DS – Capítulo 328

Acordando com o cheiro gostoso de carne assada, Song saiu delicadamente da pilha de animais dormindo e do abraço de Lin. Franzindo em seu sono, Lin resmungou e rolou para o lado a fim de pegar outra vítima, se agarrando fortemente a uma Mila em coma com um murmuro alegre. Ao olhar as expressões pacíficas e contentes delas, Song se imaginou da mesma forma, seu cabelo desalinhado e membros esparramados. Até em sua mente a imagem parecia bizarra e estranha, suas características familiares distorcidas em um olhar estranho de serenidade e conforto, mas ela guardou a imagem mesmo assim, um sorriso aparecia lentamente em seu rosto. 

Talvez um dia. 

Relutante em acordar elas, Song deixou Mila e Lin dormirem enquanto ela soltava os animais, os três gatos selvagens e dois ursos já esperando ao lado da porta. Indo embora com um pulo, Jimjam correu em direção as fogueiras cheirosas como um raio, só para ter que parar de repente quando Rain se colocou entre o gato selvagem e sua presa. — Não — Rain disse, congelando Jimjam no lugar com uma careta feroz. — Jimjam mal. Sem roubar. 

Provavelmente assustado pela Aura insidiosa de Rain, Jimjam colou a barriga no chão e soltou um miado de dar dó, meio desafiando meio se rendendo. Ainda com fazendo careta, Rain deu um afago de costume no gato assustado antes de mandá-lo embora, se virando para voltar a cozinhar sem se desculpar ou cumprimentar Song e os outros animais. Que estranho. Geralmente, Rain só tinha sorrisos e abraços para os seus “bebês peludinhos” preciosos, sem mencionar como ele sempre ignorava quando Jimjam estava a espreita, mas hoje, ele ignorou todos eles exceto para mantê-los longe da comida. Por que? Além disso, não era certo tratar Jimjam daquele jeito, roubar comida era um hábito ruim que Rain encorajou por ser negligente, então como ele podia assustar o pobre coitadinho por isso?

Abraçando o gato inquieto, Song tirou seu cabelo do caminho para encarar as costas de Rain, lutando para montar uma condenação severa. Infelizmente, eloquência não era seu forte e tudo que ela conseguiu bolar foi um, — Você não devia assustar Jimjam assim?

Rain respondeu sem olhar para trás, afastando as patas de Sarankho da carne com uma colher de pau. — Jimjam vai ficar bem, um pouco de disciplina faria bem a ele. A todos eles. Eu fui tolerante. É fofo agora, mas o que vai acontecer quando Jimjam tiver do tamanho de um pônei? Ou quando Banjo e Baloo forem adultos? — Irritado pela falta de atenção de Rain, Aurie se deitou ao lado dele para morder a bota de Rain, mas isso também não fez o homem taciturno sorrir. Os esforços de Banjo de subir em suas costas foram frustrados com uma batida de quadril e a risada fofa de Baloo não o comoveu, nem as patas de Sarankho tentando pegar algo invisível no ar enquanto ela estava deitada, exibindo sua barriga para uma coçada que nunca viria.

Algo não estava certo. Qualquer uma dessas coisas geralmente eram o bastante para fazer Rain se derreter, mas hoje, ele mal olhou para os animais. Sem sorriso também, mas a careta dele lentamente se dissipou enquanto os animais usavam seus melhores truques, sua expressão revertendo para um comportamento neutro, mas ranzinza. Nem ele secou Song, focado em apenas cozinhar e nada mais. Tudo isso depois de se esconder em sua yurt e na baía por três dias consecutivos e ignorando seus bichos, Mila e Lin. 

Não que Song ligava para a ausência dele, mas Mila e Lin ficavam mais e mais ranzinzas a cada dia, constantemente resmungando sobre a falta de afeto dele e discutindo soluções para ganhá-lo de volta. Primeiro, elas tentaram dar espaço para ele e esperar ele sair, então tentaram atacar ele com afeto e, quando isso não funcionou, elas pegaram todos seus bichos em um ataque de raiva, mas ainda nada mudou. Era quase como se elas estivessem lidando com um Rain novo, um Rain mais rabugento, severo e carrancudo que só se importava com seu Despertar.

Olhando ao redor, ela avistou uma Arma Espiritual desconhecida ao lado de Rain, uma alabarda sinistra, negra como azeviche. Trabalho de Mila sem sombra de dúvidas e logo seria a terceira arma de Rain. Se aproximando para olhar melhor, ela esticou a mão para pegá-la, mas parou por pouco, se xingando por ultrapassar seus limites. Nenhum guerreiro se sentiria bem em deixar outra pessoa tocar uma Arma Espiritual desvinculada e quem saberia como esse novo Rain temperamental reagiria?

— Linda, certo? — Ele perguntou, mal desviando olhar do pote enquanto ele a deslizava para ela. — Dê algumas balançadas, mas tenha cuidado. É pesada e já está vinculada.

Já vinculada? Mas ontem a noite, Mila estava reclamando sobre a falta de interesse e apreço de Rain pelo trabalho duro dela, o que significava que ele se vinculou com a arma em uma única noite. — Como você se vinculou com ela tão rápido?

A pergunta saiu sem querer, mas Rain ainda assim respondeu sem hesitar. — Ter um Palácio Natal ajuda. Eu imaginei a arma lá comigo e pronto, arma vinculada. Ainda levou umas boas quatro horas, mas é uma melhora. A espada levou mais de uma decana e o escudo meio dia e uma noite inteira. Eu estava preocupado que não terminaria a tempo para a Conferência, mas eu tinha muito tempo para gastar, então eu decidi cozinhar café da manhã para todos.

“Mais de uma decana”, como se isso fosse uma quantidade inaceitável de tempo. Como ele reagiria se soubesse que Song precisou de meses para se vincular com seu sabre? Seu conselho nem era útil já que ela não tinha um Palácio Natal. Mãe amada, como Tu podes favorecer tanto um homem só? Desanimada pela abundância de talento de Rain, Song examinou superficialmente a alabarda antes de devolvê-la. — O trabalho de Irmã é magnífico.

— Verdade. — Olhando para ela pela primeira vez desde que ele pegou a arma, os olhos de Rain pausaram um pouco no rosto de Song e ele levantou uma sobrancelha. — Seu cabelo não está trançado. — O comentário aleatório confundiu Song e ela levantou uma sobrancelha de volta, esperando para ver onde ele ia com isso. Dando de ombros, ele adicionou, — Eu nunca vi seu cabelo solto. É novo. — Ainda incerta, Song lentamente se afastou, preocupada que ele tivesse motivos escusos, mas Rain só revirou seus olhos e voltou a cozinhar. — Relaxe, eu só estou jogando conversa fora. Desculpe, sou péssimo nisso. Tanto faz, vamos esquecer sobre isso e continuar. O café está quase pronto, então você podia por favor acordar Mila e Lin?

Recusando na maior porque ela queria, Song balançou sua cabeça. — Deixe elas dormirem mais. Eu vou ver Mamãe. — Se tornou seu novo ritual matinal, Mamãe fazendo um coque elegante no cabelo de Song enquanto Papai roncava levemente ao lado delas. Ao passo que Song costumava amar as manhãs por causa da solidão que elas proviam, agora ela as amava porque era um tempo para família e companhia. 

— Eu enviei alguém para chamar eles. Fiz comida o bastante para todos. — Gesticulando para a carne assada e panela fervendo de mingau, ele deu um sorriso irônico e adicionou, — Pensei que seria bacana curtir uma refeição quente enquanto podemos. Se eu ferrar as coisas com o Embaixador mais tarde, vai levar um bom tempo antes que alguém tenha tempo de cozinhar de novo.

Muito verdade. Desdenhando baixinho, Song se virou para fazer o que ele disse antes de mudar de ideia. Apesar de Mila e Lin estarem infelizes com Rain, Song sentia que elas estava exagerando com a mudança recente de comportamento dele. Na verdade, ela preferia essa atitude nova e achou ser algo bom, mais em linha com como um herói jovem deveria agir, digno e disciplinado em vez de um homem tolo e estranho que gostava de rolar na cama com seus coelhos. Enquanto tentada em ficar parada e deixar sua atitude fria afastar Mila, Lin e seus animais, ela sentia que não seria certo punir a auto-melhora de Rain assim.

Se virando, ela disse, — Eu vou encontrar Mamãe e Papai. Vá você acordar Irmã e Lin. — Chamando os bichos para ir junto com uma bater de palmas, ela os guiou em direção a yurt de Mamãe e Papai, esperando chegar lá antes deles sairem. Essa era a solução perfeita, Rain poderia se redimir pelo comportamento rude, Mila e Lin estariam ambas mais felizes com a atenção e Song não teria que sofrer com as caretas raivosas de Mila ou os gemidos de dar pena de Lin.

Que nunca digam que Song não era gentil com seu futuro cunhado.

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— Mila, meu amor, hora de acordar. 

Gemendo com a intrusão, Mila enterrou seu rosto mais fundo em seu travesseiro. — Não… mais cinco minutos.

— É o que você disse a cinco minutos atrás. Vamos lá, o café vai queimar. — Pegando seu ombro, o intruso balançou ela levemente e Mila gemeu em resposta. Acordada totalmente agora, Mila abriu seus olhos e parou seu punho quando viu Rain sentado ao seu lado, seus olhos âmbar lindos quase brilhando no interior escuro da yurt de Song. — Prontinho — Ele disse, tocando em seu nariz com um dedo. — Eu pensei que você nunca abriria seus olhos. Pelo menos você é melhor que Lin, eu não sei como ela ainda está dormindo.

— Mm… que horas são?

— O sol acabou de nascer antes de eu entrar.

— Cedo demais. — Por que ele não se deitou ao lado dela? Ou acordou ela com um beijo ou uma mordiscada na orelha, como ele fazia enquanto eles estavam em Sanshu? Rain era tão instável assim que a paixão dele esfriou tanto depois de um único mês separados? Esfregando seus olhos com um beicinho, ela balançou sua cabeça e disse, — Não quero acordar. Dorme comigo?

— Não posso. 

— Por que não? — Ela estava com mau hálito? Ou algo pior?

— Bom, para começar, seus pais vão estar aqui logo e eu preferia não irritar eles. — Beliscando sua bochecha, ele continuou, — Já que eu gosto de ter todas as partes do meu corpo, eu pedi para Tursinai vir também e atestar meu bom comportamento… 

— Ah, não se incomodem comigo. — Tursinai interrompeu, sorrindo de orelha a orelha enquanto ela ficava de pé ao lado da porta. — Seu casal de pombinhos, só finjam que eu não estou aqui. Eu não vou dizer nada para a Tenente-General, contanto que eu possa assistir.

— … o que eu acabei de ver que foi um erro. — Rain encarou ameaçadoramente a Sentinela pervertida, mas Mila só ignorou. Tursinai estava sempre fazendo piadas pervertidas, mas ultimamente, parecia que Rain perdeu seu bom humor de sempre e estava sempre mal humorado. Ele nem sorriu quando Mila ouviu Lin e se jogou nele como uma meretriz depravada. Ele dizer que seu comportamento era “inapropriado” foi tão embaraçoso, como se Rain já tivesse se comportado apropriadamente algum dia da vida dele. Se virando para o homem enfurecedor, Mila ficou agarrada com Lin, que ainda dormia, e bufou em desagrado, esperando poder voltar a dormir e talvez sonhar com um noivo mais atencioso e doce. Com um suspiro longo, Rain ficou sentado em silêncio por vários minutos, antes de finalmente se deitar em cima da coberta, descansando de lado com sua cabeça apoiada e muito espaço entre eles. — Feliz?

Não, ela não estava. Ela não queria que ele se sentisse obrigado a mostrar afeto, mas como ela deveria dizer isso para ele como Tursinai aqui? Expressando seu desagrado com um rosnado ganhou a ela outro suspiro e um tapinha no ombro de Rain. — Obrigado pela arma. — Ele disse, voz quieta e moderado como se ele estivesse agradecendo ela por uma alface. — É um trabalho de arte lindo e eu estou certo de que será a inveja de nobres e guerreiros por todo o Império.

Com peito se enchendo de orgulho, Mila esmagou sua satisfação e bufou em resposta, fechando seus olhos e abraçando Lin. Ignorante da disputa deles, Lin dormia profundamente nos braços de Mila, sua respiração leve e constante nunca vacilando uma vez sequer a despeito do barulho e cheiro delicioso entrando na yurt. — Eu me vinculei com a arma essa manhã e eu ainda estou maravilhado por quão suaves as transições são. Honestamente, eu ainda estou chocado que você conseguiu fazer funcionar.

— Não foi fácil. — E se não fosse pela animação nos olhos dele, ela não teria se incomodado em gastar tanto tempo tentando bolar uma solução viável, mas ela queria deixar ele feliz. Era tão raro ver tal entusiasmo infantil dele, tão apaixonado sobre algo tão simples quanto uma arma que se transforma, ela não queria decepcioná-lo. É por isso que ela ficou tão chateada quando ele disse que esqueceu, especialmente depois de todo o sofrimento que ela passou sem ele.

Sorrindo, ele se aconchegou contra o ombro dela. — Bom, eu sabia que você conseguiria. Obrigado. Você é tão incrível, eu não mereço alguém como você.

Engolindo sua resposta presunçosa sobre se contentar com ele, Mila abriu seus olhos para estudar sua expressão. Ele brincou sobre coisas assim antes, mas hoje, ele realmente soava como se estivesse falando sério. Fazendo careta enquanto ela se recostava nele, ela se acomodou em seu ombro com um grunhido. — Não seja idiota. — Ela disse, segurando um bocejo. — Você é bem incrível. Você é o Subtenente de Segunda Classe mais jovem da história e você não aprendeu como se vincular com água ontem  mesmo? Mesmo se você não fosse incrível, eu ainda me casaria com você. Eu não ligo sobre suas conquistas ou títulos, eu te amo por quem você é, meu Rain doce, gentil, bobo e trabalhador.

— Sério? Tá falando sério?

— Claro. — Olhando nos seus olhos, ela se aconchegou mais fundo em seu ombro e perguntou, — Me diga amado, qual o problema? Você tem sido tão distante ultimamente? — Foi por causa de Yan? Ou talvez ele conheceu uma dama adorável, uma humana que poderia dar filhos a ele…

— Não é nada. — Ele mentiu, seus olhos cheios de tristeza o entregando. — Me desculpe, eu estive distraído pelo meu Despertar, o encontro com o Embaixador, me perguntando quem está tentando me matar e esse lance todo  com o Grupo Comercial Canston… mas não é desculpa. Me desculpe por não ter sido mais atencioso. — Beijando seu ombro, ele fechou seus olhos e suspirou. — Eu te amo também. Você é tão forte, confiante e corajosa, sempre está lá para me apoiar e me aguenta com todos meus erros e estranhezas. Eu não sei o que faria sem você. 

— Sério?

— Sim. — Afagando sua bochecha, ele deu a ela um meio sorriso cansado. — Agora, vamos comer café? Você pode voltar a dormir depois. 

Balançando sua cabeça, Mila sorriu e disse, — Mais alguns minutos. — Pressionada contra Rain e Lin, Mila queria esticar isso o máximo possível, embrulhada entre seu noivo amado e futura esposa-irmã. — Me conte sobre sua cerimônia de vínculo. Você se esfaqueou de novo?

— Ha, não. Foi só eu usando a arma para lutar contra inimigos imaginários… bem padrão. — Então, por que ele soava tão arrasado? Antes dela poder perguntar, ele a beijou na testa e continuou. — Me deu muito para pensar, sobre a vida no geral. — Depois de uma pausa curta, ele mudou de assunto. — Você fez uma arma para si também certo? Onde está?

— Hmph. E aqui estava eu pensando que você esqueceu de mim. — Dando uma cotovelada gentil nas costelas dele, ela se virou para esconder seu sorriso. — É um segredo. Se você quiser saber mais, então me desafie para uma luta e seja forte o bastante para me fazer usá-la. — Sua arma nova, Epítome, era bem mais impressionante de que a de Rain, especialmente, já que ela não teve que construir ela ao redor do fuzil a mola. Um arco era muito mais fácil de usar e tinha uma taxa de tiros mais rápida também, mas ela tinha que admitir, as armas eram mais fáceis de usar.

— Ah, eu não usaria. — Se aconchegando contra seu ombro, Rain finalmente abraçou ela direito, mas ele arruinou tudo ao bocejar. — Minha noiva amada é forte demais para eu vencer. Tadinho de mim, destinado a ser um marido agredido por todos meus anos, um destino… bem… infeliz. — Caindo no lugar, Rain finalmente caiu no sono e Mila quase não conseguia acreditar. Ah não, ele não dormiu para se vincular com sua arma nova por causa de como eles deixaram as coisas na noite passada? Seu pobre e doce Rain, mal conseguiu dormir e agora ele tinha que encarar o Embaixador assim?

Não importa. Deixe ele dormir agora e todos podiam acordar a uma hora mais apropriada. Fechando seus olhos, ela caiu no sono.

Só para ser acordada rudemente por Tursinai. — Isso tudo seria bem fofo, mas a Tenente-General vai chegar daqui a pouco.

Se encolhendo de vergonha, Mila enterrou eu rosto no cabelo de Lin e deu uma cotovelada nas costelas de Rain de novo, culpando ele por convidar Tursinai em primeiro lugar. — Vai embora. Me acorde a uma hora mais razoável. 

— Mhm. — Rain respondeu, se sentando com um gemido. — Venha vamos tomar café com todos. Por favor? Com a Conferência começando, quem sabe quanto nós vamos ter tempo de comer juntos de novo?

— Mas por que tão cedo? A conferência não ia começar no meio da manhã e mesmo assim nós nem vamos ser os primeiros a ser chamados… — Dando um olhar mal humorado para ele, Mila silenciosamente xingou todas as pessoas matinais. Quem se levanta junto com o sol? Aquelas eram as melhores horas de sono…

— Diferente de você, alguns de nós temos coisas e preparações para fazer. — Pegando sua mão, ele deu de ombros e Enviou, — Por mais que eu gostaria de dormir com você e Lin, eu preciso voltar para a baía e encontrar Gotinha antes da conferência começar. 

— O que? — Lembrando aonde ela estava, Mila segurou sua língua e Enviou, — Você perdeu? — Mãe amada, só Rain para perder uma Lágrima da Mãe. Duas vezes agora. 

— Sim, mas em minha defesa, eu não tenho controle sobre o que Gotinha faz. — Apesar da gravidade da situação, Rain não parecia muito preocupado, sentado em sua bunda enquanto esfregava seus olhos com um sorriso bobo. — Não se preocupe, eu tenho um belo palpite de onde ele está. Primeiro, eu pensei que Pingping comeu Gotinha, mas se era isso que ela estava atrás, eu estou bem certo que ela teria me comido no primeiro dia que nos vimos. Então eu percebi: Gotinha é um completo glutão. Se lembra da ilha do Yo Ling? Eu te contei sobre Gotinha indo para absorver… algo, e como eu não achava que ele era Energia Celestial. O próprio Gotinha é uma fonte de Energia Celestial, então porque ele comeria Energia Celestial? De qualquer jeito, então tem a Planta Espiritual que Mamãe Coelhin farejou que nós não conseguimos encontrar ainda. Eu estou bem certo de que Mamãe Coelhin não consegue sentir o cheiro de coisas submersas, então nós devemos procurar uma planta sem raízes flutuando na baía. 

 Resistindo a vontade de bater na cabeça dele por mudar o assunto, Mila se sentou e encarou seu noivo. — O que isso tem a ver com a Lágrima da Mãe perdida? — Homem idiota, insuportável, ela provavelmente foi embora por causa da atitude desrespeitosa de Rain, chamando uma gota da Água Celestial de “Gotinha” e “glutão”.

— Bom, Plantas Espirituais reúnem Energia Celestial, certo? Se é como uma planta normal, ela absorve Energia Celestial, usa ela, então provavelmente solta um subproduto que pode ou não ser similar com a coisa que Gotinha ama tanto. Eu penso que Gotinha saiu para dar uma mordida ou o que for e ainda está lá comendo. Nós encontramos a planta e nós provavelmente encontramos Gotinha, moleza.

Algumas vezes, Mila achava que era noiva de um idiota. Moleza? — Você está procurando essa planta por dias sem sucesso… e como uma planta poderia ser “atraída”? Plantas não nadam.

Rain deu de ombros. — Eu já vi coisas mais estranhas que plantas móveis e se eu estou errado, então só vou continuar procurando. Eu estou certo que vou achar Gotinha eventualmente. Ele voltou uma vez, então deve gostar de mim, e eu tenho uma isca ótima para atrair a atenção dele. Sabe, ontem a noite, Jorani…

É como se ele não entendesse o quão especial uma gota da Água Celestial era. E se outra pessoa achar ela primeiro? Ou se ela nunca voltar? Seu noivo doce, bobinho e enfurecedor, escolhendo a pior das horas para ser otimista. Suspirando, Mila afagou a bochecha de Rain e esperou que tudo desse certo como ele falou. 

 

Senão, então os Bekhai perderam a chance deles de nutrir uma nova Besta Ancestral, ou talvez quem sabe o primeiro Humano Ancestral…

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

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