LAB – Capítulo 279

Estratégia de batalha

Machado de Ferro fez uma saudação militar quando entrou no salão.

— As tropas de Timothy devem chegar à bifurcação do Rio Vermelho em quatro dias, então o Primeiro Exército deve partir na tarde de hoje. — Roland disse sem rodeios — As tropas que estão em Vila Fronteiriça irão encontrar vocês na bifurcação. Depois eu irei alcançá-los o mais rápido possível.

— Vila Fronteiriça não irá precisar dos soldados?

— Raio e Maggie têm mantido uma vigilância atenta sobre os movimentos do inimigo, por isso não precisamos dividir as forças para defesa. O que devemos fazer é derrotá-los de uma vez em um único ataque. — O Príncipe fez uma pausa e continuou — Você deve designar cem soldados para ficar em Forte Cancioneiro e proteger os nobres.

— Aqui no forte? — Machado de Ferro ficou um pouco surpreso.

Roland apresentou brevemente o decreto conferido às cinco Famílias para Machado de Ferro e continuou:

— Reunir todos os nobres em um só lugar torna a tarefa de controlá-los mais fácil. Isso evitará que eles tentem fazer algo por nossas costas, agora que já sabem sobre o ataque de Timothy a Região Oeste. As armas do Segundo Exército são antigas, e a experiência de combate dos soldados ainda é insuficiente, portanto, caso encontrem alguma situação inesperada, eles podem não ser capazes de lidar com tal problema. No entanto, com os dez esquadrões de soldados do Primeiro Exército, podemos garantir que os nobres não farão nenhum motim. Não acredito que teremos dificuldades nessa batalha na bifurcação do rio, mas isso não significa que devo deixar minhas costas desprotegidas.

— Sim, Vossa Alteza. — Machado de Ferro respondeu.

Após Machado de Ferro sair, Rouxinol apareceu atrás do assento de honra e perguntou:

— Você acompanhará os soldados na batalha?

— Claro. Quem mais além de mim poderia aproveitar todo o potencial da habilidade de Lotus? Talvez eu não seja hábil em comandar tropas, mas eu sou muito bom em estabelecer a melhor posição de bunkers para bloquear a rota dos inimigos e usar tanques para acabar com eles.

— Eu sei o que é um bunker, mas o que é esse ‘tanques’? — Rouxinol perguntou com uma expressão confusa.

— Ah, um tanque… bem, é uma espécie de carroça de ferro com um canhão. — O Príncipe disse com algumas tossidas — Como não temos cavalos suficientes, Vilazinha será usado para transportar os canhões. Entretanto, não poderíamos chamá-la de tanque.

Isso não precisaria ser movido à cavalo? — Rouxinol pensou por um momento sobre a “carroça de ferro com um canhão” e perguntou:

— Então por isso que você escolheu a Mel? Até onde eu sei, ela pode domar tigres e leopardos e eles ficam tão dóceis quanto um cavalo. Essas feras carregando um canhão também poderiam ser chamados de tanque?

— Sim, poderíamos até chamá-los de Tanque Tigre e Tanque Leopardo. — Roland disse com um sorriso de canto de boca.

Naquele momento, Carter entrou com um papagaio-de-cauda-branca em seus braços.

— Vossa Alteza, aqui estão as últimas notícias da vila.

Roland bateu palmas e o papagaio pareceu entender o que significava essa ação, voando dos braços de Carter e pousando com segurança em seu ombro. Ele pegou um pedacinho de carne seca do bolso e deu ao pássaro. Após engolir a carne, o papagaio levantou uma de suas patas e deixou Roland pegar um pergaminho pequeno e fino.

O papagaio-de-cauda-branca não era Maggie, mas sim um dos pássaros mensageiros treinados por Mel, que poderia lembrar a aparência de cinco a seis pessoas e voar por centenas de rotas. Mesmo se ele fosse para algum lugar desconhecido, ele poderia encontrar seu caminho de volta para casa. Além disso, eles também poderiam voar por um dia inteiro sem fazer uma pausa. Como ainda não existia uma forma melhor de comunicação a longa distância, como via rádio, esse era o modo mais rápido de trocar informações.

Roland abriu o pergaminho enrolado e leu rapidamente o que estava escrito. A carta era de Wendy, que estava levando Lotus, Sylvie, Ramos, Beja-flor e Nana para a bifurcação do Rio Vermelho, como ele havia ordenado. Elas partiram com alguns dos soldados do Esquadrão de Artilharia e oito canhões foram carregados no navio. Era a carga máxima que Vilazinha conseguiria transportar.

O Príncipe calculou a velocidade de Wendy e seus seguidores em sua mente. Levaria um dia para chegar ao destino com o navio de concreto. Embora Sylvie pudesse trabalhar como navegadora, e o navio também pudesse navegar à noite, Wendy não possuía tanto poder mágico quanto Anna, e ela não conseguiria usar seu poder constantemente por muito tempo. No entanto, se descansassem à noite e optassem por velejar durante o dia, só poderiam completar duas viagens de ida e volta dentro de quatro dias e trazer, no máximo, 16 canhões até a bifurcação do rio.

Embora o número de canhões fosse menor do que o da última guerra, seria suficiente, pois precisava-se levar em conta que esse seria um ataque surpresa e que o inimigo não conseguiria reagir a tempo. Roland escreveu uma nova ordem com o lápis que Rouxinol ofereceu, escrevendo que os últimos soldados deveriam partir com toda a munição e se encontrarem com a equipe principal de Machado de Ferro na bifurcação do rio.

Uma hora depois, o papagaio entregou a ordem para Pergaminho, que enviou para o Capitão Brian.

Era meio-dia do dia seguinte, quando Roland foi para o local combinado. Chegando ao local, ele percebeu que o rio se dividia em dois, um seguindo para Forte Cancioneiro, e o outro continuando para Cidade Carmesim.

O que dirigia-se a Cidade Carmesim, as pessoas costumavam chamá-lo de canal principal, enquanto que o afluente que ia para Forte Cancioneiro era chamado de Pequeno Rio Vermelho.

Depois de desembarcar do navio, as bruxas, que já estavam esperando por algum tempo, foram ao encontro do Príncipe.

— Onde está Wendy? — Roland olhou em volta e perguntou.

— Ela voltou para Vilazinha. — Ramos disse — Pois ainda tinha o último lote de canhões para transportar.

— Fui informada de que o senhor planeja lidar com o falso rei, Timothy Wimbledon, que caça às bruxas todos os dias. O que eu posso fazer pelo senhor? — Lotus perguntou ansiosamente.

Embora Machado de Ferro e a força principal do Primeiro Exército não tivessem chegado, seria bom iniciar os preparativos com as bruxas, já que elas haviam chegado.

— Precisamos construir linhas de defesa em ambos os lados do canal principal. — Roland disse enquanto se agachava no chão para desenhar um mapa com uma pedra — Essa linha representa o caminho que os inimigos estão navegando, e nós vamos fazer um ataque surpresa. Por isso, para surpreendê-los com sucesso, os soldados precisarão permanecer ocultos até que o ataque tenha início. Lotus, você irá erguer casas feitas de barro em uma larga forma de V deitado em ambos os lados do rio. Quando digo largas, quero dizer que essas casas precisam seguir por um tanto considerável da margem do rio, as paredes precisam ser bastante grossas, além de que o interior precisa ser dividido em oito compartimentos individuais, contendo apenas pequenas janelas na direção do Rio Vermelho.

— Vossa Alteza, não sei se entendi direito… — Lotus disse, um pouco confusa — O senhor quer esconder os soldados na casa de terra, tudo bem. Mas como eles irão atacar os navios que estão no rio? E o que devemos fazer se as tropas de Timothy passarem pelos soldados e continuarem seu caminho pelo rio?

— Não se preocupe, eles não irão passar. Você irá entender quando chegar a hora. — Roland disse, sorrindo.

Após explicar o plano para Lotus, Roland olhou para Ramos e disse:

— Você será a responsável por camuflar essas casas. Pode usar ervas daninhas ou trepadeiras, elas irão funcionar, desde que você faça elas parecerem naturais.

— Sim, senhor. — Ramos respondeu.

Quando os canhões foram transportados para dentro das novas fortificações camufladas, as casas que Lotus achara inúteis se transformaram instantaneamente em um “encouraçado intransponível”. Cada compartimento poderia cuspir fogo mortal pelas pequenas janelas. Os 16 canhões não perderiam seu alvo por causa do solavanco. Na verdade, eles poderiam atingir um navio no meio do canal principal  com os olhos fechados. Mesmo que após o ataque os navios não afundassem, seus conveses se tornariam inevitavelmente inúteis. E desde o começo da guerra, o inimigo estaria em um estado de desvantagem.

Minhas tropas estão com a vitória nas mãos. — Roland pensou com orgulho.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

17 Comentários

  1. ELE VAI LITERALMENTE OBLITERAR A EXISTÊNCIA DESSES CARAS. Deu até pena desses caras agora. Kkkkkkk
    Obrigado pelo capítulo Mestre JZanin

  2. Acho que vai dar errado, hein? Tá muito fácil pra ser verdade: vai ser um massacre unilateral, se não morrerem fuzilados, morrem afogados…

  3. Torço para que esse último pensamento de Roland se torne verdadeiro.

    Muito obrigado pelo capítulo 🙇😁 Mestre JZanin 🙇😁

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