mão?

— Nun é nada demais. — Ronga respondeu de cabeça erguida. O malditinho chorão não calou a boca nesses últimos dias, jogando olhares mordazes e comentários sarcásticos para Jorani, um jeito ruim de agradecer o homem que salvou sua vida. — Está crescendo de volta, mas bem devagar. Talvez três ou quatro decanas?

— Nada mal, mas você vai ter que praticar Cura outra hora. Eu preciso de você apto para lutar, então eu vou falar com os Médicos pela manhã. Olhe pelo lado bom, pelo menos Jorani não te fez provar da coisa. — Todos riram exceto o Chefe e Jinoe, que se encolheu um pouco, provavelmente se perguntando se o Chefe conseguia ler mentes. Sorrindo como um tolo, Jorani ficou ereto e assistiu o Chefe falar com seus meninos, expressando sua gratidão e admiração por um trabalho bem feito. — Vão comer algo e descansar. — Ele concluiu, dispensando eles com um punho apertado. — Amanhã vai ser um dia ocupado e algumas pessoas importantes podem ter perguntas para vocês. Jorani, fique aqui. 

Isso tirou o vento das velas de Jorani. — Sim Chefe. 

Cansado demais para fingir um sorriso apropriado, o Chefe adicionou em aprovação. — Você é um bom líder. Você fez a coisa certa em ser furtivo e manter as coisas em sigilo. Agora nós temos uma chance para pegar esses traidores desprevenidos. Não só isso, mas eu estava errado e você arriscou seu pescoço pelas suas pessoas. Eu respeito isso. — Dando outro tapinha nas costas de Jorani, o Chefe adicionou, — Continue assim. Se me vir fazendo algo errado, então não seja tímido e me deixe saber. Senhor Rustram faz um bom trabalho, mas ele gosta de fingir que eu não cometo erros. Tudo certo, dispensado. Ah e eu não esqueci que devo vocês e os seus meninos uma boa refeição. Nós vamos resolver isso quando tudo isso se resolver.

— Obrigado Chefe, cê é muito gentil. — Jorani disse, balançando sua mão para se despedir enquanto o Chefe ia embora. — Ora, cê nun deve nada para nós, esqueci totalmente da refeição. — Nem fodendo, mas a mentira não estava machucando ninguém. Ainda balançando, ele assistiu enquanto Jochi e Argat saiam das sombras para se juntar ao Chefe, mas sabendo que eles precisavam de Chi para fazer o que Siyar conseguia com habilidades praticadas fez parecer bem menos impressionante do que antes. 

Agora, se esconder a vista de todos perto de uma fonte de luz, isso era foda. Talvez o monge gordo estaria disposto a ensinar um truque ou dois para Jorani. Assobiando contente, ele voltou para sua yurt enquanto imaginava toda a diversão que ele poderia ter como um homem invisível. 

Alguns roubos e muitas espiadas em banhos, mas motivos não eram importantes quando se tratavam do Caminho Marcial. Tudo que importava era força.

Abafando um bocejo, Akanai alisou o cabelo do menino e ajeitou seu colarinho enquanto ele recontava a história de Jorani. Criança tola, como o talento número um do norte se deixou ser visto desse jeito, todo desgrenhado e cansado. Ela tinha um pouco de culpa escolhendo ficar no acampamento Sentinela em vez de ficar no dele para ficar de olho nele, mas ela temia que supervisão e cuidado demais iria chatear ele. Com tantos guardiões capazes cercando ele e Song e Mila ao seu lado, Akanai pensou que seria seguro passar alguns dias com seu marido depois de um mês longo de separação, mas talvez ela estava errada.

Pelo menos, ele não estava desleixado hoje, mas ele ainda se recusava a fazer contato visual, em vez encarando a parede da yurt de Akanai. Oh? Era uma coincidência que o menino estava encarando sua guarda Oculta nas sombras? Não, não era coincidência. Seguindo seu olhos, ela assistiu ele avistar mais dois guardas, mas ele encobriu os outros três. Percepção mundana ou Iluminação vinda de seu Despertar? Cedo demais para dizer, talvez ela devesse pedir para Jochi e Argat testarem ele. Interrompendo sua história, Akanai Enviou, — Como vai seu Despertar?

— Hein? — Piscando em confusão, o menino deu de ombros com indiferença casual e Enviou, — Ah. Eu meio que consegui me vincular com água, mas demora muito e é praticamente inútil. De qualquer jeito, onde eu parei?

Espera. — Você “descobriu” como se vincular com a água? Quando? Como? Essa tarde? 

— Não, eu contei para Lin e Mila. Song também, eu acho. — Com outro dar de ombros, o menino suspirou e adicionou, — Desculpe não ter te contado, foi um dia longo e doido, eu meio que esqueci. — Gesticulando para o recipiente de cobre em sua mão ele continuou, — Mas sim, essa coisa aqui é problema na certa. Ela come tudo e Siyar diz que tinha um armazém cheio até a boca com isso. Pior… 

Ignorando o recipiente de cobre, Akanai pegou o menino pelo queixo e levou ele em direção a luz da tocha para estudar sua expressão. Não havia sorriso tímido ou alegria disfarçada, sem indício de orgulho ou sentimento de conquista, nada além de resignação cansada e um toque de ressentimento por causa do tratamento bruto dela. Algo estava errado. Depois de anos obcecado por seu Despertar sem progresso, o menino finalmente conseguiu e compreendeu os mistérios da água e então sobre tudo depois de uma tarde? “Eu me vinculei com a água”, entregue no mesmo tom que alguém usaria para dizer “grama é verde” ou “água é molhada”, isso era absurdo. — Primeiro, vamos falar sobre seu Despertar. Explique. 

Me solte. — Sua expressão fria e exigência forte pegou ela de surpresa, mas ela soltou sua mão depois de um segundo pensando. Afagando sua bochecha para mostrar contrição, ela resistiu a vontade de sorrir enquanto ele Enviava, — Obrigado. Desculpe. Não me vinculei com a água exatamente, porque a água física não vai para lugar algum na verdade. É mais… convidar o espírito da água para entrar no meu dantian e usar meu Chi para copiar seus atributos, então eu acabei com Chi normal e Chi de Água. O problema é, quando você usa o Chi de Água, ele se vai e não se reabastece sozinho. Eu levei horas na baía e me vinculei com o equivalente a um copo de chá de Chi de Água, então desperdicei tudo imediatamente ao cuspi-lo. É um truque de festa no máximo, nem um  impressionante ainda por cima. Dificilmente vale ser mencionado.

— Bobagem. — Puxando o menino para um abraço, ela se permitiu sorrir enquanto ele não podia ver. Hmph, e eles chamaram Tenjin de talentoso quando ele Despertou com vinte anos, ele precisou de quatro anos para condensar sua primeira chama. — Este é apenas o primeiro passo e um importante ainda por cima. A cauda do seu Mentor vai balançar tanto que ela pode cair. — Uma coisa boa que Akanai não tinha tais coisas, sua herança meio-caribu não deixava marcas físicas além dos chifres que ela mantinha aparados e escondidos debaixo de seu cabelo. 

Notando tardiamente o silêncio do menino, Akanai se afastou e estudou sua expressão mais uma vez. Ainda com raiva, mas direcionada internamente, provavelmente se culpando por não entender mais cedo. Sua linguagem corporal gritava confiança, costas e ombros retos e cabeça erguida, mas seus olhos, tão cheios de dor e pesarosos que doía só de olhar. — Qual o problema criança?

Ela podia ver a luta dentro de sua mente enquanto ele considerava contar a ela seus problemas, mas no fim, silêncio venceu. — Não é nada. — Ele Enviou, fingindo um sorriso. — Como eu disse, foi um dia longo e ainda há muito a se fazer antes da manhã. 

Hm… deixar de lado ou pressionar um pouco mais?

Bagunçando seu cabelo para ela poder arrumar de novo, ela franziu seus lábios e suspirou. Não fazia sentido pressionar por mais, ele não era nada senão teimoso. Se ele não queria falar, seria mais fácil tirar sangue de pedra. — Nós estamos aqui se você quiser conversar. Agora, sobre a descoberta de Jorani, eu não estou certa o que você espera que eu faça. Criar essa… gosma armada, por mais cruel que ela seja, não quebra Leis Imperiais. — Ela pensou que o menino ficaria feliz por descobrir algo como isso, sempre falando sobre fortalecer a plebe e consertar ganância, corrupção e desigualdade como se fosse tão simples. 

— Bom, aí é que está. — Olhando ela bem nos olhos, Rain Enviou, — Algo sobre essa gosma me faz sentir que está relacionada com os Corrompidos. Eu acho que é feita de Icor demoníaco, mas eu não posso me certificar até Gotinha voltar. Mesmo assim, eu não posso provar nada disso sem revelar minhas indiscrições passadas. 

— Você perdeu a Lágrima Celestial? — Era porque a falta de fé dele finalmente enfureceu Ela demais? Akanai devia ter dado um fim nessa bobagem de “Gotinha” e instilado uma quantidade decente de medo e reverência nele. 

— Sim, mas não é nada demais. Eu estava esperando o sol nascer para pegar ele de volta e agora eu até tenho a isca. 

Gesticulando para o elmo coberto de pano debaixo de seu braço, o menino certamente parecia confiante o bastante, mas Akanai queria pegar ele pelo cangote e enfiar algum senso comum nele. Implicações religiosas de lado, uma gota da Água Celestial era um tesouro grande o bastante para mover o próprio Imperador e o menino queria esperar pela manhã para pegar ela de volta? Respirando fundo, ela cerrou seus dentes e Enviou, — Explique. 

— Ah, claro. Meu melhor chute é…

A explicação do menino não fez nada para acalmar os nervos dela, mas não havia o que fazer. Ele estava certo em esperar o amanhecer, então ela beliscou suas bochechas e deu um abraço nele, lamentando a angústia do afeto familiar. — Me dê o recipiente quebrado para guardar. Eu vou passar sua mensagem para Yuzhen e buscar conselho dela. Até lá, você vai ficar de boca calada, controlar seu temperamento e não fazer nada contra o Grupo Comercial Canston, entendido? — O Embaixador não ficaria feliz de ouvir isso de outra pessoa e ainda menos se notícias disso fossem vazadas para o público.

Olhos âmbar brilhando com fome e determinação, o menino fez careta e respondeu, — Sim Grã-Mentora, mas se houver um ataque na vinícula, eu quero participar. 

— Moleque insolente, me chame de avó ou sogra. 

— Eu não casei com Mila ainda, avó. 

— Oh? Depois de tudo que vocês dois fizeram, você ousaria tentar fugir? — Terminando de arrumar seu cabelo, ela o abraçou de novo, incapaz de prometer a ele o que queria. Mesmo se Yuzhen trouxesse isso para o Embaixador, ele poderia não permitir um ataque contra as posses de uma Besta Ancestral. Ele pode até acreditar que essa gosma seja uma arma nova para o Império e querer assegurá-la. Não, se o menino estava certo e isso fosse tudo um esquema dos Corrompidos, pode ser melhor enviar suas próprias pessoas para essa “vinícola”. — Agora para cama. Você é o talento número um do Norte o Subtenente de segunda classe mais jovem da história e depois de sua mostra imprudente de Despertar na baía, sem sombra de dúvida seus iguais vão te desafiar. 

— Dormir pode esperar. Ainda há muito a se fazer. Eu quero repassar os presentes novamente e me certificar de que não há nada de errado. Eu poderia repassá-los com você uma vez, para que você possa me dizer se há algum insulto velado ou algo do tipo? Então, eu pensei em tentar me vincular com minha arma nova, se ainda tiver tempo, já que eu posso precisar dela logo. 

Por mais que Akanai quisesse se deitar e se aconchegar com seu marido, o menino tinha boas razões para estar nervoso. Não seria a primeira vez que ele insultou alguém importante e com o evento de amanhã na frente dos olhos e ouvidos dos indivíduos mais influentes nas três províncias, um erro poderia ser custoso de fato. Abafando um suspiro, ela foi até sua yurt e voltou com a nova Arma Espiritual dele, criada e enrolada em couro lubrificado amorosamente por Mila. — Se você falhar em se vincular com ela, devolva a arma pela manhã. — O menino era um alvo tentador o bastante sem adicionar uma Arma Espiritual sem vínculo na mistura e se ela não mencionasse, ele provavelmente usaria ela como apostas como o apostador degenerado que ele era. — Venha meu neto tão problemático. Me entregue os presentes como você faria para o Embaixador e me deixe te dizer quantas vezes ele te sentenciaria a morte. 

Pondo um braço em seu ombro, ela ficou feliz quando ele se aconchegou em seu abraço em vez de se afastar com rosto corado como ele faria normalmente. Tantas pequenas mudanças nesses últimos dias, nadar na baía sem proteção, se comportar como um cavalheiro com Mila e Lin e pedir conselhos para seus superiores antes de agir. Atacar o monge em público foi estranho, mas até ela sentiu que o ascético passou dos limites ao se infiltrar na yurt do menino. Ao passo que nenhum deles falou sobre o que aconteceu lá, ela assumiu que tinha algo a ver com o hobby… depravado dele. 

Jovens podiam ser piores do que macacos no cio, mas pelo menos Rain tinha a decência de se aliviar em particular em vez de se esgueirar para puteiros e servas como Fung fazia. Talvez um encontro breve com a Irmandade Penitente seria bom para ambos, alguns meses vivendo como um eunuco pode mudar a perspectiva deles sobre melhores para melhor.

 

Apenas… como ela iria convencer eles a aceitar isso?

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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