LAB – Capítulo 318

O desconhecido

Roland começou a escrever rapidamente em um pedaço de papel. Vários parágrafos fluíram da ponta de sua pena. Antes de vir para este mundo, ele sempre desenhava seus projetos no computador, então, como raramente usava uma caneta, ele não previra que usaria esse antigo método de escrita novamente.

Ao seu lado já havia dois projetos prontos, os próximos planos que ele implementaria.

O primeiro projeto era sobre a produção em massa de ácido sulfúrico. Anna e Soraya já haviam fabricado o equipamento necessário. O recipiente de reação de chumbo anterior foi substituído por um de ferro mais resistente, com um revestimento anticorrosivo na parte interna. Esse novo recipiente era três vezes maior que o de testes usado por Kyle.

Como Roland ainda precisava encontrar uma maneira viável de coletar e purificar os gases produzidos pela reação, como o enxofre e óxidos de nitrogênio, ele decidiu construir as instalações no sul da zona industrial, bem longe do Rio Vermelho e da área industrial. Ele também planejou construir um recinto fora da usina, bem como uma chaminé para aumentar ainda mais a altura efetiva da emissão dos gases.

Como o aumento na produção de ácido sulfúrico aumentaria muito a produção de ácido nítrico de alta concentração, a prioridade principal era colocar as instalações em uso. No documento que estava escrevendo, Roland instruía Kyle Sichi a escolher alguns de seus discípulos para trabalhar em regime de dedicação exclusiva na produção em massa de ácido sulfúrico. Ao mesmo tempo, ele também pediu a Barov para recrutar alguns residentes locais para trabalhos manuais, para exercer a função de assistente. Portanto, haveria cerca de 100 trabalhadores na primeira fábrica de produtos químicos.

O segundo projeto era sobre o estabelecimento de um sistema de saúde pública. Para ser honesto, Roland não estava familiarizado com essa área e, naturalmente, não tinha conhecimento da ciência médica moderna de seu antigo mundo. Apesar disso, ele ainda elaborou uma proposta preliminar que atendia às necessidades básicas e emergentes da vila, com base em seu senso comum.

A primeira tarefa para esse departamento seria promover e defender um estilo de vida saudável. Por exemplo, a água deveria ser fervida antes de beber, a carne deveria ser cozida antes de comer e outras medidas de higiene. O povo precisava receber a educação básica relacionada aos cuidados com a saúde, como a causa das doenças e o tratamento correspondente, as diferenças entre parasitas e microrganismos, e demais conhecimentos relacionados. Com a melhora de sua reputação, Roland acreditava que não seria difícil induzir seus súditos a fazer o que ele queria. A parte mais difícil seria explicar toda a razão por trás disso. Para resolver esse problema, Roland precisava de especialistas responsáveis ​​pela educação pública. O povo precisaria estar em contato com as informações durante muito tempo, repetidamente, antes de conseguir internalizar o conceito.

Roland acreditava que toda essa política funcionaria como os slogans que ele espalhou em seu território.[1] Por isso, uma única campanha definitivamente não seria o suficiente.

A segunda tarefa era incentivar a taxa de natalidade. Como a Prefeitura estava com falta de pessoal, Roland não queria criar um departamento para ficar responsável somente pelo controle de natalidade. Após pensar com cuidado, ele definiu que essa tarefa também ficaria sob a responsabilidade do departamento de saúde pública. Vila Fronteiriça estava cada vez mais precisando de mão-de-obra, então, quanto mais filhos os casais tivessem, melhor. Com a ajuda de Nana, as complicações que poderiam surgir durante o parto seriam drasticamente reduzidas, sendo muito provável que todas as mulheres sobrevivessem após darem à luz. Além disso, para evitar o abandono de crianças, especialmente o de meninas, Roland detalhou as políticas de subsídios e punições como, por exemplo, que todas as famílias da vila com um Cartão de Identidade receberiam o subsídio, mas que o subsídio para uma menina seria um pouco maior do que o de um menino, e também que haveria multas e até mesmo prisão para abandono de filhos, dentre outros.

A última parte era sobre taxas. Além de ajudar nos partos, o hospital cobraria uma taxa específica para cada tratamento que Nana administrasse, dependendo do consumo de seu poder mágico. Isso não apenas reduziria o fardo imposto à menina, mas também estabeleceria uma base sólida para a criação e desenvolvimento das futuras instituições médicas. Roland já sabia quem deveria estar à frente desse departamento, o pai de Nana, Visconde Titus Pinheiro.

O terceiro documento, no qual ele ainda estava escrevendo, era o mais complicado e mais longo de todos os três: o plano de construção para transformar Vila Fronteiriça em uma cidade oficial.

O projeto descrevia a expansão da própria cidade, bem como a fusão com Forte Cancioneiro. Roland teria que promulgar uma série de leis governamentais para os dois locais e também criar um sistema judicial e de policiamento. Ele sabia que era impossível escrever um plano abrangente e perfeito apenas com o seu conhecimento, que era bastante superficial. Portanto, ele decidiu fazer um rascunho do projeto e melhorá-lo depois de discutir os detalhes com Barov, o Primeiro-Ministro da Prefeitura.

Roland se esticou depois de terminar a seção de abertura. Ele então caminhou até a janela francesa do escritório. O dia inteiro foi bastante sombrio, com nuvens escondendo o sol da manhã à tarde. Um vento frio soprava, agitando as oliveiras e levantando poeira no castelo, indicando que uma chuva forte estava para chegar.

Neste momento, Roland viu um ponto voando na direção do castelo.

— É Raio. — Roland ouviu a voz de Rouxinol atrás de si.

— Ah, provavelmente ela deve ter ido à Floresta das Brumas pegar cogumelos novamente. — Roland sorriu.

Normalmente, quando Raio e Maggie não precisavam investigar algum lugar, elas apenas voavam livremente pela floresta e almoçavam por lá mesmo. Elas diziam que era comum se depararem com colmeias e ninhos de pássaros, conseguindo alguns ovos no processo. Às vezes elas até mesmo caçavam e faziam um churrasco de pequenos animais.

Acho que essas duas estão cada vez mais parecidas com Bear Grylls. — Roland pensou.

Embora os cogumelos shimeji geralmente crescessem em árvores, Roland se lembrou de uma história chamada “a garota que pegava cogumelos”.

— Vossa Alteza, você está com um… sorriso estranho no rosto.

— Coff, coff, é que acabei de lembrar de uma história interessante. Você quer ouvir?

— Hã?

Roland limpou a garganta e começou:

— Era uma vez uma menina que gostava de colher cogumelos enquanto contava… espere.

Raio diminuiu a altitude de voo, aproximou-se rapidamente e, para surpresa de Roland, parou na frente da janela francesa, em vez de passar por cima do castelo, como fazia normalmente. Roland hesitou por um momento, mas logo abriu a janela. Assim, Raio entrou rapidamente no escritório.

— Vossa Alteza! Eu encontrei uma bruxa! — Raio disse animada após aterrissar.

— Uma bruxa? — Roland perguntou curioso — Onde?

— Na torre de pedra que fica na Floresta das Brumas. — Raio apontou para Maggie, que entrou no escritório um pouco depois — Ela pode ser minha testemunha!

— Pruu, pruu! — Maggie levantou a cabeça e arrolhou.

— Torre de pedra? — As sobrancelhas de Roland se franziram — Eu quero saber exatamente, e com detalhes, tudo o que aconteceu.

Roland engasgou depois de ouvir o relato de Raio. Ele não podia acreditar que a menina seria tão audaciosa a ponto de investigar novamente, somente com a companhia de um pombo, as ruínas onde encontrara os demônios da última vez. O mais surpreendente é que havia uma bruxa nas ruínas.

Ah, mas também pode ser uma pessoa comum que foi selada por uma bruxa. — Roland pensou — Bem, seja como for, isso continua sendo algo incrível.

—  E a voz pedindo ajuda?

— Ela vem disso aqui, ó! Eu encontrei na mesa atrás do cubo de gelo. — Raio tirou do bolso uma caixinha quadrada de ferro do tamanho da palma da mão.

A parte de cima da caixa parecia um pequeno espelho à primeira vista. Quando Roland abriu a tampa, no entanto, viu uma pedra preciosa vermelha embutida nela. Depois de ligar o interruptor ao lado da pedra, uma voz ansiosa de mulher soou em seu ouvido:

— Ajude-me…

Roland estremeceu. Em um momento a voz parecia soar no pé de seu ouvido e em outro parecia estar bem distante. Se ele estivesse ouvindo essa voz em um calabouço escuro, ele com certeza sairia fugindo dali.

— A pedra preciosa tem poder mágico. — Rouxinol disse com espanto — Eu posso ver o ciclone do poder mágico, embora seja quase invisível. Parece muito com o poder mágico de uma bruxa.

Parece que a pedra preciosa é um tipo de gravador que funciona com poder mágico. Então, a probabilidade da mulher ser uma bruxa é ainda maior. — Roland pensou e logo perguntou a Raio:

— Há outras pedras assim no porão da torre de pedra?

Raio balançou a cabeça e respondeu:

— Eu não olhei. Muitos dos quartos já estavam inundados. Quando eu encontrei a bruxa, meu único pensamento era voltar o mais rápido possível e contar as novidades.

— Pois não faça uma coisa dessas de novo e, principalmente, não vá para lugares perigosos sozinha. — Roland deu um tapinha na cabeça de Raio e depois olhou para Rouxinol — Convoque todas as bruxas da União e Machado de Ferro para virem até o meu escritório. Precisaremos adiantar o nosso plano de exploração das ruínas na Floresta das Brumas.


[1] Caso você queria relembrar, pode ver o planejamento no capítulo 142 e um pouco dos resultados no 263.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

11 Comentários

  1. Raio era uma pesonagem que gostava muito mas estava ficando sem destaque… Fico feliz pela sua superação

    PS: mané exploração, Maggie vai querer saber é dos ovos cozidos dela kkkkkkk

  2. Eu ainda acho que é um gravador feito para enganar as pessoas que entrarem nas ruínas ou algo assim!

  3. Impressão minha ou o Roland pareceu um pai preocupado com a filha por ter saído e avisa pra não se meter em perigo novamente.
    Obrigado pelo capítulo JZanin

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