DS – Capítulo 54

De pé no planalto ventoso, eu tremo enquanto espero nossos perseguidores me alcançarem. Eu não tenho idéia de como esses cuzões continuam nos achando, mas todo o dia, eles estão bem ali, colados no nosso rabo. Nós já repelimos eles quatro vezes em alguns dias, e aqui estão eles de novo. Hoje, nós iremos descobrir como. Eles se movem bem rápido pelas montanhas, mesmo a pé, fazendo a mesma coisa que a Mei Lin, saltitando por aí como se não tivesse peso, com rajadas curtas de deslize suave. Nem um único dos nossos perseguidores mortos parecia ter menos de 30, o que me diz que Mei Lin é impressionante, para dizer o mínimo. Ela não me conta como é feito, só diz que eu preciso aprender uma coisa de cada vez, o que é verdade. Tudo que eu consigo fazer é Afiar minha arma, o que é meio básico.

Minha mão direita pega minha espada familiar e reconfortante, enquanto um sabre “emprestado” está na minha esquerda, com todas as minhas outras armas perdidas ou quebradas. O sabre e a espada parecem ser as armas mais populares usadas pela Sociedade, nenhum dos nossos assassinos carrega escudos, lanças, ou alabardas, o que é uma pena. Eu preciso de substitutos. É um sabre de aço, mas é pesado e não muito afiado, uma antiga arma espiritual, e com seu dono anterior morto, é só aço normal. Um pouco pior possivelmente, já que não é sequer aço puro. Segurando ele pela guarda da mão, o gume chato está alinhado contra meu braço como um substituto de um escudo. Melhor do que nada, eu acho. Me agachando, eu tento abraçar o Zabu para me esquentar, enquanto ele deita de bruços no chão, quase achatado, olhos fechados em contentamento. Ele ama aqui em cima, esticado no penhasco rochoso como um tapete, peito roncando de prazer enquanto eu coço o pescoço dele. Ele é quase adorável assim. Se apenas ele não cheirasse tão mal, eu usaria ele como um travesseiro. Eu tenho o único quin do mundo que odeia banho.

Nós avistamos nossos perseguidores no caminho várias horas atrás, então aqui nós estamos, prontos para lutar. Charok está responsável pela investida dessa vez, é o turno da Alsantset proteger os não combatentes. Como o pior atirador do grupo, eu fui escolhido para o cargo menos favorável: escudo de carne. Tomando vantagem deste único caminho de planalto para dentro das montanhas, os outros estão atrás de mim em diferentes pontos de vantagem, arcos prontos. A área aberta que eu estou de pé agora é a zona da morte, sem cobertura alguma. Supostamente, nossos inimigos não correrão o risco de passar por mim, porque lutar enquanto usando Sem Peso é muito difícil e arriscado. Eles terão de me matar enquanto correm pela única trilha disponível, antes de poderem alcançar os outros. É um plano decente, assumindo que eles vão nos alcançar algum dia. Esses filhos da puta são tão lentos, que nós poderíamos estar quilômetros de distância por agora, mas eles nos alcançariam eventualmente, nos seguindo como cães de caça.

Depois de lembrar das etiquetas usadas na competição, nós abandonamos tudo da Sociedade, procuramos em todos nossos equipamentos e bolsas, até mesmo a pasta que continha o ouro e todas as roupas da Song, e eles continuavam nos achando de alguma forma. Não pode ser pelo nosso cheiro ou métodos normais de rastreamento, de acordo com a Alsantset, então tem que haver algum tipo de macumba que nós desconhecemos.

Song está vestida em alguns dos couros da Sumila que sobraram, as duas parecem se dar bem juntas, Song alimentando Sumila depois que ela foi ferida, ajudando ela a se vestir, até mesmo dormindo juntas à noite. Song aprendeu a montar bem rapidamente nos últimos dias, e é bem habilidosa com o sabre dela, e uma melhor atiradora do que eu ainda por cima. Ela é uma bela adição às nossas forças, e eu classificaria as habilidades dela em par com as de Adujan, empatadas para um segundo lugar. Eu me colocaria como quarto, atrás de Huushal, infelizmente. Eu venci ele em um treino de combate, mas ele é um monstro carregando seu sabre grande de empunhadura longa, espancando inimigos, esmagando eles até virarem poupa, um olhar maluco nos olhos dele. Eu não seria capaz de bloquear nem um único ataque dele, e as mulheres são mais assustadoras ainda.

Todos eles são assassinos proficientes, enquanto eu ainda pareço e me sinto estranho em comparação. Mesmo com uma terrível ferida da primeira noite, Sumila ainda é mais útil do que eu, frequentemente se dividindo com Song para guiar nossos perseguidores para longe, ou dentro de uma emboscada. Mei Lin e eu conseguimos consertar ela com alguns pontos e um cataplasma, colocando o braço dela em uma tipoia, mas foi por pouco no dia. O anel de jade vermelha ajudou ela a se curar, suprindo ela com mais chi em um período menor de tempo, e ela deve estar 100% amanhã, já saudável o bastante para usar um arco. Eu posso ter subestimado a efetividade dos anéis, mas os riscos no seu uso ainda são muito altos. Ela termina sua meditação exausta e suando, ao invés de relaxada e calma.

Eu pensei que nós estavamos de boa por um tempo, com nosso momento bacana no penhasco, mas Sumila está de volta a ser azeda e fria, algumas vezes me ignorando por completo quando eu me aproximo dela. É provavelmente a tensão afetando ela. Nenhum de nós está muito tagarela além da Mei Lin.

Falando baixinho, sabendo que Charok está escutando, eu converso nervosamente.

— Eu não acho que eles estão vindo. — Eu realmente espero que a audição aguçada seja seletiva. Seria uma merda se eles escutassem meus… rituais noturnos. É difícil estar no corpo de um adolescente. Eu queria que houvesse um livro que eu pudesse ler, como Chi para Retardados.

— Não se preocupe, irmãozinho. — A voz de Charok parece clara, como se ele estivesse aqui do meu lado. Alsantset sempre parece como se ela estivesse sussurrando quando ela faz isso, e eu não posso dizer se é porque o Charok é melhor nisso, ou se a Alsantset só tem mais controle. — Eles estão exitando, sabendo que isso é uma armadilha, mas eles não têm outra opção a não ser entrar nela. A única outra opção deles seria chamar reforços, mas nós podemos despistar eles se fizerem isso. — Ele ri um pouco. — Fale, e será. Eles estão vindo irmãozinho. Lute bem.

Eu avisto movimento abaixo, diversos guerreiros vestindo mantos com chapéus de palha e máscaras se aproximando, pulando na montanha de árvore em árvore, que nem ninjas. É bem impressionante, mas meio estúpido se expor daquele jeito. Ninjas da cidade tolos, sem comparação com os ninjas da montanha. Não importa o quão forte você seja, uma flecha no coração ainda vai te matar do mesmo jeito. O consenso geral sobre arcos é de que é uma arma de plebeus, inapropriada para guerreiros de verdade. O que é bem estúpido, na minha opinião. Se um fazendeiro que pratica duas horas todo dia com um arco pode matar um artista marcial que pratica doze horas por dia com uma espada, eu sinto que o arco deveria ser nomeado o rei das armas. Mesmo se não te matar, lutar com uma flecha em você é difícil, para começo de conversa.

No caso em questão, assassinos ninja pulando em árvores morrem tão facilmente quanto fazendeiros quando Charok e os outros atiram flechas deles. Três caem do céu, moles e mortos, os cadáveres deles rolando montanha abaixo. Os outros descem das árvores, se apressando na passagem estreita a pé, evitando mais barragens de flechas. Outros saltam pelas laterais, escalando o penhasco rochoso para se aproximar e me cercar. Estalando meu pescoço e relaxando meus ombros, eu fico pronto para bloquear o caminho deles. They shall not pass. TeeHee.

Meu primeiro oponente chega, Paz bate em seu peito enquanto ele sobe, matando ele no meio do ar. Dois outros pousam ao meu lado, e a luta começa para valer enquanto eu desvio e bloqueio à medida que suas armas afiadas tiram pedaços do sabre. Flechas voam ao meu redor enquanto eu luto, uma estocada passa pela minha defesa, perfurando direto pela minha armadura e acertando meu ombro, só parando no osso. Paz corta o peito do meu atacante, enquanto o segundo tenta cortar minha cabeça. Zabu ataca ele no meio do golpe, meu pequeno guarda costas peludo fazendo seu trabalho. Os outros quins se juntam, seus ataques quase suicidas pegando nossos oponentes desprevenidos, a pele e o pelo grossos deles é difícil de cortar ou perfurar, uma matilha de monstros naturais, guinchando e matando com total dedicação. Eu sou a isca e eles a armadilha, enquanto todo o resto fornece suporte. É um pouco humilhante ser menos útil do que as montarias.

Mais assassinos continuam a chegar, alguns acertados assim que se expõem, outros passando pela barragem para me encontrar em combate, enquanto eu troco golpes com assassinos experientes, dando carne e tomando vidas. Um corte no braço, uma estocada pelo flanco, um corte no rosto, eu recebo feridas menores, enquanto meu oponentes se expõem para um ataque mortal. Uma troca fácil, uma que eu tomaria qualquer dia da decana. Do contrário eu não seria páreo para eles, ainda assim, aqui eles morrem e eu vivo. As formas vem naturalmente para mim, minha arma dando pequenas estocadas e fazendo pequenos arcos, cada golpe toma uma vida, cada corte me desgasta enquanto eu mato inimigo após inimigo, retalhando e cortando eles enquanto meu sangue ferve de raiva.

Depois do que parece uma eternidade, mas não pode ter sido mais do que cinco minutos, a corrente de assassinos acaba, e só há um oponente restante para lutar, os outros mortos ou morrendo, mantendo os quins afastados. Minha arma apontada, enquanto eu fico ofegante, tentando não desmaiar. Meu oponente restante carrega uma espada leve de dois gumes, uma Jian¹. O metal assobia pelo ar enquanto ele a balança. Cada golpe está direcionado aos meus pontos vitais. Esse aí aprendeu ao assistir todas as minhas outras mortes, sabe que está morto se ele não me matar no primeiro golpe. Sem mais a necessidade de manter as linhas de fogo abertas, eu expando a extensão dos meus movimentos, rodeando ele enquanto eu tento dar a alguém, qualquer um, um tiro limpo. Ele fica perto enquanto eu me movo, se recusando a se afastar, cortando minha ombreira fora da minha armadura em um único corte, um sulco profundo na minha coxa no próximo, sua arma girando e cortando de maneira imprevisível. Eu bloqueio o próximo golpe, nossas espadas cantam em uníssono, uma harmonia melódica que é repetida de novo e de novo enquanto eu desesperadamente desvio de seus ataques. Habilidoso demais, ágil demais, forte demais, ele me supera em tudo, mas logo, o tempo dele acaba. Eu sorrio para ele conforme Zabu pula no ar, preso em seu alvo, batendo em meu oponente furiosamente, rasgando ele em pedaços com dente e presa, uma criatura selvagem foi solta. MVP DPS Zabu.

Inspirando o ar frio e fresco, grito em desafio aos céus, eu me alegro na sensação de sobreviver novamente. A adrenalina se extingue lentamente enquanto eu fico de pé lá, me bato na cara para que eu não desmaie. Taduk não está aqui, então eu preciso curar a mim mesmo, mas corrida demais e comida de menos está deixando isso difícil. Caindo no estado de Equilíbrio, eu noto que minhas feridas não são tão ruins quanto elas pareciam, a pior é uma pequena fenda nos meus intestinos, de um corte que eu não lembro de ter tomado. Permitindo que o chi conserte o que pode, eu fico parado lá, sabendo que eu estou mais seguro com Zabu e os outros cuidando de mim. Eu só preciso cuidar do pior, o resto pode ser costurado e curado depois.

Meus olhos se abrem, e eu vejo Charok interrogando um par de sobreviventes amarrados, flechas saindo deles, enquanto os outros estão por perto, seus quins esperando pacientemente. Surpreendentemente difícil capturar pessoas vivas, e na verdade, eu esqueci de tentar. Me aproximando por trás, eu observo os olhos deles se estreitarem enquanto os dois me encaram. Eu estou um bagaço, minha antiga armadura brilhante agora toda rasgada e esfarrapada, quase caindo  em um ombro. É frustrante, para não dizer o contrário, essa luta foi o último prego no caixão da minha vestimenta adorável. Deixando de lado os pensamentos dos meus problemas da moda, eu me concentro nas duas pessoas diante de mim, um homem e uma mulher, ambos bem indescritíveis e simples, duas pessoas que você provavelmente esqueceria imediatamente se as visse na rua.

— Então o que eles disseram? — Nós precisamos saber como eles continuam a nos encontrar. Enquanto nós somos capazes de nos mover rápido nas montanhas, nós não nos movemos mais rápido do que um mensageiro nas estradas principais, trocando de cavalo a cada 50 quilômetros, ou os barcos carregando mensagens para as cidades à nossa frente.

Charok nega com a cabeça. Eles não irão falar, da mesma maneira que os outros sobreviventes. Ameaças de morte não os afetam, e nós não temos tempo ou a inclinação para torturá-los. Eu me agacho para olhá-los, encarando cada um em seus olhos, Paz na mão. Nós procuramos nos pertences de todos eles antes, mas nenhum deles está carregando qualquer coisa suspeita. Suspirando na frente deles, eu falo levemente:

— Seus cuzões, vocês estão nos perseguindo por quatro dias agora, e está ficando cansativo. Como vocês continuam nos achando? — Eles respondem com cuspe, em uníssono até. Tá, sempre a mesma coisa. Eu estou ficando cansado dessa merda. Hora de tentar algo novo que eu pensei. Homem ou mulher? Que se foda, vamos fazer eles competirem. Tirando uma bota de cada prisioneiro, eu corto as calças deles até a coxa, expondo a pele deles. — Vocês dois vão morrer. Eu posso ver que já aceitaram isso. A questão é, como você gostaria de morrer.

Gesticulando para Sumila, ela traz Zabu e o quin dela até aqui, um terror de bigodes brancos chamado Kankin. Montaria da Akanai, e ele combina com a personalidade dela. Roosequins irão comer qualquer coisa, incluindo humanos. Pelo menos, Zabu vai tirar carne humana da lista de lanches diferentes, mas para o Kankin, carne humana é o lanche. Ele gosta de começar pelos intestinos, enquanto sua comida ainda está viva. Porra Akanai, deixa com ela o papel de criar o animal de estimação mais aterrorizante de todos. Levantando o pé dos prisioneiros, eu dou um para cada quin que os agarram com suas mãos, garras perfurando a pele, chiando com raiva quando os prisioneiros se debatem. Comandando os quins para esperarem, ambos salivam, lambendo os beiços enquanto seguram suas próximas refeições.

 

Eu odeio fazer isso.

— Vocês dois vão alimentar esses quins. A primeira pessoa que me disser como vocês continuam nos achando, morre antes da refeição começar. O outro… bom, eles gostam de carne fresca. Vocês tem dez segundos.

Kankin é um puto de aparência malvada, grisalho e chiando de alegria com sua antecipada refeição. Eu começo a contagem, os quins fazendo o papel deles perfeitamente, parecendo ansiosos e sinistros, agarrando as pernas deles, arranhando eles ansiosamente com suas garras, a cara de Zabu está coberta de sangue coagulado, um corte descendo por sua bochecha, uma visão assustadora para ambos os prisioneiros.

Eu mal chego no seis quando o homem começa a falar:

— A escrava. Depois da competição, os médicos tinham o sangue dela, e nós criamos uma matriz rastreadora quando soubemos que ela estava com vocês. Os líderes estão tomando turnos caçando vocês, para que não haja disputa sobre os bens reivindicadas. — O suor dele desce pelo seu rosto como um riacho.

Mãe, puta que pariu. Eles fizeram um jogo disso?

— Como nós paramos eles de nos rastrearem?

Os olhos do homem nunca deixam Zabu, que fica na frente dele, rosnando em impaciência. Você não faz contato visual com um predador, isso é o básico. Fala sério vei.

— Você não pode bloqueá-la, você precisa queimar as insígnias contendo o sangue, é o único jeito.

Charok faz mais algumas perguntas, e a situação não parece boa. A matriz determina nossa localização através de duas peças de madeira, ambas apontam para nós, e eles simplesmente nos acham na intersecção das duas. Os guias se afastam, e o maior lance tem uma chance de nos matar. Pelo menos eles não estão trabalhando juntos, cada uma relutante em dividir as recompensas. Song fica ao lado, sem emoção e parada, apática com as notícias, apesar das implicações horríveis que isso tem para ela. Eu não sei se é porque ela não sabe, ou se ela só não se importa.

— Eles pegaram seu sangue? — Ela ignora minha pergunta, arma abaixada, mas ainda em mãos, costas duras, olhos baixos, nunca olhando ninguém nos olhos. Ela permanece em silêncio até que Sumila incita ela a falar.

— Eu estava gravemente ferida quando me açoitaram, não fui curada de acordo com as ordens do mestre. Minhas feridas foram curadas no final da competição, apesar de mencionarem minha punição. Eu não pensei muito disso. Essa escrava envergonhou o mestre dela com sua ignorância e implora por uma punição. — Uma entrega sem emoção, um robô repetindo a forma como ela foi programada. A vida dela sequer vale a pena ser vivida?

O tagarela continua a falar, a rolha em seu silêncio foi quebrada, mais informação do que nós precisamos flui.

— As ordens são para capturar os jovens vivos, assim como a meio-tigre. Vocês todos serão escravizados, ou feitos de exemplo caso recusem. Nós temos diversos grupos, prontos a toda hora. Outro chegará em breve.

— De qual clã ou seita você é?

— Eles estão acampados perto da base da montanha, menos de 10 quilômetros ao norte daqui, fácil de  achar. Por favor, isso é tudo que eu sei, só me dê uma morte rápida. Não deixem eles me comerem, eu te imploro. — Minha mão afaga Zabu na cabeça, e ele fica puto comigo, irritado que eu tirei a comida dele. O homem se repete, implorando para não ser devorado. Apesar dele não dizer de qual seita ou clã ele é, ou até mesmo reconhecer que ele foi mandado pela Sociedade, leal até o fim. Na verdade, eu respeito isso. Com a permissão de Charok, eu o mato com uma estocada no coração, antes de nos virarmos para mulher.

A mulher parece forte e resoluta, encarando seu companheiro morto com ódio, rosto branco de terror apesar disso tudo. — Então… algo a adicionar? — Uma segunda cusparada, dessa vez menor, medo secando a boca dela. A coragem dela é admirável, especialmente já que Kankin ainda está segurando a perna dela, agachado no chão, preparado para a refeição dele. Eu até admiro um pouco a calma dela, mas ela ainda é alguém que nos caçou por dias agora. Se ela tivesse vencido aqui, nós todos estaríamos mortos ou pior. Uma estocada rápida acaba com a vida dela, eu dou o sinal para que Kankin comece a comer. Eu não sou um monstro, não ainda pelo menos. Eu consegui o que precisava. Eu jogo uma grande fruta redonda para Zabu, o pensamento dele comendo carne humana ainda me enojando. Ele é mais feliz com a fruta de qualquer jeito, comendo com alegria, mastigando e chiando de alegria. Kankin faz os mesmo sons.

Charok ficou ao lado o tempo inteiro, observando os procedimentos. Eu não consigo olhar ele nos olhos, os mantendo baixos para escanear o chão em busca de alguma arma nova.

— O que você teria feito se eles não tivessem falado? — Sua voz é neutra, mas eu sinto o julgamento, sei que decepcionei ele.

— Eu não sei. — Eu minto facilmente, as palavras saindo da minha boca sem exitação. Quão rapidamente minha moral muda quando estou sob pressão.

Nós voltamos em um silêncio sombrio, a vitória fazendo pouco para melhorar a atmosfera geral. Aqui eu pensava que eu era tão esperto, me machucando para matar meus oponentes. Eles só estavam tentando me incapacitar, pela recompensa. Isso é um balde de água gelada em mim, pensando que eu era o fodão. O orgulho vem antes da queda, e isso funciona dos dois lados.

A reação da Alsantset com as notícias me surpreendeu:

— Então nós não temos escolha a não ser lutar. Nós descansamos por meia hora, então nos movemos de novo. — Ela afaga Song na cabeça, as duas garotas-gato já são amigas. Eu sou uma pessoa horrível, por pensar em se livrar dela imediatamente? Alguns dias atrás eu queria salvá-la, mas agora eu estou pronto para sacrificá-la para uma chance maior de escapar. Eu deixei a decisão para os outros porque eu pensei que eles a fariam por mim, me poupando da dor. Porra. Eu sou um ser humano horrível.

Alsantset me examina, checando minhas feridas e afagando minha cabeça.

— Irmãozinho, você se pune demais quando luta. Você tem que aprender a desviar e bloquear.

Tentando sorrir, eu mantenho minhas palavras tão leves quanto possível.

— Ah, é isso que eu deveria estar fazendo? Eu fiquei pulando nas armas deles, parando elas com minha carne e ossos. Eu vou tentar lembrar de seu conselho, irmã. Só desviar. — Ela belisca minhas bochechas, um sorriso irônico no rosto. As linhas ao redor de seus olhos fazem ela parecer mais velha, sua resistência enfraquecendo. Entre os dois, Charok e Alsantset têm trabalhado sem parar desde que nós saímos da cidade, agindo como líder e retaguarda, mas eles ainda têm tempo para se preocupar comigo.

Tirando as ruínas que eram minha armadura, eu passo meus dedos pelo exterior brilhante do colete, o elmo perdido um dia atrás. Foi só ontem? Parece que foi eras atrás, o sabre cortando minha cabeça enquanto eu tropeçava sobre um terreno irregular, salvando minha vida. Esquece uma contagem diária de quase mortes, eu mal consigo passar 8 horas sem resetar a contagem. Mei Lin me ajuda com os pontos, deixando linhas arrumadas e bonitas na minha pele, conversando comigo enquanto eu finjo ouvir, me preocupando com os problemas em minhas mãos. Acabou o unguento que nós usamos para cortes, não tínhamos mais depois de um único dia. Nós tomamos uma surra logo depois da nossa emboscada noturna, nossos perseguidores chegando mais rápido do que esperávamos, adicionando uma Sumila seriamente ferida. Tudo está acabando exceto fruta e água fresca, as montanhas cheia dos dois. Nós não acendemos um fogo desde então, e toda a carne de urso e cavalo que nós tínhamos está quase acabando. Até as flechas estão acabando, nossos perseguidores pararam de trazê-las quando era evidente que nós os superávamos por uma grande margem. Por que se incomodar em simplesmente nos dar munição?

Alsantset retorna antes da meia hora acabar, nos apressando, enquanto mais inimigos foram avistados. Nós estamos todos exaustos com pouco sono ou comida o suficiente, rodando só no cheiro, mas os ataques continuam vindo. Eu não tenho idéia de como vamos passar por isso, e eu mal consigo ficar acordado enquanto nós vamos embora, mais uma vez entrando na floresta, fugindo dos nossos sempre persistentes perseguidores.

 


1Jian: espada desse modelo aqui

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

9 Comentários

    1. Ficam falando de honra pra tudo mas não se importam em se humilhar enviando dezenas pra falhar em vencer alguns ‘caipiras’

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!