LAB – Capítulo 450

Velhos amigos

Rene Medde ficou preso no porão da mansão da Família Alce por duas semanas. Ele pensou que poderia parar Jacques, mas não esperava que seu irmão mais velho fizesse o primeiro movimento.

— Aqui está o seu almoço. Espero que você aprecie. — Sean, o mordomo com um queixo comprido, trouxe um prato de comida pegajosa para a cela. O que estava no prato parecia uma mistura de aveia e legumes, e a porção era apenas do tamanho da palma da mão.

— Liberte-me, seu idiota! — Rene jogou a comida no chão e, segurando as barras da cela, gritou — Jacques é um idiota também. Ele não tem ideia do que está fazendo. Não é tarde demais para me deixar sair!

O mordomo balançou a cabeça, com pesar, pegou um lenço e limpou os sapatos sujos.

— Se eu fosse você, eu teria comido em vez de jogar fora. O Conde pediu para que eu lhe trouxesse comida uma vez por dia durante toda esta semana, para lhe poupar alguma força.

— Porra! Você não ouviu o que eu disse? — Rene, que não estava mais preocupado com etiqueta, vociferou suas próximas palavras — Isso não é sobre uma refeição. Se Jacques não parar, ele destruirá a Família Alce. Pelo amor de meu pai, abra esta cela!

Aparentemente, o mordomo ficou comovido com o que Rene disse no final. Quando ele estava prestes a sair, ele parou.

— Pelo amor de seu pai? Eu acho que se ele ainda estivesse vivo, ele teria expulsado você desta casa. — Ele então se virou e olhou para Rene, sem expressão — Mestre, você parece ter esquecido que foi Roland Wimbledon quem matou o Conde da Família Alce. Por outro lado, a Família Madressilva não só passou para o lado do Príncipe Roland, mas também o ajudou a suprimir as outras quatro Famílias. Neste momento, seu irmão mais velho está tentando corrigir esse erro, mas você está morrendo de medo. Como você pode ser um cavaleiro qualificado dessa maneira?

— Não cabe a você julgar se sou um cavaleiro qualificado! — Rene disse com raiva — Nos últimos três anos, enquanto eu estava derrotando as bestas demoníacas na linha defensiva de Hermes, Jacques estava ocupado apreciando vinhos e mulheres na capital. Você acha que é por bravura que ele decidiu atacar a Família Madressilva? Não seja ridículo. Ele está apenas cego pelo lucro!

Sean suspirou.

— Mesmo que você seja o irmão mais novo de Sir Jacques, você deve mostrar-lhe algum respeito. Afinal, ele é tanto um Conde quanto o chefe da Família Alce.

Depois disso, o mordomo ignorou Rene e deixou o porão ao longo das escadas. Quando a porta foi fechada, o porão voltou ao silêncio.

— Merda do caralho! — O segundo filho da Família Alce bateu com força o punho no chão.

Desde o começo do inverno, Jacques começou a visitar as outras famílias com mais frequência. Rene não prestou muita atenção a isso no começo, afinal, seu irmão não estava interessado em gerenciar sua família. Além disso, quando foi levado cativo por Sua Alteza Real pela primeira vez, Jacques se recusou a pagar o resgate, e foi Petrov quem lhe ofereceu uma ajuda e o libertou da prisão. Desde então, o relacionamento entre os dois irmãos caiu ao ponto de estagnação. Mesmo assim, Rene não planejava brigar com seu irmão sobre quem seria o chefe da família. Quando ouviu as notícias sobre a construção de Vila Fronteiriça, chegou a considerar ir à vila e servir ao Príncipe Roland, tornando-se um cavaleiro oficial de guarda. Mas depois, houve algumas mudanças na situação. Durante uma festa particular realizada na mansão dos Alces, Rene ouviu que as quatro Famílias planejavam se unir e lutar juntas contra Forte Cancioneiro.

Naquela noite, Rene correu até o escritório de Jacques e o confrontou, mas Jacques não ficou feliz com isso e o expulsou. Rene pensou nisso durante toda a noite e decidiu contar a Petrov a notícia e levar seus patrulheiros a pararem Jacques. Inesperadamente, seu café da manhã foi envenenado por Jacques. Quando Rene acordou, ele já se encontrava na prisão.

Desde então, apesar de ter gritado e ameaçado, ele ainda não tinha conseguido uma chance de se encontrar com Jacques. Todos os dias, ele só podia julgar o tempo observando o brilho de uma persiana no canto do porão, e a única pessoa que ele havia visto era o mordomo pessoal de Jacques.

Rene sentiu um longo ronco em seu estômago, fazendo-o perceber que estava faminto.

Dando uma olhada na comida espalhada pelo chão, Rene virou a cabeça e deitou na pilha de palha.

— É melhor eu ir dormir… Não vou sentir fome quando adormecer.

No momento em que Rene fechou os olhos, uma série de passos ressoou no porão.

Será que poderia ser… Jacques? — Rene instantaneamente pulou da pilha de palha e correu para as barras de ferro. Com a ajuda da luz fraca da persiana, ele viu uma figura pequena e esguia. Obviamente, isso não poderia ser o arrogante Conde.

— Irmão, você está bem? — Quando a pessoa chegou à cela, ele descobriu que era Aurélia, a terceira filha da Família Alce.

— Como é que você entrou?

— Jacques não está por perto, e esses criados não podem me impedir. — Aurélia viu a farinha de aveia no chão e disse incrédula — É isso o que eles estão servindo a você? Que absurdo! Aguarde só um pouquinho que vou à cozinha fazer algo para você.

— Jacques não está em casa? — O que sua irmã disse repentinamente entristeceu Rene e quase o fez esquecer sua fome — Para onde ele foi?

— Não faço ideia… Ele partiu dois dias atrás — Aurélia balançou a cabeça e disse —, junto com a maioria dos guardas da casa. Caso contrário, eu não poderia ter vindo aqui.

— Droga. — Rene ficou desapontado — Jacques saiu há dois dias e hoje é o terceiro dia, mesmo que eu possa sair agora, receio que já seja tarde demais.

— Irmão, ouvi dizer que Jacques estava tentando ferir a Família Madressilva. Isso é verdade? — Aurélia parecia preocupada — Sir Petrov ficará bem?

É mesmo, Aurélia sempre teve uma queda por Petrov. Embora eu tenha tentado juntar os dois, parece que meu amigo Petrov tem outra pessoa em mente. Mas agora nada pode ser feito. — Rene encostou-se nas barras de ferro e sentou-se, sentindo-se fraco, afinal, ele conhecia Jacques muito bem — Jacques não terá misericórdia da Família Hull, o que definitivamente enfurecerá o Príncipe Roland e, assim, todo o resto da Região Oeste estará condenada! Jacques passou muito tempo na Cidade Real de Castelo Cinza, então ele não faz ideia no que ele se meteu…

Rene fechou os olhos. Ele não conseguia parar de pensar no dia em que ele e seu exército atacaram Vila Fronteiriça. Os fogos continuavam brilhando diante de seus olhos, o trovão ressoava ao redor de suas orelhas incessantemente. Os cavaleiros nas primeiras filas pareciam ter sido atingidos por uma barreira invisível e suas habilidades, adquiridas através de anos de treinamento e a coragem de lutar pela honra, perderam sua eficácia diante das poderosas armas dos inimigos.

Daquele momento em diante, Rene perdera totalmente a intenção de lutar contra Sua Alteza novamente. Ninguém poderia derrotar as tropas de Sua Alteza. Pelo menos, nenhum ser humano poderia.

Mas quando o Príncipe Roland ficar sabendo do que está acontecendo em Forte Cancioneiro e decidir dar um jeito nisso tudo, de que servirá tudo o que a Família Alce ganhar com essa rebelião? Desta vez… o Príncipe Roland não deixará as quatro Famílias viverem. — Ele pensou.

— Qual é o problema, irmão? — Aurélia pegou seu irmão pelos ombros e o balançava para frente e para trás, mas ele continuava atônito.

— A Família Alce está acabada.

Só então, rugidos soaram vindo de cima, pelo teto espesso, e então o chão tremeu um pouco. Parecia que a mansão havia sido atingida por alguma coisa.

Isso é o que eu penso que é? — Rene se virou e viu sua irmã com a mesma expressão de surpresa.

Então veio outro som trovejante, ainda mais forte, e uma série de ruídos. Rene podia ouvir gritos de pânico dos criados de sua família vindo de algum lugar sobre sua cabeça.

Será que tudo isso… é um ataque do exército do Príncipe Roland? — Rene ficou atordoado — Como isso é possível?

O que está acontecendo lá fora? — Aurélia se levantou — Vou verificar.

— Não faça isso! — Rene segurou a mão de sua irmã — Não saia, espere aqui e fique quietinha.

— Hã?

— Ouça o que estou dizendo. — Rene engoliu em seco e disse com uma voz cansada — Pode ser bastante perigoso lá fora agora.

Os rugidos se aquietaram em pouco tempo. Apenas alguns minutos depois, um pelotão invadiu o porão. Os homens usavam uniformes marrons e seguravam estranhas armas de cabo longo. De relance, Rene percebeu que eram os soldados do Príncipe Roland.

Ele se sentiu totalmente sem esperança. Ele esperava a retaliação de Sua Alteza, mas não tão depressa!

Poderia este ser um drama dirigido e interpretado pelo próprio Príncipe Roland? — Rene pensou.

— Quem é você? Como ousa invadir a mansão do Conde? — Aurélia levantou-se e questionou.

Um homem alto e forte saiu do meio do pelotão. Com um rosto angular e uma aura arrepiante ao redor dos olhos, sua presença dava a impressão de que ele era um forasteiro nos quatro Reinos.

— Você é o segundo filho da Família Alce, cavaleiro Rene Medde? — Aquele homem perguntou.

— Se você sabe quem ele é, então sabe que precisa… recuar… o que você está fazendo? — Aurélia disse, com voz trêmula, mas ainda assim permaneceu de pé na frente das barras.

— Eu sou Rene! Não a machuque! Ela é inocente!

Rene pensou que estava prestes a ver algo insuportável, mas aquele homem só avançou e ignorou totalmente Aurélia. O que ele disse em seguida simplesmente chocou Rene.

— Meu nome é Machado de Ferro, Comandante do Primeiro Exército. Sua Alteza Roland pediu-me para encontrá-lo. — Aquele homem disse com uma voz séria — Além disso, ele me pediu para dizer a você que o senhor Petrov deseja vê-lo.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

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