DS – Capítulo 42

Assim que eles se sentaram, a cabeça do menino bateu na mesa, fechando seus olhos com um gemido. Akanai franziu as sobrancelhas e olhou para o Taduk, então para a Alsantset, e, finalmente, Charok. Cada um deles evitando o olhar dela humildemente, fingindo não notar seu descontentamento. Todos eles mimavam o menino, permitindo suas maneiras rudes e atitudes indiferentes em relação a qualquer coisa além do treinamento. Eles até mesmo achavam cativante. Tolos, é isso que eles são.

Batendo sua mão na mesa, ela rosnou:

— Se sente.

O menino gemeu de novo, mas não se moveu.  

— Me deixa sozinho. Eu estou cansado, com fome, e tudo ainda dói.

Hmph. Se permitir ser ferido tão seriamente, por uma cobra da grama inútil ainda por cima. Fosse ela, estaria envergonhada demais até para falar, porém aqui o menino recosta sua cabeça na mesa de jantar como se fosse sua própria cama. Vergonhoso. Ela franziu as sobrancelhas novamente para a Alsantset, que desistiu e começou finalmente a tentar convencer o menino a se sentar direito, permitindo que ele descansasse em seu ombro ao invés da mesa. O pequeno pervertido parecia preferir aquilo, um sorriso feliz em seus lábios enquanto Alsantset alisava seu cabelo. Akanai encarava Mila do canto de seu olho, mas ela estava servindo chá para todos em silêncio. Uma boa menina, com uma conduta apropriada, sim, a pequena Mila era. Com sorte, o menino iria aprender alguns modos quando estivesse nas mãos dela.

Ela pediu pratos para todas as mesas deles, uma quantidade extravagante, mas depois de mais de duas decanas de viagem difícil, todos mereciam isso. Os Sentinelas dela e a família de Huushal assentiram graciosamente, enquanto Adujan se sentava apática, perdida em seus pensamentos. Mais quatro dias e eles chegariam até o quartel-general da Sociedade. Os postos avançados perto de lá eram parecidos com pequenas vilas, provendo para os muitos viajantes dentro do amplo sistema rodoviário mantido pela Sociedade. Eles tiveram sorte de encaixar o grupo inteiro dentro desse restaurante, com todos os viajantes convergindo para a Sociedade. Essas competições eram grandes eventos, cada uma elevando os nomes dos futuros heróis. Ela sorria para si mesma, esperando que Rain e Sumila seriam alguns dos nomes elevados dessa vez. Tão romântico, serem enaltecidos juntos como tais, uma ligação maravilhosa para os dois compartilharem. Olhando para seu marido, ela quase corou lembrando da ascensão meteórica que eles tiveram juntos, nesta mesma competição.

O passo frenético de um mensageiro passando por perto a despertou das memórias. Ficando de pé para olhar pela janela, ela viu um único viajante, segurando sua bandeira se dirigindo para o sul. Um mensageiro novo, uma vez mais indo para a Sociedade. Houveram diversos deles nos últimos dias. Sem movimentos grandes de tropas da Sociedade, mas tantos mensageiros significava que o Inimigo apareceu mais uma vez, e, aparentemente, em grande números, julgando pelo número de mensagens. Se sentando novamente com um suspiro, ela se inclinou levemente contra seu marido. Aquele maldito filhote, por que ele não podia ser só um Sentinela e ficar na vila com sua esposa? O sangue era forte demais dentro dele, o guiava para a emoção da batalha, a caçada, a matança, incapaz de ficar em casa e engordar. Ela tinha de admitir, o Estandarte era um bom método de endurecer os melhores da vila, jogando eles direto no fogo do perigo, martelados pelos golpes do Inimigo.

A comida chegava rapidamente, todo mundo comia com entusiasmo. O menino comia muito rápido e fazia barulho demais, estalando os pauzinhos no ar. O pequeninos copiavam ele com alegria, e ele, por sua vez, mimava eles, dando comida na boca deles, fazendo zumbidos estranhos enquanto ele levava a comida. Como a garota mantinha sua família era um assunto privado, mas eles estavam fora da vila agora, e  representavam as Pessoas. A garota notou o olhar dela e rapidamente pôs um fim às frivolidades, o que fez Akanai ganhar uma pequena carranca do menino. Sem vergonha, franzir a cara para ela enquanto ela alimentava ele e ainda dava vinho para ele. Pelo menos ele era um bebedor fraco, estava mal depois de meia jarra. Já era quase um ostentador inútil, assim como um pervertido, um velhote em um corpo jovem. O que a Mila e a Mei Lin ao menos viam no menino? Ele não era muito bonito, nem heróico, um jovem simples, magricela sem nenhum senso de aventura ou de vergonha. Uma coisa cínica, sempre choramingando e gemendo sobre as coisas mais inofensivas. Olhando para Huushal, ela se perguntava se deveria empurrar Mila em outra direção, com alguém mais apropriado.

O som de botas marchando escada acima, roubaram a atenção dela. Uma alta voz ecoa:

— Hãa, sem mesas? Você ousa mentir para mim? Há muitas mesas aqui em cima. — Um homem com barba escura, em trajes luxuosos inadequados para viagem, e sua comitiva, bem armados e blindados, talvez 20 guardas. De Yantai, julgando pelo estilo do equipamento deles, habituais nas competições, quase são daqui.

— Senhor Jin Sui, como eu tinha dito, todas elas estão atualmente ocupadas. Eu ficarei feliz em servir você a seus homens assim que elas estiverem disponíveis. — O garçom não estava muito preocupado em acalmar o homem, e não usou seu título. Um nobre inútil, mais riqueza do que poder.

Jin Sui o olhou nos olhos, desdenhando enquanto ele andava até aqui, e seus guardas seguiam atrás dele.

— Eu exijo essas mesas. Deixem o restaurante agora, sua conta será paga e eu não vou mandar espancar vocês como os cães bárbaros que são.

O menino engasgou com a comida, tossindo para disfarçar a risada. Akanai suspirou. Menino idiota. Nem ao menos estava disposto a dar honra ao sujeito. Uma recusa simples teria sido boa, por que zombar do homem também? Mesmo um dragão poderoso não pode reprimir uma cobra local. Para alguém que choramingava sobre perigo toda hora, ele parecia desatento ao quanto ele realmente atraía.

— Estamos usando essas mesas. Nós iremos embora quando estivermos prontos.

A cara de Jin Sui estava levemente vermelha, ele notou as risadas disfarçadas do menino.

— Você sabe quem eu sou? Para quem eu trabalho? — O menino começou a rir ainda mais, e Jin Sui se virou para encará-lo, full pistola agora. — Seu filhote inocente! Como você OUSA rir de mim? Você está pedindo para morrer! — O menino estava quase histérico agora, sua risada infectando os pequeninos, e até mesmo Taduk estava sorrindo.

Akanai balançou a cabeça. Não era surpresa, com esse cara como professor. Taduk era um verdadeiro mestre da zombaria.

— O menino quase morreu recentemente, e está se recuperando do tratamento. Não preste atenção nele. — Sua paciência estava se esgotando tanto para o estranho quanto para o menino, Akanai se levantou e gesticulou com educação, e seu distintivo ficou claramente visível em seu cinto. — Nós estivemos viajando por muitos dias e estamos no meio de uma refeição. Nos deixe.

Se virando com raiva, ignorando a misericórdia dada, o homem começou a repreender:

— Eu já os honrei ao oferecer pagar pela sua comida, e vocês bárbaros ainda sentam aqui, cuspindo na minha generosidade? Que ousadia. Homens! Arrastem eles para fora e os espanquem. — A espada dela estava descansando sobre o pescoço dele antes que ele terminasse de falar. — Homens! Parem. Recuem cinco passos. — Ela pressionou a lâmina só um pouco mais. — Não, dez passos! — Pelo menos ele se manteve calmo sob pressão. Rain estava ofegante, batendo na mesa, rosto escondido em seu braço. — Assassinato é expressamente proibido no Império. Eu não quebrei nenhuma lei. — Ele estremeceu um pouco sob a lâmina dela.

Lentamente, Akanai removeu sua medalha do cinto, mostrando para que ele a visse.

— Você ameaçou atacar uma General-Major das Forças de Defesa Imperiais em um restaurante cheio de testemunhas. — O homem empalideceu ao ver o distintivo, joelhos começando a tremer. Idiota, vivendo com um sapo no fundo de um poço, acreditando que era incrível. Ela deveria arrancar uma orelha, para frisar a lição. Não, não, isso significaria papelada demais, possivelmente uma investigação. Esse sapo não valia a pena. — Vaza. — Ela guardou sua espada e se sentou.

Rain estava chorando agora e começou a gargalhar histericamente, arruinando a atmosfera séria. O Sapo e seus homens correram para fora do restaurante, seus suspiros altos seguindo eles.

— Me desculpem, — ele disse entre os suspiros, — mas aquilo foi hilário. A caricatura de um homem, uma piada total. Os olhos dele saltaram para fora da cara como os de um sapo quando ele viu o distintivo. Eu achei que ele iria se mijar. — O marido dela e Taduk não ajudavam em nada, indiretamente encorajando a atitude do menino ao rirem com ele.

Akanai suspirou em seu copo de chá. Um homem pode ser morto, mas não humilhado. O menino precisava aprender a manter sua boca calada ou pelo menos falar mais baixo. O restaurante inteiro ouviu o comentário dele, assim como o Sapo. Se ele não tivesse conexões, não haveria problema algum, mas seria estranho para alguém agir de maneira tão arrogante sem algum apoio. Com aquelas palavras, ele iria provavelmente voltar conforme sua honra exigia. Problemático, mas nada que ela não pudesse lidar. Ele iria voltar de qualquer forma, julgando pelo seu comportamento pomposo, então talvez ela poderia arranjar outro duelo para o menino. Ele fez bem da outra vez, mas o tempo dos mimos acabaram. Estava na hora dele encarar as chamas do perigo e ser forjado por dentro. Ela encarou Huushal e Adujan, pensando no assunto. Huushal era arrogante também, mas a luta treino entre Ghurda e o menino esvaziou muito o ego dele. Adujan era diferente, uma profissional perfeita em atitude aos 18 anos de idade. Rosto inexpressivo e mal humorada, pelo menos ela não teria de se preocupar com ela começando uma briga. Bons materiais, cada um deles, ela estava ansiosa com o quão bem eles iriam aguentar a futura chuva de golpes de martelo.

Levou menos de 20 minutos para que eles retornassem, marchando escada acima mais uma vez. O Sapo trouxe seu apoio, um soldado, seguido dos membros de sua unidade. Perigoso, lutar com soldados, seria necessário um Juiz para julgar. Com um olhar para a presença armada, as outras pessoas no local saíram do restaurante alegremente, metendo o pé o mais rápido que podiam, deixando o lugar inteiro vazio exceto pelos dois grupos. Akanai permaneceu sentada, assim como o resto de seu grupo. O menino parou de rir, embora estivesse bêbado o suficiente para que o sorriso não saísse de seu rosto.

— Vocês têm coragem, ousar atacar e zombar do meu irmão mais novo. — O recém chegado mostrou sua medalha, um General de Brigada do exército. Enquanto tecnicamente de patente mais baixa, as Forças de Defesa Imperiais eram consideradas uma patente mais baixo do que suas contrapartidas do Exército Imperial, então as condições deles eram mais ou menos as mesmas. — Eu sou Cho Jin Kai. Você ousa dizer seu nome, bárbara?

O título inteiro dela iria fazer eles saírem correndo.

— Eu sou Akanai, das Pessoas. — Por sorte, o nome dela não se espalhou para muito longe. Ele foi esquecido com o tempo, mas os eventos em Shen Huo fizeram a notoriedade dela subir muito outra vez.

Nenhum sinal de reconhecimento apareceu no rosto do General de Brigada.

— Bom, bom. Visto que nós dois somos defensores do Império, seria desonroso lutar nas ruas. Nós estamos todos aqui pela competição, então por que não resolvemos o assunto através de nossos jovens? — Perfeito, ela nem ao menos teve de sugerir. — O comandante do perdedor deverá se ajoelhar perante o vencedor e se prostrar três vezes, e o lutador derrotado será chicoteado.

Akanai assentiu uma vez mais e sorriu.

— Rain. Vá a frente e lute.

— Não. Eu tô cansado, e eu tô comendo, e eu tô bêbado, e eu tô feliz. Manda outra pessoa. — Ele estava quase infantil no tom, comendo uma coxa de frango e enchendo a cara de arroz e vinho.

— Menino. — Ela se virou para olhar em seus olhos. Ele nem ao menos honraria ela? — Vá. Lutar.

— Por que eu? Manda o Huuuuuuushal. — Ele riu. — Ou a Sumila. Ou hãa, — uma pausa enquanto ele pensava, — Adujan! Esse é o nome. Eles estão todos aqui também. Eu acabei de acordar do meu coma de uma decana. Me deixa descansar e comer.

Akanai rangeu seus dentes, quase rachando eles.

— Eles não são a causa de tudo isso. Eles estão aqui para lutar com você. Se você não tivesse zombado deles, talvez eles não tivessem retornado. Se levante. E lute.

— Certo, porque é minha culpa que eles são um bando de valentões malucos por poder. — Um suspiro profundo escapou do menino e ele se levantou, murmurando baixinho sobre honra e estupidez, sua cadeira arranhando o chão de madeira. Ele se virou para descer as escadas. Ele foi parado pelos soldados e os encarou ferozmente enquanto tentava passar, empurrando alguns deles com beligerância. Faria bem a ele ser acertado por um soldado. Uma vergonha que eles eram disciplinados demais para isso.

— Onde pensa que você está indo, bárbaro? Assustado demais para lutar? — Um jovem rapaz foi à frente para encontrá-lo. Cabelo arrumado elegantemente, vestimentas elegantes como as do primeiro. Talvez o filho dele ou sobrinho, julgando pelas suas feições faciais.

— Eu tenho que ir no banheiro. Eu vou voltar rapidamente, mantenha sua peruca estúpida no lugar.

— Hmph. Um covarde, tentando fugir. Até mesmo desperdiçar meu tempo com você é uma vergonha. Só morra. — O jovem rapaz mirou um chute feroz na cabeça do menino, o qual conectou com uma cabeçada feroz. Um estalo alto do calcanhar do jovem rapaz quebrando, um grito escapando de seus lábios. Akanai sorriu internamente com a visão. Ela achou que o menino estava doido quando viu ele quebrando tábuas de madeira e tijolos com a cabeça, mas ela tinha de admitir, o treinamento foi efetivo.

O menino agarrou o oponente pela garganta e o levantou.

— Eu preciso mijar. Ou eu vou até ao banheiro e mijo em um potinho, ou você me mantém aqui, e eu vou mijar escadaria abaixo, em cima do seu cadáver quebrado e sangrento. O que você prefere? — Sua raiva aparecendo, uma cena maravilhosa de se ver. Um pouco rude com as palavras, mas esse era um traço bastante comum. Botando seu oponente no chão, o menino se virou e desceu as escadas, dessa vez sem resistência.

— Pai, meu calcanhar. — O jovem rapaz foi apoiado por um soldado, carregado até o General de Brigada. — Está quebrado. — Um choro queixoso escapou de sua boca. Fraco. Um calcanhar quebrado, e ele foi reduzido a isso?

O General de Brigada compartilhava dos sentimentos dela, estapeando o jovem rapaz na cara.

— Você me envergonha com seu choro. Cale sua boca, Jin Tok. — Ele gesticulou para uma outra jovem. — Li Song, não ouse perder. — Uma jovem mulher foi à frente, orelhas de gato pontiagudas, uma determinação feroz em seu rosto, e Akanai fez careta. A menina era uma coisa linda, e Akanai estava torcendo para que o menino recuperasse foco o suficiente para lutar de maneira apropriada. Sempre comendo com os olhos as mulheres, como um cão no cio.

Rapidamente, o menino voltou, ficando no meio dos dois grupos, ainda cambaleando um pouco. Ele olhou para o Jin Tok, cabeça ereta.

— Bom? Você estava tão ansioso para uma luta, vamos fazer isso. — Jin Tok estremeceu perante o olhar dele, sem vontade de falar. Covarde.

Li Song foi até ele, uma expressão neutra em seu rosto.

— Eu serei seu oponente.

O olhar espantado dele fez com que mais de um dos membros do grupo cobrissem o rosto de vergonha. Mei Lin jogou um pão na cabeça dele, que acertou o lado de seu rosto. A pequena dama parecia cada vez mais desiludida pelo menino com o passar dos dias. Ele pegou o pão e começou a comer, olhando a garota de cima a baixo, como um açougueiro olhando um corte de carne.

— Bom, bom, bom. Olá, moça bonita. Como você está?

Sem uma palavra, ela atacou com uma combinação feroz. “Stalkeando o Dragão”, “Passando os Juncos”, “Revertendo o Fluxo”, em “Garra com Presas”. Verdadeira com sua natureza, todos seus movimentos eram da Forma do Tigre, muito bem executados. O menino tomou o grosso dos ataques dela de cara, distraído demais e pego despreparado, seu pão caindo no chão. Implacavelmente, Li Song aproveitava sua vantagem, até que o rosto e os braços do menino estavam uma bagunça, sangrando e inchando. Parecia ser uma vitória fácil para ela, e uma boa lição para o menino. Uma pequena surra e um leve açoitamento deveriam fazer maravilhas para os modos dele. Porém, o General de Brigada iria morrer antes dela se ajoelhar perante ele. Uma pena, para o Império perder um soldado, mas o final dava na mesma.

Entretanto, o menino perseverou, aguentando o melhor que podia. “Afiando as Garras” foi pego em seu alcance, ambas as mãos dele estavam ao redor dos pulsos dela. Quebrando a pegada dele com um giro no meio do ar, ela realizou “Pulo Sobre o Cordeiro”, ambas as botas conectando perfeitamente com o estômago dele, mergulhando graciosamente em um rolamento, aterrisando a dois metros de distância, costas viradas. Akanai bufou. Belamente realizado. Incrivelmente idiota. Focada demais em parecer bonita e graciosa. Ela desceu o cacete no menino mais cedo. Um punho acertou a parte de trás da cabeça da garota antes que ela pudesse se virar, fazendo com que ela se espatifasse no chão. O menino agarrou o cabelo dela, levantando ela para cima, seu rosto sangrento e quase irreconhecível, seus olhos estavam selvagens e raivosos. Ela agarrou a mão atrás dela, em pânico. Um golpe no fígado dela e ela se endireitou de dor, um segundo golpe fazendo ela gritar. Ele ficou lá parado, segurando sua oponente pelo cabelo, que se torcia sob seu aperto, respirando ofegante enquanto sua raiva diminuía.

— Ahh… Desculpa, eu não tenho certeza do que eu deveria fazer agora. A luta acabou, ou está esperando que eu aleije ela ou algo assim? — O olhar desfocado do menino caiu em Akanai, o resultado de tomar golpes demais na cabeça. Ele precisaria de mais cura. Por que ele pensaria que ela queria que a criança fosse aleijada, uma escrava ainda por cima? Aquilo era quase um insulto.

— Isso é o bastante. —Akanai falou, um comando leve, enquanto bebia seu chá. O menino abaixou a Li Song no chão, e a menina se encolheu de dor. O menino permaneceu em pé sobre ela, olhando por aí, esperando seu próximo oponente. — Volte ao seu lugar, menino. — Ele voltou obedientemente, passos instáveis. Ele tomou muitos golpes enquanto estava ocupado admirando sua oponente. Com sorte, ele iria aprender disso. A garota era mais habilidosa, mas, simplesmente, o menino era uma aberração, com seu constante treinamento para ser espancado, como se ele esperasse perder. Pelo menos ele se manteve calmo o bastante para não machucar muito a garota.

Akanai tomou outro gole de chá, antes de sorrir para o General de Brigada, perguntando com doçura:

— Algum outro desafiante? Eu tenho outros precisando de treinamento de combate. Viajar é muito chato.

Huushal poderia se aproveitar de uma luta treino, talvez ele recuperasse alguma confiança.

O rosto do General de Brigada estava vermelho de raiva, e escureceu ainda mais com a provocação dela. Depois de longos momentos, ele foi finalmente capaz de recuperar sua calma, respirando ofegante. Sem uma palavra, ele se virou e marchou escada abaixo, seus soldados seguiam ao seu lado. Bom, o General de Brigada entendeu seus limites.

— Ei! Seu filho da puta¹!

Akanai suspirou. O menino nunca iria aprender nesse ritmo, ensanguentado e mal conseguindo ficar em pé, mas ele ainda provocava. Que temperamento ele tinha.

— Você não está esquecendo de algo? Onde estão minhas reverências, vadia? E me traga um cinto de couro, eu tô devendo umas chicotadas em alguém. — O idiota. Ele foi longe demais. Ele precisaria ser forte para ser tão arrogante.

Os soldados marcharam escada acima de novo, e Akanai se levantou, junto com seus Sentinelas. Bom, isso também estava bom. Ela não estava mentindo quando disse que a viagem estava chata.


1 Meme do capítulo

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

16 Comentários

  1. ta ate aqui deu pra percebe umas coisas, 1 ele ainda tem algumas memórias mais nada que possa fazer sentido pra ele, 2 ele e um tapado, 3 ele e muito tapado e 4 ele e um velho com a energia de um jovem

          1. humm… isso deve ser pq ele e um jovem velho ou um velho jovem huehuehueuhehue

  2. Ué, se ele quem tivesse perdido, com toda certeza, ele teria levado o açoite, ele só não achou justo que ele não pudesse açoitar o adversário hauahuahuauah

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