DS – Capítulo 65

Balançando minha lança diante de mim, a chuva gelada cai enquanto faço Zabu seguir em frente, mantendo o Inimigo à minha direita, sempre me movendo enquanto eu mato os Corrompidos. Isso é uma batalha, não a palhaçada de atirar flechas de longe, mas um verdadeiro encontro de espadas e lanças. Meu braço está sujo de sangue, meu e de meus inimigos, minha respiração está ofegante, peito ardendo, e ainda assim eu continuo lutando. Minhas feridas me causam dor sempre que me movo, minha cura está mais devagar do que o normal por algum motivo, mesmo depois de pedir ao Tokta para cuidar das minhas feridas, mas apesar disso, eu não vou permitir que esses filhos da puta selvagens tomem outra vida, profanarem outra vila, nem continuar respirando. A própria existência deles suja o ar, cada passo que dão é uma afronta à natureza. Minha matança não para, brutos ignorantes estúpidos demais para saber que a morte deles está aqui. Todos eles deveriam ser torturados pelos seus crimes.

Soldados passam por mim e entram na luta, bloqueando minha lança, se amontando no meu espaço, e eu fico incapaz de matar. É inaceitável que esses escudos de carne imprestáveis fiquem no meu caminho. Desmontando de Zabu, eu dou a ele o comando para retornar, apontando para a montanha da qual chegamos. Ele só vai se confundir aqui, incapaz de diferenciar entre amigo e inimigo sem mim, e eu não posso desperdiçar meu tempo vigiando ele. Há trabalho a ser feito, um trabalho sangrento, e eu luto melhor com os dois pés no chão. Não há formações, sem escudos de muralhas aqui, apenas uma confusão em massa, um clamor de armas e gritos, enquanto homem luta contra bestas e corrompidos, a sujeira virando lama debaixo de suas botas. Forçando meu caminho pela prensa, eu saco minha espada, cortando todo inimigo em meu caminho. Um golpe no meu escudo me faz voar para trás, minha cabeça girando pelo impacto.

Espera, o que eu estou fazendo aqui? Por que eu estou lutando nas linhas de frente? Eu deveria estar com Zabu, retornando para montanha para reabastecer as flechas. Minhas ordens eram para perturbar os flancos, não permitindo que o Inimigo cercasse o exército. Merda, vou levar um esporro de novo. Em que porra eu estava pensando? Eu preciso sair daqui. Bloqueando um golpe perverso, eu caio de joelhos conforme minha lança de ferro se curva, o poder do golpe manda ondas de choque pelo meu corpo, sacudindo o meu interior.

Pare de ficar distraído. Está na hora de matar.

Força surge dentro de mim e eu me lanço para frente, empurrando meu atacante para trás. Eu rasgo os Corrompidos, minha espada partindo carne e osso, membros e cabeças saem voando enquanto eu forço meu caminho e sigo em frente. Os Corrompidos pálidos, sujos, vestidos em uma combinação incompatível de peles e ossos que não oferecem proteção contra mim, sem graça, sem controle, apenas um instinto primitivo e selvagem de lutar. Eu mato sem pensar, meu corpo agindo como ele acha apropriado, como se algum deus da guerra o tivesse possuído, rasgando meu caminho pelas linhas inimigas enquanto eu os forço para trás junto com os soldados ao meu lado. Eu sinto que estou ficando mais forte com cada passo, cada golpe, cada morte, a dor das minhas feridas, antigas e novas, desaparecendo, até que só resta eu, minha espada, e meu inimigo.

Esses Corrompidos são feios pra caralho, pele pálida com cabelo claro, sem cor, os olhos vermelho-sangue deles abaixo de suas testas grandes até demais, nariz largo e mandíbula grossa. A aparência deles é apenas prova de que os Céus rejeitam eles, seu comportamento repulsivo refletido em suas formas físicas. Eu hesitaria até mesmo de chamá-los de humanos, provavelmente algum ramo subdesenvolvido da humanidade com desilusões de grandeza, eles são estúpidos demais para saber que não merecem viver, lutando com armas primitivas de osso e pedra, ou ferro roubado. Eles não são páreos para mim e minha espada.

Um grito soa, amedrontado e apreensivo, enquanto várias criaturas com cara de urso, grandes e feias, avançam na minha direção, mordendo e empurrando para o lado todos que chegam perto. Suas cabeças são grandes demais para seus corpos, seus torços se movendo de um lado para o outro enquanto eles avançam para frente em quatro pernas curtas, espalhadas, cada uma acabando em uma pata massiva. Um deles vem na minha direção, atirando ao ar soldados e Corrompidos sem distinção em seu caminho, determinado em seguir em frente não importando o obstáculo. Os soldados ao meu redor começam a fugir, mas eu me recuso a fazer isso. Eu tenho Corrompidos para matar, e ainda não atingi minha cota de hoje.

Um caminho está limpo na minha frente enquanto os soldados fogem, e meu corpo avança, Forma do Tigre, “Investida Assassina”, estendendo um pé enquanto meu braço direito se move em um arco curto, penetrando fundo no olho da criatura. Ela tenta morder meu braço, minha espada desliza para fora da carne da criatura, e eu dou um passo para o lado enquanto ela cai na lama, morta. Um grito de alegria se levanta, e minha mente entra em parafuso, me perguntando como eu fiz aquilo, enquanto sangue flui rapidamente para minha cabeça, minhas emoções me sobrepujam. Eu grito de raiva, frustrado com a incompetência desses soldados, e eu volto a matar mais dessas criaturas inúteis que bloqueiam meu caminho.

As criaturas são grande e pesadas, suas costas blindadas, mas minha espada os rasga ainda assim, cortando carne e osso com pouca resistência enquanto eu me movo através da debandada deles. Os soldados finalmente se juntam a mim, suas lanças e espadas inúteis, pelo menos suas mortes são uma distração para as criaturas, o bastante para me permitir matá-las com um único golpe, mas não há satisfação, nem valor nisso. Eu não vim aqui para massacrar animais, eu vim aqui para trucidar Corrompidos. Logo minha paciência se esgota, e eu deixo os soldados inúteis tomando conta das criaturas inúteis. Atraído por algo, um sentimento, eu foco em um inimigo, um Campeão Corrompido com um elmo massivo com chifres. Com quase dois metros e meio de altura, vestindo uma armadura de osso e metal, meus olhos se focam nas pequenas cabeças mirradas penduradas em seu cinto, as orelhas penduradas em seu pescoço, e o desdém em seu rosto. Ele não vai continuar tão arrogante assim por muito tempo, não depois de eu esmagar a cara feia dele. Os soldados e os outros Corrompidos dão um passo para trás e observam enquanto eu grito sem palavras, arma apontada para ele enquanto avanço.

Sua arma é um machado, grande e bruto, feito de osso e envolto em tendão e couro. Eu consigo sentir a energia imunda pulsando naquilo, e eu sei que é isso que me trouxe aqui. Uma arma espiritual, ou o equivalente Corrompido de uma. A crueldade, a contradição dentro da arma, o ódio instintivo que eu tenho por ela, parece tão familiar e odioso. Talvez seu portador fosse o líder do ataque a vila. De qualquer maneira, isso não importa, esse lugar vai ser a cova dele, porque eu responsabilizo cada um deles por aquelas atrocidades. Eu começo com meu ataque mais forte, “Equilíbrio na Folha ao Vento”, espada mirada em sua garganta, mas sua arma a caminho me faz parar por um instante.

Abandonando o ataque, eu bloqueio com a parte chata da minha lâmina e relaxo, conseguindo evitar a morte por puro instinto. O impacto me atinge e me faz cair de cara na lama. Rolando com o golpe, eu me levanto e volto a atacar, me aproximo dele, dessa forma ele não vai ter espaço para usar sua arma direito. Enquanto seu machado é manobrável o bastante para que ele ainda possa lutar a curta distância, sua amplitude de movimento fica limitada, seu poder reduzido, enquanto eu estou na minha distância ideal. Nós trocamos golpes, o fedor dele tão ruim quanto seu sorriso, seu olhos joviais negros, sua barba loira, selvagem e cabelo esvoaçando enquanto ele tenta me afastar dele, mas eu não vou dar um passo sequer para trás, custe o que custar. Eu marquei ele para morrer, e não vou recuar.

Ele é um osso duro de roer enquanto eu tento circulá-lo, esquerda e direita, bem próximo a ele enquanto espero por uma abertura. Meu corpo se move rapidamente, fluidamente, mal penso enquanto desvio e giro, bloqueio e contra-ataco. Mesmo restringido pela curta distância, seus golpes são pesados, e eu preciso ser cuidadoso. Se ele me derrubar de novo, eu vou morrer. Eu golpeio três vez por cada golpe dele, mas nós estamos igualados, seus golpes lentos demais e os meus fracos demais, apesar da minha força recém descoberta. Nossa luta frenética destrói meu escudo de aço, e eu continuo lutando, gritando de raiva enquanto me livro dos estilhaços, minha lâmina indo para cima, depois para baixo, mirando para distrair, então matar. Aço rasga minha carne, meu ombro bate na lâmina de seu machado enquanto eu avanço, perfurando e estripando meu oponente. O machado corta profundamente o meu ombro, mas não há um golpe depois deste conforme meu oponente recua vários passos para trás, sangue jorrando de sua barriga. Covarde demais para tentar me matar, suas ações confirmaram a dele. Minha chance é agora. Sua morte será deliciosa.

Uma vez mais, eu executo o “Equilíbrio na Folha ao Vento”, meu ataque mais forte, roubado de Akanai, mas minha sorte acaba. Meu pé escorrega na lama, um pequeno desvio do movimento, mas suficiente para me fazer parar, arruinando minha chance perfeita, uma oportunidade perdida. Não, eu me corrijo, minha vida salva, conforme seu machado assobia ao passar pelo ar, um giro completo, passando por onde meu torso estaria. Sem pensar, eu pulo para frente antes que ele consiga se recuperar, minha espada perfura seu peito, e eu repito o movimento de novo e de novo, meu braço enfiando minha espada em sua barriga enquanto ele se dobra e cai. Rugindo minha vitória nesse tempo tempestuoso, eu levanto meu pé e o abaixo, transformando seu crânio em uma polpa de sangue e cérebro, água caindo no meu rosto enquanto eu observo o exército Corrompido. Foda-se o Equilíbrio, Raiva funciona melhor.

Os soldados gritam em uníssono comigo, avançando, enquanto eu observo, desgastado e exausto do meu duelo. Fung lidera sua cavalaria na batalha, parecendo elegante e poderoso em sua armadura vermelha e dourada, um deus jovem vingativo enquanto ele passa pelas fileiras inimigas, fazendo corpos voar. Sua lança chique golpeia perante ele, matando três a cada vez, enquanto eu estou preso com essa espada curta, tão ineficiente, algumas vezes necessitando de vários golpes para matar uma pessoa. Se apenas armas espirituais pudessem ser roubadas, eu poderia matar alguém pela alabarda deles, o que me permitiria matar ainda mais rápido, ficar ainda mais forte. Chega de descanso. Eu me levanto e golpeio a arma do meu inimigo morto, quebrando o objeto profano, e de novo eu perco o controle no meio da batalha, refrescado e revigorado, cortando e perfurando, socando e agarrando, meu sangue ressoando em minhas veias com o ritmo da batalha. Feridas são recebidas e ignoradas, inimigos são mortos e esquecidos, enquanto eu luto até a exaustão, e então avanço de novo para lutar um pouco mais.

De manhã cedo o sol está preguiçosamente no céu, as nuvens de chuva gastas e dispersas enquanto eu me ajoelho na massa de sangue e sujeira, meu peito queimando pelo esforço, meu braço cansado e inerte ao lado do meu corpo, segurando a espada em minha mão sem firmeza. Sangue escorre do meu braço, com feridas demais para eu contar, mas ainda assim estou de pé. Soldados estão agachados ao meu redor, ofegantes, armas apontadas para os Corrompidos que se juntaram, sem líder ou direção, cada um covarde demais para morrer pelo outro. Essa é a diferença entre nós. Eles lutam por eles mesmos, mas eu luto para matar cada um deles. Eles profanaram essas terras lindas, cometeram sacrilégio contra os cidadãos do Império, torturando e pilhando os fracos, mas agora eles encaram guerreiros, e eles perceberam que não tem o necessário. Eu vou matar todos eles, e deixar que seus ossos alimentem a terra.

Me levantando, um sorriso cruel no meu rosto, eu ando em direção a eles lentamente, meus pés pesados, braços cansados. Os soldados mantém o passo comigo, constantemente avançando conforme o Inimigo recua, a distância entre nós aumenta conforme eles perdem a coragem. Um guincho ecoa, e um novo inimigo chega, passeando pelos Corrompidos, chutando e acertando eles, para tirá-los do caminho. Sua forma é humanóide, mas não há nada de humano naquilo, com pouco menos de dois metros de altura. Com um forma magra e alongada, aquilo é feito inteiramente de algum material quitinoso, que parece uma carapaça de cor verde escuro, quase preto. Inchaços em sua superfície formam vagamente faces humanas, contorcidas em uma caricatura de emoções, pânico, dor, raiva, e pesar, ela brilha na luz do sol enquanto a coisa avança, os Corrompidos ao seu redor ganhando confiança por causa de sua força, uma aura sinistra emanando daquilo, mandando minha raiva para novas alturas. Uma segunda voz na parte de trás da minha cabeça começa a tagarelar de medo, mas eu a ignoro, encarando essa nova ameaça com alegria.

Outro Demônio.

A manifestação de tudo que é errado, a coisa se arrasta pesadamente para frente, seus olhos de inseto aparentemente focados em mim. Eu preciso matar isso, destruí-lo, removê-lo da existência. Eu busco Equilíbrio para curar minhas feridas, mas este foge de mim, como tentar pegar em óleo na água, quanto mais eu tento me acalmar, mais eu falho, minha raiva e ódio consumindo tudo. Focando toda minha força, eu arremesso minha espada e ela voa para frente, avançando pelo ar como um raio.

A lâmina é acertada pelo Demônio, tão facilmente como espantar uma mosca, se projetando para longe.

Porra. Vai ser uma merda de recuperar mais tarde. Eu ainda não estou forte o bastante. Respirando profundamente, eu sinto o poder surgir dentro de mim enquanto me preparo para rasgar o Demônio com unhas e dentes. Uma parte de mim grita aterrorizada com a idéia, o resto animado com o pensamento de um verdadeiro desafio.

Uma mão pesada em uma manopla pousa em meus ombro, interrompendo meu conflito interno. Uma energia calmante passa por mim, como uma briza de primavera gelada, refrescando minha mente de seu estado exausto, mas ao mesmo tempo drena todas as minhas forças. Um oficial está de pé ao meu lado, vestido com uma armadura pesada, feita de chapas de aço cinza unidas por fibras vermelhas sinuosas. Seu elmo circular não cobre seu rosto, com dois chifres gêmeos majestosos saindo dos lados, ele segura com uma mão sua clava pesada de cabo longo. Ele fala com uma voz significativa, suave no timbre.

— Boa luta, bravo Sentinela, mas você deveria descansar e se refocar. Busque o Equilíbrio, e me permita lidar com esse oponente no seu lugar. — Ele marcha para frente de maneira lenta, sem prensa, pegando seu escudo conforme ele começa sua luta com o Demônio. Poder contra poder, ele fica parado para lutar com a criatura dos pesadelos, um herói valente contra uma besta profana, trocando golpes que fazem a terra tremer ao redor deles, o som dos impactos me ensurdecem, e só um  chiado agudo permanece.

Fung vem até meu lado, sua boca se movendo em gritos silenciosos, me puxando para longe da batalha titânica, e eu me permito ser guiado para trás, quase escorregando no chão tremendo, olhos focados em cada movimento diante de mim. O braço do Demônio encontra a clava de aço,  e o braço se estilhaça, um fluido verde esbranquiçado jorrando do membro. Um golpe esmagador do escudo e um golpe da clava faz a criatura se ajoelhar. Um segundo para alinhar o balanço, recuando, a clava se move lentamente, pesadamente, como se nada fosse impedi-la, acertando o Demônio, e pulverizando seu corpo da cintura para cima, fluidos e estilhaços enchem o ar, todos evitaram o oficial enquanto eles voam no ar.

Engulindo a seco enquanto eu paro, a necessidade de recuar sumiu, eu fico parado maravilhado ao assistir o que é verdadeira força. O oficial se vira levemente, sorrindo para os soldados atrás dele, levantando sua arma para o alto. Percebendo que os chifres são dele, e não decorações de seu elmo, eu lembro quem é ele, o oficial que eu conheci uma vez e minha mente rala com a memória, tentando lembrar do nome dele. Que veio de repente, um guerreiro que duelou primeiro contra o Magistrado.

 

Homem vaca General de Brigada, não… Man Giao, 386 anos de idade, campeão da família Man.

 

Um homem que a Akanai derrotou com um único golpe.

 

Puta que pariu.

 

Se Man Giao é tão forte assim, então o quão foderosa a Akanai é?

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

14 Comentários

  1. ele realmente não consegue controla sua emoções, ele ta ficando maluco, cade a pequena mei pra salva ele?

  2. Está dando erro de link ou algo assim quando tento ir para o próximo capítulo, e há um erro de escrita quando o general touro aparece

  3. não vá para o lado negro da força, pequeno Rain. Pensa na putaria e reencontre o equilíbrio!

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