DS – Capítulo 39

Huushal se sentou ao lado do fogo, perdido em seus pensamentos. Sua mão estava finalmente curada depois de várias sessões com Taduk, mas isso não ajudou a melhorar o ânimo dele. Porém, assistir o Rain gemer de dor a cada manhã com uma enxaqueca pôs um sorriso no rosto do Huushal. Aquele arrogante mereceu ter sua cabeça rachada por Mainha, por humilhá-lo daquele jeito. Huushal pediu por uma luta treino, e Rain brincou com ele, zombou dele, seus socos só leves tapas, sem chi dentro de seus golpes. De primeira, ele tinha pensado que as habilidades do Rain eram muito exageradas, que Mainha estava se gabando com as lutas treino com o incômodo. A mão quebrada foi sorte, a cabeça do Rain caindo na hora errada. Até que o Painho dele bateu na cabeça dele, repreendendo ele por seu tão arrogante, explicando a luta como se ele fosse uma criança, gritando na frente de todo mundo. Isso foi ainda mais humilhante do que a luta treino.

Então ele teve de assistir a luta treino do Rain com Mainha, que foi ridícula. Ele era um incômodo, mal tinha 1,7 m de altura, quase cômico quando estava na frente de Mainha. Ombros largos, até uma cintura fina, um gravetinho magricela para Mainha pegar e quebrar. Ele pensou que a luta treino seria uma farsa, uma piada a ser assistida, enquanto todo mundo elogiava o adotado favorecido por causa de suas habilidades medíocres. Aquele pensamento desapareceu quase no momento em que a luta começou. Não era justo o quão rápido o Rain podia se mover às vezes. Geralmente ele se movia como uma tartaruga, cuidadoso, movimentos ponderados, mas quando lutando com Mainha, Huushal quase não conseguiu seguir ele com os olhos, pulando de um lugar para o outro, seus braços e pernas um borrão enquanto ele atacava. Não era só velocidade também, duas vezes ele conseguiu empurrar Mainha para trás, o que era bem mais poder do que Huushal conseguia reunir. Mainha não estava se segurando muito na luta também, ele lutava com ela com frequência o bastante para notar isso. Ela ia com mais calma durante as lutas treino com ele, pelo menos, Mainha parecia pegar mais pesado com o Rain, derrubando ele diversas vezes. Cada acerto dela fazia Huushal se encolher, se imaginando recebendo aqueles golpes. Se fosse ele enfrentando Mainha daquele jeito, ela teria limpado o chão com ele em segundos. Pelo menos ela fez ele vomitar, no fim, Rain cuspindo a sopa e macarrão meio comido no chão.

Uma mão carnuda bateu no ombro dele, e Huushal olhou para seu Painho.

— Ainda pensando na luta treino, menino? Deixa isso para lá, foi dias atrás. — Um homem grisalho e simplório, seu Painho sempre parecia relaxado e descontraído. — Cê é maior, mais forte, e mais rápido do que ele é, mas apesar de tudo isso, ele luta melhor que você, é a verdade da Mãe. Ele podia varrer o chão com você de uma ponta da vila até a outra. — Painho riu, o afagou nas costas e se sentou ao lado dele. — Você pode ser um osso mais duro de roer com armadura completa e armas, mas seria uma luta disputada, e eu não apostaria meu dinheiro em você. Você foi muito convencido lutando com ele daquela maneira.

— Ele é só um pequeno órfão, um ex-escravo. Por que ele é tão sortudo em ser o discípulo do Baatar? Ser tão próximo da Sumila? Ele não merece isso. Se Baatar tivesse me escolhido, eu seria ainda mais forte do que Rain é agora. — Huushal desabafou, as palavras fluindo dele, incapaz de segurá-las.

— Ahh, então é sobre isso? Ser o discípulo de Baatar, e ser próximo da pequena Mila? Você gamou nela, garoto? — Seu Painho estava quase gritando agora, Huushal sinalizou urgentemente para ele abaixar a voz dele. — Bah, sua Mainha te ensina, e faz isso bem. Você acha que ela errou com você em seu treinamento? Você foi escolhido para representar a vila para sua geração. Se orgulhe disso. Não deixe que alguém mais poderoso te desencoraje. Além disso, você vem achando que é o último quin da ninhada. Ter um rival te fará bem.

— Mainha é uma grande professora. Eu não preciso do Baatar, não mais, mas Rain me humilhou lá de propósito. Ele estava só brincando comigo, se mostrando para Sumila. — Huushal não achava aquilo de verdade, mas ele falou ainda assim.

Elia se sentou na frente de Painho, se apoiando nele.

— Eu não acredito que isso seja verdade. Ele é um menino gentil, sempre brincando com aquelas crianças e aqueles filhotes. Eu não sinto malícia alguma dele. — Ela franziu a testa para Huushal. — E você exagerou um pouco, quebrando o nariz dele daquele jeito. Vocês dois estavam errados, mas você deveria saber disso. Nós te criamos melhor que isso.

Abaixando a cabeça incapaz de olhar ela nos olhos, ele respondeu:

— Sim, mãe, desculpa. — Ele perdeu a cabeça, mas o Rain parecia tão convencido na luta que foi insuportável.

Ela segurou sua cabeça com as mãos a fim de levantar seu olhar até sua mãe.

— Eu quero te contar um segredo. Nunca conte a ninguém sobre isso. — Ele assentiu, cara amassada entre as mãos dela, antes que ela largasse ele. — Sua Mainha, a pessoa mais forte que conheço, teve pesadelos por uma decana depois que ela trouxe Rain de volta. Chorando como na época em que éramos pequenas, sozinhas e perdidas na floresta. Ela teve pesadelos sobre você sofrendo, como ele sofreu. — Um profundo suspiro escapa dos lábios dela. — Quando ela se gaba do quão orgulhosa ela está do Rain, não significa que ela não está orgulhosa de você. Ela só se orgulha do fato dele ter chegado tão longe, que ela foi parte de salvar ele de algo terrível. Ela te ama, Huu, e está tão orgulhosa de você. Significaria muito para ela se você fosse amigo do Rain. — Elia se levantou, afagando ele nos ombros. — Você dois são das Pessoas, e ambos são muito fortes. Você não deveriam ser hostis um com o outro. Qualquer glória que você conquiste é dividida, como são os fardos. — Ela se inclinou nos braços de Painho.

Huushal continuou a encarar o nada. Ele foi um tolo, e orgulhoso. Não era porque Baatar era o professor do Rain. Mainha é tão boa quanto, senão melhor. Rain só era melhor que Huushal naquele momento. Talvez foi por causa de seu talento, ou seu empenho, mas o porquê não importava. Não seria para sempre assim, Huushal jurou. Ele trabalharia mais duro do que nunca, não mais subestimando seus oponentes. Ele provaria a si mesmo, se não na competição, no combate de verdade, e depois disso todos falariam de Huushal, Sentinela das Pessoas, Discípulo de Ghurda. Então, Sumila iria olhar para ele e iria esquecer tudo sobre aquele incômodo. Ele sorriu com o pensamento, e relaxou para encontrar o Equilíbrio.

Mila apoiou o bastão em seu ombro, com um olhar de satisfação no rosto. Ela sempre pensou que os métodos de treinamento do Rain eram estranhos, mas estava feliz em ajudar ele nesse em particular. Bater nele ajudava a extravasar todas as frustrações dela, especialmente com toda a pressão adicional que Mamãe botava nela ultimamente para não perder para ele durante os treinos de combate. Era por pouco algumas vezes, e o progresso dele era nada menos do que extraordinário.

Rain se sentou no chão meditando, curando suas feridas, então Mila foi embora, incapaz de se sentar e assistir o Rain, como a Lin fazia toda vez como se o rosto dele fascinasse ela. Ele nem era tão boa pinta. Quando questionada sobre isso, Lin iria simplesmente fechar a cara e ignorar ela. Aquela garota bobinha, qualquer crítica sobre o Rain, e o ânimo dela iria murchar. Ela ignorava os olhares das outras pessoas com quem dividíamos o acampamento, soldados e viajantes sem distinção. Era embaraçoso para os aldeões, mas esses eram estranhos. Por que ela deveria ligar? Ela se sentou no chão perto do fogo, e felizmente Charok deu a ela uma tigela de mingau de arroz delicioso. Rações de viagem eram difíceis de digerir, mas os pratos que Charok cozinhava no acampamento eram um deleite.

— Cansada de sua malhação, hein Mila? — Charok estava sorrindo largamente para ela, um brilho estranho em seus olhos. — Obrigado por ajudar meu irmão mais novo toda hora. Ele tem uma noção de treinamento estranha algumas vezes. Eu estou certo que ele aprecia isso também, se ele não disse nada.

Corando sob a análise dele, Mila murmurou uma resposta para ele, focando em sua refeição. Todo mundo continuava sugerindo para ela ter algo com ele. Lin estava animada com isso, sempre apontando os pontos bons dele e o quão bem os três se davam. Isso era verdade, mas o Rain tinha gostos indecentes, sempre fugindo para prostíbulos. Bom, duas vezes, mas ainda assim ele não deveria fazer isso. Ele ficaria satisfeito com só duas esposas? E se ele escolhesse uma terceira, uma com quem Mila e Lin não se dessem bem? Ou pior, uma quarta e quinta? Além disso, ele nem ao menos parecia interessado nela, nunca batendo papo ou flertando, nunca perguntando sobre o dia dela, ou levando ela para caçar. O único tempo que eles passavam juntos era treinando, e suas perguntas sem fim sobre treinamento. Ela ficou amuada, se preocupando sobre sua falta de charme. Mesmo que ela não estivesse interessada nele, por que ele não estava interessado nela? Faltava algo nela de algum jeito?

Mamãe sentou ao seu lado, com o braço dando a volta em seus ombros, e puxou ela para um abraço. Mamãe sempre sabia quando ela estava irritada, e sempre estava lá para ajudar. Elas se sentaram juntas daquela forma em um silêncio confortável, aproveitando o céu estrelado enquanto Mila comia, pensando profundamente. Huu sempre mostrou interesse nela também. Ele era gato, mas muito mal-humorado e temperamental às vezes. Era adorável quão vermelho o rosto dele ficava quando ele falava com ela, algo que ela gostava de ver. Ele provavelmente seria tão indecente quanto o Rain, se não mais. Chakha tinha duas esposas, então Huu provavelmente esperaria ter duas esposas também, e Lin nunca iria desistir do seu querido “Rainzinho”. Mila suspirou em frustração, se inclinando contra Mamãe para se apoiar. Esqueça isso. Ela ainda era jovem, e tinha tempo para decidir. Coisas poderiam mudar, ela poderia encontrar algum jovem herói na competição, alguém que iria encher ela de afeto, ao invés de sempre perguntar a ela coisas idiotas, ou pedir para ela fazer algo embaraçoso em público.

A competição seria excitante e diferente, testando ela mesma contra os melhores jovens da Província Norte. Os prêmios não a atraíam muito. Mamãe e Papai sempre estavam dispostos a levar ela para caçar por um Coração, e ela era jovem demais para ter mais de duas armas espirituais de qualquer forma. O dantian dela precisaria de tempo para se estabilizar e crescer antes que ela fosse capaz de marcar uma terceira. Só marcar o escudo dela levou a maior parte de uma decana, deixando ela exausta e um pouco envergonhada. Pelo menos o Rain foi ainda pior, levando quase duas decanas para se vincular com sua primeira. Não, a atração da competição era diferente para ela. Mila queria ver o mundo, viajar para lugares diferentes, conhecer pessoas de culturas diferentes. Ler sobre o assunto nunca seria igual, ela tinha que ver tudo com seus próprios olhos. Ganhar a competição poderia ajudar a convencer os pais dela a permitirem que ela fosse fazer exatamente isso. Eles sempre diziam que era muito perigoso, e ela deveria esperar até que fosse mais velha, mas outros da idade dela estavam se juntando ao Exército Imperial para lutar contra o Inimigo e proteger os cidadãos. O que era uma pequena viagem, se comparada com aquilo?

Ela se virou para olhar de volta para o Rain, ainda meditando profundamente, focado no seu treinamento. Ela não podia perder para ele, especialmente na competição. Ela iria precisar trabalhar mais duro do que nunca para ficar na frente dele. Ela conseguia imaginar a cara estúpida de felicidade se ele algum dia ganhasse dela. Enfurecedor. Limpando as palmas nas calças, ela se levantou e foi até uma área vazia, demonstrando as Formas, mergulhando no Estado de Iluminação.

Sobre as ameias, Baatar olhou através da Ponte, meditando em silêncio. Uma faixa desolada de terra, grama marrom e água empoçada, a paisagem congelada do inverno em transição com a primavera. Essa era a vanguarda da guerra contra os Corrompidos. Depois de duas décadas de patrulhas entediantes, matando vagabundos e demônios recém-ascencionados, o Estandarte de Ferro finalmente conseguiu o privilégio de estar ali. Ele inspirou profundamente, o ar gelado fresco enchendo seus pulmões e o formigamento nostálgico dos pelos do nariz. Ele estava aqui para lutar, para matar, para defender as Pessoas, para defender o Império.

Andando de um lado para o outro em seu posto, Baatar esperava ansioso pelo ataque. Viria, sempre vinha, os Corrompidos vindo das terras congeladas, avançando ao lado de aberrações monstruosas da natureza, comandadas pelos Demônios habitando cascas fabricadas, pesadelos materializados. Ele sentiu um leve sorriso se formando em seu rosto, em antecipação de um desafio. Um verdadeiro Demônio, um que gastou tempo o bastante na forma física, moldando seu corpo para criar a arma perfeita, tal oponente valeria a pena enfrentar. Nada daqueles vagabundos meio formados ou Corrompidos sem habilidades que ele caçou no passado. O Inimigo havia vindo em números menores nos últimos anos, mas eles ainda vieram. Os rumores falavam a respeito da reunião das tribos, se unindo sob um líder, e Baatar só podia esperar que eles estivessem certos. Um inimigo precisava ser forte, para a luta valer a pena. Ele não queria mais ser um dragão escondido, ele sonhava em voar pelos céus, seu nome sendo dito pelo Império inteiro.

— Venha agora, Baatar, cê tá me cansando, andando desse jeito. Se acalme, beba um pouco de chá. — Ghurda se sentou em seu banquinho, a chaleira dela na parede, com uma aparência quase frágil apesar do tamanho gigante dela. — É Chá da Deusa de Ferro, eles mandaram especialmente para você, o Capitão de Ferro. — Ela gargalhou, rindo daquela maneira abrasiva dela. Ele bufou, continuando a andar, ignorando a mulher rude. Por dez anos ela serviu com ele, a ursa de mulher, e ela ainda o estressava. O fato de Chakha conseguir aguentar ela era a prova de sua fortitude e paciência.

Ela era uma guerreira notável, uma benção em qualquer combate, mas incrivelmente difícil de se gostar. Modos rudes e boca suja, sem nenhuma delicadeza para contrabalancear isso. Ele estava bravo com ela por espancar o menino durante a última luta treino deles. O último dia que teria com seu discípulo, Baatar passou cuidando do crânio rachado dele ao invés de beber e rir juntos como eles faziam frequentemente. Não existia o conceito de pegar leve na cabeça dela, tentando fazer o menino submeter com força bruta, especialmente na frente de todo mundo daquele jeito. Como ela ousa, considerando que ela estava presente no resgate dele, viu da onde ele tinha vindo. A pobre criança cresceu bem nesses últimos anos, mas ainda assim, uma surra daquelas era demais.

Entretanto, o menino não envergonhou ele. Uma boa demonstração, as Formas reveladas proeminentemente dentro de suas ações, ele era habilidoso além de seus anos de treinamento. Feroz e variado, seus ataques foram Inspirados, visto que ele controlou os estágios iniciais de sua luta contra Ghurda. Seu contra-ataque para “Estocada Mortal”, seu uso do “Passeio Empinado”, uma combinação de “Arremesso da Presa” para dentro de “Levantar a Sequoia”, assim como sua versão única de “Dançando na Grama”, uma série de ataques brutais e eficientes, todos visando quebrar ossos e aleijar seu oponente. Uma pena que ele tenha começado tão tarde e sofrido para encontrar o Equilíbrio no combate. Seu dantian ainda estava muito subdesenvolvido, muito pouco chi para ele usar, instável demais para realizar qualquer coisa além das mais básicas tarefas. Seriam anos de desenvolvimento, bem para trás de seus iguais. O menino era praticamente imbatível em auto-curar, algo que ele podia se orgulhar, mas algumas coisas simplesmente não podiam ser feitas sem chi suficiente. Dentro de uma década, o menino seria um Médico de grande habilidade, talvez fazendo sua fortuna viajando através das diferentes vilas montanhosas, ou até mesmo ser capaz de se juntar ao Estandarte, embora talvez não tão habilidoso quanto Gerel. Seu futuro era ilimitado, aquele filhotinho que ele salvou, crescendo em um belo jovem perante os olhos dele.

— Tua bunda está abanando tanto, se certifique que você não vai voar pela muralha, Capitão de Ferro. — Mulher odiosa, com sua risada discordante. Essa maldita cauda também, ele deveria só cortá-la.

Virando carrancudo para ela, puto da vida, ele disse:

— Você foi longe demais, lutando contra o menino daquele jeito, feriu ele demais. Ele está nessa jornada para trazer glória para as Pessoas, e você poderia ter causado uma grande ferida nele, soltando ele de cabeça do jeito que você fez, batendo nele como se fosse um poste de treino.

— Finalmente! Depois de cinco dias de carranca, o Capitão de Ferro finalmente fala o que pensa. — Ela continuou a sugar seu chá languidamente, se apoiando contra a crenelação. — Eu discordo da sua opinião.

Era isso. Ela olhou para longe, como se aquelas simples palavras fossem o bastante para acalmar a fúria dele, e nada mais precisava ser dito. As mãos dele se contorciam atrás das costas, desejando pegar a mulher odiosa pelo pescoço e estrangular ela. Entretanto, seria algo ruim, porradaria no acampamento, uma terrível perda de honra. Respirando fundo, ele disse uma única palavra:

— Explique.

— Tua Mentora, ela tem a idéia certa sobre ele. Force ele. Machuque ele. Forge ele. Se fosse por conta do Rain, ele ficaria em casa o ano inteiro, se escondendo, só saindo para os ir a puteiros quando ele sentisse vontade. — Ela encarou ele, como se fosse culpa dele o menino ser energético. Ele era um jovem rapaz, todos eles tinham essas vontades, e cada um deles lidava de forma diferente. — Ele é uma boa criança, mas é muito indolente, sem objetivos. Sem dúvidas, ele treina muito duro, mas não com a mentalidade certa. Você pode ver isso na escolha dele de treinamento. Ele treina para ser espancado, quando ele deveria treinar para matar. Ele tem uma atitude de derrotado, e todos os seus mimos só alimentam isso. — Ela voltou a beber seu chá, acabando com a conversa de novo, quase dispensando ele.

Esmurrando seu punho contra a muralha, ele voltou a andar. Ela não estava errada, mas não estava totalmente certa também. O assunto sobre a atitude do menino preocupou ele por algum tempo, mas ser muito duro e agressivo excessivamente não era a decisão certa. Suas discussões com a Mentora foram longas e altas, cada um teimoso demais para desistir de seu ponto de vista. Ela continuava a repreender e bater no menino, ignorante ou indiferente para a natureza frágil dele.

— Tirando a questão da atitude dele, não ajudaria em nada se suas atitudes quebrassem ele. — Ele murmurou, um argumento fraco, mas tudo que ele podia dizer.

— Esse é o seu problema, Capitão. Você trata o menino como porcelana, para ser tratado com gentileza. Ele estava quebrado antes, mas ele está inteiro agora. Ele pode quebrar de novo, mas ele não é feito de porcelana. Ele é ferro, desmantelado e juntado, e é nosso trabalho reforjá-lo. O que nós queremos fazer, o que você deveria fazer, é temperar ele em um aço, para que ele não quebre de novo. — Ghurda se levantou, entregando sua xícara de chá para um servente próximo. — Nós devemos continuar essa conversa depois, Capitão. — Ela apontou para o horizonte distante. — Nós temos companhia, e deveríamos nos preparar para receber eles bem. — Um sorriso passa rapidamente em seu rosto.

Encarando a nuvem de poeira se juntando no horizonte, Baatar sentiu seus lábios se abrirem, dentes à mostra em um sorriso selvagem. Depois de décadas de espera, estava na vez dele. O Inimigo estava finalmente aqui.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

13 Comentários

  1. O Rain ta naquela mentalidade de:
    Oque são todas as técnicas do mundo frente a uma defesa indestrutível.
    Pena q ele ta longe disso e vai quase morre um monte de vezes pra chegar lá

  2. belíssimo trabalho de escrita e tradução. De vez em quando me vejo na obrigação de comentar. Obrigado a equipe. Puta trabalho bem feito!

  3. Mas sobre ele adotar o treinamento de ser espancado…. Ele n ta errado. Calejamento eh básico em artes marciais

  4. Nosso MC será uma fortaleza humana, corpo perfeito e indestrutivel.
    Não concordo com o explicação da mulher, muito egoísta, somente vendo por cima o prota, nunca seus sentimentos, típico de pessoa que este mundo não precisa, principalmente quando trata uma pessoal como ferro, espero que morra!

    Sabia que ia dar merda, o contador logo vai zerar.
    Obrigado pelo capitulo

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