DS – Capítulo 79

Olhos fechados, eu cerro meus dentes enquanto sofro em silêncio, segurando minha respiração e rezando para não me acharem. Suor escorre do meu rosto enquanto meu músculos se tensionam, o esforço me deixando tonto, mais extenuante do que quase tudo que eu já experimentei. Eu nunca mais vou permitir que isso aconteça, eu juro com cada fibra do meu ser. Uma risada apavorada escapa da minha boca, e minhas panturrilhas começam a tremer enquanto eu redobro meus esforços e solto um gemido baixo ao mesmo tempo. Eu posso ter atraído atenção, mas eu não tenho tempo para focar em outras coisas, cada grama da minha concentração está focada na tarefa árdua em minhas mãos.

Incapaz de aguentar mais, eu respiro fundo pela boca, mas ainda assim um fedor horrível chega no meu nariz, e eu continuo a aguentar. O sentimento pesado nas minhas vísceras ainda não sumiu, e o ronco da minha barriga me avisa que o pior ainda está por vir. Meu peido crescente é um alívio, mas ao mesmo tempo aterrorizante. A pressão no meu estômago diminui, mas a ansiedade de ser encontrado aumenta grandemente enquanto eu me agacho sobre o fosso improvisado que eu cavei rapidamente, a poucos minutos de distância do acampamento.

Depois de mais alguns minutos difíceis, um alívio maravilhoso é finalmente encontrado, meus intestinos esvaziados pela primeira vez em cinco dias, segurados por pura força de vontade e uma dieta de nada além de caldo e carne. Com meu braço não mais quebrado e meus dedos quase todos regenerados, os vegetais doces e crocantes são uma coisa que nunca mais vão faltar em uma refeição minha, evitando facilmente essa dor e sofrimento. Fibra é amor, fibra é vida.

Levantando minhas calças, eu me espreguiço antes de olhar para a besta que eu liberei no mundo. Não tão impressionante como eu achei que fosse, o que me enche de desapontamento. Mesmo que eu nunca fosse mostrar esse filho para ninguém, algumas vezes você só quer se sentir orgulhoso de uma bela cagada. Enterrando o fruto do meu sangue, suor e lágrimas, eu volto correndo para o acampamento para lavar minha mão com sabão. Tremendo só de lembrar o que eu acabei de passar, eu mudo de ideia e vou em direção ao rio para tomar um banho. Eu quero me sentir limpo de novo.

 

Há algumas coisas que eu nunca vou me acostumar e cagar na frente de todo mundo é uma delas. A vila tem banheiros externos de verdade, e as cidades têm um sistema de esgoto, mas aqui fora, todo mundo só se agacha sobre a trincheira que nós usamos como latrina, sem ligar para mais nada.

Cagar é uma daquelas coisas que são melhores quando feitas a sós.

Um banho rápido no rio gelado faz meu corpo tremer, mas ao ver os roosequins nadando traz um sorriso aos meus lábios azuis, suas formas lustrosas e peludas nadando na água enquanto eles caçam peixes e predadores aquáticos com facilidade. Tantos quins trabalhando juntos e eles viram os reis do rio, inigualáveis e destemidos apesar dos vários carnívoros debaixo da superfície. Eu fui avisado a não tomar banho sem eles por perto, ou eu posso perder um pé ou pior.

Zabu aparece e desaparece enquanto pula pelo rio, seu pêlo marrom escuro brilhando no sol da manhã enquanto ele traz presentes, comida e pedras brilhantes, para Shana, que está deitada perto de Adujan enquanto ela está sentada meditando quieta. Ela tem feito muito isso recentemente, ao ponto de negligenciar as Formas dela, algo que eu acho errado. Quero dizer, é legal ter chi disponível, mas nós estamos tão longe de aprender como realmente usá-lo que eu penso que proeza física é muito mais importante neste ponto das nossas vidas. Entretanto, ela é teimosa, ainda cultivando em cada momento livre. Eu deveria pedir a alguém para ajudar ela, ser seu Mentor, mas eu não conheço alguém capaz além da Akanai, e isso seria crueldade.

Conseguindo tirar vantagem deste fato, eu fugi da vigilância constante dela e fui resolver meus negócios. Todas elas tem me vigiado como águias pelos últimos cinco dias Adujan, Mila, Alsantset, e Akanai, têm reuniões secretas juntas, sempre ficando quietas quando eu chego perto. Me deixa desconfortável e extremamente motivado em me consertar, seus olhares penetrantes cheios de preocupação, inquietação e expectativas. Cada uma delas se aproximou de mim com afeto em seus olhos, perguntando sobre meu bem-estar, querendo falar sobre coisas fúteis como minhas comidas favoritas, ou cores, ou quais são meus planos para o futuro. É exaustivo.

Eu sei que elas estão realmente cuidando de mim, preocupadas com meu estado mental, mas eu estou bem, eu posso continuar sendo um Sentinela. Não há vozes na minha cabeça, sem surtos de raiva ou depressão, sem mais deslizes de língua, eu só estive meditando e consertando meu braço esquerdo, não feliz e animado, mas não depressivo também. Meu braço direito ainda é um cotoco, mas ele parece inteiro, com dores intermitentes. Eu não faço ideia de como fazer ele crescer de novo, pois não é tão simples como só jogar chi no cotoco até que um braço se regenere, mas eu tenho um horário marcado com Tokta em que ele prometeu me ajudar com o processo. Eu espero estar bem ocupado nas decanas seguintes, e provavelmente com muita dor, já que a regeneração dos nervos é muito desagradável a julgar pelas experiências passadas.

Eu ainda preciso de ajuda com algumas coisas, como comer e me vestir, mas eu estou progredindo no caminho de ser auto-suficiente de novo. É cansativo sempre estar perto de alguém. Algumas vezes, eu só quero ficar sozinho, recarregar e reagrupar, deixar minha mente descansar e resetar, mas isso tem sido impossível ultimamente. Precisei planejar para valer e enganar só para poder cagar, o que é ridículo. Pior, com Adujan dividindo a tenda comigo, eu não posso… relaxar, e isso está me fazendo pirar, deitando tão perto dela toda noite. Quando eu finalmente consertei meu braço quebrado, eu imaginei que ela voltaria a ficar com Sumila e Song, mas ela continuou na tenda comigo como se nada tivesse mudado.

Me secando como um cachorro, eu rapidamente visto minhas roupas, uma camisa e uma calça de linho, ambas simples, marrons e entediantes, com um cinto de couro e um colete de couro forrado com lã para me manter aquecido. Apesar de estarmos no verão, ainda pode ficar bem frio quando o vento sopra, e dá para tirar o colete facilmente se ficar muito calor. Natureza e treinamento estão vencendo a guerra de atrito contra minhas roupas, essas são minhas últimas roupas sem danos, e a pior parte é que não tem ninguém para eu pedir roupas emprestado além das mulheres. Todos os homens são altos demais ou largos demais, meu corpo parecendo pequeno e magricela perto de qualquer um dos Sentinelas, com uma média de 200 cm de altura, alguns perto de 250 cm. Isso não é justo. É como ser um cara normal em um mundo de parrudos, como eu deveria me comparar? Pelo menos as mulheres são de tamanhos mais variados. Akanai é mais alta que eu por quase 30 cm, mas ainda ultrapassada por muitos homens. Sumila é quase da minha altura, Adujan e Li Song uns 8-10 cm mais altas, e Mei Lin é pequenina e adorável, já que sua testa mal alcança meu queixo.

O sol aquece minha pele e seca meu cabelo enquanto eu me sento perto de Adujan, satisfeito com minha enganação bem sucedida.

— Como foi a cagada? Aposto que foi difícil, você não cagou por dias. — Uma falha no final das contas. Eu não consigo acreditar que ela tem rastreado o movimento dos meus intestinos, quem faz isso?

Shana levanta a cabeça com o som, seu nariz fofo contraindo enquanto ela me cheira, esperando um petisco. Ela é a quin mais doce que eu conheço, sempre afagando Adujan. Eu queria que o Zabu fosse doce assim, mas ele mal tolera que eu faça carinho nele. Eu deveria conseguir um cachorro.

— Você lembra daquela cobra com que fizemos seu escudo? Parecia que nem ela, marrom e perfeitamente enrolada. Porém, a cobra era um pouco menor.

Seu rosto se contorce em uma aversão falsa.

— Bom, você não caiu nele, então parabéns. A menos que você caiu mesmo e foi por isso que tomou um banho. — Ela abre seus olhos e me dá seu sorriso meio zombeteiro de praxe e uma fungada pequena, relutante, meu coração se agita um pouco ao ver isso, mas eu rapidamente suprimo ele. — Parece que você é um cagão tímido, indo ao ponto de cavar um buraco na mata. Falling Rain é sofisticado demais para usar as latrinas como todo mundo?

Um queimação sobe do meu pescoço até minhas bochechas.

— Para de perguntar tanto e volte ao trabalho, sua preguiçosa. O que você está fazendo fingindo que está cultivando?

— Eu notei que você estava tentando se afastar e eu queria saber o porquê. Você é tão estranho, por que tanto trabalho só para cagar? 

Revirando meus olhos e ignorando sua pergunta, eu me apoio no meu ombro fingindo indiferença enquanto internamente me contorcendo e torcendo para ela não ficar por perto para assistir ou ouvir. Eu não posso nem cagar em paz. Esse mundo é uma merda.

Zabu chega na nossa frente, encharcado de sua incursão no rio e põe um par de peixes grandes, pelo menos 10 kg cada um, na frente de Shana, pequenos pedaços faltando em cada um deles, antes de voltar correndo para o rio, pronto para procurar mais comida. Shana aceita graciosamente o presente, se esticando e ordenadamente devorando a refeição, os sons altos de ossos quebrando vindo de sua boca enquanto ela come feliz.

— Pobre Zabu, ele está trabalhando tão duro tem mais de uma decana agora, alimentando a gorda e preguiçosa Shana com toda a comida dele. — Eu queria que ele tentasse ganhar minha afeição assim, idiota peludo.

— O cortejo deles acabou e Shana está se preparando para pôr ovos. — Adujan pega a isca e começa a falar sobre quins, um dos assuntos favoritos dela. Só meio ouvindo ela, eu sorrio e assisto enquanto ela fala com entusiasmo, minha mente passeando e sobrepujando a imagem dela com a de Yan, minha esposa dos sonhos.

Apesar de saber que essas memórias na minha cabeça são falsas, ainda existem efeitos posteriores persistentes. Um deles é que agora eu estou incrivelmente atraído pela maioria das mulheres da minha vida. Eu me vejo ansiando pela filha do fazendeiro lá da vila que sempre sorri para os gêmeos quando eu os levo para colher maçãs, ou a alfaiate adorável que sorri sugestivamente quando ela me mede, suas mãos passeando um pouco enquanto ela fala sobre como eu cresci. Eu até quis abraçar a Mila e beijar seu pescoço, ou pegar Yan enquanto ela dorme perto de mim, ou tentar um sorriso no rosto de Song, porque eu sei que é algo belo e gentil, uma visão que cura a alma.

Exceto que eu sei que nenhum desses sentimentos são reais, e se eu fosse agir baseado neles, seria injusto comigo mesmo e com as mulheres. Eu não estou atraído por elas, eu estou atraído pela versão falsa delas, um personagem mental que eu criei que é vagamente baseado nelas. Ainda, contra meu próprio julgamento, eu continuo deitado lá, assistindo Yan enquanto seu rosto se ilumina conforme ela fala, não mais sisuda e ranzinza, cheia de paixão e animação, eu quero só colocar minha cabeça no colo dela e aproveitar o momento.

— … e então, Shana vai manter os ovos aquecidos durante o inverno inteiro enquanto Zabu trabalha para mantê-la alimentada, e quando a primavera vier nós teremos vários filhotes de quin para brincar. — Sua ansiedade é aparente, suas mãos entrelaçadas. Coisas como essa são o porquê de eu saber que meus sentimentos não são reais. Ela não é nada parecida com a Yan dos meus sonhos, mais definida e real do que a imagem que eu tinha, que era só um fantoche que cedia a todas as minhas vontades, nunca me surpreendendo ou desafiando. Ela é uma pessoa de verdade, e eu estou apaixonado com um fantasma falso que só parece com ela.

Sua expressão feliz some um pouco, seus ombros caindo.

— Porém, é uma pena. Shana provavelmente vai ser tirada de mim para que os treinadores possam começar a ensinar os filhotes, e vão me dar uma montaria substituta. Você também, os quins não gostam de ficar separados de seus filhotes. — Sua tristeza clara como o dia, Adujan afaga o pêlo de Shana, a fazendo dar alguns chiados de alegria.

— Espera, os quins não são nossos? — Eu consigo um substituto de Zabu? Eu estou triste e um pouco feliz. Talvez meu próximo quin vai ser mais legal. E cheirar melhor.

Me dando uma careta fofa e um olhar pontiagudo, ela faz um pequeno som de escárnio.

— Zabu e Shana foram criados e treinados pelos Sentinelas. Enquanto dão uma montaria pessoal para cada um de nós, no fim eles ainda pertencem a Reitora Chefe. — Seu olhar volta para Shana, parecendo melancólico. — Eu compraria ela, mas eu precisaria poupar por anos, e parece que Shana já está pronta para acasalar agora. Não importa, vão cuidar bem dela, e eu posso comprar ela quando eu for capaz.

— Quem toma conta dele? Por que você não consegue esse trabalho? Você obviamente ama quins. — Eu me pergunto quanto custaria para comprar Shana? Eu deveria perguntar para Akanai depois. Adujan vai ficar obviamente de coração partido se perder a Shana. Eu acho que eu vou comprar o Zabu também se ele não for muito caro, mas só para eu ter a posse indiscutível dos filhotes dele.

— Criação de quins é deixado para os Sentinelas mais velhos, já aposentados, que não são mais capazes de lutar, mas ainda vigorosos e saudáveis. Como você não sabe nem das coisas mais básicas?

Depois de mais alguns minutos de conversa fácil, eu me sento e cultivo, me certificando de que eu tenho chi suficiente para minhas lições, e fortalecendo meu dantian. Eu estou cultivando normalmente sem o anel porque ninguém tem tempo de sobra para me vigiar e, para ser honesto, eu não fico muito confortável usando ele. O poder crescente seguido pela calmaria, mesmo ciente e preparado, ainda me pega de surpresa, me deixando inconfortavelmente agitado e drenado. Talvez é culpa do meu anel ou coisa assim, mas não importa, devagar e sempre se vence a corrida, ou pelo menos me deixa viver por mais tempo.

Com uma breve pausa para o almoço, uma refeição deliciosa de vegetais assados e arroz, eu transito entre praticar as formas, usar Paz com minha mão esquerda, um esforço estranho, mas eu não tenho muita alternativa. Além disso, eu já perdi meu braço direito duas vezes, eu realmente deveria aprender a lutar com as duas mãos. E usar palitinhos também, mesmo que eu meio que goste de ser alimentado por Adujan e Sumila, um pequeno prazer indevido. Ao longo da minha prática, eu busco Iluminação, aquele sentimento assombroso de entendimento, mas esta me ilude, um sentimento de que eu estou vendo por um vidro sujo, e o que eu busco está no outro lado, confuso e pouco visível, meu corpo parece desajeitado e estranho quando eu pratico certos movimentos.

Tem sido assim há dias agora, batendo minha cabeça contra aquele vidro sujo, tentando ver o que está faltando. Em particular, há dois movimentos das formas que eu estou quase conseguindo combinar, “Passo Empinado”, que é como soa, um passo para frente enquanto você levanta os joelhos, um passo alongado, super enfatizado, combinado com “Passos Crescentes”, que ao contrário de como soa, é um movimento de pisar. Eu acho que seria crescente se o ar debaixo dos meus pés se solidificasse, mas, na verdade, é como esmagar uvas, desajeitado e deselegante.

Eu não consigo descobrir o que está faltando no movimento, parece bom para mim, mas dá um sentimento de erro. Minhas tripas se agitam, e, dessa vez, eu sei que não é constipação, então tem que haver algo que não estou percebendo. Ao contrário das outras combinações que eu aprendi, essa parece mais como dois pedaços separados juntados à força, ao invés da fusão suave e fluida. Parece que eu estou passando por etapas separadas, ao invés de um movimento completo.

Eu vou descobrir eventualmente, ou eu posso sempre buscar outras coisas. Essa é a beleza das formas, uma combinação quase infinita de movimentos, cada um simples e infinitamente complexo. É fácil dar um bom soco, mas impossível dar um soco perfeito, mas é na busca da perfeição que eu continuo a praticar. Há algo muito zen sobre isso, repetir a mesma série de movimentos dia após dia, e aprendendo coisas novas depois de centenas ou milhares de repetições, melhorando um pouco a cada dia. Mesmo se eu não aprender nada, o esforço físico me acalma, nem devagar, nem rápido, só focando no movimento, o momento, por horas sem cansar.

Minha recém descoberta apreciação pelas Formas me deixa relaxado e feliz, meus músculos um pouco doloridos, com um suor refrescante na testa, e eu vou em direção a beira oeste do acampamento com Adujan, onde Alsantset está trabalhando duro recebendo os relatórios das escoltas que retornaram, com Sumila e Li Song trabalhando como suas assistentes, todas elas ocupadas demais para me cumprimentar. As duas damas adoráveis cobertas em manchas de tinta enquanto trabalham furiosamente para copiar os relatórios, seus pincéis se movendo de maneira elegante enquanto elas escrevem em caracteres impossivelmente organizados e pequenos. De novo, minha mente compara as duas com as mulheres em meus sonhos, mas elas são diferentes o bastante que faz meu coração doer.

Caligrafia é uma das coisas que eu não aprendi muito bem, minha escrita é um pouco melhor do que a da maioria das crianças, mas eu gosto de assistir pessoas escrevendo. Cada palavra tem um sequência própria, um tempo para pressionar o pincel ou riscar de leve, permitindo este a deixar uma trilha de tinta. O produto final parece refinado e elegante, e ainda de alguma maneira cada estilo é único. Eu posso facilmente distinguir os escrivães dos relatórios, só de lê-los. Sumila gosta de adicionar pequenos floreios que adicionam estilo à escrita sem comprometer a legibilidade, já Alsantset é mais digna e apropriada, uma curva onde deveria haver uma curva, uma linha onde deveria haver uma linha, e ainda com seu próprio gosto. Li Song escreve em caracteres limpos, quase carimbados, seu pincel se movendo em pinceladas curtas, mecânicas, mas ainda há alguns toques pessoais, a fusão de dois rabiscos em um, ou uma pincelada de abertura levemente mais longa do que deveria ser.

É igual nas formas, e vir aqui vê-las trabalhar enquanto elas escrevem me inspira a aprender como escrever apropriadamente por conta própria. Eu percebi isso quando fui perguntar a Sumila como escrever minha carta bi-decanal para Mei Lin, e eu vim aqui assistir elas desde então. As variações súbitas na escrita são similares às variações de uma luta, usando a mesma estrutura básica para bolar diferentes soluções para o mesmo problema, e, de novo, eu sinto como se estivesse vendo pela janela suja, manchada, perto de entender algo, mas não exatamente lá ainda. Eu nem sei o que estou tentando aprender, mas tentar não vai doer, mesmo se tudo que eu fizer for destrancar os mistérios profundos da caligrafia ou algo estúpido assim.

Akanai chega com a última unidade de patrulha, tendo uma breve discussão com Alsantset sobre as escoltas e seu posicionamento, antes de partir para tomar conta de outras coisas. Alsantset e Tokta estão no comando quando Akanai está fora caçando Corrompidos, mas Tokta não toma muito partido no aspecto militar do comando, apesar de suas capacidades como guerreiro. E de novo, ele está bem ocupado mantendo os soldados vivos, mas provisoriamente, Alsantset é a chefe do acampamento, trabalhando duro todo dia. Seus deveres por hoje completos, ela sorri para mim e passa um braço sobre meu ombro, me puxando para um abraço.

— Eu gosto de ser cumprimentada por você depois do trabalho. — Me dando um olhar espertalhão, ela sussurra, — Porém, talvez eu não seja a única que você esteja aqui para cumprimentar. — Seus olhos vão para Sumila.

Assustador. Tão fofa quanto a Sumila é, eu não tenho qualquer intenção romântica com ela, a maior parte porque Akanai seria a pior sogra de todas.

— Eu só estou aqui para te acompanhar para jantar, Irmã. Você trabalha tanto, eu me sinto como um inútil só praticando todo dia. — Eu pedi para ajudar, mas ela insiste que eu preciso me concentrar em me curar e treinar. Apesar das minhas objeções, ambas internas e externas, eu ainda me pergunto se seus lábios seriam macios e doces como eu sonhei.

Nós andamos de volta para as fogueiras com comida enquanto jogamos conversa fora, apesar da ameaça Corrompida ainda estar presente. Se fosse antes, eu estaria nervoso sobre um possível ataque, mas eu passei a crer mais nas pessoas ao meu redor, sabendo que elas estão fazendo tudo que podem para manter o acampamento a salvo. Se os Corrompidos atacarem, eu lutaria melhor com as duas mãos, então eu estou me concentrando nisso, com pouco mais na mente.


Como Mamãe dizia, por que se preocupar com coisas que você não pode controlar?

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

5 Comentários

  1. Céus, eu caguei um monstro! kkkk, esse prota é muito como ele mesmo definiu. adulto, mas ainda rindo de piadas de peido!

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!