DS – Capítulo 86

Se sentando, Adujan chutou para o lado seu cobertor e esticou suas pernas, cutucando Rain com seu pé enquanto ela se vestia, ela fingiu não notar seus olhares escondidos enquanto puxava suas calças e sorria para si mesma com o rosto vermelho dele. Era divertido provocar ele dessa maneira, mas isso era o mais longe que ela iria, uma pequena vingança por ele confundir Adujan com um homem. Além disso, se algum dia ela fosse dormir com ele, ela preferiria que Rain tivesse os dois braços, indisposta a manchar a memória da sua primeira vez com a clara falta de seus membros.

Não estava decidido que ela casaria com ele, e havia vários homens bonitos que a deram atenção, então ela pretendia manter suas opções abertas, talvez encontrando alguém para guardar para si mesma e não dividir com quem sabe quantas outras mulheres. Ajudando ele a se vestir e ficar pronto, os dois foram para as fogueiras conforme o sol nascia no horizonte, duas tigelas de mingau de arroz quente prontas e esperando, Mila atenciosa como sempre.

Adujan fazia uma careta internamente com o quão adorável Mila parecia, com seu cabelo levemente despenteado e roupas desarrumadas. Song era linda, mas Mila era simplesmente adorável demais, sempre parecendo viva e tagarela, uma brisa fresca de ar em um quarto abafado com seu cabelo até o pescoço jogado para o lado, mantido no lugar com um clip adorável, se sentando com suas costas retas e pernas para um lado. Uma garota adorável e charmosa, Adujan tinha inveja do quão legal ela parecia logo depois de sair da cama, um mundo de diferença de Song, que parecia ter gasto uma hora penteando seu cabelo liso que estava preso com uma trança única e organizada.

Em comparação, Adujan não tinha idéia de como cuidar apropriadamente de seu cabelo, tendo deixado ele crescer e começando a parecer ridículo, quase um bulbo em forma de cogumelo em cima da cabeça dela. Era tudo culpa do Rain que ela tinha que agonizar sobre essas coisas estúpidas. Antes de conhecer ele, ela simplesmente cortava seu cabelo curto com uma faca em frente a um espelho, rápido e fácil, não ligando para sua aparência, mas agora, esta mesma pessoa se preocupava com charme feminino. Ela ainda queria seu cabelo curto, mas também não queria ser confundida com um homem, e já pensou em maquiagem e perfumes, ou vestir roupas mais femininas, mas cada vez que ela olhava para Mila, ela se sentia irritada com o quão feminina a garota conseguia parecer apesar de vestir a mesma roupa padrão dos Sentinelas.

Depois de Rain partir para cagar na mata, Adujan falou baixinho com Mila:

— Você pode me ajudar a cortar meu cabelo? Eu queria tentar parecer diferente.

— Mas é claro! Eu adoraria te ajudar, Yan. — Os olhos de Mila se acenderam, sua animação evidente, e isso fez Adujan se arrepender de perguntar. Embora Mila fosse uma amiga incrível, ela era simplesmente animada e atenciosa demais às vezes, algo que Adujan tinha problemas para lidar. Ela teria pedido para Alsantset, mas desde que Du Min Gyu chegou, seis dias atrás, a mulher mais velha assumiu a responsabilidade de caçar os Corrompidos, e a Reitora Chefe permaneceu no acampamento para manter um olho no guerreiro de idade. — Eu tenho que encontrar Mamãe agora, mas você pode me procurar quando tiver tempo. Eu estive entediada nesses últimos dias. — Mila revirou os olhos enquanto ela mais uma vez reclamava. — Aquele general geriátrico fica sentado lá o dia inteiro, mudando incensos a cada meia hora. É como se o cérebro dele tivesse derretido.

— É um ritual para os que se foram, Mila. Eu acho muito tocante para um homem dos status dele fazer algo assim. — Adujan tinha de admitir, ela ficou um pouco apavorada do velho depois de ver sua demonstração de poder no primeiro dia e sua partida contra a Reitora Chefe. Rain perdeu a luta inteira, estudando na tenda dos médicos e dormindo mais cedo, nem ao menos percebendo que houve uma luta até a manhã seguinte, mas Adujan foi sortuda o bastante para assistir a luta até o fim do duelo. Desde então, ela praticou e treinou com vigor renovado, irritada com sua perda contra Rain com só um braço e enamorada pelo poder mostrado pelos dois guerreiros supremos.

— Oh, foi reconfortante no começo, ver o velho Tenente-General morrendo lá, parado estoicamente enquanto se despede dos mortos, segurando os bastões de incenso até que eles se reduzissem a cotocos, um sinal sincero de respeito de um oficial de patente alta. — Bufando baixinho, Mila continuou a reclamar. — Infelizmente, depois disso, ele acende mais bastões de incenso e só fica sentado lá, o dia inteiro, todo dia, e continua a fazer isso todo dia desde então. Já fazem seis dias, e eu não faço idéia como ele conseguiu trazer tanto incenso para queimar. Meu cabelo e roupas fedem agora e eu estou quase arrancando meu cabelo tendo que assistir ele e Mamãe brincarem aqueles jogos estúpidos de dominação, como quem apresenta a melhor refeição, a cadeira de quem é mais alta, quem consegue ficar em silêncio por mais tempo. Isso nunca acaba. Mamãe deveria ter matado ele. Eu não ligaria de nunca sair das montanhas de novo, os cidadãos do Império são horríveis.

Balançando a cabeça em desistência, Adujan afagou Mila no ombro.

— Eu vou te encontrar depois do almoço. Rain vai ir para a tenda dos médicos estudar e eu geralmente só medito. — Há pouco para se fazer no acampamento, e apesar dos esforços, não foi permitida que ela se juntasse na caçada aos Corrompidos. Até mesmo Mila foi incapaz de ir, revelando que foi repreendida por sua mãe por pedir demais.

Tentando parecer casual, Mila perguntou:

— Houve alguma, é… mudança em sua meditação?

Olhando para a hesitante Mila, Adujan tentou muito entender o porquê dela estar curiosa. Mila tinha estado assim por alguns dias agora, perguntando sobre a meditação dela com o que pareciam ser observações estranhas, como se estivesse buscando uma resposta específica.

— Sem mudanças, eu me sinto… nebulosa e vaga quando acordo. — Era frustrante, mas não importava o quanto ela perguntava, Mila iria apenas fingir ignorância, e Alsantset não era melhor.

Uma mostra de desapontamento apareceu no rosto de Mila, antes de ser substituída por um sorriso entusiasmado.

— Bom, não há nada para se preocupar, só relaxe e as coisas vão melhorar. Venha depois do almoço e nós podemos conversar sobre como você quer que seu cabelo seja cortado. Eu acho que nós podemos fazer ele parecer muito adorável enquanto ainda mantém seu cabelo curto, se é isso que você preferir, talvez um bob-style cut¹ por agora. Se isso não for bom, você pode deixar ele crescer na frente para uma franja adorável, ou talvez deixar ele longo e usar um coque como minha Mãe, embora você vá precisar da ajuda de alguém se você não tiver um espelho.

Sorrindo de maneira estranha, ela só assentiu para as palavras de Mila, não entendendo nada do que ela acabou de falar.

— Parece… bom… eu acho. — Felizmente, Mila deixou as coisas assim, indo embora e deixando Adujan se sentindo apreensiva sobre isso. Ela só queria cortar seu cabelo um pouco nos lados para que não parecesse mais uma massa protuberante. Ela não queria um estilo irritante, obstrusivo que deixaria o cabelo dela no caminho, mas não havia nada que pudesse fazer agora, deixando suas preocupações de lado para mais tarde.

Depois de Rain voltar, os dois foram em direção ao rio para demonstrar as Formas em seclusão. Ela sempre gastava algum tempo assistindo ele fazer isso, esperando pegar algum Discernimento de seus movimentos, que ultimamente estavam simplesmente incríveis, uma performance fluída com poder e graça. Ele parecia melhorar muito, mas isso parecia estar amarrado com alguma doença no estômago, vomitando mais duas vezes nos últimos dias.

Ele esteve bem quieto ultimamente, parecendo preocupado com algo, frequentemente encarando o nada com um olhar de preocupação ou confusão, apenas para sorrir e dar de ombros quando questionado. Hoje era mais do mesmo, uma demonstração adequadamente habilidosa das Formas, seguida por alguns minutos parado, parecendo pronto para vomitar. Era uma reação estranha para a prática, mas estava ficando melhor. Ele até encontrou algumas ervas que ele mastigou para ajudar a acalmar o estômago.

Depois de uma hora, como se escutassem algum sinal inaudível, os dois pararam sua prática e se encararam, prontos para lutar. Indisposta a perder de novo, Adujan atacava sem misericórdia, favorecendo seu lado direito, mantendo ele fora de equilíbrio e não permitindo que ele chegasse perto para agarrá-la. Mesmo com só um braço, ele era fisicamente forte demais para ela lidar em combate próximo daquela maneira, seu corpo surpreendentemente pesado e denso. Parecia que as repetidas surras que ele pedia tiveram algum efeito.

Apesar de suas forças, dentro de minutos Adujan ganhou dele, deitando ele na grama enquanto ela ficava de pé, um braço de distância para que ele não pudesse agarrar ela pelo calcanhar de novo. Ela tomava cuidado com todos os seus truques e não permitiria que ele ganhasse contanto que ele só tivesse apenas um braço. Isso era simplesmente vergonhoso demais para ela aceitar.

Seu grito de frustração a pegou desprevenida, e ela recuou rapidamente, mas ele continuou deitado no chão, seu braço e pernas espalhados enquanto ele olhava para o céu, respirando ofegante.

— Você está bem? É só um treino, não precisa de tanta frustração. — Ela se moveu com cuidado, e vendo que não era uma armadilha, se sentou perto dele, sua cabeça apoiada em sua mão para que ela pudesse ver ele fazer uma careta.

— Ah, eu sei, eu sei. Eu não me sinto envergonhado de perder, você é muito forte. — Ele deu um leve sorriso para ela. — Eu acho que você está ficando mais rápida a cada dia, eu mal consigo acompanhar você mais. Mesmo se eu tivesse os dois braços, eu estou bem certo de que perderia fácil. Atacar e correr, dançar e tecer, é um estilo difícil de se lutar para mim e só iria piorar se você adicionasse seu escudo.

Aquecida pelo seu elogio, ela cutucou ele forte no rosto, fazendo-o olhar para longe antes dele vê-la corar.

— Então, sobre o que você estava gritando? Eu sei que não é constipação, você estava fora nessas matas toda manhã. Eu espero que você que esteja fechando os buracos, eu não gostaria de quebrar minha canela em um deles.

Rindo, ele balançou a cabeça.

— Eu só sinto que não estou melhorando apesar de todos os meus recentes… avanços. E, então, há todo aquele estudo com Tokta, ele ainda nem me deixou tentar recrescer meu braço, e diz que “falta conhecimento”. Eu só estou frustrado com minha falta de progresso, eu acho. — Acabada sua confissão, ele levantou com um salto, pegando sua espada de prática. — De novo.

Ela se levantou e encarou ele com sua lança curta, sorrindo ironicamente.

— Você fez muito progresso, eu tenho que tentar agora. — Um sorriso provocativo enquanto ela batia de leve em seu peito. — Falando sério agora, eu estou surpresa com o quão rápido você aprende, especialmente quando você se foca em tantas coisas de uma vez. Tenha algum orgulho e confiança em si mesmo. — Uma finta rápida e ela balançou por baixo, varrendo seus pés e o fazendo cair de costas com um baque. — Você está encarando a Magnificente Adujan, é claro que você vai se sentir inadequado. Não se compare com a grandeza. — Ela esticou uma mão para ajudá-lo a se levantar, um sorriso triunfante no rosto dela. Rain sorriu de volta e ficou de pé mais uma vez, determinado a fazer ela comer suas palavras, como Adujan esperava.

A manhã passou rapidamente e Adujan foi embora mais cedo para que pudesse tomar um banho antes de cortar seu cabelo, dando a Shana uma coçada vigorosa com vários pedaços de folhas Daku para livrá-la do fedor de peixe, sorrindo quando a quin feliz chiava e ronronava de alegria ao ser esfregada. A água fria do rio a deixou tremendo enquanto ela se secava, mas essa era a primeira vez que Adujan pediu a alguém para cortar seu cabelo e ela se preocupava que Mila iria encontrar alguma sujeira, sangue seco ou coisa pior no cabelo dela. Ela não tinha muitos amigos, e realmente era grata por Mila. Muitos órfãos com os quais ela cresceu junto foram incapazes de se tornar Sentinelas e saíram da vila para se tornarem soldados, não querendo ser um peso na vila. Levaria anos até eles voltarem, se algum dia isso acontecesse, e ela se sentia sozinha até que Mila fez amizade com ela.

Assim que ela chegou no topo da colina onde Mila estava, ela foi cumprimentada com alegria e foi virada para frente e para trás a fim de mostrar seu cabelo enquanto Mila fazia alguns comentários sem sentido de coisas que poderiam ser feitas. Adujan simplesmente assentia com tudo que ela dizia, até que Mila finalmente a sentou e começou a cortar o cabelo dela com um par de cortadores, o estalar baixo das lâminas intercalava com a tagarelice baixa de Mila sobre coisas técnicas.

Mal capaz de conter sua admiração, Adujan olhava para mesa onde a Reitora Chefe se sentava, na frente do Tenente-General, os dois em silêncio em uma disputa de poder invisível, enquanto por perto, um escravo estava demonstrando as Formas, na frente de Dagen, que fazia o mesmo, um verdadeiro seminários nas Formas para ela estudar. Ela se sentou lá absorta em assistir os dois guerreiros se moverem, tentando pegar algum Discernimento de seus movimentos, guardando o máximo que podia na memória para análise futura.

Acabou rápido demais, já que o temperamento entre os realizadores começou a se acender, seu orgulho de guerreiros grande demais para aceitar derrota, seus narizes quase se tocando enquanto encaravam um ao outro. A Reitora Chefe e o Tenente-General continuavam sentados em silêncio, com nada para dizer. Sussurrando baixinho, ela perguntou a Mila:

— Aquilo foi incrível, todos os guardas dele são tão fortes assim? — Agora, se apenas os dois se beijassem, isso sim seria um show maravilhoso.

Dando uma pausa em suas ministrações, Mila se inclinou e sussurrou no ouvido dela:

— Não, aquele é o mais forte, eu acho. Ele é o Kyung, meio-irmão de Song. Eles têm a mesma mãe, uma besta ancestral. É tão triste, a mãe deles é uma escrava também, forçada a dar a luz tão frequente quanto possível apenas para que suas crianças sejam vendidas como escravos. É horrendo.

Adujan olhou para Song e notou a falta de emoção em seu rosto, embora suas orelhas cairam com a menção de suas origens. Esticando a mão, Adujan afagou ela no ombro em simpatia, antes de estudar Kyung.

— Ele é muito gato, seu meio-irmão. — Uma mandíbula forte, nariz proeminente, e olhos marrons penetrantes, com ombros largos descendendo até uma cintura fina. Ele notou ela olhando e a encarou ferozmente de volta, e como resposta ela mordeu seu lábio e sorriu sugestivamente.

Para sua decepção, não teve efeito, mas ela estava limitada com o que podia fazer no momento, sentada e parada.

Como sempre, Song permanecia quieta, mas Mila falava por ela, ainda fazendo pequenos cortes cuidadosos.

— Porém, ele é velho, pelo menos 60 de acordo com a Song. Eles nunca conversaram também, é uma desgraça o quão mal os escravos são tratados. Aquele velho está sempre os ridicularizando quando fala com eles, sempre os chamando de “meio-bestas idiotas”, “escravos inúteis”, e “retardados”, é o bastante para me fazer querer por uma flecha no olho dele.

— Seria melhor se você mirasse no meu peito, criança. — Apesar da conversa sussurrada, Du Min Gyu pareceu ter escutado eles e Adujan sentiu o rosto dela esquentar de vergonha, enquanto Mila congelou. — Um alvo maior, e você pode atirar enquanto minhas costas estão viradas. Você não me acertaria de outra maneira, e mesmo se você errar o coração, uma flecha pelo pulmão é quase tão boa quanto.

Apontando suas tesouras para ele, parecia que Mila estava pronta para explodir em uma tirada, mas depois de uma breve pausa, sua boca se fechou com um click audível, provavelmente devido a um aviso inaudível da Reitora Chefe. Adujan se sentou parada enquanto Mila cortava o cabelo dela com raiva, as lâminas de metal batendo alto uma contra a outra apenas a centímetros de distância das orelhas dela. Ela usava cada grama de determinação que tinha para se impedir de se encolher, mas o temperamento de Mila rapidamente esfriou e, logo, ela estava novamente sussurrando coisas bobas de garota.

— Então, por que o interesse repentino em fazer seu cabelo parecer melhor? Aconteceu algo em particular com todo o tempo que você está passando com Rain? — Um sorriso diabólico no rosto de Mila fez as bochechas de Adujan ruborizarem. — Dormindo na mesma tenda, correndo para a borda do rio para “praticar” só vocês dois…

— Não é nada disso! — Ela soltou as palavras, mais alto do que o esperado, e imediatamente abaixou sua voz. — Nada aconteceu, ele está dormindo quando eu vou para cama, e tudo que nós fazemos é lutar e meditar perto do rio. Eu sei que, pelo menos, a pequena Lady Lin quer casar com ele, e você tem algumas intenções também. Eu não entraria no caminho de vocês duas, eu juro.

— Ah, Yan. — As mãos de Mila pegaram as dela enquanto ela se agachava na frente de Adujan. — Você esteve preocupada com nossa posição? Lin não se importa com coisas assim, e eu nem estou certa se eu quero casar com ele. Ele é tão pervertido, quem sabe quantas esposas ele quer ter. Faça o que quiser, você não vai irritar ninguém. — Ela voltou a cortar o cabelo, antes de adicionar, — Além disso, eu acho que de nós três, você é a que está mais perto de seu coração. Ele realmente vê Lin como uma irmã, e ele só olha para mim por causa de um sonho.

Adujan sorriu, um peso desaparecendo de seus ombros.

— Eu acho que eu sou só uma boa amiga dele, ele não me trata diferente do que Huu ou o Fung. Eu honestamente não sei o que eu quero também. Ele é gato o bastante, mas há tantas opções, como eu vou saber? — Ela olhou para o escravo chamado Kyung de novo. Quanto ele iria custar? Ela gostava do tipo forte, silencioso e servil, e ele definitivamente era tudo isso.

Depois de um pouco mais de cortes, Mila finalmente disse que havia terminado e segurou um pequeno espelho de cobre para que Adujan pudesse se admirar. Seu cabelo ainda estava curto, mas um pouco mais longo na frente, elegante e leve com uma alusão de um charme feminino. Correndo seus dedos por ele, Adujan sorriu em apreciação, levantando para abraçar Mila.

— Obrigado Mila, eu adorei. — Vamos ver se ela gosta de ser rodada.

Infelizmente, ela parecia gostar de ser abraçada daquele jeito, começando a rir enquanto se aconchegava no abraço.

— Sempre que precisar, Yan. Eu ainda acho que você deveria deixar ele crescer um pouco, e eu tenho um bálsamo do Rain que você pode passar nele e deixar seu cabelo mais brilhante e macio. — Os olhos de Adujan começaram a perder o brilho enquanto Mila continuava a listar vários passos de cuidados ao cabelo que ela deveria seguir, perdida na complexidade do cuidado feminino. Era incômodo demais, com todos esses bálsamos e loções, perfumes e maquiagem, como Mila tinha tempo para fazer tudo isso? Ela continuava a assentir distraidamente enquanto tentava seguir tudo, mas Mila falava rápido demais e a maior parte se perdeu.

Assim que uma pausa audível foi alcançada, Adujan rapidamente interveio, dizendo que precisava cultivar, com medo de que se  deixasse Mila continuar, esta falaria o dia inteiro. Mesmo assim, Mila insistiu que Adujan meditasse perto dela, e Adujan cedeu ao seu pedido, sentando na grama a uma curta distância do brazeiro.

Fechando seus olhos, ela clareou sua mente como sempre fazia, ao imaginar um tela branca com um pequenino ponto preto, e bem lentamente se focando naquele ponto, sua visão sendo envolvida pela escuridão. Então, dentro dela, estava um pequenino ponto branco, e ela focou naquilo, lentamente sendo envolvida por ele até que tudo ficasse branco. Ela repetia o processo até que sua mente estivesse calma e tranquila, e ela alcançasse o Equilíbrio.

A Energia dos Céus começou a lentamente cercar ela, um vortex com ela no centro. Isso lembrava a ela de olhar para Du Min Gyu, estando de pé orgulhoso, um único homem cercado por um exército, mas ainda arrogante o bastante para ameaçar a todos com a morte, uma figura imponente, poderosa conforme o vento circulava ao redor dele, se movendo tão rapidamente que pareciam haver trilhas de poeira estáticas ao redor dele, congeladas no lugar ao seu redor.

Focando naquele pensamento, ela tentou imitar a cena com sua cultivação, atraindo a Energia Celestial para ela com seu dantian como centro. O redemoinho violento circulando ao redor dela, passando sem nunca realmente tocar nela. Este quebrou conforme circulava ao redor dela novo e de novo, até que finalmente, uma brisa gentil invadiu as defesas invisíveis dela e surgiu no vazio que era seu dantian, mais pura e poderosa do que qualquer coisa que ela tenha sentido antes, enchendo ela de alegria. Tudo que ela fez foi como se por instinto, o conhecimento enterrado fundo dentro dela, e ela se dedicou a lembrar o sentimento, aprendendo a replicando-o. É isso que ela estava esquecendo? Não surpreendia que ela se sentia tão insatisfeita quando acordava, isso era incrível!

Ela aproveitou o sentimento enquanto estava sentada parada, sentindo a brisa calorosa e gentil tentando levá-la para longe, mas ela ficou presa no lugar, apesar da tentação de se permitir ser levada pela tempestade. O vento parecia sussurrar para Adujan, e ela se esforçava para ouvir, mas não havia palavras, apenas emoções, e ela se sentou no lugar, se sentindo segura e feliz, como um salgueiro se curvando no vento, nem aceitando nem se submetendo, enraizada nela mesma enquanto se mantinha a salvo nos braços da Mãe.

 


1 bob-style cut: esse tipo aqui

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

12 Comentários

  1. Por que eu to com a sensação q qnd voltar o foco pro Rain as merdas serão em proporções épicas?

  2. Eu estou relendo e essa parte me chamou a atenção:
    “Além disso, se algum dia ela fosse dormir com ele, ela preferiria que Rain tivesse os dois braços, indisposta a manchar a memória da sua primeira vez com a clara falta de seus membros.”

    Quando eles finalmente transam ele to sem um pé e uma mão 🤣🤣

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