LAB – Capítulo 456

Diferenças

Depois de explicar o plano da unificação da administração, Roland levantou sua xícara e tomou vários goles enquanto esperava que todos processassem as informações.

Roland precisava de muita mão-de-obra para manter o governo funcionando em todo o seu território. Antes que o nível geral de alfabetização melhorasse, ele precisava confiar nos nobres. A maioria deles tinha o equivalente ao ensino fundamental e uma certa experiência em gestão. Se houvesse um nobre que se distinguisse dos outros, Roland o promoveria e o colocaria no comando de uma cidade ou território. Se fosse em seu antigo mundo, Roland poderia se referir a essa posição como um Governador ou Prefeito.

Vários minutos depois, Roland trouxe o próximo tópico para discussão.

Era hora de reprimir o crime.

Em sua proposta para a nova ordem, a organização conhecida como “ratos do Submundo” não seria mais necessária. Todos na cidade poderiam encontrar trabalho e não precisariam mais saquear, logo, não haveria demanda por bens roubados. Roland provavelmente não poderia conseguir essa façanha em uma cidade moderna e altamente desenvolvida, com uma população na faixa de dez milhões. A saturação excessiva de empregos de salário mínimo no mercado criaria uma alta taxa de desemprego. Felizmente, a população da Região Oeste, incluindo Forte Cancioneiro e toda a área suburbana, não passava de 60 a 70 mil pessoas. Como o grande desenvolvimento ainda não havia começado, as pessoas da cidade poderiam encontrar trabalho, desde que quisessem um emprego.

— O quanto vocês sabem sobre os ratos?

— O senhor quer dizer… os ratos do Submundo? — Rene Medde tossiu — Eu fiz negócios com eles antes.

— Que tipo de negócio você fez com eles? — Roland perguntou com interesse.

— Hum… — Rene engoliu em seco, um pouco envergonhado — Eu era o líder do Fogacho, e lutei com várias gangues de ratos por territórios.

— Ahahahaha! — Várias pessoas começaram a rir.

Roland ficou espantado. Ele nunca esperou que o segundo filho do Conde lidasse com ratos. Além disso, Fogacho… era um nome tão sem brilho. Ele começou a duvidar da legitimidade de Rene ser filho do Conde Medde.

— Vossa Alteza, a verdade é que… — Petrov começou a explicar —, vários anos atrás, as forças do Submundo corriam soltas no cais. Quase todos os dias civis e comerciantes estrangeiros eram mortos, e as patrulhas fechavam os olhos para o assunto. Conde Rene não aguentava mais, então trouxe seus próprios guardas e um grupo de pessoas do campo de refugiados e juntos eles expulsaram os ratos do cais. Na época, ele estava escrevendo para mim diariamente para me manter atualizado sobre o andamento da operação. Eu estava longe, na Cidade Real de Castelo Cinza, durante esse tempo. Na carta, ele me disse que era uma guerra que se igualava àquela contra as bestas demoníacas, então eu acho…

— Petrov, já chega. — Rene interrompeu, envergonhado — Eu estava entediado e só queria fazer algo para me ocupar naquele momento.

Então essa foi a razão. Foram apenas as ações impulsivas, porém galantes, de um jovem nobre, como uma demonstração de seu comportamento cavalheiresco. — Roland acreditava que o segundo filho do Conde Alce, que amava lutar quando jovem, gostava de comandar um grupo de seguidores. Então, enquanto Fogacho não era um verdadeiro exército no sentido em si da palavra, o que eles lutaram foi de fato uma batalha real.

— E como está essa gangue agora? — Roland perguntou.

— Hã… não sei, Vossa Alteza. — Rene coçou a cabeça — Depois que fui defender Hermes e lutar contra as bestas demoníacas reais, não tive mais contato.

Roland assentiu.

— Na verdade, eu vou erradicar todos os ratos de Forte Cancioneiro para que todos possam viver uma vida pacífica.

— Vossa Alteza, eu sinto muito em dizer isso — Rene hesitou antes de dizer—, mas… isso é provavelmente impossível.

— Por quê? — Roland franziu a testa — Eu tenho o Primeiro Exército ao meu lado. Os ratos são mais difíceis de lidar do que os cavaleiros?

— Não é isso o que eu quis dizer. — Rene parecia estar procurando as palavras certas para se expressar — Eles são fracos, tímidos e sem armas ou armaduras. Eles nem conhecem táticas de operação, basicamente, não são de forma alguma comparáveis aos cavaleiros. No entanto, se o senhor os executar juntamente com os rebeldes, quero dizer, executá-los apenas porque eles costumavam ser ratos, eu tenho medo de que não haja muitos civis em Forte Cancioneiro após a limpeza.

— Então você está dizendo que…

— Ratos e civis estão misturados, eles são um e a mesma coisa, Vossa Alteza. — Rene respondeu respeitosamente — Depois de um ano particularmente ruim, quando os Meses dos Demônios são muito longos, muitos civis precisam se tornar ratos do Submundo para se sustentar. É por isso que a maioria dos Lordes faz vista grossa à existência do Submundo. Um conflito interno é aparentemente melhor que um motim externo causado pela fome.

O rosto de Roland ficou sério. Ele nunca tinha pensado sobre como os ratos surgiram.

— E quem são os superiores deles?

— Algumas dessas pessoas são criminosos e alguns deles são apoiados pelos nobres locais, mas também há alguns criminosos de outras cidades.

— Bem, eu espero que nenhum de vocês esteja apoiando qualquer rato agora. — O Príncipe declarou enquanto olhava ao redor da longa mesa, com uma expressão sombria.

Todos os nobres abaixaram a cabeça em resposta. O Príncipe suspirou e continuou:

— Bem, isso não importa mais agora. Contanto que vocês me auxiliem no plano de limpeza, eu perdoarei seus erros passados. — Depois de uma pausa, Roland olhou para Rene — Eu tenho uma tarefa pra você.

— Sim, Vossa Majestade.

— No próximo mês, vou me concentrar em reprimir todas as atividades criminosas em Forte Cancioneiro. Você deve cooperar com o Primeiro Exército para eliminar todos os líderes de gangues do Submundo e acabar completamente com todas as suas organizações. Quanto aos métodos específicos, eu vou enviar alguém para dar as instruções a você.

— Vossa Alteza, e os cidadãos que dependem deles? Sem as gangues parar de lhes fornecer comida, eles provavelmente não sobreviverão aos Meses dos Demônios. — Rene estava preocupado — Ainda mais este ano em que os Meses dos Demônios chegaram mais cedo do que o habitual, pode haver ainda mais pessoas dependendo deles do que nos anos anteriores.

— Vou deixar Petrov abrir o celeiro e distribuir comida para os cidadãos até o fim dos Meses dos Demônios.

Os nobres em volta da mesa começaram a protestar:

— Vossa Alteza, isso não vai funcionar!

— Esse tipo de apoio só vai piorar as coisas!

— Depois disso, todo mundo na cidade se tornará um mendigo!

Todos os nobres se aventuraram na empreitada de tentar impedir o Príncipe.

Roland bateu com o punho com força na mesa e disse em alto e bom som:

— Eu me decidi e não quero mais ouvir seus protestos!

Roland sabia que os nobres pensavam o pior das pessoas e acreditavam que eram preguiçosos, ignorantes, incompetentes e imundos. Eles acreditavam que os civis eram muito gananciosos em sua natureza e os consideravam absolutamente sem qualquer tipo talento ou esperança de melhorar. No entanto, Roland pensava diferente e conhecia a força do povo. Eles podem parecer estúpidos, mas com orientação e um modelo a seguir, eles podem mudar o jogo. Se as pessoas fossem realmente tão inúteis quanto os nobres pensavam, como poderiam continuar mudando o mundo?

De fato, tentar melhorar as pessoas era o melhor investimento. Mesmo a menor mudança positiva teria um retorno maior do que o esperado.

— Finalmente, quero que você espalhe essa mensagem o mais rápido possível. — Roland olhou para Petrov — Você tem experiência nisso, então eu quero que você trabalhe nisso com afinco. Se os civis não puderem ler a mensagem, peça a alguém para ler para eles em voz alta. Apenas certifique-se de que a mensagem escrita contenha o que falamos hoje durante o jantar.

— Tudo o que discutimos? — Petrov perguntou com um olhar surpreso — Até as informações sobre o plano de limpeza dos ratos do Submundo?

— Sim, inclua isso e as informações sobre a abertura do celeiro para distribuir comida. — Roland olhou para os nobres em volta da mesa, desafiando-os — Essas são as condições que criam uma Prefeitura em funcionamento e são uma necessidade para que ela funcione adequadamente. Divulgue as políticas, responda às perguntas das pessoas e aceite comentários. Essa é a melhor maneira de implementar uma mudança na política.

Roland acreditava que ele precisava primeiro ensinar os nobres e então unificar a lei consolidando a administração, bem como aumentando a segurança pública, enquanto fazia propaganda política antes de restabelecer a ordem.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

5 Comentários

  1. Esse capítulo foi tão atual…
    Os nobres desdenhando do povo, achando que dar ao povo o que comer, os tornará em mendigos…
    Mostra que, sem um líder que enxergue o real valor de seu povo, os “nobres” (interprete “nobre” como muitas das variações atuais) farão o possível para que o povo continue na miséria

    1. Não achei atual, porque diferente dessa era, na era moderna os “nobres” atrapalham o povo, e assim impedindo deles terem o que comer, pode parecer igual mas tem diferença, é que nem aquela frase, “os nobres(modernos) quebram as pernas do povo, pra vender uma muleta quebrada e inflacionada” já nessa era é todo mundo pobre por falta de avanço tecnológico e da ciência

Leave a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Social Media Auto Publish Powered By : XYZScripts.com
error: O conteúdo deste site está protegido!