DS – Capítulo 69

Mila assistia enquanto Rain afiava a lança dele, e o som da pedra de amolar era quase hipnótico para ela. Ele se movia com cuidado, nunca aplicando pressão demais, fazendo movimentos curtos e calculados. Ele levou minutos para acabar, e era provável que não tivesse feito nada de útil nesse tempo todo. A lança já estava afiada o bastante na opinião dela, mas Rain nunca gostou de ouvir.

O ar ao seu redor crepitava com intensidade, como se alguém que chegasse perto corresse o risco de se ferir, e seus olhos estavam afundados, sua pele pálida. Ele não estava comendo o bastante, focado demais em praticar, comendo o que quer que estivesse disponível. Adujan parecia igual, senão pior, cultivando por perto. Os dois raramente se separavam agora, solitários unidos exceto quando Rain partia para lutar com os soldados. Ver os dois se dando bem em combate causava ciúmes em Mila de uma maneira ilógica, já que os dois tinham uma atitude parecida. As mortes afetaram os dois demais, eles levaram aquilo pelo lado pessoal demais. A cena na aldeia foi terrível, mas quantos outros grupos sofreram o mesmo? Como os dois podiam assumir responsabilidade por tudo? Era enlouquecedor. Enquanto não era uma proximidade romântica, eles ainda compartilhavam uma ligação silenciosa.

Com uma inspiração profunda, Mila juntou sua coragem, repetindo o que ela iria dizer. Andando bruscamente, ela trouxe duas tigelas grandes de ensopado e arroz e deu ao Rain.

— Pare de afiar inutilmente sua arma e acorde Adujan. Vocês dois precisam de comida e descanso. Aqui. — Ela já saiu do script. Aquilo não soou mesmo como gentil ou amável.  Por que ela adicionou “inutilmente”?

— Eu estou bem, Mila. — Rain se levantou, a tigela deixada de lado, coçando seu pescoço enquanto ignorava o pedido dela. — Eu vou treinar as formas.

— Rain, pare. — Ela estava quase implorando, ela não tinha pensado que ele iria se recusar até a comer. Pelo menos ele estava chamando ela de Mila agora, parecendo mais próximo. — Se você tem que praticar, pelo menos coma antes. Você ainda não voltou ao seu peso original, e você continua a se esgotar toda vez que se cura. Não é saudável. E pare de se coçar, você está quase ferindo a pele. Você não tem um creme ou um bálsamo para isso? — Ela se moveu para acordar Adujan, dando a ela a segunda tigela. Os dois comeram o mais rápido possível, e mal sentiram o gosto da refeição que ela trabalhou tão duro para cozinhar. Huu elogiu ela por isso, pelo menos.

Huu se adaptou bem à guerra, sendo bem falado entre os Sentinelas, tanto que todas as mulheres solteiras se aproximavam dele em um esforço para encantá-lo. O filho de uma membra do Estandarte, um jovem herói em ascensão, gato e doce, as atenções que Huu reuniu deixaram ele sorrindo sem parar nos últimos dias. Enquanto suas conquistas estavam no mesmo nível que as de Rain, Huu estava lutando entre os Sentinelas, enquanto Rain abandonou eles para lutar a pé com os soldados. Isso era visto como um desrespeito por muitos, então Rain foi ignorado na maior parte. Ela viu Huu por perto, ajudando duas mulheres adoráveis com suas Formas, duas irmãs de uma vila vizinha, com um grande sorriso pateta em seu rosto. De novo, uma pontada de ciúmes passou por ela, mas Mila a ignorou quase que instantâneamente. Ela não tinha sentimentos românticos por Huushal e nenhuma reinvidicação anterior por ele. Ela não tinha motivos para ficar com ciúmes, mas deveria ficar feliz por ele.

Terminado sua refeição, Rain colocou a tigela de madeira nas mãos dela com um aceno, e foi embora para uma área aberta, praticar suas Formas de novo. Song veio e pegou a tigela, correndo para lavá-la. Mila assistiu impotente enquanto Song ia embora, antes de se virar para Adujan. Talvez ela iria escutar. Os dois estavam começando a se fechar para todo mundo, quietos e reservados, ambos parecendo determinados em se juntar à batalha mais uma vez. Mamãe tinha dito para deixar os dois, deixar os dois lidarem com suas dificuldades do seu próprio jeito até que ele pedissem ajuda, ou suas ações exigissem isso, mas a machucava ver os dois com tanta dor. Sorrindo do melhor jeito que pôde, ela se sentou no chão ao lado de Adujan.

— Oi, Yan. Você está bem? — Essa foi uma pergunta estúpida.

— Não, nada bem. A guerra é uma merda. Ser uma Sentinela é uma merda. Eu acho que vou aprender um negócio mais nobre, como prostituição ou tráfico de escravos. Na cidade, eles têm essas pessoas que dirigem os vagões, coletando a merda de todo mundo. Qual o nome desse trabalho? — Adujan estava sóbria, comendo mais devagar do que Rain, mas ainda engolindo grandes colheradas. — Porém a comida está boa. Você que fez?

— Sim, obrigada! — Mila se alegrou com o elogio, feliz de ter sido reconhecida, escolhendo ignorar as partes sujas da conversa. Alsantset vinha ensinando a ela como cozinhar, e as lições ajudam ela a relaxar depois da batalha. — Como sua cultivação está progredindo? Você é capaz de usar o anel sem supervisão?

— Não muito, mas todo mundo está ocupado. Risco calculado, e ninguém iria sentir minha falta se eu fodesse as coisas. — Adujan olhou para ela francamente. — Para de enrolar, caralho, e só fale de uma vez. Você quer falar sobre o Rain, certo?

— Não apenas o Rain, eu quero falar sobre você também. — Movendo a si mesma para que ela encarasse Adujan, Mila continuou: — Eu estou preocupada com vocês dois. Nenhum de vocês está cuidando bem de si próprios. Vocês têm estado carrancudos e afastados. — Mais do que o normal, mas isso não precisava ser dito. — Eu iria sentir sua falta, Yan, então por favor seja cuidadosa e encontre alguém para tomar conta do seu cultivo, e não fale dessa maneira no futuro. Eu estou aqui para conversar se você quiser.

Adujan estudou o rosto dela por um momento, buscando algo que Mila não fazia ideia do que era.

— Ótimo. Obrigada. De verdade. — Adujan sorveu o resto da comida e foi até ao riacho mais próximo para lavar a tigela dela. Mila seguiu ela em silêncio, deixando Adujan organizar os pensamentos dela antes de falar, esperando ela estar confortável. Song ainda estava lá, esfregando a tigela já limpa, os dedos dela vermelhos e em carne viva, enquanto os roosequins brincavam na água, nadando felizes na água gelada. Quando Adujan acabou de lavar sua tigela, ela a deu para Mila até que Song a pegou de suas mãos, e começou a lavar a tigela de novo, como se a tigela a tivesse maltratado e ela desejasse afogá-la.

Com um dar de ombros, Adujan returnou ao seu lugar na frente de sua tenda e, sem uma palavra, se sentou para cultivar. Mila sentiu a sobrancelha se contrair enquanto ela tentava controlar a raiva dela por ser ignorada. Não era culpa deles. Os dois só eram teimosos e rudes por natureza, nenhum dos dois aprendeu bons modos. Ela precisava ser paciente. Rain e Adujan preferiam lidar com seus problemas por conta própria. Ela só precisava esperar eles aprenderem que estavam errados. Ela sinalizou para Tanaraq, que estava por perto, e depois de explicar a situação, Adujan agora tinha alguém para cuidar dela enquanto Tanaraq se sentava para vigiar a garota teimosa.

Soltando um suspiro, ela se virou para a outra criança problemática dela.

— Song, você não precisa lavar a louça de outras pessoas. — A garota quase desmaiou de ansiedade quando Mila estava cozinhando, incapaz de ajudar porque ela não tinha conhecimento nessa área. Mila pegou ela pelo braço para levantá-la, e a tigela caiu no riacho. Song soltou o braço dela à força e mergulhou na água gelada, tentando pegar a tigela freneticamente enquanto ela flutuava para longe, perturbando os roosequins que estavam nadando. — Song, volte.

Ouvindo a ordem, Song retornou com pressa, se ajoelhando, ela bateu sua testa batendo no chão. — Essa escrava falhou com você. Mil desculpas. — Um quin desconhecido trouxe a tigela, chiando por um petisco que Mila logo providenciou. De alguma forma, na viagem até aqui Rain conseguiu ensinar vários quins a trazer coisas para ele, e todos estavam impacientes pelas frutas doces que ele provia. Algumas vezes eles até roubavam coisas, e mantinham elas como reféns até que fossem alimentados. Foi um saco conseguir frutas frescas para pegar o elmo dela de volta do Zabu, o quin em um frenesi para prover presentes de cortejo para Shana.

— Se acalme, Song. — Mila estava perdida em como lidar com ela. — Pare de se ajoelhar, é só uma tigela, você não precisa ficar em pânico. Veja, o quinzinho fofo trouxe de volta. — Limpando a sujeira de seu rosto, ela olhou para a linda garota, com pele clara, cor de oliva e olhos felinos brilhantes. Seus lábios já estavam azuis de sua curta nadada, tremendo de frio, cabelo ensopado em sua cara, e ainda assim ela era linda. Mila tinha sardas feias e cabelo curto, um nariz pequeno e uma testa grande demais. Claro que Rain não prestava atenção nela. Os ombros dela eram largos, os seios escassos, braços musculosos, e pernas curtas, completamente desprovidas das curvas suaves e femininas que Song naturalmente tinha.

Fazendo careta, ela silenciosamente admoestou a si mesma. Agora não era hora para auto-piedade.

— Song, você poderia se levantar por favor? — Era importante pedir, não mandar, algo que ela esqueceu no calor do momento. Humildemente obedecendo, Song se levantou, tremendo enquanto olhava para o chão. Nada do que Mila dizia a acalmava, e nem o que ela fazia ajudava de forma alguma. Ela tentou muitas coisas, deixar ela brincar com os quins, deixar ela com seu tempo livre, ela até mesmo sofreu com a insistência de Song precisar segurar ela quando dormia. Embora Song não tivesse pesadelos, toda a noite ela iria se deitar e abraçar Mila, dormindo no chão apesar de ter um colchonete por perto para ela. Mamãe disse para ela ser paciente com a garota, e Mila estava tentando, mas entre Song, Adujan, e Rain, ela estava começando a perder a cabeça. Ela agradeceu a Mãe que Huu estava indo bem por conta própria.

Liderando Song de volta para o acampamento, Mila ajudou ela a trocar de roupa e as duas se sentaram em uma tora juntas, o calor da fogueira esquentando as duas.

— Song, você pode ser limitada pelo seu juramento, mas ninguém aqui vai te tratar como uma escrava. Você é uma das Pessoas agora, um dos nossos. Nós cuidamos dos nossos. — Sem resposta. Song nunca falava, a menos que precisasse responder uma pergunta, ou para insultar a si mesma. — Você pode me falar, o que você quer fazer, mais do que tudo? Você não vai ser punida, só me diga algo que você gostaria de fazer, se você quiser.

— Eu desejo servir a Mestra. — A resposta chegou imediatamente, uma repetição rotineira.

— Não, não, só… você deveria querer fazer algo. — Mila queria arrancar os cabelos. Quão difícil era dizer uma coisa que você quer fazer?

— Dê a ela algo para fazer, Mila. — Rain nunca parou seus movimentos, nem ao menos olhando enquanto falava com seu tom seco. — Ela se sente inútil ficando sentada por aí o tempo todo. Encontre alguma tarefa para ela, mesmo que seja descascar vegetais. Ela precisa se sentir útil. — Ele finalmente parou e olhou, um meio sorriso em seu rosto. — Eu posso encontrar algo para ela fazer, se você preferir.

Song continuou a encarar o chão, mas Mila pensou que ela parecia quase esperançosa, suas costas mais retas, ombros não tão caídos. Útil…

— Como você gostaria de… servir?

Ela se animou com aquilo.

— Essa escrava é uma guerreira, e pode servir melhor protegendo a Mestra, ou lutando em duelos. Essa escrava também pode praticar quando Mestra permitir a ela. — Pobre criança, ela queria lutar e treinar. Uma terceira fanática por combate. Esplêndido. — Essa escrava é bem versada nas Formas do Tigre, focando nelas desde a infância.

Uma coisa tola só se focar em um único conjunto de formas. Por que não aprender todas? Mila apontou para Rain, fazendo planos para ensiná-la propriamente no futuro. — Por agora, assista ele enquanto você se seca. Se você tiver algo útil a adicionar, fale. Você pode praticar amanhã, ou quando você quiser, sério. — Elas se sentaram juntas observando Rain praticar. Ele não se movia pelas formas, buscando iluminação, mas sim, estudava uma única forma, de novo e de novo. Forma do Tigre, “Estocada Mortal”. Pé direito para frente e dobrado, perna esquerda para trás e esticada, braço direito se movendo para fora. De novo. Ambas as pernas dobradas, braço direito curvado. De novo. Perna esquerda para frente, braço direito arqueado. De novo. Ele se moveu por várias configurações de uma forma bem básica, uma que quase todo mundo conseguia realizar.

Uma idéia veio a ela.

— O que você está fazendo Rain? Talvez irá ajudar se você falar durante o processo. — Talvez ela conseguisse resolver os problemas atuais dele, e ele iria aprender a vir até ela com seus problemas.

— Hmm. Talvez você esteja certa. — Ele se aproximou dela e se agachou para falar com ela. — Na primeira batalha alguns dias atrás, eu matei um Ursagon durante sua investida, com uma estocada, usando essa forma. — Ele não parecia orgulhoso como ele teria estado antes, sendo aquilo só uma declaração dos fatos. Havia pouca alegria nele ultimamente, sem sorrisos ou gracejos, só uma lógica determinada e fria. — Só depois da batalha que eu percebi que ele deveria ter arrancado meu braço, mas isso não aconteceu. Eu de alguma forma dei uma estocada de frente em uma criatura de duas toneladas durante sua investida e não morri. Eu estou tentando descobrir como, mas não estou conseguindo.

Tirando a poeira das mãos, Mila se levantou.

— Vamos recriar a situação. Me mostre como isso foi realizado. — Eles gastaram meia hora montando o momento exato da luta, Rain tentando recriar seus movimentos, mas sem sucesso. Não importava como eles tentassem, se Rain tivesse matado o Ursagon como ele disse que tinha, pela lógica, ou o cadáver teria atropelado ele, ou o braço dele teria sido arrancado. — Você tem certeza de que foi essa a forma que você usou? Talvez algo diferente como, “Emboscada Escondida” ou “Arremesso da Presa” talvez?

— Não, não, eu estou certo de que foi “Estocada Mortal”. Eu vou descobrir. — Ele voltou a repetir o movimento com diferentes variações, indiferente à falha deles. Mila se sentou de novo ao lado de Song, que gastou o tempo inteiro observando eles da maneira cautelosa dela, sem nunca levantar a cabeça.

Suspirando profundamente, ela pôs seus cotovelos nos joelhos e punhos nas bochechas dela, desencorajada por sua inabilidade para ajudar.

— Se apenas eu pudesse ajudar ele… — Ela murmurou baixinho, para ninguém em particular. Ela nunca ouviu falar de alguém tendo um problema como esse, ser Iluminado, mas incapaz de agarrar o conhecimento.

Depois de assistir o Rain repetir o movimento algumas vezes, Song falou baixinho:

— Mestra, essa escrava talvez saiba como ele matou a besta.

— Sério? Como?

— Uma combinação de formas. “Estocada Mortal” é apenas uma parte dela. A outra seria “Passo Saltitante”. Essa escrava deveria demonstrar?

Mila acenou várias vezes.

— Sim, sim, claro, por favor. — Forma do Tigre, “Passo Saltitante” era quase um movimento de dança, um pequeno salto, mas com pé sempre no chão. Mila estava feliz que a sugestão de Song funcionou, sendo a primeira vez que a garota falava voluntariamente. Ela deveria ter pedido a ajuda dele há muito tempo.

Song se levantou e deu alguns passos para frente, demonstrando o movimento várias vezes, de diferentes ângulos para Mila ver. Ao contrário dos movimentos rígidos frontais que Rain estava tentando, Song se movia com passos leves e circulares, seus pés oscilando enquanto ela estocava.

— É um contra ataque, desviar em um movimento de meio círculo. Ao invés de atacar com uma estocada frontal, o pé principal fica perpendicular com o pé de apoio. Isso abaixa a quantidade de poder na estocada, mas o golpe depende do uso do poder do oponente contra si mesmo. O passo te permite enganar seu oponente, de forma que você se move para direita, enquanto desliza para esquerda.

Rain assistiu de perto algumas vezes antes de fechar seus olhos para pensar. Ele ficou parado por longos minutos, ponderando nos movimentos, enquanto Song voltou para seu lugar ao lado de Mila. Sussurrando para não atrapalhar Rain, Mila elogiou Song:

— Muito bom, eu acho que você estava certa, Rain está estudando. — A garota não teve reação ao elogio, ainda empedernida e oprimida como sempre, mas era algum progresso pelo menos.

Enquanto os movimentos pareciam ter um uso limitado, poderia ser bem poderoso nas situações certas. Mila iria precisar praticá-lo também, uma ferramenta útil quando ela estivesse a pé e enfrentando um oponente montado. Desviar com um mínimo de movimento, e permitir que o oponente impale a si mesmo. Não parecia muito impressionante, se Mila fosse honesta, só um passo em um ângulo estranho, mas em combate próximo, abria um leque grande de ângulos diferentes de ataque.

Os olhos de Rain se abriram de repente, e ele se moveu, realizando as mesmas formas, mas ainda de uma maneira bem diferente da de Song. Onde Song era suave e reativa, Rain era vigoroso e violento. Um passo mais longo, uma estocada mais pesada, a demonstração de Rain era agressiva por natureza, já a de Song mais defensiva. Ele repetiu várias vezes, cada uma ficando mais e mais agressiva, usando “Passo Saltitante” para ficar em posição, combinando com várias outras formas de ataque, um corte, um golpe torcido. Um sorriso apareceu no rosto dela enquanto ela assistia Rain ficar mais forte. Ele já era um oponente temível em combate próximo, mas seu único defeito era chegar nesse alcance sem morrer. Esse passo permitia a ele uma abordagem mais gradual, ao invés da investida direta que ele gostava tanto. Ele ainda não tinha a velocidade explosiva de Mamãe, tornando isso uma aposta arriscada cada vez que ele usava.

Rain parou sua prática e foi até elas, Mila esperando por seu elogio.

— Obrigado Song, você me ajudou muito. — Isso… — Sumila, luta comigo? — Sua teoria funcionou, e agora ele buscava pôr isso em prática, e Mila estava mais do que feliz em ajudar. Eles ficaram um na frente do outro, Rain tomou sua postura, espada para frente, seu corpo virado de lado.

Sorrindo, ela deu passo para frente, “Passo Saltitante”. Batendo a espada dele com o escudo dela, ela enfiou seu joelho nas costelas dele.

— Você luta em uma distância curta, não deixe sua espada esticada assim. — Curvado e ofegante, Rain buscou recuperar o fôlego enquanto Mila esperava, feliz e relaxada. Não apenas ela conseguiu ajudar o Rain, lutar ajudou ela a extravasar suas frustrações nele. Este Rain estúpido, raivoso e incomunicativo. Ele deveria só se abrir e falar dos problemas dele, talvez quando eles estivessem sentados lado a lado, compartilhando calor e conversando sob a luz do luar. Ao invés disso, tudo que ele fazia era ignorar ela a não ser que ele precisasse de ajuda ou de alguém para treinar. Tudo certo, se ele queria lutar, então eles iriam lutar. Ela iria lutar com ele até que ele vomitasse. Talvez então ele iria saborear o ensopado dela, que estaria fazendo o caminho inverso.

 

Ele não agradeceu ela uma vez sequer a noite inteira. O grande idiota.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

9 Comentários

  1. Mila Mila, você está cada vez mais apaixonada por ele… Se você continuar assim, nunca vai conseguir alguma coisa com ele… Alem de te admirar ele morre de medo da sua mãe, se você não falar o que sente, ele nunca irá se aproximar.

      1. Sim e não, não demonstrar mas realmente falar. O Rain é muito ruim em perceber o sentimento dos outros para com ele.
        Se ela falar ele vai entender melhor, o que não significa aceitar rapidamente, fazendo ele entender um pouco o modo dela agir em determinadas ocasiões.
        Resumindo: Ele deixaria de vê-la apenas como alguém que manda nele o tempo todo e passaria a ver ela como alguém que está tentado o melhor para mante-lo por perto e seguro.
        Essa é minha maneira de ver as coisas, se pensar diferente gostaria de ver seu lado. 🙂

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!