DS – Capítulo 56

Fung golpeou com toda sua força, decepando o braço do seu último oponente. Os espectadores arfavam e aplaudiam, a multidão sedenta de sangue adorava a performance dele enquanto os juízes paravam a luta, e médicos corriam para salvar seu oponente. Andando para a lateral do palco em um péssimo humor, ele ficou ao lado de seus companheiros, fumegando de raiva. A competição foi uma farsa, todos os oponentes mais fortes na partida preliminar foram eliminados, deixando apenas a escória e os nobres convencidos. Ele tinha de agradecer a Rain e seus companheiros por isso, mas ele não pôde enfrentar nenhum deles nessa competição.

Depois do evento dos crocodursos, Fung focou mais uma vez seu esforço no treinamento, seguindo em frente para ganhar força, reconhecendo pela primeira vez que ele era na verdade fraco demais e não sabia o quão alto era o céu. Um sapo dentro de um poço, pensando que ele mesmo era impressionante. Ele sempre gostou de treinar, mas desde que fez 16 anos ele permitiu que sua indulgência nos prazeres da carne pusessse de lado seu treinamento, já que ele era mais forte do que seus iguais da mesma idade. Depois de conhecer Rain e os outros Bekhai, e conversar com seu amigo de mente curiosa sobre como se tornar forte de verdade, Fung deixou de vadiar, e começou a treinar desesperadamente. Ele se feriu de novo e de novo, sentindo suas feridas se fecharem mais fortes do que eram antes, sofrendo com a dor e agonia, tudo para este momento, quando ele poderia enfrentar alguém com força de verdade sem embaraçar a si mesmo.

Ao invés disso, seu oponente foi afugentado pela ganância da Sociedade, e Fung descontou sua raiva nos competidores restantes, tomando um membro de cada competidor que ele enfrentou, para o deleite das multidões e a raiva da Sociedade. Hmph, esses putos não mereciam ser honrados, e Fung não iria fingir o contrário, custe o que custasse.

— Você faz careta demais, Jovem Mestre Fung. — Ele podia ouvir o sarcasmo nas palavras dela. Ong Jing Fei, uma jovem dama adorável e venenosa. Ela aterrorizava ele assim como a mãe dela aterrorizava o pai dele. Ela sorriu e acenou para a multidão torcendo, alegre e satisfeita com seus novos campeões. — Você irá perder essa bela aparência da qual tanto se orgulha. Por que você não está andando empertigado como um pavão, celebrando nossa vitória? — Ela piscou seus cílios para ele, e a vontade de estrangular ela crescia nele. A vadia sabia o porquê, ela simplesmente adorava alfinetar ele. — Nós somos os campeões da competição, e receberemos fama e fortuna. Você deveria estar mais feliz. Deve ser difícil, sem seu pequeno bárbaro aqui para celebrar com você. Você não é tão divertido sem ele por aqui. — Ela afagou o braço dele, mandando calafrios por sua espinha. Ele odiava ela com toda a fibra do ser dele e ela sabia isso, ainda atuando como a futura esposa atenciosa. Sua voz se abaixou enquanto ela se inclinou para perto. — Poderia ser verdade, que o playboy perfeito Tong Da Fung sucumbiu aos prazeres de outro homem? Uma vergonha que seu bárbarozinho cock-boy estará morto em breve.

Fung estapeou ela com as costas da mão. O silêncio da multidão era ensurdecedor enquanto ela caía no chão e se deitava esparramada no chão, seu grito lamentável alcançando o coração de cada observador. A vadia era uma atriz, fingindo a extensão da ferida dela. Ele podia acertar ela com toda a força dele por uma hora e ela emergiria sem ferimentos. Ele sentiu que ela se torceu para negar a força do golpe, se jogando no chão, atuando como a dama em perigo. Ignorando as palhaçadas dela, Fung gesticulou para que o Mestre de Cerimônias continuasse. A porra da Sociedade, ele cuspiu na honra deles, e quando voltasse para casa, ele iria expulsar as facções crescentes deles de Shen Huo. Então, uma vez que ele fosse forte o bastante, ele iria se divorciar da vadia horrível, e exilá-la da cidade dele também. Tolos sem ética é o que todos eles eram, e ele não teria nada disso em casa.

Ele só podia rezar para a Mãe que Rain e sua família ainda estivessem vivos e que iriam voltar para casa a salvo, enquanto ele amaldiçoava a sua própria impotência.

Ele precisava de força, e participar desses jogos de guerra não ajudava em nada.

Situ Bolin se sentou imóvel enquanto o médico tratava o pequeno Patriarca, e suas próprias feridas ardiam enquanto elas lentamente se fechavam. Tal humilhação, ser ferido por esses filhotes malditos, ter sofrido tanto nas mãos desses selvagens inúteis. Eles tinham magias negras, para permitiam que controlassem tais bestas ferozes como os binturongs e as montarias profanas de duas pernas deles. Ele iria capturar aquela maldita bruxa que protegeu eles e a esfolar viva, pedaço por pedaço, até que ela revelasse os seus truques. Por ousar usar tal mal, provavelmente, eles eram meio Corrompidos como as coisas estavam, os relatórios indicavam que a vila deles era ao norte de Shen Huo, um lugar desolado e frio de se viver. A área era uma zona de morte, o território de uma poderosa Besta Ancestral, e se não fosse magia negra ou sacrifícios, de que outra forma eles poderiam viver lá? Entretanto, suas práticas profanas os tornaram fortes, e o Clã Situ subestimou dolorosamente seus oponentes.

Não importava, eles iriam cair perante a força do Clã Situ no fim. Tanto quanto humilhava ele, ele mandou diversos Anciões para perseguir a escrava. Ninguém avistou ela, então ela provavelmente estava com os outros, os membros mais fracos da equipe deles. Enquanto Bolin queria os combatentes vivos, ele agora queria todos eles vivos, para que pudesse descontar suas frustrações nas famílias daqueles que o irritavam tanto. Não acabaria lá, não, ele iria torturá-los até que contassem a localização da vila atrasada deles, e levar seus guerreiros para uma visita, exterminando a tribo deles desse continente, deixando que eles desaparecessem na obscuridade. Só assim a fúria dele seria saciada, o fogo dentro dele extinguido.

O pequeno Patriarca gemeu enquanto suas feridas severas eram tratadas. A pequena corna esmagou ele com sua besta, quebrando ossos sem matar, querendo aleijar o garoto. Tal crueldade, se apenas Bolin pudesse voltar no tempo e quebrar o pescoço dela quando ele a viu pela primeira vez. Levaria decanas para que o menino se curasse se eles desejassem mantê-lo inteiro e forte sem sobrecarregar seu corpo. Em tais tempos de luta, não ser capaz de mandar o pequeno Patriarca para batalha, caso em que seria temperado no combate, era verdadeiramente uma vergonha para o Clã Situ, algo que seria falado pelos iguais dele nos anos vindouros na Sociedade. Imperdoável, para eles serem tão impiedosos, humilhando eles de novo e de novo. Melhor terem matado ele, para que o Patriarca poderia agir ele mesmo, poupando o menino dessa vergonha.

— Tio. — Pequeno Gulong falou com dor e Bolin se apressou até seu lado para ouvir suas palavras. Seu coração se rasgou ao vê-lo, faltando um belo pedaço de pele, uma vista feia de se ver. — Tio, isso dói.

— Fique quieto agora, dragãozinho, você irá sarar e a dor irá embora. Você é forte o bastante para aguentar, não envergonhe o nome do Clã Situ. Esse Tio te criou desde o nascimento, e ele não irá permitir que esse insulto passe sem vingança. — Ele alisou o cabelo do menino, tomando cuidado para não pôr pressão demais nas feridas da pobre criança. O médico continuou seu trabalho, mas ele era só um escravo meio-besta incompetente. Os médicos humanos mais habilidosos partiram com o exército ou permaneceram na cidade. Levaria dias até que o pequeno Patriarca pudesse ser curado o bastante para ser movido confortavelmente. Ele já mandou mensageiros de volta para pedir que um voltasse, mas era improvável que o Patriarca permitiria que seu único médico deixasse seu lado, especialmente com todos seus inimigos esperando uma oportunidade. Os resultados da competição foram desastrosos para o Clã Situ, um dos três grandes poderes na Sociedade, incapaz de ter um único grupo passando no evento preliminar, uma mancha no rosto de todo membro do clã. Os abutres estavam circulando, sentindo fraqueza, e o Patriarca estaria trabalhando duro para impedir que o pote fervesse.

Bolin precisava desses selvagens em suas mãos, para que seus corpos quebrados pudessem ser mostrados na Sociedade, para que todos soubessem que o Clã Situ ainda estava forte, capazes de liderá-los por séculos ainda. Ele usou sua autoridade para comandar todos os Anciãos presentes para persegui-los, com o Guardião Chilok na liderança. Se eles falhassem, então Bolin iria precisar da Sociedade como um todo, mas esses bárbaros não escapariam de tantos especialistas.

Mila ficou tão imóvel quanto possível, preparada para fugir no primeiro sinal de perigo, observando os membros da Sociedade se moverem pelas árvores. Ela já tinha lidado com um grupo essa noite, enquanto Alsantset trouxe Rain e os outros para atacar o acampamento. Agora eles estavam sendo perseguidos por um segundo grupo, muito mais cedo do que o esperado, menos de uma hora de descanso foi conseguida. Song estava agachada ao lado dela, uma presença sempre silenciosa ao lado dela desde que ela tirou a corrente de Rain. Ela sentiu seu rosto esquentar ao lembrar do mal entendido com ele, os pensamentos horríveis que ela teve dele. Ela queria reparar aquilo com ele, sua raiva de mais cedo parecendo tolice, e foi tão agradável quando eles tinham se sentados juntos para assistir o pôr do sol, uma atmosfera romântica. Ela tinha perdido a cabeça quando ele mencionou a Song, ficando com raiva por causa de ciúmes da jovem adorável. Enquanto Rain tinha suas falhas, ele era, em seu âmago, uma pessoa gentil. Ele parecia tão preocupado e agitado quando estava tratando a ferida dela, que trouxe um sorriso em seu rosto. Ele normalmente parecia tão indiferente, mas naquele momento parecia que ele realmente se importava com ela, enquanto trabalhava rapidamente e gentilmente, embalando ela enquanto salvava sua vida.

Quase todo mundo que ela conheceu na competição era ainda pior, todos lixos intitulados, esnobes e orgulhosos. Por que eles se referiam a ela como bárbara ou uma selvagem? Só porque ela não estava vestida em seda, ou não tinha o cabelo arrumado elaboradamente, ou não tinha base nas unhas, isso era motivo para insultá-la? Pior eram os gritos de estupro e tortura. Eles eram os selvagens, por como eles tratavam as pessoas. Eles tornaram essa caçada em um jogo, desrespeitando as pessoas de Mila, e suas próprias por mandar aqueles fracotes. Membros do ramo exterior que ainda tinham de ser aceitos de verdade, descartáveis, sem qualificação, e com fome de progresso. Os membros do ramo interior estariam sentados e rindo das falhas dos outros grupos, esperando que as coisas fossem diferentes quando o turno deles chegasse. Tolos, todos eles.

Pelo menos Alsantset iria sangrá-los hoje à noite, feri-los, enlouquecê-los. A Sociedade iria aprender que eles lidaram com verdadeiros guerreiros, não presas fáceis. E de novo, eles podem já ter aprendido isso, os movimentos dos perseguidores atuais dela bem mais habilidosos e graciosos do que qualquer um que veio anteriormente, espectros silenciosos na noite. Era uma tarefa fácil rastrear eles, já que eles se moviam nas árvores, seus contornos negros facilmente vistos contra a luz da lua. Eles podem ser guerreiros, mas viveram nas cidades, não possuindo as habilidades e equipamentos apropriados para uma perseguição nas montanhas. Eles também não tinham pessoas o bastante, com só um punhado de guerreiros dessa vez. Talvez mais viriam, mas de novo, o orgulho deles os levariam à ruína.

Coisas já estavam muito fora de controle, escalando no que logo seria uma contenda legal, exigindo a intervenção de um Juiz. Mamãe teria muita dor de cabeça com isso no futuro, mas era tudo culpa da Sociedade. Enquanto talvez Sumila tenha ido um pouco longe demais na competição, não honrando qualquer de seus competidores, todos eles tinham a boca tão suja. Ela já estava de saco cheio ouvindo as ofertas de almofadinhas mimados de comprar ela durante os dias que precediam a competição, incapaz de até mesmo passear no mercado sem ser cobiçada. Pior era a memória do tempo dela com Mei Lin no parque. Elas não tinham tempo para elas mesmas, continuamente sendo abordadas por serventes, com demandas, ofertas, e propostas de seus mestres. Era enfurecedor. Ela podia ver o porquê Mamãe não queria que ela viajasse, especialmente sozinha. O mundo era um lugar terrível, com bestas selvagens e Corrompidos sendo apenas uma parte disso.

— Mestre, eles se aproximam. Suas ordens? — Os sussurros de Song tiraram Mila de seu transe. Song não iria mudar a forma de chamar ela, não importava o quanto Mila pedisse. Uma ordem seria necessária, mas isso iria contra o propósito dela mudar isso. Song montava de maneira estranha em sua quin, ainda saltando em seu assento, acostumada demais a montar em cavalos. Roosequins não sacudiam quem montava neles, como aqueles herbívoros comedores de grama de costas duras faziam, mas velhos hábitos são difíceis de mudar.

Mila estava montada em Kankin, fazendo barulho o suficiente para que seus perseguidores notassem. Era incômodo, ser inepto o bastante para ser rastreada, mas não demais para que eles suspeitassem de algo, uma habilidade que Mamãe a ensinou. “Deixe que os inimigos pensem que são mais espertos, ao invés de que você é tola”. A escuridão da floresta montanhosa a escondia de seus olhares, mas os barulhos que ela fazia propositalmente entregavam a localização dela, uma pequena chacoalhada da sela, um suspiro errante na respiração, um impacto leve em uma pedra, tudo isso iria guiá-los para o abate. Sem suas dicas e passo cuidadosos, ela iria perder eles na floresta e seria incapaz de guiar esses idiotas na direção dos outros.

Seus perseguidores as alcançaram mais rápido do que qualquer um antes deles, os sons de pano batendo no vento enquanto eles seguiam, abandonado a “furtividade” por velocidade. Provavelmente Anciãos da Sociedade, uma posição recebida com habilidade e serviço, como os membros do Estandarte de Ferro. Os melhores guerreiros, apesar das habilidades entre eles variarem. Os que estavam perseguindo elas não poderiam estar entre os mais talentosos, porque com verdadeira habilidade vinha um grande orgulho, e qual verdadeiro guerreiro iria se orgulhar de perseguir e matar crianças, ou ser guarda-costas de um grupo de almofadinhas, aqui fora para uma “caçada de lazer”. Não, esses seriam a ralé, a escória, os menores na Sociedade, e ela iria gostar muito de ver eles serem mortos. Melhor seria matar a geração jovem e destruir o futuro da Sociedade, mas isso provavelmente resultaria em uma punição Imperial dura. O Imperador protegia os jovens, acreditando que eles eram o “futuro do Império”. Os Anciãos teriam de ser o bastante.

Mila apertou o passo, Kankin facilmente ultrapassando o outro quin apesar da sua idade avançada. Mila tinha memórias preciosas com Kankin, sendo carrega por aí em seus braços quando menor, tirando sonecas com ele em tardes quentes, aprendendo a montar em cima das suas costas largas. Agora, ela poderia adicionar as memórias de batalhar com ele, seu primeiro confronto marcial. Enquanto não tão caloroso e amigável como os outros quins, Kankin ainda era o companheiro mais velho dela, uma amigo de confiança.

Um assobio de perfuração foi ouvido, e Kankin desviou sem precisar ser impelido, pulando para o lado montanha abaixo, suas confiantes patas com garras se firmando facilmente. A quin de Song não era tão bem treinada, uma das que puxava a carroça de Taduk, mas ainda ágil o bastante para evitar os ataques chegando, armas de arremesso de algum tipo. Kankin bufou enquanto se movia sempre para frente, cansado dos dias de ser perseguido, ansioso para enfiar suas presas em alguma carne. Rain alimentou ele bem demais com carne humana, e Kankin estava ficando fervoso demais na caçada. Ela o afagou nos ombros para acalmá-lo, impedindo que ele se virasse para seus perseguidores. O ponto estava à frente, uma clareira na floresta com uma caverna que parecia capaz de conter todas as pessoas delas. Guiando ele para pular dentro da caverna, ela adentrou uma curta distância antes de saltar para o lado, se refugiando em um pedregulho, atirando flechas em direção à entrada. Song ficou ao seu lado, atirando para longe enquanto os quins ficavam ao lado delas, prontos para matar qualquer um que se aproximasse.

Seus perseguidores pararam na entrada da caverna, relutantes em se aventurar em uma caverna escura, finalmente desconfiados de uma emboscada, notando os fios de armadilhas. Ela sabia que eles iriam conversar uns com os outros, silenciosamente, discutindo entre si, nenhum disposto a morrer pelos outros. Se preocupar com armadilhas enquanto bloqueia flechas não é uma coisa simples. Sorrindo para si mesma, ela esperou com seu arco em mãos, atirando flechas em direção à entrada vazia, em um padrão calmo e ordenado com Song, permitindo que eles se acostumassem ao som de terem flechas disparadas em sua direção. Eles já tinham pisado dentro da armadilha, suas mortes chegando cada vez mais perto e eles ainda hesitavam e discutiam na frente da caverna. Tolos.

Um grito foi ouvido, seguido por mais grunhidos, o som de flechas chovendo sobre eles enquanto os perseguidores tentavam se libertar. Ela podia ouvir o som dos movimentos dos lutadores, nítido e claro, o poder atrás de cada ação perceptível do som do ar se quebrando enquanto eles se moviam, mas não era o bastante. Presos em um só lugar, eles não poderiam fazer nada além de morrer. Ela não conseguia ver nada na escuridão, só uma sensação de sombras se movendo, enquanto uma batalha feroz se alastrou no silêncio, especialistas caindo como maçãs maduras. Logo, havia apenas o som de sangue borbulhando e corpos caindo, antes do silêncio consumisse a noite mais uma vez.

Mila esperou, flecha pronta, até que ela ouviu o sussurro. Acendendo uma tocha, ela a trouxe para a entrada da caverna, iluminando a cena. Três Anciãos estavam mortos, parecendo porcos espinhos com tantas flechas neles, uma morte feia para um guerreiro, mas essa escória não merecia o título. Ela estudou seus rostos, tentando encaixar eles em algum clã ou seita, mas não havia memória deles na mente dela. Não era a Sociedade como um todo que lutava com eles, mas sim alguns facções agindo por interesse próprio, e cada uma havia mandado guerreiros sem nome, sem rosto. Se eles fossem pegos assassinando cidadãos de boa posição, seria um golpe pesado na reputação deles, e a Sociedade iria encarar a Justiça Imperial.

Um ainda estava vivo, coaxando e arfando enquanto lentamente sangrava até a morte. Alsantset foi a primeira a chegar, os outros entravam devagar de seus esconderijos. Rain se agachou para encarar nos olhos o que estava morrendo, um hábito perturbador dele. Por que encarar a morte tão de perto? Rain acabou com o sofrimento do homem, uma misericórdia que esse lixo inútil não merecia, morrer pela espada de um guerreiro de verdade.

Ela se agachou e vasculhou cada corpo, recompensada com duas insígnias de madeira, no formato de uma flecha, com símbolos runicos manchados de sangue. Sangue de Song. Queimando eles com sua tocha, Mila rezou para que esses fossem os únicos. Esperançosamente, a Sociedade não tinha mais meios de rastrear eles, e eles poderiam finalmente se perder nas multidões de civis em Feng Huang, contanto que escondessem os roosequins. Finalmente, ela podia ver um fim na perseguição, um caminho em direção à sobrevivência. Ela pegou uma lança, uma arma pesada, esculpida ornamentalmente, pertencendo a um dos mortos. Rain estava reclamando sobre a falta de uma arma de alcance maior, apesar dele fazer um bom trabalho com sua espada.

Mila fez uma careta com as feridas de Yan e Huu, ambos pareciam estar às portas da morte. Rain não estava muito melhor, sombrio e abatido, sua armadura há muito tempo destruída, vestido em trapos ensanguentados. Seus olhos estavam fundos, seus músculos secando, a falta de comida sobrecarregando seu corpo lhe custando caro. Todos eles precisavam de descanso e comida, mas era improvável que os encontrariam logo. Apesar da sua clara exaustão, Rain parecia… com fome de mais batalhas. Era inquietante, não o desejo alegre por desafio, mas o desejo fatalista para que isso acabasse. Ou matar todos os seus inimigos ou ser morto.

Uma vez que perdesse sua hesitação, Rain era um oponente temível. Ele lutava de maneira quase imprudente, se aproximando sem medo, cada golpe dele ameaçando matar, pronto para trocar uma ferida séria por um golpe mortal, algo que poucos guerreiros tinham a determinação de aceitar. Até mesmo achar um guerreiro disposto a trocar sua vida pela de seu oponente era raro, como eles estariam dispostos a dar sua vida para causar uma mera ferida?

Enquanto ela ouvia relatório de Alsantset da situação, ela sorriu enquanto Rain estudava sua nova lança e silenciosamente elogiava ela. A situação estava difícil, mas não importava. A Sociedade já pagou caro por uma lição dura. As Pessoas não deviam ser tratadas levianamente, e mesmo se Mila fosse cair aqui, Mamãe iria atravessar os portões deles e queimar tudo até o chão, salgando a terra atrás dela. O pensamento aqueceu ela enquanto eles viajavam na escuridão, avançando em direção a outro dia de batalha.

Eles viajaram por menos de 15 minutos quando uma voz soou na escuridão:

— Por Ordem Imperial, os membros das Pessoas deverão aparecer perante este Juiz. Se apresentem dentro de uma hora, e vocês serão colhidos.

Mila sentiu um medo surgir dentro dela, uma vontade de vomitar quase dominando ela. Um Juiz. Isso significava que este não era mais um assunto privado. Sem a proteção de Mamãe, ele eram simplesmente civis aos olhos da lei, condenados a serem sentenciados por matar membros da Sociedade. Lágrimas encheram seus olhos enquanto ela entrava em desespero. Todo o trabalho duro deles, a tentativa desesperada de escapar, tudo isso foi por nada.

Eles não poderiam correr da Justiça Imperial, porque isso traria extermínio às Pessoas. Eles só poderiam aceitar o seu destino, e rezar para que Mamãe vingasse eles.

Situ Chilok fugiu da emboscada, flechas perfurando sua carne, atrapalhando seus movimentos enquanto ele tropeçava na encosta da montanha. Foi um desastre, os cinco deles pisaram dentro da armadilha tão facilmente, todos eles foram tolos. Aqueles Anciãos sem valor do ramo da família eram inúteis. Ele amaldiçoou seu filho idiota Chiang, e aquele pequeno patriarca idiota Gulong. Aquelas crianças trouxeram desastre sobre eles. Ele precisava voltar, avisar o Clã. Se eles fossem avisados previamente, então poderiam se preparar e lutar de acordo. O Clã Situ ainda tinha força para recorrer, eles só precisavam estar conscientes da necessidade.

Ele se apressou o mais rápido que podia, caindo tanto quanto andando, chorando enquanto se movia, sabendo que a morte já havia chegado para ele, mas ele ainda lutava. Ele era um Ancião do Clã Situ, um guardião ainda por cima, ele não podia morrer em vão. Ouvindo seu oponente chegar, o som de roupa batendo no vento, Chilok se virou para enfrentar seu inimigo. Se ele fosse morrer hoje, então pelo menos ele iria morrer lutando. Pulando em direção ao seu inimigo com arma em mãos, ele morreu bem antes dele chegar no alcance, antes de realmente avistar seu assassino.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

9 Comentários

  1. N so o cla Situ precisa ser exterminado como todos os clãs da Sociedade. A Sociedade em tem que sumir da terra, um parasita.

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