DS – Capítulo 66

Piscando, eu fico parado e assisto enquanto Man Giao lidera o caminho pelas fileiras de Corrompidos, o sol já alto no céu, e começando a se pôr. É depois do meio-dia? Merda, nós começamos isso de manhã, quando tanto tempo assim passou? Um ruído estridente nas minhas orelhas afogam todos os outros sons, mas eu consigo ver que nós estamos ganhando, os Corrompidos sendo empurrados para trás. Flechas caindo sobre eles do leste, os Sentinelas atirando de um lugar mais alto. Eu deveria estar lá com eles, matando de longe, pronto para ajudar se os soldados começassem a ruir. Por que eu sequer vim aqui?

Uma mão me puxa pelo braço, eu me viro para encarar o Fung. Sua boca se move, mas eu não ouço nada, seu rosto brilha em óbvia alegria. Balançando minha cabeça, eu digo:

— Eu não consigo te ouvir. — É estranho, falar, mas não escutar as palavras. Eu repito a mim mesmo algumas vezes, mas eu ainda não consigo ouvir minha própria voz. Fung gesticula para que eu pare de falar, e move sua boca lentamente, apontando para meu peito, então para minhas orelhas. Ele toca em suas orelhas algumas vezes, gesticulando para que eu faça… algo.

Minha cabeça parece estar em uma névoa, incapaz de pensar claramente. Que porra acabou de acontecer? Fung tenta me levar para longe, mas o mundo começa a girar e eu caio de joelhos, me sentindo nauseado e incapaz de ficar de pé. Dois dos guardas de Fung me ajudam a levantar, e juntos eles marcham comigo enquanto eu tento não vomitar, seguindo Fung para darmos um passeio curto até que eu chegue em uma tenda. Dentro, vários soldados feridos estão deitados em mesas enquanto médicos e iátricos tratam eles, com mais feridos esperando do lado. Os soldados ostentam uma grande variedade de ferimentos, de mordidas à cortes, membros perdidos e pulmões perfurados, eu vejo todos eles deitados em vários estágios de dor. Eu quase consigo ouvir seus gemidos e gritos de agonia enquanto eu assisto eles se contorcerem de dor, mas é só minha imaginação, meu cérebro preenchendo com os sons que eu esperava ouvir.

Os guardas de Fung me sentam no chão, e Fung me dá um joinha, dando tapinhas no meu ombro. Gesticulando para que eu espere, eu retorno o gesto, e ele se vira para ir embora, provavelmente voltando para o combate, o cara é um maníaco por batalhas até os ossos. Desabando em minha cadeira, eu seguro minha cabeça com minhas mãos, exaustão se instaurando enquanto a adrelina some. Incapaz de controlar isso, meu corpo começa a tremer, começando com um pequeno arrepio e escalando até ele todo estremecer. Em que caralhas eu estava pensando, só avançando para a batalha daquele jeito? Minha mente rebobina o que passou, mas dessa vez eu vejo todos os mortos e os quase lá, os soldados que eu deixei para trás, os Corrompidos que eu aleijei e deixei sangrando até morrer, a selvageria que eu demonstrei enquanto cortava os Corrompidos.

Eu só estava tão bravo e com ódio… e tão poderoso. Eu era forte, quase tão forte quanto Huushal, minha espada esmagando armas e armaduras. Esmagando, não cortando, eu não estava Afiando minha arma, era só poder puro e inalterado. Como caralhos eu fiz aquilo? E como eu sobrevivi ao matar aquela coisa parecida com um urso? Eu nem estava pensando, só lutando no piloto automático, como se estivesse assistindo pelos meu próprios olhos enquanto meu corpo matava, minha mente clara durante todo o processo, sentindo cada ação, cada emoção. Não é a pessoa que eu quero ser, violento e selvagem. De repente, a fadiga do dia me atinge, minha mente se sente drenada e meus braços molengos como macarrões, então eu abaixo eles no meu colo, minha cabeça pendurada enquanto eu fecho meus olhos e caio no sono. Respostas não são importantes, introspecção pode esperar, você só precisa dormir.

Parece que eu acabei de fechar meus olhos quando uma mão agarra grosseiramente meu queixo, levantando minha cabeça. Piscando para tirar o sono dos olhos, eu vejo a boca barbada de um homem se movendo, mas tudo que eu consigo escutar é o mesmo ruído estridente. Apontando para minhas orelhas, eu falo de novo.

— Eu não consigo escutar nada.

O homem faz careta, e sua boca se move de novo, mas dessa vez, eu consigo escutar.

— Tímpanos rompidos, perto de mais de uma onda de choque, acontece com frequência. Você consegue Enviar? Eu não preciso de você gritando comigo. — Negando com a cabeça, ele faz careta de novo. — Bom, você pode curar a si mesmo? Não é algo que vai exatamente ameaçar sua vida. Se você não pode, então espere até que nós tenhamos algum tempo livre e energia.

Ele vai embora depois que eu entendo suas instruções, indo para outro paciente. Porra, eu deveria ter curado minhas feridas mais cedo e ajudado na tenda. Eu posso fazer coisas, costurar ferimentos, enfaixar bandagens, criar remédios. Tá, curar minhas orelhas para que eu consiga falar, então ajudar. Fechando meus olhos, eu busco Equilíbrio. O ruído nas minhas orelhas está me distraindo, minha exaustão me parando, ou algo assim. Eu não consigo encontrar o Equilíbrio, e não é a primeira vez. Merda. Minha estratégia de luta inteira depende do fato de eu conseguir me curar depois de tomar muito dano. Isso não é um bom sinal para meu futuro. Está assim desde… desde quando? Eu estava me curando de boas quando fugimos da Sociedade. Não é importante.

Respirando fundo, eu tento me focar. Eu posso fazer isso, eu só preciso relaxar. Eu estou tenso demais, bravo demais ultimamente, com boa razão, mas isso não está ajudando. Encontre Equilíbrio, então vá matar mais Corrompidos. Planos simples são os melhores. Consciente de nada, além da própria consciência. E puta merda de ruído, caralho. Eu quase quero enfiar uma faca na minha orelha, essa merda está me irritando. Pare, pare, eu preciso me centrar, me distrair da raiva. Ainda vai estar lá quando tudo acabar. Só pense em coisas felizes, de relaxar em um banho, cercado de moças adoráveis, como a Yan, a Mila, a Song, e a Lin. Yes, relaxando.

Minhas orelhas formigam e começo a escutar conforme eu começo a me curar. Estranho, eu nem examinei minhas feridas ainda. Bom, está funcionando, então não preciso me preocupar. Só voltar para o banho imaginário, com todas as moças. Desde que eu dei a arma para Yan, ela tem se tornado mais e mais feminina. É o jeito que ela anda, costas retas, ombros para cima, quadris balançando, e pés leves. Confiança faz maravilhas para uma mulher. Ela tem uma bunda bacana, um pouco magra para meus gostos, mas um formato ótimo, parecendo um pêssego e redonda, acentuada pelos quadris dela balançando. Faz tempo demais desde que eu transei com alguém, e ela está começando a parecer uma delícia. A próxima vez que ela falar merda para mim, eu deveria pegar ela pelos chifres e usar a boca dela para algo mais útil. Não é sabão, mas vai ser uma maravilha para meu propósito e vai ensinar a ela a não falar comigo daquele jeito. Aquela vadia cornuda precisa aprender respeito, e eu vou ensinar a ela com alegria sobre isso.

Mila é outro deleite sexy, com mais carne em seus ossos, firme e tonificada, suas sardas dão a ela uma aparência fofa. Ela não é linda como Akanai, mais do tipo uma amiga de infância, mas mandona demais do jeito que ela está. Eu deveria mostrar para ela quem está no comando. Ela vai gostar de ser dócil, ser dominante não combina com ela, ela precisa de um homem para controlá-la e eu estou mais que disposto. Vai levar algumas surras na bunda dela, mas ela vai ver as coisas do meu jeito no fim, e ser mais feliz por isso.

Porém, isso deixaria as coisas complicadas, lidar com todo essa merda de “relacionamento”. Todo mundo já me enche o saco por causa da Lin, eu não preciso deles me enchendo por causa da Mila também, e Akanai vai fazer mais do que reclamar. Enquanto não há ninguém para me encher por causa da órfão, eu não preciso ouvir as reclamações da Yan também. Eu deveria pedir a corrente. Por que esquentar a cabeça com relacionamentos ou prostitutas quando eu posso foder a escrava de graça? Ela tem tudo que eu gosto em uma mulher, forte, mas dócil, cabelo longo, pernas longas, quadris cheio de curvas e o par de peitos mais lindos que eu já vi. Ver ela me faz pensar que existe uma forma local de cirurgia plástica, ninguém pode ter uma aparência tão perfeita. Ela daria a companheira perfeita, presente quando eu preciso dela, e fora do caminho quando eu não preciso mais. Eu aposto que a gatinha escrava conhece todo tipo de truques para dar prazer ao seu mestre, e depois das últimas decanas ela provavelmente quer muito isso. Quem sabe a que tipo de merda doentia ela está acostumada, mas eu gostaria de descobrir. Eu estaria fazendo um favor a ela de qualquer maneira, ela sempre está pedindo para servir, procurando por um motivo na vida inútil dela.

Honestamente, por que eu só não concordo em casar com a Lin? Eu deveria aproveitar o pequeno deleite antes que ela mude de idéia. Ela iria querer, não tenho dúvidas, desesperada pela minha aprovação. Seria simples, fazer ela aprender exatamente o que eu gosto. Não é esse o sonho de todo homem? Ter uma doce esposinha que sabe exatamente o que você quer, e está feliz em dar para você. Além disso, idade para casamentos é a partir dos 20, eu tenho três anos para decidir. Não vai doer fazer uma decisão consciente, não quero entrar nisso às cegas. Porém, que pena que ela não está aqui, isso iria resolver tantas das minhas frustrações atuais. Eu vou escrever para ela uma carta legal, manter ela fisgada para quando eu voltar.

— Rain. — Uma voz familiar me tira dos meus pensamentos, Fung de pé na minha frente com um sorriso no rosto, sua armadura em frangalhos, sangue sujando seu rosto. — Que maravilha, você pode me ouvir agora. Venha, vamos comer! — Eu sigo ele para fora da tenda dos médicos, onde seus guardas estão parados esperando, parecendo cansados mas inteiros. Uma comida cairia bem, e os médicos parecem ter tudo sobre controle. Você mereceu isso, Rain. — Pela Mãe, você foi incrível lá fora!

— Só matando Corrompidos, nada para ficar feliz. É cansativo demais. Eu nem deveria ter estado lá. — Piscando algumas vezes, eu tento clarear a minha mente. Mas que porra eu estava pensando? As garotas são jovens demais para mim, eu não deveria pensar sobre elas dessa maneira. Eu não deveria pensar sobre ninguém daquela maneira! Mas que porra. Eu só estou cansado e tenso por causa de toda a luta. Sim, isso parece certo. Eu sou só um ano mais velho no máximo, e eu acho que a Yan e a Song tem a mesma idade, ou talvez mais velhas do que eu.

Rindo, Fung bate em minhas costas.

— Você esteve lá fora por quase sete horas Rain. Claro que foi exaustivo. Eu observei enquanto os Khishigs desceram da montanha, e então vi você ir direto para a batalha. Seu maluco, correndo para as linhas de frente daquela maneira.

O que? Isso não parece algo que eu faria.

— Eu não sei o que me deu, eu só… perdi minha cabeça. — Eu queria estar lá fora, foi divertido. Não, não divertido, mas eu estava sendo útil.

— Oh você era uma maravilha de se olhar, Rain. Onde quer que você fosse, os soldados seguiam, golpeando e cortando seu caminho pelas linhas inimigas, você é um líder natural. E sua luta contra aqueles Ursagon! — Fung continuou a exaltar minhas conquistas, e normalmente, eu ficaria interessado em escutar, mas eu preciso descobrir o que está errado comigo. Agressão, raiva, sexo, minha mente está uma bagunça. Que porra foi tudo aquilo? É essa pessoa que eu sou agora, um psicopata assassino, maníaco sexual? Ou eu preciso transar, ou preciso ficar em abstinência por um tempo, eu não consigo decidir qual. Eu me sinto nojento só de lembrar. Se eu fosse outro cara, eu chutaria ele onde o sol não bate.

A conversa entusiasmada do Fung me tira dos meus pensamentos.

— Eu vi sua luta contra o Campeão Corrompido do começo ao fim, e você controlou seu oponente tão bem! Me diz, onde você aprendeu a lutar daquela forma? Ele parecia tão tolo, golpeando o nada, era uma finta magistral! — Fung está estático, sob a impressão que eu intencionalmente usei uma finta, ao invés de só escorregar na lama, obtendo minha vitória. Sem necessidade de corrigi-lo, isso só me faria parecer mal. Só gozar da glória, aceitar o elogio, você merece.

Me enchendo de orgulho, eu respondo de uma maneira descontraída.

— Era só um Corrompido inútil, talvez um pouco mais alto do que os outros mas igual ao resto. O truque da finta é estar sempre preparado para transformar um ataque em uma finta, e uma finta em um ataque. — Quero ver se ele consegue analisar isso, meia-reposta estúpida e retardada.

Fung repete minhas palavras algumas vezes, digerindo elas por um momento antes de rir alto.

— Áspero e perspicaz como sempre. — É incrível como ele consegue ir de guerreiro homicida para um jovem rapaz impaciente, rindo e brincando, amigável como sempre. Ele estava com tanta sede de sangue como eu estava, e bem melhor equipado para matar. Meus olhos se estreitam em irritação, olhando para a lança que ele está carregando, uma arma maravilhosa. As coisas que eu poderia fazer com uma arma daquelas… e as serventes, eu preciso de uma comitiva de serventes, do jeito que ele tem.

Nós alcançamos a tenda pessoal de Fung, grande, abrigo redondo feito de couro e pano, umas vinte pessoas poderiam caber ali facilmente, um lado completamente aberto para permitir que os servos entrem e saiam com facilidade. Chique, eu só tenho um pouco de pano para me proteger da chuva, e esse puto tem uma mesa arranjada no meio de sua tenda com um banquete alinhado, uma dúzia de pratos já esperando e mais para chegar. Vale a pena ser amigo do filho do Magistrado. Se eu voltasse para o acampamento, eu estaria comendo carne seca dura e fruta seca. Eu preciso disso, riqueza e poder. Tudo deveria ser meu.

— Oh, Jovem Mestre Fung, pelo menos tenha decência de se lavar antes de caminhar pela tenda. — A pequena sexy Ong Jing Fei chega antes que nos sentemos, usando um vestido adorável de seda vermelha, seus ombros saindo de seu xale, seu decote mostrando seus seios adoráveis e grandes. Notando meu olhar, seu rosto escurece enquanto ela se cobre, e evita contato visual. Cadela provocativa. — Nós vamos jantar com o seu bárbaro hoje à noite? Vou ordenar que um servo ensine ele a usar os pauzinhos. Vai ser uma visão divertida de se ter. — Estreitando meus olhos para ela, eu abro minha boca para falar.

Fung pula na minha frente.

— Diferente de você, Rain foi convidado. — Ignorando ela, ele se move para o interior da tenda e seus serventes ajudam ele a remover sua armadura, enquanto um deles me ajuda com a minha, esfarrapada e amassada, coberta de sangue. Uma bacia com água é dada a mim, e eu limpo a sujeira da minha pele, esfregando com vigor enquanto pequenos pedaços de carne caem na água, ela se tornando turva e vermelha escura, uma visão maravilhosa depois de um dia de trabalho duro. Uma segunda bacia de água é necessária, e logo eu me sinto fresco e mais ou menos limpo, depois de vestir algumas roupas fornecidas.

Conforme nós sentamos à mesa, eu sorrio para o Fung.

— Obrigado pelas roupas. Eu odeio quando o sangue seca na roupa, é muito desconfortável.

— Jovem Mestre Fung, ver o seu selvagem é perturbador o bastante para uma frágil dama como eu. Poderia pedir para o seu bichinho de estimação bárbaro ficar quieto? Meu apetite vai ser arruinado se ele continuar falando sobre sangue e guerra. — Jing Fei se senta à mesa, se recusando a falar comigo diretamente, como se eu fosse um escravo de novo. Essa vadiazinha arrumada, como ela ousa falar essa merda? Eu deveria arrancar seus olhos e cortar fora suas orelhas, então ela não teria que assistir ou ouvir. Isso iria arruinar a aparência dela, mas ela ainda poderia servir, com uma sacola na cabeça.

— Ignore ela, Rain. Vamos comer. — Os serventes começam a descobrir os pratos, enquanto nós conversamos sobre os acontecimentos do dia, agora minha vez de falar sobre as conquistas dele. Eu preciso de uma arma espiritual maior, mesmo que fosse só para lutar mais facilmente nas costas do Zabu. A lança de Fung deveria ter sido minha, algo que eu teria ganho. Eu poderia ter vencido aquela maldita competição se não fosse pela Sociedade ficar gananciosa. Nada que eu possa fazer sobre isso, matar ele não vai me dar uma arma espiritual, só uma alabarda de metal inútil, talvez um pouco mais pesada do que a maioria. Nós nos empanturramos e bebemos moderadamente, relaxando depois de um longo dia de batalha, mas ainda não vencemos a batalha e podemos entrar em combate a qualquer momento. Não importa muito, eu provavelmente poderia matar Corrompidos mesmo caindo de tão bêbado. Todos eles são fracotes.

— Eu ainda não consigo acreditar que você atacou a porra de um Demônio, Rain! Tal bravura, eu mal consegui recuar, e eu estava dentro da proteção de Man Giao! Mas você, você só gritou em desafio, e arremessou sua espada nele, um verdadeiro Jovem Herói. Eu pensei que eu iria só cair e morrer, e macacos me mordam se eu não vou contar essa história para todo mundo que eu conheço.

— Oh, Jovem Mestre Fung, você está provavelmente confundindo bravura com tolice. — Jing Fei funga, a vadiazinha pomposa ainda não olhando para mim. — Como se um bárbaro como seu amiguinho pudesse superar a aura de um verdadeiro Demônio. Eu ouvi falar que ela consegue transformar até mesmo o mais determinado dos soldados em uma bagunça de lágrimas, e esse seu bichinho de estimação é só um selvagem. Entretanto, não me surpreenderia se os bárbaros fossem mais sintonizados com os Demônios, acostumados com sua presença.

Engolindo minha raiva e sorrindo docemente para ela, eu falo em um tom cordial:

— Me chame de selvagem só mais uma vezinha, e eu vou te dar um motivo para me chamar assim. Você é uma coisinha linda, e eu vou adorar arruinar você. — Ela pausa para finalmente me encarar, provavelmente olhando para os meus olhos pela primeira vez. Olhos marrons adoráveis, eu gostaria de ver eles cheios de medo. — Eu vou fazer coisas com você que farão você amaldiçoar a vadia da sua avó por ter dado para o seu avô.

Batendo na mesa, ela continua a me encarar, enquanto eu encaro os peitos dela, sabendo que isso a deixa desconfortável. Eu gostaria de verdade que ela me chamassse de selvagem, só mais uma vez, para que eu possa agir, rasgar as roupas da vadiazinha agora, mostrar a ela que eu devo ser respeitado. Ela recua, encarando o Fung ao invés de mim.

— Bom? Você vai deixar esse… seu amigo falar comigo, sua noiva, dessa maneira? — Por pouco. Ela é animada, mas assustada demais para falar selvagem, mas sua intonação de “amigo” diz tudo. Vai ser divertido quebrar ela.

— Fung! Você nunca me disse que estava noivo de uma criaturinha tão adorável. Você realmente deveria dividir quando se casar. Ela é um pouco cabeça dura talvez, então eu recomendo que você tenha um casamento no estilo das Pessoas. Isso vai ensinar a ela de maneira apropriada… que os fracos estão aqui para obedecer. — Meus olhos nunca deixam ela, e finalmente, ela recua visivelmente, o que faz coisas interessantes com os seios dela. Eu amo como todo mundo pensa que nós somos assustadores e ferozes.

Fung permanece em silêncio, e depois de uma longa pausa, Jing Fei vai embora da tenda com raiva. Depois de outra pausa, Fung pergunta:

— O que acontece nos casamentos das Pessoas? — Eu posso ouvir a ansiedade em sua voz, e eu me deleito em seu desconforto.

Dando de ombros, eu rio.

— Na verdade, eu não faço idéia. Eu não acho que tenha mesmo uma cerimônia, ou pelo menos eu nunca fui chamado para uma. A imaginação é uma coisa maravilhosa. Diga algumas palavras e eles imaginam a tortura eles mesmos, muito pior do que qualquer coisa que eu poderia fazer. — Bom, não sem preparo, pelo menos. Eu iria precisar de algumas ferramentas para pôr a mão na massa de verdade.

Ele ri comigo, balançando sua cabeça.

— Parece que eu vou precisar de você para afastar a mão dela. Ela tem me causado uma quantidade sem fim de problemas, sempre me alfinetando com suas palavras, me seguindo por aí. — Ele suspira. — É uma coisa problemática. Ela tem tentado ficar grávida de uma criança minha, e então eu tenho medo que ela me mataria ou aleijaria. Eu não posso abaixar a minha guarda, nem por um momento sequer. Ela é uma criança cruel, batendo cabeça comigo desde que nós éramos jovens.  

— Então por que não… — Eu passo meu dedão pelo meu pescoço. — Atacar primeiro. Atacar forte. Sem misericórdia. — E… varrer a perna? isso não faz sentido. — Eu ficaria feliz em tomar conta disso. — Eu teria alguma diversão, claro.

— Falling Rain, você é um bom amigo, e um inimigo assustador. Esqueça dela, vamos comer e nos divertir agora que ela se foi. Fique aqui por hoje, eu tenho algumas cortesãs adoráveis para nos fazer companhia.

Uma pequena putaria vai me fazer bem, e um monte vai me fazer ainda melhor, e nós voltamos a comer, quero me encher até não caber mais. Porém, antes que nós terminemos o jantar, a adorável jovem Mila chega com Zabu.

— Rain! Em que caralhos você estava pensando? Você desobedeceu ordens e quebrou a formação. Você poderia ter sido morto. — Ela está estressada demais por estar no comando, como eu disse, isso não combina com ela.

— Eu não preciso da sua preocupação, isso é guerra. Cresça. — Meu tom é mais severo do que eu queria. Ela só estava preocupada comigo. Suavizando minha voz, eu continuo. — Aqui, coma alguma coisa, tome um drinque. — Ou cinco. Talvez ela se junte à putaria, isso seria divertido. — Eu vou descansar aqui hoje. Preguiça demais de fazer a viagem até a montanha, e eu provavelmente vou lutar nas linhas de frente amanhã. — Eu quero dizer, eu matei um Campeão Corrompido e ataquei um Demônio. Eu mereço dormir em algo que não seja sujeira. Qual o ponto de voltar, só para levar um esporro. Que se foda isso.

Seus olhos se estreitam para mim.

— Você é um Khishig, Rain, então você vai acampar com os Khishigs. Se você não voltar comigo agora, eu vou até minha Mãe, até a Tenente-General ao invés disso.

Tch. Pirralha mandando em mim. Nada que eu possa fazer sobre isso agora, eu preciso fazer minha parte como um Khishig obediente.

— Tá, ameace correr para mamãe, isso é muito bravo de você. — Ficando de pé, eu me despeço de Fung. — Lembre-se, se algum dia você precisar de uma orelha para ouvir, ou uma espada emprestada, tudo que você precisa é falar. — Eu adoraria pôr as minhas mãos naquela vadiazinha bonita. — Eu vou te encontrar no campo de batalha amanhã, vamos matar alguns Corrompidos, vai ser divertido. — Ele sorri para mim e eu vou embora para seguir a Mila até o lado da montanha, a noite de verão fria refrescante e confortável. Haverá mais trabalho sangrento para ser feito amanhã, e eu mal posso esperar. Eu vou fazer os Corrompidos temerem o meu nome, e expulsá-los do meu lar, as terras onde eu nasci.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

17 Comentários

  1. Vlw pelo cap Worst!

    Cara nao gostei nem um pouco das linhas de pensamentos do Rain, bem escroto para dizer o minimo!

    1. Então eu vou te dar um aviso: Não chegue nem perto de Dungeon Defence! Sério, o Rain é um santo perto das pessoas dessa novel.

    2. Eu acho que é uma forma bem verídica de retratar uma pessoa na situação dele, tipo o cara sai de um mundo pacífico em que ele tava acostumado pra chegar nessa aí, só sangue e morte por todo lado. Se ele não tivesse nenhum problema na cabeça seria o estranho, a gente acha meio estranho pq isso foge do clichê do MC forte pakas sem problema algum tanto no psicológico quanto no físico

  2. Espero que ele se recupere logo, se não vai se um saco ler a história achando o prota um lixo. Obrigado pelo capítulo

  3. Rain tá um merda, o que caralhos está acontecendo? Estresse? Ódio? Tristeza? Tudo isso, provavelmente. Mas talvez seja algo dele mesmo, algo como um buff, não sabemos de onde ele veio, quem sabe ele tenha algum poder estranho

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