DS – HE – 3

Nota: O seguinte acontece imediatamente após o capítulo 232.


— Canalha imundo, eu te lanço de volta para as Garras do Pai. Coma minha lança!

Voando pelo ar como um relâmpago, o projétil colidiu com o peito de Yo Ling, seu rosto distorcido em choque e negação. — Não. — Ele arfou, caindo de joelhos, — Como pode ser? — Olhando para cima, ele perguntou, —Seu nome, nobre guerreira?

Cabeça erguida, ela respondeu, — Sumila, Discípula de Akanai, Estudante de Husolt, guerreira das Pessoas. — Inumeráveis emoções passavam no rosto do Rei Bandido, raiva, admiração e finalmente aceitação. Afundando no chão, Yo Ling se apoiou para frente em uma quase mesura enquanto respirava pela última vez. As vivas ensurdecedoras dos defensores vitoriosos ecoavam pelas ruas, celebrando a morte do maior pecador de Sanshu. Sorrindo para seus admiradores, Mila aceitou o elogio como era devido, nem arrogante demais ou humilde demais. Finalmente, depois de anos de treinamento árduo e exercícios mortais, ela finalmente estava recebendo o que merecia. 

— Meu amor. — Rain disse, mãos juntas e olhos piscando. — Minha heroína corajosa e audaz. Você é tão incrível, eu nunca serei páreo. 

— Não importa. — Ela respondeu, pondo seus braços em seu pescoço, os dois perdidos no mundinho deles. — Contanto que você se esforce e permaneça ao meu lado, eu te amarei ainda assim. 

— Ah, você é boa demais para mim. — Ele respondeu, a erguendo no ar sem esforço, seus olhos âmbar cheios de afeição e amor. — Eu nunca mais vou olhar para outra mulher de novo, eu juro. — Se inclinando, seus lábios pressionados contra os dela, sua respiração fazendo cócegas em sua pele. Cheia de fome, ela o empurrou de volta e mudou-se para seguir, só para o chão desaparecer sob seus pés. 

Acordando assustada, Mila piscou confusa, encarando o padrão intrincado de vigas cruzadas no teto enquanto ela jazia em uma cama enorme. Afundando de volta em seus travesseiros com um suspiro, ela bufava irritada, soprando as orelhas felpudas de Lin enquanto a doce menina se aconchegava contra o ombro de Mila. 

Nada além de um sonho selvagem e fantasioso. A realidade não era tão doce, suas conquistas quase inexistentes. Primeiro, ela perdeu para Gen, um mero fazendeiro transformado em Corrompido a pouco mais de um mês atrás, fazendo Song se ferir para defendê-la. Então, ela falhou em dar o golpe final em um Yo Ling ferido, enfurecendo o bandido poderoso e trazendo calamidade para a comitiva de Rain. Tantos morreram para defendê-la, uma garota tola com ilusões de grandeza. Talvez estava na hora de admitir que ela nunca seria como Mamãe, uma heroína valente e líder sem medo, ficando na frente da batalha enquanto Papai a apoiava por trás. Com Rain ficando mais e mais forte a cada dia, talvez estava na hora de aceitar sua sina, destinada a permanecer na sombra de Rain. 

Um cheiro gostoso de ervas e temperos entrava no quarto, fazendo o nariz de Lin se mexer enquanto ela cheirava o ar, com um sorriso alegre. Não era surpresa que Rain a mimava tanto, ela era tão fofa e doce, mesmo acabando de acordar. — Bom dia Mimi. — Ela disse com um bocejo leve. — Como você está se sentindo?

Terrível. O corpo de Mila estava macio e inchado, seus músculos feridos e doendo, sua pele coçando e inflamada. — Bem. — Ela mentiu, seu sorriso fingido fazendo sua bochecha doer de repente enquanto a pele se rachava e pus escorria. — Muito melhor agora. 

Dando língua, Lin deu uma bufadinha. — Mentirosa. — Se espreguiçando, ela correu seus dedos em seu cabelo algumas vezes, suas mechas negras lustrosas se ajustando elegantemente em seus ombros. Injusto, Mila tinha medo de olhar no espelho, sabendo que ela veria uma armadilha emaranhada parecendo com um ninho de rato ardente sentado em cima de carne ferida, queimada e mutilada. Nem mesmo o bálsamo de Song conseguia alisar as fibras duras e grossas do cabelo de Mila, que é o motivo dela não deixar seu cabelo passar dos ombros. Seu cabelo arrumado, Lin se virou para Mila e sorriu. — Tão fofa, Mimi desgrenhada é a melhor Mimi. 

Sorrindo enquanto Lin penteava seu cabelo, Mila esfregou seus olhos para afastar o sono, seu corpo, mente e dantian exaustos pelos esforços de ontem. Cheiros deliciosos continuavam a entrar no quarto e a barriga vazia de Mila roncava alto, fazendo Lin rir. Uma leve batida na porta seu único aviso, a porta abrindo de repente enquanto Rain entrava, carregando duas bandejas de pratos aromáticos. — Hora de acordar, minhas belas adormecidas. Eu fiz almoço. — Vindo atrás dele, os gatos e ursos ficaram em posição na cama e ao redor dela, os filhotes de urso rindo enquanto andavam pelo quarto carregando mais duas bandejas, Song as cumprimentou com sua meia mesura de costume antes de arrumar a mesa, obediência e submissão impregnadas nela.

Percebendo que seu rosto ainda não foi enfaixado, Mila correu para debaixo da coberta, fugindo do beijo de Rain. — Sai daqui. — Ela chiou, empurrando Aurie para o lado. — Eu não estou decente. — Seu rosto estava uma bagunça, machucado, queimado e medonho, ela não queria que ele a visse assim. 

— Não seja tola, amor. Esposinha, o cataplasma de Li Song precisa ser trocado. Já está misturado e pronto, então você poderia por favor ajudá-la?

— Claro maridinho. — A cama mal se moveu quando Lin saiu com um pulo, seu corpo pequenino mal causando um impacto. Rastejando debaixo dos cobertores, Mila se afastou de Rain enquanto ele se sentava, tirando proveito da situação para dar um tapinha em sua bunda e apertar sua cauda debaixo dos cobertores. Pervertido. — Saia, meu amor, me deixe cuidar das suas feridas. 

— Não. Vá embora. Lin vai tomar conta disso. 

— Ela está ajudando Li Song. Rápido, nós devemos comer enquanto a comida ainda está quente. 

Rain tentou puxar o cobertor e Mila miou em protesto, agarrando com força para cobri-la. — Eu ainda estou cansada. Coma sem mim. 

Suspirando, Rain deitou ao seu lado, afagando sua cabeça através dos cobertores. — Eu acho sua falta de alegria perturbadora. É porque você não quer que eu veja suas feridas? Não seja ridícula, alguns cortes e machucados não são o bastante para me assustarem. Onde está a Mila forte e confiante que eu conheço e amo? Pare de se esconder e saia daí. 

Pausando para considerar suas opções, Mila respondeu, — Você não tem permissão para fazer graça. 

— Entendido. 

— Sem se encolher ou ficar de cara amarrada também. 

— Ao seu comando. 

— E sem comentários. Não fale a menos que fale contigo. 

— Eu vivo para servir. 

Apesar de Rain soar totalmente sério, Mila tinha uma suspeita incômoda que ele estava zombando dela de seu jeito enigmático. Preparando seus nervos, ela se sentou e gesticulou para ele começar a trabalhar, encarando a cama e indisposta a olhá-lo nos olhos. Ela não queria ver a repulsa ou a náusea em seus olhos enquanto ele via seu rosto arruinado. Ela não se considerava vaidosa demais, mas nenhuma mulher queria ser vista assim. Era seu infortúnio, se apaixonar por um namoradeiro pervertido, um playboy mulherengo que babava para cada mulher a vista. Pior de tudo, ela nunca viu ele olhando para ela do jeito que ele olha para as outras, com uma fome literal em seus olhos. 

Rain idiota, pervertido. 

Silencioso o tempo inteiro, Rain aplicou o unguento nas feridas e queimaduras de Mila, suas mãos empoladas trabalhando rapidamente enquanto ele enfaixava suas feridas com cuidado tenro. Como ele fazia isso? Ele sofreu tantas feridas e trabalhou tão duro, mas ainda acordou provavelmente a algumas horas atrás, até achando tempo para cozinhar uma refeição completa. Como ela poderia se comparar? Ela mal conseguia assar uma carne em uma fogueira, muito menos cozinhar em um fogão. 

Ela não merecia ele. 

Seu trabalho terminado, ele saiu da cama e entrou em seu campo de visão, se ajoelhando no chão para olhá-la com amor e calidez. — Mila meu amor, você não precisa se preocupar sobre como você parece. Mesmo se você ficar desfigurada e deformada, eu vou te amar até o dia em que eu morrer. 

Afagando seu cabelo, ela perguntou, — Você falou sério?

— Claro. — Pondo seus braços em seu quadril, ela a puxou para um abraço, sua bochecha tocando no peito dela, apenas uma camisola separando eles. Corando com sua audácia, ela apertou ele, afagando seu cabelo e sentindo cócegas quando sua respiração quente roçava em sua pele. Depois de um abraço longo, ela o afastou, suas bochechas queimando enquanto ele sorria. — Não é como se eu tivesse me apaixonado por você por causa da sua aparência. 

Enfurecida pela sua piada em hora errada, Mila beliscou as bochechas dele até elas ficarem vermelhas. — Canalha! Cretino! Só espera, eu vou guardar por essas feridas e ficar desfigurada para sempre. Vamos ver se suas palavras doces duram. Hmph 

— Para sempre meu amor. Quero dizer, nós salvamos Sanshu, eu estou certo que o Magistrado não vai se incomodar se roubarmos algumas fronhas. Elas são do tamanho perfeito e quando abrirmos buracos para seus olhos e boca, ninguém vai notar suas feridas. 

— Rainzinho! — Com bochechas infladas, Lin foi até e deu um peteleco em seu nariz. — Não zombe da Mimi. 

— Misericórdia esposinha, misericórdia! — Devidamente castigado, Rain se fingiu de arrependido, abaixando sua cabeça em vergonha. Claro, isso significava que seu rosto estava enterrado no colo de Mila, o safado ainda se aproveitando da natureza boa dela. — Desculpe meu amor, não consigo fazer nada. Você é tão radiante quando está zangada que não consigo resistir. Aceite esta refeição como minhas desculpas, feitas a mão por este humilde pecador para as minhas duas futuras esposas. E Li Song. E os guardas, mas eles podem comer lá fora. Agora, me permitam. 

Pondo seu braço debaixo de seus joelhos, Rain levantou Mila com grunhido, carregando ela até a mesa de jantar um passo cuidadoso de cada vez, seus braços tremendo sob o peso dela. Suspirando para esconder sua felicidade esmagadora, Mila descansou em seu ombro, adorando a afeição e os esforços de Rain. As coisas não eram exatamente como ela havia sonhado, mas elas ainda assim eram perfeitas. Honra e glória não eram nada se comparadas a compartilhar uma refeição deliciosa com Rain, Lin, Song e todos os bichinhos deles. 

 

Que felicidade. 

 

Worst
Worst, filho da Música, casado com os Livros, tradutor de DS, CdMD e ASdCZ, ?% Engenheiro, 1 dos 3

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!