LAB – Capítulo 195

A resposta

Roland queria saber se ele havia ouvido errado.

— Perdão?

Pergaminho, cerrando os dentes, repetiu a pergunta.

Desta vez, ele teve certeza que não estava tendo um problema de audição.

Esta bruxa está realmente preocupada com quem eu vou casar? — Roland pensou, mas então ele disse:

— Tem certeza que todas as bruxas são incapazes de ter filhos? Será que isto não é… devido a alguma razão em específico? Algo que poderia levar a um mal-entendido? Por exemplo, como a Montanha Sagrada?

— Espero que sim. — Pergaminho disse com um suspiro — Infelizmente, não há nenhum registro escrito de uma bruxa que sequer tenha conseguido engravidar, e existem diversos exemplos que podem confirmar esta hipótese. Quer se trate de uma relação normal ou tomada à força, nenhuma bruxa na Associação Cooperativa das Bruxas ou em qualquer outro grupo de bruxas conhecido conseguiu engravidar.

Isolamento reprodutivo… — Foi o termo que surgiu na mente de Roland — Será que as bruxas evoluíram para uma próxima etapa na evolução humana e isso acabou impedindo-as de se reproduzir com a geração anterior? Ou talvez isso seja provocado pelo poder mágico que é armazenado em seus corpos? No entanto, agora não é o momento certo para especular. O problema agora é a influência que essa informação terá após ser disseminada. Será que isso vai cercear a ideia de alguém querer casar com uma bruxa?

Roland pensou imediatamente em Anna. Apesar de que seria uma pena se ele não pudesse ter filhos com Anna, a base para o amor de Roland para todos os seus filhos seria decorrente de seu amor inicial por Anna, e este amor não iria diminuir se eles não pudessem ter filhos. Sem mencionar que, como uma pessoa com uma alma moderna, ter um filho ou uma filha não era tão importante como nas gerações passadas. Como uma entidade individual, ele não tomaria seus possíveis descendentes como uma continuação de sua vida, os filhos não poderiam herdar as memórias e reflexões dos pais, sendo seres humanos totalmente independentes.

Por isso, Roland aceitaria completamente uma bruxa, mesmo que ela não pudesse lhe dar nenhum descendente. Neste caso, o único verdadeiro problema seria a criação de um herdeiro. No entanto, olhando para a história antiga de seu velho mundo, isto também não seria um problema. Roland só precisaria estabelecer um império que não necessitasse de um descendente, e para conseguir este feito, ele tinha algumas opções, mas ele poderia considerar com muito cuidado agora e decidir depois.

Roland ficou surpreso ao descobrir que era realmente uma notícia muito boa, no geral. Ele estava pensando em como ele poderia criar uma estrutura social que incluísse as bruxas e as pessoas comuns, de forma que ambas coexistissem pacificamente e trabalhassem em conjunto. Ele estava pensando nisso desde que ele teve essa conversa tarde da noite com Rouxinol. No entanto, ele sabia que as bruxas e suas futuras gerações ainda seriam capazes de formar grupos poderosos, mesmo com o desenvolvimento da Pedra da Retaliação Divina. Esta pedra não iria diminuir a grande vantagem que existe entre as habilidades das bruxas e as de pessoas comuns. Mesmo com as novas tecnologias em desenvolvimento, a inteligência superior das bruxas ainda lhes daria uma vantagem considerável.

Mas agora ele sabia que as bruxas não poderiam procriar. Esse deve ter sido um dos principais fatores que preveniu a formação de organizações familiares de bruxas e contribuiu para o aumento da população de pessoas comuns, comparada com as bruxas. Este pensamento lhe deu esperança de que ambas as partes poderiam progredir lado a lado, ao mesmo tempo.

Talvez Roland já estivesse pensando por tanto tempo, que Rouxinol não se segurou mais e agarrou seu braço. Após voltar a si, Roland acariciou a mão de Rouxinol, que ainda estava em seu ombro, e depois de limpar sua garganta, ele disse:

— Eu pensava assim antes e eu ainda penso agora.

—… — Pergaminho ficou atordoada momentaneamente — O que?

A mão sobre o braço de Roland de repente o agarrou com mais força.

Vendo tal cena, Roland começou a rir. Antes, era ele quem tinha pensado ter ouvido errado, mas agora parece que as bruxas estavam pensando que ouviram mal. Ele tossiu e repetiu de novo:

— Sim, eu ainda estou disposto a me casar com uma bruxa.

Pergaminho saiu do escritório com uma expressão estranha no rosto, como se estivesse satisfeita e ao mesmo tempo não estivesse, ainda um pouco triste e confusa com o que Roland disse. Depois que Roland viu Pergaminho sair assim, ele se virou e perguntou para Rouxinol que estava de pé ao lado dele:

— Ela está bem?

Rouxinol não respondeu, mas olhou para Roland com um sorriso em resposta. O sol do lado de fora da janela estava iluminando o escritório e deixando seu rosto e cabelos lisos brilhando de forma encantadora.

— Bem — Roland olhou para longe —, eu vou entender isso como um sinal de que vocês duas estão bem e de bom humor.

Em seguida, eles ouviram uma batida vindo da porta do escritório.

— Vossa Alteza, um cavaleiro de Forte Cancioneiro está aqui. Ele diz que tem algumas informações para o senhor.

— Leve-o até o salão que irei para lá.

Quando o Príncipe entrou no salão, o cavaleiro que estava esperando se aproximou e ajoelhou-se em um joelho.

— Lorde Petrov me enviou para informar que Timothy Wimbledon enviou uma delegação e um emissário e eles já chegaram em Forte Cancioneiro.

— Delegação? — Roland murmurou — Em quantos eles são?

— Cerca de cinquenta pessoas.

Parece ser uma equipe de persuasão. — Roland pensou — Para mim será inútil se eles vieram apenas para serem diplomáticos.

Roland, então, perguntou:

— Quando eles chegaram?

— Ontem à tarde. — O cavaleiro respondeu em voz baixa — Lorde Petrov me ordenou para informá-lo o mais rápido possível.

Ele só levou um dia para chegar e provavelmente cavalgou durante a noite toda sob a luz das tochas. — Roland pensou.

— Você deve estar cansado, bem, primeiro tenha um bom descanso e uma boa noite de sono antes de voltar. — Roland olhou para sua guarda e ordenou — Recompense o cavaleiro com uma peça de ouro e leve-o até a estalagem.

Após o cavaleiro sair, Roland queria ignorar o assunto, já que uma equipe de cinquenta pessoas não seria uma ameaça para a vila e, provavelmente, seria apenas um show para persuadi-lo. Se esse fosse o caso, ele deixaria apenas o líder entrar na vila para negociar. No entanto, Petrov estava levando isso a sério, por isso seria melhor para Roland acompanhar o paradeiro dessa delegação.

Depois de pensar sobre isso, Roland convocou Raio e Maggie. Ele pediu para elas voarem juntas até Forte Cancioneiro e saber como estava a situação.

Depois de apenas duas horas, as bruxas já haviam completado sua tarefa de investigação e voltado para o castelo.

— Nada foi descoberto. — Raio relatou — Não havia um exército de cinquenta cavaleiros ao longo do caminho, na verdade, nem mesmo um único cavaleiro foi encontrado.

— Nem mesmo um único, pruu! — Maggie confirmou.

Parece que eles precisaram parar para se divertir e relaxar seus corpos cansados ​​após a longa viagem até o forte. — Roland pensou, então, ele disse a elas:

— Eu quero que vocês duas continuem investigando a situação uma vez por dia até que a delegação chegue próxima à vila. — Além disso, como está o progresso do mapa?

— Nós colocamos uns cem pedaços juntos e quase enchemos o quarto da Soraya. — Raio disse — Ela já colocou o mapa no quintal. O senhor gostaria de dar uma olhada?

— Claro. — Roland disse com um sorriso.

O quintal do castelo foi transformado em um jardim botânico, desde quando Sean trouxera as sementes de Porto de Água Clara. Ramos criou espécies ainda mais fantásticas e exóticas. Para proteger e economizar a terra de plantio, Ramos colocou as prateleiras no alto, de modo que muitas plantas cresciam e se contorciam em volta da moldura como uma videira, e algumas delas cresciam até a metade da muralha do castelo. Essa foi a razão pela qual a muralha atrás do castelo estava repleta de uvas, maçãs, trigo e cana de açúcar, e sempre que as bruxas tinham algum tempo livre, elas se reuniam no quintal e pegavam algumas frutas e cana de açúcar da parede para comer. Infelizmente, essas culturas só podiam crescer com a ajuda da magia de Ramos e, com isso, só podiam ser consideradas como um teste malsucedido.

O mapa estava no meio do quintal, e possuía de cinco a seis metros quadrados, composto de várias peças de pergaminho que haviam sido colocadas juntas.

— Aqui! — Raio segurou a cintura de Roland com um braço e eles lentamente flutuaram acima do mapa — O senhor consegue ver o quadrado cinza-marrom do tamanho da palma da mão? A partir de uma perspectiva aérea, Vila Fronteiriça se parece com isso.

— O lugar de cor azul ao leste e sul… seria o oceano?

— Sim, no entanto, seria preciso atravessar uma montanha para alcançá-lo.

Roland estava um pouco preocupado. Ele poderia considerar com uma certa margem de erro, que as Terras Selvagens possuíam um tamanho dez vezes maior do que o Reino de Castelo Cinza, no entanto, ele não esperava que a Região Oeste fosse tão pequena depois de contemplar o mapa todo construído. Castelo Cinza foi construído no meio e fronteiras criadas por barreiras naturais, como a Cordilheira Intransponível na frente e o oceano atrás. Não… não só a Região Oeste. Ele preencheu as partes inacabadas em sua mente, usando a Cordilheira Intransponível como referência, pois dividia o continente como uma grande muralha. O Reino de Castelo Cinza e até mesmo todo o continente seria apenas um pequeno pedaço de terra atrás da muralha.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

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