LAB – Capítulo 419

Depois que a fumaça causada pela batalha se dissipou, a floresta voltou ao silêncio. As longas tranças da bruxa se desfizeram e seus cabelos se espalharam como pétalas brancas sobre o corpo.

O sangue escorria por suas costas e rapidamente formou uma poça vermelho-escuro, lentamente imergindo no chão e derretendo o solo frio e duro, exalando um cheiro ferroso pouco tempo depois.

Rouxinol agachou-se e desamarrou a venda no rosto da bruxa. Ela achou que o rosto parecia inesperadamente jovem, provavelmente deveria ter a sua idade. No entanto, as cicatrizes em seus olhos acabavam com seu belo rosto. Seus olhos pareciam ter sido repetidamente queimados com ferro em brasa, e sua pele era vermelha e enrugada, o que a fez perder o contorno dos olhos.

Com certeza essas feridas foram causadas por homens. — Rouxinol gentilmente tocou as cicatrizes enrugadas. Quanto a se ela obteve essas feridas antes de se tornar uma bruxa ou depois de servir a Igreja, ninguém jamais saberia. No entanto, isso não era importante, porque, a partir de agora, ela não poderia mais ferir bruxas e não sofreria mais tormentos.

Depois de inspecionar o corpo de Santa, Rouxinol encontrou uma carta, um selo e um emblema em seu manto, especificamente em um bolso secreto no forro. O emblema era um círculo dividido por uma cruz com o punho cerrado no centro.

Ela não levava mais nada, nem peças de ouro ou joias.

Talvez ela tenha odiado tudo em sua vida. — Rouxinol pensou em silêncio.

— Ei, olhe o que eu peguei. — A voz de Raio soou no ar.

Rouxinol olhou para cima e viu a garotinha carregando um homem lutando. Assim que viu Rouxinol, Raio o jogou no chão.

O homem gemeu de dor e rolou ao redor, tentando se levantar, mas ele estava amarrado, então tudo que podia fazer era se virar indefeso. A roupa do homem revelou que ele era provavelmente o Sacerdote que estava sentado na outra carruagem.

— Onde está Maggie?

— Ela está guiando Cinzas para perseguir os guerreiros do Exército do Julgamento que fugiram. — Raio foi até Santa — Esta é a bruxa treinada pela Igreja?

— Uhum. — Rouxinol disse suavemente — Ela nunca mais vai nos caçar.

— Pela sua aparência, é difícil acreditar que ela nos via como inimigos que deveriam ser assassinados… — A garotinha suspirou.

— Se não fosse pela Igreja, nada disso teria acontecido. — Rouxinol se virou para encarar o homem cativo. Quando ele viu a bruxa deitada em uma poça de sangue, seus olhos imediatamente se arregalaram e ele tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu por causa da mordaça de pano em sua boca.

Rouxinol tirou a mordaça e perguntou:

— Você tem alguma coisa a dizer?

— Coff… você, você matou a bruxa purificada do Bispo Tayfun, diabo imprudente! Você, mais cedo ou mais tarde, será enforcada pela Igreja no portão da cidade e deixada para os corvos!

— Mesmo se nós não a matássemos, se fôssemos capturadas pela Igreja, o tratamento não seria melhor. — Rouxinol disse — E comparado a isso, é melhor você se preocupar primeiro consigo mesmo.

— Mesmo se eu morrer, eu terei a salvação de Deus, e vocês só irão cair no Inferno e serão torturadas para sempre! — O Sacerdote berrou.

— É por isso que tive que pôr a mordaça. — Raio disse.

Rouxinol colocou a mordaça de volta em sua boca.

— Bem, vamos deixar que Sua Alteza lide com ele. Ele disse que Machado de Ferro é muito bom em interrogar esses tipos de pessoas.

Quando Maggie trouxe as duas bruxas de Ilha Adormecida, o sol já estava se pondo. Cinzas pulou da parte de trás da besta e aterrissou firmemente ao lado de Rouxinol.

— Você não está ferida, está?

— Tudo correu bem. — Rouxinol respondeu — E com vocês?

— Obviamente que nenhum homem escapou. — Cinzas riu com orgulho.

— Ela está morta? — Andrea aterrissou e olhou para Santa — Eu pensei que você a manteria viva.

— O inimigo era uma bruxa, então hesitar seria extremamente perigoso. — Cinzas sorriu de forma zombeteira e continuou — Se tivesse sido comigo, eu também não a teria deixado viva.

— Puxa, você não tem piedade de sua própria espécie.

— Ela não é uma de nós, mas uma marionete controlada pela Igreja. — A Extraordinária disse de forma casual — Além disso, às vezes nossa própria espécie pode ser até mais cruel que outras. Eu nunca vi bestas demoníacas ou demônios aprisionarem e torturarem pessoas por vários anos.

Depois de dizer isso, ela tirou suas luvas manchadas de sangue e ofereceu a mão a Rouxinol.

— Suas ações e desempenho foram incríveis, e você fez a coisa certa nesta situação.

Rouxinol olhou para Cinzas por um momento antes de segurar a mão dela.

— Obrigada.

Quem teria pensado que alguém como ela me confortaria. — Rouxinol pensou — Ela provavelmente não queria que eu me sentisse culpada por matar uma bruxa.

— Acho que essa vitória vale a pena comemorar! — Raio disse.

Maggie concordou com um “pruu!”.

Andrea revirou os olhos, estendeu as mãos e colocou em cima das mãos de Rouxinol e Cinzas.

— Preciso deixar claro que se fosse apenas a sua mão, eu não tocaria, então tudo isso é por causa de Rouxinol.

— Tudo bem, eu entendi. — Cinzas disse, levantando a sobrancelha.

Então, as cinco bruxas levantaram as mãos para o céu, parecendo uma torre inabalável sob o vento frio.

Em seguida, elas precisavam coletar as informações transportadas pela delegação de emissários e esconder os vestígios da batalha. Depois de lidar devidamente com esses problemas na floresta por dois dias, elas voltaram a Vila Fronteiriça, três dias após sua partida.

Depois de pousar no quintal do castelo, Rouxinol foi imediatamente cercada por suas irmãs.

— Ah, eu ouvi que você estava ferida. Onde você está machucada? — Nana perguntou.

— Ela está esperando por você há muito tempo. Por que você voltou tão tarde? — Lily perguntou, irritada.

— Ainda… dói? — Lucia perguntou com urgência.

— Estas ervas foram feitas especialmente por mim. Elas ajudam a estancar o sangramento e diminuir o inchaço, então tenho certeza que você se sentirá muito melhor. —  Ramos disse com um sorriso.

— Como você pôde ser tão descuidada e lutar contra a Igreja sozinha?! Talvez na próxima vez você não tenha essa sorte! — Essa era a voz de Wendy.

— Está tudo bem, desde que ela possa voltar em segurança. — Pergaminho entrou na conversa.

Vendo seus rostos preocupados, Rouxinol sentiu seu coração bater mais rápido e aquecer todo o seu corpo. Ela não entendia como as bruxas da Igreja viviam, mas ela sabia o que era pertencer à União das Bruxas. Não havia dúvida de que valeria a pena dedicar tudo para isso.

Então, ela viu Sua Alteza Roland.

Raio pulou em seus braços e grudou nele como um filhotinho.

Maggie também voou para o ombro de Roland, se esfregando em sua bochecha.

Embora Rouxinol quisesse fazer isso também, ela sabia que não era mais uma criança, então reprimiu o impulso de abraçar Roland, aproximou-se dele e disse com um sorriso:

— Estou de volta em casa.

— Uhum, eu esperei por você por um longo tempo. — O Príncipe sorriu, com aquele sorriso já familiar — Tome um banho quente e descanse um pouco. Eu coloquei alguns pacotinhos de peixe seco grelhado na gaveta do escritório.

— Humm, então eu vou mesmo.

Rouxinol sorriu.

Ela se convenceu mais uma vez de que fizera a coisa certa.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

2 Comentários

  1. Chorei de emoção, esse era o momento perfeito para a Rouxinol tacar um beijão no tapado do Roland!
    Uma pena…

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