DS – Capítulo 85

Pulando para trás, Akanai se defendeu contra o ataque de Du Min Gyu, uma rajada sólida de vento acertando seus antebraços, mandando ela para trás, suas botas cavando um buraco no chão. Depois de dias caçando Corrompidos sem descanso, lutando múltiplas batalhas e o esforço mental de terminar o trabalho, ela estava exausta demais para esses jogos tolos, mas ainda os jogava bem. Como as coisas desmoronaram tão rapidamente? Um único pedido por Li Song, e agora o caos reinava ao redor deles. Enviando uma mensagem para seus Sentinelas, ela os instruiu a não matar e a lutar de mãos vazias, a menos que os oponentes sacassem primeiro. Essa medida punha em risco seus guerreiros, mas melhor perder alguns deles do que todos serem sentenciados a execução, a penalidade por lutas internas enquanto a Lei Marcial estivesse em vigor.

Se concentrando, ela rapidamente observou seus arredores, seu oponente contente em esperar, confiante em sua força como ele tinha razão para ser. Não era surpresa que Kai era arrogante daquela maneira, com alguém tão poderoso como Mentor. O toque frio do vento cortante passava por ela para convergir ao redor dele enquanto ele se preparava para um golpe poderoso. Os sentidos dela gritavam que aquilo era perigoso, uma mão atrás de suas costas, a outra esticada, convidando ela para atacar.

Ela avistou sua filha, bem atrás com a mão na arma, assistindo de olhos abertos, enquanto a garota que era o cerne deste problema estava de costas, lentamente andando até Mila sem ligar para nada, o conjunto de xadrez ainda segurado em seu peito. Alsantset estava bem dentro da luta, combatendo o guarda escravo chamado Kyung que estava lidando com a garota feroz com surpreendente facilidade. Por perto, Dagen estava rindo como um maníaco enquanto segurava os pescoços de dois guardas com ambas as mãos, suas pernas chutando o ar. Ele acabou de ser liberado da tenda dos Médicos nesta manhã com um aviso severo de levar as coisas mais devagar, mas estava fadado a retornar conforme um terceiro guarda se aproximava e começou a socá-lo nas costelas, fazendo-o soltar ambos os guardas e cair de joelhos, se cobrindo da chuva de golpes logo após.

Por todo lugar, lutas ocorriam, mais Sentinelas se aproximavam para igualar os números. Akanai trouxe o seu melhor, mas esses vinte guardas eram elites, no mínimo oponentes para os Sentinelas dela, mesmo depois dela ter nocauteado alguns deles. Diga o que for sobre Du Min Gyu, mas o homem sabia como criar um guerreiro. Vários Sentinelas foram rapidamente retirados de ação, mas alguns dos guardas foram derrotados também, uma multidão crescia ao redor deles conforme soldados aplaudiam e faziam apostas, gritos de apreciação soando pela incrível demonstração de força marcial, muitos olhos nela, esperando por seu próximo movimento. Uma luta de experts não era algo visto com frequência, e a fome em seus olhos era clara.

Um impacto a tirou de seus pensamentos, um ataque de longa distância de Du Min Gyu que estava de pé ereto, não mais encurvado e mancando, sua paciência no seu fim. Mila o descreveu como frágil e tremendo, que ele ficou encarando o nada por horas e que ela se preocupava por sua mente, mas esse puto não era nada disso. Um ar ameaçador rodando ao seu redor enquanto ele estava pronto para o ataque dela, seu olhar aguçado o bastante para enchê-la com precaução. Incapaz de se restringir por mais tempo, Akanai avançou com alegria para testar suas habilidades.

Encontrando sua investida, os dois começaram uma troca furiosa de golpes, Akanai jogando socos e chutes sem parar, dependendo de sua velocidade para passar por suas defesas, mas era como se ele fosse de papel, flutuando no ar, algumas vezes lentamente, outras vezes acelerando. Sua palma espantando seus ataques como se fossem moscas, o impacto pungente reverberando em seus ossos, entorpecendo seus membros. Para cada cinco ataques dela, ele iria contra-atacar com um, mantendo essa proporção independente se os ataques fossem rápidos ou devagares, um sorriso desdenhoso em seu rosto enquanto ele brincava com ela com uma mão.

Um impacto forçado acertou os seus ante-braços que estavam levantados e seus pés deslizaram quase três metros para trás, arrancando a pouca grama que restava até que ela conseguisse se recuperar e recuar. Limpando uma pequena trilha de sangue de seu queixo, ela encarou seu oponente, que deu a ela um olhar desdenhoso enquanto permanecia de pé orgulhoso, ainda com uma mão atrás das costas. Com poder, velocidade, e técnica, esse homem era um oponente formidável, mas ela ainda não revelou todas as suas cartas. No mínimo, ela o faria usar as duas mãos.

Circulando seu chi, ela Fortaleceu seu corpo e bateu as mãos uma vez, tomando sua postura, ambos os punhos esticados para frente, Forma do Touro, “Chifres Gêmeos”. Indo para frente, ela atacou com ambos os punhos, mirados no ombro e quadril, apenas um dos dois foi interceptado, sua mão esquerda acertando seu ombro, mandando ele para o lado. Um segundo golpe de dois punhos ganhou a ela um golpe de relance no peito, e com o terceiro, ele finalmente engoliu sua arrogância e usou ambas as mãos, apenas para cair em uma finta pela qual ele recebeu uma cabeçada dela. Seu nariz sangrando, ele cambaleou para trás, uma careta furiosa em seu rosto. Ela sorriu para ele, levantando sua mão para cima, incitando ele a se aproximar, espelhando seu desafio de mais cedo.

Eles se encontraram mais uma vez, trocando golpes enquanto circulavam o pote de incenso e oferendas, Du Min Gyu não mais brincalhão, seus ataques variados e ininterruptos. Não mais ela precisava bloquear suas duas mãos e pés, mas também precisava tomar cuidado com seus ataques usando o vento, mais de um acertando ela na armadura, mandando ela para trás repetidas vezes enquanto sua atenção estava em outro lugar. Se ele estivesse realmente tentando matar ela, seria difícil escapar ilesa, mas o mesmo poderia ser dito se ela estivesse mesmo tentando matá-lo. Ambos sabiam dos riscos, mas seus espíritos de luta foram acesos, e não havia mais volta.

Acertando um poderoso chute frontal, Akanai mandou seu oponente voando pelo ar como se estivesse montado em uma corrente de ar, pousando levemente a alguns metros atrás. Sua troca furiosa pausada enquanto ele tomava sua postura, seus dois braços balançando em um padrão hipnótico na frente dela, o uivo do vento desaparecendo enquanto o som se movia além do alcance da audição natural, o redemoinho visível de poeira ainda circulando seus pés.

Levando seu braço direito para trás de seu quadril e seu braço esquerdo para frente, ela se moveu, “Equilíbrio na Folha ao Vento” indo para “Perfurando o Horizonte”, sua posição favorita em duelos. A palma direita dela acertou as mãos defletoras dele e o impacto explodiu passando pelas defesas dela, a terra explodindo para cima ao redor deles enquanto ele direcionava a força para longe dele. Se ela não tivesse protegido suas orelhas com uma camada de chi, seus tímpanos teriam se rompido devido ao barulhos estrondosos que seguiram, um do movimento dela, o outro do impacto deles.

Os dois ficaram parados lá, o braço dela totalmente estendido, as mãos dele bloqueando os dedos dela que pressionavam contra seu peito, e a poeira baixou ao redor deles, ambos respirando ofegantes enquanto piscavam para tirar a poeira dos olhos, bem iguais em força. O sorriso dele era igual o dela. Era uma coisa rara encontrar um oponente com força tão próxima, especialmente em suas idades avançadas.

— Parem! — A voz explosiva tirou ela de seus pensamentos e ela rapidamente recuou, se virando para o som dos Executores forçando seu caminho pela multidão, o Juiz marchando para a frente com sua Medalha de Autoridade levantada para o alto. Os espectadores recuaram e saudaram uma vez assim que o notaram. Muitos soldados chegaram ao ponto de abaixar suas cabeças para estar abaixo da medalha. A máscara inexpressiva do Juiz proeminente mostrava seus olhos marrons, estreitados em fúria conforme ele se aproximava deles, e ela saudou também. Du Min Gyu sacudiu suas mangas e fez o mesmo, pouco tempo atrás. Ele já voltou ao seus jogos de dominância, mesmo com a ameaça de execução tão perto. Homem infantil e insuportável.

Parando na frente deles, o Juiz falou de novo:

— Ajoelhem-se perante a autoridade do Imperador. — Murmurando por dentro, ela se ajoelhou, cabeça arqueada e as mãos juntas em seu colo. Incômodo. — Dois Tenentes-Generais duelando até a morte no campo, com a Lei Marcial ainda em vigor! Tolice e irresponsabilidade, especialmente com o estado do Império. Nossa sobrevivência em risco e nossos estimados guerreiros estão tentando se matar. Que desgraça. — A voz do Juiz era dura e condenatória, abafada por sua máscara. — É com pesar que eu julgo os dois culpados pela Lei Marcial, pela qual a pena é a escravidão ou a morte de todos os grupos envolvidos.

Um choro sufocado da multidão, pequena Mila soluçando com suas palavras, e Akanai lutou contra o desejo de correr e confortá-la, mas ela permaneceu ajoelhada. O Juiz iria permitir que alguns escapassem, como ele tinha dito, pois executar dois Tenente-Generais em tempos de guerra era estupidez.

O Juiz continuou a falar e ela usou esse tempo para circular seu chi, dissipando a tensão em seus músculos e as menores feridas internas causadas pelos golpes das palmas de Min Gyu.

— Caso ambos escolham a morte, e dado que sua força ainda é necessária para defender o Império, o instigador será executado hoje enquanto a execução da outra parte será adiada até que a Lei Marcial seja rescindida e o comando seja aliviado. Qual de vocês dois começou tudo isso? Eu vou precisar de um juramento pelos céus de ambos para confirmar.

Era melhor do que ela podia esperar. Na maioria das vezes, um Juiz iria favorecer o Exército Imperial, mas aqui, ele falou as consequências sem saber qual lado tinha iniciado a luta. Agora, ela só precisava abrir sua boca e condenar Du Min Gyu à morte. De manhã, ela enviaria notícia para Shen Huo e recuaria seus Sentinelas para casa, evitando sua futura execução. Custaria demais para o Império enviar soldados para executá-la e tudo que suas pessoas sofreriam seria um embargo comercial, um incômodo simples de se evitar.

Um vortex de vento começou a se formar ao lado dela, e ela olhou para Du Min Gyu, seus olhos arregalados em incredulidade. Ele ia tentar matar o Juiz? Idiota, isso iria matar a todos dentro de uma decana! Tossindo alto, ela tentou falar apressadamente de maneira mais educada o possível, rezando para Mãe que esse tolo fosse segurar seu ataque.

— Essa serva do Imperador desejaria falar e defender suas ações.

— Fale, mas agora eu tenho pouca paciência para suas desculpas.

— Eu acredito que houve um mal entendido. Isso não era um duelo. — A reunião de vento desacelerou com suas palavras, e ela rapidamente continuou. — Tenente-General Du Min Gyu e eu estávamos simplesmente treinando combate. É raro para nós encontrarmos outro Guerreiro Marcial tão igual em força e nós simplesmente não pudemos desperdiçar essa oportunidade, apesar das circunstâncias. — Se ela apenas pudesse Enviar, mas ela não era familiar o bastante com a aura do homem, e nenhuma comunicação passaria despercebida pelo Juiz.

Segundos tensos e silenciosos passaram conforme o Juiz estava na forma ajoelhada dela, deliberando suas palavras enquanto ela encarava suas botas, rezando para Mãe que ele aceitasse sua explicação, que ele estaria disposto a deixar passar a mentira óbvia para salvar dois Tenentes-Generais. Senão, ela encontraria uma execução imediata, a penalidade por falso testemunho. Finalmente, o Juiz, cansado e vazio, perguntou:

— Tenente-General Du Min Gyu, você tem algo a dizer?

— Se eu quisesse matar ela, eu teria uma arma em minha mão, seu tolo cego e ignorante. — Incrível. O bastardo rabugento não perdeu nada de sua arrogância, mesmo quando ajoelhado com sua cabeça abaixada diante do Juiz, a ameaça de morte pendendo em cima de sua cabeça. — Volte para sua tenda fedida, seu cão sem mãe a mando de um burocrata irremediável. Você nos interrompeu no pico da nossa batalha.

O Juiz parecia em um impasse enquanto permanecia parado na frente deles, até que soltou um som: uma risada simples e curta. Suspirando, ele falou mais uma vez:

— Eu revogo meu Julgamento anterior, pelo visto eu fui apressado demais com minha decisão. Um juramento dos dois que não haverá derramamento de sangue entre as duas partes até que a Lei Marcial seja revogada. — Akanai rapidamente sacou sua adaga e fez um Juramento, conforme seu oponente levantou a cabeça e encarava o Juiz com ódio, se encarando por quase um minuto antes dele relutantemente fazer seu juramento, xingando baixinho enquanto o sangue caía de seu antebraço. Satisfeito com o resultado, o Juiz se virou e foi embora, partindo tão rápido quanto chegou.

Assim que ele se foi, Akanai foi emboscada, por Mila que correu para seus braços. Ainda ajoelhada, Akanai abraçou sua filha chorando, afagando ela na cabeça enquanto sussurrava de maneira calmante. Depois de se acalmar, Mila secou seus olhos e a repreendeu:

— Aquilo foi tolice, Mamãe. E se ele tivesse exigido um juramento para saber a verdade? Você deveria ter deixado esse velho tolo ser executado.

— Fique quieta agora, filha, eu tenho problemas o bastante sem sua boca adicionar mais deles. — Outro abraço para tirar a picada de suas palavras, ela Enviou a razão real, advertindo ela para manter silêncio. Ficando de pé, ela se espreguiçou e se virou para falar com Du Min Gyu, mas ele já estava indo embora, encurvado e mancando, parecendo exatamente com um velhote inofensivo, exigindo para seus escravos por mais uma mesa e algum chá. Suspirando para si mesma, ela se virou para Mila. — Venha comigo e traga Li Song, nós ainda precisamos acertar as coisas com ele.

Andando com cuidado em direção ao homem sentado, suas feridas começando a acusar dor, Akanai esperou pacientemente enquanto os guardas escravos arrumavam uma pequena mesa e duas cadeiras em frente ao cinzeiro. Tomando seu assento, ela mandou Mila e Li Song para um lado para caso Min Gyu explodisse de novo, e despejou para si um copo de chá, deixando o dele vazio. Ela até que gostava dessas trocas não-verbais, não tanto quanto combate de verdade, mas o pequenos espasmos de irritação em seu rosto faziam ela se divertir, sua expressão neutra conforme ele se sentava com um cotovelo na mesa, encarando o cinzeiro na esquerda dela.

Tomando o chá de uma vez, fazendo nenhum sinal de estar aproveitando, ela se sentou em um silêncio confortável enquanto ele afagava seus mantos, pegando um cachimbo quebrado, seu rosto desamparado e sem energia, brincando de ser um tolo frágil.

— Kyung! Meu cachimbo reserva. — Uma pequena vitória, ele falou, mesmo que não para ela. Entretanto, ela já tinha uma posição de poder ao salvar sua vida e ele sabia, incapaz de encarar ela, defletindo e se virando para o lado. Ele mexeu com seu cachimbo e logo começou a soltar fumaça feliz da vida, o doce aroma de Fumaça do Sonho se elevando de seu cachimbo. Uma substância viciante, usada para entorpecer dor nos mais idosos. Ela sentiu uma pontada de pena pelo guerreiro humano. Tão poderoso, mas perto do fim de sua vida natural, era uma pena.

Ela esperou pacientemente para ele reunir seus pensamentos e falar, e depois de um curto tempo, ele se levantou e mudou o incenso, antes de se sentar novamente sem uma palavra. Duas vezes mais isso aconteceu, o tempo passando rapidamente conforme ela continuava a curar suas feridas. Todos os ataques dele acertaram a armadura grossa dela, provavelmente a incitando a atacá-lo, para que ele pusesse por toda a culpa nela. Um bastardo astuto.

Suas orelhas se atentaram quando ela ouviu Mila sussurrar para Song:

— Então, aquele guarda Kyung é seu irmão? Por que você não disse nada antes? Eu nem percebi que o velho te conhecia. — Aquela Mila se referindo a ele como “velho” fez Akanai se encolher um pouco. Ele mal tinha mais de 100 anos pelo visto, dificilmente um velho.

— Desculpe, Mestra, essa escrava falhou com você, ela não pensou. — Suas palavras eram frequentemente repetidas em seu tom monotônico de voz, mas pelo menos ela não tentava mais se estapear. — Professor Du me comprou e me instruiu por vários anos antes de me dar como presente para o antigo Mestre. De acordo com o mercador que me vendeu, eu tenho a mesma descendência materna que o Chefe Kyung.

Interessante. Akanai esteve impressionada com a força de Song, assim como a força dos outros escravos de Min Gyu. Uma pena que ele era um puto tão espinhoso.

— Isso é maravilhoso! Você deveria ir falar com ele, ver como estão as coisas. Eu tenho certeza que você sente falta dele. Vocês eram próximos?

De repente se virando em direção a eles e cuspindo na grama, Du Min Gyu fez um som de nojo.

— Criança tola. Pare de tentar arruinar a escrava do meu discípulo, colocando coisas sem sentido como jogos e família em sua cabeça. Ela é uma ferramenta, uma arma, não um brinquedo para garotinhas ter como amigos. Eu exijo que você devolva a corrente dela para mim. O cadáver do meu discípulo estava pelo menos frio quando você a pegou dele? Que vergonhoso. — Sua aura cercou Mila, suas palavras infundidas com chi, ameaçando ela com sua Intenção Assassina, e Akanai quase pulou para frente para arrancar a garganta dele antes de se acalmar. Era apenas uma ameaça menor, nada que Mila não pudesse lidar.

Ela observou com orgulho enquanto Mila circulava seu chi e esmagava sua Intenção, seus olhos arregalados em indignação conforme ela retrucava:

— Eu não tomei nada do cadáver dele, seu velho idiota, ela nos foi dada pela Sociedade como parte das reparações que nós tivemos devido a partidas arranjadas, feitas pelo irmão do seu discípulo. Foi uma apreensão legal seguida de reparação e se você tem problema com isso, pode reclamar com a Sociedade.

— Filha, esse homem é um Tenente-General, e você falará com ele com respeito. — A voz de Akanai estava calma, com pouco fogo na reprimenda, mas a última coisa que ela queria era alguém provocar ele. Com um juramento feito, seria difícil de resolver as coisas. — E você, Du Min Gyu, você não irá atacar minha filha novamente. — Dessa vez, a ameaça estava clara. Algumas coisas não eram feitas.

— Hmph. Então, a pequena ajudante é sua filha. — Ele pausou um pouco, sua mente refletindo antes de olhar para Mila novamente. — Você irá jurar pela validade de suas palavras?

— O Juiz pode demandar juramentos, você pode… 

Akanai olhou para ela e Mila engoliu suas próximas palavras, murmurando baixinho. Algo precisaria ser feito quanto a linguagem dela. Rain e Adujan mancharam a filha preciosa dela com suas bocas sujas.

Depois de alguns minutos de silêncio, pontuados apenas pelo som do cachimbo, Du Min Gyu falou com Akanai mais uma vez:

— Bem treinada para a idade, boca suja, mas impressionante. Uma boa filha que você criou.

Assentindo, Akanai retornou o cumprimento.

— Algum parentesco com o Coronel Du Kang Bing?

— Neto de um primo de segundo grau. Devia ao sobrinho um favor e aceitei o menino como um estudante depois que veio a público que eu estava ensinando. Ensine um, ensine dez, ensine cem, não tem diferença nos olhos de todo mundo exceto do professor. Um incômodo.

— Bom soldado, dê a ele meus elogios. Ele é do nordeste como nós, em um lado das fortalezas. Tive de deixar ele para atrás para ficar de guarda, cavalaria não é boa nessas florestas. — Ambos ficaram em silêncio mais uma vez e Akanai teve de lutar contra a vontade de batucar os dedos enquanto ela esperava Min Gyu esvaziar as cinzas de seu cachimbo, antes de mais uma vez acender mais alguns bastões de incenso.

Mais uma vez, ele esticou sua mão para Mila.

— Me dê a corrente da escrava. Se ela corroborar com sua história, ela será retornada a você imediatamente e o assunto será esquecido. Eu vou partir seis dias depois de seguir os rituais funerários apropriados. — Ele suspirou, como se estivesse fazendo alguma grande concessão.

— Li Song é minha amiga e eu não vou devolvê-la para animais. Diga para ele, Mamãe.

Sentando quietamente, Akanai pensou na proposta.

— E quanto à morte de seu discípulo?

— Não foi sua culpa. A guerra tomou sua vida, mas ele era um soldado. Perdi meu temperamento ao ver a escrava. — Aquilo parecia o mais perto de uma desculpa que seu orgulho permitiria, e Akanai se virou para Li Song, estudando a garota tímida, suas orelhas coladas em seu crânio.

Este seria o melhor resultado, nem amigo nem inimigo de Du Min Gyu, e seria tolice não tentar.

— Li Song, você está disposta? Se não, então diga não e eu vou te defender com minha vida.

Song continuou a sentar lá, mordendo seu lábio enquanto ela encarava o chão.

— Essa escrava é para ser dada ao Professor Du?

— Apenas para questionamento, e, então, você será devolvida a Mila. — Akanai tentou soar gentil, mas pareceu cansada. A garota simplesmente acenou com a cabeça, e depois de olhar, Mila foi para frente, segurando a mão de Song enquanto ela entregava o colar para Du Min Gyu, que começou a questionar Li Song, uma careta em seu rosto enquanto ele ouvia ela falar dos eventos, começando pelo primeiro encontro deles no restaurante e terminando com a entrega dela para Alsantset no Quartel-general da Sociedade.

A capitulação terminou, ele se sentou no lugar, abatido e com raiva, sua mão batucando na mesa.

— Esse menino Rain. Eu gostaria de conhecê-lo. — Seus olhos prometiam violência se eles se encontrassem, e Akanai tentou bolar uma desculpa.

— Professor Du já encontrou com ele. — Song respondeu sem pausar antes que Akanai pudesse falar. — Ele te guiou para a Capitã Senior Alsantset essa manhã.

— … A criança com um braço? — Du Min Gyu parecia em choque por um momento, antes de emburrar e jogar sem cerimônias a corrente para Mila. Ele respirou fundo como se estivesse prestes a explodir, mas ele segurou suas palavras e suspirou com tristeza. — Discípulo tolo, arrumando briga com uma criança. Ensine ao garoto alguns modos ou o mantenha longe de pessoas civilizadas. — Rindo, ele olhou Akanai nos olhos. — Eu passei vinte minutos com o menino e ele quase me insultou também. — Se virando para o cinzeiro, ele abanou a mão para ela, efetivamente dispensando-a.

Incapaz de simplesmente ir com sua ordem, Akanai lentamente bebeu seu chá, se servindo um segundo copo e bebendo lentamente também, antes de finalmente se levantar e partir com Mila e Li Song. Assim que estavam fora de vista, ela soltou um longo suspiro. Ela só podia esperar que Du Min Gyu mantivesse sua palavra. Ele era um oponente difícil aqui fora, com apenas vinte guardas. Um homem teimoso e obstinado, e ela se preocupava que ele iria atacar independente das circunstâncias. Parecia que ela teria de enviar Alsantset para lidar com os Corrompidos, enquanto Du Min Gyu permanecesse, ela não deixaria o acampamento. O homem era insano o bastante para contemplar atacar um Juiz. Ele era instável.

Exausta, ela entrou em sua tenda, irritada que teria de ouvir o conselho dele. Rain realmente teria que aprender alguns modos ou ficar em casa. Ela simplesmente não podia ter mais inimigos, especialmente não do calibre de Min Gyu.

 

Realmente problemático.

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

10 Comentários

  1. To impressionante, dois capítulos com treta e nem sinal do Rain, deve ser um recorde no mundo atua
    PS: “Para casa cinco ataques dela” não tem 5 casas envolvidas na luta

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