DS – Capítulo 46

Sentado no que pode ser o vagão mais irregular de todos, eu olho para trás e observo o cenário florestal passar por nós. A competição muito esperada está finalmente prestes a começar, toda a tensão e antecipação acumuladas, arruinadas por uma viagem de vagão de três horas. Planejamento horrível. Sendo sincero, a competição inteira é meio que construída em uma premissa estúpida. Eles decidiram pôr um bando de jovens idiotas com armas em uma floresta, sem supervisão, mas muitos animais perigosos, e fazer eles competirem um com o outro por prêmios maravilhosos. Seja quem for que pensou nesta idéia deveria ser arrastado para rua e espancado. Como se um aviso severo fosse nos manter na linha ou impedir que sejamos comidos vivos.

Com sorte, eles terão algum outro método para me manter vivo, porque sem o Taduk por perto para curar minhas feridas, na verdade, eu estou meio nervoso. Claro, há vários outros médicos, todos disponíveis para nós caso soframos uma lesão, mas quantos deles podem ser tão bons quanto meu Professor? Eu não ouvi nenhum deles ser chamado de “Médico Celestial”.

Nós estamos dividindo um vagão com o Fung e o time dele, que consiste de três caras carecas de aparência grosseira e uma garota de pele pálida, cabelos negros adoráveis, chamada Ong Jing Fei. Ela não parecia muito feliz de me conhecer, então pelo menos ela é consistente com quase todas as outras mulheres na minha vida. Eu tive uma noite selvagem lá na cidade com o Fung e o Huushal, indo beber e extravasar algum estresse, mas o restante do tempo foi gasto focado no treinamento. Minha festa de auto-piedade terminou. Além disso, Fung é uma aberração de treinamento maior do que eu, só não é tão bom em se curar. Ele tem um time de médicos que fazem isso por ele, uma das muitas vantagens da riqueza. Sentando perto de mim, ombros encostando, ele aperta sua espada longa, vestido em algo que ele chama de “armadura flexível”. Ela parece muito com as roupas normais dele, só um pouco menos embelezadas, mas um pouco mais brilhantes como se elas fossem feitas com linhas de metal. Pelo que eu sei, isso é exatamente o que é, tecido metálico. Eu quero um pouco, para vestir debaixo da minha armadura de couro. Parece legal, mas não muito seguro. Porém, eu não me incomodaria com uma, só para vestir debaixo da armadura de verdade. Não pode doer ter uma camada a mais.

Minha armadura é feita de couro e escamas verdes brilhantes, ainda que escuras, quase pretas, se encaixando na minha forma delgada perfeitamente. Ela vem completa com calças, luvas e botas combinando, todas duras o bastante para deter flechas sem ser perfuradas. Ela é feita da disposição em camadas de diversas peles de crocodursos juntas, então há uma boa chance de que eu esteja vestindo ambos os crocos que me mastigaram. Eu não sei por que isso me faz sentir seguro, mas faz. O elmo é a cereja do bolo, e eu estou usando ele agora, apesar dele ser um pouco desconfortável. Uma casca metálica revestida e coberta com couro, ela exibe dois “olhos” no topo da minha cabeça, gemas âmbar com uma linha preta correndo por elas, lembrando os olhos dos próprios crocodursos. Mei Lin me chamou de jovem herói arrojado, e eu escolhi ignorar o fato de que ela fala isso sobre tudo que eu visto. Alsantset e Charok realmente não pouparam esforços com essa armadura, e esse mero pensamento me faz sentir protegido. E o fato de que eu a testei com uma espada de ferro. Nem sequer deixou uma marca.

Para a competição, nós precisávamos de um time de cinco pessoas e a Mei Lin preencheu o quinto lugar quando nos registramos. Eu protestei sobre deixar ela se juntar, mas fui superado, com Alsantset dizendo que eu deveria me preocupar mais comigo. A pessoa em questão está sentada atrás de mim, com as costas apoiadas nas minhas, cantando baixinho sem uma preocupação no mundo. Eu vou ter que manter ela por perto, me certificar de que ela não se machuque. Eu não seria capaz de encarar o Taduk se ela se ferisse. O homem tem um sério complexo de filha.

Eles nos deram nossos números, uma etiqueta de madeira para cada um de nós, enquanto explicavam as regras da competição. Eu já havia notado o quão estúpida ela era. Eles deram um slogan a ela: habilidade, sobrevivência e sorte. Espalhados pela floresta estão vários símbolos. Quando nós chegarmos na floresta, uma loteria vai acontecer, e nós entraremos na floresta baseados no que tiramos, dez times de cada vez. Pegue um símbolo, complete a missão talhada atrás, e retorne para a área inicial, dentro de cinco dias. Não é permitido matar e os prêmios dados dependem de qual símbolo você achou. Há uma puta chance de tanto você completar a missão e ganhar um prêmio merda, como também uma excelente chance que animais gigantes vão devorar seus ossos, me deixando sem um cadáver. Eu odeio isso. Não é competição inteira, mas só a primeira fase. Qualquer um incapaz de completar a tarefa e retornar no tempo é eliminado. E mais, só há 17 símbolos, então há um número máximo de times que irão passar. Eu não sei por qual razão eles escolheram um número estranho desses, mas tanto faz.

As etiquetas são apenas um pedaço circular de madeira, com nosso número rabiscado nela. Eles frisaram que nós precisamos manter a etiqueta conosco toda a hora, e se elas quebrarem, estamos fora. De acordo com a Mei Lin, os Anciãos podem usar elas para nos acharem. Porém, ela não tem ideia de como funciona, e a Sumila não iria me contar. Eu deveria fazer algo legal para ela, como fazer o Huushal levar ela para ópera ou algo assim. Eu escutei ela falando sobre isso mais cedo. Eu estou certo de que ela iria gostar, e talvez me traria de volta nas graças dela. Eu também tenho certeza que o Huushal ta caidinho pela Sumila, com o quanto ele fica olhando para ela, então são dois coelhos com uma cajadada só. Ah, amor jovem.

Nós finalmente chegamos ao nosso destino, os vagões param e o representante reúne todos nós. Eu dou um abraço no Fung, dizendo:

— Boa sorte. Você tem certeza de que não quer trabalhar juntos? — Não há regra contra isso, e eu estou certo de que a Sumila e a Adujan podem proteger a todos nós. Eu não sinto vergonha de me encolher atrás delas. É muito melhor do que lutar contra elas.

— Eu preciso cuidar de mim mesmo, Rain. — Sorrindo, ele afaga minhas costas e leva seu time embora para esperar. Verdadeiramente um Jovem Herói.

Ficando por aí, eu movo meus pés para frente e para trás. Eu preciso mijar, mas essa armadura é um pouco difícil de tirar, e eu teria de segurar ela por um tempo, pelo menos até eu conseguir alguma privacidade, longe de todas essas pessoas. Adujan está andando para lá e para cá, provavelmente nervosa, enquanto o Huu e a Sumila permanecem sérios, como pequenos espelhos um do outro. Os três estão vestidos com o equipamento padrão dos Sentinelas, armadura revestida com pelo marrom, e elmos sem proteção para o rosto. Mei Lin está vestindo couros mais confortáveis, os mesmos com os quais ela viaja, e o cabelo dela está trançado de maneira simples, sem adereços, vestindo o cachecol branco dela, amarrado ao redor da cintura. Nós estamos totalmente armados com escudos, lanças curtas, arco e aljava, assim como nossas próprias armas espirituais. Sumila é sortuda, nada a mais para carregar exceto o arco. Adujan também, mas o Huu tem uma espada grande pra caralho, a lâmina tem quase um metro de comprimento e é tão larga quanto minha mão, com um gume único, levemente curvado. O cabo é mais longo também, talvez um terço do comprimento da lâmina, com uma empunhadura anelar. Eu tenho um pequeno caso de inveja da espada, mas o meu cabo foi enrolado lindamente.

Nenhum dos outros competidores realmente me chama a atenção, e ninguém se incomoda de fazer qualquer pesquisa sobre nossos oponentes, porque há pessoas demais. Nós somos o time de número 88, enquanto o do Fung é 126. Um mínimo de 630 competidores, viajando de toda a província, aqui para provar sua proeza em combate… com uma caçada. Uma merda de cavalo pura e completa.

Andando de um lado para o outro, eu assobio junto com a cantoria da Mei Lin, impacientemente esperando o nosso número ser chamado. Isso é chato pra porra.

Adujan estava de pé, braços cruzados, assistindo, esperando. Trinta grupos já foram, com os próximos dez sendo escolhidos. A tensão é insuportável, o formato da competição é estúpido. Ela gastou os últimos dias treinando muito, praticando com a nova arma dela, tentando se familiarizar com ela. A cerimônia de vínculo foi requintada, uma dança com um parceiro sombrio, se movendo e lutando em conjunto. Foi gracioso e poderoso, e pareceu tão natural para ela, como se o corpo dela estivesse guiando ela nos movimentos. A liberdade dos pensamentos dela, a liberação do controle, foi maravilhoso e calmante. Ela acordou da cerimônia e imediatamente foi para o campo de treinamento para treinar, quase em um transe, desesperada para não esquecer nada daquilo, com raiva por não conseguiu segurar aquele sentimento. Mesmo depois de vários dias ela ainda não conseguia se lembrar de tudo, mas algumas partes ficaram para trás. Afiar as bordas do escudo era tão simples como respirar, o chi fluindo através da arma dela sem interrupção. Algumas outras técnicas e movimentos foram retidos, mas nenhum movimento tão fluido e ágil como os que ela sonhou, nada da coordenação que ela tinha experimentado. Frustrava ela muito quando insistia nisso.

— Nervosa? Eu sei que eu estou. — Rain afagou ela no ombro, quase fazendo ela pular. A cara de pau desse puto, agindo com tanta liberdade.

— Eu não estou nervosa, porra, só preparada para começar. Eu estou aqui para ganhar, fazer um nome para mim mesma e você não ouse me atrapalhar, — Adujan disse para ele sem pensar, imediatamente se arrependendo de seu tom. Ela pagou a generosidade dele com uma surra, embora uma bem merecida. Confundida com um menino, aos 18 anos de idade, foi humilhante quantas vezes ela entendeu as intenções dele de forma errônea. Ela queria se desculpar, compensar pela gafe, mas ele já tinha seguido em frente, com um sorriso fácil e um dar de ombros descuidado, flertando descaradamente com a Mei Lin e a Sumila, dizendo para elas tomarem cuidado. Por que ele não disse para ela tomar cuidado? Então ela nem sequer valia uma pequena palavra de aviso? Homens tão terríveis não merecem ser tão bonitos. Era injusto. Adujan deu um curto protesto para a Mãe, pedindo para que ela consertasse esse desequilíbrio.

Grande Huu permaneceu determinado, assim como ela. Depois de ser humilhado naquela luta, ela pensou que ele seria um aliado contra o Rain, mas os dois eram como irmãos agora, junto com aquele jovem mestre idiota, se conectando nas suas tendências pervertidas. Eles desapareceram a noite inteira e a manhã também, só voltando perto do almoço no dia seguinte, fedendo a perfume. Porém, aquele Fung era muito lindo, e julgando pelo olhar dele sobre ela, não era tão cego quanto o Rain. Talvez valesse a pena investir, embora nobres tendessem a ser um bando mais teimoso do que mulas. Ela tinha quase 20, uma idade casável, e sem ninguém para ajudá-la a encontrar um marido, Adujan só podia depender dela mesma. Ela teve uma quedinha pelo grande Huu por um tempinho, quando se juntou aos cadetes, mas ele era um pouco chato, passado o exterior lindo e áspero, sempre enchendo o saco dela sobre como ela falava. Era quem ela era, e ela não mudaria por homem nenhum.

— Números 37, 9, 124, 88…

Assim que o número deles foi chamado, Adujan correu para a frente, os outros seguindo de perto atrás. Esse esse era o primeiro passo no caminho para a vitória. Os outros seguiam, mas só porque ela era a mais rápida. Sinceramente, ela não tinha ideia alguma de para onde ir, só escolheu uma direção genérica. Eles correram para frente, seguindo ela enquanto os minutos passavam e ela continuava incerta de onde eles deveriam ir. A hesitação torturava ela. Ela deveria parar e discutir com seu time?

— Essa competição é realmente estúpida. Como esperam que nós encontremos 17 símbolos escondidos em uma floresta gigante? Além de obviamente andar por aí e contar com a sorte. — Mesmo que ele a irritasse muito, ela concordou com o Rain dessa vez. Competição estúpida pra caralho.

— Não seja bobinho, Rainzinho. — Mei Lin corria ao lado de Rain, segurando na manga dele enquanto eles iam, como se eles estivessem em um passeio romântico. Como ela conseguia permanecer tão delicada e cativante durante uma corrida era um mistério para Adujan, quase como se ela estivesse flutuando ao lado deles. — Eles disseram que os símbolos estavam espalhados na floresta, não escondidos, né? Habilidade, sobrevivência e sorte, é isso que o Ancião falou. Sorte é o menos importante. Adujan tem a ideia certa.

Mas que porra?

Mei Lin continuou, ignorante da angústia de Adujan.

— Ela está no guiando em direção à árvore mais alta que nós podíamos ver do ponto de partida, uma Árvore Imperatriz. Há uma boa chance de que haja um símbolo lá, já que é um ponto de referência facilmente visível. — Ah. Adujan olhou ao redor, encontrando a árvore mais alta, visível através das folhas e galhos. Ela apertou o passo, agora com um destino em mente. Obrigada, pequena Mei Lin.

Eles correram por vários minutos a mais até chegar a seu destino. Adujan correu ao redor do tronco grosso, olhando debaixo de raízes e pedras na área ao redor. Sumila e Huushal ajudaram na procura, enquanto Mei Lin pulou, começando a subida dela da mesma maneira graciosa com a qual ela corria. Era tão ilusório que era difícil de acreditar na cena.

— Como ela faz aquilo? — Adujan murmurou baixinho, enquanto Rain se perguntava a mesma coisa só que alto. Felizmente, ninguém notou que ela falou o mesmo. Irritava ela que eles pensavam iguais algumas vezes, fazia ela se sentir menos como si mesma por ser tão parecida com o idiota.

— Caceta! — A voz do Rain soou por perto, e Adujan correu para o lado dele para descobrir seus achados. Ela não viu nada de importante, e franziu as sobrancelhas para ele. — Raízes de luva de raposa. Excelente valor medicinal, mais o valor de moeda. — Ele sorriu, e começou a colher. O idiota trouxe junto o kit de herbalismo na mochila dele. Por que ele sequer estava aqui, ele pensava que isso era uma viagem de campo? Ele estava tentando estressar ela de propósito? Ela continuou a procura dela, mas sem resultados, esmurrando o tronco da árvore em frustração. Competição estúpida.

— Hmph, e pensar que alguém teve a mesma idéia que a gente. — Um jovem soando arrogante saiu da floresta, seguido pelos seus companheiros. — Se considerem sortudos por terem saído antes de nós. — O rosto dele se iluminou enquanto ele olhava para o time de Rain. — Sua sorte parece ter acabado, mas a nossa parece estar só começando. Que evento fortuito para nós encontrar todos vocês tão rapidamente. — Ele sorriu, seus companheiros se espalhando. Sumila e Huushal imediatamente vieram para o lado dela, armas desembainhadas. Rain ignorou o processo, continuando a colher suas plantas.

— Rain. — Sumila chia. — Levanta.

— Por que? — Ele nem ao menos olhou para cima. — Matar não é permitido, eles frisaram isso constantemente. Só deixem eles procurarem por aí, não sejam tão competitivos. Todos nós podemos nos dar bem.

— Idiota. Matar pode ser proibido, mas lutar não. Eles querem nos bater até apagarmos. — Sumila soava como se os dentes dela estivessem moendo até quebrarem dentro da boca dela. Adujan simpatizava, já que entendia a frustração dela. Uma irmã para lutar contra o Rain.

Ele finalmente tirou os olhos da sua coleta, olhando para a Sumila e os arredores dele.

— Ah. Ahhhh tá bom, eu achei mesmo que essa competição parecia mansa demais. Eu deveria ter pensado melhor. — Ele resmungou baixinho, um hábito irritante. — Então, qual é a política sobre aleijamento? Desmembramento? Onde exatamente é o limite? Se eu bato em alguém até ele ficar meio morto, e eles morrem de fome em 5 dias, eu vou ser responsável pela morte deles?

Adujan não conseguia mais aguentar a tensão ou a estupidez. Ela correu para direita, avançando contra seu oponente, lança e escudo em mãos. Era uma luta de quatro contra cinco, e o Rain ainda estava ajoelhado no chão. Ela precisava igualar a disputa rapidamente. Fingindo um ataque alto, a lança dela foi em direção ao joelho do oponente. Conseguindo uma ferida superficial, ela pressionou ser oponente, uma combinação de fintas seguidas por uma estocada no mesmo joelho, dessa vez rasgando o músculo. O escudo dela espatifou o rosto do oponente, o qual grunhiu de dor, com um gancho pegando a bochecha dele enquanto ele caia para trás, perna incapaz de aguentar o seu peso. Ela tomou nota friamente para não arrancar o olho de ninguém com o escudo dela. Seria problemático.

Se virando rapidamente, ela se moveu para achar seu segundo oponente, só para descobrir que não havia ninguém de pé. Dois estavam inconscientes, elmos despedaçados, calos formando em suas cabeças, com Sumila de pé sobre eles, despreocupada. Grande Huu segurava um em sua pegada, socando seu prisioneiro repetidas vezes na cabeça, quase parecendo gostar do jogo. O último sobrando, o líder que tinha falado, estava no chão, choramingo de dor, a espada de Rain perfurou a carne e o osso da panturrilha dele. O próprio Rain estava de novo de joelhos no chão, tendo retornado a colher suas plantas. A batalha durou menos de um minuto.

Inacreditável. Adujan franziu as sobrancelhas, o ânimo dela escurecendo. Mais uma vez, era claro que os maiores rivais nessa competição eram a própria equipe dela. Rain era especialmente cruel; A ferida que ele causou ao seu inimigo levaria decanas para se curar sem a intervenção de um médico top de linha como Taduk, muito além do alcance da maioria. O pobre puto, decanas de viagem só para ter suas esperanças esmagadas dentro da primeira hora. Que pena.

Adujan estremeceu. Ela rezou à Mãe para que não enfrentasse nenhum de seus companheiros. Por esse caminho havia apenas a derrota.

Baatar estava de pé e ria das hordas do Inimigo que chegavam. Fracos demais, fracos demais! Ele estava em cima de Balor com alabarda em mãos, espalhando os cadáveres deles perante si como pétalas de flores, atropelando eles sob seus pés enquanto procurava por um inimigo digno. Seus companheiros montavam ao lado dele, matando inimigos como se matassem galinhas, enchendo ele de orgulho. Dez dias eles atacaram, antes de recuar de novo, e agora, depois de mais dez dias de tédio, eles finalmente retornaram, dessa vez com força total. Uma verdadeira batalha, verdadeiro combate, a emoção era tão grande que ele estava quase tão animado quanto uma criança, rugindo em desafio a qualquer um que o ouvisse, enquanto o sangue e a sujeira se agitavam ao seu redor.

Finalmente, ele viu um formato disforme à frente, uma monstruosidade desajeitada de carne e quitina, braços cobertos em chapas grossas, com garras afiadas como qualquer lâmina. Ele avançou para a frente, cumprimentando seu oponente com um golpe que fez a terra tremer, e o choque quase o fez derrubar sua arma. Rindo maniacamente, ele desembainhou A Presa, jogando ela alto no ar. Ao mesmo tempo,  a alabarda dele atacou o demônio, rebatendo em sua casca. Balor pulou, desviando dos golpes, dançando com o mamute bruto. Com o peso de uma montanha atrás dela, A Presa se atirou de volta para terra, o chi dele se inflamando no interior, desabando sobre seu oponente, icor¹ amarelo-branco espirrado para fora. Indigno, fraco demais! Esmagando o cadáver retalhado, Baatar desejou que A Presa voltasse para sua mão, e então avançou para a frente, procurando por outro inimigo, um inimigo mais forte, um que desafiasse ele. Ele não tinha tempo para desperdiçar com esses fracotes. Ele precisava achar mais demônios rapidamente.

 

Permitir que o Gerel mantivesse a liderança não seria nada bom. Ele já estava se achando demais.

 

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1 Icor: Na mitologia grega, Icor é o fluido eterno, presente no sangue dos deuses gregos. Quando um deus era machucado e sangrava, o icor fazia o sangue divino venenoso para mortais. Essa substância também faria com que o sangue dos deuses ganhasse uma coloração dourada.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

7 Comentários

  1. DS esta cada vez melhor varias coisas acontecendo ao mesmo tempo e outras para acontecer, vlw pelo cap Worst.

  2. como o prota é médico-pacifista-sacana, sempre acerta os pontos de melhor custo-benefício, no caso, dor-mortalidade. Vai doer pra caralho, mas não vai matar o oponente. Mei Lin é OP, certeza!

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