DS – Capítulo 80

Com minha barriga cheia de comida e meu dantian cheio de chi, eu entro na tenda dos médicos, deixando algumas plantas colhidas pelas patrulhas e procuro Tokta por aí, ao encontrá-lo trabalhando duro com um paciente. Indo até lá, eu começo a ajudar da melhor forma que posso enquanto espero, coletando bandagens sujas e ferramentas para limpar, trazendo água para os feridos e ajudando eles a beber, conversando com alguns rostos familiares enquanto checo suas feridas por sinais de infeção ou envenenamento do sangue. Depois de meia hora me ocupando, Tokta gesticula para que eu o siga e vai em direção a uma mesa grande e bagunçada.

— Tudo bem então você está aqui para aprender como recrescer seu braço. — Sem qualquer cumprimento, ele pula para a para a parte importante, sua voz anasalada soando mais entediada e cansada que o normal. Eu não posso culpá-lo, há mais pessoas com feridas expostas do que lesionados, mas eu não posso ajudar muito com só um braço, me sinto como se estivesse atrapalhando na maior parte do tempo. — Primeiro, você precisa decidir se quer mesmo aprender comigo. Eu não tenho tempo, nem a energia para te guiar pela mão pelo processo, e se você falhar o resultado vai ser realmente muito doloroso. Você tem a opção de esperar pelo Taduk para curar seu braço e te ensinar apropriadamente.

— Bom, eu posso pelo menos tentar, certo? Não faz sentido eu ficar só no ócio por um período indeterminado de tempo.

Balançando sua cabeça, ele me olha criticamente.

— O que você sabe sobre recrescer membros?

— É… Dói muito quando está pronto.

Isso me rende uma pequena risada.

— Dói muito mais enquanto está crescendo.

Merda.

Ignorando minha expressão desanimada, ele continua a falar das desvantagens:

— É mentalmente e fisicamente exaustivo e você vai precisar de mais comida e descanso do que o normal, quase duas vezes mais. Se você chegar em um ponto onde eu acredite que você vá conseguir, vai levar no mínimo três decanas para recrescer seu braço, e durante esse tempo a área curada vai parecer que está queimando e carne viva sendo raspada. Mesmo se você abandonar o processo, a dor vai continuar por pelo menos uma decana, possivelmente mais.

Um sorriso demoníaco está estampado em seu rosto, como se ele estivesse feliz em aumentar minha apreensão.

Quando você fizer um erro, na melhor das hipóteses vai precisar de cirurgia para consertar e na pior, nós vamos amputar o que você fez crescer. Não é um processo simples Rain, e embora eu esteja impressionado com suas habilidades naturais de curar e conhecimento médico, eu duvido que você vá conseguir dominar essa técnica com a pouca ajuda que eu poder te dar, provavelmente só trazendo dor para si mesmo. Porém, se você ainda insistir em aprender, apesar de todos os meus avisos, eu vou fazer o que puder para te ajudar a conseguir. — Seu sorriso cresce mais, sua pele pálida e dentes brancos quase brilhando na luz da lâmpada. — Ou decepar a sua falha.

Impacientemente batucando com seu pé, ele espera em silêncio enquanto eu contemplo minhas escolhas. Não é como se eu tivesse algo melhor para fazer, então eu posso muito bem tentar. Isso é ainda parte do meu plano de ser um guerreiro imortal, que se cura rápido. Melhor começar agora do que mais tarde.

— Sem dor, sem ganho. Eu agradeço muito por qualquer orientação que você possa me oferecer.

Parecendo só levemente decepcionado, ele concorda com um aceno de cabeça para mim e se vira para sua mesa desorganizada, movendo coisas enquanto procura algo. — Explique para mim o processo de cura natural com seu chi.

— É, você pega a Energia dos Céus, a vincula como chi no seu dantian, então você a circula por todo seu corpo, e ela te cura. — É uma coisa bem simples de verdade, então eu não entendo porque as pessoas dizem que eu sou talentoso. Eu só jogo chi no problema até ele se consertar.

— E que tipos de feridas são curadas nesse processo?

— É… hematomas, cortes, abrasões, coisas desse tipo. Você pode recrescer dentes, pele e unhas, mas não dedos, membros, orelhas, olhos ou órgãos. Uhhh… Esse-

— Pare de gaguejar quando você fala, é irritante.

— Uh… desculpa. — Eu só gosto de preencher com silêncio enquanto eu penso. — Ossos vão precisar ser alinhados antes de curar, ou eles não vão curar direito, mas essencialmente, você… uh… pode curar qualquer coisa que… iria se curar naturalmente por conta própria, com dentes sendo a exceção eu acho. — Porra agora que eu apontei isso, não consigo parar.

— O que você quis dizer sobre dentes?

Piscando como uma coruja para ele, eu dou de ombro. — Um… bom, dentes não crescem normalmente. As pessoas têm dois conjuntos de dentes, um de criança e o outro de adulto. Normalmente, se você perde seus dentes de adulto eles não crescem de volta, exceto se você se curar com chi.

Balançando a cabeça, ele revira seus olhos.

— Dentes crescem de volta, sem usar seu chi. Qualquer plebeu que nunca nem tentou cultivar pode fazer seus dentes crescer, dado tempo o bastante. O que Taduk tem te ensinado?

O que? Não, isso não está certo. Eu lembro de me sentir surpreso que meus dentes cresceram depois das minhas sessões de treinamento com Baatar. Isso não é normal.

— Você… você tem certeza? Porque eu não acho que isso seja verdade… — Eu reencarnei como um tipo de ser humano diferente?

— Claro que eu estou certo, eu estudei a minha vida inteira para ser um médico. Na primeira vez que eu rescreci o membro de alguém, você nem ao menos era nascido. Eu fui julgado como “aceitável” e recebi o título de Médico há mais de cinquenta anos. — Ele levanta o nariz para mim, seu orgulho aparecendo. Eu sempre tenho problemas para julgar a idade de alguém, Tokta parece ter uns 40 anos de idade talvez, mas se ele está nessa há mais de cinquenta anos, o quão velho ele realmente é? Ele é um humano também, então eu não achava que ele era um velhote. — Contato que a raiz esteja ilesa, o dente vai crescer tantas vezes quanto forem necessárias, como muitas plantas. Há muitos herbalistas e iátricos que vão remover dentes para plebeus, e o honorário é geralmente bem baixo.

Com um pequeno som de triunfo, Tokta se vira de volta para mim, já que ele consegue achar o que estava procurando, e seu rosto escurece.

— Pare de pensar coisas rudes, eu não sou velho o bastante para ser senil. — Sério mesmo… Leitura de Mentes. Alguém precisa me ensinar como fazer isso. Me entregando um tomo grosso, preso com couro, etiquetado simplesmente como “Anatomia”, ele começa a sair da tenda. — A fim de recriar orgãos ou membros funcionais você precisará de premeditação e planejamento, começando com um conhecimento detalhado sobre anatomia. Você não pode estudar só os capítulos do braço, mas também as seções anteriores, sobre ossos, tendões, juntas, e tudo isso. Uma vez que você tenha entendido como tudo funciona, você precisará usar seu chi para recriá-las, pedaço por pedaço, camada por camada. Você não pode recrescer os ossos primeiro, e, então, músculos, e por aí vai, você deve se mover do seu ombro, restaurando o bíceps como um todo, então o cotovelo, e daí o braço até a ponta dos seus dedos. Estude bem, volte a cada noite depois do jantar, e não tente recrescer seu braço até que eu esteja satisfeito com a profundidade do seu conhecimento, o que é improvável de acontecer tão cedo.

Me expulsando de sua tenda, ele volta a trabalhar, me dispensando sem nem ao menos um tchau. Olhando para o livro, eu passo pelas páginas amarelas do pergaminho, olhando para os diagramas detalhados e ao grande quantidade de caracteres, minha cabeça girando da quantidade de conhecimento que eu vou precisar aprender. Nesse ritmo, vai levar anos até eu sequer estar pronto para começar. Não admira que ele não estivesse confiante nas minhas habilidades. Ou talvez ele só estava se livrando de mim, já que não parecia muito animado em me ensinar. Não, não, ele não faria isso, se ele não quisesse me ensinar, ele só diria que não.

Desencorajado e desanimado, eu volto para minha tenda lentamente, minha mente afundada em meus pensamentos. Isso parece tão… trivial. Quero dizer, onde está a mágica? Curar com chi é uma das melhores coisas inventadas, eu posso sentir o misticismo nisso, uma energia invisível flui em mim, consertando minhas feridas sem direção, ou curando o que eu quero com um simples pensamento. Isso… isso é só estudo. Pensando de volta em como eu fui curado antes pelo Taduk depois do meu probleminha com a cobra, eu lembro de comparar aquilo a tecer uma tapeçaria com mil agulhas de uma vez, mas parece que eu subestimei a dificuldade. É como tecer um braço funcionando de fato enquanto você sofre a dor dos novos nervos crescendo, com nada além da sua mente. Eu pensei que seria mais fácil do que isso.

Eu acho que faz sentido. Naturalmente, curar com chi funciona porque o corpo teria curado aquelas feridas de qualquer jeito. É por isso que apesar de muitas pessoas serem capazes de se curar com chi, iátricos ainda tem um lugar no mundo, para consertar os problemas que o corpo não consegue naturalmente, como dores crônicas, juntas inchadas, infecções ruins, ou tumores. Muitas dessas coisas são curadas com remédios herbais ou cirurgia, e o corpo se cura por conta própria lentamente. Para outras doenças, algum conhecimento e ajuda física são necessários. Por exemplo, para reinflar meu pulmão desabado, eu tive de enfiar uma agulha oca no meu peito, porque eu não conseguia consertar aquilo com chi. O buraco no meu peito e pulmão foram consertados facilmente em comparação.

Isso é uma merda, eu quero um método mais fácil para recrescer meus membros. Ao chegar em minha tenda, eu me deito perto de Sumila, que está jogando xadrez com Li Song fora da própria tenda delas, bem ao lado da minha. Adujan se senta por perto, novamente em profunda meditação, obcecada com seu treinamento.

— Sua lição com Tokta foi rápida. — Sumila sorri para mim enquanto pega o batedor de Li Song, e embora o rosto da garota-gato não mostre nenhuma expressão, sua cauda ficou ereta com a ponta dobrada, e suas orelhas se contorcem sem parar em sua cabeça, parecendo estar se divertindo muito apesar da sua derrota inevitável. É mais fácil ler a linguagem corporal da Li Song do que suas características faciais belas e apáticas. Mordendo seu lábio em concentração enquanto pensa em seu próximo movimento, ela é uma visão adorável.

— Sim, foi basicamente “leia isso”. — Levantando o livro para que ela veja, eu o coloco no meu colo enquanto vejo as duas jogarem. O jogo parece familiar para mim, mas ao mesmo tempo diferente. Li Song adora brincar com jogos, porque, provavelmente, ela nunca brincou um dia antes em sua vida, pobre garota. Sumila deu a ela um conjunto de xadrez feito de madeira e talhado a mão depois de descobrir o quanto ela gostava de jogar e, desde então, Li Song vai arrumar a pequenina mesa e sentar na frente dela no seu tempo livre. Ela nunca pede a ninguém para brincar, mas se alguém se sentar na frente dela e fazer um movimento, ela vai responder. É muito fofo ver ela se sentando lá, suas orelhas rentes a sua cabeça enquanto sua cauda vai para lá e para cá, ombros caídos enquanto ela espera alguém para brincar com ela.

Sumila também está sempre disposta a jogar, mas ela não tem misericórdia. Eu não acho que ela sequer tenha chegado perto de perder, dominando cada partida, uma batalha curta acabando com a maioria de suas peças ainda na mesa. Me ajeitando, eu decido ler um pouco antes de dormir. O sol ainda não se pôs, e eu começo a passar pelas palavras lentamente, ouvindo os sons de Sumila explicando com paciência e gentileza a razão por trás do porquê cada movimento que Li Song faz é uma decisão ruim, implacavelmente se aproveitando de cada erro com um sorriso em seu rosto com sardas. Li Song se senta parada como uma pedra, consideração cuidadosa indo para cada movimento enquanto ela delibera lentamente sobre as possibilidades, apenas para Sumila agir imediatamente, tomando outra das peças de Li Song bem frequentemente.

Depois de uma hora ou quase isso de leitura de descrições da anatomia humana secas e chatas, eu estou pronto para arrancar meus cabelos. O livro é 100% sobre anatomia, sem nenhuma menção à cura em qualquer lugar a vista. Apesar de eu ter estudado um pouco sobre isso com o Taduk, eu nunca prestei muita atenção nisso, pois na maior parte das vezes eu memorizava ervas e fórmulas medicinais, procurando algo que eu pudesse fazer facilmente e vender. Auto-cura era tão fácil, eu achei que continuaria assim, só alimentando energia no processo e deixando-a fazer seu trabalho. Não achei que eu iria precisar de tanto conhecimento só para fazer magia. Que merda, estudar é um saco. Fechando o livro, eu descanso minha testa no couro, desejando que a informação dentro dele pudesse ser simplesmente enfiada diretamente no meu cérebro. Isso seria demais.

— Problemas com seus estudos? — Sumila conversa comigo enquanto move seu escaramuçador em direção a um peão e tomando o monge de Li Song, pavimentando o caminho para o cheque-mate em três movimentos. Li Song permanece sentada em quieta contemplação enquanto considera seu próximo movimento, embora ela não tenha nenhuma escolha viável. Ela ainda não é muito boa no jogo, perdendo cada partida, mas só aprendeu poucos dias atrás e a Sumila é boa pra caralho nesse jogo.

— Eu não sei, não é o que eu esperava da cura. É tão direto e complicado, diferente de como foi a manipulação do chi até aqui. Normalmente, ou eu faço, ou eu fico tentando até conseguir, sem conhecimento necessário.

— Bom, isso é porque até aqui, você não esteve realmente manipulando chi, só guiando ele. — Sempre tão prestativa, a adorável Sumila se vira para mim com um sorriso em seu rosto. — Auto-cura dessa magnitude é um dos usos internos de chi mais difíceis. Você esperava aprender isso em um dia?

— Na verdade, não. — Taduk sempre disso que logo eu estaria curando outras pessoas, mas então ele deixava escapar que esse logo era de cinco a dez anos. Muito perto. Eu acho que tempo corre de forma diferente quando você espera viver por vários séculos. Eu me pergunto o quão velho Taduk é? — Eu acho que eu estou só entediado com toda a leitura técnica. Ela cria mais perguntas do que responde.

Sumila me dá um olhar paciente, indicando que eu posso continuar perguntando, e eu tomo proveito total disso, sorrindo para ela em agradecimento. — Para começo de conversa, se eu direcionar a criação do meu braço faltando, eu posso modificar ele, fazer ele melhor, mais rápido, mais forte? — Nós temos a tecnologia. Eu posso fazer ele escamoso e com armadura, ou com garras saindo entre os nós dos meus dedos?

— Não. — Eu quase consigo escutar o implícito “seu idiota” no tom dela. — Você não pode forjar um corpo mais forte através de chi, ou adicionar aprimoramentos.

— … Por que não?

— Porque é assim que o mundo funciona. Há limites, e criar carne artificial é um deles. Quando você recrescer seu braço com chi, ele será igual ao que era antes, nem mais forte, nem mais fraco, do mesmo jeito que quando você cura suas feridas. — Ela move uma peça para o cheque-mate e deixa Li Song examinar a mesa, estudando aonde ela errou.

— Porém, isso não é sempre verdade. Eu me feri por muitos anos, e quando eu medito, minhas feridas são reparadas e isso me deixa mais forte do que antes. — Acertar tábuas e ser acertado com bastões não é agradável, e isso me fez ganhar alguns rumores bem desagradáveis sobre minhas preferências e mentalidade. Pequenas vilas sempre são cheias de fofocas com nada melhor para fazer. — Fraturas por repetições nos meus ossos são curadas e reforçadas, meus músculos sobrecarregados se tornam mais fortes e duráveis. Eu sou mais baixo e magro do que a maioria, mas peso quase 100 kg, prova de que meu corpo é mais denso do que os outros.

Balançando sua cabeça enquanto ela reseta a mesa com Li Song, ela me dá um olhar de desamparo. — Exceto que você não está se curando com chi, você está se fortalecendo com a Energia dos Céus, algo que todo mundo faz quando medita. Tudo que você faz de diferente é que se fere ao ponto de parecer estúpido antes de meditar, permitindo que seu corpo físico absorva um pouquinho mais de Energia do que seria possível. Mamãe diz que é como espantar moscas com uma lança pesada, pequenos resultados com grande esforço.

Ela volta para seu jogo, dando novos conselhos para Li Song, sempre ajudando os outros. A mulher que eu casei em meus sonhos era muito assim também, uma alma caridosa e uma amante generosa. Expulsando meus pensamentos ociosos, eu volto a tentar descobrir um caminho mais fácil para reparar meu braço. Então, se curar com chi é só voltar meu corpo a um estado anterior, quando o novo estado é salvo? Se eu cortar meu mindinho eu seria capaz de reconectá-lo facilmente se eu fosse rápido o bastante? E se eu pegar o braço de alguém, eu posso conectá-lo a mim?

Eu não faria a segunda opção, é só uma especulação, mas se for possível, então isso abre novas linhas de pensamento. Com o direito a talvez só um braço de urso. Ha, que pena que a piada só funcione em Português. Eu deveria fazer alguns testes em relação a minha primeira ideia, talvez cortar meu dedinho do pé e ver se eu consigo reconectá-lo rapidamente. Não, eu ponho meu peso nos meus dedos dos pés quando ando, o mindinho seria mais ideal. Só a ponta, o bastante para eu descobrir se consigo reconectá-lo. Eu abro minha boca para perguntar a Sumila se ela me ajuda a cortá-lo, mas mudo de ideia antes de falar, decidindo ir dormir antes de começar a me mutilar, ou pelo menos, perguntar a alguém sobre isso. Isso não vai ser divertido, eu posso imaginar a reação de Tokta às minhas perguntas, mas é melhor do que me cortar sem razão.

Me despedindo, eu cuido das minhas necessidades antes de ir dormir, a noite ainda jovem. Adujan ainda está meditando, então eu preciso dormir antes que ela entre na tenda ou do contrário eu ficaria animado demais para dormir. Me deitando na escuridão, minha mente continua a passar pelas coisas que eu sei e coisas que eu deveria tentar. Eu duvido que possa enxertar partes de animais no meu corpo, não é possível que eu seja a primeira pessoa a pensar nisso. Eu vou continuar a estudar o livro, e falar com o Tokta a noite. Eu não posso parar de praticar o resto, mas um pouco de leitura vai ser uma boa mudança de ritmo. Eu posso acabar tendo que esperar por Taduk.

Minha mente começa a derivar no meu mar de consciência, aquele momento abençoado entre estar acordado e dormindo onde a inspiração sempre parece atacar, mas você está sonolento demais para ligar. Visões de mim flutuando diante dos meus olhos, batalhando com braços de urso, rasgando Corrompidos com minhas patas gigantes, esmagando Demônios com meus punhos de urso, imparável com toda minha glória peluda.

— Você pensa nas coisas mais interessantes, irmão. Isso é realmente possível? — Meu alter ego aparece ao meu lado, cheio de falsa confiança, suas menores hesitações traindo meus pensamentos interiores, seus braços pendendo de seu corpo, quebrados e agredidos. Olhando para ele, e, então, meus braços de urso, eu suspiro profundamente e me sento, colocando minha mão com garras, macia e peluda, em meu rosto.

 

Eu posso realmente ser maluco.

 

Maravilha.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

10 Comentários

  1. Esse Rain, pensando em transformar o próximo braço em braço biônico? hauahuhauh
    Mas, para falar a verdade, eu também penso assim, será mesmo que não da para mudar algumas coisas não…

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