DS – Capítulo 51

A competição é um completo lixo. Alguns anéis feios e jarros de remédio podre. Foi para isso que eu arrisquei minha vida? Puta que me pariu. Eu tive mais lucro dando um golpe nos feridos, embora a Alsantset tenha tomado tudo de mim. Eu fiz mais matando a porra daquela cobra e colhendo ervas! Que monte de merda. Elixir da Ascensão do Dragão, eu leio o que há naquele lixo e não tem jeito de eu beber aquilo. É nojento, e do que eu li, nem ao menos há uma prova documentada que isso funciona, só boatos. Algum cara bebeu isso, se tornou um guerreiro sem igual, então gastou sua vida exaltando as virtudes do seu elixir. Quem sabe se realmente funciona? Quantos outros já beberam isso durante os anos e permaneceram medíocres?

Os anéis são legais, mas nada incrível. Eles te ajudam a atrair mais Energia Celestial, mas você corre o risco de atrair demais, o que pode causar um dano ricochete enorme, ferindo seus órgãos internos ou cozinhando seu cérebro. Não obrigado, eu não presto atenção o bastante quando estou cultivando. Eu uso esse tempo para auto-introspecção e treinamento mental. Ou fortalecendo minha imaginação. A vida é difícil sem pornografia.

Eu acabei de desperdiçar metade de um dia, ficando por aí enquanto um velhote me elogiava e se equivocou com os prêmios, contando histórias ridículas sobre como a competição progrediu. Eu não percebi que nós tinhamos derrotados tantos clãs e seitas. As Seitas Baiji e Lotus Branca, Clã Lin e, claro, o Clã Situ. Eu acho que todos eles estavam atrás da recompensa.

Eu me pergunto como o mestre de cerimônias sabe o que aconteceu, em todo caso? Eu acho que eles tinham observadores ou algo assim, pequenos espiões ninja. Nós só fomos trolados e recebemos os prêmios merda, assim como eu tinha pensado que aconteceria. O mestre de cerimônias nem ao menos mencionou nossos nomes, só nos chamando de “jovens sem nome da tribo das Pessoas”. Cai na real, mestre de cerimônias, você é péssimo. Pior de tudo, quando nós finalmente chegamos no palco, Alsantset e os outros já tinham ido embora, e eu não tinha ninguém para quem acenar. Até mesmo os parentes do Huushal estavam sumidos, o que levantou olhares de preocupação dele. Eu perdi o almoço pra essa porra, e eu nem pude ver os gêmeos sorrindo para mim, ou Alsantset e Charok todos orgulhosos. Puta que me pariu.

Saindo do palco com nossos “prêmios” em mãos, Fung chega até nós, carregando sua mais nova coroa cheia de jóias, que parece cara para um caralho. Eu aposto que ele conseguiria trocá-la por um relógio. Cara sortudo está usando uma bandana devassa, quase foi esfolado durante a competição. Isso levou um tufo do cabelo dele, o que não pode ser curado de volta, deixando ele um quarto careca, por isso a necessidade da bandana. Foi bom para dar algumas risadas. Ele anda ao nosso lado, falando sem olhar para nós, ignorando meu aceno.

— Rain, você e seu povo precisam ir embora agora. Voltem para seus aposentos, eu vi suas famílias saírem imediatamente após os premios serem anunciados. Me desculpe por não poder para te ajudar, mas se você conseguir chegar em Shen Huo, meu Pai fará com que vocês cheguem em casa sãos e salvos. Vá em segurança.

Antes que eu tenha a chance de perguntar o que está acontecendo, Mei Lin pega no meu braço e me leva embora. Eu olho para o Fung interrogativamente, mas ele só parece triste e balança um pouquinho a cabeça. Correndo ao lado do resto do time, eu pergunto:

— Então… o que está acontecendo aqui?

— Nós estamos saindo da cidade, idiota. — Sumila, curta como sempre.

— Não que eu ligue muito, mas ah… e o resto da competição? Os Corações são o prêmio final, ou algo do tipo. Eu não vi nenhum sendo dado mais cedo. — Eles são basicamente 100% do porquê de eu estar aqui. E porque é impossível dizer não para Alsantset. Ou Akanai.

— Nós precisamos sair da cidade antes que alguém nos assassine no enquanto dormimos para pegar nossos prêmios. Foi uma puta falta de sorte ganhar os dois. — Sumila fala quietamente, sussurrando para que só eu ouça. — Esse é o território da Sociedade, e eles protegem seu pessoal. Eles vão abafar nossos assassinatos de investigações externas, fazer tudo parecer um acidente, ou bandidos, ou qualquer coisa. Ninguém irá falar mal deles sem prova. — Todos os outros parecem ter descoberto por conta própria, escaneando os guardas e as pessoas ao redor, alertas e atentos de qualquer um chegando perto. Ninguém se aproxima de nós, provavelmente com medo de ser pego no fogo cruzado. Isso me faz apreciar o aviso do Fung um pouco mais, assim como me fazer sentir estúpido por acenar para ele. — Não haverá sequer alguém que irá olhar a fundo nossas mortes. Mamãe, Papai e Taduk já foram embora. Levará meses até que eles ao menos saibam de nossas mortes, e até lá, tudo que eles vão poder fazer é nos vingar.

Essa competição realmente é a pior caralha de todas. Nós estamos sendo alvo de homicídio por esses prêmios de merda? Que porra é essa?! Vão atrás dos caras que conseguiram as roupas bonitas, ou os vasos, ou algo assim, esses são valiosos. Eu não posso ter diversão alguma com essa ameaça de morte e violência.

— Nós não podemos só vender os prêmios? — Moedas podem ser gastas, e publicamente ainda por cima.

Minhas questões me ganharam um olhar de desprezo de quase todo mundo. Mei Lin sorri para mim.

— Rainzinho bobinho, por que eles iriam comprar de nós quando eles podem só pegar facilmente dos nossos cadáveres? Além disso, os prêmios os dão uma razão legítima para nos matar, o que eles provavelmente queriam de qualquer forma. Nós humilhamos tanto os jovens deles na floresta. — Ela saltita ao nosso lado, como se nós só estivessemos passeando pela cidade. Seria cativante se eu não estivesse tão nervoso. — Você tem um péssimo temperamento às vezes, Rainzinho, e o mesmo acontece com a Mimi. Porém, não se preocupe muito com isso, nós estamos em público, e há visitantes demais aqui. A Sociedade não será capaz de agir livremente até nós sairmos.

Puta que me pariu. Eu pensei que esse lugar era mais seguro, mas pelo visto, é só corrupto! Pelo menos em Shen Huo, alguém tem que efetivamente quebrar a lei antes de ser morto. Era só uma COMPETIÇÃO! Por que participar se você não aguenta perder? Onde está a porra do espírito esportivo? Apertando meu passo, eu corro em velocidade máxima até nossos aposentos, passando através da multidão de espectadores, que esperam assistir nossas mortes terríveis. Nós somos desacelerados a cada ponto de inspeção, e a mensagem já foi espalhada sobre nós, visto que os guardas nos atrasam sem motivo aparente. Bom, sem um bom motivo, já que eu vi eles de olho nos nossos anéis de merda e jarros de merda, conseguindo tempo para seus respectivos grupos, provavelmente para nos emboscar fora da cidade. Que bando de cuzões.

Quando nós chegamos, todos estão nos esperando, com os quins todos com suas selas, com nossas coisas, e prontos para partir. Montando, nós nos movemos em direção à saída da cidade, de novo, parados no ponto de inspeção. Doido de impaciência, enquanto olhava os arredores eu avisto o Ancião Ming , se dirigindo direto para nós com um contingente de membros da seita dele. Ele para perante nós, seus companheiros todos empurrando os guardas do ponto de inspeção para longe de nós. Eles vão nos levar embora e nos matar? Merda, eu meio que gostava desse velhote também.

Juntando suas mãos, ele fala para Alsantset, se introduzindo.

— Eu fui informado sobre a recompensa posta sobre seu time. Foi ordenada por um tal de Cho Jin Sui, um mercador. — Eu levo um momento para lembrar de quem ele está falando, algum cara sem nome que eu esqueci. Wow, perca uma lutinha e fique puto o bastante para dar 5.000 ouros para um aleijamento? Reação exagerada? Que cuzão.

Ancião Ming continua:

— Infelizmente, ele escapou antes da nossa investigação pudesse descobrir o grupo responsável por mediar a transação. As propriedades que ele deixou para trás foram tomadas e saldadas. Como o grupo lesado, vocês são intitulados com uma parte do prosseguimento. — Ele entrega para Alsantset uma pequena caixa de madeira, que ela abre rapidamente e fecha. Eu vi um flash de ouro, cartões ou barras, antes disso ser enfiado na mochila dela. Brilhante… mas isso é só mais uma isca para os bandidos e ladrões. Não podemos gastá-la se estivermos mortos. Ancião Ming acena para nós e a garota-gata fofa da luta do bar é trazida para frente, parecendo desamparada e perdida, abraçando sua espada e bainha. Eu deveria confortar ela.

— O testemunho dessa escrava foi vital para condenar Cho Jin Sui. Eu acredito que ela será valiosa para vocês, uma guerreira forte. Talvez não tão feroz quanto o resto de vocês jovenzinhos, mas útil até mesmo como distração. Ela também possui conhecimento da geografia e políticas locais, o que pode ser útil. — Ele entrega para Alsantset um belo cordão de corrente com uma pequena pedra preciosa, e a garota se move para a frente para acompanhar, encarando a joia.

Alsantset joga a corrente para mim e fala:

— A garota jurou seguir os comandos do portador. Você decide o que fazer com ela, pequeno Rain. — Espera, o que? Puta merda, eu espanquei uma escrava? Por que ninguém me contou que ela era uma escrava? Esticando a corrente, eu tento oferecê-la para a garota-gato, mas ela simplesmente fica parada, olhando para ela. — Ela não pode tocar na corrente irmãozinho, é parte do juramento. É escravidão até a morte para ela. Você tem que cuidar bem dela. — Por que Alsantset diz isso como se ela fosse uma animal de estimação? Eu não quero essa responsabilidade, esse é o caminho para fora da minha zona de conforto.

Ancião Ming quebra o silêncio enquanto eu entro em pânico internamente tentando sem sucesso dar a corrente para outra pessoa.

— Minhas desculpas para vocês, jovens, parece que o presente do meu clã causou a vocês alguns problemas. Que azar que vocês receberam os dois maiores prêmios. — Ele ri com arrependimento, balançando sua cabeça. — Se fosse apenas o medicamento, eu seria capaz de proteger vocês, mas agora, escoltar vocês para fora da cidade é o máximo que eu posso fazer. Venham, tempo é vital. — Ah graças a Mãe, uma pessoa decente até que enfim.

Enfiando a corrente no bolso, eu sigo enquanto os membros da Seita Arahant nos escoltam para longe dos portões da frente, passando à força através dos vários pontos de inspeção quando os guardas estacionados não cooperavam, não desperdiçando tempo. Uma vez fora dos portões, Ancião Ming nos saúda mais uma vez, o que todos nós retribuímos.

— Eu espero que todos vocês sobrevivam, e que nos encontremos um dia de novo.

Eu junto minhas mãos e me curvo o melhor que posso enquanto ainda montado, grato pela ajuda dele. Pelo menos estamos à frente de qualquer possível emboscada.

— Obrigado por sua ajuda, Ancião Ming Zhong Lang. Você é um bom homem. Eu espero te encontrar de novo em circunstâncias melhores, e dividir um drinque e uma boa história com você. — Ele sorri para mim antes de se virar para ir embora. Eu acho que ser visto conosco não fará ele ganhar nenhum concurso de popularidade.

Alsantset nos guia para longe, tão rapidamente quanto os quins podem nos carregar, se dirigindo para o norte ao longo da estrada, grama se alongando ao nosso redor, o mar para o oeste, questionando a garota-gato enquanto nós viajamos.

— Song, era isso? Eu preciso de uma área onde cavalos não consigam viajar facilmente. Montanhas, penhascos rochosos, floresta densa, qualquer coisa. Você conhece tal lugar?

Song concorda, se balançando em cima de um dos quins bem vestidos do Taduk, agarrando o tecido da roupa.

— A borda nordeste do mar, fica a uma hora e meia de distância. — Ela fala em um tom monótono, um timbre entediado em sua voz apesar das circunstâncias. Apontando de maneira estranha, ela tenta guiar o caminho, mas sua falta de habilidade em montaria a impede de fazer isso. Alsantset vai até ela e a levanta pelo cinto, movendo ela para Suret. Nós apertamos o passo, viajando duro, enquanto eu continuo olhando para trás, com medo de perseguidores. Quins podem correr, mas não mais rápido do que um cavalo em períodos curtos. Eles podem correr até 10 km/h por 15 horas em um dia, todos os dias da decana, mas a velocidade máxima deles é de apenas 45 km/h, pouco mais da metade da velocidade de um cavalo galopando a todo vapor. A força deles está na mobilidade e resistência, capazes de se mover por florestas e montanhas com facilidade, escalando rochas e penhascos como se fosse chão normal.

Não passou muito tempo antes de eu avistar pessoas à distância, chicoteando seus cavalos com armas em mãos enquanto se apressam até nós, pelo menos quarenta em número, possivelmente mais. Bom, pelo menos eles deixaram bem óbvio que estão aqui para nos matar.

— Alsantset! — Ela se vira para olhar e gesticula para que eu encurte a distância entre nós. Assim que eu o faço, ela joga Song em cima do Zabu, pousando grosseiramente no meu colo. Meus braços vão ao redor dela, firmando ela. Bom, e ae, gatinha. Hora ruim, Rain, hora ruim. Fugir, lutar, ou foder. Escolha um, e você não consegue fazer os outros dois. Além disso, ela é uma escrava! Não tire vantagem dela, isso é uma coisa horrível a se fazer. Eu vou descobrir algum jeito de libertá-la, ou pelo menos manter o mínimo de restrições possíveis. Contanto que ela não mate a todos nós enquanto dormimos. O que eu deveria fazer com minhas mãos nessa situação?

Suret vai para trás, Charok agora guiando o caminho em Pafu, desviando da estrada, indo para a grama e terra. Nossa segurança depende da floresta a vários quilômetros de distância, mas nossos perseguidores estão ganhando terreno rapidamente, e irão nos alcançar antes que cheguemos na floresta. A vibração de uma corda de arco chama minha atenção, um assobio de flecha na distância. Esticando meu pescoço, eu vejo Alsantset em pé em Suret, como uma heroína em uma história, encarando nossos inimigos. Ela saca uma segunda flecha, mira com cuidado, atira, e um cavalo se espatifa no chão, esmagando a pessoa montada nele enquanto cai. A cena se repete, nossos perseguidores desacelerando, se espalhando e correndo em zigue-zague, mas cada flecha acerta, penetrando fundo no peito de um cavalo. Quanto mais próximo os perseguidores ficam, mas rapidamente Alsantset atira, começando a mirar nas pessoas. O poder do arco dela, combinado com a velocidade deles, os mata quase instantaneamente, mandando os mortos voando de suas montarias. Quando a aljava dela está vazia, total de 24 flechas, Alsantset se vira com graça e se senta de volta em Suret, tão facilmente quanto sentar em um sofá. Vendo meu olhar de admiração, ela sorri e pisca para mim, Suret facilmente prosseguindo com um filhote em seus braços, a bunda peluda dele balançando para frente e para trás enquanto elas vão para frente, pegando Song enquanto elas se movem. Inacreditável.

Nossos perseguidores ainda estão vindo, mas em suas tentativas de evitar os tiros mortais de Alsantset, eles ficaram para trás. Dentro de minutos nós alcançamos a floresta e os quins desaceleram sua velocidade, ziguezagueando ao redor das árvores, indo sempre para frente nas direções de Li Song. A floresta fica mais escura e mais densa, e Alsantset fala levemente, mas as palavras chegam aos meus ouvidos como se ela estivesse suspirando diretamente neles.

— Nós precisamos matar esses perseguidores, e, então, escapar para as montanhas para descansar. Huushal, Adujan, Sumila, e Rain, vem comigo, o resto desacelere o passo e vão mais fundo para as montanhas. Não fiquem muito longe, ou a garota irá morrer. — Um truque conveniente. Eu deveria aprender disso. Eu assisto ela jogar Song para o Charok, e ela se vira enquanto eu sigo ela com os outros cadetes. Circulando ao redor, eu pego minha lança longa, repousando ela na curva do meu braço. — Nós acertamos eles com força e nos afastamos. Então, nós voltamos até eles por um ângulo diferente.

Nos alinhamos, fila única, comigo no fim, e Alsantset liderando o ataque, e os quins começam a correr de verdade.

Nossos inimigos entram na nossa visão quase que imediatamente, se movendo em meio galope pela floresta, seus olhos se arregalam em pânico enquanto nós avançamos contra eles. Os quins pulam vários metros adiante em uníssono, cada um mirando em uma pessoa. Minha lança bate no peito da pessoa na liderança, estalando enquanto eu pouso em cima de Zabu, meu estômago embrulhando. Tão rapidamente quanto atacamos, todos os quins fazem uma virada brusca, nos levando de volta e desaparecendo nas árvores. Gritos de surpresa e morte ecoam atrás de nós, enquanto nos movemos pela floresta, circulando nossa presa. Eu nem sequer estou direcionando Zabu, o quin tomando suas direções da Suret, e tudo que eu tenho de fazer é mirar minha arma. Um curto minuto depois, nós avançamos contra eles de novo, aparecendo do outro lado dos nossos perseguidores, surpreendendo eles de novo. Dessa vez minha lança curta é perdida na briga, cravada no ombro de outro oponente. A quantidade de poder que o Zabu põe no ataque dele é gigantesco, tirando a arma da minha mão, enfiando ela fundo na carne e osso do meu inimigo. Nosso ataque feito, nós escapamos para a cobertura da floresta, intocados pela retaliação.

— Se espalhem dessa vez, ataquem ao meu comando, então nós ficamos e acabamos com isso dessa vez. Oito sobrando, simples o bastante. — Simples seu cu. Nós pegamos eles de surpresa, mas agora eles devem estar preparados, certo? Me separando do grupo, eu trago Zabu ao redor, me posicionando no que deve ser o caminho de retirada deles. Minha mão sua enquanto eu seguro Paz, os ouvindo conversar entre eles nessa floresta densa, discutindo sobre o próximo movimento deles, enquanto Zabu chega perto silenciosamente.

Zhong Lang se sentou nervosamente em seu cavalo enquanto seus colegas discípulos gritavam uns com os outros, incapazes de decidir no curso de ação. Todos os discípulos seniores estavam mortos, ou mortos por aquela vadia, ou impalados pelos ataques rápidos daquelas bestas peludas que aqueles bárbaros montavam. Ele só era um discípulo normal, com apenas 25 anos de idade. Sua esposa estava em casa, sua filha recém nascida. Por que ele se voluntariou para essa missão? Deveria ser uma tarefa fácil de acordo com seu tio, caçar alguns caipiras que não conheciam seu lugar. Como isso aconteceu? A porra daqueles bárbaros eram selvagens demais, fortes demais.

Jun estava gritando com urgência:

— Nós precisamos correr antes que eles voltem! — Lang concordava com ele, mas nunca diria isso alto, o homem era uma vergonha e um covarde. Sua boca seca, olhos freneticamente olhando ao seu redor, tentando descobrir de onde esses bárbaros viriam. Os nervos de Jun finalmente fritaram, virando seu cavalo para voltar pelo caminho que eles vieram, correndo na floresta. Quase no instante seguinte em que ele sumiu da vista dos outros, seu grito foi ouvido, encurtado em um instante. O inimigo estava sobre eles, saindo das árvores mais uma vez, um jovem homem, sua espada pingando sangue, olhos amarelos brilhando na escuridão da floresta, sua lâmina perfurando outro discípulo com outro ataque impossível de sua besta.

Seu sabre em mãos, Lang atacou em direção ao seu inimigo, mas a armadura do bárbaro era boa demais. Brilhava como obsidiana negra, e ele mal deixou uma marca nela. Seu pânico fez com que perdesse o Equilíbrio. A besta rasgou seu cavalo, que se ergueu em pânico, arremessando ele para fora de sua sela, sua arma perdida na queda. Se arrastando no chão, ele se agitava freneticamente, tentando encontrar seu sabre no meio da terra e das plantas.

Os sons de luta terminavam ao redor dele, os murmúrios da morte de seus irmãos enchiam seus ouvidos. Olhando ao redor, ele viu cinco bárbaros, cobertos no sangue de seus irmãos, encarando, com olhos frios sem misericórdia. Seu corpo estremeceu enquanto ele sentava no chão, sem arma e com medo, lágrimas caindo de seus olhos. O jovem de olhos amarelos desmontou, pegando algo no chão antes de jogá-lo para Lang. Seu sabre.

— Levante, diga seu nome, e lute. — Tomando sua postura, ele esperou por Lang.

O sentimento do aço frio de sua arma o acalmou o bastante para levantar, seu corpo ainda tremendo incontrolavelmente. Um duelo próprio, uma morte digna. Algo para ser grato.

— Eu sou Zhong Lang. — Um nome era um cortesia pequena o bastante.

O jovem homem falou quietamente:

— Eu sou Rain, Khishig dos Bekhai, Discípulo de Baatar. Quando você estiver pronto.

Lang arregalou seus olhos com o nome, frequentemente dito e louvado pelos últimos dias, um novo dragão em ascensão, um verdadeiro herói do Império. Não era surpresa que essas crianças eram tão ferozes, para ser conectado com alguém tal como Baatar. A seita escolheu mal seus inimigos. Suspirando profundamente, ele se acalmou, relembrando seu treinamento. Eles ainda eram crianças, o mais velho deles só um pouco mais velho do que ele próprio. Mesmo se ele morrer aqui, ele não poderia envergonhar a seita ou seu filho. Ele iria matar essa criança selvagem no um-contra-um, porque se ele não o fizesse, seria o mesmo do que devolver um filhote de tigre para as montanhas, para ficar mais velho e mais forte, talvez até mesmo forte o bastante para ameaçar todas as pessoas que ele amava.

O menino iria avançar, julgando pela postura dele, uma estocada. Tolo e inexperiente, apesar do talento que ele pudesse ter. Lang tomou sua postura, elevando sua espada com as duas mãos, se preparando para trocar a vida dele pela vida dessa criança, para cortar o menino mesmo se ele morresse. Era tudo que ele poderia fazer.

— Eu estou pronto.

A espada do menino perfurou a garganta dele um mero segundo depois que ele disse as palavras, seu braço ainda levantado acima dele. Sua força desaparecendo, sua espada caindo de suas mãos enquanto ele se juntava com seus irmãos discípulos, para encontrar o abraço quente da Mãe.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

10 Comentários

  1. duvido que o Rain vai tocar nessa moça. vai tentar de um tudo pra libertá-la e, aí sim, veremos!

  2. Interessante o autor colocar esse ponto de vista do inimigo, meio que válida os argumentos do Rein sobre o fato das pessoas que ele matou terem famílias e objetivos igual a ele.

    É meio bad pensar que talvez uma ou duas pessoas que morrem em uma luta com o prota, serem pessoas boas e gentis que estão apenas seguindo ordens…

  3. Ah cara, claro que gosto das cenas de luta, mas pqp, cada um desses jovens morrendo pelo interesse de homens velhos que nem saem do lugar pra decidir se alguém morre… Isso é muito triste.

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