DS – Capítulo 37

— Você tem certeza que nós deveríamos estar fazendo isso, Rainzinho? Não parece certo, né?

Mei Lin é tão tímida às vezes, é adorável. Dou a ela meu melhor sorriso, tentando fazer meus olhos brilharem, e falo gentilmente, tentando convencer ela:

— Não se preocupe, Mei Lin, tudo vai ficar bem. Eu sei o que eu estou fazendo, e eu sei que você pode fazer isso. Irá doer, mas não isso importa muito. Vale a pena, confie em mim. Só seja uma boa garota, e siga minhas instruções.

Ela me dá um sorriso tímido. Excelente, agora só falta convencer a outra.

— Eu não quero fazer isso. É humilhante. — Sumila está com o rosto avermelhado, e com o olhar voltado paro o chão. Sempre tão preocupada com o que os outros pensam dela. Eu posso consertar isso, ela só precisa de mais autoconfiança. Ela é uma pessoa incrível, e eu respeito a força dela, mas é só uma criança ainda. Facilmente manipulável.

Ponho minhas mãos nos ombros dela, e espero até que ela me olhe nos olhos antes de falar:

— Por favor? Tem que ser você. Em quem mais eu posso confiar, senão você, Sumila? Eu preciso de você para isso. Você não pode deixar a Mei Lin fazer isso sozinha, certo?

Ela treme um pouco, fazendo beicinho.

— Mas por que nós temos que fazer isso aqui? Todo mundo vai ver.

Eu sorrio para ela, piscando meus olhos âmbar.

— Deixe que eles vejam. Não ligue para eles. Só foque na tarefa em suas mãos. — Talvez um pouco de provocação para motivar ela. — Eu sei que você quer fazer isso, Sumila. Eu posso ver nos seus olhos. Apenas se renda. Eu e Mei Lin não iremos perder o respeito por você. O que os outros pensam não importa. — As bochechas dela se contorceram um pouco, escondendo um sorriso, eu acho. Eu consegui. Ela irá aceitar. Eu olho para as duas, paradas lado a lado. Elas cresceram bastante no ano que passou, Sumila é na verdade um pouco mais alta do que eu agora. Só um pouco, as orelhas dela fazem com que ela pareça mais alta do que é. Porém, Mei Lin ainda é baixa, talvez meia cabeça mais baixa, com mais carne nos ossos, finalmente parecendo uma jovem dama de verdade, ao invés de uma menininha infantil. Suas orelhas não estão tão caídas como elas costumavam ser, só meio caídas agora, mais firmes na base. Elas irão ficar eretas daqui a alguns anos? Eu sei que orelhas de cachorros são assim algumas vezes. Eu não entendo muito da biologia meio-humana. Parece tão caprichosa. Tanto faz, está na hora. Me levou uma decana inteira implorando para que elas concordassem.

Acenando com a cabeça para elas, ambas tomam suas posições como eu já tinha instruído. Eu levanto meus braços para o meu peito, mãos cobrindo a parte de trás do meu pescoço, e arqueio as costas para frente um pouco, pronto para começar. Uma inspiração profunda e eu levemente entro no Estado de Equilíbrio, mantendo ele livremente, só como um estado mental para o que está por vir, para entorpecer a dor.

Thwack! O som da madeira acertando minha carne, um estalo que atrai a atenção das pessoas ao redor. Um segundo estalo soa, seguido de outro, e outro. Os repetidos sons de Mei Lin e Sumila, acertando minhas costas e ombros com bastões de madeira leves é tudo que eu escuto, enquanto eu foco em ignorar a dor. Elas continuam por cinco minutos antes de parar, baixando os bastões e me olhando com preocupação. Eu sorrio para elas e fecho meus olhos, me entregando por completo ao nada. Com um exame interno, eu vejo que minhas costas estão uma massa de laranja, com algumas insinuações de amarelo, machucada e abusada. Não foi forte o bastante, curar isso não fará nada. Eu abro meus olhos, o choque da dor registrando mais uma vez, e falo com elas, um pouco mais severo do que o pretendido.

— Não foi forte o bastante, você precisam causar dano aos ossos, sem quebrar eles. Batam mais forte, só não acertem a cabeça e o pescoço. Eu vou ficar bem.

Eu me sinto um pouco mal de pedir para elas fazerem isso, mas eu preciso de ajuda. Eu mesmo fazendo isso não traz resultados muito bons e todos os outros a quem eu pedi ou recusaram, ou estavam “muito ocupados”. Isso é fortalecimento do corpo. Funciona, até mesmo Baatar concorda. Meus músculos e ossos são sólidos, mais densos do que os dos outros da minha idade. Eu peso bem mais do que parece à primeira vista. Isso faz com que nadar seja um pouco mais difícil, mas não tanto assim. Eu trabalhei a maior parte do meu corpo por conta própria, mas agora eu só preciso aprimorar minhas costas, e essa é a melhor maneira que eu consegui pensar. As duas continuam batendo, os impactos maçantes quase ritmados. Meu estômago e órgãos internos se movem com cada golpe, fazem eu me sentir um pouco enjoado. Foco. Respire. Só aceite a dor, é necessário. No pain, no gain.

Leva 20 minutos até que elas finalmente deixassem suas inibições de lado e realmente começassem a causar dano. Depois de algum tempo, eu dou o sinal, e elas param, respiração levemente ofegante. Elas estão me batendo por quase 45 minutos, e elas só estão um pouquinho ofegantes? Sumila eu até entendo, já que ela trabalha como ferreira e é uma lutadora incrível. Porém, a Mei Lin às vezes até faz com que eu a carregue nas costas na volta para casa depois de colhermos ervas. Ela é mais frágil e fraca. Por que ela não está cansada? Eu estou sendo enganado? Não, sem tempo para pensar nisso. Eu tenho trabalho a fazer.

Eu me sento e mergulho no Estado de Equilíbrio, e começo a chamar a Energia dos Céus. Eu só deixo ela circular ao redor do meu corpo, ao invés de direcioná-la a curar. É melhor desse jeito. Se eu usar meu chi para me curar, não vai me beneficiar tanto. Deixando a Energia dos Céus entrar no meu corpo, ela começa a me fortalecer. Ela consertará meu corpo pelo caminho, me dando mais benefícios do que se eu estivesse sem ferimentos. Uma bela descoberta da minha viagem a cidade, uma recompensa gordinha da Mãe, de uma certa forma. Porém, eu posso até estar errado, mas eu me sinto mais forte. Eu sinto a energia quente se infundir a mim, e eu caio no seu abraço mentalmente. Não há muito a se fazer além de esperar, consciente de nada além da própria consciência.

Desde que eu me tornei oficialmente um cadete, eu não tive realmente muitas responsabilidades. Eu ainda tenho meu treinamento matinal com Baatar, até que ele vá embora na primavera. Eu não podia voltar para as aulas da Alsantset, já que elas são para crianças, então Akanai começou a me treinar. Sem ninguém ter pedido. Eu costumava pensar que o Baatar era durão, mas, francamente, Akanai faz ele parecer fofinho. Pobre Baatar, tendo que lidar com ela quando era mais novo. Pobre Sumila também. Ela recebe treinamento pessoal da mãe também. Nós temos treinado combate juntos bastante, e, geralmente, ela chuta minha bunda com alegria. Ultimamente, eu não perco de maneira tão humilhante, mas o final ainda é o mesmo. Depois que ele voltou no outono, Baatar iria apenas vir assistir e talvez oferecer alguns conselhos, me ajudando quando Akanai está ocupada. Eu acho que ele amarelou, mas ele parece bem feliz, com a cauda balançando mesmo quando Akanai repreende ele. Cara estranho, provavelmente um masoquista. Porém, isso explica o temperamento da Sarnai. Eles são um casal perfeito.

Eu também continuei meus estudos com Taduk, colhendo ervas e memorizando, fazendo remédios, e diagnosticando alguns aldeões, enquanto Taduk está por perto. Muitas doenças são crônicas, então é melhor tratar elas de jeitos normais e deixar que ela mesma se cure, do que curar com a Energia dos Céus. Se outra pessoa cura uma ferida, ela voltará em alguns dias, já que ela é geralmente causada por estresse repetitivo. Deixando que ela se cure através do cultivo irá fortalecer a área ferida. Eu não sou um médico completo ainda, mas Taduk diz que eu estou fazendo um bom trabalho. Porém, há sempre novos livros para ler, novas coisas para estudar.

Os fins de tarde e as noites são meu tempo livre. Os gêmeos não precisam de mim para cuidar deles tanto quanto antes, então quase todo o meu tempo livre eu gasto treinando. Eu ainda vou nas caças ocasionais, bandidos ou animais, geralmente com alguns outros cadetes. Na verdade, eu não fiz muitos amigos próximos, mais como conhecidos, ou colegas de trabalho. Nós quase sempre trazemos de volta materiais o suficiente ou bens roubados que são mais do que o bastante para cumprir nossa meta mensal em uma viagem fácil de um dia, então é de boas. As coisas que trazemos de volta são distribuídas entre as famílias mais pobres, ou os doentes e feridos. Nós cuidamos dos nossos, e isso me faz sentir bem por ajudar. Só um único javali de uma tonelada cumpre minha cota, mas, na verdade, pode ser qualquer coisa. Remédios, ervas, peles, couro, moeda, qualquer coisa é necessária. Algumas vezes eu até me divirto fazendo meu trabalho, até alguma coisa quase me matar.

Ser um cadete é bem descontraído, por assim dizer. Ter parceiros durante uma caçada faz as coisas correrem bem mais suaves. Eu não tive experiências de quase morte em 41 dias agora. Eu comecei a contar. Pareceu a coisa certa a se fazer. É o meu maior recorde até agora, o último havia sido 35 dias, terminou por causa de uma mordida de uma cobra muito venenosa, a qual depois tentou me engolir inteiro. Eu odeio pra caralho cobras. Meu sonho é conseguir ficar um ano sem quase morrer. Eu vou fazer meus sonhos se tornarem realidade.

Eu tive de fazer uma viagem para a cidade no nono mês, como um exercício de treinamento para os cadetes, mas foi bem mais tranquilo do que minha primeira viagem. Eu tinha minhas próprias coisas para vender dessa vez também, a maioria remédios e peles, assim como meu pagamento dos Sentinelas para gastar. Eu também vendi bálsamos, pomadas, unguentos, e pílulas, com vários efeitos medicinais, cosméticos, e recreacionais, os quais são de onde a maior parte da minha riqueza veio. Um mercado comprou de cara tudo que eu tinha por quase 80 ouros. Esses nobres têm dinheiro para gastar, e eles amam suas recreações.

Eu mantive contato com o Fung através de cartas, mas ver ele em pessoa de novo foi ótimo. Ele parece ter desistido da Mei Lin, me pedindo para deixar o assunto para lá quando eu a mencionei. Acho que ele encontrou um outro alguém, isso é bom. Ver as damas do Cisne Dourado também foi divertido. Tão caro, mas vale a pena, especialmente se comparado com as… alternativas mais econômicas. Aquelas eram um pesadelo, não só na questão da qualidade das damas, mas na qualidade da vida. Nem todo bordel é livre de escravos, ou diversão e jogos. O resto das minhas moedas eu dei direto para Alsantset quando eu voltei, talvez 15 moedas de ouro. Não é como se eu pudesse gastar isso na vila, e eu não posso ser um sanguessuga para sempre. Eu sinto como se eu fosse rico quando eu vou na cidade, mas eu não sei se é a inflação, ou se o custo de vida é só bem baixo lá. Economia pode também ter magia no meio, até onde eu sei.

Contudo, a vida é boa. Primavera está quase chegando, e Baatar irá partir mais uma vez. Eu tenho 17 e meio, e os gêmeos estão quase passando os Temíveis Quatro, mas ainda adoravelmente amáveis. Os filhotes estão maiores agora, não grandes o bastante para montar, mas velhos o bastante para começar a treinar. Zabu agora mora junto com Suret e Pafu, como minha montaria pessoal, e está atualmente no fundo da hierarquia dos quins, mas ele parece mais feliz, sempre arrumando os filhotes, roubando eles para carregar e afagar. Ele está bem menos nervoso comigo agora, ainda não muito afetuoso, mas eu lido com isso. Ele arruinou minha contagem de 3 dias sem um incidente depois que ele tentou me estripar por tirar um filhote dele. Eu só queria abraçar ele. Suret o pôs no lugar dele à força por aquilo, salvando minha vida. Ela é a Rainha do Estábulo, e ninguém mexe com seu vale-refeição. Porém, eu não guardo rancor, acho que o Zabu só quer uma família. Eu deveria achar uma amiga para ele. Eu deveria achar uma amiga para mim. Eu não posso gastar todo meu ouro no Cisne Dourado, e meses de abstinência seguidos por uns dias de putaria não podem ser saudáveis. Além disso, eu acho que eu gostaria de começar minha família, mas há um certo jeito de como as coisas são feitas aqui na vila. Casar aos 20, filhos aos 25, não pode ser mais cedo, é proibido haver mães e pais solteiros. Porém, eu não conheci ninguém perto da minha idade na vila com quem eu possa me ver casando, e mulheres mais velhas já estão casadas na maioria. Eu acho que vou ter de esperar por aquela pessoa especial. Ou aquelas sete pessoas especiais. Um homem só pode sonhar.

Uma cutucada na minha bochecha interrompe meus pensamentos.

— Rainzinho, está tarde, você deveria ir para casa, né? — Mei Lin está agachada na minha frente, sorrindo, parecendo cansada. Porra, perdi a janta.

— Muito obrigado a vocês duas pela ajuda. Vocês não precisavam esperar. — Afagando Mei Lin na cabeça, eu levanto e me estico, me sentindo bem, hematomas curados, mas ainda um pouco tenso. — Eu vou cozinhar algo delicioso para vocês como agradecimento, não hoje, mas em breve, eu prometo. — Me dirigindo para casa, a lua e as estrelas iluminam o bastante para que eu veja meu caminho, e logo chego em casa. Espiando pela porta, eu vejo os gêmeos ainda brincando, então não está tão tarde. Eu preciso aprender a saber a hora só com o sol e a lua. Ou comprar um relógio de bolso, mas eles são ridiculamente caros. Eu podia ficar um mês no Cisne e nunca ir embora, e ainda teria dinheiro sobrando, ao invés de comprar um relógio. Eu sei qual das duas opções eu prefiro.

Me inclino e pego os gêmeos. Eu abraço eles enquanto eles dão risadinhas.

— Você está atrasado Rainzinho! Tá em maus lençóis. — Tali está alegre que outra pessoa vai ser repreendida, além dele.

— Hora da história? — Tate só está feliz que eu estou aqui. Criança doce e preciosa.

— Depois que eu comer pãozinho doce. — Eu carrego eles até a sala de jantar para usá-los como pequeninos escudos, onde Alsantset e Charok estão sentados, bebendo. — Me desculpem por perder o jantar, eu estava cultivando. — Comida está na mesa para mim, fria mas ainda com um cheiro delicioso.

— Coma, coma. Nós temos que discutir algo. — Alsantset sorri com gentileza para mim, enquanto Charok sorri com ironia. Fico feliz que eles não estão chateados. Eu caio de boca no jantar, vorazmente. Cultivar sempre me deixa com muita fome. Tate puxa minha camisa, boca aberta, e eu alimento ela com meus palitinhos. Tali faz a mesma coisa logo depois. — Akanai estava aqui mais cedo. Ela queria falar conosco enquanto você estava presente, mas você ficou fora por muito tempo. — Besteira, todos eles sabiam onde me encontrar. Dez minutos e eu estaria aqui. O que eles estão tramando?

Charok ri de mim.

— Eu te disse que ele não acreditaria nisso. — Ele me dá um sorriso largo. — Não precisa se preocupar, Akanai tem os seus melhores interesses no coração. Ela só quer que você faça uma viagem com ela, partindo em seis dias.

— Eu não vou. — Eu volto a comer, enchendo minha boca de arroz com meus palitinhos

Eles fazem careta, e olham um para o outro. Charok fala primeiro:

— Você ainda nem perguntou sobre o destino.

— Não ligo. Vou ficar em casa. — Não importa mesmo se for uma viagem de um dia. Eles devem achar que eu sou idiota. Nada de bom vem de viajar com a Akanai. Ela é mandona e crítica de tudo que eu faço, um bonito pacote enrolado ao redor de um núcleo azedo. Ela pode estar me ajudando com o treinamento, e eu sou grato por isso, mas ela exagera muito. Eu prefiro ser espancado com bastões de madeira para ficar mais forte. Ela quer que eu troque para chicotes. Diz que eu preciso endurecer a pele também. Ela é maluca pra caralho.

— Se você for, você pode conseguir um novo Coração para uma nova arma. — Eu me atento ao ouvir aquilo. Um Coração. Eu realmente quero um. Eu estava pesquisando sobre diferentes armas espirituais, e elas ficam bem mais chiques do que só espadas e lanças.

— Que tipo de Coração? — O Coração é a base sobre a qual a arma é feita. Não posso fazer muito se ele é como uma pequena planta ou uma presa, mas um quilograma de minério? Ou algo como os chifres ou garras de uma besta Corrompida de 5.000 anos de idade? Esses iriam dar ótimas armas. Lutar com animais com uma espada curta é a causa nº 1 do meu contador resetar. Eu ainda sou uma merda com o arco, e você não vai matar o que não acertar.

— Me deixe explicar. — Alsantset parece feliz com meu interesse. — Akanai quer te levar, assim como a vários jovens promissores, para visitar a Sociedade dos Céus e da Terra. — Minha expressão de confusão faz ela sorrir. — Eles são um grupo prestigioso, composto de diversos grandes clãs e seitas na região, cada um deles contribuíram muito para a defesa da Ponte Boreal.

Não, não, não. Eu não vou para a vanguarda da guerra contra os Corrompidos. Passo. Passo com força. Não vale a pena. Eu quebro contato com os olhos dela e volto a comer, me virando de lado para que nós não mais estivéssemos face a face.

Charok começa a gargalhar, batendo na própria perna. Alsantset continua quando ele para, ignorando minha aparente falta de interesse:

— Não seja bobo, pequeno Rain. A Sociedade está localizada a quase 2500 quilômetros da Ponte, 25 dias de viagem com um bom cavalo, 20 com um quin. Então um total de 24 dias de viagem daqui, talvez com um bom descanso entre elas. Muito tempo para que você escape se os Corrompidos conseguirem invadir a província. — Ela soa um pouco sarcástica e Charok da uma risadinha. Tá certo, então eu estou assustado ao pensar na guerra. Me deixa.

Não é meu problema. Eu não preciso saber de nada disso. Eu só vou terminar meu jantar e ir brincar com os gêmeos e os filhotes. Um silêncio estranho paira no ar, só o som dos meus palitinhos e pote para preenchê-lo. Finalmente, Tali puxa minha camisa e pergunta,

— Você traz mais brinquedos, né? Pequeno traidor. Ele quer que eu arrisque minha vida por brinquedos? Tate é mais doce, e me agarra, me pedindo para não ir embora. Eu sei quem é minha favorita agora.

— Bom? Você não tem perguntas?

Olhando para cima, eu encontro o olhar triste de Alsantset. Isso não é justo. Ela nunca me pede para fazer coisa alguma, e isso parece importante para ela. A menos que seja só porque a Akanai esteja chantageando ela. Sim, provavelmente é isso.

— Por que eu preciso ir?

Ela se alegra com minha pergunta, feliz e feminina. Eu fui enganado. Porra.

— Há uma competição sendo feita, uma caçada e um torneio, em função de demonstrar a força dos jovens com talento, aqueles com idades de 16 à 20 anos. Você foi especialmente mencionado no nosso convite. É uma grande honra, você tem que ir. Grupos de mais de 8000 quilômetros de distância estarão indo para testar suas habilidades, e você irá espancar eles até que se rendam. — Ela sorri para mim. Aquela porra de luta contra DuGu Tian Yi. Toda vez que eu escuto de novo a história, ela fica mais ridícula. Última vez que eu estive na cidade, eu ouvi alguém falar que eu cortei ele com uma faca de caça, deixando meu nome marcado no peito dele antes que ele pudesse piscar. Isso nem ao menos é possível. Meu nome leva 11 movimentos em Comum para ser escrito. — Haverá prêmios, e neste ano, eles dizem que eles terão cinco Corações de armas para presentear aos jovens mais impressionantes, assim como outros tesouros, então poderia haver ainda mais pessoas que o normal. Sua vitória traria glória para as Pessoas. — Seus olhos estão arregalados e esperançosos. Às vezes, é fácil esquecer o quão sedenta de sangue ela é, mas ela é verdadeira com a natureza animalesca dela. Uma verdadeira tigresa.

Suspirando profundamente, eu tento pensar em qualquer razão para recusar.

— Não haverá lutas até a morte, certo? Sem lutas na gaiola com animais monstruosos, sem dívidas de sangue para serem pagas, sem rivalidades entre vilas que eu precise tomar cuidado?

Ela balança a cabeça rapidamente, Charok dando risadinhas com minhas perguntas. Que foi? Poderia acontecer.

Ela levanta e pega uma caixa no canto, abre ela e me mostra o conteúdo.

— Eu sei que você está preocupado sobre o perigo, mas nós seremos escoltados por Papai parte do caminho, e Akanai pelo resto. Nós também mandamos fazer essa armadura para você, de pele de crocodurso, daqueles que você matou tão bravamente. — Eu deixei meu braço dentro dele também, não posso esquecer disso. A menos que foi no outro croco, nesse caso eu deixei um pé. Eu me pergunto se eles encontraram ele quando esfolaram o croco? — Você vai parecer tão arrojado e galanteador nela, e você pode mostrar a todos no torneio a força das Pessoas. — Ela está falando como se eu já tivesse aceitado.

Eu mal olhei para a bela armadura, resistindo à óbvia propina. Bom… eu quero um Coração para uma nova arma. Se houvesse apenas um, eu não ficaria muito confiante. Sumila provavelmente irá, e se ela não ganhar, eu vou ter de reavaliar minha percepção de força por aqui. Provavelmente, nem ao menos será uma luta justa, e além disso ela já tem duas armas espirituais. Espera. Por que eles ao menos precisam que eu vá? Eu estou sendo usado. Eles querem me levar para lá para tirar a atenção da Sumila! Tem que ser por isso. Eu posso conseguir uma arma de algum outro jeito. Lentamente e constantemente construindo minha posição com os Sentinelas, até que Akanai escolha me ajudar a encontrar um Coração. Eu posso esperar. Eu sou paciente. Sumila pode cuidar do torneio por conta própria.

— Eu recuso. Embora com certeza vai ser divertidíssimo, eu não poderia me separar dessas duas doces crianças, especialmente por tanto tempo. Eu fico tão louco toda vez que eu estou na cidade, longe deles. Além disso, eu tenho meus deveres de Sentinela para cumprir, não posso ir fugindo para viagens a lazer. — Eu levanto Tate no meu colo, minha nova favorita. Eu dou um beijo na cabeça de Tali também, porque eu ainda amo o pequeno malandro ganancioso. Eu sorrio para Alsantset, seguro na minha recusa.

— Ah sem problema, pequeno Rain. — O sorriso dela me causa calafrios, em desacordo com o tom doentiamente doce dela. — Suas responsabilidades são cumpridas simplesmente por ir lá, e claro, eu não mandaria você por conta própria. Nós todos iremos, juntos como uma família, para te assistir e ajudar. Seu amigo Fung irá para lá também, representando a cidade dele. Será um grande passeio para todos nós. — Não, espera, não. Isso não está certo. Os gêmeos pulam no chão e começam a correr por aí, gritando e rindo de alegria com a expectativa para a viagem. Traidores, os dois. Alsantset já se virou, a discussão acabada, e começa a falar com o Charok sobre as coisas que eles precisam levar, e as tarefas que precisam ser feitas antes de nós partirmos. Eu não posso parar isso. É impossível. A decisão foi feita antes mesmo de eu ter colocado o pé dentro dessa casa. Eu nunca tive chance.

 

Me resignando, eu continuo comendo meu jantar mecanicamente sem saborear ele. Nada de bom acontece quando eu saio de casa.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

11 Comentários

  1. Pior que é mó paia quando vc tem fazer alguma assim obrigatoriamente… tipo quando sou obrigado a ir no meu tio pra ver jogo de futebol….

    1. ashuashuashua, todos sabiam que era uma pegadinha, mas tava tão bem escrito que chorei de rir!

  2. “Eu deixei meu braço dentro dele também, não posso esquecer disso. A menos que foi no outro croco, nesse caso eu deixei um pé”. Rachei de rir

  3. Me pergunto ate quando a “família” dele, ira se tocar que quando o cara sai de casa, a “morte” anda atrás dele!
    Coitado já da pra notar que seu recorde ira ficar por isso mesmo (resetado). Ansioso pelo o que ira acontecer a frente!

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