LAB – Capítulo 487

Escudo protetor

Ao anoitecer, o navio chegou ao porto mais próximo de Forte Cancioneiro.

Petrov já sabia de antemão da viagem e cumprimentou-os no porto com seus seguidores. Quando retornaram ao castelo, um grande banquete de boas-vindas os esperava no saguão do primeiro andar. Depois de assumir Forte Cancioneiro, algo mudou no coração de Roland. Ao observar os nobres brindando uns aos outros, ele sentiu que o dinheiro gasto no banquete saía de seu próprio bolso.

Depois de cumprimentar brevemente o filho mais velho da Família Madressilva, ele foi direto ao assunto.

— Os ratos voltaram novamente?

— A julgar pelos relatórios que recebemos, parece que sim. — Petrov fez um gesto para guiar o Príncipe até um canto do salão — Comparados com os antigos grupos organizados do Submundo, os criminosos que recentemente prendemos agiram individualmente em sua maioria, como ladrões, assaltantes e assassinos, todos os quais foram arrastados para a praça para serem enforcados. Como o senhor nos pediu para julgar com provas adequadas, os homens que executamos eram apenas uma pequena parte de todos os criminosos denunciados. Verificar as informações exige muito tempo… Além disso… — O filho mais velho da Família Madressilva fez uma pausa e continuou — Estamos com um grande problema recentemente.

— Qual seria?

— Alguém está resistindo abertamente às suas políticas, Alteza. — Petrov disse em tom preocupado — Conde Medde sabe mais sobre isso. Vou pedir a ele para lhe contar em detalhes.

— Vossa Alteza, cumprimento-o em nome da Família Alce. — Depois de ser convocado, Rene veio e fez uma reverência ao Príncipe, e então começou a contar toda a história — Recentemente, algo sério aconteceu na Rua Norte, na periferia da cidade… Humm, o Xerife Vader chamou isso de um caso de assassinato em série.

É realmente como eu chamaria. — Isso deixou Roland bastante interessado.

— Continue.

— Sim. — Rene Medde disse em uma voz séria — Durante as noites dos últimos três dias, um residente foi encontrado morto em sua própria casa. As vítimas eram homens, viviam sozinhos, não tinham família e, o mais importante, buscaram emprego na Prefeitura.

O Príncipe franziu a testa.

— Eles eram trabalhadores regulares?

— Se trabalhadores manuais puderem ser contados como trabalho em tempo integral, então sim. — O Conde da Família Alce assentiu — No quarto de cada vítima havia uma pintura desenhada com sangue, uma coroa e uma cruz. Por causa da marca idêntica, procurei a confirmação da Prefeitura e depois soube que todas as vítimas estavam na lista de pessoas que seriam enviadas ao Distrito Rio Vermelho para construir casas.

— Então você acha que a intenção dele é…

— Sabotar seu plano de alistamento, Alteza. — Rene respondeu — Rumores estão se espalhando na Rua Norte dizendo que quem se candidatar a um emprego na Prefeitura será um alvo para os assassinos.

— Eu acredito que é isso o que está acontecendo. — Petrov entrou na conversa — Nós contratamos menos do que esperávamos, e quase não há candidatos da Rua Norte. Além disso, há candidatos que se arrependeram de se alistarem, dizem que são fisicamente incapazes de sair da cidade e esperam que os funcionários possam tirar seus nomes da lista de inscrição da Prefeitura. Agora, o boato está apenas na Rua Norte, mas se começar a se espalhar por outros distritos, pode sabotar seu plano de construção.

Roland contemplou por um momento e perguntou:

— Você tem alguma pista sobre o suspeito?

— Bem… — Rene abriu a boca e disse depois de um tempo — Não conseguimos descobrir nenhuma testemunha dos crimes, então não temos ideia de por onde começar a busca.

— Realmente… — Roland ficou surpreso — Como você resolveu esses casos em ocasiões anteriores?

— O senhor quer dizer com a patrulha? — O jovem Conde da Família Alce hesitou por um momento — Até onde eu sei, a patrulha não dispunha desse tipo de métodos, tão padronizados. Se fosse um caso influente em que as famílias da vítima apelassem para o Lorde, e o Lorde decidisse mostrar justiça aos seus súditos, ele pressionaria os gângsteres do Submundo para ordenar aos ratos que entregassem o criminoso.  A patrulha não se importava se a pessoa que entregassem fosse apenas um bode expiatório ou não. Se a vítima fosse um estrangeiro ou se morava sozinha, a patrulha normalmente a ignorava.

Mas isso é um absurdo! — Roland pensou, chocado — O modo como a patrulha lida com esses casos é igual a entregar a jurisdição aos ratos. Não me admire que as pessoas estivessem dizendo que os ratos eram a outra parte que governava a cidade. Além disso, nesta época, parece não existir algo como investigação criminal, então se não houver testemunhas em um caso de assassinato, provavelmente será suspenso. É claro, isso quando a pessoa assassinada for um civil. Vila Fronteiriça sempre esteve sob a supervisão de Rouxinol, além de ter uma composição populacional simples, diferente de Forte Cancioneiro que possui mais pessoas e mais crimes. Bem, acabei negligenciando esse fato. Embora Rene não tenha dito isso, ele deve ter pensado que meu pedido de um veredicto sobre provas verificadas fosse muito exigente. Mas não importa, eu não permitirei o uso de bodes expiatórios no meu território.

— Entendi. A partir de amanhã, o Gabinete de Segurança assumirá o caso e tudo o que você precisa fazer é cooperar.

— Sim. Obrigado, Alteza. — Rene disse alegremente.

Depois do banquete, Roland voltou ao seu escritório no último andar do castelo. O interior do escritório parecia muito diferente agora. As prateleiras de livros em volta das paredes estavam todas vazias e um sofá macio, uma mesa de chá e almofadas foram adicionados. Atrás da mesa, a parede foi aberta e duas janelas francesas foram instaladas. Embora os vidros não fossem feitos de cristal, expandiram muito a visão do cômodo. Através do vidro levemente colorido, Roland olhou para todo Forte Cancioneiro, envolta em escuridão, e assentiu com satisfação.

Parece que Petrov seguiu minhas ordens com muito cuidado, o que significa que escolhê-lo como meu vice foi uma decisão sábia. — Roland pensou.

— Como você planeja lidar com isso? — Rouxinol saiu da névoa já sentada na mesa com as pernas cruzadas.

— Eu não estou planejando lidar com isso. — O Príncipe sorriu, balançando a cabeça — Agora que todos os nobres retornaram ao forte, amanhã o trabalho principal deles é estabelecer a Prefeitura secundária, dividindo-a em departamentos e colocar algumas pessoas no comando. Quanto mais cedo a estrutura for estabelecida, mais cedo Soraya pode começar a identificação. Você será a encarregada de combater crimes.

—  Eu?

— Você é a chefe do Gabinete de Segurança, então depende de você decidir como resolver um caso… Todo o departamento de polícia da Cidade de Primavera Eterna está sob seu comando. Tanto Vader quanto Rene são seus subordinados.

— Mas você nunca disse que a autoridade dos departamentos deveria ser separada, e o status administrativo deveria ser igual? — Rouxinol se sentiu desnorteada — Eu não entendo como funciona a Prefeitura, mas esse arranjo parece colocar o Gabinete de Segurança acima da Prefeitura.

— A segurança territorial é a prioridade principal, e é exatamente por isso que você se reporta diretamente a mim. — Roland disse afirmativamente — Não só para o departamento de polícia, mas todo o trabalho de exame para a Prefeitura e para o Exército será realizado por você. Mas, de fato, cada departamento deve ser separado e não interferir um com o outro, mas precisa de uma teia que os vincule e impeça que ocorra abuso de poder e corrupção, impedindo que o sistema se deteriore por dentro. Você deve ter ouvido o ditado “a defesa mais firme desmorona por dentro” não é? —  Roland parou por um tempo, olhando nos olhos de Rouxinol e continuou — Você é o meu escudo protetor mais poderoso para impedir que todas essas coisas aconteçam. Agora, tanto minha segurança pessoal quanto a segurança do território estão em suas mãos.

JZanin
Professor de Química, mestre em Ensino de Ciências, jogador de RPG sem tempo e Deodoro Aliguieri nos tempos vagos que não existem mais. ~Strong alone, stronger together!~

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