LAB – Capítulo 251

Novos balões de ar quente

No segundo dia após a partida de Maggie, Roland levou as bruxas ao pátio e começou a montagem do novo balão de ar quente.

Como o jardim posterior do castelo e o dormitório das bruxas estavam passando por uma reforma e ampliação, Ramos moveu todas as suas plantas para o pátio da frente. Vários tipos de trepadeiras subiam por todas as paredes circundantes, enrolavam-se pelos corredores laterais do pátio e passavam por cima dos bancos e outros objetos de madeira que estavam no local, dando ao pátio a aparência de uma antiga floresta. As sombras que a “floresta” fazia eram tão densas, que a luz do sol só podia penetrar através dos pequenos espaços entre as folhas espessas, deixando pontos dispersos de luz no chão.

Roland entregou às bruxas uma pilha de papéis para que elas espalhassem uniformemente pelo chão plano, e pediu que Soraya pintasse um revestimento com a aparência de um céu claro. Comparado com o primeiro balão de ar quente, que utilizava couro de vaca e lona como tecido, o revestimento deste novo balão era muito mais leve e resistente. Também não havia pontos de costura, pois o tecido era de um único material, e isso fazia com que Roland ficasse ainda mais confiante com o novo balão, já que ele voaria sem problemas, independentemente do seu tamanho.

— Eu ouvi de Raio que algumas bruxas estão vindo dos Fiordes? — Wendy perguntou curiosa.

— Se tudo correr bem, sim. — Roland disse o que havia escrito na carta de resposta à princesa Tilly — Temos que esperar pela resposta de Tilly Wimbledon antes de pensarmos em qualquer outra coisa.

— Então parece que Cinzas e seu grupo conseguiram chegar lá em segurança. — Wendy disse admirada — Ainda parece inacreditável que tantas bruxas tenham se reunido na Ilha Adormecida.

— Na verdade, creio que Tilly tenha passado os últimos anos planejando essa migração. — Roland deu de ombros — Além do Reino de Castelo Cinza, ela também entrou em contato com associações secretas de bruxas nos outros três reinos. Também acredito que a Associação Cooperativa das Bruxas tenha recebido o seu convite. E esse foi o motivo pelo qual as bruxas não vieram para cá, mesmo após divulgarmos por tantos meses, pelos nossos agentes, a notícia de que as aceitaríamos[1]. Tilly sempre esteve um passo à frente de nós.

— Mas Kara nunca falou isso pra gente. — Wendy disse enquanto massageava o próprio ombro.

— Se ela tivesse contado sobre o convite de Tilly, vocês ainda iriam procurar pela Montanha Sagrada?

— Bem, isso pode ser verdade. Mas se não fosse assim, não teríamos vindo para Vila Fronteiriça. — Wendy disse balançando a cabeça e sorrindo — Então, isso não foi ruim. Não foi mesmo.

— Eu também acho que isso não foi ruim, não. — Raio disse levantando a mão.

— É… Talvez tivesse sido melhor termos ido para os Fiordes. — Lily disse com um sorriso maroto — Afinal de contas, existem bruxas por toda a ilha, ao contrário desta vila que, sempre que saímos, temos que ficar extremamente atentas a tudo.

— Mas isso ainda é muito melhor do que antes. —  Anna disse em um tom sério — Antigamente, eu nem sequer me atrevia a sair de casa.

— É, algumas pessoas não têm jeito mesmo. Ela recusou quase que instantaneamente o convite de Cinzas naquele dia, e agora fica assim, de gracinha. — Lunna murmurou se queixando — Como você ousa dizer que não é uma traidora?!

— Sua… — Lily arregalou os olhos — Idiota!

— Traidora!

O resto das bruxas gargalharam com vontade.

— Eu também acho. — Roland se sentiu extremamente realizado em seu coração.

Mesmo que ele não fosse tão inteligente quanto a Princesa Tilly, e fosse menos poderoso e menos decisivo comparado a Timothy e Garcia, ele ainda foi capaz de proporcionar um ambiente livre e confortável para essas bruxas ao mesmo tempo em que elevava o padrão de vida de todos os moradores de Vila Fronteiriça.

— Esse balão de ar quente… eu acho que vai ser muito maior que o anterior. — Rouxinol observou as partes que Soraya tinha acabado de pintar — Você está planejando usá-lo para transportar as bruxas?

Roland concordou com a cabeça e disse:

— Sim, pois dessa forma conseguiremos evitar as cidades portuárias e garantiremos uma chegada segura pelo sul da vila. Além de transportar os novos visitantes, você ainda pode contar isso como mais um experimento prático de voo em balão de ar quente.

Depois que o papel foi pintado em ambos os lados, ele se tornou um material de duplo revestimento com uma largura e comprimento de aproximadamente seis metros. Se tivesse sido feito de lona ou de linho simples, seria difícil para uma única pessoa arrastá-lo, mas como era feito a partir de um revestimento leve, seu peso era o mesmo do material utilizado como base, uma pilha de papéis. Combinando mais de uma dúzia de peças como essas, e protegendo as costuras com uma camada protetora adicional, o balão se tornaria praticamente um airbag incrivelmente gigante.

O que Roland queria testar era a capacidade de adesão dos revestimentos de Soraya. Ele ainda se lembrava o quão memorável foi quando viu a nova habilidade de Soraya pela primeira vez, a pintura vívida da casca de árvore. A pintura estava tão aderida à mesa, naquela ocasião, que uma pessoa poderia levantar a mesa, puxando pelo ‘tronco pintado’. Dessa forma, as perguntas que assaltavam a mente de Roland eram: o quão forte seria a aderência entre os revestimentos e a base? Seria capaz de suportar um enorme balão cheio de gás e manter sua estabilidade depois de inflá-lo? Isso era tudo o que Roland queria saber.

Atualmente, os balões de ar quente produzidos na vila ainda precisavam da ajuda de Anna para inflar, diferente dos balões de hidrogênio que poderiam ser manipulados por qualquer um. Com a presença do motor de corrente contínua, eles poderiam produzir hidrogênio por eletrólise. O proeminente zepelim[2] parecia acessível agora. Se ele pudesse encontrar os materiais adequados para a espinha dorsal do dirigível, esse monstro gigantesco, que poderia viajar em alta velocidade a dois ou três quilômetros acima do solo, seria infalível. Sua dificuldade técnica seria muito inferior se comparada a do avião.

Embora a precisão de lançar bombas a uma altitude de mil metros acima do solo fosse bastante baixa, o inimigo não seria capaz de retaliar, pois um ataque dessa magnitude aniquilaria completamente o moral deles, que jamais poderiam imaginar um ataque vindo dos céus.

Pensando em sua futura empreitada contra a Igreja, Roland imaginava quatro ou cinco dessas aeronaves pairando no céu ordenadamente, enquanto bombardeavam a Cidade Sagrada, com a infantaria oferecendo suporte em terra. O exército, a marinha e a aeronáutica cooperariam entre si e lutariam contra o inimigo. Só de pensar nisso, Roland ficava animado.

— Vossa Alteza, por que o senhor está com esse sorriso largo olhando para o nada? — Anna suspirou profundamente e estendeu a mão para cobrir a boca aberta de Roland.

— Ele provavelmente está pensando naquelas bruxas que vão chegar. — Lily revirou os olhos — Homens e sua natureza…

Depois de ser conectado a uma enorme cesta de videira com cordas de cânhamo, o balão de ar quente da nova geração foi oficialmente finalizado. O tamanho desse novo balão era quase quatro vezes maior que o do anterior, e era capaz de transportar até dez pessoas de uma única vez. Além disso, a cesta também fora equipada com um toldo que protegeria os passageiros da luz do sol. É claro que, a fim de prover um lugar para Anna aquecer o ar, Roland deixou um pequeno buraco no centro do toldo.

Roland nomeou o balão de ar quente de Olho Celeste. Após completar vários testes no pátio, só restava o voo, que seria realizado no dia seguinte. A tripulação desse voo de teste era composta por cinco bruxas, Anna e Wendy entre elas, e Roland.

O voo de teste correu bem. As bruxas conversaram bastante durante o voo e se maravilharam com as incríveis vistas aéreas. Diferente da primeira vez em que voaram de balão, agora todas as bruxas estavam interessadas em voar também. Olho Celeste voou em direção ao sul sob a força do vento estável produzido por Wendy, chegando ao cume da montanha ao meio-dia, e depois de atravessar a bandeira inserida no topo da montanha, finalmente pairou acima da costa.

Depois de voar em um círculo ao longo da costa, Olho Celeste retornou ao castelo. Durante o voo, Roland notou que Wendy, que era responsável por controlar a direção do voo, ocasionalmente massageava seus próprios ombros, parecendo estar muito exausta.

Ele ouvira dizer que uma mulher com seios grandes sofria facilmente com dores nos ombros e que isso poderia ser resolvido com o uso de uma determinada roupa íntima. Embora ele não soubesse se isso era verdade ou não, não custaria nada tentar. Além disso, o corpo de Anna também estava se desenvolvendo gradualmente, então Roland decidiu criar um pequeno mimo para as bruxas adultas.


[1] Caso você queira recordar, o autor deu a dica no capítulo 113, e desenvolveu a trama nos capítulos 145 e 146.

[2] É o nome daqueles grandes dirigíveis. Você pode saber mais a respeito neste link.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

17 Comentários

  1. Ótimo, agora além de tudo e de agente publicitário é também estilista, daqui a pouco sera corretor imobiliário😂.

  2. Quero ver a reação das bruxas quando ver o olho celeste hahaha

    Muito obrigado pelo capítulo mestres

  3. Agora as bruxas vão ter sutiãs. Kkkkkkk
    Finalmente, um protagonista com visão. Os homens do futuro vão agradecer a ele por isso. Kkkkkkkkkkkkk
    Obrigado pelo capítulo Mestre JZanin

    1. Muito visão mesmo. Esta novel nestes pormenores é que se diferencia das demais.
      Valeu pelo capítulo.

  4. Obrigado mestre pelo capitulo, ja penso uma piquena frota de dirigiveis, pronto domino o mundo, nao tem pra ninguem

  5. “O exército, a marinha e a aeronáutica cooperariam entre si e lutariam contra o inimigo. Só de pensar nisso, Roland ficava animado.”

    Eu tbm kk

  6. Esse Roland é ligado em tudo!

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇😁 Mestre JZanin 🙇😁

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